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Brasileiros criam algoritmo que detecta fake news André Biernath - @andre_biernath Da BBC News Brasil em Londres 23 fevereiro 2022 Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um algoritmo que, segundo os experimentos, consegue detectar uma notícia falsa com 96% de precisão. A ferramenta, que funcionará no site www.fakenewsbr.com, será calibrada e passará por novos testes ao longo dos próximos meses, especialmente durante a pandemia de covid e as eleições marcadas para outubro de 2022. O estatístico Francisco Louzada, um dos coordenadores do projeto, diz que a proposta é trazer uma análise objetiva, feita por meio de inteligência artificial, à avaliação subjetiva que os seres humanos fazem quando avaliam a veracidade de um texto jornalístico. "Nós aliamos diversos modelos matemáticos que são capazes de identificar se uma notícia corresponde à realidade dos fatos ou não", explica o pesquisador, que também é diretor de transferência tecnológica do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (Cepid-Cemeai), que reúne diversas instituições e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Nós colocamos os modelos para analisar mais de 100 mil notícias publicadas nos últimos cinco anos. Depois, confrontamos a plataforma com uma base de textos com informações falsas ou verdadeiras", continua. "Na base analisada, o índice de precisão está em torno de 96%", informa Louzada. Finalizados os primeiros testes, a plataforma precisará passar por constantes atualizações e melhorias, até porque as notícias falsas se adaptam e mudam com o passar do tempo, antevê o especialista. Em busca de respostas para problemas reais Louzada explica que a ideia de criar o algoritmo que identifica as notícias falsas surgiu no Programa de Mestrado Profissional em Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria da USP de São Carlos. "Temos alunos que estão trabalhando no mercado e trazem problemas reais, que podem ser solucionados durante o mestrado", detalha. "Após uma reunião sobre quais problemas iríamos atacar, escolhemos fazer uma investigação sobre as fake news e, a partir daí, gerar um produto que pudesse ajudar as pessoas", diz o especialista. Como mencionado mais acima, a plataforma reúne uma série de modelos matemáticos que, por meio da inteligência artificial e do aprendizado de máquinas (machine learning, em inglês) determinam a probabilidade de uma notícia ser falsa ou verdadeira. "Os modelos analisaram mais de 100 mil textos para encontrar padrões de vocabulários, construção de frases e sintaxe que são comumente utilizadas em fake news", informa Louzada. Depois de "aprender" a estrutura típica das notícias falsas, o algoritmo passou por uma nova fase: a análise direta de um banco de dados de textos classificados de acordo com a veracidade (ou não) das informações. E foi justamente nessa segunda etapa de testes que os pesquisadores observaram que a plataforma conseguiu identificar as fake news com 96% de precisão. Louzada pondera que essa taxa de 96% corresponde apenas à base de dados avaliada nesse estudo experimental, e é possível que o número varie num cenário mais amplo e fora do ambiente controlado de pesquisa. Um trabalho que nunca termina O grupo da USP de São Carlos também tem em mente que, para continuar funcionando, o algoritmo precisa passar por diversas atualizações com o passar do tempo. "O processo de modelagem matemática é crescente e necessita de incrementos a todo momento", aponta Louzada, que classifica essa constante batalha como "uma corrida de gato e rato". "Precisamos expor a plataforma a novos vocabulários e construções de frases, até porque as fake news se adaptam de acordo com as novas barreiras que são impostas", conta. O estatístico informa que a equipe que cuida do algoritmo está aumentando e eles planejam transferir os dados para um servidor de internet mais seguro, que consiga resistir aos ataques hackers. "E precisamos ter um cuidado redobrado, pois nada garante que o modelo seja usado pelos próprios criadores de notícias falsas, para ver se os conteúdos que eles criaram passam no nosso crivo ou não", complementa. Como unir o melhor dos dois mundos Louzada também acredita que plataformas informatizadas que distinguem o que é verdadeiro ou falso não vêm para substituir as agências de checagem, que contam com profissionais capazes de investigar as origens de cada notícia. "Imagino que o futuro terá uma estrutura de interação entre homens e máquinas", aposta. "Assim, conseguimos unir o melhor dos dois mundos: a objetividade da inteligência artificial com a subjetividade e a ponderação do ser humano", diz. O estatístico também aponta outra limitação da plataforma: por ora, só é possível inserir o texto completo publicado num site, e não há a possibilidade de analisar postagens de redes sociais ou grupos de mensagens, como o WhatsApp ou o Telegram. Um longo caminho pela frente O cientista da computação Fabrício Benevenuto, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que não esteve envolvido diretamente com o trabalho da USP de São Carlos, entende que essa área de pesquisas ainda está numa fase bem inicial. "Eu diria que ainda estamos numa etapa exploratória, até porque o conjunto de dados que distinguem notícias falsas e verdadeiras ainda é muito limitado", avalia. O pesquisador, que também coordena o projeto Eleições Sem Fake, uma das iniciativas de enfrentamento da desinformação criadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conta que ainda é muito difícil saber se um algoritmo testado para um assunto — as eleições, por exemplo — também vai funcionar para outro tópico completamente diferente. "Me parece que ainda há um longo caminho para que essas soluções estejam disponíveis e sejam implementadas na prática", acredita. Benevenuto defende que existem outros caminhos que podem ser explorados, que vão muito além de analisar a veracidade de cada notícia individualmente. "Você pode levar em conta a localização geográfica daquele domínio ou quanto tempo um determinado site está registrado e existe na internet", exemplifica. "Também é necessário distinguir o que é uma notícia de fato do que é apenas um texto de opinião ou um meme", continua o cientista da computação. "Muitas vezes, a desinformação não está num texto, mas numa imagem alterada digitalmente ou numa corrente difundida por WhatsApp ou Telegram", completa. Apesar de todas as limitações, Louzada entende que a plataforma pode servir como uma "ferramenta a mais" para a população ficar bem informada e separar o joio do trigo. "Os modelos estatísticos trazem uma probabilidade de aquela notícia ser verdadeira ou falsa, o que pode ser ponderado com o trabalho feito pelas agências de verificação de fatos, que vão atrás da origem daquelas informações e buscam a opinião de especialistas no tema", diz. "Imagino que encontraremos o caminho mais adequado para combater as fake news no meio desses dois esforços que se complementam", reforça. Fake news: como a Finlândia tem conseguido combater com sucesso as notícias falsas 25 outubro 2022 Poucas horas depois de Vladimir Putin convocar 300 mil reservistas militares, em setembro, um vídeo mostrando longas filas de carros na fronteira entre a Finlândia e a Rússia começou a circular nas redes sociais. A Finlândia é uma sociedade de alta confiança. De acordo com um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), 71% da população finlandesa confia no governo, em comparação com a média da OCDE, de 41%. E não é apenas o governo central: o Parlamento, o serviço público, a polícia e a mídia, todos desfrutam de altos níveis de confiança. Em um estudo anual do instituto Open Society, o país lidera um gráfico global que mede a resiliência à desinformação. Isso não significa que os finlandeses acreditem em tudo o que lêem nos jornais e nunca procurem informações nas redes sociais. Masquando o fazem, a maioria tem a capacidade de avaliar criticamente as informações. Esse escudo contra a desinformação está sendo duramente testado em países como o Brasil e os EUA em épocas eleitorais. Mais do que nunca, os holofotes estão no chamado problema das fake news e nas consequências que isso pode ter no mundo real. Apesar do foco crescente em lidar com alegações falsas e enganosas nas redes sociais, inclusive das próprias gigantes da tecnologia, a desinformação ainda está chegando e influenciando grande parte da população. O que os outros países podem aprender com a Finlândia O sistema escolar finlandês é a pedra angular da luta contra as notícias falsas. O pensamento crítico e a alfabetização midiática fazem parte do currículo há muito tempo. O currículo foi revisado em 2016 para ensinar às crianças as habilidades necessárias para identificar o tipo de informação falsa que se espalhou nas redes sociais durante as campanhas eleitorais nos EUA e no Brasil. "Ensinamos pensamento crítico em várias disciplinas. Por exemplo, nas aulas de matemática, analisamos como as estatísticas podem ser manipuladas", explica Marika Kerola, professora da cidade de Oulu, no norte. "Na arte, um projeto típico seria que as crianças