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CUSTOS E PREÇOS UNIDADE I 1. Terminologia e Conceitos 1.1. Terminologia contábil básica: diferença entre gastos, custos, despesas, investimento, desembolso e perdas. 1.2. Classificação de custos: diretos e indiretos, fixos e variáveis, custo de produção e custo dos produtos vendidos. 1.3 Elementos formadores do custo: matéria-prima, mão de obra, custos indiretos de fabricação (CIFs). Custos e Preços - 3º e 4º semestres 1 Rodolfo.gaboardi@docente.unip.br CUSTOS E PREÇOS TERMINOLOGIA E CONCEITOS 1.1 Terminologia contábil básica Gasto: desembolso à vista ou a prazo para obtenção de bens ou serviços, independentemente da destinação que esses bens ou serviços possam ter na empresa. Custo: compreende a soma dos gastos com bens e serviços aplicados ou consumidos, integrados ao processo de produção ou consumidos. Despesa: compreende os gastos decorrentes do consumo de bens e da utilização de serviços das áreas administrativa, comercial e financeira, que direta ou indiretamente visam a obtenção de receitas. 2 CUSTOS E PREÇOS TERMINOLOGIA E CONCEITOS Investimento: gasto com bens e serviços que alocados no ativo geram receitas próprias. Exemplos: ações adquiridas, matéria-prima, veículos, títulos financeiros, máquinas, entre outros podem ser classificados com investimentos. Desembolso: entrega (pagamento) de numerário antes, no momento ou depois da ocorrência dos gastos. Perda: bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária; Não deve ser confundida com despesa e muito menos com custo, devido sua característica de anormalidade e involuntariedade. 3 CUSTOS E PREÇOS TERMINOLOGIA E CONCEITOS 1.2 Classificação de custos: Diretos: estão fisicamente e diretamente vinculados a um segmento específico em análise. Esse segmento específico pode ser um produto, um serviço ou qualquer outra unidade de custo. Deste modo, se o objeto de análise for uma linha de produtos, logo os materiais e a mão-de-obra envolvidos em sua fabricação representam custos diretos. Indiretos: são os gastos que não podem ser alocados de maneira direta ou de forma objetiva aos produtos, serviços, departamentos ou outros objetos de custo. Sua alocação se dá de maneira indireta, através de critérios de distribuição(rateio, alocação, apropriação, etc). 4 CUSTOS E PREÇOS Vejamos: 5 Para memorizar:Para memorizar: O custo integra o produto; vai para o estoque e aumenta o AC. A despesa reduz o lucro; vai para o resultado e reduz o PL. Os custos podem ser classificados: Quanto ao objeto: direto e indireto; Quanto ao volume de produção: fixo e variável; 1.2 Classificação de custos: CUSTOS E PREÇOS 6 1.2 Classificação de custos: CUSTOS E PREÇOS 7 1.2 Classificação de custos: CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Observa se que alguns custos podem ser apropriados aos produtos, desde que haja uma medida: kg, metros, etc...de seu consumo. Estes exemplificam o conceito de CUSTO DIRETO, e são diretos em relação ao produto. Entretanto, outros custos não possibilitam condição de medida objetiva e as tentativas de alocação são feitas de maneira estimada e muitas vezes, arbitrária, como por exemplo, a supervisão, as chefias e o aluguel; estes exemplificam o conceito de CUSTOS INDIRETOS com relação aos produtos. 8 CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Fixos: são aqueles que permanecem estáveis independentemente de alterações no volume de produção. São custos necessários ao desenvolvimento das operações em geral, motivo pelo qual se repetem em todos os meses do ano. Exemplos: aluguel do imóvel, água (utilizada para consumo do pessoal e limpeza da fábrica), energia elétrica (utilizada para iluminação da fábrica), salários e encargos do pessoal administrativo, etc. 9 CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Salienta-se que os custos fixos podem sofrer alguma variação de um período para outro, como ocorre, por exemplo, com o aluguel, que recebe reajuste anualmente devido a cláusulas contratuais; com os salários e encargos decorrentes da legislação trabalhista, etc. No entanto, tais custos não perdem a classificação de “fixos”, porque a classificação de “fixos e variáveis” é feita exclusivamente em relação ao volume de produção. Ressalta-se que os custos fixos, por não integrarem os produtos e por beneficiarem a fabricação de vários produtos ao mesmo tempo, são também denominados como custos indiretos. 10 CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Variáveis: são aqueles que variam em decorrência do volume da produção. Assim, quanto mais produtos forem fabricados em um período, maiores serão os custos variáveis. Temos como exemplo, a matéria prima. Se para confeccionar uma peça de roupa é preciso 1,5 m de tecido, para 50 peças serão necessários 75 m do mesmo tecido. Assim, quanto maior for a quantidade fabricada, maior será o consumo de matéria-prima e, por consequência, maior será o seu custo. Os custos variáveis, por estarem vinculados ao volume produzido, são também denominados custos diretos. 11 CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Há ainda duas outras classificações para os custos: semifixos e semivariáveis. Semifixos: são os custos fixos que possuem uma parcela variável. Por exemplo, a energia elétrica. A parcela fixa da energia elétrica é aquela que independe da produção do período, sendo utilizada, em geral, para a iluminação da fábrica; a parte variável é aquela aplicada diretamente na produção, variando de acordo com o volume produzido. Isso só ocorre, evidentemente, quando é possível medir a parte variável. Semivariáveis: são , portanto, os custos variáveis que possuem uma parcela fixa. Por exemplo, os pagamentos do setor comercial, que em muitos casos, tem a parcela fixa (salário) e a parcela variável referente as comissões. 12 CUSTOS E PREÇOS 1.2 Classificação de custos: Custo de produção: conhecido como custo de fabricação e também como custo industrial compreende a soma dos gastos com bens e serviços aplicados ou consumidos na fabricação de outros bens. Custo dos produtos vendidos: compreende a soma dos gastos com materiais, mão de obra e gastos gerais de fabricação aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos que foram fabricados e vendidos pela empresa. Os produtos acabados recebem como custo toda a carga dos custos diretos e indiretos incorridos durante todo o processo de sua fabricação. 