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E O AMACIAMENTO ENZIMÁTICO CARNES, PRODUTOS CÁRNEOS Profª. Drª Ana Carolina Trindade COMPOSIÇÃO DA CARNE Água (≈ 70–75%) • Responsável pela suculência. Influencia peso, retenção de líquidos e rendimento industrial. • Distribuição nos compartimentos: intracelular, extracelular e intramuscular. Lipídeos (≈ 1–15%) • Variam por espécie, idade e alimentação. • Responsáveis pela suculência, sabor e valor energético. • Gordura intramuscular (marmoreio) → carne mais macia. COMPOSIÇÃO DA CARNE Vitaminas e Minerais • Vitaminas do complexo B (B1, B3, B6, B12). • Minerais: ferro heme, zinco, fósforo, selênio. • Importante para nutrição e estabilidade de cor. Enzimas Naturais • Catepsinas e calpaínas → atuam no amaciamento natural durante maturação. • Participam de processos pós-abate: rigor mortis e quebra de proteínas. PROTEÍNAS (≈ 18–22%) page 3 Miofibrilares (actina, miosina) - 50–55% Principais determinantes de textura. Formam as miofibrilas e fibras musculares. Envolvidas na contração muscular e na formação de géis em produtos processados. . Sua degradação pós- morte contribui para o amaciamento natural. PROTEÍNAS (≈ 18–22%) Sarcoplasmáticas (mioglobina, enzimas) - 30–35% Ligadas à cor e às reações bioquímicas. Mioglobina determina a tonalidade (roxo → vermelho → marrom). PROTEÍNAS (≈ 18–22%) Sarcoplasmáticas (mioglobina, enzimas) - 30–35% Ligadas à cor e às reações bioquímicas. Mioglobina determina a tonalidade (roxo → vermelho → marrom). PROTEÍNAS (≈ 18–22%) Estromais (colágeno, elastina) - 10-15% Presentes no tecido conjuntivo. Colágeno = maior influência na dureza da carne. O colágeno é a principal barreira para a maciez. Sua solubilidade e quantidade são inversamente proporcionais à dureza da carne. RIGOR MORTIS page 4 O rigor mortis é um dos processos pós-abate mais importantes porque define a textura inicial da carne e influencia maciez, retenção de água e qualidade tecnológica. • Processo em que o músculo perde a capacidade de relaxar após a morte do animal, ficando duro e rígido. Isso acontece porque: Após o abate, cessa a circulação sanguínea; falta oxigênio, as células musculares param de produzir ATP. O ATP é necessário para descolar actina e miosina (proteínas que contraem o músculo). Sem ATP, elas ficam presas uma na outra → o músculo “trava”. Resultado: carne rígida. RIGOR MORTIS Se manipular antes da hora → defeitos: Cold shortening: encurtamento muscular excessivo por resfriamento rápido → carne muito dura. Heat shortening: encurtamento por temperatura alta → reduz rendimento e maciez. A carne não nasce macia! Ela fica macia à medida que o rigor mortis se resolve pela ação das enzimas naturais. Carnes Vermelhas CLASSIFICAÇÃO DAS CARNES • Ex.: bovinos, suínos, caprinos, ovinos. • Maior teor de mioglobina, por isso têm cor mais escura. • Geralmente possuem mais colágeno e gordura intramuscular. • Usadas em produtos processados, embutidos e cortes culinários variados. Carnes Brancas CLASSIFICAÇÃO DAS CARNES • Ex.: frango, peru, algumas partes do porco. • Menor quantidade de mioglobina → tonalidade mais clara. • Estrutura muscular mais simples → cozimento mais rápido. • Muito utilizadas em produtos reconstituídos e marinados. Carnes Exóticas CLASSIFICAÇÃO DAS CARNES • Ex.: coelho, avestruz, pato, caça. • Composição variável. • Regulamentação sanitária diferenciada. • Usadas em nichos específicos. Miúdos (Subprodutos Comestíveis) CLASSIFICAÇÃO DAS CARNES • Ex.: fígado, coração, rins, tripas. • Alto valor nutritivo. • Muito usados em embutidos, linguiças e produtos cozidos. • Produtos prontos para consumo • Processamento térmico • Aplicação de técnicas de defumação. Embutidos Curados/Salmourados Cozidos/Defumados PRODUTOS CÁRNEOS INDUSTRIALIZADOS Salsichas, salames, mortadelas. • Moagem, • Sais de cura (nitrito/nitrato), • Especiarias, • Cozimento/fermentação. Presuntos (cru/Parma), bacon. • Uso de