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Número de Inscrição: 00000000 Cidade de realização da prova: Online Simulado Carreira de Diplomata (Terceiro Secretário) Frase: A novidade é revolucionária; a verdade também Leia com atenção as instruções abaixo Ao receber este caderno de prova, confira inicialmente se os dados registrados acima estão corretos e devidamente transcritos na sua Folha de Respostas. Confira também os dados em cada página numerada deste caderno de prova (desconsidere estas instruções, caso se trate de caderno de prova reserva). Em seguida, verifique se ele contém cento e vinte itens, correspondentes aos itens de 1 a 120 da prova objetiva (manhã), corretamente ordenados. Caso o caderno esteja incompleto, tenha qualquer defeito e(ou) apresente divergência quanto aos dados apresentados, solicite, de imediato, ao(à) aplicador(a) de provas mais próximo(a) que tome as providências necessárias. 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Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão; determinaram — era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente — depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá — fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte. João Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p. 1 (com adaptações). Levando em conta o texto acima e a importância da obra de João Guimarães Rosa para a literatura brasileira, julgue os itens a seguir: 1. No vocábulo “erroso” (7º período), neologismo formado por processo de derivação, o sufixo -oso, formador de adjetivo, foi acrescido a radical nominal, por analogia com o processo de formação dos vocábulos enganoso, ditoso, gostoso, por exemplo. 2. No trecho “O senhor ri certas risadas... Olhe” (16º período), predomina a função emotiva da linguagem. 3. O travessão que inicia o texto instaura um diálogo entre o narrador-protagonista, Riobaldo, e um interlocutor, que recebe tratamento respeitoso — “o senhor” — e que interage com o narrador, interferindo ativamente na conversa e ocupando grande espaço da narrativa com perguntas, observações e comentários. 4. Com a expressão adverbial “desde mal em minha mocidade” (5º período), o personagem evidencia que a sua fama de jagunço cruel foi conquistada na adolescência, na região do sertão. 5. A expressão “tiro de verdade” (17º período) está associada, no texto, a “briga de homem” (2º período). 6. No trecho “Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior!” (21º período), a palavra “aqui” está empregada como substantivo. 7. A máxima “O sertão está em toda a parte” (último período) confirma a análise de que o sertão, na obra de Guimarães Rosa, é um espaço que se desdobra em três aspectos: geográfico, mítico e simbólico. 8. Ao final do fragmento, o narrador faz menção a um dito popular como recurso expressivo para reforçar a tese de que não há consenso acerca do conceito de sertão Texto 2 Óbito do autor Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferentes métodos: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria mais galante e mais novo. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Editorial Santiago. Edição especial, 1988, p. 5 (com adaptações). Considerando o fragmento de texto transcrito e a relevante obra de Machado de Assis, julgue os seguintes itens. 9. Machado de Assis serve-se da figura do narrador-defunto para falar, de modo bastante realista, porém sarcástico, da sociedade burguesa brasileira, alvo de sua crítica. 10. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador, em suas intromissões, recurso técnico machadiano bastante produtivo, interpela o leitor de modo cínico e provocativo, como ilustra a dedicatória nesse romance: “Ao leitor (...) A obra em si mesma é tudo: se te agrada, fino leitor, pago-me da tarefa; CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 se não te agrada, pago-te com um piparote, e adeus.” 11. São características da obra Memórias póstumas de Brás Cubas a inverossimilhança, ilustrada pelo fato de o narrador em terceira pessoa ser um defunto, e o desprezo pela temática social e psicológica. Julgue os próximos itens, acerca de aspectos linguísticos do texto 2. 12. O primeiro período do texto tem a seguinte organização sintática: oração principal com verbo de regência intransitiva e duas orações adverbiais de sentido condicional ligadas por expressão denotativa de retificação. 13. No segundo período, a posição dos elementos constituintes em “autor defunto” e“defunto autor” determina, com implicações semânticas, as diferentes funções (substantiva ou adjetiva) que as palavras “autor” e “defunto” desempenham nessas expressões. 14. No texto, a palavra “campa” (segundo período) é empregada em sentido denotativo e significa morte. Texto 3 Madri, 14 de julho de 1857. Senhor, Chegou a hora de poder humildemente comparecer ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo volume concluído da História geral do Brasil, depois de haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, “Eregi monumentu aere perennius” a minha triste peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças a Deus não só por me haver inspirado a ideia de tal grande serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e vida para o realizar (sustentando-me a indispensável perseverança para convergir sobre a obra desde os anos juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo glorifica a sua sabedoria e justiça. Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...) Estas considerações dão-me por vezes horas de grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...). Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o não fora, como é, mercê de Deus. (...) Sei que não falta gente que, insistindo em considerar-me como meio literato, meio empregado diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade Imperial e do Império. (...) Senhor, De Vossa Majestade Imperial, O mais submisso e leal súdito Francisco Adolfo de Varnhagen Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 (com adaptações). Julgue os itens a seguir, relativos aos trechos destacados da carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro II. 15. A impessoalidade e a reverência a autoridade superior, que caracterizam o primeiro parágrafo, contrapõem-se à forma como o remetente da carta extravasa subjetividade nos demais parágrafos apresentados. 16. No primeiro parágrafo, o emprego do acento gráfico nas palavras “concluída” ( 2º período) e “caí” ( 3º período) atende à mesma regra gramatical. 17. No segundo parágrafo, para a correta concordância com o pronome de tratamento “Vossa Majestade Imperial”, o pronome possessivo “Seu”, na expressão “perante o Seu espírito justiceiro”, deveria ser alterado para Vosso. 