13 CUSTOS E PREÇOS 1.3 Elementos formadores do custo: São três os componentes do custo: • Matéria-prima; • Mão-de-obra; • Custo indireto de fabricação – CIF; Matéria-prima: é a substância bruta principal e indispensável na fabricação de um produto. Entra na composição de maneira preponderante em relação aos demais materiais. Vejamos outros conceitos essenciais para o completo entendimento: 14 CUSTOS E PREÇOS 1.3 Elementos formadores do custo: Materiais secundários: são os materiais aplicados na fabricação em menores quantidades que a matéria-prima. Entram na composição dos produtos juntamente com a matéria-prima, complementando-a ou até mesmo dando o acabamento necessário ao produto. Exemplos: pregos e parafusos na produção de móveis; botões e linha na confecção de vestuário. Materiais auxiliares: são todos os materiais que, embora necessários ao processo de fabricação, não entram na composição dos produtos. Exemplos: lixas, graxa, estopas, pincéis, etc. 15 CUSTOS E PREÇOS 1.3 Elementos formadores do custo: Mão-de-obra: é o esforço do homem aplicado na fabricação dos produtos. Compreende não só os gastos com salários, mas também com benefícios a que os empregados têm direito, como cestas básicas, vt, vr, e outros. Acrescentam-se ainda à mão-de-obra os encargos sociais de obrigação da empresa como a Previdência Social (parte patronal) e o FGTS; Custos Indiretos de Fabricação – CIF’s: contemplam os demais gastos necessários para a fabricação dos produtos, os quais, pela própria natureza, não se enquadram como materiais ou como mão-de-obra.16 CUSTOS E PREÇOS 1.3 Elementos formadores do custo: São os gastos com aluguéis, energia elétrica, serviços de terceiros, manutenção de fábrica, depreciação das máquinas, seguro contra roubo e incêndio, material de higiene e limpeza, óleos lubrificantes para as máquinas, pequenas peças para reposição, telefones e comunicações, material de copa e cozinha, material de escritório, etc. Assim, é possível constatar uma gama de gastos que são necessários, mas que não estão diretamente vinculados ao objeto social da empresa, e que tais gastos vão variar de atividade para atividade. 17 CUSTOS E PREÇOS CUSTO OU DESPESA? Despesa é o valor gasto com bens e serviços relativos à manutenção da atividade da empresa, bem como aos esforços para a obtenção de receitas através da venda dos produtos. Exemplos: materiais de escritório, salários da administração, energia elétrica utilizada no setor administrativo, etc. COMO DIFERENCIAR? 18 Os custos têm a capacidade de serem atribuídos ao produto final, despesas são de caráter geral, de difícil vinculação aos produtos obtidos. Se ainda restar dúvida, façamos a seguinte pergunta: Se hipoteticamente eu eliminar este gasto, a produção ou obtenção de estoques seria diretamente afetada? Se a resposta for afirmativa trata-se de um custo, pois está vinculado à produção, caso contrário temos uma despesa. CUSTOS E PREÇOS CLASSIFICAÇÃO DAS DESPESAS: ADMINISTRATIVAS: geralmente tratam se das despesas relativas às áreas de apoio da empresa: administração geral, finanças, contabilidade, recursos humanos, etc. COMERCIAIS: surgem pela necessidade de gerar receitas, como propaganda e publicidade, telefone, ou em função de vendas já efetuadas, tais como, comissões, fretes, entre outras. 19 CUSTOS E PREÇOS CLASSIFICAÇÃO DAS DESPESAS: FINANCEIRAS: são decorrentes da insuficiência de capital de giro próprio da empresa, que é obrigada a buscar e a remunerar capitais de terceiros. TRIBUTÁRIAS: encargos devidos à administração pública municipal, estadual e federal. 20 CUSTOS E PREÇOS OUTROS CONCEITOS: Custos de Transformação: representam o esforço empregado pela empresa no processo de fabricação de determinado item, como por exemplo a mão-de-obra direta e indireta, energia elétrica, horas da máquina em funcionamento e, etc. Não incluem matéria-prima nem outros produtos adquiridos prontos para consumo. Custos Primários: são a soma simples : 21 matéria-prima + mão-de-obra direta CUSTOS E PREÇOS OUTROS CONCEITOS: Custo Marginal: representa o acréscimo de custo total que ocorre quando se aumenta a quantidade de bens produzidas em uma unidade. Materiais Diretos: são os materiais que se incorporam/ identificam diretamente aos produtos. Exemplo: 22 Matéria-prima, embalagem, materiais auxiliares, tais como cola, tinta, parafuso, prego, etc CUSTOS E PREÇOS OUTROS CONCEITOS: Custo de Oportunidade: representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se fazer determinada escolha, deixa- se de lado as demais possibilidades. Deste modo, a alternativa escolhida, associa-se ao “custo de oportunidade”, o maio benefício NÃO obtido dentre as possibilidades NÃO escolhidas, isto é: O valor mais alto associado aos benefícios não escolhidos pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo este, chamado de “oportunidade”. 23 “A escolha de uma opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar” Custos e Preços - 3º e 4º semestres Profª Roberta Silva CUSTOS E PREÇOS UNIDADE II 2. Tipos de Custeio (sem contabilização) 2.1. Custeio por absorção. 2.2. Custeio direto ou variável. 2.3. Custo-padrão. 2.4. Custeio por atividades ou ABC-Activity Based Costing 24 CUSTOS E PREÇOS TIPOS DE CUSTEIO Existem vários sistemas que podem ser utilizados para o custeamento dos produtos: alguns com fins específicos de alocar aos produtos os custos indiretos, como ocorre, por exemplo, com o sistema de custeio departamental e com o sistema de custeio ABC; ... e outros com fins específicos de promover a composição do custo total de fabricação dos produtos, como ocorre, por exemplo, com os sistemas de custeio direto e por absorção. 25 CUSTOS E PREÇOS TIPOS DE CUSTEIO Relembrando a Unidade I: Assim, os gastos que correspondem a custos ou a despesas integrarão o custo de fabricação ou o resultado do exercício, conforme o sistema de custeio adotado. Custeio por Absorção É o método derivado da aplicação dos princípios fundamentais de Contabilidade e é, no Brasil, adotado pela legislação comercial e fiscal. Não é um princípio em si, mas uma metodologia decorrente da aplicação desses princípios. Dessa forma, o método é válido para a apresentação de demonstrações financeiras e obedece a legislação. 26 A despesa vai para o resultado enquanto o custo vai para o produto. CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Neste método de custeio, todos os custos de produção são apropriados aos produtos do período. Os custos de produção podem ser apropriados diretamente, como é o caso, do material direto e mão de obra direta, ou indiretamente, como é o caso dos custos indiretos de fabricação. Os gastos que não pertencem ao processo produtivo, como as despesas, são excluídos. 