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Cidade de realização da prova: Online

Simulado Carreira de Diplomata (Terceiro Secretário)

Frase: A novidade é revolucionária; a verdade também
Leia com atenção as instruções abaixo
Ao receber este caderno de prova, confira inicialmente 
se os dados registrados acima estão corretos e 
devidamente transcritos na sua Folha de Respostas. 
Confira também os dados em cada página numerada 
deste caderno de prova (desconsidere estas instruções, 
caso se trate de caderno de prova reserva). Em seguida, 
verifique se ele contém cento e vinte itens, 
correspondentes aos itens de 1 a 120 da prova objetiva 
(manhã), corretamente ordenados. Caso o caderno esteja 
incompleto, tenha qualquer defeito e(ou) apresente 
divergência quanto aos dados apresentados, solicite, de 
imediato, ao(à) aplicador(a) de provas mais próximo(a) que 
tome as providências necessárias.
Recomenda-se que a marcação não seja feita ao acaso: em 
cada item, à resposta que divergir do gabarito oficial 
definitivo será atribuída pontuação negativa, conforme 
consta em edital. A ausência de marcação ou a marcação 
de ambos os campos não serão apenadas, ou seja, não 
receberão pontuação negativa.
Não utilize borracha, lápis, lapiseira (grafite), marca-texto 
e(ou) qualquer material de consulta que não seja fornecido 
pelo Clipping.
Durante a realização desta etapa da prova, não se 
comunique com outros(as) candidatos(as) nem se levante 
sem autorização do(a) aplicador(a) de provas.
Na duração da primeira etapa da prova objetiva, está 
incluído o tempo destinado à identificação — que será feita 
no decorrer da prova — e ao preenchimento da Folha de 
Respostas.
Ao terminar esta etapa da prova, chame o(a) aplicador(a) 
de provas mais próximo(a), devolva-lhe a sua Folha de 
Respostas e deixe o local de prova.
Nenhuma folha deste caderno pode ser destacada, exceto a 
Folha de Respostas, cujo cabeçalho será destacado 
pelo(a) chefe de sala ao final da prova, para fins de 
desidentificação.
A desobediência a qualquer uma das determinações 
constantes em edital, no presente caderno ou na Folha de 
Respostas implicará a anulação da sua prova
Sala: 00000

Sequencial: 000 / 00
siMULAÇÃO DO CACD | EDITAL: 2026 | MANH
OBSERVAÇÕES
Não serão conhecidos recursos em 
desacordo com o estabelecido em edital.
Trata-se de um SIMULADO de preparação 
para o CACD, no modelo da prova de 2025, 
com questões novas e adaptadas pelos 
professores do Clipping
Fonte: Cebrasp
SIMULAÇÃ
Realização Clippin
Caderno de prova objetiva
primeira fas
Primeiro períod
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Texto 1 
 
— Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de 
briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores 
no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia 
isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram 
me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, 
os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de 
cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por 
defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava 
rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão; determinaram 
— era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem 
sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não 
tenho abusões. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é 
tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, 
instantaneamente — depois, então, se vai ver se deu mortos. 
O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: 
que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, 
eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. 
Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não 
é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é 
onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, 
quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde 
criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de 
autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, 
que na beira dele, tudo dá — fazendões de fazendas, 
almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas 
que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda 
virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais 
são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o 
senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão 
está em toda a parte. 
João Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1986, p. 1 (com adaptações). 
 
Levando em conta o texto acima e a importância da obra de 
João Guimarães Rosa para a literatura brasileira, julgue os 
itens a seguir: 
1. No vocábulo “erroso” (7º período), neologismo 
formado por processo de derivação, o sufixo -oso, 
formador de adjetivo, foi acrescido a radical 
nominal, por analogia com o processo de formação 
dos vocábulos enganoso, ditoso, gostoso, por 
exemplo. 
2. No trecho “O senhor ri certas risadas... Olhe” (16º 
período), predomina a função emotiva da 
linguagem. 
3. O travessão que inicia o texto instaura um diálogo 
entre o narrador-protagonista, Riobaldo, e um 
interlocutor, que recebe tratamento respeitoso — “o 
senhor” — e que interage com o narrador, 
interferindo ativamente na conversa e ocupando 
grande espaço da narrativa com perguntas, 
observações e comentários. 
4. Com a expressão adverbial “desde mal em minha 
mocidade” (5º período), o personagem evidencia 
que a sua fama de jagunço cruel foi conquistada na 
adolescência, na região do sertão. 
5. A expressão “tiro de verdade” (17º período) está 
associada, no texto, a “briga de homem” (2º 
período). 
6. No trecho “Para os de Corinto e do Curvelo, então, 
o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior!” (21º 
período), a palavra “aqui” está empregada como 
substantivo. 
7. A máxima “O sertão está em toda a parte” (último 
período) confirma a análise de que o sertão, na obra 
de Guimarães Rosa, é um espaço que se desdobra 
em três aspectos: geográfico, mítico e simbólico. 
8. Ao final do fragmento, o narrador faz menção a um 
dito popular como recurso expressivo para reforçar 
a tese de que não há consenso acerca do conceito 
de sertão 
 
Texto 2 
Óbito do autor 
 
 Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias 
pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar 
o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar 
seja começar pelo nascimento, duas considerações me 
levaram a adotar diferentes métodos: a primeira é que eu não 
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, 
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o 
escrito ficaria mais galante e mais novo. 
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Editorial 
Santiago. Edição especial, 1988, p. 5 (com adaptações). 
 
Considerando o fragmento de texto transcrito e a relevante 
obra de Machado de Assis, julgue os seguintes itens. 
9. Machado de Assis serve-se da figura do 
narrador-defunto para falar, de modo bastante 
realista, porém sarcástico, da sociedade burguesa 
brasileira, alvo de sua crítica. 
10. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador, 
em suas intromissões, recurso técnico machadiano 
bastante produtivo, interpela o leitor de modo 
cínico e provocativo, como ilustra a dedicatória 
nesse romance: “Ao leitor (...) A obra em si mesma 
é tudo: se te agrada, fino leitor, pago-me da tarefa; 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
se não te agrada, pago-te com um piparote, e 
adeus.” 
11. São características da obra Memórias póstumas de 
Brás Cubas a inverossimilhança, ilustrada pelo fato 
de o narrador em terceira pessoa ser um defunto, e 
o desprezo pela temática social e psicológica. 
 
Julgue os próximos itens, acerca de aspectos linguísticos do 
texto 2. 
12. O primeiro período do texto tem a seguinte 
organização sintática: oração principal com verbo 
de regência intransitiva e duas orações adverbiais 
de sentido condicional ligadas por expressão 
denotativa de retificação. 
13. No segundo período, a posição dos elementos 
constituintes em “autor defunto” e“defunto autor” 
determina, com implicações semânticas, as 
diferentes funções (substantiva ou adjetiva) que as 
palavras “autor” e “defunto” desempenham nessas 
expressões. 
14. No texto, a palavra “campa” (segundo período) é 
empregada em sentido denotativo e significa morte. 
 
Texto 3 
 
Madri, 14 de julho de 1857. 
 
