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Constitucionalismo 
Teoria da Constituição
Profa. Cintia Garabini Lages
Constitucionalismo: 
sentidos
SENTIDO AMPLO
Constitucionalismo é o fenômeno relacionado ao fato de todo 
Estado possuir uma constituição em qualquer época da 
humanidade, independentemente do regime político adotado ou 
do perfil jurídico que lhe pretenda impor.
Exemplo de 
compreensão em
sentido amplo:
“Debaixo desse aspecto [material], 
não há Estado sem Constituição, 
Estado que não seja constitucional, 
visto que toda sociedade
politicamente organizada contém uma
estrutura mínima, por rudimentar que 
seja.”
Paulo Bonavides
Curso de Direito Constitucional, p. 63.
SENTIDO ESTRITO
Constitucionalismo é a técnica jurídica de tutela das liberdades, 
surgida nos fins do século XVIII, que possibilitou aos cidadãos 
exercerem, com base em constituições escritas, os seus direitos e 
garantias fundamentais, sem que o Estado lhes pudesse oprimir pelo 
uso da força e do arbítrio.
Nicola Matteucci
“A definição mais conhecida de constitucionalismo é a 
que o identifica com a divisão do poder, ou de acordo 
com a formulação jurídica, com a separação dos poderes. 
A favor dessa identificação existe um precedente assaz e 
respeitável, a Declaração Universal dos Direitos do 
Homem e do Cidadão, de 1789, que tão grande 
influência havia de ter nas mudanças constitucionais da 
Europa no século XIX.(2)
Charles Howard McIlwain
Sentido amplo vs Sentido 
estrito
Nós, hoje, somos propensos a considerar as 
constituições como o que elas devem ser. Uma 
constituição deve ser um documento escrito, nós 
achamos, com artigos sobre liberdade, direitos 
humanos, o estado de direito, e democracia de modo 
a ser considerada merecedora do nome. Tais 
concepções ideológicas sobre a constituição 
(constitucionalismo) podem tornar alguém míope. 
Elas ficam no caminho de um verdadeiro 
entendimento acerca das raízes mais antigas da 
constituição e como esse fenômeno está conectado à 
história humana.”
Evolução do 
constitucionalismo
O constitucionalismo pode ser dividido 
em fases que variam a segundo a 
concepção de cada doutrinador. 
Analisaremos aqui o sentido da 
expressão constituição na Antiguidade 
Grega, no Império Romano, na Idade 
Média e no Estado Absolutista. 
Posteriormente, analisaremos o 
constitucionalismo moderno, liberal e 
social.
Constitucionalismo Antigo
O sentido originário da expressão constituição 
remonta à Grécia e Roma Antigas.
Na Grécia, a expressão politeia é compreendida 
com constituição, referindo-se à maneira de ser
da pólis, sua forma, estrutura e organização.
“Uma verdadeira constituição
representa autenticamente a 
maneira estável da unidade
política, cuja origem deve ser 
pacífica, produto de um acordo
entre forças políticas distintas, 
de modo a garantir a unidade
da pólis.”
Platão
CONSTITUIÇÃO GREGA
Aristóteles avança com 
relação ao pensamento
de Platão e concebe a 
constituição como
regime constitucional
estavelmente fundado. A 
estabilidade pressupõe o 
reconhecimento da 
virtude como fim da 
política.
De todos os diversos significados atribuíveis à palavra “constituição”, o 
temo grego “politeia” corresponde a um dos mais antigos. Significa 
sobretudo o estado como ele é em realidade. É um termo que compreende 
todas as inumeráveis características que determinam a natureza peculiar 
de um estado, incluindo o conjunto da sua estrutura econômica e social, 
assim como o referente às questões de seu governo, (...). Se trata de um 
termo puramente descritivo, abrangente no seu significado das mesmas 
coisas que incluímos na palavra “constituição” quando falamos em 
termos gerais da constituição de um homem ou da matéria. 
