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Bioquímica dos 
lipídios Sara Vasconcelos 
• As diferentes formas de lipídios: 
Os lipídios são moléculas orgânicas insolúveis em água, mas solúveis em solventes orgânicos, e 
desempenham diversas funções biológicas. Eles podem ser classificados em diferentes formas com base 
em sua estrutura e função.
1. Glicerídeos (ou Acilgliceróis): 
—> Compostos por glicerol ligado a ácidos graxos.
—> Exemplo: Triglicerídeos (principais componentes das gorduras e óleos, armazenam energia).
2. Fosfolipídios: 
—> Possuem uma cabeça hidrofílica (solúvel em água) e duas caudas hidrofóbicas (insolúveis em água).
—> São essenciais para a formação das membranas celulares.
—> Exemplo: Fosfatidilcolina (presente na bicamada lipídica das células).
3. Esfingolipídios: 
—> Estruturalmente semelhantes aos fosfolipídios, mas contêm a molécula de esfingosina.
—> Importantes para a sinalização celular e integridade da membrana.
—> Exemplo: Esfingomielina (encontrada nas membranas das células nervosas).
4. Esteróis e Esteroides: 
—> Derivados do colesterol, têm papel estrutural e regulador.
—> Incluem hormônios como testosterona, estrógeno e cortisol.
5. Cerídeos (Cerídeos ou Ceras): 
—> Formados por ácidos graxos e álcoois de cadeia longa.
—> Função protetora e impermeabilizante em folhas, penas e pele.
—> Exemplo: Cera de abelha.
6. Lipídios Simples e Compostos: 
—> Simples: Contêm apenas carbono, hidrogênio e oxigênio (exemplo: triglicerídeos).
—> Compostos: Contêm elementos adicionais como fósforo e nitrogênio (exemplo: fosfolipídios).
• Processo de degradação dos lipídios: 
A degradação dos lipídios ocorre em duas etapas principais: lipólise e beta-oxidação, resultando na 
produção de energia na forma de ATP.
1. Lipólise (Quebra dos Triglicerídeos):
—> Ocorre no tecido adiposo e é estimulada por hormônios como glucagon, adrenalina e cortisol.
—> Enzima chave: Lipase Hormônio-Sensível (LHS).
+ Os triglicerídeos são quebrados em:
—> Glicerol → convertido em glicose no fígado (gliconeogênese).
—> Ácidos graxos livres → transportados no sangue ligados à albumina.
2. Beta-Oxidação (Degradação dos Ácidos Graxos): 
—> Ocorre na matriz mitocondrial.
—> Os ácidos graxos são ativados no citoplasma e transportados para a mitocôndria pela carnitina.
—> Ocorre a remoção sequencial de dois carbonos na forma de Acetil-CoA.
+ Cada ciclo de beta-oxidação gera:
—> Acetil-CoA → entra no Ciclo de Krebs.
—> NADH e FADH2 → usados na cadeia transportadora de elétrons para produção de ATP.
3. Produção de Corpos Cetônicos (Quando há Excesso de Acetil-CoA): 
• Se o metabolismo da glicose estiver reduzido (exemplo: jejum, diabetes), o fígado converte Acetil-CoA 
em corpos cetônicos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato e acetona).
• Os corpos cetônicos servem como fonte alternativa de energia para o cérebro e músculos.
📍
Resumo do Processo
📍
1. Lipólise → Triglicerídeos são quebrados em ácidos graxos e glicerol.
2. Beta-Oxidação → Ácidos graxos são degradados em Acetil-CoA.
3. Ciclo de Krebs e Cadeia Transportadora de Elétrons → Produção de ATP.
4. Cetogênese (quando necessário) → Formação de corpos cetônicos.
Esse processo é essencial para a produção de energia, especialmente em situações de jejum prolongado 
ou exercício intenso.
• etapas da oxidação e sua relação com Metabolismo: 
A oxidação de lipídios é um processo essencial no metabolismo energético, ocorrendo principalmente na 
mitocôndria. Esse processo transforma os ácidos graxos em energia utilizável pelo organismo. As 
principais etapas da oxidação lipídica são:
1. Mobilização e Transporte dos Ácidos Graxos: 
—> Os triglicerídeos armazenados no tecido adiposo são hidrolisados por enzimas como a lipase 
hormônio-sensível, liberando ácidos graxos e glicerol na corrente sanguínea.