18. As formas verbais do trecho “quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos” (2º período do 3º parágrafo) correspondem, quanto ao sentido, respectivamente, a faz e foram publicadas. 19. Para se estabelecer a ordem direta dos elementos do 2º período do 3º parágrafo, deve-se suprimir a vírgula que antecede as orações coordenadas “gemi e calei” e deslocá-las para a posição logo após a palavra “sobretudo”. 20. Há elipse da forma verbal sou no período “E por que não, Senhor?!” (4º parágrafo). CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 21. No último parágrafo, o remetente da carta vale-se de eufemismo para mencionar que o julgamento desfavorável de algumas pessoas deve estar influenciando as escolhas de nomes para as listas de despachos. 22. Sem se contrariar a correção gramatical, a forma verbal “fingem” (último parágrafo) poderia ser substituída pela forma finge. Texto 4 A Convenção para a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais lida com campos temáticos específicos mencionados na Declaração Universal da UNESCO para a Diversidade Cultural. São documentos cuja existência aponta para a necessidade de se reconhecer que os bens e os serviços culturais comunicam identidades, valores e significados e, por isso, não podem ser considerados meras mercadorias ou bens de consumo quaisquer. Por sua vez, também os Estados precisam tomar todas as medidas apropriadas para proteger e promover a diversidade das expressões culturais, garantindo o livre fluxo de ideias e obras. Finalmente, é necessário redefinir a noção de cooperação internacional, elemento central da Convenção, na medida em que cada forma de criação traz em si as sementes de um diálogo contínuo. A Convenção lida com muitas formas de expressão cultural que resultam da criatividade de indivíduos, grupos e sociedades, enquanto comunicam conteúdos culturais com sentido simbólico, bem como valores artísticos e culturais que se originam de identidades culturais ou as expressam. As expressões culturais — qualquer que seja o meio ou a tecnologia usada — são transmitidas pelas atividades, pelos bens e pelos serviços culturais, que, conforme reconhecido pela Convenção, têm uma natureza dupla (econômica e cultural). Por esse motivo, tais bens e serviços não podem ser tratados como objetos de negociações comerciais. Ao enfocar a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais, a Convenção reconhece que, em um mundo cada vez mais interconectado, cada indivíduo tem direito a acessar, livre e imediatamente, uma rica diversidade de expressões culturais, tanto as do seu país quanto as de outros. Entretanto, esse potencial ainda não se materializou totalmente no atual contexto global. Revista Ciência e Cultura. Ano 57, n.o 2, abr-maio-jun/2005 (com adaptações). Julgue os itens subsequentes, relativos às relações morfossintáticas, semânticas e discursivas do texto. 23. Os bens culturais são apresentados como sendo de livre acesso a todos, o que não significa que eles sejam sempre gratuitos. 24. É correto concluir da leitura do texto que a globalização é o principal elemento motivador da diversidade de bens culturais e da circulação desses bens nos países em desenvolvimento. 25. O texto classifica-se como informativo, sendo o assunto nele tratado o programa de proteção e promoção da diversidade cultural imposto às nações em nível mundial. 26. A inserção de vírgula logo após “significados” (2º período do 1º parágrafo) manteria a correção gramatical do texto, mas poderia alterar suas relações de coesão. 27. Em “resultam da” (1º período do 2º parágrafo), o vocábulo “da”, resultante da junção da preposição de com o artigo definido a, pode ser substituído por na sem que se altere o sentido original do texto. 28. A expressão “enquanto” (1º período do 2º parágrafo) tem valor concessivo, o que dá à oração por ela iniciada a função de exprimir sentido oposto ao expresso pela oração antecedente. 29. A substituição de “enfocar” (1º período do 3º parágrafo) por exaltar alteraria as informações veiculadas no texto, assim como suas relações semânticas e discursivas. 30. A forma adjetiva “livre” (1º período do 3º parágrafo) está empregada no singular para concordar com o elemento a que se liga: “cada indivíduo”. 31. No último períododo texto, “Entretanto” estabelece um contraste entre a promoção da diversidade de expressões culturais atual e o seu potencial ainda inexplorado. 32. O pronome “cuja” (2º período do 1º parágrafo) assume valor possessivo, motivo pelo qual poderia ser corretamente substituído por de quem ou por dos quais. Texto 5 Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. Estou com raiva. Uma cólera de derrubar copos e pratos e quebrar vidraças. Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente. Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago. Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações). CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 Julgue os itens que se seguem, a respeito de aspectos linguísticos e semânticos do texto apresentado anteriormente. 33. As orações que aparecem no trecho “Ela me incomoda tanto que fiquei oco” (1º parágrafo) estão coordenadas entre si, expressando a segunda oração uma justificativa sobre a primeira. 34. No 3º período do 1º parágrafo, composto por subordinação, o segmento “tanto mais me incomoda” corresponde à oração principal e o trecho “quanto menos reclama” classifica-se como oração subordinada adverbial proporcional. 35. Em “Como me vingar? Ou melhor, como me compensar?” (1º parágrafo), a substituição do primeiro ponto de interrogação por vírgula prejudicaria a coerência das ideias veiculadas no texto e a sua correção gramatical, mesmo que feitos os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas no novo período resultante. 36. O último parágrafo do texto constrói-se com base em metáforas e hipérboles. Texto 6 A questão de uma identidade latino-americana tornou-se não apenas atual, mas premente, sobretudo ao longo do século XX. Sua origem está em uma experiência marcante de contraste e de contradição com a memória do regime colonial, com os projetos nacionais e liberais decorrentes dos processos de autonomia política, com os mecanismos de dependência econômica e financeira e, principalmente, com a pluralidade da composição social de suas populações. Uma das características do esforço de autodefinição das sociedades latino-americanas desenvolve-se mais particularmente na segunda metade do século, com a grande variedade de ensaios de cunho literário e com os resultados das ciências sociais obtidos por latino-americanos, que passam a desempenhar papel relevante no cenário mundial. A América que vinha sendo dita latina por terceiros quer proclamar-se América e latina por si própria. A simples contraposição com a Europa (em especial com as antigas metrópoles