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Conteudista: Prof. Dr. Edgar Silva Gomes
Revisão Textual: Prof.ª Esp. Márcia Ota
Objetivo da Unidade:
Estudar os governos de Jânio Quadros e João Goulart e a crescente insatisfação
das elites com as políticas econômicas; o governo de João Goulart a tentativa de
uma reforma política.
📄 Contextualização
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
O Ocaso da Democracia: os Governos de Jânio
Quadros e João Goulart
Refletindo o passado pelas ações do presente! Eu, como pesquisador, costumo dizer
que “A política não é inocente”. Desde o invento de Gutenberg, a leitura se tornou um
hábito muito mais corriqueiro e não monopolizado pela elite, mas como “todos” nós
sabemos, a Mídia no Brasil é dominada por um grupo restrito de milionários, que
também influenciam na política.
Portanto, vou fazer um acréscimo ao meu bordão, “A política não é inocente: e a mídia
nas mãos da elite manipula e aliena quem não procura meios alternativos à 'Grande
Imprensa' para se informar”, como veremos nesta Unidade: “O Ocaso da Democracia:
Os Governos de Jânio Quadros e João Goulart”, a mídia teve uma grande influência na
instalação da “Ditadura Empresarial Civil Militar no Brasil”.
Sendo assim, para nossa contextualização, não basta dizer que a mídia, a qual
caracterizo deforma geral como “Grande Imprensa”, continua tendo suas preferências
partidárias, escondida atrás de uma suposta imparcialidade da Imprensa. Vamos
contextualizar esses argumentos com o artigo publicado no “Observatório da
Imprensa” sob o título: “Imprensa & Jornalismo: O Discurso Maniqueísta” por
Luciano Martins Costa de 26 de janeiro de 2015.
Outra boa matéria atual e que cita os governos de Jânio Quadros e João Goulart, do
jornal espanhol El País faz uma interrogação à entrevista de Serra ao “O Globo” da
família Marinho, acostumada ao poder e não satisfeita com as contrariedades sofridas
nos últimos anos vem atacando o governo da presidente Dilma, principalmente, após a
proposta do governo de regulamentação da mídia brasileira, toda ela nas mãos de
1 / 4
📄 Contextualização
políticos de diversos partidos e sem representação social; El País, Opinião, Juan Arias,
30/01/2015.
O Discurso Maniqueísta
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Serra Assegura que Dilma Não Acabará o Mandato. É Crível? 
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Fotos estampadas em jornais de todo o mundo sugeriram que líderes mundiais
estavam à frente da marcha em Paris. Mas eles, na verdade, estavam em outra rua,
isolados e protegidos por seguranças. (Fonte: Pragmatismo Político)
Leitura
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/o_discurso_maniqueista/
https://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/30/opinion/1422647442_830138.html
Figura 1
Fonte: Reprodução
Introdução
O período que antecede o Golpe de 64 foi bastante conturbado. Nas eleições, houve a
candidatura de três presidenciáveis: o militar Henrique Lott e os ex-governadores de
São Paulo, Adhemar de Barros Filho e Jânio da Silva Quadros. O voto direto foi garantido
para todos os brasileiros com mais de 18 anos e alfabetizados. O cargo de vice-
presidente tinha votação em separado.
Jânio Quadros, com uma carreira política meteórica, foi o “queridinho” da ABI que
criou um movimento pró-Jânio, o MPJQ, no ano de 1959. Adhemar de Barros estava
concorrendo ao cargo de presidente da República pela segunda vez e conseguiu apenas
o terceiro lugar nas duas eleições.
O candidato da “situação” era o general Lott, pouco carismático, que não conseguiu
derrotara “vassourinha” anticorrupção de Jânio Quadros e saiu vitorioso com mais de
48% dos votos validos. Jânio atropelou Adhemar de Barros, o “bom de voto”, e o
candidato da situação, mas para decepção dos seus eleitores renunciou apenas sete
meses, após assumir a presidência no Planalto Central do país, sendo o primeiro
presidente a governar direto de Brasília-DF.
O vice-presidente eleito foi o getulista João Goulart; quando recebeu a notícia da
renúncia de Jânio, estava em viagem à China. Pelo regulamento da constituição de
1946, sua posse seria automática, mas os Ministros Militares de Jânio tentaram
impedir a posse.
2 / 4
📄 Material Teórico
Desse modo, Brizola articulou com alguns militares, e, após alguns acertos e com a
mudança do regime de presidencialista para parlamentarista, Jango assumiu o cargo,
com um remendo de última hora por imposição militar. O mandato foi todo pontuado
por muitas tensões, mas está é uma história que veremos no desenrolar desta
Unidade...
Jânio Quadros: e o Governo que Não Foi...
O curto governo de Jânio Quadros foi marcado por contradições e curiosidades. As
eleições presidenciais de 1960 foram o marco inicial da associação entre eleições e
televisão na campanha presidencial com a inserção de um comercial de vinte e três
segundos na TV, em que um casal com um filho reclamava da carestia e aparecia uma
foto do candidato no final.
Jânio governou o país pela primeira vez do Planalto Central, Brasília foi efetivamente
ocupada pela máquina administrativa do governo federal em seu governo. Além disso,
JK inaugurou Brasília no dia 21 de abril de 1960, mas não se transferiu para Brasília.
Vídeo
Propaganda Comercial Brasil Ano 1960 Jânio Quadros
Rui Felten, para o site do PDT gaúcho, em sua curta apreciação sobre o governo de
Jânio Quadros nos apresenta como ele diz “um homem de hábitos um tanto esquisitos.
Costumava guardar sanduíches de mortadela nos bolsos e sujava o paletó de talco para
parecer caspa. Dizia que isso o tornava alguém mais comum e o aproximava dos
pobres”.
Entre as esquisitices oficiais, as proibições mais clássicas são: a rinha de galo e corrida
de cavalos em dias úteis; o uso de maiô nos concursos de misses e nas praias, além de
ter vetado a transmissão televisiva do concurso; proibiu o lança perfume nos
carnavais, mas regularizou o jogo de carteado.
O cineasta Silvio Tendler chegou a comentar, segundo Felten, que, ao se eleger um
estadista, o país ganhou um “delegado de costumes”, e aí mora outra contradição para
quem vigiava tanto o comportamento alheio, notabilizou-se por abusar da bebida.
Jânio Quadros - Propaganda política de 1960Jânio Quadros - Propaganda política de 1960
https://www.youtube.com/watch?v=LLdIzd0z0Bo
Sua promessa de campanha, notabilizada pela “vassourinha” contra a corrupção e a
imoralidade surtiu o efeito desejado. Então, Jânio se elegeu, aos quarenta e quatro anos
de idade, com uma votação recorde em eleições presidenciais no país; foram 5,6
milhões de votos, percentualmente, essa fatia representou 48,27% dos votos válidos.
Como estadista, suas contradições não eram menores do que como “delegado de
costumes”, anticomunista declarado, Jânio condecorou o comunista Che Guevara,
com a maior honraria concedida pelo Estado brasileiro, que é a medalha da “Ordem
Nacional do Cruzeiro do Sul”.
Figura 2
Fonte: Reprodução
Este tipo de “santinho”, em formato de selo, era vendido nas ruas pelos cabos
eleitorais do candidato e a renda dessas vendas utilizada no financiamento da
campanha do candidato. Este, especificamente, de Jânio da Silva Quadros, foi utilizado
em sua campanha eleitoral, quando foi eleito a presidente da República, em 3 de
outubro de 1960, com 5.636.623 votos.