criassem suas próprias versões de um anúncio de xampu. Pode ser uma foto mostrando que o cabelo não é tão brilhante ou radiante quanto foi prometido no frasco." Nas aulas de idiomas, os alunos comparam a mesma história escrita como texto baseado em fatos e como propaganda, diz ela. Na história, eles comparam cartazes de guerra na Alemanha nazista e nos Estados Unidos, por exemplo. Outra linha central de defesa contra notícias falsas é a Agência Nacional de Suprimentos de Emergência do governo. "Para simplificar, a Finlândia tem um modelo de segurança abrangente com financiamento público", diz Markus Kokko, chefe de comunicações do Centro Europeu de Excelência para Combater Ameaças Híbridas. "O governo trabalha com empresas privadas e a mídia para aumentar a resiliência da sociedade às ameaças e preparar as pessoas para todos os tipos de notícias falsas." Além de uma agência do governo, a Finlândia tem várias ONGs e organizações voluntárias que combatem notícias falsas. O serviço de verificação de fatos Faktabaari é provavelmente o mais conhecido deles. A abordagem da Finlândia é ficar à frente da onda de desinformação, e não correr atrás dela. A experiência na Finlândia indica que a moderação proativa em tempo real pode fazer a diferença. O que as plataformas de rede social podem fazer? Desde a pandemia, quando a desinformação online sobre a covid-19 gerou danos no mundo real, as empresas donas de redes sociais se comprometeram a fazer mais para combater as mentiras. No geral, eles tiveram algum sucesso na remoção de mentiras e na rotulação de teorias da conspiração, trazendo informações precisas de verificadores de fatos independentes. Mas, em todas as plataformas de rede social, ainda existem postagens que acumulam muitas curtidas e visualizações antes de serem removidas — e muitas que sequer chegam a ser bloqueadas. Uma moderação proativa que aborda essas postagens antes que elas tenham a chance de se alastrar é a preferida por alguns especialistas. A alfabetização em mídia social está no centro do plano de longo prazo da Finlândia, mas no Brasil isso está longe de ser realidade. Nos EUA, instituições de caridade e projetos têm pressionado por uma legislação mais permanente em todo o país para garantir que as crianças aprendam esse tópico nas escolas. Houve um projeto de lei aprovado em Illinois no ano passado, por exemplo, que obriga todas as escolas públicas de ensino médio a incluir a alfabetização midiática em algum lugar de seu currículo. Eles serão ensinados a analisar tudo o que veem online — e offline. Em última análise, porém, essas medidas são apenas curativos em uma ferida que é muito mais profunda. Não há solução rápida para restaurar e reparar a fé nas instituições - algumas das quais foram corroídas por campanhas de desinformação que buscam minar o resultado das eleições. Quando as páginas das redes sociais ainda são pontuadas por postagens questionando a segurança da urna eletrônica sem nenhuma prova, é possível perceber que ainda temos um grande problema. E quando autoridades compartilham essas notícias falsas, a perspectiva de progresso pode parecer remota. Três casos de fake news que geraram guerras e conflitos ao redor do mundo 25 abril 2018 "Se uma história é demasiadamente emocionante ou dramática, provavelmente não é real. A verdade é geralmente entediante", disse a jornalista ucraniana Olga Yurkova durante a palestra inaugural do TED 2018, a série de conferências realizada neste mês em Vancouver, no Canadá. Em sua apresentação, a ativista engajada no combate a notícias falsas - cofundadora do site StopFake - disse que as chamadas fake news são "uma ameaça à democracia e à sociedade". "A Ucrânia está sujeita à propaganda russa há quatro anos, mas notícias falsas estão sendo disseminadas no mundo inteiro", disse ela. "As pessoas já não sabem o que é real e o que é falso. Muitas deixaram de acreditar e isso é ainda mais perigoso." Yurkova lançou o StopFake em 2014 para abordar o problema na Ucrânia. Desde então, o grupo evoluiu até se transformar em uma sofisticada organização de comprovação de fatos em 11 idiomas. Com esse trabalho, a organização revelou, até agora, mais de 1 mil histórias mentirosas na Ucrânia e ensinou a mais de 10 mil pessoas de todo o mundo a reconhecer quando uma notícia é falsa. Tudo começou com um evento especialmente macabro divulgado pela mídia estatal russa que teve grandes repercussões no conflito com a Ucrânia…mas que nunca chegou, porém, a acontecer. 