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1 
 
Olá, caro (a) aluno (a)! No edital da Unirio 2025, foram inseridos conteúdos de língua 
portuguesa que não estavam presentes no edital anterior. Seguem as atualizações: 
 
TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS 
 
Os gêneros textuais podem ser conceituados como realizações linguísticas definidas por 
propriedades sociocomunicativas, isto é, estão dentro de um contexto cultural, apresentando 
função comunicativa. Eles abrangem um conjunto ilimitado de características determinadas 
pelo estilo do autor, composição, conteúdo e função. Além disso, eles podem sofrer alterações 
ao longo do tempo, em razão das mudanças de comunicação na sociedade. 
Os gêneros textuais mais comuns são: poema, conto, crônica, artigo, receita culinária, 
propaganda, resumo, novela, dicionário, carta, resenha e e-mail. 
Já a tipologia textual é definida por propriedades linguísticas, tais como: vocabulário, 
tempos verbais, relações lógicas, construções frasais etc. Resumidamente, os tipos textuais 
são responsáveis pela forma como um texto se apresenta. 
A quantidade de tipos de textos pode variar entre 5 e 9, mas os mais comuns são: 
narrativo, descritivo, argumentativo-dissertativo, argumentativo-expositivo e injuntivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É importante você saber que, apesar de a classificação ser didaticamente útil, 
raramente são produzidos textos puramente narrativos, descritivos, argumentativos ou 
injuntivos. O que ocorre, na verdade, é uma classificação que considera a predominância das 
características de um tipo de produção textual em detrimento dos demais, menos evidentes, 
mas não menos importantes. 
 Nas provas elaboradas pelas bancas de concursos, é muito comum o enunciado de uma 
questão pedir que o (a) candidato (a) identifique qual tipologia é a predominante no texto. Para 
não errar, é importante analisar quem é o autor (se possível) e quais foram seus objetivos ao 
escrever o texto (informar, contar uma história, defender uma tese etc.). 
 
 
 
Texto narrativo – consiste em evidenciar fatos vivenciados e desenvolvidos por certos 
personagens em um dado tempo e espaço. 
Texto descritivo – consiste em representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, 
mediante a indicação de características, de pormenores individualizantes. 
 
Texto argumentativo-dissertativo – consiste em apresentar ideias, analisá-las, defender um 
ponto de vista sustentado em argumentos. 
 
Texto injuntivo – consiste em dar uma instrução, ensinar como fazer, exprimir uma ordem 
ou um pedido de execução ou não execução de uma determinada ação. 
 
Texto argumentativo-expositivo – consiste em apresentar um assunto ou acrescentar 
informações acerca de um tema específico. Utilizam-se para isso explicações e dados de 
outras áreas. Funciona como um texto informativo. 
 
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2 
FIGURAS DE LINGUAGEM 
 
 As figuras de linguagem são formas de expressão que destoam da linguagem cotidiana, 
valorizando e embelezando um texto. Algumas questões de prova cobram, direta ou 
indiretamente, o emprego adequado dessa linguagem diferenciada. 
 
As classificações das figuras de linguagem 
 
 As figuras de linguagem podem ser divididas em: 
 
• Figuras de palavras (ou semânticas); 
• Figuras de sintaxe (ou de construção); 
• Figuras de pensamento. 
 
Obs.: Há também as chamadas figuras sonoras ou de harmonia, mas elas não são normalmente 
cobradas em provas de concursos. Por essa razão, não iremos tratar dessas figuras. 
 
Vamos estudar cada uma delas a partir de agora. 
 
 
Figuras de palavras – consistem no emprego de palavras em sentido conotativo. São as 
seguintes: metáfora, metonímia, comparação, catacrese, sinestesia, perífrase. 
 
 
a) metáfora 
 
Consiste na utilização de um termo em lugar de outro, sem que haja uma relação real entre 
eles, mas pelo fato de que se faz uma associação e se depreende entre eles certas 
semelhanças. Na metáfora, diz-se que uma coisa é outra, sem se utilizar de expressões que 
indiquem que uma comparação está sendo feita. 
 
Ex.: “Sua boca é um cadeado 
 E meu corpo é uma fogueira.” 
 (Chico Buarque de Holanda) 
 
 Seus olhos são duas jabuticabas. 
 
b) metonímia 
 
Consiste na substituição de um termo por outro, quando entre eles existe uma relação de 
proximidade de sentidos que permite essa troca. Há metonímia quando se emprega: 
 
a parte pelo todo Ele tem inúmeras cabeças de gado. (= bois inteiros) 
a causa pelo efeito Ela vive à custa de meu trabalho (do produto de meu trabalho) 
o efeito pela causa Sócrates bebeu a morte. (= veneno) 
o instrumento pelo 
usuário 
Os microfones não paravam de chegar (= repórteres) 
o autor pela obra Estou lendo Machado de Assis. (= a obra de Machado de Assis) 
o continente pelo 
conteúdo 
Ele comeu um prato de sopa. ( = o conteúdo do prato) 
o símbolo pelo 
simbolizado 
A coroa foi disputada por muitos. (= poder) 
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3 
o concreto pelo 
abstrato 
João, o melhor aluno da turma, tem uma ótima cabeça. (= 
inteligência) 
a marca pelo produto Meu filho adora tomar Nescau com leite. (= achocolatado) 
 
c) comparação 
 
Consiste em uma analogia explícita entre dois ou mais termos. Diferentemente da metáfora 
(analogia implícita), a comparação está sempre acompanhada de uma conjunção ou locução 
conjuntiva comparativa. 
 
Ex.: Oscar é mais velho do que Jonas. 
 Ela experimentou o prazer dos holofotes, assim como a dor do desprezo. 
 Ele foi bem nos exames tanto quanto o irmão. 
 
 
 
 
 
 
d) catacrese 
 
Consiste na utilização de determinado termo, fora do seu contexto original, para nomear, de 
modo figurativo, algo que não possui um nome específico. 
 
Ex.: 
dente de alho 
pé da cadeira 
maçã do rosto 
céu da boca 
 
e) sinestesia 
 
Consiste na utilização palavras e expressões associadas às diferentes sensações percebidas 
pelo corpo humano (visão, audição, olfato, paladar e tato) para gerar um efeito discursivo. 
 
Ex.: cor berrante (visão + audição) 
 perfume doce (olfato + paladar) 
 olhar penetrante (visão + tato) 
 risada gostosa (audição + paladar) 
 
 
 
Figuras de sintaxe – São os desvios que se evidenciam na construção do período. São as 
seguintes: hipérbato, pleonasmo, silepse, hipálage, elipse, zeugma, assíndeto, polissíndeto, 
anacoluto. 
 
 
a) hipérbato 
 
Consiste no deslocamento dos termos da oração no período. 
 
Principais conjunções e locuções conjuntivas: 
do que, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se. 
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4 
Ex.: Morreu o presidente. 
 
Observe que, na ordem direta, a oração seria: “O presidente morreu”. 
 
b) pleonasmo 
 
Consiste na repetição de uma ideia ou de uma função sintática. Tem como finalidade a ênfase 
da mensagem. 
 
Ex.: Ver com os próprios olhos. 
 A mim ninguém me engana. 
 
c) silepse 
 
Consiste na concordância com a ideia subentendida, e não com os termos expressos. Essa 
figura pode ser subdividida em: 
 
silepse de gênero 
 
 
 
 
Ex.: Visitei a velha Belo Horizonte. 
 
 
 
 
 
silepse de número 
 
 
 
 
Ex.: Um grupo marchou em direção à Assembleia. Gritavam palavras duras contra o governo. 
 
 
 
 
silepse de pessoa 
 
 
 
 
Ex.: Todos fomos à festa. 
 
 
 
 
d) hipálage 
 
Consiste em atribuir a uma palavra uma característica de outra, presente na mesma frase. 
 
Ex.: Em cada olho um grito castanho de ódio. 
 (= Em cada olho castanho um grito de ódio.) 
ideia feminina, concordando com a palavra cidade 
palavra expressa masculina 
palavra expressa singular 
ideia plural (pessoas) 
 
palavra expressa: eles 
ideia: nós (1ª pessoa do plural) 
 
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e) elipse / zeugma 
 
Consiste na omissão de termos facilmente identificados pelo contexto. 
Ex.: Na praça, crianças brincando. 
 (= Na praça havia crianças brincando.) 
 