Senhor, 
 
Chegou a hora de poder humildemente comparecer 
ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo 
volume concluído da História geral do Brasil, depois de 
haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase 
sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão 
largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal 
concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, 
“Eregi monumentu aere perennius” a minha triste 
peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças 
a Deus não só por me haver inspirado a ideia de tal grande 
serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e 
vida para o realizar (sustentando-me a indispensável 
perseverança para convergir sobre a obra desde os anos 
juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), 
como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar 
no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso 
Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo 
glorifica a sua sabedoria e justiça. 
Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, 
aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver 
contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão 
da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu 
lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos 
refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...) 
Estas considerações dão-me por vezes horas de 
grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando 
haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes 
listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados 
com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a 
tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa 
Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...). 
 Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. 
E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do 
homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa 
Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o 
não fora, como é, mercê de Deus. (...) 
Sei que não falta gente que, insistindo em 
considerar-me como meio literato, meio empregado 
diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber 
tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta 
História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade 
Imperial e do Império. (...) 
 
Senhor, 
De Vossa Majestade Imperial, 
O mais submisso e leal súdito 
 
Francisco Adolfo de Varnhagen 
Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil 
em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 
(com adaptações). 
 
Julgue os itens a seguir, relativos aos trechos destacados da 
carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro 
II. 
15. A impessoalidade e a reverência a autoridade 
superior, que caracterizam o primeiro parágrafo, 
contrapõem-se à forma como o remetente da carta 
extravasa subjetividade nos demais parágrafos 
apresentados. 
16. No primeiro parágrafo, o emprego do acento 
gráfico nas palavras “concluída” ( 2º período) e 
“caí” ( 3º período) atende à mesma regra 
gramatical. 
17. No segundo parágrafo, para a correta concordância 
com o pronome de tratamento “Vossa Majestade 
Imperial”, o pronome possessivo “Seu”, na 
expressão “perante o Seu espírito justiceiro”, 
deveria ser alterado para Vosso. 
18. As formas verbais do trecho “quando haverá pouco 
mais de dois anos se publicaram umas grandes 
listas de despachos” (2º período do 3º parágrafo) 
correspondem, quanto ao sentido, respectivamente, 
a faz e foram publicadas. 
19. Para se estabelecer a ordem direta dos elementos do 
2º período do 3º parágrafo, deve-se suprimir a 
vírgula que antecede as orações coordenadas “gemi 
e calei” e deslocá-las para a posição logo após a 
palavra “sobretudo”. 
20. Há elipse da forma verbal sou no período “E por 
que não, Senhor?!” (4º parágrafo). 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
21. No último parágrafo, o remetente da carta vale-se 
de eufemismo para mencionar que o julgamento 
desfavorável de algumas pessoas deve estar 
influenciando as escolhas de nomes para as listas 
de despachos. 
22. Sem se contrariar a correção gramatical, a forma 
verbal “fingem” (último parágrafo) poderia ser 
substituída pela forma finge. 
 
Texto 4 
 
A Convenção para a Proteção e a Promoção da 
Diversidade das Expressões Culturais lida com campos 
temáticos específicos mencionados na Declaração Universal 
da UNESCO para a Diversidade Cultural. São documentos 
cuja existência aponta para a necessidade de se reconhecer 
que os bens e os serviços culturais comunicam identidades, 
valores e significados e, por isso, não podem ser 
considerados meras mercadorias ou bens de consumo 
quaisquer. Por sua vez, também os Estados precisam tomar 
todas as medidas apropriadas para proteger e promover a 
diversidade das expressões culturais, garantindo o livre 
fluxo de ideias e obras. 
Finalmente, é necessário redefinir a noção de cooperação 
internacional, elemento central da Convenção, na medida 
em que cada forma de criação traz em si as sementes de um 
diálogo contínuo. 
 A Convenção lida com muitas formas de expressão 
cultural que resultam da criatividade de indivíduos, grupos e 
sociedades, enquanto comunicam conteúdos culturais com 
sentido simbólico, bem como valores artísticos e culturais 
que se originam de identidades culturais ou as expressam. 
As expressões culturais — qualquer que seja o meio ou a 
tecnologia usada — são transmitidas pelas atividades, pelos 
bens e pelos serviços culturais, que, conforme reconhecido 
pela Convenção, têm uma natureza dupla (econômica e 
cultural). Por esse motivo, tais bens e serviços não podem 
ser tratados como objetos de negociações comerciais. 
Ao enfocar a proteção e a promoção da diversidade 
das expressões culturais, a Convenção reconhece que, em 
um mundo cada vez mais interconectado, cada indivíduo 
tem direito a acessar, livre e imediatamente, uma rica 
diversidade de expressões culturais, tanto as do seu país 
quanto as de outros. Entretanto, esse potencial ainda não se 
materializou totalmente no atual contexto global. 
Revista Ciência e Cultura. Ano 57, n.o 2, 
abr-maio-jun/2005 (com adaptações). 
 
Julgue os itens subsequentes, relativos às relações 
morfossintáticas, semânticas e discursivas do texto. 
23. Os bens culturais são apresentados como sendo de 
livre acesso a todos, o que não significa que eles 
sejam sempre gratuitos. 
24. É correto concluir da leitura do texto que a 
globalização é o principal elemento motivador da 
diversidade de bens culturais e da circulação desses 
bens nos países em desenvolvimento. 
25. O texto classifica-se como informativo, sendo o 
assunto nele tratado o programa de proteção e 
promoção da diversidade cultural imposto às 
nações em nível mundial. 
26. A inserção de vírgula logo após “significados” (2º 
período do 1º parágrafo) manteria a correção 
gramatical do texto, mas poderia alterar suas 
relações de coesão. 
27. Em “resultam da” (1º período do 2º parágrafo), o 
vocábulo “da”, resultante da junção da preposição 
de com o artigo definido a, pode ser substituído por 
na sem que se altere o sentido original do texto. 
28. A expressão “enquanto” (1º período do 2º 
parágrafo) tem valor concessivo, o que dá à oração 
por ela iniciada a função de exprimir sentido oposto 
ao expresso pela oração antecedente. 
29. A substituição de “enfocar” (1º período do 3º 
parágrafo) por exaltar alteraria as informações 
veiculadas no texto, assim como suas relações 
semânticas e discursivas. 
30. A forma adjetiva “livre” (1º período do 3º 
parágrafo) está empregada no singular para 
concordar com o elemento a que se liga: “cada 
indivíduo”. 
31. No último períododo texto, “Entretanto” 
estabelece um contraste entre a promoção da 
diversidade de expressões culturais atual e o seu 
potencial ainda inexplorado. 
32. O pronome “cuja” (2º período do 1º parágrafo) 
assume valor possessivo, motivo pelo qual poderia 
ser corretamente substituído por de quem ou por 
dos quais. 
 
 
Texto 5 
 
Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco 
desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos 
reclama. Estou com raiva. Uma cólera de derrubar copos e 
pratos e quebrar vidraças. Como me vingar? Ou melhor, 
como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais 
comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um 
pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente. 
Essa moça não sabia que ela era o que era, assim 
como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se 
sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia 
para quê, não se indagava. 
Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar 
a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me 
lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é 
bom. A vida é um soco no estômago. 
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: 
Rocco, 1998 (com adaptações). 
 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
Julgue os itens que se seguem, a respeito de aspectos 
linguísticos e semânticos do texto apresentado 
anteriormente. 
33. As orações que aparecem no trecho “Ela me 
incomoda tanto que fiquei oco” (1º parágrafo) estão 
coordenadas entre si, expressando a segunda oração 
uma justificativa sobre a primeira. 
34. No 3º período do 1º parágrafo, composto por 
subordinação, o segmento “tanto mais me 
incomoda” corresponde à oração principal e o 
trecho “quanto menos reclama” classifica-se como 
oração subordinada adverbial proporcional. 
35. Em “Como me vingar? Ou melhor, como me 
compensar?” (1º parágrafo), a substituição do 
primeiro ponto de interrogação por vírgula 
prejudicaria a coerência das ideias veiculadas no 
texto e a sua correção gramatical, mesmo que feitos 
os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas no 
novo período resultante. 
36. O último parágrafo do texto constrói-se com base 
em metáforas e hipérboles. 
 