sal e agentes de cura para conservação e desenvolvimento de sabor. Aditivos Essenciais: Antioxidantes, Conservantes (nitritos/nitratos), Corantes e agentes de ligação (fosfatos) Papel do Farmacêutico? Controle rigoroso da dosagem e segurança dos aditivos. Recepção e Inspeção da Matéria-Prima Armazenamento Refrigerado ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS • Conferência da temperatura da carne (≤ 7 °C para carnes resfriadas). • Verificação de cor, odor, textura e presença de contaminação. • Registro e rastreabilidade dos lotes. • Classificação dos cortes conforme destino (curados, embutidos, cozidos etc). • Carne mantida em 0–4 °C. • Controle de tempo de estocagem. • Separação por tipo de matéria-prima (aves, suínos, bovinos). 3) Pré-Processamento 4) Moagem ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS • Desossa (retirada de ossos). • Desmembramento e padronização dos cortes. • Trimming: retirada de excesso de gordura, cartilagens, hematomas e tecidos duros. • Classificação em carne magra e carne gorda. • Carne passa por moedores com discos de diferentes granulometrias. • Etapa essencial para embutidos, hambúrgueres e produtos reestruturados. Formulação / Pesagem dos Ingredientes Mistura / Massagem ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS Cálculo da proporção de: • Carne magra e gorda, Sal, Nitrito/nitrato (agentes de cura), Condimentos, Antioxidantes, Estabilizantes, Proteínas não cárneas (soja, leite, colágeno), Gelo ou água gelada. • Atende a padrões legais e especificações do produto. • Homogeneização dos ingredientes com a carne. • Ação mecânica permite: Extração de proteínas, Ligação entre partículas, Distribuição homogênea de cura e condimentos. Embutimento ou Moldagem Cura ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS Embutidos enchedos em: • Tripas naturais, • Tripas colágenas, • Tripas celulósicas ou plásticas. • Produtos reestruturados moldados em formatos cilíndricos, quadrados ou bifes. • Cura • Pode ser: Cura seca (aplicação direta do sal/curante), Cura úmida (salga em salmoura), Injeção de salmoura (com agulhas múltiplas). Objetivos: conservação, cor rosada, sabor característico e proteção contra Clostridium botulinum. Tratamento Térmico (Coçã̧o, Pasteurização, Fritura) Resfriamento Rápido ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS • Cozimento por vapor, forno ou imersão. • Temperatura interna segura geralmente ≥ 72 °C (varia conforme o produto). • Desenvolvimento de textura firme e estabilidade proteica. • Redução rápida da temperatura pós- cozimento. • Evita zona de proliferação microbiana. • Pode usar água gelada ou túneis de resfriamento. Embalagem Rotulagem ETAPAS DA PRODUÇÃO DE PRODUTOS CÁRNEOS Tipos: • A vácuo, • Atmosfera modificada, • Termoencolhível, • Embalagem rígida ou flexível. Função: proteger o produto e aumentar shelf life. Informações obrigatórias: • Ingredientes, Alergênicos, Data de fabricação validade, Lote, Conservação, Categoria do produto. • Deve seguir legislação MAPA e ANVISA. FATORES QUE INFLUENCIAM A MACIEZ • Idade do animal • Tipo de corte • Quantidade de colágeno • Métodos de cocção • Tempo de maturação AMACIAMENTO: O DESAFIO TECNOLÓGICO DA TEXTURA • Ocorre naturalmente durante o armazenamento. • Armazenamento Refrigerado Pós-Abate: Mediado por enzimas endógenas (calpaínas e catepsinas) que degradam as proteínas miofibrilares. • Processo lento, requer dias ou semanas de refrigeração controlada para atingir a maciez desejada. Amaciamento Natural (Aging) • Métodos Físicos: Estimulação elétrica, cortes específicos, massagem mecânica. Aceleram a degradação proteica. • Métodos Químicos/Enzimáticos: Adição de sais ou, mais relevantemente, o uso de Proteases Exógenas que degradam ativamente o colágeno e as proteínas miofibrilares, Amaciamento Tecnológico IMPORTÂNCIA DA PADRONIZAÇÃO page 8 • Aceitação do Consumidor Maciez é o atributo de qualidade mais