Obs.: Se os termos omitidos já tiverem sido expressos no texto, a omissão recebe o nome de 
zeugma. 
 
Ex.: Alguns estudam, outros não. 
 (= Alguns estudam,outros não estudam.) 
 
f) assíndeto 
 
Consiste na omissão de um conectivo entre elementos coordenados. 
 
Ex.: Todo coberto de medo, juro, minto, afirmo, assino. 
g) polissíndeto 
 
Consiste na repetição intencional de um conectivo coordenativo (geralmente a conjunção e). 
 
Ex.: E planta, e colhe, e mata, e vive, e morre. 
 
h) anacoluto 
 
Consiste no uso de um termo inicial sintaticamente desligado do restante do período. 
 
Ex.: Amanda, lembro dela sempre que chego aqui. 
 A vida, não sei como será sem ele. 
 
 
Figuras de pensamento – Usadas para produzir maior expressividade à comunicação, 
trabalhando com a combinação de ideias e pensamentos. São as seguintes: antítese, paradoxo, 
eufemismo, gradação (clímax), hipérbole, prosopopeia, perífrase, apóstrofe, ironia. 
 
 
a) antítese 
 
Consiste na formação de uma frase com palavras ou expressões de sentidos opostos sem que 
a construção da frase provoque ideias contraditórias ou sem lógica. 
 
Ex.: Reginaldo estava entre a vida e a morte. 
 Tereza conviveu com ele na alegria e tristeza. 
 “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada.” (Humberto Gessinger) 
 Ela um dia estava com saúde, no outro com doença. 
 
b) paradoxo 
 
Consiste na aproximação de palavras contrárias que expressam ideias contraditórias. É 
também denominada também de oxímoro. 
 
Ex.: Gustavo é um velho moço; 
 Laís vive sonhando acordada; 
 Renata é uma pobre moça rica; 
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c) eufemismo 
 
Consiste em suavizar a informação de um enunciado. 
 
Ex.: Jerônimo sempre falta com a verdade. (= mente) 
 D. Lilian passou desta para melhor. (= morreu) 
 Juca sempre foi cheinho. (= gordo) 
 
d) gradação (clímax) 
 
Consiste na enumeração de elementos frasais e tem o intuito de enfatizar as ideias numa 
sentença que pode ser de ritmo crescente ou decrescente. Quando ela ocorre de maneira 
crescente é chamada de clímax ou gradação ascendente. Por sua vez, se ocorre de maneira 
decrescente é chamada de anticlímax ou gradação descendente. 
 
Ex.: No restaurante, sentei, pedi, comi, paguei. (clímax) 
 Ana estava pelo mundo e chegou no país, no estado, na cidade, no bairro. (anticlímax) 
 
e) hipérbole 
 
Consiste no exagero e é utilizada para ressaltar algo, para dar ênfase ou para conferir ao texto 
uma maior expressividade. Além de ser usada no cotidiano, este exagero é frequente nas letras 
das músicas, na publicidade e também na literatura. 
 
Ex.: Estou morta de fome, dava tudo por sanduíche aqui, agora! 
 Lia riu litros com aquela piada que você contou. 
 No Rio está chovendo? Porque aqui em Salvador está chovendo horrores. 
 
f) prosopopeia 
 
Consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados ou irracionais. 
 
Ex.: A floresta amazônica pede socorro. 
 As flores me olhavam, sem dizer nada. 
 
g) perífrase 
 
Consiste no uso de muitas palavras ou uma frase complexa para se referir a algo que poderia 
ser dito de modo simples. 
 
Ex.: A cidade luz amanheceu nublada. (= Paris) 
 O rei do futebol continua internado. (= Pelé) 
 Fomos ao zoológico e vimos o rei da selva. (= leão) 
 
h) apóstrofe 
 
Consiste em chamar algo ou alguém (esse ser pode ser real ou imaginário). Sintaticamente 
falando, a apóstrofe pode ser um vocativo e é, em grande parte das vezes, aplicada no discurso 
direto para aproximar o emissor e o receptor da mensagem. 
 
Ex.: Senhor, tende piedade de nós. 
 Professor, posso responder? 
 Meu filho! Que lindo você está! 
 
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i) ironia 
 
Consiste no uso de palavras com um sentido diferente ou oposto do significado mais comum. 
 
Ex.: Marcela correu tão rápido quanto uma tartaruga. 
 A sopa está deliciosa: fria e sem tempero. 
 Eu fico muito feliz quando você não atende às minhas ligações. 
 
 
LOCUÇÕES VERBAIS 
 
 Os verbos auxiliares são aqueles que se unem a um outro verbo, denominado principal, 
que pode estar no infinitivo, particípio ou gerúndio. A essa combinação dá-se o nome de 
locução verbal. 
 
 
 
 
 
 
 As locuções verbais mais comuns em língua portuguesa apresentam a seguinte estrutura: 
 
a) verbos ter e haver unidos a um infinitivo por meio da preposição de: 
 
 
 
 
 
 
b) verbos estar, andar, ir e vir seguidos de um gerúndio, exprimindo ação contínua: 
 
 
Colocação dos pronomes oblíquos átonos nas locuções verbais 
 
 
 
 
c) pelo verbo ir seguido de um infinitivo, indicando a intenção de realizar ações num futuro 
próximo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
USOS DO “QUE” E DO “SE” 
 
 O estudo dos usos do que e do se é fundamental para compreender a riqueza e a 
complexidade da língua portuguesa. Esses dois termos, apesar de pequenos, exercem 
Ex.: Vou trabalhar (auxiliar ir + verbo principal no infinitivo) 
 Sou querido (auxiliar ser + verbo principal no particípio) 
 Estou estudando (auxiliar estar + verbo principal no gerúndio) 
 
Ex.: Tenho de trabalhar para sustentar meus filhos. 
 
 Hei de vencer essa competição. 
 
Ex.: Estou trabalhando em três projetos ao mesmo tempo. 
 Ando procurando novas oportunidades de trabalho. 
 Os alunos iam saindo lentamente. 
 Vem surgindo um novo amanhecer. 
 
 
Ex.: Vou procurar um advogado amanhã mesmo. 
 
 Vamos viajar para Lisboa em breve. 
 
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inúmeras funções dentro das orações, podendo atuar como pronomes, conjunções ou 
partículas de realce, entre outras. 
 A variedade de sentidos e aplicações torna o que e o se elementos essenciais para a 
coerência, coesão e precisão da linguagem, exigindo do falante atenção ao contexto para 
interpretar e empregar corretamente cada uso. 
 
1. Usos do que 
 A palavra que é a mais difícil de ser analisada, tendo em vista que pode desempenhar 
várias funções na frase, dependendo do contexto: 
 
a) Pronome relativo – retoma um termo anterior: 
Ex.: O livro que comprei é interessante. 
 
b) Conjunção integrante – introduz oração subordinada substantiva: 
Ex.: Espero que você venha. 
 
c) Conjunção explicativa ou causal – indica causa ou explicação: 
Ex.: Não vá, que está tarde. 
 
d) Conjunção comparativa – usada em comparações: 
Ex.: Ela é mais alta que o irmão. 
 
e) Pronome interrogativo – usado em perguntas diretas ou indiretas: 
Ex.: O que você quer? / Não sei que fazer. 
 
f) Partícula expletiva ou de realce – apenas reforça a expressão: 
Ex.: É que ele não sabia. 
 
g) Substantivo – quando tem valor de “algo” ou “coisa”: 
Ex.: Há um quê de mistério nessa história. 
 
2. Usos do se 
 O “se” também possui múltiplas funções, variando conforme o contexto: 
 
a) Pronome reflexivo – indica que a ação recai sobre o sujeito: 
Ex.: Ela se feriu. 
 
b) Pronome recíproco – indica ação mútua: 
Ex.: Os amigos se abraçaram. 
 