Texto 6 
 
A questão de uma identidade latino-americana 
tornou-se não apenas atual, mas premente, sobretudo ao 
longo do século XX. Sua origem está em uma experiência 
marcante de contraste e de contradição com a memória do 
regime colonial, com os projetos nacionais e liberais 
decorrentes dos processos de autonomia política, com os 
mecanismos de dependência econômica e financeira e, 
principalmente, com a pluralidade da composição social de 
suas populações. 
Uma das características do esforço de autodefinição 
das sociedades latino-americanas desenvolve-se mais 
particularmente na segunda metade do século, com a grande 
variedade de ensaios de cunho literário e com os resultados 
das ciências sociais obtidos por latino-americanos, que 
passam a desempenhar papel relevante no cenário mundial. 
A América que vinha sendo dita latina por terceiros quer 
proclamar-se América e latina por si própria. A simples 
contraposição com a Europa (em especial com as antigas 
metrópoles coloniais) ou com a América de língua inglesa 
tem grandes lacunas. O sentimento generalizado de 
pertencimento à história da expansão da cultura europeia é 
necessário, mas não suficiente para consolidar a 
legitimidade social e cultural da composição e da 
pluralidade social na América de fala espanhola e 
portuguesa. E isso mesmo se essas Américas receberam 
significativa contribuição de correntes migratórias 
renovadas. Os caminhos percorridos nos Estados Unidos da 
América (EUA) e no Canadá foram — e são — bem 
distintos dos que percorrem as Américas latinas. 
Assim, são os próprios latino-americanos ou 
brasileiros que procuram ser latino-americanistas ou 
brasilianistas, não apenas por sorte de ousadia política, mas 
por força de abordagem científica da constituição eventual 
de uma latino-americanidade alçada dos traços de formação 
social e cultural de suas sociedades. O objetivo de conceber 
e redigir uma história em que o tom fosse dado por 
latino-americanos, não em uma espécie de etnocentrismo 
que substitua outros etnocentrismos, como o europeu ou o 
norte-americano, mas que sirva de substrato a uma síntese 
da pluralidade real das Américas Latinas, é uma 
contribuição relevante para a concepção, a construção e a 
consolidação de uma identidade macrorregional 
latino-americana. 
 
E. C. R. Martins. América Latina: cultura histórica e 
identidade. In: C. B. Carmona e H. Sewierski 
(Orgs.). Heranças e desafios da América Latina: Brasil e Chile. 
Brasília: Universidade de Brasília, 
Oficina Editorial do Instituto de Letras: Plano Editora, 2003. 
p. 29-30 (com adaptações). 
 
Com base no texto acima e nos seus aspectos linguísticos, 
julgue os itens subsequentes. 
37. O texto tem natureza essencialmente descritiva, 
uma vez que informa o leitor a respeito das 
mudanças paradigmáticas e epistemológicas no 
estudo de questões ligadas à identidade de cada 
nação latino-americana. 
38. A expressão “alçada dos” (1º período do 3º 
parágrafo) tem o sentido de erigida sobre os ou 
fundamentada nos, podendo ser por essas 
expressões substituída, sem prejuízo semântico 
nem gramatical ao texto. 
39. A expressão “as Américas latinas” (último período 
do 2º parágrafo) exerce a função de sujeito da 
forma verbal “percorrem” (mesmo período). 
40. No 1º período do 3º parágrafo, o vocábulo “sorte” 
refere-se às venturas advindas da ousadia política. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL 
 
A respeito da América portuguesa do século XVIII, julgue 
os itens subsequentes: 
41. Foi por volta de meados do século XVIII que se 
tornou evidente ter-se transformado o Brasil em 
peça mestra dos domínios lusos, superando a 
própria metrópole em peso econômico e 
demográfico. O Estado do Brasil e o Estado do 
Grão-Pará e Maranhão, com suas adaptações 
administrativas, formavam, em meados do século 
XVIII, um conjunto mal comunicado com manchas 
de povoamento bastante isoladas e distantes entre 
si, além de ser muito insuficiente em caráter 
absoluto o milhão e meio de habitantes (a metade 
deles escravos) diante da vastidão das terras. Isso, 
apesar de que o surgimento da economia e da 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
sociedade do ouro tiveram importantes efeitos 
integradores. 
42. De 1750 a 1777, o governo de Portugal e seus 
domínios foi levado a cabo com mão de ferro por 
Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de 
Oeiras e depois marquês de Pombal. Em matéria 
administrativa, o centralismo foi a tônica. O 
Conselho Ultramarino viu diminuídos os seus 
poderes. O sistema de capitanias hereditárias foi 
extinto com a absorção pela Coroa das que ainda 
existiam, em número de onze, excetuando-se 
unicamente São Vicente, que perdurou até 1791. 
Pombal também nomeou seu próprio irmão, 
Francisco Xavier de Mendonça Furtado, 
governador do Grão-Pará, posteriormente separado 
do Maranhão, em 1774. 
43. Ambos os movimentos de revolta restritos ao 
ambiente regional, a Inconfidência Mineira (1789) 
e a Conjuração dos Alfaiates (1798) contaram 
unicamente com a influência da Revolução 
Francesa e tinham por objetivo a emancipação de 
todo o território nacional e a abolição da 
escravidão. 
44. Em 1785, d. Maria I expediu alvará proibindo 
qualquer tipo de manufatura na colônia. Tal medida 
viria a ser revogada por d. João VI quando da vinda 
da coroa portuguesa para o Brasil. 
 
A respeito do processo de independência, julgue (C ou E) os 
itens subsequentes: 
45. Em 20 de agosto de 1820, irrompia no Porto a 
revolução liberal, também conhecida como 
Revolução Vintista. Sua proposta era de uma 
regeneração política, substituindo as práticas do 
Antigo Regime pelas do liberalismo, embora sob a 
ótica das mitigadas Luzes ibéricas. Exigiam-se a 
convocação de Cortes, não mais consultivas, mas 
deliberativas, para a elaboração de uma 
Constituição, o retorno do soberano e o 
restabelecimentodo lugar que Portugal julgava 
merecer no interior do Império. Em um plano mais 
amplo, cumpria ainda aliciar as demais regiões do 
Império, sobretudo o Brasil, com a promessa de 
desterrar o despotismo, considerado responsável 
por todas as opressões. 
46. Foi no início de dezembro que chegaram ao Rio de 
Janeiro os decretos de 29 de setembro, que não só 
referendavam que as juntas provinciais deveriam se 
subordinar diretamente a Lisboa, como também 
exigiam a volta imediata do príncipe regente a 
Portugal. Em resposta, d. Pedro decidiu não se 
submeter a um poder legislativo que se colocava 
acima da Coroa. Como resultado, em 9 de janeiro 
de 1822, o célebre Dia do Fico, proclamou a 
intenção de permanecer no Brasil e significou o 
comprometimento do príncipe já naquele momento 
com a independência do Brasil. 
47. Ao final de 1822, Minais Gerais e as províncias do 
Sul já se tinham manifestado favoráveis à 
independência do Brasil, através de ofícios e 
proclamações enviados pelas Câmaras Municipais, 
quando da consulta sobre a aclamação de d. Pedro 
como Imperador do Brasil pelo povo do Rio de 
Janeiro. Em dezembro de 1822, Pernambuco jurou 
solenemente adesão e obediência ao imperador. Em 
virtude da dificuldade de comunicação, Goiás e 
Mato Grosso pronunciaram-se somente em janeiro 
de 1823. Em seguida, foi a vez do Rio Grande do 
Norte, Alagoas e Sergipe. As quatro províncias do 
Norte – Pará, Maranhão, Piauí e Ceará – 
juntamente com a Cisplatina e parte da Bahia, no 
entanto, permaneciam fiéis às cortes de Lisboa. 
Assim, a unidade em torno do Rio de Janeiro 
acabou tendo de se impor por meio de guerras – as 
guerras de independência e uma guerra civil entre 
portugueses. 
48. O esforço para obter o reconhecimento do Brasil 
como um ator recém-independente no cenário 
mundial se desenrolou em duas fases distintas: a 
primeira inconclusiva, de agosto de 1822 a julho de 
1823, se situa dentro dos 18 meses em que José 
Bonifácio de Andrada e Silva foi o poderoso 
ministro da Guerra e dos Estrangeiros e virtual 
primeiro-ministro e chefe do governo; estende-se a 
segunda etapa da queda do Patriarca da 
Independência até a assinatura do tratado de 
reconhecimento com Portugal em 29 de agosto de 
1826, seguindo-se, em rápida, sucessão os 
reconhecimentos da Grã-Bretanha e demais 
potências durante o ano de 1826. A demissão de 
Bonifácio deu-se por sua insegurança e seu 
sentimento de inferioridade perante a Inglaterra, 
que acarretariam desvantagens para o Brasil no 
processo de reconhecimento da independência. 
 
