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Universidade Federal do Ceará – Departamento de Engenharia Elétrica 
96 Materiais, Equip. e Inst. Elétricas Prediais - Manual de Práticas de Laboratório, 2019.1 
PRÁTICA 5: COMANDOS ELÉTRICOS PARA MOTORES – 
PARTIDA DIRETA 
1. OBJETIVOS 
 Conhecer as principais representações dos equipamentos nos diagramas de 
comando. 
 Entender como se faz a leitura de um diagrama de comando. 
 Conhecer os principais tipos de partida em motores. 
 Realizar a partida direta de um motor. 
2. PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS E SUAS REPRESENTAÇÕES NO 
DIAGRAMA DE COMANDOS 
1) Contatores: 
O contator possui a função de comando, seccionamento e controle dos circuitos 
alimentadores de cargas, como os motores. O contator é constituído de uma bobina que, 
quando alimentada, cria um campo magnético no núcleo fixo atraindo o núcleo móvel e 
por consequência fechando o circuito. Cessando a alimentação da bobina, é interrompido 
o campo magnético, provocando o retorno do núcleo por molas. Assim, podemos 
distinguir as quatros principais partes de um contator observando a Figura 5.1. 
 
Figura 5.1: Representação dos elementos de um contator. 
A bobina representa a entrada de controle do contator que, ao ser ligada a uma fonte 
de tensão, circula na mesma corrente elétrica criando um campo magnético que envolve 
o núcleo de ferro. A representação dos terminais da bobina é A1/A2. 
 
 
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O contator possui contatos principais e auxiliares. Os contatos para circuitos 
principais (contatos de força) são representados com a numeração de 1 a 6 (1 – 2; 3 – 4; 
5 – 6), significando que para cada terminal marcado com um número ímpar, corresponde 
outro terminal marcado com um número par imediatamente subsequente, porém também 
podem ser representados por letras e índices numéricos (L1 – T1; L2 – T2; L3 – T3). 
Deve-se atentar para as referências dos contatos 1 – 3 – 5 ou L1 – L2 – L3 pois estes 
devem ser conectados no lado da fonte (lado da rede de alimentação) e os contatos 2 – 4 
– 6 ou T1 – T2 – T3 devem ser conectados no lado da carga, no nosso caso um motor de 
indução trifásico. 
Um contator principal possui ainda contatos auxiliares, que são utilizados para fins de 
comando, estabelecer a alimentação da bobina do contator (selo), trava, sinalização, etc. 
 
Figura 5.2: Contator, contatos auxiliares e acoplamento de disjuntor motor. 
 
 
 
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Um contator principal, deve possuir 3 (três) contatos de força, e um ou mais 
contatos auxiliares. Os contatos de força são contatos normalmente abertos (NA), e os 
contatos auxiliares podem ser normalmente aberto (NA) ou normalmente fechado (NF). 
Os contatos auxiliares são identificados por números com dois dígitos, sendo o 1° ordinal 
e o 2° funcional, onde os números compostos por dois dígitos com terminação 1 e 2 são 
contatos normalmente fechados (NF) (Ex. 21 – 22; 31 – 32; etc). Já os contatos auxiliares 
representados com números de dois dígitos terminados com 3 e 4 são contatos 
normalmente abertos (NA) (Ex. 13 – 14; 43 – 44; etc). Entende-se por contatos 
normalmente aberto (NA), aqueles que, enquanto a bobina do contator estiver 
desenergizada, os mesmos estarão abertos (seccionados) pela ação da mola. No instante 
em que se estabelece tensão na bobina, a força magnética desta vence a força mecânica 
da mola, fazendo com que os contatos que estavam abertos, fechem. Cessando a ação da 
força magnética, a mola retorna a sua posição normal, fazendo com que os contatos 
voltem a abrir. Processo semelhante é realizado de modo inverso nos contatos 
normalmente fechados (NF). 
2) Fusíveis: 
Destinam-se a proteção contra correntes de curto-circuito. Entende-se por esta 
última aquela provocada pela falha de montagem do sistema, o que leva a impedância em 
determinado ponto a um valor quase nulo, causando assim um acréscimo significativo no 
valor da corrente. 
Sua atuação deve-se a fusão de um elemento pelo efeito Joule, provocado pela 
súbita elevação de corrente em determinado circuito. 
Existem dois principais tipos de fusíveis: 
a) Fusível NH: 
Este pode ser traduzido do alemão com a seguinte interpretação: N é originado da 
palavra Niederspannung, que significa baixa tensão, sendo H originado de Hochleistung, 
que significa alta capacidade. Esse dispositivo de manobra é utilizado com o objetivo de 
interromper a corrente do circuito pela fusão de seu elo fusível, sendo o mesmo envolto 
em areia para propiciar a extinção do arco elétrico. Os efeitos limitadores de corrente dão-
se por efeitos térmicos da corrente. O fusível NH apresenta na sua curva característica 
uma faixa de sobrecarga onde ocorre o desligamento com o retardo, isto é, um tempo de 
atuação longo o suficiente para ligar-se um motor, considerando sua corrente de partida, 
 
 
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sem que se funda o elo fusível. Esses fusíveis, em construção especial, aplicam-se a outras 
funções, como por exemplo para a proteção de tiristores, em dispositivos eletrônicos e de 
acionamento microprocessados, que nessa situação tem uma característica ultra rápido. 
 