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c) Pronome apassivador – forma a voz passiva sintética: 
Ex.: Vendem-se casas. 
 
d) Índice de indeterminação do sujeito – usado com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou 
de ligação: 
Ex.: Vive-se bem aqui. 
 
e) Conjunção integrante – introduz orações subordinadas substantivas: 
Ex.: Não sei se ele virá. 
 
f) Conjunção condicional – indica condição: 
Ex.: Se chover, ficaremos em casa. 
 
g) Partícula expletiva – usada apenas para reforçar a expressão: 
Ex.: Foi-se o tempo em que tudo era mais simples. 
 
FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
 
 As palavras compõem o léxico da língua portuguesa. A língua portuguesa apresenta os 
seguintes processos básicos de formação de palavras: derivação, composição, hibridismo, 
abreviação (ou redução), onomatopeia (ou reduplicação) e sigla. Nesta seção, falaremos sobre 
cada um deles. 
 
Derivação 
 
 A derivação é o processo por meio do qual novas palavras, denominadas derivadas, são 
formadas a partir de outras, já existentes na língua, conhecidas como primitivas. A derivação 
pode ser: prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, regressivaou imprópria. 
 
a) Derivação prefixal (ou prefixação) → consiste no acréscimo de um prefixo a um radical. 
 
feliz infeliz 
leal desleal 
fazer refazer 
 
 
b) Derivação sufixal (ou sufixação) → consiste no acréscimo de um sufixo a um radical. 
 
real realmente 
pedra pedreira 
gosto gostoso 
 
 
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c) Derivação prefixal e sufixal → consiste na formação de uma palavra nova por meio do 
acréscimo simultâneo de um prefixo e de um sufixo ao radical, sem que aqueles se anexem a 
este, ou seja, se um dos afixos ou ambos forem retirados da palavra, ela continua existindo. 
 
leal deslealdade 
feliz infelizmente 
 
 
d) Derivação parassintética → consiste no acréscimo simultâneo de um prefixo e de um sufixo a 
um radical. Nesse caso, não há a possibilidade de retirada de um dos afixos e a palavra 
continuar existindo. 
 
manhã amanhecer 
alma desalmado 
 
 
e) Derivação regressiva (ou deverbal) → consiste na substituição da terminação de um verbo 
pelas vogais a, e ou o, resultando em um substantivo abstrato. 
 
falar fala 
perder perda 
realçar realce 
enlaçar enlace 
beijar beijo 
amparar amparo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
f) Derivação imprópria (ou conversão) → a estrutura da palavra não se altera. Ocorre uma 
simples mudança na classe gramatical de uma palavra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Composição 
 
 A composição é o processo por meio do qual novas palavras são formadas a partir da 
junção de palavras ou radicais existentes na língua. A composição pode ocorrer por 
justaposição ou por aglutinação. 
 
Justaposição → não há alteração fonética ou gráfica nos elementos que formam a palavra. 
Obs.: Se o substantivo for concreto, é o verbo que deriva 
dele. 
 
Ex.: âncora – ancorar 
 escova - escovar 
Os bons serão recompensados. 
 
O cantar dos pássaros é lindo. 
 
Assistimos a um show monstro. 
Bons – adjetivo substantivado 
 
Cantar – verbo substantivado 
 
Monstro – substantivo adjetivado 
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roda + pé rodapé 
bem + me + quer bem-me-quer 
guarda + roupa guarda-roupa 
 
 
Aglutinação → pelo menos um dos elementos formadores da nova palavra sofre alteração 
fonética ou gráfica na junção. 
 
água + ardente aguardente 
plano + alto planalto 
em + boa + hora embora 
 
Hibridismo 
 
 O hibridismo acontece quando os elementos que formam a nova palavra pertencem a 
línguas diferentes: 
 
mono (grego) + cultura (latim) monocultura 
álcool (árabe) + metro (grego) alcoometro 
buro (francês) + cracia (grego) burocracia 
 
Abreviação (ou redução) 
 
 Consiste no uso de apenas parte de uma palavra no lugar de sua totalidade. 
 
pneu – abreviação de pneumático 
tevê – abreviação de televisão 
quilo – abreviação de quilograma 
moto – abreviação de motocicleta 
 
 
Onomatopeia (ou reduplicação) 
 
 Consiste na criação de palavras que buscam a reprodução de determinados ruídos ou 
sons. 
 
reco-reco, tique-taque, tico-tico, zum-zum 
 
sigla 
 
 Consiste no uso de letras iniciais de uma organização, entidade ou associação. 
 
 
ONU – Organização das Nações Unidas 
USP – Universidade de São Paulo 
Detran – Departamento de trânsito 
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ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
 
Elementos da comunicação 
 
No processo comunicativo, estão presentes os chamados elementos da comunicação, a 
saber: emissor, código, mensagem, canal, receptor, referente e ruído. 
 
 
Emissor (remetente ou 
transmissor) 
aquele que emite a mensagem falada ou escrita 
Código sistema de signos comuns ao transmissor e ao receptor 
Ex.: língua portuguesa; Código Morse 
Mensagem conjunto de informações transmitidas 
Canal o suporte físico da mensagem, o veículo transportador: TV, rádio, 
jornal, revista, cordas vocais, ar etc. 
Receptor aquele que recebe a mensagem 
Referente (contexto) elemento extralinguístico para qualquer mensagem; o assunto 
geral em que se vai colocar a mensagem 
Ex.: um determinado automóvel como referente para uma 
mensagem de propaganda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esquema do processo comunicativo com os elementos da comunicação. (Foto: Wikipédia) 
 
Obs.: A noção de canal remete à ideia de ruído. Ruído é tudo aquilo que, de alguma forma, 
prejudica ou impede a transmissão fiel de uma mensagem. Os ruídos podem ser de dois tipos: 
 
▪ externos – dizem respeito a toda carga de poluição auditiva e visual a que somos 
submetidos na vida moderna; 
▪ internos – fazem referência ao código que usamos. Ex.: Pegamos o táxi correndo. (Quem 
estava correndo?) 
 
Elementos da comunicação e funções da linguagem 
 
Cada elemento da comunicação apresentado na subseção anterior possui uma função 
da linguagem, determinada pelo linguista Roman Jakobson. 
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As funções da linguagem são as seguintes: função emotiva ou expressiva (centrada no 
emissor), função conativa ou apelativa (centrada no receptor), função poética (centrada na 
mensagem), função referencial ou denotativa (centrada no assunto), função fática (centrada no 
canal) e função metalinguística (centrada no código). Assim, elas determinam o objetivo dos 
atos comunicativos. 
 
Função emotiva 
(expressiva) 
 
é centrada no remetente e tem como objetivo 
principal transmitir emoções, sentimentos e 
subjetividades por meio da própria opinião. 
textos poéticos, 
cartas, diários 
 
Ex.: Que dia lindo! 
 
Ex.: Que saudade 
de José! 
Função 
conativa (apelativa) 
é caracterizada por uma linguagem persuasiva, 
cujo intuito é o de convencer o leitor. O foco é 
no receptor da mensagem. Encontra sua 
expressão mais pura no vocativo e no 
imperativo. 
propaganda, 
publicidade e 
discurso político 
 
Ex.: Fale, amor, que 
eu o ajudarei. 
Função poética há uma preocupação por parte do emissor em 
despertar a surpresa e o prazer estético por 
meio da escolha das palavras, das expressões, 
das figuras de linguagem. O principal elemento 
comunicativo é a mensagem. 
textos literários, 
publicidade, 
provérbios, 
anedotas 
 
Ex.: Entre de sola na 
escola (publicidade 
de um calçado) 
Função referencial 
(denotativa ou 
informativa) 
observa-se o referente como predominante; tem 
como objetivo principal informar, referenciar 
algo de forma objetiva e impessoal. 
materiais didáticos, 
textos jornalísticos 
e científicos 
 
Ex.: A atriz Araci 
Balabanian morreu 
no Rio de Janeiro 
aos 83 anos. 
Função fática tem como objetivo estabelecer ou interromper a 
comunicação, ou seja, o mais importante é a 
relação entre o emissor e o receptor da 
mensagem. O foco reside no canal de 
comunicação. 
expressões de 
cumprimento, 
saudações, 
discursos ao 
telefone 
 
Ex.: Alô! Ouça-me 
com atenção. 
Função 
metalinguística 
é caracterizada pelo uso da metalinguagem, 
isto é, quando a linguagem fala de si própria. 
Assim, o emissor explica um código utilizando o 
próprio código. 
gramáticas, 
dicionários 
 
Ex.: Picassiano? 
Sim, pertencente ou 
relativo ao pintor 
espanhol Pablo 
Picasso. 
 