A respeito do período das Regências, julgue os itens 
subsequentes: 
49. A Guerra dos Cabanos (1831-1835), localizada 
entre as províncias de Pernambuco e Alagoas, teve 
como participantes pequenos proprietários, 
camponeses, índios e escravos, apoiados por 
comerciantes portugueses do Recife. Por três anos 
(1832-1835), os rebeldes lutaram em uma guerra de 
guerrilha contra as tropas do governo, 
reivindicavam a volta de d. Pedro I e defendiam a 
religião católica. Era uma revolta popular 
restauracionista. 
50. Para lidar com o problema da manutenção da 
ordem pública, os moderados, no controle do 
governo, licenciaram todas as praças do Exército 
estacionadas na capital e criaram em 1831 a Guarda 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
Nacional. Chamada de Milícia Cidadã, ela copiou o 
espírito da instituição francesa do mesmo nome, 
qual seja, colocar a manutenção da ordem nas mãos 
dos que tinham algo a defender, isto é, dos 
proprietários. Para pertencer à Guarda era exigida 
renda de 200 mil-réis nas quatro maiores cidades e 
de 100 mil-réis no resto do país. 
51. O Ato Adicional de 1834 concedeu às províncias 
assembleias e orçamentos próprios e deu a seus 
presidentes poderes de nomeação e transferência de 
funcionários públicos, mesmo quando pertencentes 
ao governo geral. O novo sistema só não era 
plenamente federal porque os presidentes 
continuavam a ser indicados pelo governo central. 
O Ato Adicional também aboliu o Conselho de 
Estado e retirou da Regência uma das principais 
atribuições do Poder Moderador, a de dissolver a 
Câmara. A contrapartida, cedida aos conservadores, 
foi a manutenção da vitaliciedade do Senado. Por 
fim, o Ato Adicional decretou a eleição popular de 
um regente único em substituição à regência trina. 
52. Medida importante tomada pela Regência em 
novembro de 1831 foi a proibição do tráfico de 
escravos. Essa lei punha em prática o que fora 
acordado com a Grã-Bretanha no tratado de 1826. 
Embora os efeitos imediatos não tenham sido 
dramáticos, era a primeira tentativa de enfrentar um 
problema quase intratável, tal o peso da escravidão 
na economia e na sociedade brasileiras. 
 
A respeito do Segundo Reinado (1840-1889), julgue (C ou 
E) os itens subsequentes: 
53. Em 1848, os liberais fizeram uma última revolta, 
chamada Praieira, em Pernambuco. O levante 
verificou-se fora da capital da província e foi 
apoiado por pequenos senhores de engenho de 
açúcar. Os rebeldes, por meio de seus 
representantes urbanos, demandavam medidas 
antilusitanas, como a expulsão de portugueses e a 
nacionalização do comércio varejista, por eles 
controlado; federalismo, sufrágio universal e 
abolição do Poder Moderador. Mas, sem apoio em 
outras partes do país, o movimento foi dominado. 
Fechava-se com essa revolta o ciclo de rebeliões 
iniciado após o Ato Adicional. O sistema 
estabilizou-se sob a hegemonia dos conservadores, 
que se estenderia por cerca de dez anos. 
54. Irritado com a não renovação do tratado de 
comércio, que expirara em 1844, o governo 
britânico retaliou no ano seguinte, autorizando sua 
Marinha de Guerra a tratar como piratas os navios 
negreiros e aprisioná-los para julgamento nos 
tribunais do vice-almirantado. Sem forças para 
enfrentar militarmente o agressor e temeroso de 
negociar em posição de fraqueza, o governo 
conservador, em 1850, decidiu acabar com o tráfico 
de escravos; contudo, a medida foi tão ineficaz 
quanto em 1831. 
55. A Lei de Terras de 1850 determinava que o acesso 
às terras públicas se dava apenas pela compra, que 
o tamanho das posses era limitado ao tamanho da 
maior doação feita no distrito em que se 
localizavam, que o produto da venda das terras se 
destinaria a financiar a vinda de imigrantes para o 
Brasil e que se criava a Repartição Geral das Terras 
Públicas para administrar o processo e promover a 
migração. Ainda, os imigrantes recém-chegados 
tinham preferência na aquisição de terras. 
56. Na política externa, o Brasil se viu levado a definir 
sua posição em função da política de Juan Manuel 
de Rosas, governador do Estado Confederado de 
Buenos Aires, que interviera na política uruguaia a 
favor de Oribe. Este, por sua vez, começou a 
hostilizar os proprietários brasileiros que habitavam 
a Banda Oriental. O governo brasileiro rompeu 
relações com Rosas em 1851 e aliou-se a seus 
rivais argentinos Urquiza e Virasoro. Em 1852, 
Rosas foi derrotado pelas forças aliadas na batalha 
de Monte Caseros. Com essa intervenção, o 
ministério, sob a influência de Paulino José Soares 
de Sousa, futuro visconde do Uruguai, definiu a 
política do país na área, que poderia ser resumida 
na frase: não conquistar e não deixar conquistar. 
 
Não foi só a renovação dos movimentos artísticos 
eruditos ou populares que marcou a modernização das 
grandes cidades em crescimento ainda mais acelerado nos 
anos 1920. A movimentação operária tinha sido intensa e 
explosiva entre 1917 e 1919. A partir de 1922, a emergência 
das insurreições militares tenentistas consistiu talvez na 
principal novidade do período para se entender o colapso da 
ordem constitucional de 1891. 
 
Hebe Mattos. In: História do Brasil Nação. Rio de Janeiro: 
Objetiva/MAPFRE, 2012, v. 3 (1889-1930), p. 125 (com 
adaptações). 
 
