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Bloco Cirúrgico Segundo Medeiros (2017), O Bloco Cirúrgico (BC) é fundamental em qualquer hospital, sendo o local onde são realizadas as cirurgias. Portanto, é imprescindível evitar falhas em sua operação e infraestrutura. Qualquer equívoco no BC pode resultar em complicações após a cirurgia, que podem ser causadas por erros individuais, falta de planejamento ou inadequações estruturais. Sendo assim torna fundamental compreender melhor os comportamentos e dinâmicas no centro cirúrgico, abrangendo desde o planejamento físico até as relações interpessoais neste ambiente, seja entre médico e paciente ou entre a equipe cirúrgica. Para Santos (2019), ao pensar no bom funcionamento do Bloco Cirúrgico, a comunicação e o trabalho em equipe são cruciais na qualidade da assistência prestada aos pacientes. Ao criar confiança entre os membros da equipe cirúrgica, em que a liberdade de expressão contribui para uma convivência harmoniosa e agradável, o trabalho torna-se cooperativo, levando à confiabilidade e ao reconhecimento da equipe, melhorando as condições gerais de trabalho de todos. De acordo com Gomes (2009), é preciso entender que todas as profissões que atuam no setor da saúde são importantes para que o resultado seja o melhor possível. Neste contexto, as diferenças na formação de cada um deles devem ser consideradas e respeitadas, para evitar ações desnecessárias e invasões no espaço de atuação que não são de sua responsabilidade e, desta forma, evitar prejuízos para a população. Centro de Material e Esterilização (CME) Para Sobbec (2017), o Centro de Material e Esterilização (CME) é o departamento responsável pela realização de atividades relacionadas com o processamento de produtos sanitários (PPS), nomeadamente: limpeza, inspeção, embalagem, desinfecção ou esterilização, armazenamento e distribuição de produtos realmente. Portanto, para garantir a qualidade e a quantidade necessárias ao atendimento dos requisitos, é necessário garantir a segurança do paciente. De acordo com Seibel (2017), os setores e departamentos que fazem parte do CME incluem: área de expurgo (encarregada da recepção e higienização); setor de preparo e armazenamento (responsável pela identificação, verificação, preparação com embalagem apropriada para esterilização, e armazenamento dos materiais a serem desinfetados ou esterilizados); área de esterilização (destinada à instalação de diversos equipamentos utilizados para esterilização) e setor de guarda e distribuição (espaço designado para o armazenamento dos materiais limpos até a distribuição diária). Em concordância com Borgheti (2016), o setor de CME é de extrema importância, pois é responsável pelo processamento dos PPS provenientes de intervenções clínicas e cirúrgicas, o que expõe os profissionais a diversos riscos e os torna mais suscetíveis a acidentes ocupacionais. Diversos desafios podem comprometer o trabalho nesse setor, como infraestrutura precária, falta de capacitação profissional e pressão por produtividade, podendo resultar em acidentes no ambiente de trabalho. Segundo Pires et al., (2016), verificou-se que a higienização das mãos é fundamental para as atividades realizadas na área suja do CME. Portanto, é necessário realizar a higienização das mãos ao entrar e sair da unidade, antes de colocar as luvas, após removê-las, no início e no final do turno. Já na área limpa, são necessários momentos adicionais para garantir uma prática segura, além dos momentos padronizados pelos guias nacionais e internacionais. Para assegurar a segurança sanitária e a qualidade dos produtos, o processamento dos materiais deve seguir princípios essenciais, como preservar a integridade e funcionalidade dos materiais, realizar atualizações constantes, contar com profissionais comprometidos, adotar medidas de biossegurança, utilizar processos e insumos adequados, implementar mecanismos de monitoramento e rastreabilidade dos processos de limpeza, desinfecção ou esterilização. Em concordância com Taube (2005), a função da enfermagem no Centro de Materiais e Esterilização (CME) é dedicada ao cuidado indireto, ou seja, ao processar, armazenar e distribuir insumos para aqueles que atendem diretamente os pacientes. Para que essa operação seja bem-sucedida, são necessários diversos instrumentos de trabalho, incluindo equipamentos, materiais, técnicas, regulamentos, habilidades de comunicação, administração e conhecimentos científicos, com o intuito de garantir que os artigos disponibilizados sejam seguros. Para Souza (2005), o enfermeiro, encarregado do setor e de sua equipe, precisa implementar ações de educação continuada em saúde, visando reduzir eventuais erros nos procedimentos de limpeza, preparo, desinfecção, esterilização e acondicionamento dos materiais, uma vez que estes fatores impactam diretamente nos riscos de infecções hospitalares em pacientes. Para Beck (2010), é essencial que o enfermeiro reflita sobre como conquistar o reconhecimento profissional. Para isso, é fundamental que ele promova um local de trabalho acolhedor, onde toda a equipe se sinta à vontade. Isso implica em priorizar a valorização do cuidado e a humanização, além de se basear em estudos científicos e implementar ações efetivas de educação continuada em saúde. Referência Bibliográfica Associação brasileira de enfermeiros de centro cirúrgico, recuperação anestésica e centro de material e esterilização- (SOBBEC). Diretrizes de práticas em enfermagem cirúrgica e processamento de produtos para a saúde. 7ª ed. São Paulo: SOBECC, 2017. Beck CLC, Prochnow A, Silva RM, Prestes FC, Tavares JT. Fatores que favorecem e dificultam o trabalho dos enfermeiros nos serviços de atenção à saúde. Esc Anna Nery. 2010 Jul-Set; 14 (3):490-5. Borgheti, Solinei Paulo; VIEGAS, Karin; CAREGNATO, Rita Catalina Aquino. Biossegurança no centro de materiais e esterilização: dúvidas dos profissionais*. Revista Sobecc, v. 21, n. 1, p. 3-12, 8 jun. 2016. Zeppelini Editorial e Comunicacao. http://dx.doi.org/10.5327/z1414-4425201600010002. Gomes, Maria do Carmo de Souza Mota Avelar. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO CENTRO CIRÚRGICO DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS. 2009. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. Medeiros, Aldo Cunha; ARAðJO FILHO, Irami. Centro cirúrgico e cirurgia segura. Natal, 28 jul. 2017. Pires, Francine Vieira et al. 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