coloniais) ou com a América de língua inglesa tem grandes lacunas. O sentimento generalizado de pertencimento à história da expansão da cultura europeia é necessário, mas não suficiente para consolidar a legitimidade social e cultural da composição e da pluralidade social na América de fala espanhola e portuguesa. E isso mesmo se essas Américas receberam significativa contribuição de correntes migratórias renovadas. Os caminhos percorridos nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá foram — e são — bem distintos dos que percorrem as Américas latinas. Assim, são os próprios latino-americanos ou brasileiros que procuram ser latino-americanistas ou brasilianistas, não apenas por sorte de ousadia política, mas por força de abordagem científica da constituição eventual de uma latino-americanidade alçada dos traços de formação social e cultural de suas sociedades. O objetivo de conceber e redigir uma história em que o tom fosse dado por latino-americanos, não em uma espécie de etnocentrismo que substitua outros etnocentrismos, como o europeu ou o norte-americano, mas que sirva de substrato a uma síntese da pluralidade real das Américas Latinas, é uma contribuição relevante para a concepção, a construção e a consolidação de uma identidade macrorregional latino-americana. E. C. R. Martins. América Latina: cultura histórica e identidade. In: C. B. Carmona e H. Sewierski (Orgs.). Heranças e desafios da América Latina: Brasil e Chile. Brasília: Universidade de Brasília, Oficina Editorial do Instituto de Letras: Plano Editora, 2003. p. 29-30 (com adaptações). Com base no texto acima e nos seus aspectos linguísticos, julgue os itens subsequentes. 37. O texto tem natureza essencialmente descritiva, uma vez que informa o leitor a respeito das mudanças paradigmáticas e epistemológicas no estudo de questões ligadas à identidade de cada nação latino-americana. 38. A expressão “alçada dos” (1º período do 3º parágrafo) tem o sentido de erigida sobre os ou fundamentada nos, podendo ser por essas expressões substituída, sem prejuízo semântico nem gramatical ao texto. 39. A expressão “as Américas latinas” (último período do 2º parágrafo) exerce a função de sujeito da forma verbal “percorrem” (mesmo período). 40. No 1º período do 3º parágrafo, o vocábulo “sorte” refere-se às venturas advindas da ousadia política. HISTÓRIA DO BRASIL A respeito da América portuguesa do século XVIII, julgue os itens subsequentes: 41. Foi por volta de meados do século XVIII que se tornou evidente ter-se transformado o Brasil em peça mestra dos domínios lusos, superando a própria metrópole em peso econômico e demográfico. O Estado do Brasil e o Estado do Grão-Pará e Maranhão, com suas adaptações administrativas, formavam, em meados do século XVIII, um conjunto mal comunicado com manchas de povoamento bastante isoladas e distantes entre si, além de ser muito insuficiente em caráter absoluto o milhão e meio de habitantes (a metade deles escravos) diante da vastidão das terras. Isso, apesar de que o surgimento da economia e da CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 sociedade do ouro tiveram importantes efeitos integradores. 42. De 1750 a 1777, o governo de Portugal e seus domínios foi levado a cabo com mão de ferro por Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e depois marquês de Pombal. Em matéria administrativa, o centralismo foi a tônica. O Conselho Ultramarino viu diminuídos os seus poderes. O sistema de capitanias hereditárias foi extinto com a absorção pela Coroa das que ainda existiam, em número de onze, excetuando-se unicamente São Vicente, que perdurou até 1791. Pombal também nomeou seu próprio irmão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Grão-Pará, posteriormente separado do Maranhão, em 1774. 43. Ambos os movimentos de revolta restritos ao ambiente regional, a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração dos Alfaiates (1798) contaram unicamente com a influência da Revolução Francesa e tinham por objetivo a emancipação de todo o território nacional e a abolição da escravidão. 44. Em 1785, d. Maria I expediu alvará proibindo qualquer tipo de manufatura na colônia. Tal medida viria a ser revogada por d. João VI quando da vinda da coroa portuguesa para o Brasil. A respeito do processo de independência, julgue (C ou E) os itens subsequentes: 45. Em 20 de agosto de 1820, irrompia no Porto a revolução liberal, também conhecida como Revolução Vintista. Sua proposta era de uma regeneração política, substituindo as práticas do Antigo Regime pelas do liberalismo, embora sob a ótica das mitigadas Luzes ibéricas. Exigiam-se a convocação de Cortes, não mais consultivas, mas deliberativas, para a elaboração de uma Constituição, o retorno do soberano e o restabelecimentodo lugar que Portugal julgava merecer no interior do Império. Em um plano mais amplo, cumpria ainda aliciar as demais regiões do Império, sobretudo o Brasil, com a promessa de desterrar o despotismo, considerado responsável por todas as opressões. 46. Foi no início de dezembro que chegaram ao Rio de Janeiro os decretos de 29 de setembro, que não só referendavam que as juntas provinciais deveriam se subordinar diretamente a Lisboa, como também exigiam a volta imediata do príncipe regente a Portugal. Em resposta, d. Pedro decidiu não se submeter a um poder legislativo que se colocava acima da Coroa. Como resultado, em 9 de janeiro de 1822, o célebre Dia do Fico, proclamou a intenção de permanecer no Brasil e significou o comprometimento do príncipe já naquele momento com a independência do Brasil. 47. Ao final de 1822, Minais Gerais e as províncias do Sul já se tinham manifestado favoráveis à independência do Brasil, através de ofícios e proclamações enviados pelas Câmaras Municipais, quando da consulta sobre a aclamação de d. Pedro como Imperador do Brasil pelo povo do Rio de Janeiro. Em dezembro de 1822, Pernambuco jurou solenemente adesão e obediência ao imperador. Em virtude da dificuldade de comunicação, Goiás e Mato Grosso pronunciaram-se somente em janeiro de 1823. Em seguida, foi a vez do Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. As quatro províncias do Norte – Pará, Maranhão, Piauí e Ceará – juntamente com a Cisplatina e parte da Bahia, no entanto, permaneciam fiéis às cortes de Lisboa. Assim, a unidade em torno do Rio de Janeiro acabou tendo de se impor por meio de guerras – as guerras de independência e uma guerra civil entre portugueses. 