1. "O menino crucificado na Ucrânia" Esta notícia distribuída pela mídia russa contava o caso de Galyna Pyshnyak, apresentada como uma refugiada russa. Mas Pyshnyak era na verdade a mulher de um militante pró-russo. "Uma refugiada de Sloviansk se lembra de como uma criança e a mulher de um miliciano foram executadas na frente dela", disse o canal de TV estatal Channel One Russia em 12 de julho de 2014, em meio à recém-estourada guerra de Donbass, no leste da Ucrânia, entre tropas ucranianas e forças pró-russas separatistas. Aos prantos, a mulher aparecia contando que soldados ucranianos haviam crucificado publicamente um menino de três anos de idade diante de sua mãe, "como se ele fosse Jesus", enquanto o garotinho gritava, sangrava e chorava. "As pessoas desmaiavam. O menino sofreu durante uma hora e meia e depois morreu. Em seguida, foram para sua mãe", disse ela. Mas tudo era mentira. Na verdade, não só isso não aconteceu, como o local também foi inventado: "Eles disseram que o Exército (ucraniano) encurralou os moradores locais na Praça Lenin, na cidade de Sloviansk, mas essa praça não existe", diz Yurkova. Apesar disso, essa "notícia" teve grande alcance e apareceu em vários estudos como exemplo de "desinformação" nos meios modernos de comunicação de massa. Para a Rússia, foi "uma boa peça de propaganda", escreveu o jornalista Andrew Kramer em um artigo do New York Times, em fevereiro de 2017. "Durante a crise ucraniana de 2014, notícias manipuladoras e, muitas vezes, totalmente inventadas foram divulgadas a partir da televisão russa e de websites para jornais locais favoráveis". A história do menino crucificado não apenas enganou a muitos na Ucrânia e na Rússia, mas também os motivou a "pegar em armas", disse Yurkova. Por isso, adverte ela, as notícias falsas "são uma ameaça à democracia e à sociedade". 2. A menina do Kuwait e a invasão do Iraque Outro exemplo de fake news de grande repercussão mundial teve como protagonista uma outra menor de idade: Nayirah, uma menina kuwaitiana de 15 anos que denunciava atrocidades cometidas por invasores iraquianos em seu país. A história teria ocorrido em 1990, alguns meses depois que o então presidente do Iraque, Saddam Hussein, invadiu o Kuwait. Nos Estados Unidos, o presidenteGeorge Bush havia fixado um prazo limite para que o Exército do Iraque se retirasse. Naquele momento, a opinião pública americana estava dividida, mas mais inclinada a apoiar a não-intervenção. Foi nesse clima que Nayira apareceu diante do Congresso dos Estados Unidos com uma história brutal em que assegurava que os soldados iraquianos retiravam bebês prematuros de incubadoras de um hospital no Kuwait, onde disse ser voluntária. "Eles levaram as incubadoras e deixaram os bebês morrendo, jogados no chão frio", disse ela, entre lágrimas. O impacto do seu testemunho foi tal, que muitos no Ocidente se convenceram de que era preciso expulsar as tropas de Saddam Hussein. O que não sabiam era que o depoimento, na realidade, havia sido preparado por uma agência de relações públicas nos Estados Unidos ligada à monarquia do Kuwait, segundo revelou uma investigação conjunta da Anistia Internacional, da Human Rights Watch e de jornalistas independentes. A menina que havia testemunhado era filha de Saud Nasir al Sabah, o embaixador do Kuwait em Washington. "Sua fala dura cerca de 3 minutos e ainda é um testemunho poderoso", disse James Garvey, autor de The Persuaders: The Hidden Industry that wants to change your mind (Os Persuasores: a indústria oculta que quer que você mude de ideia, em tradução livre). As palavras de Nayira foram repetidas várias vezes por senadores dos EUA e pela mídia. E o país, enfim, votou favorável à participação na guerra. "A história (de Nayira) provavelmente contribuiu para inclinar a balança a favor da Guerra", sustenta Garvey. 3. As fotos falsas na crise dos rohingya Em setembro de 2017, a equipe do BBC Reality Check, criada para identificar e reportar notícias falsas, confirmou como uma série de imagens falsas "intensificou" a crise dos rohingya, o povo muçulmano - que representa 5% da população (de 60 milhões de habitantes) de Mianmar - que a Organização das Nações Unidos (ONU) afirma ter sido alvo de limpeza étnica. As imagens em questão são fotos e vídeos de conflitos ocorridos há décadas, como a guerra de Ruanda, e que foram usados como propaganda para acusar os rohingyas de serem violentos. Essas fotos foram circuladas antes do aumento da violência no norte de Mianmar, explicou a BBC. "Foi muito chocante, difamatório, e, em grande parte, errado", disse Jonathan Head, correspondente da BBC no sudeste da Ásia. "Os rohingya têm enfrentado décadas