27 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Suponhamos uma fábrica que possua seis departamentos, sendo três de serviço (administração da fábrica, controle de qualidade e almoxarifado) e três produtivos (usinagem, cromação e montagem). Os produtos da empresa passam pelos três departamentos de produção e devem carregar os custos indiretos de cada departamento. Todavia, os três departamentos de serviço têm custos que também precisam ser apropriados. 28 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Nele, todos os custos de produção fixos e variáveis são incluídos no custo do produto para fins de custeio dos estoques. Não é muito utilizado para a tomada de decisões. Os gastos não fabris são excluídos; Tal método de custeio é derivado da aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade, pois está de acordo com o regime de competência e a confrontação de receitas e despesas, ou seja, é considerado como despesa do período apenas o custo de produção referente aos produtos que foram vendidos no período. 29 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Exemplo: A empresa “Alfa” nos anos X1 e X2, vende 100.000 unidades a R$ 6,00 cada; Os custos são os mesmos nos dois anos: R$ 3,00 de custo variável por unidade e R$ 90.000 de custos fixos totais; Não existe estoque inicial no ano X1 e foram produzidas 100.000 unidades; Em X2 foram produzidas 150.000 unidades, ficando a empresa com um estoque final de 50.000 unidades; 30 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO 31 X1 (-) CPV: X2 (-) CPV: Custo fixo (0,60 por un.) 60.000 360.000 (=) Lucro Bruto 240.000 EF: 50.000 uni. a $ 3,60 = 180.000,00 390.000 (=) Lucro Bruto 210.000 Vendas: 100.000 uni. a $ 6,00 600.000 Custo variável 100.000 uni. a $ 3,00 300.000 DRE Vendas: 100.000 um a $ 6,00 600.000 Custo variável 100.000 uni. a $ 3,00 Custo fixo (0,90 por un.) 300.000 90.000 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Lançados aos produtos segundo algum critério, o esquema de distribuição dos custos indiretos é o seguinte: Os custos dos departamentos de serviço são distribuídos aos departamentos de produção e, posteriormente, rateados a cada produto individualmente. 32 Deptos Serviços Deptos Produção Produtos CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Exemplo: No segundo trimestre de 20X2, a empresa Alfa concluiu a produção de 600 unidades do item B, tendo logrado vender 400 dessas unidades, ao preço unitário de R$ 120,00. No mesmo período foram coletadas as seguintes informações: Custo variável unitário R$ 20,00; Total de custos fixos R$ 18.000,00; Inexistência de estoque inicial de produtos no período; Com base nessas informações, observe o Custeio por Absorção: o custo dos produtos vendidos; o estoque final de produtos; e o lucro líquidodo período; 33 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO Produção: 600 unidades Vendas: 400 unidades x R$ 120,00 = R$ 48.000,00 Custo variável unitário: R$ 20,00 Custos fixos: R$ 18.000,00 Despesas de vendas: R$ 2,00/unidade x 400 uni = R$ 800,00 Pelo custeio de absorção: Custo fixo unitário: 18.000,00/600 unidades = R$ 30,00 Custo variável por unidade = R$ 20,00 Custo total unitário = R$ 50,00 34 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO POR ABSORÇÃO DRE Vendas: 400 unidades x R$ 120,00 R$ 48.000,00 (-)Custo de produtos vendidos 400 uni x 50,00 R$ 20.000,00 Lucro Bruto R$ 28.000,00 (-)Despesas variáveis 400 uni x 2,00 R$ 800,00 = Lucro líquido R$ 27.200,00 Estoque final 200 unidades R$ 50,00 = R$ 10.000,00 Custo de produtos vendidos 400 uni R$ 50,00 = R$ 20.000,00 35 CUSTOS E PREÇOS Custeio variável(direto) Considera como custo de produção de um período apenas os custos variáveis incorridos, desprezando os custos fixos. Tem fundamentação na separação dos gastos em: gastos variáveis e gastos fixos, isto é, em gastos que oscilam proporcionalmente ao volume da produção/venda e gastos que se mantêm estáveis perante volumes de produção/venda oscilantes dentro de certos limites. Parte se do princípio de que os custos da produção são, em geral, apurados mensalmente e de que os gastos imputados aos custos devem ser aqueles efetivamente incorridos e registrados contabilmente, esse sistema de apuração de custos depende de um adequado suporte do sistema contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no 36 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO DIRETO estágio de registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de produção, com adequado rigor. Os gastos variáveis referem se aos custos que, em valor absoluto, são proporcionais ao volume de produção, isto é, oscilam na razão direta dos aumentos ou reduções das quantidades produzidas: Quando convertido em custos por unidade de produto, o valor desses custos torna-se estável ou fixo, pois redundam no mesmo custo unitário de R$ 100,00. 37 R$ 100.000,00 para produzir 1.000 unidades; R$ 200.000,00 para produzir 2.000 unidades; CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO DIRETO Os custos fixos sofrem uma diluição tanto maior quanto maiores forem as quantidades produzidas. A defesa do custeio variável repousa em três argumentos principais: 1.) Os custos fixos, por sua própria natureza, existem independentemente da fabricação ou não de determinado produto ou do aumento ou redução da quantidade produzida. Os custos fixos podem ser encarados como encargos necessários para que a empresa tenha condições de produzir e não como encargo de um produto específico. Por não estarem vinculados a nenhum produto específico ou uma unidade de produção, eles sempre são distribuídos aos produtos por meio de critérios de rateio, que contêm, em maior ou menor grau, a arbitrariedade. 38 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO DIRETO 2.) A maioria dos rateios é feita por meio da utilização de fatores, que na realidade, não vinculam cada custo a cada produto. Em termos de avaliação de estoque, o rateio é mais ou menos lógico. Todavia, para a tomada de decisão mais atrapalha do que ajuda. Basta verificar que a simples modificação de critérios de rateio pode fazer um produto não rentável passa a ser rentável; 3.) O valor dos custos fixos a ser distribuído a cada produto depende, além dos critérios de rateio, do volume de produção. Assim, qualquer decisão em base de custo deve levar em conta, também, o volume de produção. 