Tendo o fragmento de texto apresentado como referência 
inicial, julgue (C ou E) os próximos itens, acerca da “crise 
dos anos 20” da Primeira República (1889-1930): 
57. O levante militarde 1922 no Forte de Copacabana 
deu início ao chamado movimento tenentista, que 
atualizaria a antiga doutrina do soldado-cidadão. 
Mais uma vez, o levante dos jovens militares, 
mantendo o modelo da Proclamação da República 
em 1889, precisou atrair um militar de alta patente 
(no caso, Hermes da Fonseca) e colocar-se 
formalmente ao lado da lei. 
58. Um novo levante tenentista em São Paulo, em 
1924, contra o presidente do estado, Carlos 
Campos, também assumiria como suas as bandeiras 
de reformas que mobilizavam as camadas médias 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
urbanas. O levante de 1924, com desdobramentos 
entre a oficialidade do Exército no Rio Grande do 
Sul, daria origem à Coluna Miguel Costa-Luiz 
Carlos Prestes, que percorreu por três anos o inteiro 
do país, combatida pelo Exército e por tropas 
coronelistas. 
59. O governo de Artur Bernardes, presidente à época 
dos levantes tenentistas, transcorreu normalmente, 
tendo em vista sua disposição para dialogar com 
estes movimentos e com o nascente movimento 
operário. 
60. Na sucessão de Washington Luís, os grandes 
estados não chegaram a um nome de consenso. 
Contra a candidatura oficial do paulista Júlio 
Prestes, Minas Gerais lançou a candidatura do 
gaúcho Getúlio Vargas, com apoio ainda da 
Paraíba. A vitória de Vargas nas eleições deu início 
à chamada Revolução de 1930, que pôs fim à 
ordem constitucional de 1891. 
 
Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil na chamada 
Revolução de 1930. Seu governo foi marcado por fortes 
transformações econômicas e sociais, bem como por 
acontecimentos políticos importantes no Brasil e no mundo. 
A respeito da Era Vargas, julgue (C ou E) os próximos itens. 
61. As primeiras medidas adotadas pelo Governo 
Provisório foram intervencionistas e 
centralizadoras, inspiradas nas reivindicações dos 
setores tenentistas. Entre elas estava o Sistema de 
Interventorias, um importante instrumento de 
controle do poder central na política local. Na área 
social, o Governo Provisório também fez 
investimentos significativos: a jornada de trabalho 
no comércio e na indústria foi fixada em oito horas; 
o trabalho da mulher e do menor foi 
regulamentado; adotou-se uma lei de férias; foi 
instituída a carteira de trabalho e o direito a 
pensões e aposentadorias. 
62. Em julho de 1932, eclodiu uma revolução em São 
Paulo que se transformou na pior guerra civil 
vivida pelo país. Insatisfeitos com a política 
centralizadora de Vargas e com a lentidão das 
medidas que restaurariam o Estado de direito, os 
paulistas exigiam o fim imediato do regime 
ditatorial e maior autonomia para São Paulo. A 
Revolução Constitucionalista, como se tornou 
conhecida, durou três meses. No dia 2 de outubro, 
os paulistas, cercados por tropas federais, se 
renderam. A derrota militar foi também política, já 
que não houve qualquer ganho para São Paulo. 
63. Francisco Campos, um dos ideólogos mais 
importantes do Estado Novo, interpretou o regime 
como uma decorrência histórica e necessária da 
Revolução de 1930. Segundo ele, o Estado Novo 
suscitara no país uma “consciência nacional”, 
unificara uma nação dividida, colocara um ponto 
final às lutas econômicas e impusera silêncio à 
querela dos partidos empenhados em quebrar a 
unidade do Estado e, por conseguinte, a unidade do 
povo. 
64. Em maio de 1945, o governo do Estado Novo 
assinou o Decreto-Lei nº 7.586, conhecido como 
Lei Agamenon, que, sem estabelecer 
expressamente a Justiça Eleitoral, criou, como 
órgãos dos serviços eleitorais, aqueles mesmos de 
1932 – um Tribunal Superior, com sede na capital 
da República; um Tribunal Regional, na capital de 
cada estado e no Distrito Federal; juízes eleitorais 
nas capitais, comarcas, termos e distritos. Ainda, tal 
legislação permitiu a volta dos partidos de base 
estadual como na época das oligarquias da Primeira 
República. 
 
A respeito da trajetória da experiência política brasileira 
entre 1946 e 1964, julgue (C ou E) os itens subsequentes: 
65. Em maio de 1947, após a promulgação da 
Constituição de 1946, o Supremo Tribunal Federal 
decidiu cassar o registro do Partido Comunista. A 
decisão controvertida baseou-se em texto da 
Constituição, que vedava a existência de qualquer 
partido cujo programa ou ação contrariassem o 
regime democrático, baseado na pluralidade de 
partidos e na garantia dos direitos fundamentais do 
homem. Em janeiro de 1948, completaram-se as 
medidas que levaram o PCB à clandestinidade. 
Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional 
determinou a cassação dos mandatos dos 
deputados, senadores e vereadores eleitos pela 
legenda do partido. 
66. No começo de 1956, estourou a Revolta de 
Jacareacanga, no Pará. Tratava-se de um punhado 
de oficiais da Aeronáutica comprometidos com a 
defesa da bandeira nacionalista e com a 
condenação ao comunismo. Sufocados poucos 
meses depois, os revoltosos contaram com a anistia 
de Juscelino Kubitschek. Imperava a lógica 
presidencial da moderação e do equilíbrio. Nesse 
mesmo sentido, Juscelino também anistiou os 
revoltosos de Aragarças, em Goiás, quando da 
rebelião de 1959. 
67. No seu governo, Jânio Quadros ocupou-se de 
assuntos desproporcionais à importância do cargo 
que ocupava, como a proibição do lança-perfume, 
do biquíni e das brigas de galos. No terreno 
financeiro, o novo presidente optou por um pacote 
ortodoxo de estabilização, envolvendo forte 
desvalorização cambial, contenção dos gastos 
públicos e da expansão monetária. Os subsídios 
para a importação de trigo e petróleo foram 
reduzidos, o que provocou uma elevação de 100% 
no preço do pão e dos combustíveis. 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
68. Após a renúncia de Jânio Quadros, a Constituição 
não deixava dúvidas quanto a sua sucessão; deveria 
assumir o vice-presidente João Goulart. Entretanto, 
a posse ficou em suspenso diante da iniciativa de 
setores militares que viam nele a encarnação da 
República sindicalista e a brecha por onde os 
comunistas chegariam ao poder. Afinal, o 
Congresso adotou uma solução de compromisso. O 
sistema de governo passou de presidencialista a 
parlamentarista, e João Goulart tomou posse, com 
poderes diminuídos, a 7 de setembro de 1961. 
 
A respeito do processo de redemocratização vivido pelo país 
com o fim do regime militar, julgue (C ou E) os itens 
subsequentes: 
69. Logo após a derrota da campanha das “Diretas Já!”, 
outra luta democrática a substituiu: a da 
“Constituinte Já!” Tancredo Neves sabia que os 
movimentos políticos pela democratização 
levantaram nova bandeira de luta, e sua 
candidatura, para ser aceita, adotou a proposta de 
formular uma nova Constituição por uma 
Assembleia Nacional Constituinte. A Constituinte 
resultou tão somente das articulações políticas de 
Tancredo Neves e sua convocação não contou com 
mobilização popular. 
70. Em 5 de outubro de 1988, o presidente da 
Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses 
Guimarães, promulgou a nova Constituição, 
previamente batizada por ele como Constituição 
Cidadã. Ulysses agradeceu aos trabalhos da 
Comissão Provisória de Estudos Constitucionais 
(CEC), chamada de “Comissão dos Notáveis” pelo 
esboço que serviu de base à Constituição. Em 
termos de direitos sociais e direitos civis, o texto 
constitucional é bastante avançado, garantindo 
educação, saúde, alimentação, segurança, 
previdência e assistência social, considerados como 
“direito de todos e dever do Estado”. 
 