de perseguição em Mianmar, onde lhes é negada a cidadania", explicou ele. De acordo com Head, a escassez de informações confiáveis e a dificuldade de acessar o norte do país acabaram ajudando na disseminação das imagens falsas. O primeiro-ministro turco, Mehmet Simsek, foi uma das pessoas que tuitaram essas imagens. Depois, pediu desculpas, mas o post original já havia sido compartilhado mais de 1,6 mil vezes. "Há uma guerra frenética nas redes sociais ao redor dos rohingya. Eu mesmo fui bombardeado com imagens muito desagradáveis que mostram vítimas de massacres, muitas das quais difíceis de verificar", explicou Head. Por causa da onda de violência que se seguiu, mais de 600 mil rohingya tiveram de deixar Mianmar e buscar refúgio em Bangladesh. 'Nativos digitais' não sabem buscar conhecimento na internet, diz OCDE 31 maio 2021 A familiaridade dos adolescentes atuais com a tecnologia, que faz deles nativos digitais, não os torna automaticamente habilitados para compreender, distinguir e usar de modo eficiente o conhecimento disponível na internet. Pelo contrário, os dados sugerem que eles são, em grande parte, incapazes de compreender nuances ou ambiguidades em textos online, localizar materiais confiáveis em buscas de internet ou em conteúdo de e-mails e redes sociais, avaliar a credibilidade de fontes de informação ou mesmo distinguir fatos de opiniões. As conclusões foram apresentadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em seminário virtual na última quarta-feira (26/05), com base no relatório Leitores do Século 21 - Desenvolvendo Habilidades de Alfabetização em um Mundo Digital. O relatório, divulgado no início do mês, mostra as habilidades de interpretação de texto dos alunos de 15 anos avaliados no Pisa, exame internacional aplicado pela OCDE em 2018 em estudantes de 79 países ou territórios, inclusive no Brasil. Os dados são preocupantes: no Brasil, apenas um terço (33%) dos estudantes foi capaz de distinguir fatos de opiniões em uma das perguntas aplicadas no Pisa. Na média dos países da OCDE, esse índice era de 47%. O que mostra que, mesmo no grupo de países mais desenvolvidos, mais da metade dos estudantes de 15 anos não demonstrou, em média, capacidade de fazer distinção entre fato e opinião. Segundo o estudo, apenas metade dos estudantes em países da OCDE disseram ser ensinados na escola para reconhecer se a informação que estão lendo é enviesada, e 40% dos alunos nesses países foram incapazes de reconhecer os perigos de se clicar em links de e-mails de phishing, por exemplo. As habilidades de navegação foram consideradas altamente eficientes para apenas 24% dos estudantes na média da OCDE, e para apenas 15% dos estudantes no Brasil. As consequências disso são profundas para a inserção no mundo do trabalho e para o exercício da cidadania, uma vez que pessoas que não sejam capazes de compreender textos plenamente estarão, em teoria, menos aptas para ocupar empregos de alta complexidade - e, ao mesmo tempo, serão presas mais fáceis para o ambiente de desinformação que floresce na internet e nas redes sociais. "Ter nascido na era digital e ser um nativo digital não significa que você vai ter habilidades digitais para usar a tecnologia de modo eficaz", afirmou no seminário Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE. Mais tecnologia não equivale a mais alfabetização midiática Os resultados também mostram que, apesar de sua crescente familiaridade com a tecnologia, os jovens não necessariamente aprendem instintivamente as habilidades necessárias para usar essa tecnologia para obter informações confiáveis. De modo geral, o maior acesso a tecnologia entre os jovens nos últimos anos não se traduziu em mais educação midiática, disse Schleicher no seminário: os índices de alfabetização digital dos jovens evoluíram pouco nas avaliações do Pisa feitas entre 2000 e 2018, apesar das enormes mudanças sociais e digitais vividas pela comunidade global nesse intervalo de tempo. Mais do que contato constante com a tecnologia, Schleicher defendeu que são a "aprendizagem tradicional" e o engajamento de professores que farão a diferença em dar aos alunos a capacidade de entender diferentes perspectivas em um texto e serem capazes de identificar nuances e opiniões. O relatório mostra que, em sistemas educacionais nos quais essas habilidades digitais são ativamente ensinadas, estudantes pareceram mais capazes de distinguir fatos de opiniões. Mas Schleicher destacou que é um problema que ultrapassa os muros da escola e exaltou o trabalho de países que já têm uma cultura mais enraizada