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Incidente de Inconstitucionalidade

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Incidente de arguição de inconstitucionalidade
O incidente de arguição de inconstitucionalidade já era previsto no Código de Processo Civil de 1973, e era chamado de “declaração de inconstitucionalidade”. No Código atual, está previsto nos artigos 948 a 950, que serão abordados a seguir. 
Da arguição
Estamos tratando, nesta unidade, dos incidentes processuais de competência originária dos tribunais, sendo a arguição de inconstitucionalidade processada também de forma incidental em relação a um processo já existente.
O artigo 948 do CPC prevê para os casos de controle difuso de constitucionalidade, em que for arguida a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator do processo no tribunal deve submeter a questão à turma ou à câmara competente para o conhecimento do processo. Isso acontecerá   depois de ouvidos o Ministério Público e as partes.
Acerca do controle de constitucionalidade é importante ressaltar que o ordenamento jurídico pátrio prevê a existência de duas modalidades de controle dos atos normativos infraconstitucionais, quais sejam:
Conforme visto no tópico anterior, em razão da Súmula Vinculante nº. 10 e da norma inserta no art. 97 da Constituição da República de 1988, a declaração de inconstitucionalidade de norma de forma incidental, por tribunal, deve obedecer a chamada cláusula de reserva de plenário.
Como leciona Neves (2016), se tratando de controle difuso de constitucionalidade em primeira instância:
não há qualquer especialidade procedimental para a declaração incidental de inconstitucionalidade, resolvendo-se em sentença como questão prejudicial. Essa decisão tem efeito apenas endoprocessual, e mesmo sendo solução de questão prejudicial não produz coisa julgada material, em razão do previsto no art. 503, §1º, III, do Novo CPC (NEVES, 2016, p. 1542).
Ao contrário dos incidentes anteriormente estudados, verifica-se que o CPC não dispõe expressamente sobre quem são as pessoas legitimadas a suscitar o incidente de arguição de inconstitucionalidade entendendo-se, assim, pela possibilidade de que qualquer das partes e terceiros interessados possa arguir, bem como Ministério Público e Defensoria Pública (nos processos em que participem) e também os juízes atuantes no feito.
Quanto ao momento em que a arguição deve ser suscitada, ensina Neves (2016) que as partes podem até mesmo em sustentação oral suscitarem o incidente, sendo importante que a arguição seja feita antes do julgamento do processo no tribunal. Inexiste, assim, preclusão temporal para a suscitação deste incidente processual.
Nos termos do art. 949 do CPC, se a arguição de inconstitucionalidade for rejeitada, o processo prosseguirá em seu julgamento normal. Importante destacar o parágrafo único deste artigo, que contém algumas hipóteses de inadmissibilidade:
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.
Note-se que, nesse caso, o órgão fracionário do tribunal terá legitimidade para declarar que determinada norma é constitucional, com amparo em pronunciamento anterior de órgãos e/ou tribunais superiores sobre a questão. Nesse caso, inadmitir-se-á o incidente de arguição de inconstitucionalidade. 
O que o órgão fracionário do tribunal não pode é declarar a inconstitucionalidade da norma de plano, pois assim estaria violando a já citada cláusula de reserva de plenário.
O Supremo Tribunal Federal (STF) considera aplicável a norma inserta no art. 949, parágrafo único, do CPC, ainda que seu pronunciamento sobre a inconstitucionalidade da norma apontada tenha ocorrido de forma incidental e não em sede de controle concentrado.
Da leitura do inciso II, do art. 949, do CPC, se a arguição for acolhida a questão cuja constitucionalidade foi impugnada será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde houver (sendo necessário verificar o regimento interno dos tribunais estaduais e regionais para fixar tal competência).
Da tramitação do incidente admitido
A admissão do incidente pelo órgão fracionário fará com que as demais questões do recurso ou remessa necessária fiquem pendentes de julgamento – sobrestadas – até que se decida sobre a constitucionalidade do ato normativo impugnado, que terá influência sobre o julgamento das demais questões.
O fato de os magistrados do órgão fracionário admitirem o incidente já dá indícios – se não decide – da inconstitucionalidade da norma apontada, mas o fato de no momento da admissão acreditarem neste vício não significa que terão que votas da mesma maneira quando o incidente for julgado pelo tribunal pleno ou órgão especial, conforme destaca Neves (2016).
Quanto ao julgamento pelo tribunal pleno ou órgão especial, segue rito determinado pelo art. 950 do CPC:
Art. 950. Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento.
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos e as condições previstos no regimento interno do tribunal.
§ 2º A parte legitimada à propositura das ações previstas no art. 103 da Constituição Federal poderá manifestar-se, por escrito, sobre a questão constitucional objeto de apreciação, no prazo previsto pelo regimento interno, sendo-lhe assegurado o direito de apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos.
§ 3º Considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, o relator poderá admitir, por despacho irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou entidades.
Cabe destacar que conforme o art. 97 da Constituição Federal de 1988 a declaração de inconstitucionalidade depende do voto da maioria absoluta dos membros do tribunal ou dos membros do seu respectivo órgão especial, entendendo-se por maioria absoluta o primeiro número inteiro maior que a metade de todos os membros que compõem o grupo.
Explique-se que o julgamento da ação que contenha recurso ou reexame necessário será composto de dois julgamentos, sendo o primeiro a análise do incidente de arguição de inconstitucionalidade pelo tribunal pleno e o segundo o julgamento das demais questões recursais pelo órgão fracionário, que fica vinculado ao pronunciamento realizado no incidente, seja pela constitucionalidade seja pela inconstitucionalidade da norma apontada.
A decisão que enseja a interposição de recurso ordinário ou extraordinário não é a do plenário. A decisão do plenário resolve o incidente de inconstitucionalidade, já a do órgão (câmaras, grupos ou turmas) completa o julgamento do feito.
Diante desta disposição, conclui Neves (2016) sobre o tema:
Justamente por se tratar de julgamento objetivamente complexo, afirma-se, com acerto na melhor doutrina, a natureza de competência absoluta do órgão plenário para a declaração incidental de incompetência, de forma que o órgão fracionário, salvo as exceções legais já analisadas, é absolutamente incompetente para tal declaração. Trata-se de competência funcional do órgão pleno do tribunal (NEVES, 2016, p. 1547).
Por todo o exposto, a parte que pretender apresentar recurso especial ou extraordinário em seu processo, em que tenha havido incidente de arguição de inconstitucionalidade admitido e julgado, deverá apresentar tanto o acórdão que julgou o mérito do incidente quanto o acordão que julgou as demais questões recursais, possibilitando aos tribunais superiores o pleno conhecimento das questões de direito já discutidas.
É isso Aí!
· aprendeu que, tanto o incidente de resolução de demandas repetitivas, quanto o incidente de assunção possuem efeito vinculante;
· descobriu que o incidente de resolução de demandas repetitivas não pode ser instaurado de forma preventiva;
· compreendeu que o incidente de assunção de competência pressupõe a inexistência   de repetição em múltiplos processos;
· aprendeu queo incidente de arguição de inconstitucionalidade ocorrerá em sede de controle difuso de constitucionalidade.
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