Charles Howard McIlwain
Fioravanti considera que o 
sentido de constituição para 
os antigos, gregos e romanos, 
era compartilhado. 
José Alfredo de Oliveira 
Baracho identifica outro 
sentido para a expressão
constituição para os romanos.
Constitucionalismo 
Romano
• Segundo Baracho, em Roma, a 
expressão “constitutio” era 
empregada com o sentido de ato 
legislativo em geral ou como 
resultado do mesmo.
• Em um momento posterior, a 
expressão “constitutiones” passa 
a significar o arsenal jurídico do 
Império.
No mesmo sentido, 
afirmou Charles 
Howard McIlwain:
“No Império 
Romano a palavra, 
em sua forma 
latina, era a 
denominação 
técnica de atos de 
legislação 
imperiais.” 
Características da Idade 
Média
• Formação e consolidação do feudalismo
• Integração das culturas romana e germânica
• Fragmentação e descentralização do poder, com política e economia 
exercida pelos senhores feudais
• Sociedade estamental e hierarquizada seguindo as ordens do clero, 
nobreza e servos (os que rezam, guerreiam e trabalham, 
respectivamente)
• Europa ruralizada baseando a economia na agricultura, formação dos 
feudos, poucos contatos comerciais externos e uso de moedas
• Fortalecimento da Igreja Católica, do Teocentrismo e do cristianismo, ao 
mesmo tempo em que houve o enfraquecimento da cultura laica
• Invasão dos povos vikings, húngaros, sarracenos e eslavos nos séculos IX 
e X, saqueando várias cidades europeias
Constitucionalismo 
Medieval
A constituição adquire o significado 
de legislação, segundo Baracho, e 
teve como objetivo fundamentar e 
explicar as relações de poder dos 
indivíduos na realidade política.
Constitucionalismo 
Medieval
No século XIII, afirma 
McIlwain, e durante os 
séculos seguintes, 
“constituição” significa 
sempre uma disposição 
administrativa concreta, 
no mesmo sentido 
conferido pelos romanos. 
O termo era empregado 
pra distinguir estas 
disposições dos 
costumes.
ESTADO ABSOLUTISTA
Poder político:
• Fundamentação.
• Características.
• Relação Estado x Sociedade.
Luís XVI da França e Maria Antonieta
FUNDAMENTAÇÃO DO PODER 
POLÍTICO ABSOLUTISTA
Com a obra “Política tirada das Santas Escrituras”, 
escrita em 1679, mas publicada postumamente 
em 1709, Jacques Bénigne-Bossuet (1627-1704) 
torna-se o teórico do absolutismo monárquico. 
Atribui-se a ele o desenvolvimento da teoria do 
direito divino do monarca de governar. Assim, 
qualquer governo formado legalmente expressa a 
vontade de Deus e é sagrado e qualquer rebelião 
contra ele é criminosa. 
Ao soberano compete governar seus súditos 
como um pai, à imagem de Deus, sem se deixar 
afetar pelo poder.
características do absolutismo monárquico
Estado Absolutista
“A organização política repousa em um 
pacto celebrado entre os governados, que 
convêm em obedecer, e os governantes, 
que se comprometem a assegurar a ordem 
e respeitaras condições postas ao seu 
direito de mandar: respeitar as leis do reino, 
as liberdades e prerrogativas dos súditos”. 
Esse o sentido de Constituição no Estado 
absolutista, segundo Baracho.
Henrique VIII
Características do 
estado absolutista:
– Centralização política em uma 
capital;
– Separação entre sociedade civil e 
governo;
– Burocracia estatal;
– Moeda única;
– Formação de tropas permanentes 
(exército);
– Sistema de leis e tributário 
unificados;
– Soberania nacional.
Características da 
economia no contexto 
do estado absolutista...
• Pacto colonial
• Mercantilismo
• Protecionismo
Ordenamento jurídico (ou 
desordenamento...)