48. O esforço para obter o reconhecimento do Brasil como um ator recém-independente no cenário mundial se desenrolou em duas fases distintas: a primeira inconclusiva, de agosto de 1822 a julho de 1823, se situa dentro dos 18 meses em que José Bonifácio de Andrada e Silva foi o poderoso ministro da Guerra e dos Estrangeiros e virtual primeiro-ministro e chefe do governo; estende-se a segunda etapa da queda do Patriarca da Independência até a assinatura do tratado de reconhecimento com Portugal em 29 de agosto de 1826, seguindo-se, em rápida, sucessão os reconhecimentos da Grã-Bretanha e demais potências durante o ano de 1826. A demissão de Bonifácio deu-se por sua insegurança e seu sentimento de inferioridade perante a Inglaterra, que acarretariam desvantagens para o Brasil no processo de reconhecimento da independência. A respeito do período das Regências, julgue os itens subsequentes: 49. A Guerra dos Cabanos (1831-1835), localizada entre as províncias de Pernambuco e Alagoas, teve como participantes pequenos proprietários, camponeses, índios e escravos, apoiados por comerciantes portugueses do Recife. Por três anos (1832-1835), os rebeldes lutaram em uma guerra de guerrilha contra as tropas do governo, reivindicavam a volta de d. Pedro I e defendiam a religião católica. Era uma revolta popular restauracionista. 50. Para lidar com o problema da manutenção da ordem pública, os moderados, no controle do governo, licenciaram todas as praças do Exército estacionadas na capital e criaram em 1831 a Guarda CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 Nacional. Chamada de Milícia Cidadã, ela copiou o espírito da instituição francesa do mesmo nome, qual seja, colocar a manutenção da ordem nas mãos dos que tinham algo a defender, isto é, dos proprietários. Para pertencer à Guarda era exigida renda de 200 mil-réis nas quatro maiores cidades e de 100 mil-réis no resto do país. 51. O Ato Adicional de 1834 concedeu às províncias assembleias e orçamentos próprios e deu a seus presidentes poderes de nomeação e transferência de funcionários públicos, mesmo quando pertencentes ao governo geral. O novo sistema só não era plenamente federal porque os presidentes continuavam a ser indicados pelo governo central. O Ato Adicional também aboliu o Conselho de Estado e retirou da Regência uma das principais atribuições do Poder Moderador, a de dissolver a Câmara. A contrapartida, cedida aos conservadores, foi a manutenção da vitaliciedade do Senado. Por fim, o Ato Adicional decretou a eleição popular de um regente único em substituição à regência trina. 52. Medida importante tomada pela Regência em novembro de 1831 foi a proibição do tráfico de escravos. Essa lei punha em prática o que fora acordado com a Grã-Bretanha no tratado de 1826. Embora os efeitos imediatos não tenham sido dramáticos, era a primeira tentativa de enfrentar um problema quase intratável, tal o peso da escravidão na economia e na sociedade brasileiras. A respeito do Segundo Reinado (1840-1889), julgue (C ou E) os itens subsequentes: 53. Em 1848, os liberais fizeram uma última revolta, chamada Praieira, em Pernambuco. O levante verificou-se fora da capital da província e foi apoiado por pequenos senhores de engenho de açúcar. Os rebeldes, por meio de seus representantes urbanos, demandavam medidas antilusitanas, como a expulsão de portugueses e a nacionalização do comércio varejista, por eles controlado; federalismo, sufrágio universal e abolição do Poder Moderador. Mas, sem apoio em outras partes do país, o movimento foi dominado. Fechava-se com essa revolta o ciclo de rebeliões iniciado após o Ato Adicional. O sistema estabilizou-se sob a hegemonia dos conservadores, que se estenderia por cerca de dez anos. 54. Irritado com a não renovação do tratado de comércio, que expirara em 1844, o governo britânico retaliou no ano seguinte, autorizando sua Marinha de Guerra a tratar como piratas os navios negreiros e aprisioná-los para julgamento nos tribunais do vice-almirantado. Sem forças para enfrentar militarmente o agressor e temeroso de negociar em posição de fraqueza, o governo conservador, em 1850, decidiu acabar com o tráfico de escravos; contudo, a medida foi tão ineficaz quanto em 1831. 55. A Lei de Terras de 1850 determinava que o acesso às terras públicas se dava apenas pela compra, que o tamanho das posses era limitado ao tamanho da maior doação feita no distrito em que se localizavam, que o produto da venda das terras se destinaria a financiar a vinda de imigrantes para o Brasil e que se criava a Repartição Geral das Terras Públicas para administrar o processo e promover a migração. Ainda, os imigrantes recém-chegados tinham preferência na aquisição de terras. 56. Na política externa, o Brasil se viu levado a definir sua posição em função da política de Juan Manuel de Rosas, governador do Estado Confederado de Buenos Aires, que interviera na política uruguaia a favor de Oribe. Este, por sua vez, começou a hostilizar os proprietários brasileiros que habitavam a Banda Oriental. O governo brasileiro rompeu relações com Rosas em 1851 e aliou-se a seus rivais argentinos Urquiza e Virasoro. Em 1852, Rosas foi derrotado pelas forças aliadas na batalha de Monte Caseros. Com essa intervenção, o ministério, sob a influência de Paulino José Soares de Sousa, futuro visconde do Uruguai, definiu a política do país na área, que poderia ser resumida na frase: não conquistar e não deixar conquistar. Não foi só a renovação dos movimentos artísticos eruditos ou populares que marcou a modernização das grandes cidades em crescimento ainda mais acelerado nos anos 1920. A movimentação operária tinha sido intensa e explosiva entre 1917 e 1919. A partir de 1922, a emergência das insurreições militares tenentistas consistiu talvez na principal novidade do período para se entender o colapso da ordem constitucional de 1891. Hebe Mattos. In: História do Brasil Nação. Rio de Janeiro: Objetiva/MAPFRE, 2012, v. 3 (1889-1930), p. 125 (com adaptações). Tendo o fragmento de texto apresentado como referência inicial, julgue (C ou E) os próximos itens, acerca da “crise dos anos 20” da Primeira República (1889-1930): 57. O levante militarde 1922 no Forte de Copacabana deu início ao chamado movimento tenentista, que atualizaria a antiga doutrina do soldado-cidadão. Mais uma vez, o levante dos jovens militares, mantendo o modelo da Proclamação da República em 1889, precisou atrair um militar de alta patente (no caso, Hermes da Fonseca) e colocar-se formalmente ao lado da lei. 58. Um novo levante tenentista em São Paulo, em 1924, contra o presidente do estado, Carlos Campos, também assumiria como suas as bandeiras de reformas que mobilizavam as camadas médias CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 urbanas. O levante de 1924, com desdobramentos entre a oficialidade do Exército no Rio Grande do Sul, daria origem à Coluna Miguel Costa-Luiz Carlos Prestes, que percorreu por três anos o inteiro do país, combatida pelo Exército e por tropas coronelistas. 59. O governo de Artur Bernardes, presidente à época dos levantes tenentistas, transcorreu normalmente, tendo em vista sua disposição para dialogar com estes movimentos e com o nascente movimento operário. 