Figura 5.3: Fusível NH. 
b) Fusível Diazed: 
Este fusível tem por função proteger os circuitos parciais contra curtos-circuitos. 
Os fusíveis diazed são elementos limitadores de corrente, para aplicação geral, mas que 
devem ser usados preferencialmente na proteção dos condutores da instalação, circuitos 
de iluminação, circuitos de comando e em circuitos de força de motores de pequeno e 
médio porte. 
 
Figura 5.4: Fusível diazed. 
 
 
 
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3) Botoeiras: 
As botoeiras são chaves elétricas acionadas manualmente que são acionadas 
através de impulso mecânico ao acionar-se o botão ou manopla, retornando a posição 
inicial após cessar o impulso. De acordo com o tipo de sinal a ser enviado ao comando 
elétrico, as botoeiras são caracterizadas como pulsadoras ou com trava. Existem diversos 
elementos que compõem os diversos tipos de botoeiras. Existem botoeiras com contatos 
normalmente abertos (NA), contatos normalmente fechados (NF) e botoeiras de comando 
duplo possuindo tanto contatos normalmente abertos como contatos normalmente 
fechados. 
A botoeira normalmente fechada (NF) é utilizada para desativar o circuito. 
Devem-se observar as cores normatizadas, vermelho é utilizado para o botão desliga. 
A botoeira normalmente aberta (NA) é utilizada para ativar o circuito. Suas cores 
podem ser: amarela, preta, verde, branca ou transparente. 
 
Figura 5.5: Botoeiras e sinalizadores. 
 
 
 
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4) Sinalizadores: 
Os sinalizadores são equipamentos de comandos elétricos com a finalidade de 
sinalizar uma ocorrência ou status de um equipamento ou máquina. Os sinalizadores são 
fabricados de diversas cores e formas. 
Os sinalizadores luminosos são os mais utilizados nos painéis de comando, pois 
com esse elemento é possível monitorar todo sistema da planta industrial. 
5) Relés de proteção de falta de fase: 
A função desse relé é de alertar o responsável pela manutenção do sistema que 
está faltando uma fase ou neutro, ou ainda que o sistema está assimétrico, por meio de 
sirene ou sinalizador visual. O contato do relé de proteção de falta de fase pode ainda, 
desligaruma máquina, um motor, parte do sistema ou todo sistema. 
 
Figura 5.6: Relé de proteção de falta de fase. 
 
 
 
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6) Relés térmicos: 
Os relés térmicos são componentes de proteção utilizados em circuitos de 
comando de motores elétricos. Esse componente é utilizado no circuito para proteção 
contra sobrecarga. 
As principais vantagens na utilização dos relés térmicos são. 
 Proteção do circuito contra correntes acima dos valores predeterminados. 
 Não desarma com corrente de pico na partida de motores. 
 Sinaliza o desarme. 
 Permite a utilização de contatos NA e NF para sinalização e comando. 
 
Figura 5.7: Relé térmico. 
 
3. SISTEMA DE PARTIDA DE MOTORES 
Para que um motor seja utilizado de forma mais eficiente possível é necessário 
que seja adotado um sistema de partida adequado para cada situação de uso. As vantagens 
 
 
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da adoção de um sistema correto prolongam a vida útil do motor, reduz os custos 
operacionais, além de facilitar os processos de manutenção. 
Os critérios que devem ser considerados para escolha mais adequada do método 
de partida envolvem considerações quanto à capacidade da instalação, requisitos da carga 
a ser considerada, além da capacidade do sistema gerador. 
4. PARTIDA DIRETA 
A partida direta é a maneira mais simples de iniciar o funcionamento de um motor 
elétrico. Uma partida direta consiste em aplicar uma tensão nominal ao motor, permitindo 
desenvolver toda sua potência e torque no momento designado, evitando prejudicar seus 
componentes. 
Se não for possível dar partida direta em um motor, seja porque a rede elétrica não 
tem potência suficiente e será alterada durante a partida, ou porque a máquina sofrerá 
deteriorações mecânicas por não suportar o valor máximo do torque de aceleração 
produzido pelo motor, ou porque a produção será afetada e os produtos danificados, então 
deve-se recorrer a algum tipo de partida com tensão reduzida. 
5. PROCEDIMENTO PRÁTICO 
Para a montagem do circuito apresentado, devem-se seguir os seguintes passos: 
 Montar primeiro o circuito de comando e realizar o teste na presença do monitor 
e/ou professor. 
 Montar o circuito de força e realizar o teste na presença do monitor e/ou professor. 
 Atentar para o tipo de ligação do motor (ligação em delta ou estrela), evitando que 
seja aplicada uma tensão maior que a nominal em suas bobinas. 
 A alimentação do circuito de comando é realizada em 220 V. 
 Antes da energização verificar se as pontas dos conectores não estão em contato, 
visto a proximidade no painel e que isso pode gerar um curto-circuito. 
Observado os pontos acima, faça a montagem da partida direta de acordo com 
esquema apresentado a seguir: 
 
 
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Figura 5.8: Diagrama unifilar de comando e força representando uma Partida Direta.

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