• Segundo José Reinaldo de Lima 
Lopes, no Estado absolutista, era 
do ius commune, várias eram as 
fontes do direito, dentre as quais 
destacavam-se as fontes 
legisladas do poder político, como 
as leis régias, os costumes, os 
estatutos locais e corporativos, o 
corpo do direito romano e o corpo 
de direito canônico estudados na 
universidade.
Estado Absolutista
Fatores que levam o Estado 
Absolutista à crise:
• Reforma protestante.
• Lutas por liberdade de confissão 
religiosa.
• Fortalecimento da classe burguesa.
• Desenvolvimento de práticas de 
investigação científica.
CONSTITUCIONALISMO 
NA MODERNIDADE
Democracia
Constituição escrita
Reconhecimento dos direitos humanos
Rule of law – império da lei
Constitucionalismoclássico - Origens
• Limitação do poder do Rei Charles I pelo 
Parlamento com a aprovação do Petition of Rights
– Inglaterra – 1628;
• Revoluções liberais na Inglaterra;
• Independência das colônias inglesas na América 
do Norte – 1776;
• Constituição do Estado da Virginia de 1776;
• Propagação dos ideais iluministas.
• Constituição norte-americana – 1787;
• Revolução Francesa e a declaração universal dos 
direitos do homem e do cidadão – 1789.
Charles I, Rei da Inglaterra
Constitucionalismo 
Clássico e as
características do 
Estado Liberal
Constitucional
Democrático*
Formal/mínimo
Capitalista/não intervencionista
PRINCIPAIS 
CARACTERÍSTICAS 
DA CONSTITUIÇÃO 
LIBERAL:
Tem por referência o próprio Estado;
Visa regular juridicamente o Estado de modo 
separado da sociedade;
Não intervencionista;
Adota um regime democrático representativo 
e 
Possui uma forte inspiração liberal.
Conteúdo das constituições liberais:
Forma de Estado: unitário, federal, etc..
Formas de governo: república ou monarquia;
Sistema de governo: presidencialismo ou 
parlamentarismo;
Conteúdo das constituições liberais:
Princípio da separação de poderes: a função legislativa 
é atribuída ao parlamento, a administrativa ao Rei ou 
ao Presidente e a jurisdicional aos juízes e tribunais.
Positivação dos direitos fundamentais individuais como 
garantidores da autonomia privada.
Declaração Universal dos 
Direitos do Homem e do 
Cidadão
“Art. 16 - Toda a sociedade 
que não garanta direitos nem 
assegure o princípio da 
separação de poderes não 
possui uma constituição”.
A Liberdade guiando o povo - Eugène Delacroix
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix
Pluralismo e liberdade no Estado Liberal 
Segundo Gisele Cittadino, a 
ideia de liberdade, segundo a 
lógica liberal, significa a 
capacidade que cada cidadão 
possui de ter a sua 
concepção razoável acerca 
da vida digna e de procurar 
realizar os objetivos por ela 
fixados, sem interferências 
impeditivas externas.
O que entendem os modernos 
por liberdade? 
Perguntai-vos primeiro, Senhores, o 
que em nossos dias um inglês, um 
francês, um habitante dos Estados 
Unidos da América entendem pela 
palavra liberdade. 
Benjamin Constant
É para cada um o direito de não se submeter senão às 
leis, de não poder ser preso, nem detido, nem 
condenado, nem maltratado de nenhuma maneira, 
pelo efeito da vontade arbitrária de um ou de vários 
indivíduos. É para cada um o direito de dizer sua 
opinião, de escolher seu trabalho e de exercê-lo; de 
dispor de sua propriedade, até de abusar dela; de ir e 
vir, sem necessitar de permissão e sem ter que 
prestar conta de seus motivos ou de seus passos. É 
para cada um o direito de reunir-se a outros 
indivíduos, seja para discutir sobre seus interesses, 
seja para professar o culto que ele e seus associados 
preferem, seja simplesmente para preencher seus 
dias e suas horas de maneira mais condizente com 
suas inclinações, com suas fantasias. 