39 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO DIRETO Por tais razões e por sua grande utilidade para otimizar decisões, o custeio direto tende a ser cada vez mais utilizado. Entretanto, tendo em vista que este sistema não atende aos princípios fundamentais de contabilidade e não é aceito pelas autoridades fiscais, sua utilização é limitada à contabilidade para efeitos internos da empresa. Neste método de custeio, os custos fixos têm o mesmo tratamento das despesas, pois são considerados despesas do período independentemente de os produtos terem ou não sido vendidos. Quando se trata de custos semivariáveis, a parte fixa é despesas do período e a parte variável entra na apuração do custo dos produtos vendidos. 40 CUSTOS E PREÇOS CUSTEIO DIRETO Utilizando o exemplo anterior: 41 X1 (-) CPV: 300.000 (-) Custo fixo (tratado como despesa) 210.000 X2 (-) CPV: 300.000 (-) Custo fixo (tratado como despesa) 90.000 Margem de Contribuição (=) Lucro Bruto 210.000 EF: 50.000 uni. a $ 3,00 = 150.000,00 90.000 (=) Lucro Bruto Vendas: 100.000 uni. a $ 6,00 600.000 Custo variável 100.000 uni. a $ 3,00 300.000 DRE Vendas: 100.000 um a $ 6,00 600.000 Custo variável 100.000 uni. a $ 3,00 300.000 Margem de Contribuição CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO (ou Standard) Neste método de custeio, os custos são pré determinados antes da produção. Trata-se de um custo estabelecido como meta para seus produtos, levando em consideração as caracterísitcas técnológicas pertinentes ao processo produtivo, a quantidade e os preços dos insumos necessários para a produção e o respectivo volume. O custo-padrão possui grande utilidade na Contabilidade de Custos e é usado também para fins gerenciais. Para tanto, sua utilização se dá conjuntamente ao Custeio por Absorção para atender os fins legais. 42 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO Objetivos Tem como premissa ser um instrumento de controle à administração da empresa, ou seja apresentar a realidade e compará-la com aquilo que deveria ser, em termos ideais, identificar os desvios, e procurar corrigir os mesmos. Deste modo, apercebe-se que nenhum método de custeio é capaz de controlar os custos das empresas, mas sim contribuir significativamente com a tomada de decisão para correções necessárias. Portanto, a Contabilidade de Custos é uma ferramenta que objetiva oferecer à administração informações relevantes e oportunas que possibilitem a tomada de decisão “ótima”, fixando uma base comparativa entre o que ocorreu (custo real) e o que deveria ter ocorrido (custo ideal). 43 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO Conceito O custo padrão é aquele, inicialmente, como sendo o custo normal de um produto. Sua determinação se dá com embasamento em padrões técnicos de produção, que são definidos mediante a quantificação do consumo de materiais, da mão de obra e outros gastos necessários à fabricação de uma unidade de produto. A quantificação do consumo de materiais é feita mediante pesagens e outras medições englobando a matéria-prima, materiais secundários e insumos utilizados, bem como, as embalagens utilizadas. Os padrões técnicos referentes a mão-de-obra são quantificados pela cronometragem do tempo das operações produtivas, segundo princípios estatísticos, com o máximo grau de exatidão possível. 44 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO As taxas aplicáveis aos padrões técnicos são geralemtne atualizadas, no início de cada exercício, levando se em consideração, muitas vezes a questão inflacionária da economia, definindo-se taxas-padrão correspondentes ao custo normal do meio do exercício. Essas taxas geram então, um custo de produção mais alto do que o custo real do início do exercício e, portanto, diferenças (variações) favoráveis entre o custo real e o custo-padrão. Apresentam, contudo, a tendência de gerar variações desfavoráveis (custo real mais alto que o custo-padrão) no fim do exercício, compensando as variações negativas do primeiro semestre. Essa técnica pressupõe, naturalmente, um desenvolvimento linear da inflação. 45 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO O custo da produção, nesse sistema, desdobra-se em três componentes: Padrão de materiais; Padrão de mão-de-obra; Padrão de custos indiretos de fabricação; As variações entre o custo-padrão e o custo real da produção são estabelecidastambém separadamente para estes três componentes: Materiais: variação entre o custo-padrão de materiais e o consumo real de materiais; Mão de obra: variação entre o custo-padrão de mão de obra e o custo real da mão de obra mais os encargos; CIF: variação entre o custo-padrão e o custo real desses gastos; 46 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO O custo-padrão, o custo real e as variações são, em geral, apurados mensalmente. Embora seja determinado a priori, como sendo o custo normal de um produto, o custo-padrão é apurado por meio de sistemática muito semelhante à de outros sistemas de apuração de custo industrial, incluindo, naturalmente, detalhes necessários ao cálculo de um custo antecipado. Os passos da sistemática de apuração são: Determinação dos tempos-padrões de fabricação, por produto, por centro de custo; Determinação de quantidade-padrão e do valor dos materiais, na forma já indicada, por produto; 47 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO Orçamento de custos para o exercício, em totais separados para mão de obra e encargos e custos indiretos de fabricação; Distirbuição dos custos de mão de obra e encargos e de outros gastos de fabricação, separadamente aos centros de custo, tanto auxiliares como produtivos, mediante critérios racionais; Apropriação dos custos dos centros auxiliares aos custos dos centros produtivos, ainda separadamente para os dois componentes citados; Estimativa das horas-homem de força de trabalho no exercício, por centro de custo produtivo; Determinação do custo-padrão por produto, mediante multiplicação dos tempos-padrões de cada produto, em cada centro de custo, pelas respectivas taxas, separadamente, por componente, e soma dos custos assim calculados, de todos os centros, por componente. 48 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO Deste modo, obtêm-se o custo-padrão de cada produto, separado para cada um de seus três componentes. Entretanto, a fim de determinar, nesse sistema, o custo real da produção e as variações dos três componentes, há necessidade de apurar: Quantidades efetivamente produzidas; Mão de obra e encargos; Consumo real de materiais; Gastos reais de fabricação,; Multiplicadas as quantidades reais de fabricação de cada produto pelos respectivos custos-padrão, determina-se o custo-padrão da produção global acabada. 