Mas Jânio começou seu governo vinculado aos patrocinadores de sua campanha
eleitoral, o capital externo e os latifundiários, que o haviam apoiado, “algumas medidas
econômicas contribuíram para elevar o custo de vida, ao mesmo tempo [em] que
amarrava os salários e procurava anestesiar o povo com medidas de pura e farisaica
índole moralizante”, como nos exemplos citados anteriormente: proibição de rinha de
galo, uso de biquíni nas praias, entre outras perfumarias que não condiziam com o
cargo que ocupava.
Livro
Sociedade Brasileira: uma História
AQUINO, R. S. L. Sociedade brasileira: uma história. 4 ed. Rio de
Janeiro: Record, p. 621, 2005.
Leitura
O Populismo é uma Ameaça à Democracia?Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Mas quem é e de onde vem este político quase caricato? Jânio Quadros nasceu no
estado do Mato Grosso, na cidade de Campo Grande no ano de 1917, hoje atual capital
do estado do Mato Grosso do Sul, mas mudou-se, muito cedo, com os pais, Gabriel
Quadros, médico e engenheiro agrônomo, e a mãe dona Leonor da Silva Quadros, para
a cidade de Curitiba, capital paranaense, na qual iniciou seus estudos em colégios
públicos, com a mudança para São Paulo. Ele concluiu seus estudos no Colégio
Arquidiocesano Marista, graduando-se advogado pela Faculdade de direito da
Universidade de São Paulo.
Jânio exerceu a profissão de advogado até ingressar numa meteórica carreira política,
cumpriu o mandato de vereador na capital paulista pelo Partido Democrata Cristão na
legislatura 1948-1950, foi deputado estadual e líder de sua bancada durante os anos de
1951-1953, prefeito da capital paulista em 1953-1954 pela coligação PDC-PSB. Eleito
governador de São Paulo no ano de 1954 pelo PTN, procurou projetar sua imagem
nacionalmente, após sua curta passagem pela prefeitura, onde deixaria sua marca.
“Assumiu a prefeitura aos 36 anos e um dos seus primeiros atos foi
promover demissões em massa de funcionários, iniciando uma
cruzada moralizadora que marcou sua gestão. Em 1954,
desincompatibilizou-se do cargo para candidatar-se a governador do
estado de São Paulo. Vencendo as eleições, foi empossado governador
em 31 de janeiro de 1955. Desde o início do seu governo, procurou
ampliar seu espaço político no nível nacional, estabelecendo contatos
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9xr665p6l6o
Em seu governo, São Paulo foi um dos estados que mais se favoreceu com a política de
industrialização e concentração de crédito do governo federal de JK para tirar o país do
subdesenvolvimento em que estava imerso, mas isso não foi suficiente para Jânio se
alinhar à política de JK, permanecendo aliado à oposição udenista.
No período do governo janista, o estado de São Paulo favorecido pelas políticas
econômicas de JK, como já dissemos, teve uma elevação considerável no recebimento
de tributos, conseguindo diminuir o déficit público herdado de antecessores no cargo.
Era preciso ousar e JK ousou ao anunciar seu programa de governo – 50 anos de
progresso em 5 anos de realizações, com pleno respeito às instituições democráticas.
O Plano de Metas mencionava cinco setores  básicos da economia, abrangendo várias
metas cada um, para os quais os investimentos públicos e privados deveriam ser
canalizados. Os setores que mais receberam foram energia, transportes e indústria de
base, num total de 93% dos recursos alocados. Esse percentual demonstra por si só
que os outros dois setores incluídos no plano, alimentação e educação, não mereceram
o mesmo tratamento dos primeiros.
A campanha presidencial de Jânio Quadros se iniciou no ano de 1959, após se
desvincular do governo paulista (1955-1959) e receber o apoio de um grupo da capital
federal, que se intitulou Movimento Popular Jânio Quadros.
com o presidente João Café Filho. A aproximação entre ambos criou
condições mais propícias para o governo paulista realizar um trabalho
de recuperação financeira do estado.”
“A campanha para sucessão presidencial de 1960 foi realizada em um
quadro alterado pelas transformações econômicas e sociais ocorridas
Jânio Quadros apareceu, no cenário nacional, com possibilidades de ser um líder
carismático. Segundo Skidmore, “a atração de Jânio baseava-se na sua imagem como o
‘antipolítico’, o amador honesto que oferecia a possibilidade de uma transformação
radical em relação aos detentores do antigo estilo” capaz de se adaptar ao novo estilo
de um país moderno e urbano. Ainda de acordo esse mesmo autor, após governar São
Paulo, o estado que representava o novo Brasil, “parecendo querer salientar seu
desprezo pelos rótulos partidários, elegeu-se Deputado Federal como candidato do
PTB no Estado vizinho, o Paraná em 1958, no entanto, sua meta era a presidência e
nunca apareceu no Congresso”.
Desde 1946, o direito ao voto (direto) nas eleições era restrito apenas aos analfabetos e
menores de dezoito anos. As eleições para presidente e vice-presidente se davam de
forma separada.
Assim, o militar Henrique Teixeira Lott, candidato governista, ex-ministro que
garantiu a posse de JK, filiado inicialmente ao Partido Social democrático (PSD),
recebeu o apoio de uma coalizão de partidos da base do governo, como por exemplo, o
Partido Social Trabalhista (PST), o Partido Republicano Trabalhista (PRT), o Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB).
Uma característica marcante das eleições pré-internet, e pré-horário eleitoral
gratuito, foram os jingles, músicas simples e marcantes, que tentavam imprimir uma
marca ao candidato, para que este fosse lembrado pelos seus eleitores na hora da
votação.
durante o governo de Kubitscheck, cuja política desenvolvimentista
provocou um grande crescimento das cidades. No dia 20 de abril de
1959, um grupo reuniu-se na Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
no Rio de Janeiro e fundou o Movimento Popular Jânio Quadros
(MPJQ), lançando nessa ocasião a candidatura do ex-governador de
São Paulo à presidência, Jânio venceu as eleições de 3 de outubro de
1960. No mesmo pleito, João Goulart foi eleito vice-presidente.”
O candidato governista tinha o seguinte jingle: “De Leste a Oeste, de sul a norte, na
terra brasileira, é uma bandeira, o marechal Teixeira Lott”, seu vice-presidente João
Goulart também tinha seu jingle: “Na hora de votar, o meu Rio Grande vai jangar, é
Jango, é Jango, é Jango, pra vice-presidente, nossa gente vai jangar, é Jango, Jango, é o
João Goulart”. Esse jingle, em sua versão nacional, aparecia como “o brasileiro vai
votar” e variava de estado para estado da federação. Desse modo, João Goulart foi o
vice-presidente eleito.
Outro candidato na disputa presidencial, Adhemar Pereira de Barros, famoso por
receber grande quantidade de votos nas eleições que havia participado, defendeu o PSP
e não fez coligações para a disputa nacional. 
Adhemar era o então prefeito da capital do estado mais rico do país, São Paulo, estado
pelo qual já havia sido eleito governador, antes de Jânio Quadros. Seu jingle era “Desta
vez, vamos com Adhemar” repetido à exaustão, o jingle era bem simples, talvez para
facilitar a memorização da letra fácil pelo povo simples. Jânio Quadros não era o único
candidato a exibir um símbolo na campanha, a vassoura, Lott tinha uma espada e
Adhemar de Barros, um trevo como símbolos de campanha.
Jânio Quadros, como vimos acima, foi apoiado pela ABI que formou o grupo MPJQ, esse
viés populista era acompanhado pelo indefectível jingle:
Esse jingle aliado à fama de combatente da corrupção “grudou” na cabeça das pessoas,
junto com seu jeito bonachão, foi a fórmula da vitória. Jânio iníciou a campanha
“nânico” filiado ao PTN e com o apoio do seu antigo partido, o PDC, foi ganhando
“Varre, varre, varre, varre; Varre, varre, vassourinha; Varre, varre a
bandalheira; Que o povo já está cansado; De sofrer desta maneira;
Jânio Quadros é esperança; Desse povo abandonado.”
adesões de outros partidos como, por exemplo, o PR e o PL, partidos da República e
Libertador.