“A liberdade dos 
modernos”
• Direitos fundamentais são 
concebidos como limites à 
atuação da soberania popular, 
limites ao próprio processo 
democrático.
• Os direitos são concebidos como 
trunfos (Dworkin) contra 
decisões da maioria que tenham 
por objetivo restringir as 
liberdades individuais.
Pluralismo social e justiça 
no Estado Liberal
• No estado liberal prevalece uma 
concepção de pluralismo que 
privilegia a lógica individual, 
segundo a qual o pluralismo é 
compreendido como diversidade 
de concepções individuais acerca 
da vida digna, diversas 
concepções individuais acerca do 
bem.
• O ideal de justiça busca assegurar 
a cada indivíduo a realização do 
seu projeto pessoal de vida.
Declaração de 
Independência das 13 
colônias inglesas da 
América do Norte
“Consideramos estas 
verdades como evidentes 
por si mesmas, que todos 
os homens sa ̃o criados 
iguais, dotados pelo 
Criador de certos direitos 
inaliena ́veis, que entre 
estes esta ̃o a vida, a 
liberdade e a procura da 
felicidade. Que a fim de 
assegurar esses direitos, 
governos sa ̃o institui ́dos
entre os homens, 
derivando seus justos 
poderes do consentimento 
dos governados...”
DECLARAÇÃO DO BOM POVO DA VIRGINIA
I - Que todos os homens são, por 
natureza, igualmente livres e 
independentes, e têm certos
direitos inatos, dos quais, quando
entram em estado de sociedade, 
não podem por qualquer acordo
privar ou despojar seus pósteros e 
que são: o gozo da vida e da 
liberdade com os meios de adquirir
e de possuir a propriedade e de 
buscar e obter felicidade e 
segurança. 
“Com efeito, os liberais, porque 
conferem prioridade à autonomia 
privada, privilegiam os direitos 
fundamentais, pois são eles que 
asseguram a configuração de um 
Estado neutro e evitam 
interferências indevidas em relação 
às visões individuais acerca do 
bem. Ou, de outra forma, a 
neutralidade é uma exigência que 
decorre do próprio pluralismo.” 
Gisele Cittadino (p.06)
A partir de uma 
compreensão liberal de 
estado e de pluralismo, 
fundada no protagonismo 
da autonomia privada, 
garantidora da liberdade e 
representada pelos 
direitos fundamentais, 
qual papel desempenha a 
Constituição?
Sentido de 
constituição
A Constituição apresenta-se como “constituição-
garantia”, sua função é a de preservar os direitos 
fundamentais concebidos como liberdades negativas, 
e assegurar a autonomia moral dos indivíduos.
Iluminismo, economia, 
estado e direitos 
fundamentais
No contexto pós-revolucionário liberal, 
havia uma “crença bastante simplista 
de que como a filosofia da burguesia 
estava baseada na Razão e que, do 
ponto de vista social, nada poderia 
existir de mais racional do que uma 
sociedade justa e igualitária, a 
burguesia seria capaz de criar, por si 
própria, o bem-estar geral.”
Arnaldo Spindel
Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã
“Proposta à Assembleia Nacional da França, 
durante a Revolução Francesa (1789-1799) por 
Marie Gouze (1748-1793), filha de um açougueiro 
do Sul da França, que adotou o nome de Olympe
de Gouges para assinar seus planfletos e petições 
em uma grande variedade de frentes de luta, 
incluindo a escravidão, em que lutou para sua 
extirpação. Batalhadora, em 1791 ela propõe 
uma Declaração de Direitos da Mulher e da 
Cidadã para igualar-se à outra do homem, 
aprovada pela Assembleia Nacional. Girondina, ela 
se opõe abertamente a Robespierre e acaba por 
ser guilhotinada em 1793, condenada como contra 
revolucionária e denunciada como uma mulher 
"desnaturada".
