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Atenção: Esse curso é de autoria da Prime Cursos do Brasil LTDA (registro número 978-85-5906-031-7 BN) Encontrou esse mesmo material em outro site? Denuncie: juridico@primecursos.com.br Estudando: Contabilidade Gerencial Contabilidade Divisional Nesta lição, você conhecerá que a Contabilidade Setorial e por Divisão tem como principal característica ser um sistema de gerenciamento flexível e que depende da visão que a empresa tem dos seus negócios. Contabilidade por Responsabilidade A contabilidade por responsabilidade é um sistema que reconhece vários centros de responsabilidade em toda a organização e que reflete os planos e os atos de cada um desses centros, associando determinadas receitas e custos ao que tenha a responsabilidade pertinente. (HORNGREN, 2000, p. 188). Finalidades da Contabilidade por Responsabilidade Uma das principais finalidades da Contabilidade por Responsabilidade é controlar e avaliar o desempenho dos gestores das divisões e desenvolver a motivação gerencial. A contabilidade por área de responsabilidade exigirá uma perfeita identificação dos níveis de responsabilidade e autoridade, sendo preciso identificar os custos controláveis e não controláveis. Não basta apenas implantar um sistema de custos que aproprie custos por departamentos ou centros de custos, responsabilizando pessoas pela ocorrência destes. Antes, é necessário avaliar até que ponto os envolvidos nesses centros são realmente responsáveis pelos custos incorridos. Figura 1 – Exemplo de Relatório Mensal de Responsabilidade do Presidente. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 1/17 Saiba mais Custeio por responsabilidade é a separação dos custos incorridos pelos diferentes níveis de responsabilidade. Não é uma outra maneira de se custearem produtos, mas uma forma de, dentro do sistema de custos, proceder-se a uma divisão deles não em função de produtos, mas de departamentos e, dentro destes, com sua divisão em controláveis e não controláveis pelo chefe. Custos Controláveis e Não Controláveis Custos Controláveis são aqueles que estão sob o controle e responsabilidade de uma pessoa em um determinado nível na empresa, e os Não Controláveis são aqueles que estão sob o controle e responsabilidade de uma pessoa em nível superior na empresa. A classificação dos custos em controláveis e não controláveis é básica parao estabelecimento do sistema de Custos por Responsabilidade. Pode-se dizer que todos os custos da empresa são controláveis em algum nível gerencial. Objetivos da Contabilidade por Responsabilidade A Contabilidade Setorial por Divisão, por Produto ou por Linha de Produto é um sistema de gerenciamento flexível que pode ser, ainda, mais segmentado dependendo da visão que a empresa tem dos seus negócios. Os objetivos da contabilidade por área de responsabilidade são subdivididos em cinco itens: 1. definir as decisões e os planos em termos de pessoal necessário para executá-los; 2. comunicar as decisões e os planos em termos financeiros; 3. motivar gerentes e supervisores para o bom desempenho de suas atividades; 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 2/17 4. avaliar os resultados do desempenho real em relação aos planos; 5. recompensar as pessoas pelo desempenho satisfatório. Departamentalização A Contabilidade de custos utiliza-se da Departamentalização para apropriar, de uma maneira mais justa, os custos indiretos de fabricação aos produtos. A Departamentalização permite, por meio de um controle mais acurado dos custos indiretos, a determinação mais precisa dos custos de serviços e produtos; além disso, podem-se usar taxas diferentes de custos indiretos departamentais para se apropriarem os custos indiretos de produção. Dicionário Acurado: Diz-se daquilo feito com capricho; esmero; aprimorado. Conceito “Departamento é a unidade mínima administrativa para a Contabilidade de Custos, representada por homens e máquinas (na maioria dos casos), que desenvolvem atividades homogêneas.” (MARTINS, 2003, p. 65). Característica Na Departamentalização existe sempre a figura de um responsável para cada departamento. Figura 2 – Exemplo de departamentalização. Centros de Custos Conceito “É o menor segmento de atividade ou área de responsabilidade para o qual se acumulam custos.” (HORNGREN, 2000, p. 188). Características Um centro de custos pode ser simultaneamente um departamento. Os centros de custos são responsáveis apenas pela acumulação dos custos. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 3/17 Figura 3 – Exemplo de centros de custos. Atenção Todo departamento é centro de custos, porém nem todos os centros de custos são departamentos. A diferença está na condição de que, no departamento, por sua característica, é obrigatória a presença de uma pessoa responsável, enquanto no centro de custos não existe essa obrigatoriedade, podendo o centro de custo ser representado por uma máquina ou um equipamento, por exemplo. Centros de Lucros É um segmento de uma empresa, comumente chamado de divisão, responsável tanto por receitas quanto por despesas. Os centros de lucros são responsáveis, portanto, pelos resultados. Figura 4 – Exemplo de centros de lucros. Centros de Investimentos O centro de investimento é um centro de lucro, cuja análise de desempenho não é medida apenas sobre o resultado obtido entre as receitas e despesas, levando-se em conta também o capital investido (investimento realizado). Figura 5 – Exemplo de centros de investimentos. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 4/17 Descentralização Os administradores “gozam” de status mais elevados com a independência, ficando, assim, mais motivados. Características Liberdade de tomar decisões. Vantagens Os escalões inferiores conhecem melhor as condições locais e podem tomar decisões mais acertadas que seus supervisores. Os administradores adquirem a capacidade de tomar decisões e outras habilidades que ajudam sua ascensão na empresa. Desvantagens Os administradores podem tomar decisões disfuncionais. Isolamentos das unidades implicam perder o contato com os fatos que importam. Os administradores tendem a duplicar serviços centrais (contabilidade, pessoal etc.). Os custos de processamento de informações quase sempre aumentam. Preços de Transferência O preço de transferência pode ser utilizado tanto em âmbito interno, entre departamentos de uma mesma 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 5/17 organização, quanto externamente, entre partes relacionadas, situadas ou não em diferentes países. Em ambas as situações, os objetivos básicos da organização referem-se à maximização de seus resultados globais e à avaliaçãode desempenho das diferentes unidades. À medida que as empresas crescem, desenvolvem-se ou passam por processos de reestruturação, é comum e, por vezes, estrategicamente necessário que haja descentralização interna por regiões geográficas, segmentos, mercados, canais de distribuição, entre outros. Conceito de Preços de Transferência Preços de Transferência são os preços que uma empresa pratica quando transfere bens (físicos e intangíveis) ou provê serviços para suas empresas associadas. O termo transfer pricing, ou preço de transferência, é “o preço que uma subunidade (segmento, departamento, divisão, etc.) de uma organização cobra pelo produto ou serviço fornecido a outra da mesma organização.” (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000, p. 639). Em razão das circunstâncias peculiares existentes nas operações realizadas entre empresas vinculadas, esse preço pode ser artificialmente estipulado e, consequentemente, divergir do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas.A Natureza dos Preços de Transferência Para Horngren (2000, p. 220), “preços de transferência são associados a bens ou serviços trocados entre as subunidades de uma organização.” Na maioria das vezes, o termo é associado a materiais, peças ou produtos acabados. Em um sentido mais básico, toda alocação de custos é uma forma de preços de transferência, embora a maneira de se alocar o custo do departamento de pessoal às subunidades de um hospital, por exemplo, seja chamada de um problema de alocaçãode custos, e não de um problema de preços de transferência. Métodos de Estabelecer Preços de Transferência As organizações resolvem seus problemas usando preços de mercado para algumas transferências, custos- padrão para outras transferências, preços negociados para outras e assim por diante. Portanto, não se deve esperar uma única forma e universalmente válida na área de preços de transferência. Segundo Atkinson et al. (2000, p. 613), as empresas adotam um entre quatro métodos diferentes para determinar o preço de transferência: baseado no mercado, baseado em custos, negociado e administrado. Transferências pelo custo O preço de transferência baseado em custo só deve ser usado quando não existir mercado intermediário ou quando for muito custoso obter os preços de mercado. Transferência pelo custo efetivo Esse método pressupõe a determinação do preço em função dos custos efetivamente suportados para produzir o produto ou serviço. Existem defensores de que um preço de transferência interno baseado no custo real não deva ser utilizado em nenhum caso, pois não avalia justamente os gestores, nem os motiva para a utilização deserviços ou produtos internos, o que é contrário aos princípios da gestão e aos interesses da 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 6/17 empresa. Esse método não dá à subunidade compradora uma base para o planejamento e, o mais importante, não dá à divisão fornecedora o devido estímulo para controlar seus custos. As ineficiências são transferidas para a divisão compradora. Transferências pelo custo-padrão Esse método de estabelecer o preço de transferência baseado em custo- padrão é menos problemático que o custo real, porém com a possibilidade de conter riscos semelhantes. Se os padrões forem construídos buscando realmente os custos que deveriam ser em condições de competitividade externa, pelo menos esse