valorizado. Padronização garante consistência. • Aproveitamentode Cortes Permite o uso de cortes menos nobres, aumentando o rendimento industrial e reduzindo custos. • Qualidade Garantida Métodos tecnológicos garantem uniformidade lote a lote, essencial para a confiança do consumidor. Proteases (enzimas proteolíticas) catalisam a hidrólise das ligações peptídicas em proteínas, quebrando-as em peptídeos menores e aminoácidos. PROTEASES: AS TESOURAS MOLECULARES NO AMACIAMENTO Degradam as proteínas estruturais da carne, principalmente o Colágeno do tecido conjuntivo e as proteínas miofibrilares, reduzindo a resistência à mastigação. Papaína Bromelina Ficina Figo (Ficus spp.) • Protease vegetal com propriedades similares à papaína. Menos comum, mas eficaz em aplicações específicas. PRINCIPAIS PROTEASES USADAS NO AMACIAMENTO Mamão (Carica papaya) • Amplamente utilizada, com ampla faixa de pH e alta termoestabilidade. Excelente para amaciamento industrial. Abacaxi (Ananas comosus) • Protease altamente eficaz com atividade proteolítica robusta. • Ideal para cortes mais duros. Vantagens IMPORTÂNCIA DA PADRONIZAÇÃO • Atuação Agressiva: Mais eficazes sobre o colágeno que enzimas endógenas. • Custo-Benefício: Origem vegetal e microbiana oferece excelente relação custo-eficácia. • Controle Preciso: Permitem padronização e uniformidade industrial. • Disponibilidade: Facilmente obtidas e comercializadas em grau alimentício. • Concentração alta → carne pastosa. • Concentração baixa → não amacia adequadamente. Cada protease tem dose ideal (papaína, bromelina, ficina). • Longo demais → destrói fibras e textura. • Tempo insuficiente → pouca efetividade. • Proteases têm faixa ótima de atuação. • Temperaturas muito altas podem desnaturar a enzima antes de agir. Processos industriais controlam resfriamento. Controle da Concentração Tempo de Contato Temperatura CUIDADOS NO USO DE PROTEASES APLICAÇÕES TECNOLÓGICAS NA INDÚSTRIA page 8 • Amaciamento de Cortes Duros: Em bovinos: acém, paleta, músculo. Melhora valor comercial de cortes baratos. • Produtos Reestruturados Hamburgueres, almôndegas, medalhões formados. Proteases ajudam a ligar pedaços e padronizar textura. • Aumento de Rendimento Melhoram retenção de água durante cocção. Cortes ficam mais suculentos e perdem menos peso. • Redução do Tempo de Maturação Enzimas aceleram processos que ocorreriam naturalmente. Economia de tempo e energia na indústria. • Uso em Carnes de Aves e Suínos Melhoram textura de peito de frango (tende a ser seco). Amaciam suínos mais velhos. PROTEASES: AS TESOURAS MOLECULARES NO AMACIAMENTO Rotulagem • Produtos que utilizam enzimas devem indicar na lista de ingredientes. • Rótulo não pode sugerir “fresco” se houve processamento intenso. Boas Práticas de Fabricação (BPF) • Controle de higiene na manipulação. • Evitar contaminação cruzada. • Treinamento da equipe e padronização de processos. Aditivos Enzimáticos Permitidos • Devem ser aprovados para uso alimentício. • Normas da ANVISA e Codex Alimentarius. • Exemplos: papaína, bromelina, ficina,. Controle de Resíduos • Enzimas usadas são inativadas pelo calor no processo. • Garantir que não permaneçam ativas no produto final. “Protease deixa carne mole demais sempre” Só ocorre quando a concentração é alta ou o tempo é excessivo. Com controle adequado, a enzima melhora maciez sem destruir a textura. “Protease mascara carne estragada” — proibido, não elimina riscos microbiológicos Totalmente falso e proibido. Proteases não eliminam microrganismos e não corrigem deterioração. Usar para mascarar carne imprópria é crime e risco à saúde. RISCOS E MITOS RISCOS E MITOS Alteração de Sabor ou Odor Algumas proteases (papaína, por exemplo) podem gerar notas amargas se usadas incorretamente. Reações Alérgicas Papaína → risco para pessoas com alergia ao látex (reação cruzada). Indicado declarar uso de enzimas na rotulagem. Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31