 
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 Vale ressaltar que não é comum encontrar mensagens que preencham uma única 
função. Com efeito, a estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função 
predominante. 
 Em resumo temos: 
 
 
ELEMENTOS DA 
COMUNICAÇÃO 
FUNÇÕES 
DA LINGUAGEM 
Contexto (referente) Referencial 
Remetente Emotiva 
Mensagem Poética 
Destinatário Conativa 
Contato (canal Fática 
Código Metalinguística 
 
 
COESÃO 
 
 Um texto não é um amontoado caótico de orações desconexas, mas um conjunto de 
orações coerentes que forma um todo significativo. Nele, deve haver não só uma 
interdependência entre as suas partes constituintes, mas também uma adequação à realidade 
e ao conhecimento de mundo do interlocutor. Assim, é preciso que exista uma conexão, uma 
ligação, um encadeamento entre seus vários segmentos a fim de que o destinatário da 
mensagem consiga interpretá-lo corretamente. Essa ligação, denominada coesão, é 
responsável pela continuidade do texto. 
Para que se possa compreender, ainda que intuitivamente, o que é a coesão deum texto, 
considere o poema “A Pesca” de Affonso Romano de Sant’Anna: 
 
A PESCA 
 
O anil 
o anzol 
o azul 
 
o silêncio 
o tempo 
o peixe 
 
a agulha 
vertical 
mergulha 
 
 
 
a água 
a linha 
a espuma 
 
o tempo 
o peixe 
o silêncio 
 
a garganta 
a âncora 
o peixe 
 
 
 
a boca 
o arranco 
o rasgão 
 
aberta a água 
aberta a chaga 
aberto o anzol 
 
aquelíneo 
ágil-claro 
estabanado 
 
 
o peixe 
a areia 
o sol 
 
 
 A princípio, o texto pode causar certo estranhamento no leitor, uma vez que não é 
comum, na linguagem cotidiana, produzirmos textos em que seus elementos apareçam de 
188.807.337-37
 
15 
forma desarticulada, aos pedaços. Contudo, uma leitura mais atenta permitirá a constatação 
de que o texto faz sentido, ou seja, tem coerência. 
De fato, a conexão entre os vários segmentos de um texto permite que não se perca a 
noção de unidade. Ademais, a coesão bem tecida promove a sequência, a progressão das 
informações, na medida em que suas referências são claras e fáceis de serem identificadas. A 
título de exemplificação, observe o texto a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Percebe-se que os enunciados do texto anterior estão estritamente ligados entre si, ou 
seja, há coesão entre suas partes. As palavras que promovem essa ligação, os chamados 
conectivos, conectores ou elementos de conexão, são responsáveis por manifestar a relação 
de sentido que se estabelece entre os segmentos do texto e, portanto, apresentam função 
coesiva. Vejamos: 
 
Ninguém duvida de que a prática do 
direito consista, fundamentalmente, em 
argumentar, e todos costumamos convir 
[...] 
A conjunção aditiva “e” introduz um segmento 
que adiciona uma ideia ao que se afirmou no 
período anterior. 
[...] que melhor define o que se entende 
por um “bom jurista” 
O pronome relativo “que” retoma o pronome 
demonstrativo “o”. 
[...] a qualidade que melhor define o que 
se entende por um “bom jurista” seja sua 
capacidade de construir argumentos [...] 
A palavra “sua” é um pronome possessivo 
adjetivo e juntamente com a palavra capacidade 
refere-se à jurista (a capacidade do jurista). 
[...] sua capacidade de construir 
argumentos e manejá-los com habilidade. 
O pronome oblíquo átono “los” refere-se a 
argumentos. 
Entretanto, pouquíssimos juristas leram 
uma única vez um livro sobre a matéria 
[...] 
A conjunção “entretanto”, de caráter 
adversativo, introduz uma ideia contrária ao que 
se diz no período anterior. 
A expressão “a matéria” retoma o termo 
argumentação. 
[...] pouquíssimos juristas leram uma 
única vez um livro sobre a matéria e 
seguramente muitos ignoram por 
completo a existência de algo próximo a 
uma “teoria da argumentação jurídica”. 
A palavra “juristas” é novamente retomada, mas 
dessa vez, por meio de uma elipse, ou seja, por 
meio da ausência (muitos juristas). 
 
 
A coesão acontece tanto em um plano horizontal – entre as orações e os períodos de um 
texto, como em um plano vertical – entre os vários parágrafos do texto. Ela também pode ser 
referencial ou sequencial. 
“Ninguém duvida de que a prática do direito consista, 
fundamentalmente, em argumentar, e todos costumamos 
convir em que a qualidade que melhor define o que se 
entende por um “bom jurista” seja sua capacidade de 
construir argumentos e manejá-los com habilidade. 
Entretanto, pouquíssimos juristas leram uma única vez um 
livro sobre a matéria e seguramente muitos ignoram por 
completo a existência de algo próximo a uma “teoria da 
argumentação jurídica”. 
 
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16 
Na coesão referencial, esse entrelaçamento de ideias pode ser conseguido com base 
em dois procedimentos, a saber: repetição e substituição. 
Antes de falarmos sobre esses procedimentos, é preciso entender que a coesão 
referencial pode ser endofórica – o referente está dentro do texto (divide-se em anafórica e 
catafórica) ou exofórica (dêitica) – o referente está fora do texto. 
Observe os seguintes exemplos: 
 
Ex. 1: Não encontrei o diretor. Ele deve ter saído mais cedo. 
 
Neste exemplo, observe que o pronome pessoal “ele” retoma o referente “diretor”, 
explicitamente no texto, de forma anafórica. 
 
Ex. 2: Nós éramos pequenos naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se 
apregoava nas ruas. 
 
 No segundo exemplo, a expressão “naquele tempo” retoma um referente que não está 
presente no texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁFORA X CATÁFORA 
A substituição pronominal pode acontecer de duas formas: 
anáfora (remissão para trás) – primeiramente ocorre um nome e, na 
sequência, o pronome que lhe faz referência. 
Ex.: Procurei o imóvel, mas não consegui encontrá-lo. 
 
catáfora (remissão para frente) – o pronome aparece primeiro, e a seguir, o 
nome que, antecipadamente, ele substituiu. 
Ex.: Lá estava ela, minha amiga Eleonora. 
PRONOMES DEMONSTRATIVOS 
 
Os pronomes ESSE, ESSA e ISSO fazem coesão anafórica. 
 
Ex.: Não quero saber do ocorrido. Isso não me diz respeito. 
 
Por sua vez, os pronomes ESTE, ESTA e ISTO fazem coesão catafórica. 
 
Ex.: Digo-te isto: meça suas palavras! 
 
Todavia, caso haja mais de um referente, os pronomes ESTE, ESTA, ISTO fazem 
coesão anafórica. Serão usados também os pronomes AQUELE, AQUELA e AQUILO. 
 
Ex.: Karina e Samanta são minhas alunas. Esta prefere língua portuguesa e aquela 
prefere matemática. 
(Observe que o pronome “esta” refere-se ao termo mais próximo: “Samanta”, ao passo 
que o pronome “aquela” refere-se ao termo mais distante: “Karina”.) 
 
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17 
Depois dessas breves explicações, podemos começar a falar sobre os procedimentos de 
coesão referencial. 
 
a) repetição 
 
Ex. 1: Entre as pessoas de 15 a 17 anos de idade, ou seja, em idade escolar obrigatória, 78,8% 
se dedicavam exclusivamente ao estudo. 
 
No exemplo acima, houve uma repetição por meio de paráfrase. A paráfrase é uma 
forma de dizer, com outras palavras, o que já havia sido dito anteriormente a fim de deixar o 
enunciado mais compreensível. A expressão “ou seja” introduz a paráfrase em questão e 
sinaliza que a mesma ideia será apresentada novamente numa outra formulação linguística. Há 
outras expressões que podem introduzir paráfrases, são elas: isto é, dito de outra forma, em 
outras palavras, em resumo, em suma etc. 
 
Ex. 2: O problema não está na Lei Seca, o problema está em sua interpretação. 
 
