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fisiologia muscular e bioquímica Sara Vasconcelos • Fisiologia e bioquímica básica: A fisiologia muscular estuda o funcionamento dos músculos. Existem três tipos principais de músculos: —> Esqueléticos (voluntários, ligados aos ossos) —> Cardíacos (coração, involuntário) —> Lisos (órgãos internos, involuntários) + Contração Muscular: —> Mecanismo básico: baseia-se na teoria do deslizamento dos filamentos. —> Actina e miosina: proteínas contráteis principais. —> ATP: necessário para o deslizamento e relaxamento muscular. —> Íons cálcio (Ca²⁺): liberados pelo retículo sarcoplasmático, iniciam a contração. —> Neurotransmissor: acetilcolina (ACh), liberada na junção neuromuscular, inicia o potencial de ação no músculo. + Bioquímica Muscular —> A bioquímica muscular estuda as reações químicas envolvidas na contração e produção de energia. + Fontes de Energia: —> ATP: energia imediata, dura poucos segundos. —> Fosfocreatina (CP): regenera ATP rapidamente. —> Glicólise anaeróbica: quebra da glicose sem oxigênio, forma ácido lático. —> Respiração aeróbica: usa oxigênio, ocorre na mitocôndria, mais eficiente e duradoura. + Tipos de Fibras Musculares: —> Tipo I (oxidativas lentas): resistência, muitas mitocôndrias, metabolismo aeróbico. —> Tipo IIa (oxidativas rápidas): mistas. —> Tipo IIb/x (glicolíticas rápidas): força rápida, baixa resistência, glicólise anaeróbica. • Músculo estriado cardíaco e bioquímica dos sais minerais: Músculo Estriado Cardíaco: —> O músculo cardíaco é um tipo de músculo estriado involuntário, encontrado apenas no coração. + Características principais: —> Estriado, como o músculo esquelético (possui sarcômeros). —> Involuntário, como o músculo liso (controlado pelo sistema nervoso autônomo). —> As células são chamadas cardiomiócitos e possuem núcleo único ou binucleado. —> São conectadas por discos intercalares, que permitem a condução elétrica rápida e contração coordenada. —> Têm alta densidade de mitocôndrias, pois o coração precisa de energia constante. + Contração cardíaca: —> Iniciada por um marcapasso natural (nódulo sinoatrial). —> Automática e rítmica – não depende de estímulos externos. —> Regulada por íons e neurotransmissores (ex.: noradrenalina, acetilcolina). Bioquímica dos Sais Minerais e sua Relação com o Músculo Cardíaco Os sais minerais são essenciais para o funcionamento do coração. 1. Cálcio (Ca²⁺): —> Fundamental para a contração muscular. —> No coração, entra nas células durante o potencial de ação e ativa a liberação de mais Ca²⁺ do retículo sarcoplasmático (acoplamento excitação-contração). —> Hipocalcemia (baixo Ca²⁺): fraqueza muscular, arritmias. —> Hipercalcemia (alto Ca²⁺): contrações prolongadas, risco de parada cardíaca. 2. Potássio (K⁺): —> Controla a repolarização da membrana cardíaca (retorno ao repouso). —> Hipocalemia: arritmias, fraqueza muscular. —> Hipercalemia: bloqueio da condução cardíaca, risco de parada. 3. Sódio (Na⁺): —> Participa do início do potencial de ação. —> Movimenta-se junto com o K⁺ para gerar impulsos elétricos. —> Desequilíbrios afetam o ritmo cardíaco e a pressão arterial. 4. Magnésio (Mg²⁺): —> Cofator de muitas enzimas envolvidas na produção de ATP. —> Modula canais de Ca²⁺ e K⁺. —> Deficiência: aumenta risco de arritmias. 5. Cloreto (Cl⁻): —> Ajuda no equilíbrio ácido-base e na condução nervosa/muscular. • Fisiologia do músculo estriado esquelético e a bioquímica dos carboidratos: Fisiologia do Músculo Estriado Esquelético: + Características principais: —> Voluntário: controlado conscientemente. —> Células longas e multinucleadas (fibras musculares). —> Estriado: presença de sarcômeros (unidades de contração). —> Contração rápida e intensa, mas pode se fadigar. + Contração Muscular – Etapas: —> Estímulo neural → liberação de acetilcolina (ACh) na junção neuromuscular. —> Potencial de ação → se propaga pela membrana e túbulos T. —> Liberação de Ca²⁺ pelo retículo sarcoplasmático. —> Ca²⁺ se liga à troponina, liberando os sítios de actina. —> Miosina desliza sobre actina com gasto de ATP → contração. —> Ca²⁺ é recaptado, e o músculo relaxa. Bioquímica dos Carboidratos no Músculo: Função dos carboidratos: Fonte primária de energia para a contração muscular, especialmente durante exercícios intensos. Principais vias metabólicas: 1. Glicólise (anaeróbica ou aeróbica): —> Glicose → piruvato → ATP. —> Sem oxigênio: piruvato vira ácido lático (menor rendimento, rápida). —> Com oxigênio: piruvato entra no ciclo de Krebs (mais ATP, lenta). 