Finalmente, seu antigo apoiador, a UDN aderiu a sua campanha, os udenistas viam em
Jânio uma boa possibilidade de se ligar ao poder e Carlos Lacerda fez um apelo de
“aliança com o povo”. Essa foi uma fórmula para evitar mais uma derrota dos liberais
da UDN contra a “oligarquia do poder” que estava instalada na administração de JK.
Jânio Quadros, um outsider partidário, colocava-se de forma ambígua em relação a
Vargas, não se aliava às forças de oposição ao getulismo, mas também não aderia ao
estilo do ex-presidente e a seus seguidores. Essa característica para Skidmore é uma
complicação que acompanhava a carreira política do novo presidente da República.
Ao contrário do carismático Jânio, o candidato governista Lott era “umcandidato
fraco, sem experiência política e sem nenhum charme pessoal – um fato que a antiga
linha do PSD e PTB, assim como a dos intelectuais nacionalistas, logo verificaram”.
O candidato vencedor “prometia uma democracia honesta e digna, mas também
comprometia a assegurar uma rápida taxa de desenvolvimento econômico que
atingiria setores anteriormente negligenciados, como a agricultura, educação e
saúde”, assegurou também um rígido controle da inflação, que, no último governo,
assombrava a população.
Tudo isso Jânio prometia em seus discursos e comícios, que foram muitos – esse
artifício de campanha também foi realizado por todos os candidatos – um país
independente e soberano, não excluindo a fórmula neoliberal,  assegurava os
investimentos estrangeiros e não fez plano de metas como no governo JK, o
nacionalismo também não era meta de Jânio, hipótese confirmada em um discurso
depois de eleito.
Para Aquino, o discurso de Jânio Quadros sinalizava para uma política internacional
independente, livre de amarras da Guerra Fria e do alinhamento automático com a
política Americana. Com esse discurso, o governo iniciava sua política internacional,
buscando reatar as relações com os países socialistas como, por exemplo, a China e a
União Soviética, além de ter enviado uma missão diplomática para a ex-Alemanha
Oriental, a diplomacia brasileira também rompia com diretrizes anteriores como, por
exemplo, apoiar a admissão da China na ONU.
“Atravessamos horas das mais conturbadas que a humanidade já
conheceu. O colonialismo agoniza, envergonhado de si mesmo (...) ao
Brasil cabe estender as mãos a esse mundo jovem, compreendendo-
lhes os excessos ou desvios ocasionais (...) compreender significa
auxiliar no que for possível e no que for preciso (...) abrimos nossos
braços a todos os países do continente. Abrimo-lo, também, às velhas
coletividades europeias e asiáticas, sem prevenções político-
filosóficas (...) os nossos portos agasalharão os que conosco queiram
comerciar (...) Temos plena consciência da nossa pujança para que nos
arreceemos de tratar com quem quer que seja (Discurso, 1 de fevereiro
de 1961, Programa a Voz do Brasil ao vivo).”
“Contudo, a recepção calorosa a Fidel Castro e a condecoração de Iuri
Gagárin, astronauta soviético, de Ernesto Che Guevara e de
integrantes de missão soviética em visita ao Brasil foram atos
concretos desencadeadores de crescente oposição interna. Violentos
pronunciamentos de civis, militares e eclesiásticos assemelhavam-se
à verdadeira cruzada anticomunista (...) Jânio foi então convidado a
optar claramente por um dos dois blocos. Sofreu nesse sentido
A Guerra Fria, que teve seu início logo após a Segunda Guerra Mundial (1945) e a
extinção da União Soviética (1991) é a designação atribuída ao período histórico de
disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética,
disputando a hegemonia política, econômica e militar no mundo. É chamada “fria”
porque não houve uma guerra direta entre as superpotências, dada a inviabilidade da
vitória em uma batalha nuclear.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Ao contrário da independência que propagava na política externa, o governo de Jânio
adotou uma posição de submissão às diretrizes do Fundo Monetário Internacional
(FMI), na política interna, para Aquino, a indicação dessa submissão está no fato da
Leitura
Guerra Fria
pressão de diplomatas norte-americanos, devido a sua resistência em
apoiar o bloqueio a Cuba. Essa posição chegou a envenenar as relações
com os Estados Unidos.”
https://www.sohistoria.com.br/ef2/guerrafria/
indicação de Clemente Mariani, político baiano, defensor dos capitalistas brasileiros e
estrangeiros, no comando do Ministério da fazenda.
A desvalorização da moeda brasileira, que passou de 90 para 200 cruzeiros em relação à
moeda americana, reduziu as reservas governamentais, restringiu o crédito e o
estímulo à exportação, além de conter os salários. Todas essas medidas visavam o
controle da inflação, segundo diretrizes monetaristas do FMI, “mesmo nos primeiros
meses de governo persistia a impressão de que a verdadeira diretriz de sua gestão
ainda não havia sido definida (...) qualidade equívoca ou ambígua da Presidência (...)
aspectos com o quais concordavam seus críticos”.
Mais uma vez em seu governo, Jânio Quadros descontentava mais um segmento da
população brasileira, embora estivesse agradando os círculos financeiros
internacionais, que favoreceu acordos de refinanciamento da dívida externa brasileira
com banqueiros norte-americanos, o governo continuou cedendo à pressão neoliberal
que determinava a total liberação do câmbio, obedecida pela instrução n. 208 do
SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito). Houve o aumento do pão e dos
transportes, causado pelo corte dos subsídios para o petróleo e o trigo, a
impopularidade do governo de Jânio quadros só aumentava com tantas medidas
impopulares.
O aspecto interessante para o capitalismo internacional, mas não para a população foi
que a austeridade aplicada nos primeiros meses de governo propiciou no mês de junho
(1961) uma “vitória” para o governo brasileiro na negociação com os credores
estrangeiros; se é que podemos chamar de vitória o endividamento do país!
Com isso, o Brasil conseguiu novo empréstimo, o montante bateu na casa dos 2
bilhões de dólares, “incluindo 300 milhões para novos financiamentos, juntamente
com a consolidação e extensão da grande dívida, a curto prazo, com os Estados Unidos
e os bancos europeus (o clube de Haia)”. Esse “sucesso” foi mais um esforço do
governo Kennedy para cooptar Jânio Quadros para o lado americano do que méritos da
política de austeridade do governo brasileiro.
No plano político interno, o presidente não contava com uma base de apoio à sua
administração heterodoxa, “O PSD e o PTB dominavam o Congresso. Lacerda passara
para a oposição, martelando suas críticas a Jânio com a mesma veemência com que o
apoiara (...) o presidente agia praticamente sem consultar a liderança udenista no
Congresso”.
Outro motivo de desconfiança da direita brasileira era a “simpatia” do presidente pela
reforma agrária. Afinal de contas, no ano anterior, Jânio visitou Cuba e expressou certa
simpatia ao governo de Fidel, o qual era um fantasma para os anticomunistas
brasileiros. Salienta-se que a situação estava ficando insustentável para a maneira
independente dos partidos que Jânio estava acostumado a governar.
Acima, reportagem da Folha de São Paulo e o bilhete de renúncia Jânio Quadros que diz:
“Na noite de 24 de agosto de 1961, Lacerda – que tinha sido eleito
governador da Guanabara – fez um discurso, transmitido pelo rádio,
denunciando uma tentativa de golpe janista articulado pelo ministro
da Justiça Oscar Pedroso Horta. Estranhamente, teria sido convidado a
aderir a ele. Pedroso Horta negou a acusação. Logo no dia seguinte,
Jânio renunciou à presidência da República, comunicando a decisão ao
Congresso Nacional.”
