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AULA 4
SINALIZAÇÃO
CELULAR
Como as células dos sistemas vitais se comunicam e se coordenam
Medicina Veterinária UNA – 1º Período | 2026/1
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino
1
ESTRUTURA DA AULA — 3 HORAS
01
Por que as células
precisam se comunicar?
O problema da coordenação
Moléculas sinalizadoras
1h
02
Os 4 tipos de
sinalização celular
Autócrina • Parácrina
Endócrina • Sináptica
1h
03
Exo/Endocitose e
Caso Clínico
Como os sinais saem e
entram da célula
1h
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
2
BLOCO 1 • 1H
Por que as células
precisam se comunicar?
O problema da coordenação nos sistemas vitais
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
3
E SE AS CÉLULAS NÃO SE COMUNICASSEM?
❤️ Cardiovascular
O coração não saberia quando bater mais rápido durante o exercício
🫁 Respiratório
Os pulmões não aumentariam a ventilação quando o CO₂ sobe
🍖 Digestório
O pâncreas não saberia secretar enzimas após uma refeição
💧 Urinário
Os rins não saberiam conservar água em caso de desidratação
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
4
A SOLUÇÃO: SINALIZAÇÃO CELULAR
A sinalização celular é o sistema de comunicação do organismo.
→
Coordena a resposta de múltiplos sistemas ao mesmo tempo
→
Mantém a homeostase — o equilíbrio interno do organismo
→
Permite adaptação rápida a mudanças do ambiente externo
→
Integra fisiologia celular com a função dos órgãos e sistemas
Sem sinalização, cada célula trabalharia de forma isolada — e o organismo entraria em colapso.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
5
SITUAÇÃO REAL 1 — EXERCÍCIO FÍSICO
Molécula sinalizadora: Adrenalina (epinefrina) — libera pela adrenal
Cardiovascular
↑ frequência cardíaca e força de contração
Respiratório
Broncodilatação → ↑ entrada de ar nos pulmões
Metabólico
Glicogenólise no fígado → ↑ glicose no sangue
Vascular
Vasodilata músculo esquelético; vasoconstricta vísceras
Em segundos, um único hormônio coordena quatro sistemas ao mesmo tempo.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
6
SITUAÇÃO REAL 2 — APÓS UMA REFEIÇÃO
Molécula sinalizadora: Insulina — secretada pelas células β do pâncreas
Fígado
Capta glicose e sintetiza glicogênio para armazenamento
Músculo
Capta glicose para uso energético imediato
Adipócito
Estoca energia na forma de triglicerídeos
Resultado geral
Glicemia retorna ao normal — homeostase restaurada
A insulina é o exemplo mais clássico de sinalização endócrina coordenando o metabolismo.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
7
SITUAÇÃO REAL 3 — DESIDRATAÇÃO
Molécula sinalizadora: ADH (hormônio antidiurético) — hipófise posterior
Rim
Reabsorção de água nos túbulos coletores — urina concentrada
Vasos
Vasoconstricção → mantém a pressão arterial
Sede
Sinalização ao hipotálamo — comportamento de busca por água
Resultado geral
Menor volume urinário + maior pressão + ingestão de água
O ADH mostra que o sinal hormonal pode mudar ao mesmo tempo comportamento e função renal.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
8
MOLÉCULAS SINALIZADORAS — HORMÔNIOS
Viajam pelo sangue — sinalização de longa distância
Insulina
↓ glicemia — estimula captação de glicose nas células
Adrenalina
↑ FC, broncodilatação, glicogenólise hepática
ADH
Retenção de água pelos túbulos coletores do rim
Aldosterona
Retenção de Na⁺ — controle da pressão arterial
Cortisol
Resposta ao estresse crônico — catabolismo proteico
Os hormônios são produzidos em uma glândula e levados pelo sangue até células-alvo distantes.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
9
MOLÉCULAS SINALIZADORAS — NEUROTRANSMISSORES
Atuam na fenda sináptica — sinalização rápida e local
Acetilcolina (ACh)
↓ FC pelo nervo vago; contração do músculo esquelético
Noradrenalina
↑ FC e vasoconstrição pelo sistema nervoso simpático
Dopamina
Regulação do fluxo sanguíneo renal; comportamento
Serotonina
Motilidade intestinal; humor; vasoconstricção
GABA
Principal neurotransmissor inibitório do SNC
Os neurotransmissores são liberados por exocitose na fenda sináptica e agem em milissegundos.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
10
MOLÉCULAS SINALIZADORAS — MEDIADORES LOCAIS
Atuam nas células vizinhas — sinalização parácrina
Óxido Nítrico (NO)
Vasodilatação local das arteríolas — fluxo para o tecido
Prostaglandinas
Inflamação, dor, febre — alvo dos AINEs
ANP (peptídeo atrial)
Liberado pelo coração → ↓ PA + diurese
Histamina
Vasodilatação local + permeabilidade capilar
Tromboxano A₂
Agregação plaquetária — início da coagulação
Diferente dos hormônios, os mediadores locais não circulam — atuam próximo ao ponto de liberação.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
11
BLOCO 2 • 1H
Os 4 tipos de
sinalização celular
Autócrina • Parácrina • Endócrina • Sináptica
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
12
TIPO 1 — SINALIZAÇÃO AUTÓCRINA
A célula libera uma molécula sinalizadora que age sobre ela mesma. O emissor e o receptor são a mesma célula.