Neste caso, houve uma repetição propriamente dita com fins a contrastar as duas ideias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) substituição 
 
Ex. 1: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com 
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
 
Neste exemplo ocorreu uma substituição gramatical – os nomes (criança, adolescente) 
foram substituídos pelo pronome oblíquo átono (los). Note-se que, em alguns casos, o 
substantivo pode também ser substituído por um advérbio, como ocorre no exemplo a seguir: 
 
Ex. 2: O delegado responsável pela ocorrência determinou a realização de busca e apreensão 
na casa da suspeita e lá foram encontrados os pertences da vítima. 
 
Ex. 3: Os animais, portanto, na órbita Constitucional, não são destinatários de direitos 
fundamentais, o que nos leva a concluir que a percepção do direito é antropocêntrica. 
 
REPETIÇÃO E POBREZA VOCABULAR 
 Ao contrário do que se pensa, a repetição é um recurso coesivo de grande 
funcionalidade. Sua ocorrência nos mais variados gêneros textuais é incontestável, e isso, 
não necessariamente, afeta sua qualidade. A repetição de termos também não é sempre um 
indicador de pobreza vocabular. Contudo, esse recurso não deve ser usado indiscriminada 
e desnecessariamente, uma vez que tem como objetivo desempenharalgumas funções: 
 
• enfatizar algum segmento do texto; 
• contrastar duas ideias; 
• expressar a ideia de quantificação; 
• marcar a continuidade temática. 
 
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18 
Neste caso, também ocorreu uma substituição gramatical. Contudo, aqui o pronome 
relativo “que” retoma o pronome demonstrativo “o”, que, por sua vez, retoma não apenas uma 
palavra, mas uma predicação inteira. 
 
Ex. 4: Graças a Deus eu não experimentei a força e a eficiência do air bag, pois nunca fui vítima 
de um acidente. Mas sou totalmente a favor do equipamento. Jamais soube de casos em que 
pessoas que dirigiam um carro com esse dispositivo tiveram um ferimento mais grave. (...) 
Na compra de um automóvel, o brasileiro deve levar em conta os diversos parâmetros de 
segurança, e não somente a disponibilidade do air bag. Este último item, sozinho, não pode ser 
considerado o “salvador da pátria”. 
 
Neste exemplo, houve uma substituição lexical (coesão lexical), já que o termo “air bag” 
foi substituído pelos hiperônimos: equipamento, dispositivo e item, o que garantiu a 
continuidade temática do texto. Vale ressaltar que, na substituição lexical, também podem ser 
usados sinônimos, antônimos e epítetos (palavras ou frases que qualificam o referente). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ex. 5: Quanta violência nesta cidade! 
 
No exemplo acima, ocorreu a substituição por elipse, ou seja, por ausência, uma vez que 
que houve a omissão do verbo haver na frase (Quanta violência há nesta cidade). A elipse é a 
omissão de um termo facilmente dedutível pelo contexto. 
 
Na coesão sequencial, por sua vez, a organização das ideias é conseguida com base no 
procedimento conhecido como conexão. Essa conexão é normalmente realizada por 
conjunções, que estabelecem relações de sentido entre os trechos que ligam. 
 
Conexão 
 
Ex. 1: São modificações tímidas, que visaram, antes, a coibir distorções e punir a discriminação 
contra o trabalho da mulher do que propriamente incentivar sua contratação e permanência no 
emprego. Todavia, apresentaram-se como um avanço no vácuo legislativo que é o direito 
promocional do trabalho da mulher [...] 
 
No exemplo acima, o conectivo “todavia” promove uma relação de oposição entre os 
dois segmentos do texto. 
HIPERÔNIMOS E HIPÔNIMOS 
 
Os hiperônimos são palavras de sentido geral, mais genérico. Por essa razão, podem 
substituir um número grande de termos. Por outro lado, os hipônimos são palavras de 
sentido mais específico. Seguem alguns exemplos: 
 
Hiperônimos Hipônimos 
talher garfo, faca, colher 
móvel cadeira, mesa, sofá 
roupa camisa, calça, vestido 
equipamento computador, balança, impressora 
bebida suco, refrigerante, cerveja 
sobremesa pudim, pavê, sorvete 
 
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19 
 
Ex. 2: Assinamos o contrato, uma vez que todos discutiram e aceitaram a proposta. 
 
A expressão “uma vez que” expressa a causa da consequência manifestada no primeiro 
segmento. 
 
Algumas relações semânticas estabelecidas pela conexão e seus respectivos 
conectores 
 
adição e, também, ainda, não só... mas também, nem, além de etc. 
causalidade visto que, uma vez que, já que, dado que, porque, como, tendo em vista 
que etc. 
comparação tanto (...) quanto, mais (...) do que, menos (...) do que etc. 
complementação como, se, que etc. 
conclusão portanto, pois (posposto ao verbo), por conseguinte, logo, assim, então 
etc. 
condicionalidade se, caso, a menos que, exceto se, desde que, contanto que, sem que, a 
menos que, a não ser que, salvo se etc. 
conformidade segundo, conforme, consoante, como etc. 
finalidade a fim de que, para que etc. 
justificação ou 
explicação 
ou seja, isto é, quer dizer, pois etc. 
oposição mas, porém, contudo, todavia, não obstante, entretanto, no entanto, 
embora, se bem que, apesar de, ainda que etc. 
temporalidade antes que, depois que, logo que, enquanto, mal, quando, apenas, assim 
que, sempre que, cada vez que etc. 
 
Vale ressaltar que esses valores semânticos não são fixos, ou seja, dependendo do 
contexto, eles podem variar. Assim, é sempre muito importante estar atento (a) às relações que 
se estabelecem entre as orações antes de determinar o valor semântico dos conectivos. 
Quando os conectivos não são bem empregados, a relação entre as ideias de um texto 
não fica clara para o receptor da mensagem, pois o texto resultante é incoerente. A título de 
exemplo, vejamos um uso muito comum, mas errôneo, das locuções posto que e eis que: 
 
Ex. de uso incorreto: Não há como entender o que realmente aconteceu, posto que sua 
explicação ficou confusa. 
 
Ex. de uso correto: Não há como entender o que realmente aconteceu, visto que / uma vez que / 
tendo em vista que a explicação ficou confusa. 
 
A locução conjuntiva posto que tem sido usada corriqueiramente como locução causal 
(no sentido de porque, porquanto, uma vez que) quando, na verdade deve ser empregada com 
valor concessivo (no sentido de embora, ainda que, se bem que, conquanto, mesmo que). 
Ademais, essa locução conjuntiva deve ser usada com o verbo no subjuntivo: 
 
Ex.: Posto que fosse tarde, ele decidiu esperar. 
 
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20 
O mesmo ocorre com a expressão eis que. Tem sido bastante comum o uso dessa 
expressão como se ela fosse causal, quando na verdade ela apresenta o sentido de quando e 
eis senão quando. Observe os exemplos a seguir: 
 
Ex. de uso incorreto: O entregador foi embora, eis que não havia ninguém morando naquele 
local. 
 
Ex. de uso correto: Eis que a testemunha viu a vítima passar aos gritos. 
 
Como nos foi possível observar nesta subseção, a coesão textual é o recurso por meio 
do qual o autor evidencia, na superfície de seu texto, as articulações que estabelecem relações 
de ideias, garantindo que sua coerência seja assegurada. A escolha dos conectores 
adequados é fundamental, visto que são eles que irão determinar as diferentes relações entre 
os termos, orações, períodos e parágrafos do texto. 
 