49 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO A soma do custo-padrão global de cada componente de produção acabada e da produção em processo é analisada fazendo-se a comparação com o consumo de materiais, a mão de obra e os encargos, bem como, com o total de outros gastos de fabricação de período. Desta análise, são extraídas as variações de materiais, de mão de obra e de outros gastos de fabricação. Tipos de custo-padrão Custo-padrão ideal: supõe a utilização com a máxima eficiência dos recursos produtivos (MD, MOD, CIF) e não leva em consideração desperdícios normais de MD, diminuições no ritmo de trabalho dos funcionários, possíveis quebras de equipamentos. Na prática, é difícil ser alcançado; 50 CUSTOS E PREÇOS CUSTO PADRÃO Custo-padrão estimado: é aquele determinado simplesmente por meio de uma projeção de uma média dos custos observados no passado, sem qualquer preocupação de se avaliar se ocorreu ineficiências na produção, como por exemplo, se o nível de desperdício dos materiais poderia ser diminuído, se a produtividade da mão de obra poderia ser melhorada, se os preços pagos pelos insumos poderiam ser menores. Custo-padrão corrente: leva em consideração um desempenho passível de ser alcançado, considerando perdas de MD, queda na produtividade dos funcionários, possíveis quebras nos equipamentos. Na prática, habitualmente é usado o custo-padrão corrente. 51 CUSTOS E PREÇOS Variação de mão de obra direta Em uma empresa fabril que trabalha com custo padrão, a variação do tempo da mão de obra direta, em certo período, foi de 100 horas acima do número previsto, que era esperado em 1.000 horas. No mesmo período, a variação do custo de mão de obra direta por unidade de tempo foi de R$ 0,10 abaixo do valor orçado, que foi de R$1,00 por hora. O valor da variação total entre o custo padrão e o custo real é calculado da seguinte forma: = situação favorável, visto o decréscimo de R$ 10,00. 52 CUSTO REAL CUSTO PADRAO 1.1001.000Horas x R$ 0,90x R$ 1,00Custo 9901.000 CUSTOS E PREÇOS O custo real da mão de obra direta foi inferior ao padrão em R$ 10,00. Como a indústria conseguiu gastar menos do que o padrão estabelecido, a diferença foi favorável. Apesar de a variação no número de horas ter sido desfavorável, ela foi compensada pela variação favorável do custo por hora de mão de obra direta. ANÁLISE DAS VARIAÇÕES Na comparação entre o custo real e o custo padrão, a análise das variações é aplicada para fins gerenciais, sendo um importante instrumento de controle. Permite, por exemplo, identificar quais setores ou departamentos são menos eficientes. 53 CUSTOS E PREÇOS Exemplo: Em relação ao consumo de determinada matéria prima no setor de produção de uma indústria, estão disponíveis os seguintes dados: Variação da quantidade: O raciocínio aplicado é: caso o preço real fosse igual ao padrão, qual seria a variação ocorrida exclusivamente na quantidade? 1.000 x 1,00 = 1.000 1.050 x 1,00 = 1.050 Variação de quantidade = 50 - desfavorável (padrãodos produtos por meio de atividades necessárias para a produção dos mesmos, ou seja, previamente há a necessidade de se definir as atividades e os custos correspondentes aos mesmos para a apropriação em cada produto correspondente. 60 O sistema de custeio por atividades veio com o propósito de não mais apropriar os custos indiretos pelos rateios tradicionais e sim pelas atividades envolvidas em seu processo industrial ou comercial. Custos e Preços - 3º e 4º semestres Profª Roberta Silva CUSTEIO ABC – CUSTIO BASEADO EM ATIVIDADES Quando a organização pretende que seus produtos sejam competitivos, deverão conhecer: As atividades que são necessárias para produzir um produto ou serviço; O custo respectivo das atividades consumidas; e Como complemento se poderá obter e conhecer as atividades que não agregam valor. Como se pode observar há condições de se chegar a um nível mínimo de execução do trabalho. 61 CUSTOS E PREÇOS CUSTOS E PREÇOS ATRIBUIÇÃO DOS CIF’s Afinal de contas, como calcular o custo no custeio ABC? O sistema ABC identifica custos indiretos, levando em consideração todas as atividades realizadas, porém avaliando cada uma delas de maneira específica. Deste modo, o Sistema de Custeio ABC ordena/classifica as atividades que “sugam” mais recursos da empresa. Vale lembrar que esta ordenação não ocorre nos outros sistemas de custos. Tal ordenamento é realizado ao avaliar os custos de cada atividade, levando em conta: produto, linha de produção, serviços e demais aspectos que se mostrem apropriados. 62 CUSTOS E PREÇOS DIRECIONADORES DE CUSTOS – cost drivers O aspecto mais importante do custeio ABC é a escolha do direcionador de custos. Esta escolha é a espinha dorsal do ABC, o elemento que distingue o ABC dos demais sistemas de custeio. Direcionador de custos é o elemento que determina o custo de uma atividade, além de determinar a maneira como os recursos utilizam as atividades. Há dois tipos de direcionadores de custos: Direcionadores de custos de recursos: são também conhecidos como direcionadores de custos de primeiro estágio e, demonstram como as atividades consomem recursos e servem para custear as atividades. Deste modo, evidenciam a relação existente entre os recursos consumidos e as atividades. Por exemplo, como a atividade de comprar materiais consome materiais de escritório? 63 CUSTOS E PREÇOS DIRECIONADORES DE CUSTO Direcionadores de custos de atividades: indica o modo como os produtos “consomem” atividades e servem para custear produtos. Em outros termos, indicam a relação entre as atividades e os produtos. 64 É um índice mensurável, capaz de determinar o tempo de ocorrência de uma atividade. Há a diferença entre os direcionadores de recursos e de atividades: os de recursos são aqueles que demonstram a relação de consumo dos recursos por uma determinada atividade. Já os direcionadores de atividades identificam a maneira como os produtos consomem as atividades, ou seja, o quanto cada atividade demanda para ser produzida. CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC A fim de se desenhar um “modelo” como guia para implantação e, inclusive, sua metodologia, se faz necessário seguir algumas fases: 1ª fase: determinar o organograma hierárquico: mostrar por “centros” homogêneos os núcleos de desenvolvimento das atividades, ou seja, uma visão prévia de onde se vai gerar saídas (outputs) para se conseguir realizar as atividades. 