 
HISTÓRIA MUNDIAL 
 
Com a insustentável crise, o rei Luís XVI resolveu 
convocar os Estados Gerais, assembleia que, em época de 
crise, o soberano reunia para se aconselhar. Essa instituição 
não tinha poder decisório, mas sim consultivo. Segundo a 
tradição, cada Estado reunia-se em separado e expunha seu 
voto em bloco. Assim, a nobreza, o clero e o Terceiro Estado 
tinham direito a um voto cada um. Esse tipo de escrutínio 
favorecia, naturalmente, o Primeiro e o Segundo Estado. 
COSTA, Luís César Amad; MELLO, Leonel Itaussu A. História 
Geral e doBrasil: da pré-história ao séculoXXI. São Paulo: 
Scipione, 2008. p. 329 
 
Com relação às revoluções ocorridas na Europa entre os 
séculos XVIII e XX, julgue os itens a seguir. 
71. Diferentemente daquela revolução que ocorreu na 
Grã-Bretanha no século anterior, a Revolução 
Francesa foi proveitosa para a classe trabalhadora, 
conseguindo os camponeses a supressão do 
trabalho servil e os trabalhadores urbanos, 
chamados de sans-culottes, obtendo direitos 
trabalhistas. 
72. A Revolução Inglesa tornou possível, pela primeira 
vez à sociedade, e dentro dela particularmente aos 
homens de propriedade, a conquista e o gozo da 
liberdade civil e política, sendo a teoria da 
liberdade civil e política formulada por J. Locke 
balizada nos resultados decorrentes dos 
acontecimentos entre 1640 e 1688. 
73. Fruto da mobilização da burguesia lusitana, o 
“Manifesto dos Portugueses” buscava o 
rompimento com o absolutismo dos Bragança, a 
adoção de um estado laico e o retorno do pacto 
colonial com o Brasil, sendo a Revolução do Porto 
símbolo do fim do Antigo Regime na Europa 
Oitocentista. 
74. Em tempos nos quais consolidava-se a força dos 
trade unions, o movimento cartista reivindicava, 
entre outras coisas, o direito do sufrágio universal 
secreto, o direito dos trabalhadores em participar do 
Parlamento, a limitação dos mandatos políticos e a 
diminuição da jornada de trabalho. 
 
Ao final do século passado, a dominação e a espoliação 
assumiam características novas nas áreas partilhadas e 
neocolonizadas. A crença no progresso, o darwinismo social 
e a pretensa superioridade do homem branco marcavam o 
auge da hegemonia europeia. Acerca do fenômeno do 
Imperialismo, julgue os itens que se seguem. 
75. A Rebelião dos Taiping, ocorrida na China 
Imperial, tinha como objetivo lutar contra os 
privilégios comerciais concedidos aos comerciantes 
estrangeiros e a presença de missionários europeus 
que desfrutavam do direito de residência e de 
pregação. 
76. É possível interpretar o fenômeno do Imperialismo 
ou Neocolonialismo no século XIX, que 
determinou a partilha da África e a dominação na 
Ásia, pelas potências europeias, como resultado da 
expansão do próprio capitalismo e da sua 
necessidade, sempre constante, de ampliação de 
mercados e áreas fornecedoras de matérias-primas 
e gêneros alimentícios. 
77. O Império Alemão reagiu à Convenção de Madri 
na qual, em 1880, França e a Inglaterra estabelecem 
bilateralmente a chamada "Entente Cordiale", 
através da qual a Grã-Bretanha teria total liberdade 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
de ação no Egito, enquanto à França era entregue o 
Marrocos. 
78. O estopim da Guerra do Ópio (1839) entre ingleses 
e chineses foi a queima de milhares de caixas dessa 
substância, pelos chineses, como represália a esse 
comércio em suas fronteiras, tendo como 
encerramento os tratados de Nanquim e de Pequim 
que definiram, a partir da vitória chinesa, o porto 
de Cantão como o único para o comércio 
internacional. 
 
Desde o final do século XVIII, a criação de 
inúmeras associações resultou num determinado patriotismo 
cultural e popular, num território dividido em estados 
feudais dominados por uma aristocracia retrógrada. Tais 
associações se dirigem à nação teuta, enfatizando o idioma, 
a cultura e as tradições comunitárias, elementos para a 
elaboração de uma identidade coletiva, independentemente 
do critério territorial. E, de fato, esse nacionalismo popular, 
romântico-ilustrado (uma vez que pautado no princípio da 
cidadania e no direito à autodeterminação dos povos), 
inspirará uma boa parcela dos revolucionários de 1848. Mas 
não serão eles a unificar a Alemanha. Seus herdeiros 
precisarão aguardar até 1871, quando Bismarck realiza uma 
revolução de cima, momento em que, em virtude do poderio 
econômico e da força militar da Prússia, a Alemanha se 
unifica como Estado forte, consolidando-se a sua trajetória 
rumo à modernização. 
MAGALHÃES, Marionilde D. B. de. A REUNIFICAÇÃO: enfim 
um país para a Alemanha? Revista Brasileira de História. São 
Paulo: ANPUH/Marco Zero, v.14, n.28. 1994. P.102 [adaptação] 
 
No que se refere à formação da Alemanha e da Itália, julgue 
os itens a seguir. 
79. As unificações alemã e italiana, em 1860/1871, 
aconteceram, segundo os historiadores, a partir da 
chamada "via prussiana", ou seja, com intervenções 
de potências estrangeiras, especialmente do II 
Império Francês e através de uma aliança entre 
setores populares, como os carbonários, e setores 
intelectuais da classe média. 
80. No Reino da Itália, uma das bases de sustentação 
do processo de unificação internacional é o apoio 
do Papa Pio IX, difundindo-se a partir da cidade de 
Roma o ideal nacional, sendo este contrário aos 
interesses econômicos da burguesia do Piemonte e 
do norte do país. 
81. A ideia da formação de um Estado Nacional na 
Península Itálica sob o domínio da Casa de Saboia, 
ou seja, partindo das zonas rurais em busca dos 
grandes centros industriais, contou com a 
participação do revolucionário Giuseppe Mazzini, 
que abandonou o seu republicanismo em nome do 
projeto nacional. 
82. Nos primórdios do II Reich, quando Bismarck 
conduziu a chancelaria alemã, há a consolidação do 
capitalismo industrial e financeiro, sendo a 
unificação monetária e fundação do Reichsbank, 
assim como a imposição do protecionismo 
alfandegário em 1879, fundamentais nesse 
processo. 
 
Relativamente às duas Grandes Guerras que marcaram a 
história da primeira metade do século XX e os contextos que 
as circundavam, julgue os itens seguintes 
83. Através de bombardeios aéreos, racionamentos 
de alimentos e produtos, a Primeira Guerra 
Mundial envolveu, em grande escala, a 
população civil dos países europeus em conflito 
e, diferentemente da Segunda Guerra Mundial, não 
teve o envolvimento de colonos afro-asiáticos. 
84. Na cidade bielorrussa de Brest-Litovsk, perto da 
fronteira com a Polônia, representantes do governo 
bolchevique russo assinaram em 1918 um tratado 
de paz com as chamadas "Potências Centrais”, em 
meio ao avanço das tropas inimigas na Frente 
Oriental, quando iam em direção a Petrogrado. 
85. Publicado originalmente em 1929, o livro “Nada de 
Novo no Front”, de Erich Maria Remarque é um 
relato sobre a crise do capitalismo liberal, oriunda 
da superprodução e do subconsumo que resultaram 
na Quebra da Bolsa de Nova York. 
86. Ao mesmo tempo que a Primeira Guerra Mundial 
apresentou a utilização de novas tecnologias e o 
avanço científico acelerado, chocou o mundo ao 
proporcionar uma mortalidade absurda, o que levou 
a reações como a assinatura do Protocolo de 
Genebra (1925), que proibiu o uso de gases 
asfixiantes e venenosos, assim como métodos 
bacteriológicos na guerra. 
 