de leitura e alfabetização, como Dinamarca, Finlândia, Estônia e Japão. Ele ressalta, porém, que o tema exige muito mais estudos e discussões na sociedade. "Ainda não temos a resposta de por que alguns países se saem melhor" em alfabetização digital, afirmou. O que se sabe é que o educador tem um papel central nisso, à medida que mudam as habilidades exigidas dos estudantes: no século 20, esperava-se que um aluno obtivesse conhecimento de fontes pré-curadas, como enciclopédias. Hoje, ele precisa aprender a distinguir o que é relevante entre milhares de resultados de uma busca no Google; precisa ser capazes de construir conhecimento e validá-lo, opina a OCDE. "Os educadores precisarão ser grandes mentores, mobilizadores e guias" nesse processo, afirmou Schleicher. O poder persistente dos livros Embora a leitura esteja mais fragmentada e migrando cada vez mais ao ambiente virtual, o relatório da OCDE mostra que o papel dos livros e de textos aprofundados continua sendoprimordial. Os estudantes que disseram ler livros com mais frequência em papel do que nos meios digitais tiveram melhores resultados em leitura em todos os países e territórios que participaram do Pisa 2018. Além disso, esses jovens também relataram ter mais prazer com a leitura. Na mesma linha, a leitura de livros de ficção e de textos longos também está positivamente associada a um melhor desempenho em leitura na maioria dos países avaliados. O problema é que quase a metade dos estudantes (49%) nos países da OCDE disseram, na pesquisa aplicada junto ao Pisa 2018, que só liam "se tivessem que ler". E cerca de um terço dos estudantes pesquisados disseram que raramente ou nunca lia livros. Nesse contexto, o incentivo a leituras de profundidade, que permitam aos alunos treinar a observação de nuances no texto, é uma estratégia capaz de melhorar as habilidades de compreensão textual tão valiosas no século 21. É algo a que tanto professores quanto pais podem contribuir, diz a OCDE. Segundo o estudo, os estudantes que disseram ter pais que gostam de ler também apresentaram índices mais altos de prazer com a leitura. Um ponto preocupante, disse Schleicher no seminário, é um aumento crescente no "abismo cultural" entre estudantes de classes sociais mais avantajadas e os mais pobres. Enquanto entre os estudantes mais ricos o número de livros em casa se manteve estável entre 2000 e 2018, esse número caiu consideravelmente entre os estudantes mais pobres. É um exemplo da importância de se combaterem as desigualdades educacionais. "Nos acostumamos a tolerar as desigualdades e a ver parte dos estudantes ficando para trás", lamentou Schleicher. Impactos da pandemia Para o relatório da OCDE, a pandemia de covid-19, que fez com que parte significativa do processo educacional migrasse para a internet, "aumentou a urgência de se lidar com esse tema (da alfabetização digital). Também aumentou o ímpeto entre crianças, professores e formuladores de políticas públicas para apoiar (a formação) de leitores do século 21". "Para muitas crianças em idade escolar e até mesmo professores, a desinformação nos tempos pré-pandemia talvez parecesse algo remoto, uma preocupação política de pouca relevância no pátio da escola ou na sala de professores. Hoje, a infodemia (como especialistas se referem à proliferação de falsas informações em grandes volumes, como ocorre em tempos de covid-19) e a incerteza sobre fatos científicos e de saúde básicos capturou o foco dos alunos de 15 anos - e seu anseio por soluções", prossegue o relatório da OCDE. "Alfabetização no século 21 significa parar e olhar para os lados antes de seguir adiante online. Significa checar os fatos antes de basear suas opiniões nele. Significa fazer perguntas sobre as fontes de informação: quem escreveu isto? Quem fez este vídeo? É de uma fonte confiável? Ele faz sentido? Quais são os meus vieses? Tudo isso cabe ao currículo escolar e ao treinamento de professores. E tudo isso tem implicações que vão muito além de detectar notícias falsas e desinformação: assegurar o ato de tomada de decisões bem informadas e assegurar a base de democracias funcionais." ETIQUETA DIGITAL: COMUNICAÇÃO EFICAZ NAS REDES SOCIAIS Por Maria do Carmo Carrasco Estamos vivendo em um momento de mudanças de paradigmas e isso pode ser comprovadamente percebido no uso das mídias sociais. As pessoas passam a maior parte do tempo conectadas nas redes sociais e desta forma a comunicação digital, sua imagem e performance comunicacional, se tornam aspectos relevantes. Hoje temos em torno de 1,5 milhão de usuários do facebook no