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-à-criação-da-
Sociedade-das-Nações-até-1919/declaracao-dos-direitos-da-mulher-e-da-cidada-
1791.html
Constitucionalismo 
clássico
Exemplos de Constituições Liberais:
• Constituição Americana de 1787;
• Constituição Francesa de 1791;
• Constituição Brasileira de 1824;
• Constituição Brasileira de 1891.
No entanto, um novo modo de pensar, já presente na lógica liberal, enquanto 
sua negação, acaba tornando-se a solução... Entra em crise a concepção liberal 
de estado, que dá lugar a uma concepção socialista.
Fatores que levaram o 
Estado Liberal à crise:
• Formalismo exagerado no 
reconhecimento de direitos;
• Reivindicação de melhores 
condições de vida e trabalho;
• Surgimento dos sindicatos;
• Edição do Manifesto Comunista, 
em 1848; 
• Revolução Russa em 1917; 
• 1ª Guerra Mundial;
• Grade Depressão Econômica de 
1929.
Com o desenvolvimento da economia de 
mercado, fortemente influenciado pelo 
liberalismo econômico, uma nova 
configuração da sociedade substituiu a 
anterior: industriários, proprietários de 
um lado e os proletários do outro. 
“Começou-se a perceber que Liberdade, 
Igualdade e Fraternidade para a 
burguesia não significava a mesma coisa 
do que para o proletariado, e que este 
último, para consegui-lo, teria de se 
organizar e lutar.” 
“No caminho que vai de Baboeuf à Marx, 
uma série de movimentos revolucionários
ocorreram e muitospensadores 
socialistas surgiram, propondo soluções
diversas.”
Arnaldo Spingel
Constitucionalismo e 
Estado Social
Características:
• Busca a correção do 
individualismo e do 
formalismo do Estado Liberal.
• Assume um conteúdo 
material, buscando realizar 
direitos sociais através de 
políticas públicas.
• Princípio basilar: igualdade
• Socialismo pressupõe a busca 
por uma sociedade mais justa 
e mais igual.
Constituição 
e Estado 
Social
É concebida como projeto social integrado por um conjunto de valores compartilhados 
que traduz um compromisso com certos ideais;
Liberdades constitucionais positivas, direitos de participação política, integram os 
indivíduos no processo político comunitário.
Para assegurar a concretização desses valores, a interpretação da constituição é 
orientada pelos valores éticos compartilhados socialmente.
Gisele Cittadino
A Constituição, - com seu sistema de 
direitos – significa, na verdade uma matriz, 
um projeto social integrado por um conjunto 
de práticas comuns que determinam a 
identidade dos indivíduos autônomos que, 
por sua vez, tem a obrigação “de restaurar 
ou de sustentar a sociedade na qual esta 
identidade é possível. A constituição, 
enquanto projeto, revela, neste sentido, um 
sentimento compartilhado, uma identidade 
e uma história comuns, um compromisso 
com certos ideais. 
Constitucionalismo
Liberal
A soberania popular é limitada pelos direitos fundamentais e assegura o 
reconhecimento de liberdades negativas, protetivas de uma esfera de 
atuação individual, no âmbito da qual os indivíduos, considerados como
iguais, gozam da sua autonomia privada.
Constitucionalismo
social
Soberania popular define os direitos fundamentais, 
resultado da tradução dos valores compartilhados.
Confere primazia à autonomia pública: direitos
fundamentais são concebidos como liberdades
positivas de participação na ativa na construção das 
decisões políticas.
Assim, a soberania popular define a extensão dos 
direitos fundamentais.
Componentes do 
Estado Social
• O Estado atua como agente 
redistribuidor de rendas;
• fornece bens primários;
• diminui o risco, a incerteza e a 
informação assimétrica.
• Garante a materialização da igualdade.