Figura 3
Fonte: Reprodução
Figura 4
Fonte: Reprodução
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
João Goulart: é Crime Contrariar as Elites no Brasil
Leitura
Carta de Renúncia de Jânio Quadros (1961)
“Ao Congresso Nacional
Nesta data e por este instrumento, deixando com o Ministro da
Justiça, as razões do meu ato, renuncio ao mandato de Presidente da
República.
Brasília, 25/08/1961.”
“Durante os cinco meses que transcorreram entre janeiro e junho de
1963, o conflito político continuou a polarizar-se em torno dos
extremos. A partir de 1945, a política nacional, que fora em grande
https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-60-anos-congresso-aceitou-renuncia-e-abortou-golpe-de-janio-quadros
Abrindo aspas para citar a oportuna frase Karl Marx, “a história se repete, a primeira
vez como tragédia e a segunda como farsa”, na análise crítica de Skidmore citada
anteriormente, havia um perigoso jogo de interesses naquele contexto e paradefender
seu status quo, a elite arrastou o país para um “Colapso Democrático (1963-1964)”.
Diante desse contexto, os brasileiros das classes média e baixa da população sofreram
as consequências, mas a elite parece não ter aprendido a lição, estamos revivendo o
mesmo pesadelo com as constantes manipulações da “Grande Imprensa”.
- SKIDMORE, 1969, p. 308
parte o jogo particular de uma elite restrita, começou a ser invadida
por líderes populistas. O êxito de Adhemar de Barros, Getúlio Vargas,
Jânio Quadros, João Goulart e Leonel Brizola fundamentou-se numa
participação popular cada vez maior, apesar de mal organizada, na
política. Embora as classes sociais tivessem consciência apenas de
maneira ocasional e incompleta de seu papel político, os apelos diretos
aos interesses classistas e setoriais tornaram-se mais frequentes (...)
o rápido aumento do número de eleitores e a crescente participação
política diminuíram o raio de ação das operações da elite.”
“A grande imprensa, como o próprio nome sugere, trata-se de um
termo utilizado para definir veículos de comunicação de amplo alcance
e audiência. Na prática, refere-se à mídia de massa.
A expressão é utilizada para designar os maiores meios de
comunicação. Isso inclui, mídia impressa, redes de televisão, estações
Para entender o que se passava no Brasil, é preciso sinalizar as disputas políticas
internacionais na década de 1960, que eram frutos do pós-guerra (1945). Afinal, o ano
de 1961 foi bastante conturbado na política brasileira!
Segundo Aquino, no Brasil, houve “o colapso do populismo” no governo de João
Goulart, na década de 1960, a Guerra Fria arrefeceu, mas isso não significou a oposição
capitalismo versus comunismo. No mundo comunista, aconteceu a ruptura entre a
China e a União Soviética, e, consequentemente, a formação de dois blocos comunistas
cada qual com sua visão de como se chegar ao socialismo. 
A França derrotada na Guerra da Argélia (1962) desatrelou sua política externa das
diretrizes capitalistas dos norte-americanos. Com isso, ocorreu também uma ruptura
no mundo capitalista. 
A França presidida pelo general Charles De Gaulle retirou-se da OTAN (Organização do
Tratado do Atlântico Norte) e da já extinta OTASE (Organização do Tratado do Sudeste
Asiático), para ter mais autonomia de barganhar com outros mercados externos, para
além dos aliados restritos aos tratados de cooperação de defesa.
Os países do continente americano se prenderam ainda mais às diretrizes neoliberais
dos norte-americanos com a eleição do presidente americano John F. Kennedy no ano
- Fonte: https://bit.ly/3Uz9SBF
de rádio e mídias online. Contudo, não há, ainda, uma regra ou critério
definido entre entidades, pesquisadores e players do setor para um
veículo ser definido dessa forma.
Mesmo com o avanço tecnológico e a chegada de outros canais de
comunicação em massa, os tradicionais veículos da grande imprensa
destacam-se até hoje. Isso porque essas empresas registram notável
penetração junto à população.”
https://bit.ly/3Uz9SBF
de 1961 que por meio de recursos financeiros impôs aos países da América Latina
fortes amarras à sua política.
O “apoio” financeiro e o treinamento dos exércitos dados à América Latina trouxeram
consequências drásticas para a região, entre elas a enxurrada de uma ditadura que
visava uma luta insana contra o comunismo e a defesa da ideologia capitalista dos
Estados Unidos.
Neste contexto, desenvolveu-se e teve fim o último governo democrático no Brasil, na
década de 1960, antes do Golpe Militar. A desconfiança foi a tônica do governo de João
Goulart desde a sua posse até o último dia com o Golpe Militar (apoiado por
empresários, como as Comissões da Verdade nos mostram na atualidade).    
Havia no país um clima de tensão com a atitude do ex-presidente, primeiro pela
incredulidade com que foi recebida a renúncia de Jânio Quadros, e, depois, a tentativa
de violação da carta constitucional que garantia posse automática ao vice-presidente
no caso de cargo vacante, setores militares desconfiavam da suposta tendência
comunista de Jango, devido ao seu apego a setores do sindicalismo brasileiro (AQUINO,
2005, p. 252-366), mas
Neste ínterim, Ranieri Mazzilli, presidente da câmara dos Deputados, assumiu
provisoriamente a presidência da república. João Goulart estava em viagem de visita à
China e aproveitando a oportunidade de perpetrar um golpe, os Ministros Militares de
Jânio Quadros tentaram impedir o regresso do futuro presidente, alegando motivos de
“segurança nacional”. Faziam parte do ministério: General Odílio Denys, da Guerra;
Almirante Sílvio Heck, da Marinha e o Brigadeiro Grün Moss, da Aeronáutica. 
A atitude dos Ministros Militares não era unanimidade, no III Exército, situado no Rio
Grande do Sul, o comandante, general Machado Lopes, declarou seu apoio à posse de
João Goulart.
Outro importante ator dessa movimentação pró-Jango foi Leonel Brizola que
promoveu manifestações em Porto Alegre. Os manifestantes foram ameaçados pelo
Ministro da Marinha que prometeu enviar navios de guerra para o Sul, mas Leonel
Brizola respondeu que afundaria os navios. A solução foi um remendo mal feito à carta
Constituinte.
- SKIDMORE, 1969, p. 253
“A Constituição de 1946 não deixava dúvidas sobre o procedimento a
seguir no caso de vagar a presidência. O artigo 79 declarava
simplesmente que o vice-presidente substitui o Presidente. Apesar
desta clara disposição, o problema da posse de Goulart levantou
imediatamente um violento debate. Somente após uma crise de dez
dias, incluindo a ameaça de uma guerra civil e de uma emenda
constitucional, estabelecendo um governo parlamentarista, instalou-
se o vice-presidente no palácio presidencial.”
A preocupação dos militares fundamentava-se não propriamente na pessoa de Jango,
mas nas articulações políticas dos novos atores sociais que foram se mobilizando a
partir da década de 1950. 
Outro fato desconcertante para os militares:
- FAUSTO, 2002, p. 443
- SKIDMORE, 1969, p. 258-259
“Afinal, o Congresso adotou uma solução de compromisso. O sistema
de governo passou de presidencialista a parlamentarista e João Goulart
tomou posse, com poderes diminuídos, em 7 de setembro de 1961.
Desse modo, o parlamentarismo, proposto por muitos como uma
fórmula capaz de dar maior flexibilidade ao sistema político, entrou
em vigor pela porta dos fundos. Utilizando como simples expediente
para resolver uma crise, não poderia durar muito, como de fato não
durou.”