 
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 
 
Dependendo da situação comunicativa, os usuários da língua podem eleger o nível de 
linguagem mais adequado para que a interação verbal aconteça. Dito de outra forma, o 
emissor de uma mensagem pode se valer de variações linguísticas para situações distintas, de 
forma a se fazer compreender pelo receptor. 
São chamadas de variedades / variações linguísticas as diferentes formas de se 
expressar em determinado idioma. 
Uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de diferenças internas, quais sejam: 
 
a) variações diatópicas – referentes às variedades linguísticas presentes nas diversas regiões. 
Ex.: português falado nas diferentes regiões do Brasil. 
 
b) variações diastráticas – referentes às variedades presentes nas diferentes classes sociais, 
considerando que cada grupo usa palavras restritas à sua comunidade, tendo em vista fatores 
como os diferentes graus de escolaridade. A título de exemplo, observe a tirinha abaixo: 
 
 
 
Vale ressaltar que as variações diastráticas podem gerar situações de preconceito 
linguístico, que é a manifestação de intolerância ou desprezo pela forma de falar do outro, 
fazendo juízo de valor por se tratar de um dialeto diferente. 
O preconceito linguístico costuma ocorrer em tom de deboche, exatamente porque 
alguém acredita que a sua maneira de falar é superior a do outro. Todavia, deve-se lembrar de 
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21 
que, no contexto das variações linguísticas, não há uma fala considerada melhor ou mais 
correta do que outra. 
Ainda no que diz respeito às variações diastráticas, tem-se a gíria, que nada mais é do 
que um dialeto informal característico de pequenos grupos, com palavras que sofrem 
alterações ou caem em desuso com o passar do tempo. 
 
c) variações diafásicas – dependem do contexto comunicativo, ou seja, a ocasião é que 
determina a maneira como nos dirigimos ao nosso interlocutor, formal ou informalmente.A linguagem formal, também chamada de linguagem culta, por exemplo, favorece o 
respeito às normas da língua. Ela pode ser usada nos contextos em que não há familiaridade 
entre os interlocutores ou em situações que demandam elegância no falar ou escrever. 
Por outro lado, a linguagem informal é usada quando há familiaridade entre os 
interlocutores ou em situações de descontração. 
 
d) variações diacrônicas – por serem variações resultantes da passagem do tempo, elas 
também são conhecidas como variações históricas. 
 Em virtude de sua criatividade e das mudanças sociais, os falantes de uma língua estão 
sempre desenvolvendo novas formas de se comunicarem. Dessa forma, muitas palavras e 
expressões acabam por cair em desuso. Seguem alguns exemplos: 
 
Palavras que caíram em 
desuso 
Grafias que caíram em 
desuso 
Termos e expressões que caíram em 
desuso 
 
botica; 
macambúzio; 
suso; 
ensimesmado. 
 
flôr 
pharmácia 
lingüiça 
côr 
 
Aquela mulher é um avião. 
Aquele homem é um pão. 
Este doce está supimpa. 
Fala, bicho. 
 
e) variações diamésicas – são variações que acontecem entre a fala e a escrita ou entre os 
gêneros textuais. 
 No entanto, é importante ressaltar que nem sempre a fala é informal e a escrita, formal. 
Há casos em que a fala pode ser bastante formal (quando se profere uma palestra, quando se é 
entrevistado para um emprego) e a escrita pode ser bastante informal (quando se escreve um 
bilhete ou uma mensagem). 
Nesse sentido, as diferenças podem ser mais facilmente percebidas quando estamos em 
uma situação de conversa (fala informal), em que o encadeamento das palavras em um diálogo 
sai de maneira mais fluida. Por outro lado, quando precisamos colocar o discurso no papel 
(escrita formal), o planejamento e cuidado com a língua são maiores. 
 Assim, a variação diamésica diz respeito ao registro usado pelo falante (mais formal ou 
mais informal) ou ao suporte de transmissão de uma determinada informação que contenham 
características quase regulares, ou seja, gêneros textuais (ex.: bula de remédio, mensagem de 
WhatsApp). 
 
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22 
 Diante do exposto, percebe-se claramente que, em uma mesma comunidade de fala, há 
uma série de variedades linguísticas. Além disso, um mesmo indivíduo pode pertencer a 
comunidades de fala diferentes, simultaneamente, com a consequente modificação de seu 
comportamento linguístico em cada uma delas. 
 De fato, esse sujeito pode usar itens linguísticos muito diversos para expressar 
aproximadamente a mesma ideia, em contextos distintos. A essa variação dá-se o nome de 
registro. 
 
1.1 Tipos de registros 
 
 Norma culta / padrão – é o nível de linguagem ensinado nas escolas, nos manuais 
didáticos, nas cartilhas, nos dicionários etc. A ele é atribuído prestígio cultural e status social. 
 
 Linguagem coloquial / informal / popular – é aquela usada de forma mais espontânea e 
corriqueira, não seguindo todas as regras da gramática normativa. Ao lançar mão da 
linguagem coloquial, o usuário da língua está mais preocupado com a transmissão do conteúdo 
de uma mensagem do que com a forma por meio da qual esse conteúdo será transmitido. 
 
 Linguagem regional – está relacionada com as variações que ocorrem nas mais variadas 
comunidades linguísticas. É também conhecida como dialeto. 
 
 Gírias – estão relacionadas ao cotidiano de certos grupos sociais e podem ser 
incorporadas ao léxico de uma língua, de acordo com sua frequência e intensidade de uso 
pelos falantes. 
 
 Linguagem vulgar – é exatamente oposta à norma culta. As estruturas gramaticais não 
seguem regras ou normas de funcionamento. Ex.: “nóis vai”, “pra mim ir”, “vamo ir”. 
 
 Esses registros relacionam-se com as variedades diatópicas, diastráticas e diafásicas 
que acabamos de estudar. 
 
SINTAXE: RELAÇÕES SINTÁTICO-SEMÂNTICASESTABELECIDAS ENTRE ORAÇÕES, 
PERÍODOS OU PARÁGRAFOS 
 
Neste capítulo, abordaremos as relações que se estabelecem entre as palavras de uma frase 
ou entre as orações em um período, ou seja, começaremos a tratar da parte da gramática 
denominada sintaxe. 
 
1. Frase, oração, período 
 
 Preliminarmente, é importante distinguir os conceitos referentes à frase, oração e 
período, pois nem sempre esses termos podem ser tratados como sinônimos. 
 
1.1 Frase 
 
 A frase é um enunciado linguístico de sentido completo. Ela não precisa apresentar 
verbo na sua constituição e pode ser formada por apenas uma palavra ou por um conjunto de 
palavras. Considere os exemplos: 
 
 
 
 
Ex.: Socorro! 
 O dia está lindo! 
 
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23 
 
1.2 Oração 
 
 A oração, por sua vez, também é um enunciado linguístico, mas, diferentemente da 
frase, pode não apresentar sentido completo. Ademais, ela é construída em torno de um verbo 
(explícito ou subentendido) ou de uma locução verbal. 
 
 
 
 
 
1.3 Período 
 
 Por fim, o período é um enunciado linguístico organizado em uma ou mais orações. Ele 
se classifica em: 
 
a) simples – formado por apenas uma oração (oração absoluta) 
 
Ex.: O paciente estava muito doente. (um verbo – uma oração) 
 
b) composto – formado por duas ou mais orações. 
 
Ex.: A ideia é boa, mas a medida é prematura. (dois verbos – duas orações) 
 
Período composto 
 
 Como vimos no início deste capítulo, o período pode ser simples (formado por apenas 
uma oração) ou composto (formado por duas ou mais orações). Nesta seção, o nosso enfoque 
será no período composto. 
 Primeiramente, é preciso compreender que o período pode ser composto por 
coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação. Vamos tratar de cada um 
desses tipos de período a partir de agora. 
 
3.1 Período composto por coordenação 
 
 O período composto por coordenação apresenta orações independentes entre si. Isso 
quer dizer que elas não exercem qualquer função sintática em relação a nomes, verbos ou 
pronomes de outra oração, ou seja, são sintaticamente completas, visto que possuem todos os 
termos de seu modelo estrutural, seja de forma expressa, seja de forma elíptica. Considere o 
exemplo a seguir: 
 
Ex.: Os sócios discutiram as pautas do dia, votaram o orçamento e encerraram a reunião. 
 
 
 
 As orações que fazem parte do período composto por coordenação podem se 
apresentar justapostas e separadas por pontuação (vírgula ou ponto e vírgula) ou ligadas por 
uma conjunção, a chamada conjunção coordenativa. No primeiro caso, as orações serão 
chamadas de assindéticas e no segundo, de sindéticas. 
 Considerando mais detalhadamente o exemplo acima, percebe-se que há três orações 
coordenadas. A primeira oração é assindética, na medida em que ela não é iniciada por 
conjunção. Entre a primeira e a segunda oração ocorre a coordenação assindética, tendo em 
Ex.: Pessoas carentes necessitam de ajuda. 
 O preço dos combustíveis deverá subir novamente. 
 