2ª fase: identificação das atividades por “centros de custos”: Há a necessidade de identificar e classificar cada uma das atividades por “centros de custos”. Neste ponto é preciso observar três aspectos: a.) A empresa possui manual de procedimentos; b.) A empresa não tem manual de procedimentos; c.) Os dados recolhidos com as técnicas de entrevistas podem ser complementados com outros instrumentos como questionários e análise de dados. 65 CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC No final dessa etapa contaremos com um quadro de dupla entrada, que nos mostrará as atividades realizadas em cada “centro de custos”. Supondo que a empresa tenha detectado o seguinte “mapa de atividades”: 1.) solicitação de compra ao fornecedor; 2.) recebimento de material; 3.) pagamento da compra; 4.) cortar o material; 5.) controlar o almoxarifado; 6.) elaborar as ofertas de vendas; 7.) emissão do pedido de vendas; e 8.) cobrança do cliente; 66 CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC Após uma análise interna, chega-se a conclusão de que a execução das diferentes atividades são as seguintes: 67 Centros de CustosATIVIDADES AdministraçãoVendasAlmoxarifadoCompras XXXXSolicitar compra XXXXXXXXXXXXReceber a compra XXXXXXXXPagar a compra XXXXCortar material XXXXXXXXXXXXXXXXControlar almoxarifado XXXXXXXXElaborar ofertas de vendas XXXXXXXXEmitir fatura de venda XXXXXXXXCobrar o cliente CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC É muito importante para o estudo e implantação determinar previamente em quais medidas tais atividades são executadas em cada “centro de custos”. Ou falando de outro modo, como cada departamento colabora para a execução das mesmas. Para se determinar em que ponto se realiza cada atividade, em cada “centro de custos”, pode ser feito um CONTROLE DE TEMPO, por meio de fichas. Vejamos o exemplo: 68 CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC 69 Mês/AnoCentro de CustosTempo das tarefas por atividade EMPRESA X __ /___ 31...54321Tarefas/dias Emissão pedido de compra Recebimento da mercadoria Pagamento da mercadoria Cortar material Controlar o almoxarifado Emitir nota fiscal de venda Cobrar c cliente CUSTOS E PREÇOS UNIDADE III 3. Tomada de decisão com base no lucro 3.1. Premissas da análise e maximização dos lucros: tomada de decisão com base na margem de contribuição para maximização do lucro. 3.2. Ponto de Equilíbrio (Break even point): operacional, econômico e financeiro. 70 CUSTOS E PREÇOS PREMISSAS DA ANÁLISE E MAXIMIZAÇÃO DOS LUCROS: TOMADA DE DECISÃO COM BASE NA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO PARA A MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO A margem de contribuição-MC é um indicador que mostra quanto dinheiro sobrou da receita de vendas de um produto, levando em conta o pagamento dos custos fixos e despesas/custos variáveis. Em outras palavras, a MC de contribuição determina se a receita das vendas é suficiente para pagar custos e despesas e ainda proporcionar o devido lucro à empresa. Logo, a “contribuição” diz respeito à parcela do preço de venda que ultrapassa os custos e despesas variáveis – contribuindo, efetivamente, para a absorção dos custos fixos e lucratividade. Assim, para chegar à MC, é preciso considerar tanto os custos e despesas variáveis que surgem com a própria produção e venda, além dos custos fixos que precisam ser cobertos. 71 CUSTOS E PREÇOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO A MC serve como um valioso instrumento de apoio à tomada de decisão, pois permite a identificação dos produtos mais rentáveis e um planejamento adequado da precificação. É preciso considerar que a margem de contribuição já deduz automaticamente os custos e despesas variáveis, para depois cobrir os custos e despesas fixas. Para usar a margem de contribuição corretamente, é preciso calcular dois tipos de indicadores: a MC total e MC unitária. Isso porque cada produto ou serviço da empresa possui custos e despesas diferentes, e por isso é fundamental fazer o cálculo individual. 72 CUSTOS E PREÇOS APLICAÇÃO DO CUSTEIO ABC Essa apuração deve ser realizada no momento do planejamento estratégico, mais especificamente no processo de precificação da empresa. A métrica também pode indicar a necessidade de redução nos valores dos custos e despesas variáveis, dependendo da estratégia do negócio. Assim, o acompanhamento precisa ser contínuo quanto as variações da MC total e unitária. MARGEM: porque é a diferença entre o valor da venda (preço de venda) e os valores dos custos variáveis e despesas variáveis desta venda. CONTRIBUIÇÃO: porque representa em quanto, o valor das vendas contribui parao pagamento das despesas fixas e também para gerar lucro. 73 CUSTOS E PREÇOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO - Margem de Contribuição Total MC = Margem de Contribuição RV = Vendas Totais CV = Custo Variável Total (custos variáveis + despesas variáveis) - Margem de Contribuição Unitária MC / U = Margem de Contribuição Unitária PV / U = Preço de Venda Unitário CV / U = Custo Variável Unitário (custo variável + despesa variável) 74 MC = RV – CV MC / U = PV / U – CV / U CUSTOS E PREÇOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO Exemplo: Empresa Alfa MC = RV – CV MC = 600.000 – 300.000 = 300.000 MCU = PVU / CVU MCU = 6,00 – 3,00 = 3,00 75 CUSTOS E PREÇOS PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL Para alcançar o equilíbrio nas linhas de produção e/ou no serviço do departamento, deverá ser calculado o volume de vendas necessário para cobrir os custos, bem como usar corretamente esta informação e entender como os custos reagem com as mudanças de volume. É o ponto onde os CUSTOS TOTAIS e as RECEITAS TOTAIS se igualam. A partir deste ponto, com acréscimo, a empresa entrará na área da lucratividade. Fórmula: Custo variável unitário = 10,00 Preço de venda unitário = 26,00 Custos e Despesas fixas da empresa = 20.000/mês MC = 26,00 – 10,00 = 16,00 PEC = 20.000 / 16,00 PEC = 1.250 unidades Faturamento = 1.250 unidades x 26,00 = 32.500,00 76 PEC = CDfix / MC CUSTOS E PREÇOS PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO Existem alguns custos e despesas que, apesar de corresponderem a consumos de recursos do ponto de vista econômico, podem não gerar desembolso do caixa no período. A depreciação é um caso clássico. A depreciação, do ponto de vista econômico, representa um consumo do potencial de benefícios a serem obtidos de um ativo; é, portanto, um custo ou despesa real. No entanto, a despesa com depreciação do período não representa saída de caixa, que só ocorrerá no futuro, quando e se o ativo depreciado for reposto, em uma nova decisão de investimento. Em contrapartida é quando, além da existência de custos e despesas contábeis, deve-se considerar uma necessidade de pagamento, como a da amortização de um empréstimo. Ambos os casos, são tratados no estudo do ponto de equilíbrio, sob a denominação de ponto de equilíbrio financeiro. 