“A renúncia de Jânio fora tão inesperada que apanhara desprevenidos
os militares antigetulistas (...). Unidas as Forças Armadas poderiam
ter imposto uma solução política impopular. Divididas, nunca
poderiam vencer.”
Setores da sociedade esquecidos pelos governos populistas estavam agora mais bem
articulados e reivindicando seus direitos sociais. Esses novos atores ganharam um
pouco mais de visibilidade. Entre esses atores, podemos citar os camponeses, os
estudantes, os operários e a própria igreja Católica que vinha se reestruturando
internamente e fazendo mais a opção pelos marginalizados do que defendendo sua
velha tendência de se aliar às elites. 
No final da década de 1950 e início da década de 1960, esta tendência de defesa da
justiça social se aprofundou com a eleição do papa João XXIII (1958-1963). Para ter
noção da importância desse papa, ele convocou o Concílio Vaticano II contra a vontade
dos cardeais da Cúria Romana.
Naquele contexto, o papa era o que está sendo o papa Francisco na atualidade, um
combativo contra as regalias das elites, inclusive dentro da própria igreja, Jango cita o
papa em seus discursos em defesa da justiça social e da revisão da carta constitucional.
- SKIDMORE, 1969, p. 349
“(...) a necessidade de reforma agrária: 'não creio ser chamado de
subversivo pelo fato de proclamar a necessidade de revisão da
Constituição que não atende mais aos anseios do povo. Essa
Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura
socioeconômicajá superada, injusta e desumana'. Invocou a
autoridade do Papa João XXIII e do General MacArthur, em apoio da
ideia de uma reorganização completa da estrutura rural agrária, que
tão necessária também se fazia para 'aumentar e melhorar o mercado
interno'.”
Mas, para chegar ao ponto de fazer as propostas citadas por Skidmore, Jango precisava
ter “plenos poderes” que só o sistema presidencialista poderia lhe dar, junto com sua
bancada de apoio político. Enquanto isso, ele governou com poderes restritos no
sistema parlamentarista. O seu primeiro gabinete foi chefiado pelo político mineiro
Tancredo Neves, ex-ministro da justiça de Getúlio Vargas (1954). O maior número de
ministérios ficou nas mãos do PSD e apenas dois com a UDN. 
Jango, em seus primeiros meses no comando do país, seguiu uma linha mais
moderada, demonstrando, inclusive, certo distanciamento dos comunistas e se
aproximando da linha “democrática” riscada pelos Estados Unidos. Então, ele visitou
os norte-americanos e falou no Congresso. 
Nessa viagem, Jango obteve recursos para ajudar os estados nordestinos. Mas
procurou se articular para antecipar o plebiscito, previsto para 1965, em que se
definiria pelo voto popular o sistema de governo do país. 
O Brasil precisava de reformas de base. Assim, para a base aliada, apenas um presidente
com plenos poderes poderia estabilizar o país. Nisso, a cúpula militar concordava e
inclinava-se por um Poder Executivo forte. 
As eleições de 1962 estavam se aproximando. Com isso, vários políticos se afastaram
dos seus cargos para concorrer às eleições estaduais e a Câmara Federal. Tancredo
Neves deixou o cargo de primeiro-ministro. Para o cargo, primeiro foi indicado e
rejeitado o nome de San Tiago Dantas, responsável pelo ministério do exterior.
Santiago optou pela neutralidade no caso cubano descontentando a direita, o Brasil
não apoiou o embargo americano a Cuba. Foi, então, indicado o nome do presidente do
Senado Auro de Moura Andrade, também rejeitado.
A indicação de Moura Andrade provocou a primeira greve política do período. Dessa
forma, foi decretada greve geral para o dia 5 de julho com uma duração de 24 horas,
reivindicando um gabinete nacionalista. 
A paralisação afetou, sobretudo, os transportes, docas, ferrovias e refinarias da
Petrobrás. No geral, a adesão concentrou-se nas empresas estatais ou nas que estavam
sob o controle do governo.
Em várias regiões, o Exército apoiou os grevistas, no Rio de Janeiro com o
oposicionista Lacerda no governo houve ameaça de repressão à greve. O I Exército deu
cobertura aos grevistas e frustrou o governo carioca. 
No final, ocorreu a indicação do político gaúcho do PSD, Brochado da Rocha, a quem
coube propor ao Congresso a antecipação do plebiscito para o mês de janeiro de 1963.
Jango conseguiu o que queria: o sistema presidencialista. Portanto, saiu-se vencedor
do plebiscito.
O presidente do Senado Auro de Moura Andrade iniciou sua carreira filiado à UDN
(1947), elegendo-se deputado estadual para a Assembleia paulista. Depois, elegeu-se
deputado federal no ano de 1950 e transferiu-se para o PDC (1952). Em 1954,
ingressou no PTB e no mesmo ano foi para o PTN, elegendo-se Senador, transferiu-se
para o PSD. Em 1961, chegou à vice-presidência do Senado, após ter sua indicação
rejeitada para assumir o cargo de Primeiro-Ministro. Além disso, elegeu presidente do
Senado (1962) e foi se colocando cada vez mais na oposição ao governo de Jango;
conseguiu se reeleger nos anos de 1963 e 1964. 
No dia 19 de março de 1964, Moura Andrade participou em São Paulo da Marcha da
Família com Deus pela Liberdade e chegou a declarar, no dia 15 de março do mesmo
ano, que as relações entre o Legislativo e o Executivo estavam praticamente cortadas.
“No dia 30, após a solenidade em homenagem ao presidente
organizada pelos sargentos na sede do Automóvel Clube do Brasil,
lançou um manifesto no qual fazia um apelo às forças armadas para
que restabelecessem a ordem constitucional e defendessem a
democracia. No dia seguinte, Goulart foi deposto pelos militares. Em 2
Para Skidmore, não é totalmente correto afirmar que não havia fidelidade partidária
quando Jango obteve plenos poderes no ano de 1963, apesar da instabilidade partidária
de Moura Andrade que passou do apoio à oposição ao governo de Jango, em pouco
mais de dois anos.
Havia muito trânsito de um partido para o outro, mas a observação de Skidmore diz
mais respeito ao presidente, que se declarava herdeiro do “sistema” de Getúlio, e que
eram os beneficiários deste “sistema” os que primeiro haviam organizado os três
maiores partidos, o PTB, PSD e a UDN. 
Existiam também muitas coalizões para as eleições, principalmente para o Congresso;
dos 409 eleitos para a Câmara dos Deputados em novembro de 1962, houve 193 eleitos
em cédulas de coalizão, “alianças estas que se fizeram com propósitos eleitorais e sem
nenhuma implicação de consciência partidária, na atividade política que se seguia às
eleições” (SKIDMORE, 1969, p. 279-285).
- Fonte: https://bit.ly/3w1LyfN
de abril, Moura Andrade declarou vaga a presidência. Ranieri Mazzilli,
presidente da Câmara dos Deputados, foi empossado interinamente no
cargo, mas o poder efetivo ficou nas mãos do Comando Supremo da
Revolução, formado pelos ministros militares que, em 9 de abril,
promulgou o Ato Institucional nº 1 (AI-1). Além de suprimir as
garantias constitucionais e permitir a suspensão de direitos políticos e
a cassação de mandatos, o AI-1 fixava ainda a eleição, pelo Congresso,
para presidente e vice-presidente da República. Moura Andrade
disputou a vice-presidência, mas foi derrotado. A presidência coube ao
general Humberto Castelo Branco.”
https://bit.ly/3w1LyfN
Saiba Mais
Parlamentarismo: caracterizado por ter todo o poder concentrado no
Parlamento, que é, de fato, o único poder, e ainda caso o governo
executivo discordar do Parlamento, a maioria dos deputados dissolve
esse governo. A Justiça não se opõe ao Parlamento, até porque, em um
sistema parlamentarista puro, a Constituição não é rígida: se uma lei
for considerada inconstitucional, o Parlamento pode alterar a
Constituição. No Reino Unido, o exemplo mais puro de
parlamentarismo, não há sequer uma Constituição escrita.