Estado Social
• A interpretação do Direito é 
dirigida no sentido de garantir as 
dinâmicas e amplas finalidades 
sociais que recaem sobre os 
ombros do Estado;
• Métodos interpretativos buscam 
possibilitar a materialização do 
Direito sobretudo dos valores do 
Estado Social;
Art. 1 - A Itália é uma República Democrática, baseada no 
trabalho. A soberania pertence ao povo, que a exerce nas 
formas e nos limites da Constituição. 
Art. 2 - A República reconhece e garante os direitos invioláveis 
do homem, quer como ser individual quer nas formações sociais 
onde se desenvolve a sua personalidade, e requer o 
cumprimento dos deveres inderrogáveis de solidariedade 
política, econômica e social. 
Art. 3 - Todos os cidadãos têm a 
mesma dignidade social e são 
iguais perante a lei, sem 
discriminação de sexo, de raça, de 
língua, de religião, de opiniões 
políticas, de condições pessoais e 
sociais. Cabe a República remover 
os obstáculos de ordem social e 
econômica que limitando de fato 
a liberdade e a igualdade dos 
cidadãos, impedem o pleno 
desenvolvimento de pessoa 
humana e a efetiva participação 
de todos os trabalhadores na 
organização política, econômica e 
social do País. 
• Art. 38 - Todo cidadão, impossibilitado de trabalhar e desprovido dos 
recursos necessários para viver, tem direito ao seu sustento e à
assistência social. Os trabalhadores têm direito a que sejam previstos 
e assegurados meios adequados às suas exigências de vida em caso 
de accidente, doença, invalidez, velhice e desemprego involuntário. 
• Os incapacitados e os deficientes têm direito à educação e ao 
encaminhamento profissional. Às tarefas previstas neste artigo 
provêem orgãos e instituições predispostos ou integrados pelo 
Estado. A assistência privada é livre. 
Estado Social
• Exemplo de Constituições Sociais:
• 1917 – Constituição de Queretaro – México;
• 1919 – Constituição de Weimar – Alemanha;
• 1934, 1937, 1946 e 1967/69 – Constituições 
Brasileiras;
• 1787– Constituição Norte Americana.
Crise do Estado Social
• Insuficiência econômica pós 2ª 
Guerra Mundial;
• Eclosão de movimentos sociais 
que pugnavam pelo 
reconhecimento do exercício da 
autonomia pública. Exemplos: 
Movimento feminista, 
movimento ecologista, 
movimento hippie, movimento 
pacifista. 
Constitucionalismo 
procedimental
(Estado democrático de 
Direito)
“Não há Estado de Direito sem democracia 
radical”
Jürgen Habermas
Em 6 de agosto de 1965, o presidente
Lyndon Johnson, dos Estados Unidos, 
assinou a Lei dos Direitos de Voto (Voting 
Rights Act) que proibiu a discriminação
racial no processo eleitoral, decorrentes da 
segregação racial dos Estados Unidos. A lei 
que assegurou o direito de voto para os
negros foi resultado do movimento dos 
direitos civis.
https://ensinarhistoriajoelza.com.br/linha-do-tempo/negros-conquistam-o-direito-de-
voto-estados-unidos/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
Constitucionalismo 
procedimental
• Um dos seus maiores expoentes é Jürgen Habermas, que 
busca conciliar as duas principais tradições do 
Iluminismo, a liberal, que se ocupa da defesa das 
liberdades individuais e da autonomia privada, e a social, 
que prioriza a lógica cidadã, democrática, dando ênfase à 
autonomia pública e aos direitos que a asseguram, as 
liberdades de comunicação e participação.
• Para Habermas, a superação dos paradigmas de Estado 
Liberal e Social, deve ocorrer sem que o Estado adote 
um conteúdo ideológico pré-determinado.
Movimento reivindicando o direito das religiosas de votarem no Sínodo da Amazônia – 2019 -
https://www.womensordination.org/2018/09/votes-for-catholic-women/
• Para tanto, devem ser 
reconhecidos tanto direitos a 
iguais liberdades subjetivas de 
ação, direitos sociais, direitos 
processuais e de participação 
política, de modo a assegurar o 
caráter complementar e co-
originário das autonomias pública 
e privada.