mundo. Só no Brasil temos 90 milhões de usuários, sendo que este cenário cresce rapidamente no montante de perfis pessoais e para negócios, principalmente com o uso do marketing digital. Existe um apelo de utilização das mídias sociais não só como um facilitador de relacionamento e comunicação interpessoal, mas também tem sido considerada uma ferramenta eficaz para relações profissionais, negócios, produção de conhecimento e conteúdo. Desta forma promove uma integração de pessoas, produtos e serviços, em tempo real. Mas para todo cenário, é fundamental organizar uma regra, que aqui vou chamar de etiqueta virtual, ou diretrizes da netiqueta (conjunto de regras de etiqueta na rede) como denomino. É importante citar que as regras apresentam certa variação de acordo com o tipo de rede, tipo de serviço e nível de acesso. Sabemos que a realidade demonstra um ritmo alucinado de envio e recebimento de informações, mensagens, imagens, conteúdos etc. e isso provoca, no geral dificuldades para separar a vida profissional e pessoal. Observamos que as novas tecnologias estão de fato eliminando as fronteiras entre a casa e o escritório, pois se torna difícil separar exatamente o que é privado, do público, assim como o que é profissional do pessoal. Para aproveitarmos todas as possibilidades de conexões e contatos para relacionamentos e negócios, alguns cuidados neste cenário são necessários, assim utilizar e aplicar estas diretrizes facilitará o gerenciamento do nosso comportamento comunicacional, da nossa imagem on line e da comunicação digital pertinente de acordo com a situação. É fundamental zelar pela nossa imagem nas redes sociais. Assim temos: 1 FOTOS: As fotos utilizadas falam muito sobre nós: nossa linguagem corporal, expressões faciais que denotam emoções e sentimentos, roupas e cores utilizadas que nos remete aos hábitos e comportamentos ESTÃO EM EVIDÊNCIA. Tudo é motivo para passar uma impressão a nosso respeito. Desta forma escolha bem as diferentes fotos de acordo com as redes sociais, pois cada mídia tem sua especificidade e objetivo. Mas saiba que o mais importante é ser natural, original e manter a sua individualidade. Seja você mesmo. Então, confira alguns cuidados: Facebook (uso mais pessoal): tanto as fotos de perfil, como a de capa, podem ser mais descontraídas, mas mesmo assim, observe alguns cuidados em relação ao cenário, ou seja, com os objetos, espaço utilizado, cores de roupas, acessórios e paisagens. Se você pretende utilizar a sua conta para realizar o seu marketing pessoal cuidado com a comunicação visual de acordo com seus objetivos profissionais, pois é preciso passar uma imagem positiva. Facebook (uso profissional ou de empresa – fanpage): as fotos de perfil e de capa precisam refletir a filosofia e identidade da prestação de serviço ou empresa, deve ser um pouco mais formal, de boa qualidade, com um cenário equilibrado, vestuário de acordo com o segmento de atuação e conteúdo escrito apropriado. Obs.: Cuidado para não misturar perfil pessoal do facebook com a fanpage. E também com o tamanho das fotos. O tamanho ideal deve seguir o seguinte: · Tamanho da capa de perfil do Facebook: 851px x 315 px · Tamanho da foto de perfil do Facebook: 180px x 180px · Tamanho da imagem de postagem do Facebook: 1200px X 1200px WhatsApp: também muito utilizado para negócios deve manter um formato mais neutro. Utilizando fotos de fácil reconhecimento. Se adicionar algum colega lembre-se de se apresentar e avisar quem você é. Abaixo o tamanho ideal da foto: · Tamanho da foto de perfil do Whats App: 192 x 192px Linkedin: essencialmente profissional. È utilizado para aumentar a sua network. Deve passar um ar profissional, denotando seriedade e compatível com seu resumo de qualificações e segmento de atuação, principalmente se estiver em busca de novas oportunidades. Por isso fique atento ao tamanho das fotos e imagens. Siga a seguinte recomendação de tamanho: · Tamanho da capa de perfil do Linkedin para Empresas: 1400 x 425 px. · Tamanho da foto de perfil do Linkedin para Empresas: 100px x 60 px Instagram: diferentemente do linkedin pode ser um perfil mais leve e descontraído. Interessante notar que as imagens falam mais do que palavras. De acordo com estudos a maioria das pessoas são mais visuais, passando e retendo com mais facilidade informações ligadas as imagens. Desta forma será necessário utilizar a inteligência visual ea criatividade. Cuidado com os tamanhos das fotos: · Tamanho da foto de perfil do Instagram: 110 x 110px · Tamanho da imagem de postagem do Instagram: 640 x 640 px Twitter: esta