Presidencialismo: personificado no presidente, com prazo definido,
nesse regime, há três poderes: o Executivo, o Legislativo e o
Judiciário, exercidos, respectivamente, pelo presidente da República,
pelo Parlamento (no caso do Brasil, o Congresso Nacional) e pelo
Supremo Tribunal ou Corte Suprema. Toda a concepção do
presidencialismo baseia-se na harmonia desses três poderes, sendo
que nenhum pode impor-se ao outro ou tentar superar os demais, e
para manter esse equilíbrio, há um sistema de freios e contrapesos
pelo qual um poder controla o outro e cada um depende dos outros
dois. Em um regime presidencialista, o Legislativo pode ser exercido
apenas pela Câmara dos Deputados (sistema unicameral) ou por duas
casas, a Câmara e o Senado (sistema bicameral).
Com a vitória do presidencialismo, Jango ainda tinha um mandato à frente para
cumprir e tratou de agir da melhor forma possível para sanar os problemas da nação
dentro das possibilidades que dispunha.
Então, o presidente tratou de formar um grupo com técnicos e políticos importantes da
esquerda moderada para fazer parte de seu ministério, agora como presidente com
“plenos poderes”, como era seu desejo. 
No grupo, estava Celso Furtado, representante da nova geração de políticos que
queriam mudanças rápidas nas estruturas do país, ex-dirigente da SUDENE, era
considerado pela esquerda um tecnocrata dinâmico que se esforçava para reverter a
miséria enfrentada pelo Brasil na sua maior área de pobreza: o nordeste do país. Sua
escolha para o Planejamento Econômico era para conter a inflação e diagnosticar as
prioridades econômicas. 
Para o Ministério da fazenda, foi escolhido outro representante da esquerda moderada,
San Tiago Dantas. O problema é quenenhum dos dois tecnocratas tinha uma base
política forte.
Celso Furtado preferiu participar da intelectualidade em que exercia sua influência,
mas San Tiago se filiou ao PTB mineiro e tentava angariar respeito dentro do partido,
intelectual sua inclinação do centro para a esquerda moderada poderia ter lhe sido útil
nos momentos difíceis que o governo iria enfrentar. 
Mas, nas eleições de 1962, San Tiago não se destacou eleitoralmente nem em seu
estado; portanto, não teve ascendência política sobre os caciques da política nacional e
pouco pode fazer nos momentos mais difíceis enfrentados por Jango em 1964. 
A esquerda radical estava representada no ministério de Jango na figura do político
Almino Afonso, Ministro do Trabalho, “conhecido por tolerar os esquerdistas radicais
e a infiltração comunista no movimento sindical. A presença de Almino Afonso era o
indício de que Jango pretendia praticar um duplo jogo político (...) tencionava fortalecer
o poder do dispositivo sindical” (SKIDMORE, 1969, p. 287). Seu jogo era ambicioso:
pretendeu aprofundar o programa de estabilização iniciado por Jânio em 1961 e ainda
fazer um programa de “reforma de base”.
Para Skidmore, o apoio militar naquele contexto era fundamental para qualquer
governo e Jango parecia tê-lo. Com a continuidade do Ministro da Guerra, o General
Amauri Kruel, em seu primeiro gabinete, o presidente buscou formar uma base de
apoio de sua confiança. Para isso, nomeou militares pro-Jango, importantes como, por
exemplo, os Generais Osvino Alves e Jair Dantas Ribeiro, mas...
A ênfase dada por Jango às Reformas de base começou a criar incômodo nas elites, elas
não pretendiam abrir mão de seu status quo para favorecer as reformas destinadas às
- SKIDMORE, 1969, p. 287-289
“O interesse de Jango pelo dispositivo sindical e pelo dispositivo
militar foi considerado pelos seus antigos inimigos como uma prova
de que planejava utilizá-los como fonte de apoio para uma manobra
presidencial, tendo em vista uma liderança de forças
extracongressionais. Tal possibilidade se ocultava na retaguarda,
enquanto Jango iniciava sua experiência com a esquerda positiva (...)
desde o início de sua presidência em 1961, Jango insistia sobre a
necessidade de “reformas estruturais” no Brasil (...) tais como
educação e habitação (...) modificações do sistema fiscal e da estrutura
agrária, sugeria que para realizar esta última, necessitava de uma
emenda constitucional, de vez que a constituição de 1946 exigia que a
expropriação da terra fosse previamente compensada por uma rápida e
adequada indenização.”
classes média e baixa da população. 
Jango pretendia alcançar alguns objetivos com as reformas de base. Com a reforma
agrária, atacava o sistema arcaico do campo que impedia maior eficiência dos meios
produtivos.
Havia também as reformas administrativas, fiscal e financeira, entre outras, mas
todas, de certa forma, exigiriam “sacrifício” da elite, que não estava disposta a ceder.    
   
Ao tocar na urgência das reformas, “sob o pretexto de que os frutos do crescimento
econômico já alcançado deveriam ser distribuídos de maneira mais equitativa, tirando,
assim, do setor ‘privilegiado’ seus lucros ‘antissociais’ como meio de ajudar os
cidadãos menos privilegiados” (SKIDMORE, 1969, p. 289).
Ao perceber os temores das classes privilegiadas, os opositores de direita capitalizaram
esse temor, eles que já haviam feito oposição à posse de João Goulart após a renúncia
de Jânio Quadros, passaram a conspirar para depô-lo.
San Tiago e Celso Furtado já previam as dificuldades que o Plano Trienal enfrentaria
devido às medidas impopulares que o governo deveria impor à elite como “aliviar o
sacrifício aos setores mais pobres, aumentando a tributação dos ricos. O primeiro
passo foi executar uma lei de reforma fiscal votada pelo Congresso em fins de 1962”
(SKIDMORE, 1969, p. 291).
Mas o ajuste nas taxas de câmbio e o fim do subsídio à importação do trigo e do
petróleo fez o custo de vida se elevar. San Tiago recorreu aos estados Unidos para
conseguir renegociar a dívida externa, depois pretendia ir à Europa renegociar com os
credores europeus e, por fim, fechar acordos financeiros e comerciais coma União
Soviética e Europa Oriental. 
Essa tática enfraqueceu o apoio da esquerda ao governo de Jango que acusou San Tiago
de estar vendendo o país aos americanos. Os nacionalistas de esquerda também
acusavam o governo, na pessoa de San Tiago, de ser fraco diante dos americanos. 
O governo chegou a pensar em romper com as ajudas externas e mobilizar os
nacionalistas em uma cruzada para vencer a crise financeira, mas, para isso, precisaria
haver coesão política no país. Além do mais, o nacionalismo brasileiro era superficial
para sustentar um projeto grandioso como o que seria necessário para tirar o país do
atoleiro que estava. 
Outro risco, segundo Roberto Campos, embaixador em Washington, seria a “esquerda
negativa” de Brizola assumir o poder. O governo americano não cedia à pressão
brasileira por mais crédito. Então, a situação no país se tornava mais crítica, a inflação
não arrefecia, o governo era duramente criticado. San Tiago deixou o Ministério da
Fazenda e assumiu o posto o ex-governador de São Paulo Carvalho Pinto, uma figura
conservadora. 