60. Na sucessão de Washington Luís, os grandes estados não chegaram a um nome de consenso. Contra a candidatura oficial do paulista Júlio Prestes, Minas Gerais lançou a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas, com apoio ainda da Paraíba. A vitória de Vargas nas eleições deu início à chamada Revolução de 1930, que pôs fim à ordem constitucional de 1891. Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil na chamada Revolução de 1930. Seu governo foi marcado por fortes transformações econômicas e sociais, bem como por acontecimentos políticos importantes no Brasil e no mundo. A respeito da Era Vargas, julgue (C ou E) os próximos itens. 61. As primeiras medidas adotadas pelo Governo Provisório foram intervencionistas e centralizadoras, inspiradas nas reivindicações dos setores tenentistas. Entre elas estava o Sistema de Interventorias, um importante instrumento de controle do poder central na política local. Na área social, o Governo Provisório também fez investimentos significativos: a jornada de trabalho no comércio e na indústria foi fixada em oito horas; o trabalho da mulher e do menor foi regulamentado; adotou-se uma lei de férias; foi instituída a carteira de trabalho e o direito a pensões e aposentadorias. 62. Em julho de 1932, eclodiu uma revolução em São Paulo que se transformou na pior guerra civil vivida pelo país. Insatisfeitos com a política centralizadora de Vargas e com a lentidão das medidas que restaurariam o Estado de direito, os paulistas exigiam o fim imediato do regime ditatorial e maior autonomia para São Paulo. A Revolução Constitucionalista, como se tornou conhecida, durou três meses. No dia 2 de outubro, os paulistas, cercados por tropas federais, se renderam. A derrota militar foi também política, já que não houve qualquer ganho para São Paulo. 63. Francisco Campos, um dos ideólogos mais importantes do Estado Novo, interpretou o regime como uma decorrência histórica e necessária da Revolução de 1930. Segundo ele, o Estado Novo suscitara no país uma “consciência nacional”, unificara uma nação dividida, colocara um ponto final às lutas econômicas e impusera silêncio à querela dos partidos empenhados em quebrar a unidade do Estado e, por conseguinte, a unidade do povo. 64. Em maio de 1945, o governo do Estado Novo assinou o Decreto-Lei nº 7.586, conhecido como Lei Agamenon, que, sem estabelecer expressamente a Justiça Eleitoral, criou, como órgãos dos serviços eleitorais, aqueles mesmos de 1932 – um Tribunal Superior, com sede na capital da República; um Tribunal Regional, na capital de cada estado e no Distrito Federal; juízes eleitorais nas capitais, comarcas, termos e distritos. Ainda, tal legislação permitiu a volta dos partidos de base estadual como na época das oligarquias da Primeira República. A respeito da trajetória da experiência política brasileira entre 1946 e 1964, julgue (C ou E) os itens subsequentes: 65. Em maio de 1947, após a promulgação da Constituição de 1946, o Supremo Tribunal Federal decidiu cassar o registro do Partido Comunista. A decisão controvertida baseou-se em texto da Constituição, que vedava a existência de qualquer partido cujo programa ou ação contrariassem o regime democrático, baseado na pluralidade de partidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem. Em janeiro de 1948, completaram-se as medidas que levaram o PCB à clandestinidade. Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional determinou a cassação dos mandatos dos deputados, senadores e vereadores eleitos pela legenda do partido. 66. No começo de 1956, estourou a Revolta de Jacareacanga, no Pará. Tratava-se de um punhado de oficiais da Aeronáutica comprometidos com a defesa da bandeira nacionalista e com a condenação ao comunismo. Sufocados poucos meses depois, os revoltosos contaram com a anistia de Juscelino Kubitschek. Imperava a lógica presidencial da moderação e do equilíbrio. Nesse mesmo sentido, Juscelino também anistiou os revoltosos de Aragarças, em Goiás, quando da rebelião de 1959. 67. No seu governo, Jânio Quadros ocupou-se de assuntos desproporcionais à importância do cargo que ocupava, como a proibição do lança-perfume, do biquíni e das brigas de galos. No terreno financeiro, o novo presidente optou por um pacote ortodoxo de estabilização, envolvendo forte desvalorização cambial, contenção dos gastos públicos e da expansão monetária. Os subsídios para a importação de trigo e petróleo foram reduzidos, o que provocou uma elevação de 100% no preço do pão e dos combustíveis. CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 68. Após a renúncia de Jânio Quadros, a Constituição não deixava dúvidas quanto a sua sucessão; deveria assumir o vice-presidente João Goulart. Entretanto, a posse ficou em suspenso diante da iniciativa de setores militares que viam nele a encarnação da República sindicalista e a brecha por onde os comunistas chegariam ao poder. Afinal, o Congresso adotou uma solução de compromisso. O sistema de governo passou de presidencialista a parlamentarista, e João Goulart tomou posse, com poderes diminuídos, a 7 de setembro de 1961. A respeito do processo de redemocratização vivido pelo país com o fim do regime militar, julgue (C ou E) os itens subsequentes: 69. Logo após a derrota da campanha das “Diretas Já!”, outra luta democrática a substituiu: a da “Constituinte Já!” Tancredo Neves sabia que os movimentos políticos pela democratização levantaram nova bandeira de luta, e sua candidatura, para ser aceita, adotou a proposta de formular uma nova Constituição por uma Assembleia Nacional Constituinte. A Constituinte resultou tão somente das articulações políticas de Tancredo Neves e sua convocação não contou com mobilização popular. 70. Em 5 de outubro de 1988, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, promulgou a nova Constituição, previamente batizada por ele como Constituição Cidadã. Ulysses agradeceu aos trabalhos da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais (CEC), chamada de “Comissão dos Notáveis” pelo esboço que serviu de base à Constituição. Em termos de direitos sociais e direitos civis, o texto constitucional é bastante avançado, garantindo educação, saúde, alimentação, segurança, previdência e assistência social, considerados como “direito de todos e dever do Estado”. HISTÓRIA MUNDIAL Com a insustentável crise, o rei Luís XVI resolveu convocar os Estados Gerais, assembleia que, em época de crise, o soberano reunia para se aconselhar. Essa instituição não tinha poder decisório, mas sim consultivo. Segundo a tradição, cada Estado reunia-se em separado e expunha seu voto em bloco. Assim, a nobreza, o clero e o Terceiro Estado tinham direito a um voto cada um. Esse tipo de escrutínio favorecia, naturalmente, o Primeiro e o Segundo Estado. COSTA, Luís César Amad; MELLO, Leonel Itaussu A. História Geral e doBrasil: da pré-história ao séculoXXI. São Paulo: Scipione, 2008. p. 329 Com relação às revoluções ocorridas na Europa entre os séculos XVIII e XX, julgue os itens a seguir. 