mídia é mais para conteúdo rápido e instantâneo. O ideal é padronizar as fotos das mídias utilizadas por você, sempre levando em consideração os objetivos. · Tamanho da capa de perfil do Twitter: 1500 x 500px · Tamanho da foto de perfil do Twitter: 400px x 400px (mas será exibido em 200 x 200 px) · Tamanho da imagem de postagem do Twitter: 506 x 253 px. 2 REDAÇÃO: Para a redação nas redes sociais ainda continua valendo as regras gramaticais e ortográficas. Como se sabe, a comunicação virtual é desprovida dos sinais da comunicação verbal-falada e não-verbal: entonação, ênfase, inflexão e modulação da voz, assim como a linguagem corporal, expressão facial, meneios de cabeça, gestos etc. Por conta disto tem sido muito utilizado o internetês, como por exemplo: aki, tc, tb, ñ, rs, kkk, aff, haha etc e os emoticons ou smilies. Observamos que a falta da comunicação face-a-face tem gerado muitas falhas na comunicação eletrônica. Por isso cuidado com a pontuação, acentuação, abreviaturas, o uso exagerado do internetês e, os emoticons ou smilies. Em todos os casos se for utilizar, é melhor com pessoas mais próximas. Para os E-mails corporativos é necessário seguir alguns cuidados destacados nas regras da netiqueta: Preencha de forma adequada os elementos: destinatário e o assunto específico. Para organizar a mensagem divida o texto em saudação, corpo da mensagem (assunto central e objetivo) e finalização, mantendo uma forma ordenada, objetiva, clara e concisa. Para facilitar o entendimento do texto, capriche na estética textual separando os parágrafos. Verifique também o layout e a assinatura, a qual deve conter sempre as informações necessárias de contato e da empresa. Evite utilizar letras maiúsculas, negritos e sublinhados em excesso. Evite o uso de emoticons ou smilies que devem ficar mais restritos ao facebook e para o WhatsApp de contatos pessoais. 3 LISTA: Quem eu devo adicionar: · Pessoas conhecidas: É muito mais confortável e fácil adicionar pessoas conhecidas tanto no facebook como no WhatsApp. · Pessoas desconhecidas: Já as pessoas desconhecidas devem ser aquelas relacionadas com as áreas de interesse profissional, estudo ou ainda que façam parte da lista de amigos ou indicados. · Colegas de trabalho: se for convidado por um colega de trabalho, é de bom tom aceitar. No entanto, cuidado com as postagens. E, em momento oportuno, comente com seu colega, que no geral, você utiliza as redes sociais para lazer e relacionamentos interpessoais. · Chefes e Funcionários: Tanto chefes como funcionários devem ter em mente que existe uma etiqueta na rede. Assim, o contato profissional deverá ser realizado dentro do horário de expediente. O contato deve ser feito em casos urgentes e se realmente necessário. Pode ser ainda utilizado durante o período de trabalho, se for uma ferramenta adicional de contato da empresa. · Médicos advogados, dentistas, pediatras: observa-se que com a utilização de promoção de serviços e produtos, muitos profissionais e clientes estão conectados. Assim é usual ter na lista de amigos: médicos, dentistas, advogados, clientes, familiares etc. Se o momento exigir um contato urgente, o mais propício é utilizar o WhatsApp ou telefone. Use o seu bom senso. Se não for urgente entre em contato no dia seguinte por telefone e pergunte por qual mídia social pode contactar. · No final de semana evite contados profissionais pelas mídias sociais. Só entre em contato se for combinado. REGRAS DE OURO E DIRETRIZES DA NETIQUETA: · Seja cuidadoso, por isso não reclame demasiadamente, ou exagere na demonstração de atividades diárias · Lembre-se que do outro lado temos seres humanos · Ao publicar algum conteúdo, que este esteja de acordo com suas atribuições profissionais, padrões e valores · Seja ético · Cuidado para não divulgar, o que não falaria em uma conversa presencial · Se errar, faça uma nova edição e seja rápido na correção. Se houver dúvida, melhor não publicar. Pense bem antes de escrever. · Continue utilizando na Internet as mesmas regras e padrões de comportamento que utiliza no dia-a-dia · Lembre-se que não somos o centro do ciberespaço · Respeite a privacidade dos demais · Não abuse dos benefícios que possa ter por conta das informações que tem acesso nos e-mails e ambiente corporativo · Seja comedido e se for necessário desculpe os erros dos outros · Lembre-se que na linguagem escrita não é possível definir entonação existente. Por isso cuidado com a ordenação didática da informação. image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image1.jpeg image2.png image3.png image4.png