💬 É como mandar uma mensagem para si mesmo — você escreve, você lê, você reage.
Moléculas:
Citocinas autócrinas, alguns fatores de crescimento
Ex: Linfócitos T liberam IL-2 para estimular sua própria proliferação após ativação imunológica
Ex: Células cancerosas frequentemente usam sinalização autócrina para crescer sem controle externo
🩺 Entender a autocrina explica por que tumores podem ser autossuficientes em sinais de crescimento.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
13
TIPO 2 — SINALIZAÇÃO PARÁCRINA
A célula libera uma molécula que age sobre células vizinhas, próximas. O sinal não entra na circulação.
💬 É como sussurrar para quem está do seu lado — a mensagem não precisa viajar longe.
Moléculas:
Óxido Nítrico (NO), Prostaglandinas, Histamina, Fatores de crescimento locais
Ex: Células endoteliais liberam NO → relaxamento do músculo liso da arteríola → vasodilatação local
Ex: Mastócitos liberam histamina → aumento da permeabilidade capilar no foco de inflamação
🩺 Os AINEs (ibuprofeno, meloxicam) bloqueiam prostaglandinas parácrina → menos inflamação e dor.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
14
TIPO 3 — SINALIZAÇÃO ENDÓCRINA
A glândula libera um hormônio no sangue, que viaja até células-alvo distantes. Um sinal, muitos alvos.
💬 É como uma carta enviada pelos Correios — sai de um ponto, circula, e chega a múltiplos destinos.
Moléculas:
Insulina, Adrenalina, ADH, Aldosterona, Cortisol, Hormônios tireoidianos
Ex: Pâncreas libera insulina → fígado, músculo e adipócito simultaneamente captam mais glicose
Ex: Hipófise libera ADH → rim concentra a urina + vasos se contraem para manter a pressão
🩺 A maioria das endocrinopatias veterinárias (DM, hiperadrenocorticismo) são falhas endócrinas.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
15
TIPO 4 — SINALIZAÇÃO SINÁPTICA
O neurônio libera neurotransmissores na fenda sináptica — um espaço nanométrico — para a célula vizinha.
💬 É como um sussurro colado no ouvido — a distância é mínima e a velocidade, máxima.
Moléculas:
Acetilcolina, Noradrenalina, Dopamina, Serotonina, Glutamato, GABA
Ex: Nervo vago libera ACh → receptor muscarínico no nó sinoatrial → ↓ frequência cardíaca
Ex: Sistema simpático libera noradrenalina → receptor β₁ cardíaco → ↑ FC e força de contração
🩺 Botulismo bloqueia exocitose de ACh → paralisia flácida. Atropina bloqueia receptor de ACh → ↑ FC.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
16
OS 4 TIPOS DE SINALIZAÇÃO — VISÃO GERAL
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
17
COMPARANDO OS 4 TIPOS — DISTÂNCIA E VELOCIDADE
TIPODISTÂNCIA
VELOCIDADE
MOLÉCULA
EXEMPLO CLÍNICO
AUTÓCRINA
Mesma célula
Imediata
Citocinas
Linfócitos estimulando sua própria proliferação
PARÁCRINA
Curta (células vizinhas)
Segundos
NO, Prostaglandinas
NO vasodilatando arteríolas coronárias locais
ENDÓCRINA
Longa (via sangue)
Minutos a horas
Insulina, ADH
Insulina do pâncreas regulando a glicemia sistêmica
SINÁPTICA
Nano-distância (fenda)
Milissegundos
ACh, Noradrenalina
ACh do nervo vago desacelerando o coração
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
18
SINALIZAÇÃO COMO ORQUESTRA DOS SISTEMAS VITAIS
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
19
RECEPTORES DE MEMBRANA — A CHAVE E A FECHADURA
Moléculas hidrofílicas (que não entram na célula) precisam de um receptor na superfície celular para transmitir sua mensagem para dentro.