71. Diferentemente daquela revolução que ocorreu na Grã-Bretanha no século anterior, a Revolução Francesa foi proveitosa para a classe trabalhadora, conseguindo os camponeses a supressão do trabalho servil e os trabalhadores urbanos, chamados de sans-culottes, obtendo direitos trabalhistas. 72. A Revolução Inglesa tornou possível, pela primeira vez à sociedade, e dentro dela particularmente aos homens de propriedade, a conquista e o gozo da liberdade civil e política, sendo a teoria da liberdade civil e política formulada por J. Locke balizada nos resultados decorrentes dos acontecimentos entre 1640 e 1688. 73. Fruto da mobilização da burguesia lusitana, o “Manifesto dos Portugueses” buscava o rompimento com o absolutismo dos Bragança, a adoção de um estado laico e o retorno do pacto colonial com o Brasil, sendo a Revolução do Porto símbolo do fim do Antigo Regime na Europa Oitocentista. 74. Em tempos nos quais consolidava-se a força dos trade unions, o movimento cartista reivindicava, entre outras coisas, o direito do sufrágio universal secreto, o direito dos trabalhadores em participar do Parlamento, a limitação dos mandatos políticos e a diminuição da jornada de trabalho. Ao final do século passado, a dominação e a espoliação assumiam características novas nas áreas partilhadas e neocolonizadas. A crença no progresso, o darwinismo social e a pretensa superioridade do homem branco marcavam o auge da hegemonia europeia. Acerca do fenômeno do Imperialismo, julgue os itens que se seguem. 75. A Rebelião dos Taiping, ocorrida na China Imperial, tinha como objetivo lutar contra os privilégios comerciais concedidos aos comerciantes estrangeiros e a presença de missionários europeus que desfrutavam do direito de residência e de pregação. 76. É possível interpretar o fenômeno do Imperialismo ou Neocolonialismo no século XIX, que determinou a partilha da África e a dominação na Ásia, pelas potências europeias, como resultado da expansão do próprio capitalismo e da sua necessidade, sempre constante, de ampliação de mercados e áreas fornecedoras de matérias-primas e gêneros alimentícios. 77. O Império Alemão reagiu à Convenção de Madri na qual, em 1880, França e a Inglaterra estabelecem bilateralmente a chamada "Entente Cordiale", através da qual a Grã-Bretanha teria total liberdade CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 de ação no Egito, enquanto à França era entregue o Marrocos. 78. O estopim da Guerra do Ópio (1839) entre ingleses e chineses foi a queima de milhares de caixas dessa substância, pelos chineses, como represália a esse comércio em suas fronteiras, tendo como encerramento os tratados de Nanquim e de Pequim que definiram, a partir da vitória chinesa, o porto de Cantão como o único para o comércio internacional. Desde o final do século XVIII, a criação de inúmeras associações resultou num determinado patriotismo cultural e popular, num território dividido em estados feudais dominados por uma aristocracia retrógrada. Tais associações se dirigem à nação teuta, enfatizando o idioma, a cultura e as tradições comunitárias, elementos para a elaboração de uma identidade coletiva, independentemente do critério territorial. E, de fato, esse nacionalismo popular, romântico-ilustrado (uma vez que pautado no princípio da cidadania e no direito à autodeterminação dos povos), inspirará uma boa parcela dos revolucionários de 1848. Mas não serão eles a unificar a Alemanha. Seus herdeiros precisarão aguardar até 1871, quando Bismarck realiza uma revolução de cima, momento em que, em virtude do poderio econômico e da força militar da Prússia, a Alemanha se unifica como Estado forte, consolidando-se a sua trajetória rumo à modernização. MAGALHÃES, Marionilde D. B. de. A REUNIFICAÇÃO: enfim um país para a Alemanha? Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH/Marco Zero, v.14, n.28. 1994. P.102 [adaptação] No que se refere à formação da Alemanha e da Itália, julgue os itens a seguir. 79. As unificações alemã e italiana, em 1860/1871, aconteceram, segundo os historiadores, a partir da chamada "via prussiana", ou seja, com intervenções de potências estrangeiras, especialmente do II Império Francês e através de uma aliança entre setores populares, como os carbonários, e setores intelectuais da classe média. 80. No Reino da Itália, uma das bases de sustentação do processo de unificação internacional é o apoio do Papa Pio IX, difundindo-se a partir da cidade de Roma o ideal nacional, sendo este contrário aos interesses econômicos da burguesia do Piemonte e do norte do país. 81. A ideia da formação de um Estado Nacional na Península Itálica sob o domínio da Casa de Saboia, ou seja, partindo das zonas rurais em busca dos grandes centros industriais, contou com a participação do revolucionário Giuseppe Mazzini, que abandonou o seu republicanismo em nome do projeto nacional. 82. Nos primórdios do II Reich, quando Bismarck conduziu a chancelaria alemã, há a consolidação do capitalismo industrial e financeiro, sendo a unificação monetária e fundação do Reichsbank, assim como a imposição do protecionismo alfandegário em 1879, fundamentais nesse processo. Relativamente às duas Grandes Guerras que marcaram a história da primeira metade do século XX e os contextos que as circundavam, julgue os itens seguintes 83. Através de bombardeios aéreos, racionamentos de alimentos e produtos, a Primeira Guerra Mundial envolveu, em grande escala, a população civil dos países europeus em conflito e, diferentemente da Segunda Guerra Mundial, não teve o envolvimento de colonos afro-asiáticos. 84. Na cidade bielorrussa de Brest-Litovsk, perto da fronteira com a Polônia, representantes do governo bolchevique russo assinaram em 1918 um tratado de paz com as chamadas "Potências Centrais”, em meio ao avanço das tropas inimigas na Frente Oriental, quando iam em direção a Petrogrado. 85. Publicado originalmente em 1929, o livro “Nada de Novo no Front”, de Erich Maria Remarque é um relato sobre a crise do capitalismo liberal, oriunda da superprodução e do subconsumo que resultaram na Quebra da Bolsa de Nova York. 86. Ao mesmo tempo que a Primeira Guerra Mundial apresentou a utilização de novas tecnologias e o avanço científico acelerado, chocou o mundo ao proporcionar uma mortalidade absurda, o que levou a reações como a assinatura do Protocolo de Genebra (1925), que proibiu o uso de gases asfixiantes e venenosos, assim como métodos bacteriológicos na guerra. Enquanto a economia balançava, as instituições da democracia liberal praticamente desapareceram entre 1917 e 1942; restou apenas uma borda da Europa e partes da América do Norte e da Austrália. Enquanto isso, avançavam o fascismo e seu corolário de movimentos e regimes autoritários. A democracia só se salvou porque, para enfrentá-lo, houve uma aliança temporária e bizarra entre capitalismo liberal e comunismo [...]