77 CUSTOS E PREÇOS PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO No caso do surgimento de uma nova dívida, no montante de R$ 3.000,00, além dos custos e despesas fixas, a necessidade de efetuá-lo também deveria ser coberta pela margem de contribuição gerada. Fórmula: PEfin = 20.000 + 3.000 / 16,00 PEfin = 1.438 unidades Deste modo, com a venda de 1.438 unidades, teria sido gerada margem de contribuição suficiente para cobrir todos os custos e despesas e ainda, fazer o pagamento desta nova dívida. 78 PEfin = CDfix + “Dívida” / MC CUSTOS E PREÇOS CÁLCULO DO PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO Além dos pontos de equilíbrio contábil e financeiro, a empresa pode ter uma meta de lucro com o objetivo, por exemplo, de pagar o custo de oportunidade do capital próprio, empregado no negócio. O cálculo do volume necessário para o alcance dessa meta recebe o nome de ponto de equilíbrio econômico. Seu cálculo é semelhante ao do ponto de equilíbrio financeiro, apenas adiciona-se o resultado desejado. Vejamos: Fórmula: Supõe-se um custo de oportunidade de R$ 100.000,00. PEecon = 20.000 + 100.000 / 16,00 PEecon = 7.500 unidades 79 PEecon = CDfix + CO / MC venda de 7.500 unidades. Sendo assim, para garantir o resultado almejado , seria necessária a venda de 7.500 unidades. CUSTOS E PREÇOS UNIDADE IV 4. Formação de preços de vendas 4.1. Com base no custo do produto 4.1.1. O mark-up. 4.1.2. Margem de lucro desejada. 4.2. Com base no marketing 4.2.1. Composto de marketing. 80 CUSTOS E PREÇOS UNIDADE IV 4.3. Com base na concorrência 4.3.1. A estrutura de mercado como determinante da capacidade de competição de uma empresa e na determinação do preço. 4.3.2. Equilíbrio entre preços, quantidade ofertada e quantidade demandada. 4.3.3. A elasticidade e sua importância na formação de preços de vendas. 4.3.3.1. A elasticidade-preço da demanda . 4.3.3.2. A elasticidade-preço da oferta. 4.3.3.3. A elasticidade-preço cruzada da demanda. 4.3.3.4. A elasticidade-renda da demanda. 4.3.3.5. As cinco forças competitivas básicas: Modelo de Porter. 81 CUSTOS E PREÇOS UNIDADE IV 4.4. Com base em clientes 4.4.1. O conceito de valor econômico. 4.4.2. Influência e percepção de valor. 4.4.2.1. O efeito preço de referência. 4.4.2.2. O efeito comparação difícil. 4.4.2.3. O efeito custo de mudança. 4.4.2.4. O efeito preço-qualidade. 4.4.4.5. O efeito gasto. 4.4.4.6. O efeito benefício final. 4.4.4.7. O efeito custo compartilhado. 82 CUSTOS E PREÇOS Com base no custo do produto - O mark up Markup é um índice utilizado na formação do preço de venda de um produto ou serviço, que aparece na definição do seu custo. Embora não deva ser tomado isoladamente como referência ao precificar, o markup pode ser considerado um ponto de partida fundamental. Uma vez que ele esteja definido, a empresa tem condições de confrontar seus fatores internos de produção com o que o mercado está mostrando. Em outras palavras, após chegar ao preço de um produto com base no markup, se esse valor se mostrar incompatível com a média, pode indicar que algo na dinâmica de produção precisa ser corrigido. 83 CUSTOS E PREÇOS FORMAÇÃO DE PREÇOS DE VENDAS Deve se considerar os valores que ele indica como um parâmetro para que, em conjunto com outras análises e pesando na conjuntura externa, a empresa possa, enfim, precificar com a maior exatidão. O markup funciona como uma fórmula, na qual são dispostos os valores de tudo que representa despesa operacional, mais a margem de lucro e o custo de produção. Exemplo: A empresa Magnitude apresenta os seguintes dados: •Despesas Fixas (DF) = 15 •Despesas Variáveis (DV) = 17 •Margem de Lucro (ML) = 19 84 CUSTOS E PREÇOS CÁLCULO DO MARK UP Fórmula do Markup = 100/100-(DF+DV+ML) Continuando no nosso exemplo, vamos lançar os valores dentro da fórmula: •Markup = 100/100-(15+17+19) •Markup = 100/100-51 •Markup = 100/49 •Markup = 2,04 Agora, devemos usar esse índice para calcular o preço de venda. No nosso caso, vamos supor que o produto tenha um custo de produção (CP) com matéria-prima e mão de obra de R$ 45,00. Preço de Venda = CP x Markup •PV = 45 x 2,04 •PV = R$ 91,80. 85 CUSTOS E PREÇOS Margem de lucro desejada A margem de lucro bruta é um valor percentual obtido da relação entre o lucro bruto e a receita total (a fórmula é: margem de lucro = lucro bruto / receitas totais). O cálculo da margem de lucro é feito a partir de uma fórmula simples: dividindo o lucro pela receita total e multiplicando o resultado por 100. Exemplo: a empresa Molin faturou R$ 20 mil em um mês e teve custos de R$ 13 mil no mesmo período. Receita total: R$ 20.000 Custos: R$ 13.000 Lucro: R$ 20.000 - R$ 13.000 = R$ 7.000 Margem de lucro: R$ 7.000/R$ 20.000 = 0.35 x 100 = 35% 86 CUSTOS E PREÇOS Margem de lucro desejada Pelos cálculos, a margem de lucro da empresa foi de 35%. Esse é, portanto, o número que o empresário deve fornecer a um investidor ou banco, quando for questionado sobre a lucratividade. Informar apenas o lucro em reais não é suficiente por não dar uma dimensão tão precisa do cenário da empresa. Os R$ 7 mil sobre R$ 20 mil de receita do exemplo mostra uma situação bem mais confortável do que uma outra empresa que obtivesse os mesmos R$ 7 mil com receita de R$ 100 mil (portanto, custos de R$ 93 mil e margem de 7%): 100.000 – 93.000 = 7.000 7.000 / 100.000 = 0,07 x 100 = 7% 87 CUSTOS E PREÇOS Com base no marketing - Composto de marketing No Composto de Marketing o preço é o único item gerador de receita. Por isso deve ser analisado com bastante atenção: •Criar novos produtos – Gera despesas com pesquisa, matéria prima etc.; •Distribuir os produtos – Gera despesas com logística, transportee armazenagem; •Promover os produtos – Gera despesas com publicidade, mídia, patrocínios etc; •Definições de preço – Geram receita; 88 CUSTOS E PREÇOS Além disso o preço também é a variável mais flexível do composto de Marketing. É a única que pode ser ajustada a curto prazo. Isso quer dizer que o preço tem uma função estratégica muito importante para o Marketing. E é esta questão estratégica que deve ser a principal preocupação do gestor de marketing ao tomar decisões sobre o preço de um produto. Fatores que compõem o preço: - Custo; - Concorrência; - Consumidor; - O Elo de Valor 89 CUSTOS E PREÇOS De acordo com o Elo de Valor o cliente percebe um mesmo preço como mais ou menos caro. Esse é o fator que permite a empresa aumentar os lucros sem necessariamente aumentar o volume de vendas. O desejo que um produto consegue despertar no consumidor cria as condições para que a percepção de preço aconteça, criando o que se chama de “Elo de Valor”. Quando as necessidades e desejos de um consumidor se aliam com a capacidade de sua satisfação dada por um determinado produto, o interesse que ali se cria estabelece um elo que pode ser valorizado, e embutido no preço final do produto. 