Onde está
Na membrana plasmática da célula-alvo — voltado para o exterior
Como funciona
A molécula se liga à superfície. O receptor muda de forma e ativa uma cascata de sinalização intracelular
Resultado
A célula responde sem a molécula precisar entrar — o sinal é traduzido para uma linguagem interna
Moléculas
Adrenalina, Insulina, ADH, Acetilcolina — todas hidrofílicas, não atravessam a membrana
Exemplo
Adrenalina → receptor β₁ no coração → ↑ frequência cardíaca e força de contração
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
20
RECEPTORES INTRACELULARES — QUEM ENTRA NO NÚCLEO
Moléculas lipossolúveis (que atravessam a membrana) entram na célula e agem diretamente no núcleo, regulando a expressão de genes.
Onde está
Dentro da célula — no citoplasma ou no núcleo da célula-alvo
Como funciona
A molécula atravessa a bicamada lipídica, liga-se ao receptor e o complexo vai ao núcleo ativar genes
Resultado
A resposta é mais lenta (horas), mas mais duradoura — novos genes são ativados ou silenciados
Moléculas
Cortisol, Aldosterona, Hormônios tireoidianos (T3/T4), Hormônios esteroides em geral
Exemplo
Aldosterona → receptor nuclear no rim → síntese de canais de Na⁺ → retenção de sódio e água
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
21
BLOCO 3 • 1H
Exo/Endocitose e
Caso Clínico
Como os sinais saem e entram da célula — integração com a clínica
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
22
EXOCITOSE — COMO O SINAL SAI DA CÉLULA
A exocitose é o mecanismo pelo qual a célula exporta moléculas grandes para o meio externo.
Analogia: pense em um balão d'água que se aproxima da superfície e se funde com ela — o conteúdo é lançado para fora.
O que é
Vesículas cheias de moléculas (hormônios, enzimas, neurotransmissores) fundem-se com a membrana celular
O que libera
O conteúdo da vesícula é lançado para fora — para o sangue, para a fenda sináptica, para o ducto
Quando ocorre
Quando a célula recebe um sinal que dispara o processo — exemplo: glicemia alta dispara exocitose de insulina
Exemplos
Pâncreas (insulina e glucagon) • Neurônios (ACh, noradrenalina) • Plaquetas (fatores de coagulação)
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
23
ENDOCITOSE — COMO O SINAL ENTRA NA CÉLULA
A endocitose é o mecanismo pelo qual a célula captura moléculas ou partículas do meio externo para dentro.
Analogia: pense em fechar a mão em volta de um peixinho — a membrana se dobra ao redor do alvo e o engloba.
O que é
A membrana se invagina ao redor de uma molécula ou partícula e forma uma vesícula interna
O que captura
Hormônios, LDL, patógenos, células mortas, receptor-ligante para degradação
Quando ocorre
Quando receptores de superfície reconhecem o alvo — ou quando macrófagos patrulham o tecido
Exemplos
Macrófagos (bactérias e debris) • Fígado (LDL e colesterol) • Rim (albumina filtrada)
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
24
EXOCITOSE E ENDOCITOSE — DIAGRAMA COMPARATIVO
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
25
FALHA DE SINALIZAÇÃO — DIABETES MELLITUS TIPO 2
Resistência à insulina
🔴 Falha no RECEPTOR DE MEMBRANA
O QUE ACONTECE
As células do fígado, músculo e tecido adiposo não respondem adequadamente ao sinal da insulina. Os receptores de membrana para insulina não são ativados corretamente.
RESULTADO CLÍNICO
A glicose não entra nas células. Acumula no sangue → hiperglicemia crônica → danos em vasos, rins, nervos e olhos.
💡 O pâncreas produz insulina normalmente, mas o sinal não é ouvido pelas células-alvo.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
26
FALHA DE SINALIZAÇÃO — FEOCROMOCITOMA
Hipersecreção adrenérgica contínua
🔴 Falha na REGULAÇÃO DA EXOCITOSE
O QUE ACONTECE
Tumor na glândula adrenal (medula) que secreta adrenalina e noradrenalina de forma descontrolada, sem o estímulo fisiológico de exercício ou estresse real.
RESULTADO CLÍNICO
Crise hipertensiva, ↑ FC intensa, sudorese, arritmia — o organismo age como se estivesse em exercício máximo o tempo todo.
💡 A exocitose dos grânulos de catecolaminas acontece sem o gatilho correto — sinal liberado sem necessidade.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
27
FALHA DE SINALIZAÇÃO — BOTULISMO
Bloqueio da exocitose de acetilcolina
🔴 Bloqueio da EXOCITOSE sináptica
O QUE ACONTECE
A toxina botulínica (Clostridium botulinum) cliva as proteínas SNARE — as 'travas' que permitem a vesícula sináptica fundir-se com a membrana do neurônio motor.