. Uma das ironias deste estranho século é que o resultado mais duradouro da Revolução de Outubro, cujo objetivo era a derrubada global do capitalismo, foi salvar seu antagonista, tanto na guerra quanto na paz, fornecendo-lhe o incentivo — o medo — para reformar-se após a Segunda Guerra Mundial [...]. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. No que se refere à aspectos dos regimes fascistas e dos regimes autoritários, julgue os itens subsequentes. CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 87. O governo da Frente Popular, a despeito dos apelos realizados, pouca ajuda recebeu de governos e/ou voluntários estrangeiros enquanto, em contrapartida, o apoio germano-italiano aos franquistas gerou episódios de atrocidades como o bombardeio da vilade Guernica, em 1937, que serviu de inspiração para Pablo Picasso pintar uma das suas mais célebres obras. 88. O Austrofascismo, também conhecido como Ständestaat, teve como um dos seus principais expoentes Engelbert Dollfuss, defensor de bandeiras como o nacionalismo católico, o anticomunismo e o corporativismo. 89. A Conferência de Yalta estabeleceu as diretrizes básicas para a administração da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, sendo esta dividida em duas zonas de ocupação administradas por um conselho de ministros das relações exteriores, com sede em Londres, tendo à frente representantes dos cinco membros do Conselho de Segurança na ONU. 90. O Tribunal de Nurembergue foi palco daquele que é considerado o primeiro julgamento da história por crimes contra a paz no mundo, destacando-se o extermínio sistemático daqueles que eram considerados indesejáveis pelos nazistas, tais como judeus, socialdemocratas alemães, testemunhas de Jeová e homossexuais. No tocante ao comunismo e suas repercussões após a Segunda Guerra Mundial, julgue os itens que se seguem. 91. As rusgas entre Stálin e Mao Zedong, que remontam a oposição do líder soviético à Terceira Guerra Civil (1946-1949), impediram qualquer tipo de acordo entre soviéticos e maoístas no início dos anos 1950, o que somente foi possível com a chegada de Kruschev no Kremlin. 92. Deng Xiaoping, que chegou a ser secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) em meados dos anos 1960, caiu em desgraça durante a Revolução Cultural (1966-1979), tendo recuperado seu prestígio após a morte de Mao Zedong para capitanear o conjunto de transformações conhecido como as “Quatro Modernizações”. Acerca das Lutas de Libertação Afro-Asiáticas, julgue os itens que se seguem. 93. A Primeira Conferência Pan-Africana, realizada em Londres em 1900, foi organizada por Sylvester Williams e teve como grande líder o estadunidense Du Bois que, através de seu “Discurso às Nações do Mundo”, fez um apelo aos líderes europeus pela luta contra o racismo, pela autodeterminação dos povos e, também, exigiu direitos políticos aos afro-americanos. 94. O Acordo da Ásia Menor, estabelecido de forma secreta entre o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e a Terceira República Francesa, teve como articuladores Mark Sykes e François Georges-Picot, traçou fronteiras artificiais na região, gerando instabilidade e conflitos na região durante grande parte do século XX. 95. Tendo como líderes Nehru, Sukarno e Nasser, a Conferência de Bandung apresenta como principal novidade o bloco terceiro-mundista, reunindo países da África, América e Ásia, que não estariam submetidos à bipolaridade dos tempos de Détente. 96. Derrubado Marcelo Caetano, o Movimento das Forças Armadas chega ao poder, concedendo automaticamente a independência de Moçambique. Tal imediatismo favoreceu a eclosão de uma guerra civil em 1974, opondo a socialista FRELIMO (Frente de Libertação Moçambicana) à capitalista RENAMO (Renovação Nacional Moçambicana). GEOGRAFIA A geografia, além da gênese grega, teve uma segunda gênese, entre os alemães do início do século XIX. Ao longo dos séculos XVI-XVIII várias ciências foram se setorializando em relação ao conjunto dos conhecimentos humanos, como a política (Maquiavel), a economia (Smith), etc, mas a geografia que começa a ser repensada por Kant e Hegel é, como a grega, globalizadora, continuando a abranger campos que foram se setorializando (águas, clima, solo, economia, etc) anteriormente. Seu mérito, como o da história, foi de se manter um cruzamento de conhecimentos que se iam especializando aceleradamente. BASTOS, José Messias. Geografia Econômica e Social. Disponível em: https://share.google/vkZ9w9jH6D7zsZ1JJ. 18/06/2026 Com relação à produção do saber geográfico ao longo do tempo julgue os itens a seguir. 97. A ciência geográfica se instaura sob os preceitos modernos no início do século XIX, contribuindo para atender aos anseios capitalistas, num viés imperialista de expansão territorial e comercial adotando um discurso de base teológica. 98. A Nova Geografia ou Geografia Pragmática crítica o caráter não-prático da Geografia Tradicional. Argumentam seus seguidores que esta disciplina teve sempre uma ótica retrospectiva, isto é, falava do passado, era um conhecimento de situações já superadas. Assim não informava a ação, não previa; logo, era inoperante como instrumento de intervenção na realidade. Nesse sentido, os autores pragmáticos vão propor uma ótica prospectiva, um conhecimento voltado para o futuro, que https://share.google/vkZ9w9jH6D7zsZ1JJ CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 instrumentalize uma Geografia para o planejamento espacial. 99. A Geografia Crítica, desenvolvida a partir da década de 1970, fundamenta-se majoritariamente no materialismo histórico-dialético, buscando compreender o espaço geográfico como produto das relações sociais de produção. A obra de autores como Henri Lefebvre e David Harvey exerceu influência decisiva na consolidação da Geografia Crítica, especialmente no que se refere à compreensão do espaço como dimensão central da reprodução social. 100. A abordagem fenomenológica na Geografia Humanista implica a negação da materialidade do espaço, reduzindo-o a uma construção puramente simbólica e discursiva. Com relação ao atual momento demográfico e os diversos tipos de migração no mundo, julgue os itens a seguir. 101. O mundo está se transformando em uma escala e velocidade impressionantes: as taxas globais de fecundidade estão em declínio. A projeção é que a população humana atinja seu auge ainda neste século e, em seguida, comece a diminuir. Uma em cada quatro pessoas vive hoje em um país cuja população já atingiu o seu ápice. 