90 CUSTOS E PREÇOS Com base na concorrência - A estrutura de mercado como determinante da capacidade de competição de uma empresa e na determinação do preço. Concorrência perfeita, também chamada de concorrência pura, é uma teoria utilizada para descrever situações em que há um grande número de concorrentes, vendedores e consumidores em um nicho de mercado. Monopólio: possui três características fundamentais, quais sejam: (i) uma única empresa produtora do bem ou serviço; (ii) não há produtos substitutos próximos; (iii) existem barreiras à entrada de firmas concorrentes. 91 CUSTOS E PREÇOS Com base na concorrência Concorrência imperfeita: é uma estrutura de mercado com as seguintes características principais: (i) muitas empresas, produzindo um dado bem ou serviço; (ii) cada empresa produz um produto diferenciado, mas com substitutos próximos; (iii) cada empresa tem certo poder sobre os preços, dado que os produtos são diferenciados, e o consumidor tem opções de acordo com sua preferência. Oligopólio: é um tipo de estrutura de mercado que pode ser definido de duas formas: oligopólio concentrado (pequeno número de empresas no setor) e oligopólio competitivo (pequeno número de empresas domina um setor com muitas empresas). 92 CUSTOS E PREÇOS Com base na concorrência - Equilíbrio entre preços, quantidade ofertada e quantidade demandada. O equilíbrio é o único preço onde quantidade demandada é igual à quantidade ofertada. - A elasticidade e sua importância na formação de preços de venda Para estimar a elasticidade da demanda de determinado produto, é necessária uma série histórica, com dois períodos pelo menos, nos quais houve variação dos preços. Quanto maior a quantidade de períodos, mais apurado será o cálculo. - A elasticidade-preço da demanda É a variação percentual na quantidade demanda de um bem ou serviço dividido pela variação percentual no preço. 93 CUSTOS E PREÇOS Com base na concorrência - A elasticidade-preço da oferta É a variação percentual na quantidade ofertada dividida pela variação percentual no preço. - A elasticidade-preço cruzada da demanda É a variação percentual na quantidade do bem A que é demandada como resultado de uma variação percentual no preço do bem B. - A elasticidade-renda da demanda. É a variação percentual na quantidade demandada dividida pela variação percentual na renda. 94 CUSTOS E PREÇOS Com base na concorrência - As cinco forças competitivas básicas: Modelo de Porter. •Força 1: Ameaça de produtos substitutos. •Força 2: Ameaça de entrada de novos concorrentes. •Força 3: Poder de negociação dos clientes. •Força 4: Poder de negociação dos fornecedores. •Força 5: Rivalidade entre os concorrentes. Com base em clientes O conceito de valor econômico É a importância que um indivíduo dá a determinado bem ou serviço, seja para uso pessoal, seja para troca. 95 CUSTOS E PREÇOS - Influência e percepção de valor Uma vez que o preço influencia positivamente percepções de qualidade e, inversamente, influencia percepções de valor, os vendedores de produtos banais usam história, exclusividade e escassez implícita para mudar nossa percepção de valor. - O efeito preço de referência Uma boa estratégia para alavancar a venda de produtos utilizando essa estratégia é utilizando o método do display: colocar produtos mais baratos em locais diferentes aos produtos da sua marca, caso o contrário a venda desses produtos mais baratos será bem superior. - O efeito comparação difícil. Fazem pesos e embalagens diferentes, para quando o cliente for comparar com outros fornecedores em busca de um preço menor, a dificuldade de avaliação ou o custo da falha se torne alto. Isto torna os compradores menos sensíveis ao preço. 96 CUSTOS E PREÇOS Com base em clientes - O efeito custo de mudança Custos de mudança significam custos que os clientes associam com o processo de troca de um fornecedor para outro . - O efeito preço-qualidade O preço é um indicativo de qualidade, e quando o consumidor não conhece o produto ou serviço, o preço mais alto pode significar uma qualidade superior. Um produto mais caro pode ainda significar poder, e evidencia aos clientes que é seguro adquiri-lo. - O efeito gasto. A empresa deve levar em conta todo e qualquer gasto para a fabricação do produto ou para prestar o serviço que oferece. 97 CUSTOS E PREÇOS Com base em clientes - O efeito benefício final. O efeito de benefício do produto final ocorre com mais frequência em produtos industriais, e pode ser dividido em: •Demanda derivada Quanto maior for a sensibilidade ao preço do produto final, maior será a sensibilidade dos componentes. Um exemplo são as empresas de autopeças, que sofrem enorme pressão por redução de custos das montadoras de carros. •Porcentagem do custo Quanto maior for o uso do insumo na produção de algum produto, maior a sensibilidade ao preço. 98 CUSTOS E PREÇOS Com base em clientes •Efeito não monetário Um exemplo é o diabético, que é menos sensível ao preço para produtos diet, pois ele tem que consumir aquele tipo específico. •Benefício em relação ao preço do produto final Um exemplo é a cera para polir automóveis de luxo, que é mais cara porque são utilizadas em um produto que possui valor alto. - O efeito custo compartilhado. O fato de os usuários compartilharem o custo de produtos e serviços com outras pessoas gera menor sensibilidade ao preço. Por exemplo, executivos escolhem companhias aéreas ou hotéis com programa de fidelidade, pois, assim terão descontos em viagens particulares. 99 CUSTOS E PREÇOS Obrigada pelo semestre! Professor Ms. Rodolfo Gaboardi. 100 O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis. José de Alencar