A inflação estava corroendo os salários, a proposta de aumento enviada ao Congresso
pelo governo não satisfazia os militares, “em fins de maio, um grupo de oficiais enviou
a Jango uma mensagem minuciosa, protestando contra o baixo nível dos vencimentos
dos oficiais (...) um segundo tenente do Exército recebia somente o mesmo que um
ajudante de cozinha da Marinha” (SKIDMORE, 1969, p. 296). Em comício, um
sargento atacou o FMI e as forças imperialistas que impediam o desenvolvimento do
país e as “reformas de base”. 
O general Osvino Alves de inclinação esquerdista não disfarçava seu apreço pelos
estudantes da UNE e pelos sindicalistas como, por exemplo, Dante Pelacani. O ministro
da Guerra mantinha uma posição centrista, ordenando que o militar que se expôs no
comício fosse castigado de acordo com a disciplina militar, mas o general Osvino se
opôs à ordem de seu colega. 
Havia profundo desacordo entre os oficiais, colocando Jango em situação delicada. O
governo enfrentava problemas de todas as ordens: institucionais, político, social e
econômico.
A situação estava cada vez mais crítica, não havia consenso entre os vários
seguimentos da sociedade para fazer as reformas necessárias para se estabilizar
política e economicamente o país; os golpistas de direita ganhavam corpo.
Leonel Brizola assumiu o controle da rádio Mayrink no Rio de janeiro em 1963 e lançou
o semanário “o Panfleto” a fim de organizar grupos de resistência por todo o país na
tentativa de evitar um golpe da direita, tentou também auxiliar o governo a convocar
uma assembleia constituinte e a fazer a moratória da dívida externa. 
A tentativa de se resolver os conflitos de forma democrática foi ficando cada vez mais
de escanteio. Entre os militares, crescia a oposição ao Jango, fortalecendo os
partidários de uma “intervenção defensiva” contra as imposições do governo.
- FAUSTO, 2002, p. 456-457
“O plano econômico dependia da colaboração dos setores que
dispunham de voz na sociedade. Essa colaboração mais uma vez
faltou. Os beneficiários da inflação não tinham interesse no êxito das
medidas; os inimigos de Jango desejavam a ruína do governo e o
golpe; o movimento operário se recusava a aceitar restrições aos
salários; a esquerda via o dedo do imperialismo por toda parte. Os
credores externos mostravam-se reticentes (...) No campo, os
proprietários rurais que encaravam a reforma agrária como uma
catástrofe pessoal começaram a se armar (...) por outro lado, o
movimento das Ligas [camponesas], a sindicalização rural e a invasão
de terras ganharam ímpeto. A opção por iniciativas à margem da
legalidade se reforçou (...) A esquerda do PTB, com Brizola à frente,
queixava-se das vacilaçõesde Jango na área das reformas sociais e das
relações com o imperialismo.”
Engrossava a fileira dos descontentes o chefe do Estado Maior do Exército, o general
Castelo Branco. 
Existiu uma conspiração de sargentos contra a decisão do STF que proibiu a eleição de
sargentos. Jango começou a tomar medidas de exceção, após uma rebelião no campo,
tentou decretar estado de sítio por trinta dias, a medida desagradou a direita e a
esquerda. 
Houve uma grande greve operária em São Paulo, em outubro de 1963, que reivindicava
aumentos salariais e não estava atrelada a motivos exclusivamente políticos.
Após alguns dias de paralisação, os operários alcançaram 80% de aumento salarial,
mas não conseguiram unificar os futuros acordos salariais por meio de negociações
entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e a FIESP. O aumento
rapidamente desfeito pela inflação foi capitalizado pelos partidários de um golpe; essa
seria a prova de que Jango estaria levando o Brasil para o precipício. 
No início de 1964, buscando apoio entre os sindicalistas e os militares, Jango passou a
“governar” por decreto e por intermédio desse mecanismo tentou realizar as reformas
de base. 
Outra tentativa de demonstração de força do governo foi reunir grandes multidões em
atos para anunciar as reformas. O primeiro grande ato marcado para o dia 13 de março
de 1964 que passou para a história como “Comício da Central”, realizada na Praça da
República, em frente à estação de trens Central do Brasil no Rio de Janeiro reuniu cerca
de 150 mil pessoas, sob a proteção do I Exército para ouvirem os discursos de Brizola e
Jango.
Jango anunciou, nesse comício, a desapropriação das refinarias de petróleo que não
estavam sob o controle da Petrobrás e a desapropriação de terras que estivessem
subutilizadas para fazer reforma agrária. Havia, ainda, no pacote de reforma, uma
menção à reforma urbana, ao voto dos analfabetos, à mudança nos impostos e direito
ao voto aos quadros inferiores das forças Armadas. 
Desde o início de seu governo, Jango enfrentou grande oposição dos anti-getulistas
tradicionais, “chocados com a súbita renúncia de Jânio em 1961, mas impossibilitados
de impedir a posse de Jango (...) caíram num desespero que lembrava seu mal-estar
após a eleição de Juscelino em outubro de 1955” (SKIDMORE, 1969, p. 274). Havia
também uma forte movimentação das elites por meio da imprensa que pedia a
intervenção dos Militares, isso quando não estavam diretamente ligados aos militares
anti-Jango.
Desde o governo democrático de Getúlio (1951), os Estados Unidos se incomodavam
com a insistência da política nacionalista de parte dos políticos brasileiros instalados
principalmente na PSD e no PTB. Mesmo com Jânio Quadros no poder, a tendência
nacionalista não desapareceu do quadro governista, sem contar que a política janista
não era totalmente atrelada aos interesses das grandes empresas norte-americanas,
- SKIDMORE, 1969, p. 274 
“Em princípio de 1962, estes líderes anti-Jango começaram a
conspirar para derrubar o presidente. Entre os militares eram
representados, por exemplo, pelo antigo Ministro da Guerra Denys e
pelo antigo ministro da Marinha, Heck, assim como generais tais
como Cordeiro de Farias e Nelson Melo. Seu principal chefe civil era
Júlio de Mesquita Filho, proprietário do influente jornal O Estado de
São Paulo. Em 1961, estes conspiradores já trocavam ideias quanto à
natureza do regime “discricionário” que seria necessário implantar
após derrubar Jango. Os radicais anti-Jango tinham uma conhecida
reserva de doutrinas antidemocráticas às quais recorrer. Como
haviam alegado em 1950 e em 1955, pretendiam que não se podia
confiar no eleitorado brasileiro.”
Jânio se abriu ao mundo comunista comandado pela União Soviética e China. O
governo dos getulistas JK e Jango foi sabotado desde o início pelos militares e pela elite
anticomunista brasileira. 
Os militares já estavam bastante fortalecidos desde o final da Segunda Guerra, os
grupos se dividiam entre oficiais nacionalistas, partidários do monopólio de
exploração do petróleo e o grupo de oficiais treinados pelos norte-americanos, que
advogavam a livre iniciativa econômica e a defesa da instalação de multinacionais no
país. Esse último grupo prevaleceu dentro das Forças Armadas se aliando à UDN. 
Segundo Fabio Konder Comparato, “o suicídio de Getúlio foi, na verdade, um golpe de
mestre, que adiou por dez anos a mudança do regime político (...). Embora derrotadas
pelo inesperado golpe do suicídio, as Forças Armadas permaneceram em estado de
constante agitação” (COMPARATO, 2014, p. 14).
Houve a tentativa de golpe dos militares antes da posse de JK, graças à intervenção do
general Lott, o presidente assumiu legitimamente seu cargo. Uma vez empossado,
Juscelino tomou a resolução de organizar o indispensável apoio militar em torno do
seu governo. 
Apesar desse empenho em articular seu governo com os interesses das Forças
Armadas, o governo de JK não conseguiu afastar a ameaça militar de seu governo. Em
1956 e 1959, por exemplo, oficiais da Aeronáutica declararam-se em estado de
insurreição contra o presidente, respectivamente em Jacareacanga (PA) e Aragarças
(GO). 