Enquanto a economia balançava, as instituições da 
democracia liberal praticamente desapareceram entre 1917 e 
1942; restou apenas uma borda da Europa e partes da 
América do Norte e da Austrália. Enquanto isso, avançavam 
o fascismo e seu corolário de movimentos e regimes 
autoritários. A democracia só se salvou porque, para 
enfrentá-lo, houve uma aliança temporária e bizarra entre 
capitalismo liberal e comunismo [...]. Uma das ironias deste 
estranho século é que o resultado mais duradouro da 
Revolução de Outubro, cujo objetivo era a derrubada global 
do capitalismo, foi salvar seu antagonista, tanto na guerra 
quanto na paz, fornecendo-lhe o incentivo — o medo — 
para reformar-se após a Segunda Guerra Mundial [...]. 
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Companhia 
das Letras, 1995. 
 
No que se refere à aspectos dos regimes fascistas e dos 
regimes autoritários, julgue os itens subsequentes. 
CLIPPING – SIMULADOCACDOBJ – Edital: 2026 
87. O governo da Frente Popular, a despeito dos apelos 
realizados, pouca ajuda recebeu de governos e/ou 
voluntários estrangeiros enquanto, em 
contrapartida, o apoio germano-italiano aos 
franquistas gerou episódios de atrocidades como o 
bombardeio da vilade Guernica, em 1937, que 
serviu de inspiração para Pablo Picasso pintar uma 
das suas mais célebres obras. 
88. O Austrofascismo, também conhecido como 
Ständestaat, teve como um dos seus principais 
expoentes Engelbert Dollfuss, defensor de 
bandeiras como o nacionalismo católico, o 
anticomunismo e o corporativismo. 
89. A Conferência de Yalta estabeleceu as diretrizes 
básicas para a administração da Alemanha após a 
Segunda Guerra Mundial, sendo esta dividida em 
duas zonas de ocupação administradas por um 
conselho de ministros das relações exteriores, com 
sede em Londres, tendo à frente representantes dos 
cinco membros do Conselho de Segurança na 
ONU. 
90. O Tribunal de Nurembergue foi palco daquele que 
é considerado o primeiro julgamento da história por 
crimes contra a paz no mundo, destacando-se o 
extermínio sistemático daqueles que eram 
considerados indesejáveis pelos nazistas, tais como 
judeus, socialdemocratas alemães, testemunhas de 
Jeová e homossexuais. 
 
No tocante ao comunismo e suas repercussões após a 
Segunda Guerra Mundial, julgue os itens que se seguem. 
91. As rusgas entre Stálin e Mao Zedong, que 
remontam a oposição do líder soviético à Terceira 
Guerra Civil (1946-1949), impediram qualquer tipo 
de acordo entre soviéticos e maoístas no início dos 
anos 1950, o que somente foi possível com a 
chegada de Kruschev no Kremlin. 
92. Deng Xiaoping, que chegou a ser secretário-geral 
do Partido Comunista da China (PCCh) em meados 
dos anos 1960, caiu em desgraça durante a 
Revolução Cultural (1966-1979), tendo recuperado 
seu prestígio após a morte de Mao Zedong para 
capitanear o conjunto de transformações conhecido 
como as “Quatro Modernizações”. 
 
Acerca das Lutas de Libertação Afro-Asiáticas, julgue os 
itens que se seguem. 
93. A Primeira Conferência Pan-Africana, realizada em 
Londres em 1900, foi organizada por Sylvester 
Williams e teve como grande líder o estadunidense 
Du Bois que, através de seu “Discurso às Nações 
do Mundo”, fez um apelo aos líderes europeus pela 
luta contra o racismo, pela autodeterminação dos 
povos e, também, exigiu direitos políticos aos 
afro-americanos. 
94. O Acordo da Ásia Menor, estabelecido de forma 
secreta entre o Reino Unido da Grã-Bretanha e 
Irlanda e a Terceira República Francesa, teve como 
articuladores Mark Sykes e François 
Georges-Picot, traçou fronteiras artificiais na 
região, gerando instabilidade e conflitos na região 
durante grande parte do século XX. 
95. Tendo como líderes Nehru, Sukarno e Nasser, a 
Conferência de Bandung apresenta como principal 
novidade o bloco terceiro-mundista, reunindo 
países da África, América e Ásia, que não estariam 
submetidos à bipolaridade dos tempos de Détente. 
96. Derrubado Marcelo Caetano, o Movimento das 
Forças Armadas chega ao poder, concedendo 
automaticamente a independência de Moçambique. 
Tal imediatismo favoreceu a eclosão de uma guerra 
civil em 1974, opondo a socialista FRELIMO 
(Frente de Libertação Moçambicana) à capitalista 
RENAMO (Renovação Nacional Moçambicana). 
 
 
GEOGRAFIA 
 
A geografia, além da gênese grega, teve uma 
segunda gênese, entre os alemães do início do século XIX. 
Ao longo dos séculos XVI-XVIII várias ciências foram se 
setorializando em relação ao conjunto dos conhecimentos 
humanos, como a política (Maquiavel), a economia (Smith), 
etc, mas a geografia que começa a ser repensada por Kant e 
Hegel é, como a grega, globalizadora, continuando a 
abranger campos que foram se setorializando (águas, clima, 
solo, economia, etc) anteriormente. Seu mérito, como o da 
história, foi de se manter um cruzamento de conhecimentos 
que se iam especializando aceleradamente. 
 
BASTOS, José Messias. Geografia Econômica e Social. 
Disponível em: https://share.google/vkZ9w9jH6D7zsZ1JJ. 
18/06/2026 
 
Com relação à produção do saber geográfico ao longo do 
tempo julgue os itens a seguir. 
97. A ciência geográfica se instaura sob os preceitos 
modernos no início do século XIX, contribuindo 
para atender aos anseios capitalistas, num viés 
imperialista de expansão territorial e comercial 
adotando um discurso de base teológica. 
98. A Nova Geografia ou Geografia Pragmática crítica 
o caráter não-prático da Geografia Tradicional. 
Argumentam seus seguidores que esta disciplina 
teve sempre uma ótica retrospectiva, isto é, falava 
do passado, era um conhecimento de situações já 
superadas. Assim não informava a ação, não 
previa; logo, era inoperante como instrumento de 
intervenção na realidade. Nesse sentido, os autores 
pragmáticos vão propor uma ótica prospectiva, um 
conhecimento voltado para o futuro, que 
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instrumentalize uma Geografia para o planejamento 
espacial. 
99. A Geografia Crítica, desenvolvida a partir da 
década de 1970, fundamenta-se majoritariamente 
no materialismo histórico-dialético, buscando 
compreender o espaço geográfico como produto 
das relações sociais de produção. A obra de autores 
como Henri Lefebvre e David Harvey exerceu 
influência decisiva na consolidação da Geografia 
Crítica, especialmente no que se refere à 
compreensão do espaço como dimensão central da 
reprodução social. 
100. A abordagem fenomenológica na Geografia 
Humanista implica a negação da materialidade do 
espaço, reduzindo-o a uma construção puramente 
simbólica e discursiva. 
 