2. Glicogênio muscular: —> Forma armazenada de glicose no músculo. —> Durante exercício, é quebrado em glicose-1-fosfato e entra na glicólise. —> Estoque limitado (~300–400g), depende da alimentação. 3. Ciclo de Cori: —> Durante exercício intenso: lactato produzido no músculo é levado ao fígado, onde é convertido em glicose. + interação fisiológica: —> Durante atividades curtas e intensas (ex: sprints), o músculo usa glicólise anaeróbica. —> Em exercícios longos (ex: corrida), há preferência pela respiração aeróbica com glicose e gordura. • Fisiologia do músculo liso e a bioquímica dos lipídios: Fisiologia do Músculo Liso: + Características principais: —> Involuntário: controlado pelo sistema nervoso autônomo, hormônios e estímulos locais. —> Sem estriações: não possui sarcômeros organizados (por isso é “liso”). —> Células fusiformes (afinadas nas pontas), com núcleo único central. —> Presente em órgãos internos: vasos sanguíneos, trato gastrointestinal, bexiga, útero, vias respiratórias. + Contração do músculo liso: —> Estímulo (nervoso, hormonal, ou químico) ativa a entrada de Ca²⁺. —> Ca²⁺ se liga à calmodulina (não à troponina, como no esquelético). —> O complexo Ca²⁺–calmodulina ativa a MLCK (quinase da cadeia leve da miosina). —> MLCK fosforila a miosina → permite interação com actina → contração. —> Relaxamento ocorre com a remoção de Ca²⁺ e ação da MLCP (fosfatase). + Características da contração: —> Mais lenta, mas mais duradoura. —> Menor gasto energético (eficiente para funções sustentadas, como manter a pressão arterial ou o tônus gastrointestinal). Bioquímica dos Lipídios: + Funções dos lipídios: —> Reserva energética de longo prazo. —> Componente estrutural das membranas (fosfolipídios, colesterol). —> Sinalização celular (hormônios esteroides, eicosanoides). —> Isolamento térmico e proteção mecânica. + Tipos principais de lipídios: —> Ácidos graxos: saturados e insaturados. —> Triglicerídeos: principal forma de armazenamento no tecido adiposo. —> Fosfolipídios: componentes das membranas celulares. —> Colesterol: precursor de hormônios esteroides. —> Eicosanoides: derivados de ácidos graxos (prostaglandinas, tromboxanos) – atuam na contração do músculo liso. + Metabolismo dos lipídios no músculo: —> Durante exercícios de longa duração ou jejum, os músculos (inclusive lisos) usam ácidos graxos como fonte de energia. —> Lipólise: triglicerídeos → ácidos graxos livres → beta-oxidação → ATP. —> Beta-oxidação ocorre nas mitocôndrias, requer oxigênio. + Integração fisiológica: —> O músculo liso responde a eicosanoides lipídicos (ex: prostaglandinas → contração uterina ou relaxamento de vasos). —> Durante períodos de baixa glicose, o músculo liso pode usar lipídios como fonte energética. • Fisiologia do músculo cardíaco e a bioquímica das proteínas: Fisiologia do Músculo Cardíaco: + Características principais: —> Tipo: músculo estriado involuntário —> Células: cardiomiócitos —> 1 ou 2 núcleos centrais —> Ricas em mitocôndrias (alta produção de ATP) —> Conectadas por discos intercalares (junções que transmitem força e impulso elétrico) —> Presente exclusivamente no coração + Função: —> Contrai de forma automática, rítmica e coordenada para bombear sangue + Contração cardíaca – Etapas: —> Estímulo elétrico espontâneo pelo nódulo sinoatrial (marcapasso) —> Despolarização da membrana → entrada de Na⁺—> Entrada de Ca²⁺ → liberação de mais Ca²⁺ do retículo sarcoplasmático —> Ativação de actina e miosina → contração (semelhante ao músculo esquelético) —> Saída de K⁺ → repolarização —> Relaxamento e nova preparação para o ciclo Bioquímica das Proteínas: + Funções gerais das proteínas: —> Estruturais: actina, miosina (no músculo) —> Enzimáticas: catalisam reações químicas (ex: ATPase na contração) —> Transporte: hemoglobina, canais iônicos —> Defesa: anticorpos —> Hormonal/reguladora: insulina, glucagon —> Energética (secundária): quando há escassez de carboidratos e lipídios + Proteínas