1ª oração 2ª oração 3ª oração 
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24 
vista que elas não são ligadas por uma conjunção, mas apenas por uma vírgula. Por sua vez, 
entre a segunda e a terceira oração há coordenação sindética, uma vez que elas estão 
conectadas por meio da conjunção e. 
 
Orações coordenadas sindéticas 
 
 Para proceder à classificação das orações coordenadas sindéticas, é preciso levar em 
consideração a conjunção coordenativa que introduz cada oração. Dessa forma, elas podem 
ser classificadas como aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas. 
 Observe, na tabela a seguir, a classificação das conjunções, e consequentemente das 
orações sindéticas, mais comumente cobradas nas provas de concursos. 
 
Classificação das orações coordenadas sindéticas 
aditivas soma: e, nem, mas também, 
mas ainda 
Helena não vendeu o carro nem a casa. 
Helena não só vendeu o carro, mas também a 
casa. 
 
adversativas oposição: mas, porém, 
contudo, todavia, no entanto, 
entretanto 
Gostaria de ter ido à praia, mas choveu. 
 
alternativas alternância: ou...ou, 
ora...ora, já...já, quer...querOu você pega a estrada logo, ou ficará preso no 
engarrafamento. 
conclusivas conclusão: logo, portanto, 
por isso, assim, pois 
Estudei o suficiente, logo tive êxito na prova. 
 
explicativas explicação: pois, porque, 
visto que, porquanto, que 
Ele deve estar dormindo, pois a luz do quarto 
está apagada. 
 
3.2 Período composto por subordinação 
 
 O período composto por subordinação é assim chamado porque é formado por orações 
que exercem uma função sintática em relação a algum termo presente em outra oração, 
denominada oração principal. A oração principal pode iniciar o período, finalizá-lo ou ser 
interrompida por uma oração subordinada a ela. Considere o exemplo a seguir: 
 
Ex.: Ninguém sabia que a encomenda chegaria hoje. 
 
 
 
 
 No exemplo acima, pode-se observar que a segunda oração (oração subordinada) é 
sintaticamente dependente da primeira (oração principal), tendo em vista que exerce a função 
de objeto direto do verbo saber presente na primeira oração. 
 A depender da função sintática que exercem, as orações subordinadas podem ser 
classificadas em substantivas, adjetivas ou adverbiais. Confira, na tabela abaixo, as funções 
desempenhadas por cada um desses tipos de orações: 
 
orações subordinadas 
substantivas sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do 
sujeito e aposto 
adjetivas adjunto adnominal (adjetivo) 
oração 
principal 
oração 
subordinada 
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25 
adverbiais adjunto adverbial (advérbio) 
 
Orações subordinadas substantivas 
 
 As orações subordinadas substantivas, como o próprio nome sugere, são aquelas que 
desempenham o papel de um substantivo. Considere os dois exemplos a seguir: 
 
Ex.: Aguardamos a sua colaboração. 
 
 
 No exemplo acima, o substantivo colaboração exerce a função de núcleo do objeto 
direto do verbo aguardar. Esse objeto direto pode ser substituído por uma oração que 
desempenhe a mesma função sintática. Observe: 
 
Ex.: Aguardamos que você colabore. 
 
 
 
 As orações subordinadas substantivas, por sua vez, podem ser classificadas em 
subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e 
apositivas. 
 
Orações subordinadas substantivas 
subjetivas sujeito É importante que você estude. 
objetivas diretas objeto direto Ninguém esperava que você viesse. 
objetivas indiretas objeto indireto Joana não gosta de que a chamem de senhora. 
completivas nominais complemento 
nominal 
Nós temos esperança de que tudo volte ao 
normal. 
predicativas predicativo O pior é que ela não virá. 
apositivas aposto Só desejo uma coisa: que vocês sejam felizes. 
 
Obs.: A palavra que presente nas orações subordinadas substantivas é conjunção integrante. 
 
 
Orações subordinadas adjetivas 
 
 As orações subordinadas adjetivas exercem a função de um adjetivo (adjunto 
adnominal) de um termo expresso na oração principal. Analise os dois exemplos a seguir: 
 
Ex.: Os trabalhadores grevistas foram convocados para uma reunião. 
 
 
 
 No exemplo acima, o adjetivo grevistas exerce a função de adjunto adnominal do 
substantivo trabalhadores. Esse adjetivo pode ser substituído por uma oração que 
desempenhe a mesma função sintática. Observe: 
 
Ex.: Os trabalhadores que fizeram greve foram convocados para uma reunião. 
 
 
 
substantivo 
oração subordinada substantiva 
adjetivo 
oração subordinada 
adjetiva 
188.807.337-37
 
26 
Obs.: As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por pronomes relativos (que, 
o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas etc.). 
 
 Essas orações podem ser de dois tipos: restritivas ou explicativas. 
 
a) orações subordinadas adjetivas restritivas – restringem ou especificam a significação do 
termo antecedente. Não são isoladas por vírgulas. 
 
Ex.: Meu irmão que mora na Irlanda virá ao Brasil no próximo mês. 
 
 
 Neste exemplo, o autor da oração tem mais de um irmão e está falando especificamente 
do irmão que mora na Irlanda. Observe que não é possível suprimir essa oração adjetiva sem 
prejudicar o sentido do período. 
 
a) orações subordinadas adjetivas explicativas – explicam ou ampliam a significação do termo 
antecedente. São isoladas por vírgulas. 
 
Ex.: Meu irmão, que mora na Irlanda, virá ao Brasil no próximo mês. 
 
 
 
 Neste exemplo, o autor da oração tem apenas um irmão e está simplesmente 
acrescentando uma informação acessória sobre ele. Neste caso, a oração adjetiva pode ser 
suprimida sem prejudicar o sentido do período. 
 
 Assim, o emprego ou não da vírgula é de extrema importância nas orações adjetivas, 
uma vez que o significado do período muda com essa pontuação. 
 
 
Orações subordinadas adverbiais 
 
 As orações subordinadas adverbiais são aquelas que expressam uma circunstância em 
relação a um fato presente na oração principal, ou seja, cumprem a função de um adjunto 
adverbial. Compare os dois exemplos a seguir: 
 
Ex.: À tarde, iremos para o aeroporto. 
 
 
 
 No exemplo acima, a locução adverbial à tarde exerce a função de adjunto adverbial. Essa 
locução pode ser substituída por uma oração que desempenhe a mesma função sintática. 
Observe: 
 
Ex.: Assim que entardecer, iremos para o aeroporto. 
 
 
 
 As orações subordinadas adverbiais são sempre introduzidas por conjunções 
subordinativas (que não sejam conjunções integrantes) e podem ser classificadas em nove 
grupos, a saber: causais, consecutivas, finais, temporais, condicionais, concessivas, 
comparativas, conformativas e proporcionais. 
 
oração subordinada adjetiva restritiva 
oração subordinada adjetiva explicativa 
locução adverbial 
oração subordinada adverbial 
188.807.337-37
 
27 
Orações subordinadas adverbiais 
causal Já que o trabalho não ficará pronto hoje, voltarei amanhã. 
consecutiva José é tão alto que bate com a cabeça na porta. 
final Revisei todo o trabalho para que não houvesse falhas. 
temporal Quando sair, feche a porta. 
condicional Caso tenha alguma dúvida, é só me chamar. 
concessiva Ainda que tenha vindo, não resolveu o problema. 
comparativa Ele tem trabalhado como um obstinado (trabalha). 
conformativa Você deve preencher o documento conforme a secretária lhe orientou. 
proporcional À medida que o tempo passava, mais nervoso ele ficava. 
 
Obs.: As orações subordinadas podem aparecer na forma reduzida. 
 No que tange às orações adjetivas, basta eliminar o pronome relativo e empregar o 
verbo no particípio, no gerúndio ou no infinitivo. Observe os exemplos a seguir: 
 
Ex.: Encontrei os rapazes chegados da Dinamarca. (que chegaram da Dinamarca) 
 
 
 
Ex.: Naquela rua, há moradores de rua pedindo esmolas. (que pedem esmolas) 
 
 
 
Ex.: Meu vizinho tem um cachorro de meter medo. (que mete medo) 
 
 
 
 Já para formar orações subordinadas adverbiais reduzidas, é preciso eliminar o 
conectivo e colocar o verbo no particípio, no gerúndio ou no infinitivo. Veja: 
 
 
Ex.: Terminada a festa, os convidados se retiraram. 
 