Autonomia 
privada
Âmbito de ação individual, garantido 
a partir do reconhecimento de que 
todo indivíduo possui os mesmos 
direitos e a mesma dignidade, 
permitindo a cada um sonhar e 
trabalhar em prol de um plano de 
vida pessoal.
As liberdades individuais que 
garantem a autonomia privada 
também se apresentam como uma 
condição essencial para a vida 
política, para a ação cidadã, pois sem 
igualdade (uma pessoa, um voto), e 
sem liberdade política, não há como 
assegurar a todos o exercício da 
cidadania.
Autonomia
Pública
• É o direito de cada um, na
qualidade de cidadão, de participar
dos processos de tomada de decisões
que os afetam. São garantidos pelos
direitos de peticionamento, de 
liberdade de opinião e expressão, de 
liberdade sindical, de liberdade
político-partidária, liberdade de 
comunicação, direito ao voto e a ser 
votado, entre outros.
• A autonomia pública pressupõe a 
adoção de procedimentos que 
possibilitam a participação do cidadão
de forma livre e sem coação e 
resultados legítimos. 
O caráter 
procedimental do 
direito
• Como assegurar a cada um seus direitos, 
a cada um a mesma liberdade e a mesma 
dignidade? E como assegurar direitos de 
participação política? Qual a forma a ser 
adotada para possibilitar que tanto os 
direitos individuais, as liberdades civis, 
quanto as liberdades públicas possam ser 
garantidas?
• A resposta encontra-se na adoção de 
procedimentos democráticos.
Constitucionalismo procedimental 
e democracia deliberativa
• A democracia é concebida como sendo do tipo deliberativa ou 
participativa, o que significa dizer que a mesma é mais ampla e ao 
mesmo tempo mais exigente se comparada aos modelos 
democráticos representativos simples ou mesmo os 
complementados por participações diretas.
• A democracia deliberativa repousa naadoção de procedimentos 
democráticos que possibilitam a construção de decisões políticas 
através de uma prática discursiva, assegurada àqueles que, na 
qualidade de destinatários dos efeitos das decisões tomadas, tem 
garantido o direito de participação em simétrica paridade. 
Legitimidade do 
Direito:
• Não repousa em uma concepção 
ideológica liberal ou 
comunitarista;
• É neutra, na medida em que 
respeita o caráter plural da 
sociedade;
• Resulta da adoção de 
procedimentos dos quais 
participam ou tem assegurado o 
direito de participar todos 
aqueles que serão afetados pela 
decisão ao final tomada.
Ainda sobre a 
legitimidade do 
direito
• Uma ordem jurídica é legítima na medida 
em que assegura a autonomia privada e 
a autonomia cidadã de seus membros, 
pois ambas são co-originárias; ao mesmo 
tempo, porém, ela deve sua legitimidade 
a formas de comunicação nas quais essa 
autonomia pode manifestar-se e 
comprovar-se. A chave da visão 
procedimental consiste nisso. 
Praça dos Três Poderes –
Brasília/Distrito Federal
A constituição 
procedimental
• A Constituição, no Estado Democrático de 
Direito, caracteriza-se por institucionalizar 
juridicamente os processos e pressupostos 
comunicacionais que possibilitam a formação 
democrática do direito e ao assegurar a 
autonomia pública e privada dos cidadãos.
Bibliografia
1 - CARVALHO, Kildare Gonçalves. Direito Constitucional. Belo 
Horizonte: Editora Del Rey, 2010, p. 257.
2 – BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. 
São Paulo: Saraiva, 2008, p. 11
3 – BARACHO, José Alfredo de Oliveira. Teoria Geral do 
Constitucionalismo. Acesso em 17/02/2013 e Disponível em: 
http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/00
0427043.pdf
4 – BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São 
Paulo: Malheiros Editores, 2001.
