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SEGURANÇA DO TRABALHO E ERGONOMIA Prezado (a) aluno (a), A proteção contra incêndio é uma área fundamental da segurança que visa prevenir, detectar e controlar incêndios, garantindo a segurança das pessoas, do patrimônio e do meio ambiente. Ela engloba uma série de medidas e dispositivos, como sistemas de detecção de incêndio, alarmes, extintores, sprinklers, saídas de emergência, iluminação de emergência, treinamento de brigadas de incêndio, entre outros. Essas medidas são essenciais para evitar incêndios, minimizar seus impactos e garantir uma resposta rápida e eficaz em caso de emergência. A proteção contra incêndio envolve não apenas a instalação de equipamentos e sistemas, mas também a implementação de procedimentos de segurança, inspeções regulares e a capacitação de pessoal para agir adequadamente em situações de risco. Bons estudos! AULA 05 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO 5 LEGISLAÇÃO E NORMAS REGULAMENTADORAS RELATIVAS A INCÊNDIOS No Brasil, a legislação referente à proteção contra incêndios é estabelecida pelo Poder Executivo de cada estado federativo, geralmente por meio de decretos estaduais emitidos pelo Corpo de Bombeiros, os quais são complementados por instruções técnicas específicas para cada aspecto. Essa regulamentação estabelece uma série de requisitos, incluindo a adequação das instalações elétricas para suportar a carga necessária, a utilização de materiais de revestimento e acabamento com maior resistência ao fogo e menor produção de fumaça tóxica, além da garantia de saídas de emergência capazes de acomodar o fluxo de pessoas presentes na edificação, entre outras medidas. Uma saída de emergência é definida como um percurso contínuo e protegido, composto por portas, corredores, halls, passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas, acessos ou uma combinação destes elementos. Esse percurso é projetado para ser percorrido por indivíduos em caso de incêndio, permitindo que eles saiam de qualquer ponto da edificação e alcancem a via pública ou um espaço aberto seguro, livre do incêndio, e conectado à área externa. A NBR 9077/2001, define os componentes da saída de emergência: Acessos ou rotas de saídas horizontais, isto é, acessos às escadas, quando houver, e respectivas portas ou ao espaço livre exterior, nas edificações térreas; escadas ou rampas e Descarga. A Norma Regulamentadora 23 (NR 23), intitulada “Prevenção Contra Incêndios”, estabelece a obrigação dos empregadores em adotar medidas adequadas de prevenção contra incêndios. Embora aborde os principais pontos a serem observados para cumprir os requisitos legais, a norma não fornece instruções técnicas detalhadas e outras diretrizes, como costumava fazer no passado. Isso resultou em um texto mais conciso e superficial. Portanto, a definição das instruções técnicas agora é de responsabilidade do Corpo de Bombeiros e das legislações locais. Isso não representa uma mudança significativa, uma vez que a NR 23 sempre foi embasada nas principais normas técnicas nacionais e internacionais de prevenção contra incêndios. A revisão efetuada pela Portaria SIT no 221, de 06 de maio de 2011, estabelece (BRASIL, 2011k): 23.1 Todos os empregadores devem adotar medidas de prevenção de incêndios, consoante a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. 23.1.1 O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações sobre: utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; dispositivos de alarme existentes. 23.2 Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com rapidez e segurança, em caso de emergência. 23.3 As aberturas, saídas e vias de passagem devem ser claramente assinaladas por meio de placas ou sinais luminosos, indicando a direção da said́a. 23.4 Nenhuma saída de emergência deverá ser fechada à chave ou presa durante a jornada de trabalho. 23.5 As said́as de emergência podem ser equipadas com dispositivos de travamento que permitam fácil abertura do interior do estabelecimento. [...] 6 TETRAEDRO DO FOGO O fogo é essencialmente uma reação química que produz luz e calor por meio da combustão de materiais variados. Essa reação ocorre quando uma mistura de gases atinge altas temperaturas, resultando em radiação, geralmente visível. Os componentes fundamentais do fogo são o combustível, o comburente e o calor, os quais compõem o Triângulo do Fogo. Fonte: shre.ink/rls6 Quando os três elementos interagem em uma reação em cadeia, ocorre a formação do quadrado do fogo, conhecido como Tetraedro do Fogo, que substitui o Triângulo do Fogo. Fonte: shre.ink/rls6 Individualmente, os elementos combustível, comburente e calor não geram fogo. No entanto, quando interagem entre si, desencadeiam uma reação em cadeia que resulta em combustão e sustenta a propagação do fogo. 7 CLASSES DE INCÊNDIOS Os incêndios apresentam uma ampla variedade de características, influenciadas pelo tipo, quantidade, exposição e fragmentação dos materiais combustíveis envolvidos. Além disso, fatores como ventilação, geometria do ambiente, entre outros, também contribuem para essa variação. Existem diversas classificações para os incêndios, todas baseadas em materiais presentes e nas condições em que ocorrem. Essa classificação é essencial para determinar tanto o método