102. Em meados do século XX, tivemos as maiores taxas de crescimento da população mundial ao longo da história, quando a população no planeta subiu de cerca de 2,5 bilhões de pessoas em 1951 para 4 bilhões em 1973. A principal causa para esse enorme crescimento populacional foi o baby boom, ou seja, o aumento das taxas de natalidade nos anos posteriores à 2ª guerra mundial. 103. Há inúmeros debates no plano macro sobre países e sociedades que ainda estariam em explosão demográfica e outros que correm risco por causa da dificuldade de reverter o atual momento de redução populacional. No entanto, há outro debate muitas vezes negligenciado: a grande quantidade de indivíduos que não conseguem realizar suas aspirações reprodutivas. Tanto as aspirações reprodutivas acima do desejado – quando as pessoas têm mais filhos do que consideram ideal – quanto às aspirações reprodutivas abaixo do desejado – quando têm menos filhos do que gostariam – são amplamente disseminadas, associadas a ambientes que falharam em proporcionar a segurança econômica e o empoderamento pessoal que os indivíduos apontam como condições indispensáveis para realizar seus planos familiares – sejam eles ter muitos filhos, poucos ou nenhum. 104. Existem mais de 150 mil pessoas no Brasil reconhecidas como refugiadas. Venezuelanos e bolivianos representam cerca de 90% do total, com pequena vantagem numérica para os que têm origem na Venezuela. Além desses dois grupos principais, há importantes contingentes de sírios, haitianos, afegãos, congoleses e cubanos. Com relação ao processo de produção industrial, divisão internacional do trabalho (DIT) e os diversos sistemas produtivos, julgue os itens a seguir. 105. No Fordismo, a concentração espacial das indústrias era funcional à produção em massa, exigindo grandes plantas industriais e forte integração vertical, o que reduzia a fragmentação territorial do processo produtivo. 106. A fragmentação espacial da produção, característica da acumulação flexível, contribui para a compressão espaço-tempo, conceito central na análise de David Harvey sobre o capitalismo contemporâneo. 107.A passagem do Fordismo ao Toyotismo implicou a superação da divisão territorial do trabalho, uma vez que a produção passou a ser organizada em redes flexíveis e descentralizadas. 108. A divisão territorial do trabalho pode ser compreendida, à luz de Milton Santos, como resultado da totalidade socioespacial produzida pelo meio técnico-científico-informacional, ainda que esse processo tenda a reduzir desigualdades regionais ao ampliar a fluidez dos fluxos produtivos. Com relação ao espaço agropecuário mundial, principais atores e fatores de produção, julgue os itens a seguir. 109. O espaço agrário dos Estados Unidos caracteriza-se pela predominância de grandes propriedades altamente capitalizadas, pela forte integração entre agricultura e agronegócio industrial e pela dependência de redes logísticas eficientes, fatores que tornam o setor sensível tanto às políticas internas quanto às oscilações do mercado global de commodities. 110. A baixa produtividade agrícola é um dos fatores para a prevalência da fome. Além disso, alterações nas condições de produção tradicionais agravam a insegurança alimentar o que justifica que as regiões do mundo onde a fome é mais grave atualmente possuam taxas de urbanização muito elevadas, superiores à média mundial. 111. No debate sobre o acordo UE–MERCOSUL, as exigências ambientais relacionadas à rastreabilidade, ao desmatamento zero e ao uso de bioinsumos são mobilizadas tanto como instrumentos de proteção ambiental quanto como mecanismos indiretos de proteção comercial. 112. As políticas agrícolas adotadas pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pela China e pela CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 Índia evidenciam que o espaço agrário contemporâneo é fortemente condicionado por decisões políticas e geoestratégicas, e não apenas por fatores naturais ou econômicos, especialmente no que se refere à segurança alimentar e ao comércio internacional. Com relação ao espaço intraurbano e os processos responsáveis pela sua estruturação, julgue os itens a seguir como certos ou errados. 113. Na produção capitalista, o espaço urbano deixa de ser apenas suporte das relações sociais para tornar-se mercadoria, subordinando-se progressivamente à lógica do valor de troca, ainda que continue a desempenhar funções relacionadas ao valor de uso. 114. A produção capitalista do espaço urbano tende a intensificar a fragmentação intraurbana, ao combinar investimentos seletivos, políticas públicas diferenciadas e estratégias privadas de valorização imobiliária. 115. A autossegregação caracteriza-se pela escolha voluntária de determinados grupos sociais por áreas homogêneas e exclusivas da cidade, geralmente associadas à busca por segurança, status e controle do espaço, reforçando desigualdades socioespaciais. 116. A gentrificação ocorre classicamente nas áreas periféricas onde populações de maior renda realizam investimentos que tendem a valorizar o espaço e, consequentemente, deslocar a população mais pobre para as áreas mais centrais que sofreram obsolescência urbana. Com relação aos biomas brasileiros, julgue as afirmativas a seguir. 117. Na caatinga do Sertão nordestino encontram-se elementos lenhosos, que perdem as folhas na estação seca, e que se acham mais ou menos dispersos sobre um solo em geral raso e quase sempre pedregoso. 118. A presença mais expressiva dos campos ou pradarias no Brasil está relacionada com as condições topográficas, sendo típicos de áreas onde o relevo é, em geral, acidentado, com clima dominante de tropical de altitude. 119. No bioma amazônico encontramos clara diferenciação de características vegetais que demarcam o igapó, a várzea e a mata de terra firme. A responsável por essa diferenciação é a estrutura geológica, com bacia sedimentar quaternária no igapó, bacia sedimentar terciária na várzea e escudo cristalino na mata de terra firme. 120. A Planície do Pantanal está posicionada em altitudes que variam entre 80 e 150 metros com declividade muito baixa. Essa característica física, somada ao fato do Pantanal possuir pluviosidade anual muito superior à média do bioma cerrado, fazem com que a cada ano, a Planície do Pantanal se transforme numa imensa área alagada, com grande parte dos ambientes terrestres passando para ambientes aquáticos, sujeitos a diferentes graus e períodos de inundação, lembrados nas lendas indígenas e nos primeiros mapas do Marechal Rondon como “Lagoa dos Xaraiés”. Capa caderno de Questões Manhã 2026 v3 pdf.pdf _Simulado Geral MANHÃ V2 - ALTERAÇÃO TAÍS 27_02 16_14.pdf