—> Os ácidos graxos se ligam à albumina e são transportados até os tecidos-alvo, como músculos e 
fígado.
—> Dentro da célula, os ácidos graxos são ativados pela acil-CoA sintetase, formando acil-CoA.
2. Transporte para a Mitocôndria: 
—> Ácidos graxos de cadeia longa precisam atravessar a membrana mitocondrial via o sistema de 
transporte da carnitina:
1. O acil-CoA é convertido em acil-carnitina pela enzima carnitina-palmitoil transferase I (CPT-I).
2. A acil-carnitina atravessa a membrana mitocondrial interna via a translocase.
3. Dentro da mitocôndria, a enzima CPT-II reconverte a acil-carnitina em acil-CoA.
3. Beta-Oxidação: 
—> Ocorre na matriz mitocondrial e degrada os ácidos graxos em unidades de acetil-CoA por meio de um 
ciclo de reações:
1. Oxidação (formação de FADH₂)
2. Hidratação
3. Outra oxidação (formação de NADH)
4. Clivagem (liberação de acetil-CoA)
Cada ciclo remove dois carbonos da cadeia do ácido graxo.
4. Destino do Acetil-CoA: 
—> O acetil-CoA pode entrar no Ciclo de Krebs, gerando ATP através da cadeia transportadora de 
elétrons.
—> Em situações de jejum ou diabetes, o excesso de acetil-CoA é convertido em corpos cetônicos pelo 
fígado.
• Relação com o Metabolismo: 
—> A oxidação lipídica fornece mais energia do que a glicólise, sendo fundamental em períodos de jejum.
—> A insulina inibe a lipólise, enquanto o glucagon e a adrenalina estimulam a oxidação lipídica.
—> Desequilíbrios podem levar a acúmulo de lipídios, resistência à insulina ou cetoacidose.
• correlação médica: 
1. Obesidade e Resistência à Insulina: 
—> Na obesidade, há um aumento na disponibilidade de ácidos graxos livres no sangue devido à lipólise 
desregulada. Isso pode levar à resistência à insulina, pois o excesso de ácidos graxos interfere na 
sinalização da insulina, prejudicando a captação de glicose pelos tecidos.
—> Clinicamente, isso se manifesta como diabetes tipo 2, e o manejo inclui mudanças no estilo de vida 
(dieta, exercício) e, em alguns casos, o uso de medicamentos como metformina, que melhora a 
sensibilidade à insulina.
2. Diabetes Mellitus e Cetoacidose Diabética (CAD): 
—> Em pacientes diabéticos descompensados (especialmente no diabetes tipo 1), a deficiência de insulina 
impede a captação de glicose pelas células, levando a um aumento na mobilização de ácidos graxos e sua 
oxidação excessiva.
—> Isso resulta em um acúmulo de acetil-CoA, que é convertido em corpos cetônicos (ácido acetoacético, 
beta-hidroxibutirato e acetona). O excesso de corpos cetônicos leva à acidose metabólica, que pode ser 
fatal se não tratada.
—> O tratamento inclui a administração de insulina, fluídos intravenosos e correção do desequilíbrio 
eletrolítico.
3. Doenças Mitocondriais e Deficiências na Beta-Oxidação: 
—> Algumas doenças genéticas afetam a beta-oxidação de ácidos graxos, como a deficiência da enzima 
acil-CoA desidrogenase de cadeia média (MCAD).
—> Esses pacientes apresentam episódios de hipoglicemia hipocetótica (baixa glicose e ausência de 
corpos cetônicos), especialmente em períodos de jejum.
—> O manejo envolve evitar o jejum e fornecer fontes alternativas de energia, como carboidratos de 
liberação prolongada.
4. Doença Cardiovascular e Dislipidemia: 
—> O acúmulo de ácidos graxos no sangue pode levar à formação de placas ateroscleróticas, 
aumentando o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
—> Estatinas são frequentemente prescritas para reduzir os níveis de LDL e triglicerídeos, melhorando 
a oxidação lipídica e reduzindo o risco cardiovascular.
5. Exercício e Metabolismo Lipídico: 
—> O exercício regular estimula a oxidação de ácidos graxos, melhorando a composição corporal e a 
sensibilidade à insulina.
—> Em atletas, o uso de estratégias como o “treinamento em jejum” busca otimizar a utilização de 
lipídios como fonte energética.

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