de combate quanto o agente extintor adequado para cada tipo específico de incêndio. A classificação de incêndios tem como objetivo avaliar a periculosidade dos materiais envolvidos em possíveis ocorrências de incêndios e suas propriedades. Com base nessa avaliação, é possível utilizar o agente extintor adequado no combate ao fogo, considerando as características específicas de cada sinistro. Essa classificação foi desenvolvida pela NFPA (National Fire Protection Association, EUA) e é amplamente aceita internacionalmente pelos Corpos de Bombeiros, incluindo as corporações no Brasil e as instruções técnicas vigentes no país. Classe A: Incêndios que envolvem combustíveis sólidos comuns, como papel, madeira, tecido, borracha e plástico, são caracterizados pela formação de cinzas e brasas como resíduos e pela queima em superfície e profundidade. Como esses materiais queimam em toda sua extensão, é necessário um método capaz de alcançar a combustão interna. Nesse sentido, o resfriamento é geralmente empregado para extinguir o fogo, utilizando água ou soluções aquosas em grande quantidade para reduzir a temperatura do material abaixo do ponto de ignição. O uso de agentes que atuam por abafamento apenas retarda a combustão, extinguindo as chamas superficialmente e não agindo na queima interna, o que pode resultar em uma possível reignição do material. Classe B: Incêndios envolvendo líquidos inflamáveis, graxas e óleos são caracterizados por queimar apenas na superfície exposta e não em profundidade, não deixando resíduos. Para extinguir esse tipo de incêndio, é necessário utilizar o método de abafamento ou interrupção da reação em cadeia. Quando os líquidos estão muito aquecidos, próximo ao ponto de ignição, o resfriamento também pode ser necessário. O abafamento é mais eficazmente realizado com o uso de espuma, mas também pode ser feito com pós ou água finamente pulverizada. A interrupção da reação em cadeia é alcançada com o uso de pós extintores. Classe C: Incêndios envolvendo equipamentos energizados representam um desafio particular, pois, sendo sólidos, a melhor abordagem seria resfriá-los. No entanto, deve-se considerar o risco de condução da corrente elétrica se água for utilizada. Se o fornecimentode energia elétrica for desligado, o incêndio assumirá características semelhantes às de um incêndio classe A e deve ser combatido como tal. Classe D: Incêndios envolvendo metais combustíveis pirofóricos, como magnésio, selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio e zircônio, são caracterizados pela queima em altas temperaturas e por sua reação violenta com agentes extintores comuns, principalmente aqueles que contêm água. Para a extinção química, são necessários agentes extintores especiais, geralmente pós, que se fundem em contato com o metal combustível, formando uma espécie de capa que o isola do ar atmosférico, interrompendo a combustão. Embora muitos entendam esse processo como abafamento, é importante destacar que a separação entre o combustível e o comburente ocorre devido à ligação química entre o agente extintor e o metal pirofórico. O abafamento também pode ser realizado por meio de gases ou pós inertes que substituem o oxigênio nas proximidades do combustível. No entanto, esse método não é tão eficaz devido às altíssimas temperaturas atingidas por esse tipo de incêndio, o que pode facilitar a reignição com a menor entrada de ar. Outras classes são menos conhecidas, está duas classes de incêndio reconhecidas internacionalmente para lidar com situações específicas, a classe Destinadas a incêndios em materiais radioativos e nucleares a classe K são destinadas a incêndios em cozinhas industriais e similares, envolvendo gorduras, óleos e banhas. 7.1 Métodos de extinção de incêndios Os requisitos para a combustão, prevenir sua ocorrência significa evitar que esses requisitos se combinem de maneira adequada. Ao organizar os materiais em um depósito, respeitando as distâncias entre as pilhas para a prevenção. A criação de aceiros entre duas propriedades rurais tem o objetivo de interromper a propagação de incêndios ao evitar a continuidade do material combustível. O dimensionamento correto das instalações elétricas busca impedir a produção excessiva de calor devido ao efeito joule. Quando a combustão está em andamento e os elementos envolvidos são conhecidos, é possível extinguir o fogo agindo sobre um ou mais desses elementos. Essa abordagem constitui os métodos de extinção do fogo, que se baseiam na eliminação de um ou mais elementos essenciais do tetraedro do fogo. São métodos eficazes para extinguir o fogo: Isolamento: Consiste em remover o material combustível que ainda não foi afetado, evitando assim a propagação do incêndio para outras áreas. Resfriamento: Envolve a remoção do calor do material combustível, reduzindo sua temperatura por meio do uso de água. Abafamento: Envolve a remoção do comburente (oxigênio), eliminando o elemento que alimenta a combustão. Isso é alcançado utilizando agentes extintores de origem natural, como areia ou terra, ou agentes químicos, como bicarbonato de sódio, sulfato de alumínio, grafite em pó, entre outros. Quebra da reação em cadeia: Envolve a interrupção da sequência de reações em cadeia, bloqueando o ciclo contínuo diretamente na região das chamas, utilizando agentes extintores que reagem ao entrar em contato com o fogo, eliminando o comburente. 