 
 
Ex.: Dizendo a verdade, você será perdoado. 
 
 
 
Ex.: Ao receber sua mensagem, lembrei-me do que deveria fazer. 
 
 
 
 Por sua vez, para formar orações subordinadas substantivas reduzidas, basta eliminar o 
conectivo e colocar o verbo no infinitivo. Não existem orações subordinadas substantivas 
reduzidas de particípio ou de gerúndio. 
 
Ex.: É recomendável beber muita água. 
 
 
oração subordinada adjetiva reduzida de particípio 
oração subordinada adjetiva reduzida de gerúndio 
oração subordinada adjetiva reduzida de infinitivo 
oração subordinada adverbial temporal reduzida de particípio 
oração subordinada adverbial condicional reduzida de 
gerúndio 
oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo 
oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo 
188.807.337-37
 
28 
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL 
 
É a parte da gramática que cuida da correta colocação dos pronomes oblíquos na frase. Esses 
pronomes podem ocupar três posições, a saber: 
 
a) antes doverbo – próclise (pronome proclítico) 
 
Ex.: Isso me lembra algo. 
 
b) no meio do verbo – mesóclise (pronome mesoclítico) 
 
Ex.: Orgulhar-me-ei dos meus alunos. 
 
c) após o verbo – ênclise (pronome enclítico) 
 
Ex.: Fiz-lhe a pessoa mais feliz do mundo. 
 
Próclise 
 
 É obrigatório o uso da próclise nos casos seguintes: 
 
a) orações negativas (presença de um advérbio de negação ou de um sujeito cujo núcleo é um 
pronome indefinido negativo) 
 
 
 
 
 
b) pronomes indefinidos ou demonstrativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) orações subordinadas (iniciadas por conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome 
interrogativo ou advérbio interrogativo) 
 
 
 
 
 
 
d) verbos antecedidos por advérbios ou adjuntos adverbiais 
 
 
 
 
Ex.: Tudo me levava a crer que o pior havia 
acontecido. 
 Aquilo lhe agradava profundamente. 
 
Ex.: Ele ainda não sabe quando lhe dará um aumento. 
 A maneira como a comunicaram da dívida foi desrespeitosa. 
 
Ex.: Certamente nos disseram a verdade. 
 
Ex.: Ninguém o havia informado da festa. 
 
188.807.337-37
 
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e) Verbo no gerúndio precedido da preposição em 
 
 
 
 
 
f) Orações exclamativas (iniciadas por pronomes ou advérbios exclamativos) e orações que 
exprimam desejo (com sujeito anteposto ao verbo) 
 
 
 
 
 
 
 
g) Orações interrogativas (iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos) 
 
 
 
 
 
h) verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição 
 
 
 
 
 
Mesóclise 
 
 A mesóclise deve ocorrer com verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito, 
salvo se houver algum fator de próclise. 
 
 
 
 
 
 
 
Obs. 1: Caso o verbo no futuro venha precedido de pronome reto, ocorrerá a próclise. 
 
 
 
 
 
Obs. 2: Caso o sujeito anteposto ao verbo no futuro não seja pronome reto, ocorrerá 
facultativamente a próclise ou a mesóclise. 
 
 
 
 
 
 
Ex.: Em se tratando de esporte, prefere o futebol. 
 
Ex.: Quanto me custa dizer adeus! 
 Deus te abençoe! 
 
Ex.: Como você a conhece? 
 
Ex.: Sua permanência aqui é para nos ajudar. 
 
Ex.: Como era muito competente, pagar-lhe-iam muito 
bem. 
 Dir-vos-ei amanhã o que sucederá. 
Ex.: Tu me farias um favor? 
 
Ex.: O presidente contar-me-á o ocorrido amanhã. 
 O presidente me contará o ocorrido amanhã. 
 
188.807.337-37
 
30 
 
Ênclise 
 
 A ênclise sempre ocorrerá, desde que não haja fatores para a próclise ou para a 
mesóclise. Todavia, ela será obrigatória em alguns casos: 
 
a) verbo no início do período 
 
 
 
 
b) verbo no imperativo 
 
 
 
 
c) verbo no gerúndio (desde que não seja antecedido pela preposição em) 
 
 
 
d) verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a 
 
 
 
e) orações interrogativas (iniciadas por palavras interrogativas com verbo no infinitivo 
impessoal) 
 
 
 
 
Colocação dos pronomes oblíquos átonos nas locuções verbais 
 
 Primeiramente, é importante destacar que, em uma locução verbal, o verbo principal 
pode estar no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Assim, tendo em vista que a colocação 
pronominal se faz presente também nas locuções verbais, precisamos entender como essa 
colocação acontece. 
 
a) Caso a locução verbal não venha precedida de um fator de próclise, o pronome oblíquo 
átono pode ficar depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. 
 
 
 
 
 
 
 
b) Caso haja fator de próclise, o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar ou depois do verbo 
principal. 
 
 
 
 
 
Ex.: Meus caros, digam-me a verdade. 
 
Ex.: Lembro-me daqueles dias. 
 
Ex.: Puseram a criança de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. 
 
Ex.: Uma palavra de ternura bastava a comovê-lo. 
 
Ex.: Como convencer-te da verdade? 
 
Ex.: Devo-lhe ajudar no que for preciso. 
 Devo ajudar-lhe no que for preciso. 
 Estava-lhe dizendo o que fazer. 
 Estava dizendo-lhe o que fazer. 
 
Ex.: Não lhe devo ajudar com os seus exercícios. 
 Não devo lhe ajudar com os seus exercícios. 
 Não lhe estava dizendo o que fazer. 
 Não estava lhe dizendo o que fazer. 
 
 
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c) Caso o verbo principal esteja no particípio e não haja fator de próclise, o pronome deve ficar 
depois do verbo auxiliar. 
 
 
 
 
d) Se houver fator de próclise, o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar. 
 
 
 
FUNÇÃO TEXTUAL DOS VOCÁBULOS 
 
 A função textual dos vocábulos se refere ao papel que as palavras (vocábulos) 
desempenham dentro de um texto, considerando o sentido, a coesão e a intenção comunicativa 
do autor — não apenas a classe gramatical ou o significado isolado da palavra. 
Em outras palavras: É como e para quê determinada palavra é usada dentro do texto, ajudando 
a construir o sentido global e a organizar as ideias. 
 
Exemplos de funções textuais dos vocábulos: 
 
1. Função de coesão: 
Vocábulos que ligam partes do texto. 
→ "Portanto", "assim", "além disso", "mas". 
Ex.: Estava cansado, portanto foi dormir cedo. 
 
O vocábulo “portanto” tem função textual de conector conclusivo. 
 
2. Função de retomada (referência): 
Palavras que retomam outras ideias ou termos anteriores. 
→ Pronomes como ele, isso, aquele, o mesmo. 
Ex.: João saiu cedo. Ele não se sentia bem. 
 
“Ele” tem função textual de retomar “João”. 
 
3. Função de progressão temática: 
Vocábulos que introduzem novos tópicos ou desenvolvem o tema. 
→ Expressões como em relação a, quanto a, sobre. 
Ex.: Quanto à educação, os dados mostram avanço. 
 
“Quanto à educação” tem função de introduzir novo tópico. 
Ex.: Havia-lhe dito o que fazer. 
 
 
Ex.: Não lhe havia dito o que fazer. 
 
 
188.807.337-37
 
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4. Função enfática ou expressiva: 
Palavras usadas para intensificar ou valorizar uma ideia. 
→ Realmente, tão, muito, incrível. 
Ex.: Foi realmente um espetáculo. 
 
“Realmente” tem função textual de reforçar o enunciado. 
 
5. Função argumentativa: 
Vocábulos que indicam a posição do autor ou a organização do raciocínio. 
→ Ora, afinal, de fato, por outro lado. 
Ex.: De fato, os dados confirmam a hipótese. 
 
“De fato” tem função textual de reforçar um argumento. 
 
 
 
 
 
188.807.337-37

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