Com relação ao atual momento demográfico e os diversos 
tipos de migração no mundo, julgue os itens a seguir. 
101. O mundo está se transformando em uma escala e 
velocidade impressionantes: as taxas globais de 
fecundidade estão em declínio. A projeção é que a 
população humana atinja seu auge ainda neste 
século e, em seguida, comece a diminuir. Uma em 
cada quatro pessoas vive hoje em um país cuja 
população já atingiu o seu ápice. 
102. Em meados do século XX, tivemos as maiores 
taxas de crescimento da população mundial ao 
longo da história, quando a população no planeta 
subiu de cerca de 2,5 bilhões de pessoas em 1951 
para 4 bilhões em 1973. A principal causa para esse 
enorme crescimento populacional foi o baby boom, 
ou seja, o aumento das taxas de natalidade nos anos 
posteriores à 2ª guerra mundial. 
103. Há inúmeros debates no plano macro sobre países e 
sociedades que ainda estariam em explosão 
demográfica e outros que correm risco por causa da 
dificuldade de reverter o atual momento de redução 
populacional. No entanto, há outro debate muitas 
vezes negligenciado: a grande quantidade de 
indivíduos que não conseguem realizar suas 
aspirações reprodutivas. Tanto as aspirações 
reprodutivas acima do desejado – quando as 
pessoas têm mais filhos do que consideram ideal – 
quanto às aspirações reprodutivas abaixo do 
desejado – quando têm menos filhos do que 
gostariam – são amplamente disseminadas, 
associadas a ambientes que falharam em 
proporcionar a segurança econômica e o 
empoderamento pessoal que os indivíduos apontam 
como condições indispensáveis para realizar seus 
planos familiares – sejam eles ter muitos filhos, 
poucos ou nenhum. 
104. Existem mais de 150 mil pessoas no Brasil 
reconhecidas como refugiadas. Venezuelanos e 
bolivianos representam cerca de 90% do total, com 
pequena vantagem numérica para os que têm 
origem na Venezuela. Além desses dois grupos 
principais, há importantes contingentes de sírios, 
haitianos, afegãos, congoleses e cubanos. 
 
Com relação ao processo de produção industrial, divisão 
internacional do trabalho (DIT) e os diversos sistemas 
produtivos, julgue os itens a seguir. 
105. No Fordismo, a concentração espacial das 
indústrias era funcional à produção em massa, 
exigindo grandes plantas industriais e forte 
integração vertical, o que reduzia a fragmentação 
territorial do processo produtivo. 
106. A fragmentação espacial da produção, 
característica da acumulação flexível, contribui 
para a compressão espaço-tempo, conceito central 
na análise de David Harvey sobre o capitalismo 
contemporâneo. 
107.A passagem do Fordismo ao Toyotismo implicou a 
superação da divisão territorial do trabalho, uma 
vez que a produção passou a ser organizada em 
redes flexíveis e descentralizadas. 
108. A divisão territorial do trabalho pode ser 
compreendida, à luz de Milton Santos, como 
resultado da totalidade socioespacial produzida 
pelo meio técnico-científico-informacional, ainda 
que esse processo tenda a reduzir desigualdades 
regionais ao ampliar a fluidez dos fluxos 
produtivos. 
 
Com relação ao espaço agropecuário mundial, principais 
atores e fatores de produção, julgue os itens a seguir. 
109. O espaço agrário dos Estados Unidos caracteriza-se 
pela predominância de grandes propriedades 
altamente capitalizadas, pela forte integração entre 
agricultura e agronegócio industrial e pela 
dependência de redes logísticas eficientes, fatores 
que tornam o setor sensível tanto às políticas 
internas quanto às oscilações do mercado global de 
commodities. 
110. A baixa produtividade agrícola é um dos fatores 
para a prevalência da fome. Além disso, alterações 
nas condições de produção tradicionais agravam a 
insegurança alimentar o que justifica que as regiões 
do mundo onde a fome é mais grave atualmente 
possuam taxas de urbanização muito elevadas, 
superiores à média mundial. 
111. No debate sobre o acordo UE–MERCOSUL, as 
exigências ambientais relacionadas à 
rastreabilidade, ao desmatamento zero e ao uso de 
bioinsumos são mobilizadas tanto como 
instrumentos de proteção ambiental quanto como 
mecanismos indiretos de proteção comercial. 
112. As políticas agrícolas adotadas pelos Estados 
Unidos, pela União Europeia, pela China e pela 
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Índia evidenciam que o espaço agrário 
contemporâneo é fortemente condicionado por 
decisões políticas e geoestratégicas, e não apenas 
por fatores naturais ou econômicos, especialmente 
no que se refere à segurança alimentar e ao 
comércio internacional. 
 
Com relação ao espaço intraurbano e os processos 
responsáveis pela sua estruturação, julgue os itens a seguir 
como certos ou errados. 
113. Na produção capitalista, o espaço urbano deixa de 
ser apenas suporte das relações sociais para 
tornar-se mercadoria, subordinando-se 
progressivamente à lógica do valor de troca, ainda 
que continue a desempenhar funções relacionadas 
ao valor de uso. 
114. A produção capitalista do espaço urbano tende a 
intensificar a fragmentação intraurbana, ao 
combinar investimentos seletivos, políticas 
públicas diferenciadas e estratégias privadas de 
valorização imobiliária. 
115. A autossegregação caracteriza-se pela escolha 
voluntária de determinados grupos sociais por áreas 
homogêneas e exclusivas da cidade, geralmente 
associadas à busca por segurança, status e controle 
do espaço, reforçando desigualdades 
socioespaciais. 
116. A gentrificação ocorre classicamente nas áreas 
periféricas onde populações de maior renda 
realizam investimentos que tendem a valorizar o 
espaço e, consequentemente, deslocar a população 
mais pobre para as áreas mais centrais que sofreram 
obsolescência urbana. 
 
Com relação aos biomas brasileiros, julgue as afirmativas a 
seguir. 
117. Na caatinga do Sertão nordestino encontram-se 
elementos lenhosos, que perdem as folhas na 
estação seca, e que se acham mais ou menos 
dispersos sobre um solo em geral raso e quase 
sempre pedregoso. 
118. A presença mais expressiva dos campos ou 
pradarias no Brasil está relacionada com as 
condições topográficas, sendo típicos de áreas onde 
o relevo é, em geral, acidentado, com clima 
dominante de tropical de altitude. 
119. No bioma amazônico encontramos clara 
diferenciação de características vegetais que 
demarcam o igapó, a várzea e a mata de terra firme. 
A responsável por essa diferenciação é a estrutura 
geológica, com bacia sedimentar quaternária no 
igapó, bacia sedimentar terciária na várzea e escudo 
cristalino na mata de terra firme. 
120. A Planície do Pantanal está posicionada em 
altitudes que variam entre 80 e 150 metros com 
declividade muito baixa. Essa característica física, 
somada ao fato do Pantanal possuir pluviosidade 
anual muito superior à média do bioma cerrado, 
fazem com que a cada ano, a Planície do Pantanal 
se transforme numa imensa área alagada, com 
grande parte dos ambientes terrestres passando para 
ambientes aquáticos, sujeitos a diferentes graus e 
períodos de inundação, lembrados nas lendas 
indígenas e nos primeiros mapas do Marechal 
Rondon como “Lagoa dos Xaraiés”. 
 
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	_Simulado Geral MANHÃ V2 - ALTERAÇÃO TAÍS 27_02 16_14.pdf

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