7.2 Extintores Os extintores portáteis, também conhecidos como extintores sobre rodas, são projetados para extinguir pequenos focos de incêndio em ambientes de dimensões reduzidas ou em situações em que o fogo ainda está controlável. No entanto, é crucial utilizá-los com rapidez e seguindo as técnicas corretas de manuseio, pois suas cargas podem se esgotar rapidamente. Assim como qualquer outro equipamento de segurança, os extintores devem estar consoante as normas brasileiras ou regulamentos técnicos estabelecidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Para garantir o máximo aproveitamento dos extintores em situações de emergência, é essencial seguir as orientações das instruções técnicas e as normas vigentes relacionadas ao seu uso e manutenção no dia a dia. Os extintores de incêndio e suas aplicações são classificados segundo a classe de fogo a ser extinto, conforme descrito abaixo: Extintor de espuma: utilizado para extinguir incêndios das Classes A e B, atuando por abafamento e resfriamento. Extintor de gás carbônico (CO₂ ): recomendado para incêndios das Classes B e C, e também pode ser utilizado no início de incêndios da Classe A, agindo por abafamento. Extintor de pó químico seco: empregado em incêndios das Classes B e C, agindo por abafamento. Extintor de água pressurizada: indicado para incêndios da Classe A, atuando por meio de resfriamento. 8 SINALIZAÇÃO A sinalização de segurança tem o propósito de chamar rapidamente a atenção das pessoas para situações que representam riscos à sua segurança nos ambientes em que se encontram. Essa sinalização pode assumir diversas formas, como placas com formas e cores específicas, sinais luminosos ou sonoros, além de comunicação verbal ou gestual. É fundamental que a sinalização de segurança esteja presente em todos os locais de trabalho, independentemente da atividade realizada, para orientar tanto os trabalhadores quanto qualquer pessoa que esteja temporariamente no ambiente. A legislação brasileira sobre o assunto, a NR 26 - Sinalização de Segurança, estabelece a utilização de cores para indicar e alertar sobre os riscos presentes nos locais de trabalho. Esta norma foi inicialmente publicada em 1978 e passou por poucas alterações desde então. Conforme estabelecido pela NBR 7195, a cor vermelha é designada para identificar e diferenciar equipamentos de proteção e combate a incêndio, assim como sua localização, incluindo portas de saída de emergência. Já os acessórios desses equipamentos, como válvulas, registros, filtros, entre outros, devem ser identificados na cor amarela. Fonte: shre.ink/rlII A sinalização de segurança tem o propósito de guiar funcionários e outras pessoas que circulam por um ambiente específico sobre os riscos presentes. Segundo Costa (2006), o objetivo dessa sinalização é atrair a atenção de maneira rápida e compreensível para objetos ou situações que representem riscos ou possam ser fonte de perigos. 8.1 Acionador Manual Em conformidade com os requisitos legais, os acionadores manuais devem seguir as seguintes diretrizes de padronização: Instalação em áreas de grande circulação de pessoas, como corredores, saídas principais e áreas de lazer; Possuir dispositivos que impeçam acionamentos acidentais; Ser instalados em locais visíveis e de fácil acesso; Os botões de acionamento devem estar contidos em caixas lacradas, com tampa de vidro ou plástico quebrável, e pintados nas cores padronizadas, geralmente vermelho; As caixas devem conter a inscrição “Quebrar em caso de emergência”. Os acionadores manuais são dispositivos de alarme destinados a alertar a população de uma determinada área em situações de emergência, como incêndios, inundações ou riscos iminentes que exijam evacuação rápida para locais seguros. Seu acionamento depende da intervenção humana e serve como um alerta crucial em diversas situações de desastre. Consequentemente, devem ser utilizados apenas em casos de máxima urgência ou durante simulações de planos de evacuação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARSANO, Paulo R.; BARBOSA, Rildo P. Higiene e Segurança do Trabalho. Editora Saraiva, 2014. E-book. ISBN 9788536514154. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536514154/. Acesso em: 06 mar. 2024. CENTRO DE ENSINO E INSTRUÇÃO DE BOMBERIOS – GERÊNCIA DE CURSOS E EXTENSÃO. Prevenção e combate a incêndio. Disponível em: shre.ink/rlbB. Acesso em: 06 mar. 2024. PEREIRA, Alexandre D. Tratado de segurança e saúde ocupacional: aspectos técnicos e jurídicos- NR - 23 a NR - 28. v.6. Editora Saraiva, 2015. E-book. ISBN 9788502230767. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502230767/. Acesso em: 06 mar. 2024. TEORIA DO FOGO. Disponível em: shre.ink/rlbJ. Acesso em: 06 mar. 2024. MESQUITA. Carlos Bruno de Aguiar. Saídas de emergência em edificações Multifamiliares. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnólogo em Construção Civil) - UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA, Juazeiro do Norte, 2017. 5 Legislação e Normas Regulamentadoras Relativas a Incêndios 6 Tetraedro do fogo 7 Classes de incêndios 7.1 Métodos de extinção de incêndios 7.2 Extintores 8 Sinalização 8.1 Acionador Manual Referências bibliográficas