5 - OLIVEIRA, Marcelo Andrade Cattoni de. Tutela jurisdicional 
e Estado democrático de direito. Belo Horizonte: Del Rey 
Editora, 1997.
6 – LAGES, Cintia Garabini. A inadequação do processo objetivo 
à luz do modelo constitucional do processo brasileiro. 
Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: PUC Minas, 2002.
http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/000427043.pdf
http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/000427043.pdf
	Slide 1: Constitucionalismo 
	Slide 2
	Slide 3: SENTIDO AMPLO
	Slide 4: Exemplo de compreensão em sentido amplo:
	Slide 5: SENTIDO ESTRITO
	Slide 6: Nicola Matteucci
	Slide 7: Charles Howard McIlwain
	Slide 8: Sentido amplo vs Sentido estrito
	Slide 9
	Slide 10: Evolução do constitucionalismo
	Slide 11: Constitucionalismo Antigo
	Slide 12
	Slide 13: CONSTITUIÇÃO GREGA
	Slide 14
	Slide 15
	Slide 16: Constitucionalismo Romano
	Slide 17
	Slide 18: No mesmo sentido, afirmou Charles Howard McIlwain:
	Slide 19: Características da Idade Média
	Slide 20: Constitucionalismo Medieval
	Slide 21: Constitucionalismo Medieval
	Slide 22: ESTADO ABSOLUTISTA
	Slide 23: FUNDAMENTAÇÃO DO PODER POLÍTICO ABSOLUTISTA
	Slide 24: características do absolutismo monárquico
	Slide 25: Estado Absolutista
	Slide 26: Características do estado absolutista:
	Slide 27: Características da economia no contexto do estado absolutista...
	Slide 28: Ordenamento jurídico (ou desordenamento...)
	Slide 29: Estado Absolutista
	Slide 30: CONSTITUCIONALISMO NA MODERNIDADE
	Slide 31: Constitucionalismo clássico - Origens
	Slide 32: Constitucionalismo Clássico e as características do Estado Liberal
	Slide 33: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO LIBERAL:
	Slide 34: Conteúdo das constituições liberais:
	Slide 35: Conteúdo das constituições liberais:
	Slide 36: Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão
	Slide 37: Pluralismo e liberdade no Estado Liberal 
	Slide 38
	Slide 39: O que entendem os modernos por liberdade? 
	Slide 40
	Slide 41: “A liberdade dos modernos”
	Slide 42: Pluralismo social e justiça no Estado Liberal
	Slide 43: Declaração de Independência das 13 colônias inglesas da América do Norte
	Slide 44: DECLARAÇÃO DO BOM POVO DA VIRGINIA
	Slide 45
	Slide 46
	Slide 47: Sentido de constituição
	Slide 48: Iluminismo, economia, estado e direitos fundamentais
	Slide 49
	Slide 50: Constitucionalismo clássico
	Slide 51
	Slide 52: Fatores que levaram o Estado Liberal à crise: 
	Slide 53
	Slide 54: Constitucionalismo e Estado Social
	Slide 55: Constituição e Estado Social
	Slide 56
	Slide 57: Constitucionalismo Liberal
	Slide 58: Constitucionalismo social
	Slide 59: Componentes do Estado Social
	Slide 60: Estado Social
	Slide 61
	Slide 62
	Slide 63
	Slide 64
	Slide 65: Estado Social
	Slide 66: Crise do Estado Social
	Slide 67: Constitucionalismo procedimental (Estado democrático de Direito)
	Slide 68
	Slide 69: Constitucionalismo procedimental
	Slide 70
	Slide 71: Autonomia privada
	Slide 72: Autonomia Pública
	Slide 73: O caráter procedimental do direito
	Slide 74: Constitucionalismo procedimental e democracia deliberativa
	Slide 75: Legitimidade do Direito:
	Slide 76: Ainda sobre a legitimidade do direito
	Slide 77: A constituição procedimental
	Slide 78
	Slide 79: Bibliografia

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