JK só não sucumbiu ao Golpe, “Graças, porém, às suas iniciativas ousadas, como a
construção de Brasília e a criação de grandes facilidades para a instalação de uma
indústria automobilística no território nacional, Juscelino conquistou integral apoio do
empresariado” (COMPARATO, 2014, p. 15).
No governo de João Goulart, houve um elemento novo, os arranjos costumeiros entre a
elite e a classe política estavam cada vez mais difíceis de acontecer, a velha política do
“toma-lá-dá-cá” estava na geladeira, um dos motivos era o fantasma do comunismo e
a pressão do governo norte-americano.
Finalmente, as Forças Armadas, amparadas ideologicamente pela “Grande Imprensa”
e pelo empresariado brasileiro, com a retaguarda norte-americana chegava ao poder,
“Uma vez perpetrado o golpe de estado, manifestaram-se desde logo a favor dele a
- COMPARATO, 2014, p. 16-17
“Na gênese do golpe de Estado de 1964, encontramos a profunda cisão
lavrada entre os dois grupos que sempre compuseram a oligarquia
brasileira: os agentes políticos e a classe dos grandes proprietários e
empresários. Até então, os conflitos entre ambos eram sempre
resolvidos por meio de arranjos conciliatórios, segundo a velha
tradição brasileira. (...) A principal razão para tanto foi o agravamento
do confronto político entre esquerda e direita no mundo todo, no
contexto da Guerra Fria. (...) Deve-se notar, aliás, que naquela época,
boa parte das nossas classes médias havia abandonado sua tradicional
colocação à direita do espectro político, passando a apoiar as
chamadas “reformas de base” do governo João Goulart: a reforma
agrária, a bancária, a tributária e a política de repúdio ao capital
estrangeiro. (...) Era natural, nessas circunstâncias, que os grandes
proprietários e empresários, nacionais e estrangeiros, temessem pelo
seu futuro em nosso país e se voltassem, agora decididamente, para o
lado das Forças Armadas, a fim de que estas depusessem os
governantes em exercício, substituindo-os por outros, associados aos
potentados privados, segundo a velha herança histórica.”
Igreja Católica e várias entidades de prestígio da sociedade civil, como a Ordem dos
Advogados do Brasil”. 
Ironia do destino é que, depois, essas duas instituições lutaram com todas as forças
para desinstalar do poder os militares que haviam apoiado no início. O empresariado,
mais por motivos econômicos do que humanitários, também, colocou-se contra a
Ditadura que tinha financiado. Após o fim da Guerra Fria, os norte-americanos
deixaram de impor regimes autoritários na América Latina, alardeando sua hipócrita
defesa da “democracia made in USA”. 
O embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, desde o início da década de 1960,
ajudou a criar no país entidades de propaganda políticapara militares e empresários
serem doutrinados como, por exemplo, o IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos
Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Esses institutos foram
replicados por todo território nacional a fim de divulgar a propaganda ideológica do
regime autoritário e a constante denúncia do perigo “vermelho”. 
Após a instalação do Golpe, outro mecanismo de alienação foi utilizado pela Ditadura
para desqualificar os adversários do ideário liberal e promover, portanto, o
capitalismo, o aliado da vez foi o Sistema Globo de Comunicações, 
“[que fez] a propaganda ideológica do regime autoritário, com a
constante denúncia do perigo comunista e a difusão sistemática,
embora sempre encoberta, dos méritos do sistema capitalista. Os
chefes militares decidiram, para tanto, fixar sua escolha no Sistema
Globo de Comunicações. Em 1969, ele possuía três emissoras (Rio de
Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte). Quatro anos depois, em 1973, já
contava com nada menos do que onze. A dominação empresarial do
sistema de comunicações de massa continuou a subsistir, uma vez
Finalizando, a presidência foi declarada vaga no dia 2 de abril de 1964 pelo presidente
do senado Moura Andrade. Importante ressaltar que Boris Fausto acredita que Jango e
a cúpula que o apoiavam não tinham uma visão clara do contexto. Com o apoio de
alguns chefes Militares, acreditaram que estes representavam a maioria, pois o
Exército era partidário das reformas propostas pelo seu governo. Conheciam a
existência de “golpistas”, mas também achavam que poderiam ser controlados pela
intervenção dos quadros inferiores. 
Apesar da maioria do oficialato não ser partidário da quebra da ordem constitucional,
muitos acreditaram que a quebra seria um bem para o país contra o perigo comunista
que estava se achegando ao comando do país. Sendo assim, “a perda da legitimidade de
Jango, a seguida quebra da disciplina, a aproximação entre inferiores das Forças
Armadas e trabalhadores organizados acabou por levar os moderados (...) a engrossar
a conspiração” (FAUSTO, 2002, p. 461-462).
- COMPARATO, 2014, p. 17-18
encerrado o regime autoritário, e persiste até hoje. A Constituição
Federal de 1988 dispõe, em seu art. 220, § 5º, que ‘os meios de
comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de
monopólio ou oligopólio’. Mas até o momento em que escrevo estas
linhas – mais de um quarto de século depois de promulgada a
Constituição em vigor – esse dispositivo constitucional, como vários
outros do mesmo capítulo, permanece ineficaz por falta de
regulamentação legal.”
Figura 5 – Marcha da família com Deus pela liberdade
Fonte: Reprodução
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta
Unidade:
  Vídeos  
Renúncia de Jânio Quadros (1/2) – de lá pra Cá
Assista de forma crítica, lembrando-se sempre que mesmo os documentários são
obras de ficção e carregam em si intenções e ideologias de quem os produziu, assim
como a própria história que nos foi deixada como legado pelos nossos antepassados.
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📄 Material Complementar
De Jânio Quadros ao Golpe de 1964 – História –
Ensino Médio
Assista de forma crítica, lembrando-se sempre que mesmo os documentários são
obras de ficção e carregam em si intenções e ideologias de quem os produziu, assim
como a própria história que nos foi deixada como legado pelos nossos antepassados.
Renúncia de Jânio Quadros (1/2) - De Lá Pra Cá - 20/02/2011Renúncia de Jânio Quadros (1/2) - De Lá Pra Cá - 20/02/2011
https://www.youtube.com/watch?v=QDEQYJAWG38
1964: Reportagem Especial – O Golpe
A UNIVESP TV conta como foram os meses finais do governo João Goulart (1961-
1964), culminando na deposição que levou o país a uma ditadura de 21 anos.
De Jânio Quadros ao golpe de 1964 - História - Ensino MédioDe Jânio Quadros ao golpe de 1964 - História - Ensino Médio
1964: Reportagem Especial | O golpe1964: Reportagem Especial | O golpe
https://www.youtube.com/watch?v=AQ1EgHS4VUc
https://www.youtube.com/watch?v=EVwlepPYp_o
  Leitura  
Leia a Íntegra da Entrevista Inédita de Jango ao
Historiador John Dulles
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ACESSE
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1434746-leia-a-integra-da-entrevista-inedita-de-jango-ao-historiador-john-dulles.shtml
AQUINO, R. S. L. Sociedade brasileira: uma história. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
BIBLIOTECA Nacional. Jânio da Silva Quadros. Disponível em:
. Acesso em: 13/04/2023.
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São Leopoldo (RS), Unisinos, Cadernos IHU Ideias, ano 12, n. 205, v. 12, 2014.
CPDOC/FGV. Auro de Moura Andrade. Disponível em:
. Acesso em: 13/04/2023.
CPDOC/FGV. Jânio Quadros. Disponível em: . Acesso em: 13/04/2023.
FAUSTO, B. História do Brasil, 10 ed. São Paulo: Edusp, 2002.
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poder. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.
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📄 Referências
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