RESULTADO CLÍNICO
A ACh não é liberada na fenda sináptica → nenhum sinal chega ao músculo → paralisia flácida progressiva — pode atingir os músculos respiratórios.
💡 A toxina botulínica é o exemplo mais estudado de falha de exocitose — e também a base do Botox terapêutico.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
28
FALHA DE SINALIZAÇÃO — INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
Down-regulation de receptores β₁
🔴 Falha na REGULAÇÃO DO RECEPTOR
O QUE ACONTECE
No coração cronicamente sobrecarregado, o organismo reduz o número de receptores β₁ para adrenalina como mecanismo de autoproteção contra o excesso de estimulação.
RESULTADO CLÍNICO
O coração fica progressivamente menos responsivo à estimulação adrenérgica → piora da função contrátil → ciclo vicioso de insuficiência.
💡 Essa é a razão pela qual betabloqueadores (atenolol, carvedilol) são paradoxalmente úteis na ICC — reduzem o estímulo, permitem recuperação dos receptores.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
29
CASO CLÍNICO — LABRADOR DIABÉTICO
CENÁRIO
Um cão Labrador, 9 anos, obeso, chega ao hospital com polidipsia (bebe muita água), poliúria (urina muito) e letargia. Os exames revelam hiperglicemia (glicose = 380 mg/dL) e glicosúria. O veterinário suspeita de Diabetes Mellitus.
Três questões para pensar antes do próximo slide:
Q1 — Qual tipo de sinalização celular está comprometida no diabetes mellitus tipo 2?
Q2 — A insulina é secretada por exocitose. O que isso significa na prática?
Q3 — Como a poliúria se explica pela sinalização celular comprometida?
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
30
CASO CLÍNICO — RESPOSTA À QUESTÃO 1
Q1 — Qual tipo de sinalização celular está comprometida no diabetes mellitus tipo 2?
RESPOSTA
A sinalização ENDÓCRINA está comprometida.
A insulina é um hormônio — viaja pelo sangue do pâncreas até células distantes (fígado, músculo, adipócito). No DM2, o pâncreas produz insulina normalmente, mas as células-alvo não respondem: o receptor de membrana para insulina não é adequadamente ativado.
É como uma carta entregue corretamente, mas ninguém abre a porta para recebê-la. O problema não é no emissor — é no receptor.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
31
CASO CLÍNICO — RESPOSTA À QUESTÃO 2
Q2 — A insulina é secretada pelo pâncreas por exocitose. O que isso significa na prática?
RESPOSTA
Significaque a insulina não fica flutuando livre no citoplasma das células β.
Ela é produzida, empacotada em vesículas e armazenada. Quando a glicemia sobe, um sinal faz as vesículas migrarem até a membrana, fundirem-se com ela e liberarem a insulina para o sangue — isso é exocitose regulada.
No DM tipo 1, o problema está aqui: as células β são destruídas por autoimunidade — não há vesículas para realizar a exocitose. No DM tipo 2, a exocitose pode funcionar, mas o receptor do alvo não responde.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
32
CASO CLÍNICO — RESPOSTA À QUESTÃO 3
Q3 — Como a poliúria se explica pela sinalização celular comprometida?
RESPOSTA
Dois mecanismos simultâneos:
1. Diurese osmótica: a glicose em excesso no sangue passa pelo filtro renal e entra no filtrado. Acima de certo limiar, o rim não consegue reabsorver toda a glicose — ela 'arrasta' água consigo para a urina. Resultado: urina muito diluída e em grande volume.
2. ADH ineficaz: o ADH tenta conservar água, mas não consegue compensar completamente a perda osmótica. O organismo perde água → sede intensa (polidipsia) para tentar repor o que foi embora na urina.
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
33
SÍNTESE — O QUE VOCÊ PRECISA DOMINAR
01
Sinalização coordena
Sem sinalização, os sistemas vitais trabalham isolados. Homeostase depende de comunicação.
02
4 tipos
Autócrina (mesma célula) → Parácrina (vizinhas) → Endócrina (sangue) → Sináptica (fenda).
03
Moléculas sinalizadoras
Hormônios (longa distância) • Neurotransmissores (fenda) • Mediadores locais (vizinhança).
04
Receptores
Membrana: moléculas hidrofílicas. Intracelular: moléculas lipossolúveis agem no núcleo.
05
Exo e endocitose
Exocitose libera sinais (insulina, ACh). Endocitose captura material (macrófagos, LDL).
06
Falhas = doenças
DM2 (receptor), feocromocitoma (excesso), botulismo (bloqueio), ICC (down-regulation).
Me. MV Jéssika Vieira Cyrino • Morfofisiologia dos Sistemas Vitais • 2026/1
34
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