no músculo cardíaco: —> Actina e Miosina: proteínas contráteis que formam os sarcômeros —> Troponina e tropomiosina: regulam a contração com o cálcio —> Mioglobina: armazena oxigênio nas células musculares cardíacas —> Enzimas mitocondriais: envolvidas na respiração celular e produção de ATP —> O coração pode usar aminoácidos como fonte energética, especialmente em jejum prolongado ou doenças. + Integração fisiológica: —> O bom funcionamento do músculo cardíaco depende da integridade de suas proteínas estruturais e funcionais —> Danos a proteínas cardíacas (como a troponina) são marcadores clínicos de infarto agudo do miocárdio —> A mioglobina e as enzimas proteicas garantem a captação e o uso eficiente de oxigênio no coração. • Fisiologia do músculo estriado esquelético e a bioquímica dos lipídios: Fisiologia do Músculo Estriado Esquelético: + Características principais: —> Voluntário: controlado pelo sistema nervoso somático. —> Células longas e multinucleadas (fibras musculares). —> Estriado: possui sarcômeros (unidades contráteis com actina e miosina). —> Contração rápida, ideal para movimento, postura e força. + Processo de Contração Muscular: —-> Estímulo nervoso → liberação de acetilcolina (ACh) na junção neuromuscular. —> Geração do potencial de ação → propagação pelos túbulos T. —> Liberação de Ca²⁺ pelo retículo sarcoplasmático. —> Ca²⁺ se liga à troponina, liberando os sítios de actina. —> Miosina desliza sobre actina com gasto de ATP → contração. —> Ca²⁺ é recaptado → relaxamento muscular. Bioquímica dos Lipídios: + Funções gerais dos lipídios: —> Reserva energética de longo prazo (mais densa que carboidratos). —> Componentes estruturais de membranas celulares (fosfolipídios, colesterol). —> Precursores de hormônios lipídicos (ex: esteroides, prostaglandinas). + Tipos principais de lipídios: —> Triglicerídeos: armazenados no tecido adiposo e nas fibras musculares. —> Ácidos graxos livres (AGLs): usados como combustível celular. —> Fosfolipídios e colesterol: membranas celulares. —> Eicosanoides: atuam na sinalização inflamatória e vascular. + Uso de lipídios no músculo esquelético: —> Durante exercício de baixa intensidade e longa duração, os músculos usam principalmente ácidos graxos como energia. —> Beta-oxidação: quebra dos ácidos graxos em acetil-CoA → entra no ciclo de Krebs → produção de ATP. —> Necessita oxigênio (via aeróbica), mais eficiente, mas mais lenta que a glicólise. + Integração Fisiológica: —> Músculos treinados têm maior capacidade de usar lipídios (mais mitocôndrias, enzimas oxidativas). —> Dietas ricas em lipídios podem aumentar a disponibilidade energética, mas o excesso pode prejudicar a saúde cardiovascular. • Questões: 1. Durante a contração muscular, o cálcio liberado pelo retículo sarcoplasmático se liga a: a) Actina b) Miosina c) Troponina C d) Tropomiosina 2. A principal fonte de energia para contrações musculares de alta intensidade e curta duração é: a) Oxidação de ácidos graxos b) Glicólise anaeróbica c) Fosforilação oxidativa d) Ciclo da ureia 3. Qual das enzimas abaixo está diretamente envolvida na regeneração de ATP a partir de fosfocreatina? a) Creatina quinase b) Lactato desidrogenase c) Hexoquinase d) Piruvato desidrogenase 4. No músculo esquelético, a glicólise anaeróbica leva à produção de: a) ATP e CO₂ b) Lactato e ATP c) Glicerol e NADH d) Piruvato e NADPH 5. Durante o exercício prolongado, qual das vias energéticas é mais utilizada? a) Glicólise anaeróbica b) Sistema ATP-CP c) Fosforilação oxidativa d) Fermentação alcoólica • Respostas: 1. c) Troponina C - O cálcio se liga à subunidade C da troponina, provocando mudança conformacional que desloca a tropomiosina e permite a interação actina-miosina. 2. b) Glicólise anaeróbica - Fonte rápida de ATP em exercícios intensos e curtos (como sprints), onde o oxigênio é limitado. 3. a) Creatina quinase - Catalisa a transferência de um grupo fosfato da fosfocreatina para o ADP, regenerando ATP rapidamente. 4. b) Lactato e ATP - Na ausência de oxigênio, o piruvato é convertido em lactato para regenerar NAD⁺ e permitir a continuação da glicólise. 5. c) Fosforilação oxidativa - É a via predominante de produção de ATP durante exercícios prolongados e moderados, utilizando oxigênio.