métodopoderá medir a eficiência operacional da unidade fornecedora. “A recomendação geral de usar custos orçados ou padrão em vez de efetivos se aplica a todas as formas de alocação de custos, seja ela chamada de preço de transferência, realocação de custos ou de qualquer outra coisa.” (HORNEGREN, 2000, p. 221). Transferência pelo custo-padrão mais margem Os preços de mercado não são usados em situações em que eles não existam ou que não possam ser aplicados ou, ainda, em que sejam impossíveis de serem determinados. São exemplos os produtos especializados ou os mercados, que, por serem tão limitados ou dispersos, impedem a determinação de um preço digno de confiança. Para esses casos, recomenda-se a fixação de preços de transferências com margem sobre o custo-padrão. Esse método tem a vantagem de criar um espírito mais empresarial entre os centros fornecedores e compradores. No entanto, a sua aplicação é prejudicada pela dificuldade de identificar a maneira mais adequada para estabelecer a margem. A base percentagem sobre o custo é a mais simples e mais largamente usada. No entanto, normalmente, quando essa base é usada, não é levado em conta o capital aplicado. A base percentagem sobre o investimento é conceitualmente melhor. Na prática, pode haver dificuldades para calcular o investimento ligado a determinado produto. A solução conceitual é basear a margem de lucro no valor do investimento que seria necessário para que os centros de lucro compradores fossem centros produtores. O investimento é calculado como um “valor-padrão”, no qual o ativo imobilizado e os estoques são avaliadosa custo de reposição. Transferências pelo preço de mercado Esse método de preços de transferência é ideal por ter como base um preço normal de mercado, de um produto idêntico àquele que está sendo transferido, refletindo, assim, as mesmas condições do produto ao qual se aplica o preço de transferência. O preço de mercado para a determinação dos preços de transferência é recomendado e deve ser aplicado quando uma empresa tem centros de lucro. Essa prática permitirá aos compradores e aos vendedores manter-se, sistematicamente, a par de suas oportunidades internas e externas, e os problemas de congruência de objetivos,incentivo e autonomia serão reduzidos ao mínimo. Transferências pelo preço negociado Por esse modelo, as unidades podem pesquisar no mercado o preço do produto ou serviço em questão e compará-lo com os preços internos, ou seja, a unidade consumidora tem a total liberdade para decidir comprar 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 7/17 no mercado ou comprar da unidade fornecedora. Dessa forma, a unidade consumidora pode negociar e chegar, emcomum acordo, sobre o preço de transferência a ser utilizado. Em determinadas situações, alguns custos de expedição ou de comercialização podem ser evitados pela divisão fornecedora, transferindo produtos/serviços para outra divisão, em vez de vendê-los no mercado. Essas economias são, geralmente, deduzidas quando se acerta o preço de transferência. Na ausência de preços de mercado, algumas empresas permitem às unidades envolvidas na compra e venda dos produtos ou serviços negociar os preços de transferência. Entretanto, o preço de transferência negociado e as decisões de produção podem refletir as habilidades relativas da negociação de ambas as partes, em vezde considerações econômicas. Deve existir um mecanismo que facilite o entendimento para negociar entre as unidades, sem necessidade de interferência da administração central. A escolha do preço de transferência deverá refletir a lucratividade das unidades envolvidas e, sobretudo, a obtenção de um melhor resultado para a empresa. Transferências pelo preço administrado Em grandes empresas, geralmente as unidades e seus diversos ramos de negócios negociam preços de transferência entre si. As unidades devem saber as regras básicas das negociações dos preços de transferência. Assim, os preços de transferência não precisam ser fixados pela administração central. Uma das razões para isso é que a principal função do gerenciamento de linha é estabelecer preços de venda e realizar compras satisfatórias. Outra razão é o fato de que elas têm as melhores informações a respeito do mercado e dos custos, estando, assim, mais capacitadas para alcançar preços razoáveis. Se forem observadas as regrase existirem fontes externas e mercados, não há necessidade de cumprimento de outros procedimentos administrativos. O preço de transferência administrado, inevitavelmente, gera subsídios entre os centros de responsabilidade e pode promover um efeito motivacional negativo, se o responsável por um dos centros acreditar que as regras aplicadas sejam injustas. Frequentemente, mesmo com regras específicas, há casos em que os preços arbitrados não satisfazem nem aos compradores, nem aos vendedores, e as unidades não conseguem chegar a um acordo para estabelecer preços de transferência. Esses desacordos devem ser evitados ao máximo, pois, normalmente, tomam muito tempo das gerências e dos executivos da matriz. Cabe a um alto executivo da matriz ou do grupo resolver o impasse. Diferença entre os Métodos (Exemplo Numérico) Tomamos como exemplo uma empresa com três divisões: produtora, montadora e distribuidora. a) Produtora: Divisão Alfa adquire as matérias-primas e componentes, processa e transfere os itens em kits A, B, C e D para a montadora, Divisão Beta. b) Montadora: Divisão Beta recebe os itens processados pela Divisão Alfa,monta-os e transfere os produtos acabados para a distribuidora, Divisão Delta. c) Distribuidora: Divisão Delta recebe os produtos acabados transferidos pela Divisão Beta e vende-os aos clientes finais. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 8/17 Em nosso exemplo numérico, adotamos o método de preço de transferência com base nos custos efetivos (real) para, no segundo momento, desenvolvê-lo pelo método de preço de transferência com base no preço de mercado, para em seguida compará-los e apresentar as vantagens e desvantagens dos dois métodos. Os resultados eas diferenças apresentados pelo exemplo exposto repetem-se para os demais métodos, considerando suas particularidades de vantagens e desvantagens. Método de Preço de Transferência pelo Custo Efetivo (real) Por esse método, os produtos e serviços são transferidos pelo valor dos custos reais incorridos em cada processo de produção, conforme demonstrado nas tabelas abaixo: A Tabela 1 apresenta os custos incorridos na Divisão Alfa para produzir os kits A, B, C e D e os preços de transferência destes para a Divisão Beta. A Tabela 2 apresenta os valores dos preços de transferência recebidos da Divisão Alfa, para cada kit, e os custos adicionados para montar os kits A, B, C e D, base para a determinação dos preços de transferência, para a Divisão Delta. A Tabela 3 apresenta os valores dos preços de transferência recebidos da Divisão Beta para cada kit e os preços de venda sem impostos dos kits A, B, C e D, praticados no mercado pela Divisão Delta, para venda aos clientes finais. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 9/17 A Tabela 4 apresenta a demonstração de resultados das divisões tomando-se como base o preço de venda sem impostos (100%) adicionando-se os impostos sobre vendas como segue: Considerando-se que as despesas comerciais e administrativas representam 12% e 6%, respectivamente. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 10/17 Por esse método, o lucro líquido antes do IR e CSLL da empresa ficou todo na divisão de distribuição Delta. Método de preço de transferência com base no preço de mercado Por esse método, os produtos e serviços são transferidos pelo valor no mercado para cada kit, em cada divisão, conforme demonstrado em cada uma das tabelas a seguir. A Tabela 5 apresenta os custos incorridos na Divisão Alfa para produzir os kits A, B, C e D e os preços de transferência para a Divisão Beta, com base no valor de mercado. A Tabela 6 apresenta os valores dos preços de transferência recebidos da Divisão Alfa, para cada kit, e os custos adicionados para montar os kits A, B, C e D e os preços de transferência para a Divisão Delta, com base no valor de mercado de cada kit. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 11/17 A Tabela 7 apresenta os valores dos preços de transferência recebidos da Divisão Beta, para cada kit, e os preços de venda sem impostos dos kits A, B, C e D praticados no mercado pela Divisão Delta, para venda aos clientes finais. A Tabela 8 apresenta a demonstração de resultados das divisões tomando-se como base o preço de venda sem impostos (100%) adicionando-se os impostos sobre vendas conforme cálculos apresentados antes na Tabela 4. A seguir, é apresentada uma tabela demonstrando os resultados de cada divisão, justificando a vantagem desse método sobre o método do custo efetivo (real). 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 12/17 A Tabela 9 apresenta um resumo explicativo dos resultados obtidos nas tabelas anteriores, pelo método de preço de transferência com base no preço de mercado. Como pode ser verificado, por esse método, cada divisão tem como medida de desempenho a sua participação nos resultados, tornando-o um modelo mais justo, no qual cada responsável é motivado a exercer um controle rígido sobre seus custos. Preços de Transferência para Importação e Exportação A partir de 1º de janeiro de 1997, entrou em vigor a Lei nº 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu as normas que regulam as operações de Transfer Pricing no Brasil. O Brasil, a partir dessa data, passou a fazer parte do rol dos países que controlam os preços nas operações de importação e exportação de bens e serviços, entre empresas do mesmo grupo econômico. Legislação Brasileira para Preço de Transferência Em complemento à Lei nº 9.430/97, a Portaria MF nº 95/97 e as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal – SRF nº 38/97, nº 32/01 e nº 243/02 – também são utilizadas para a normatização do Preço de Transferência, obrigando os contribuintes a adotar uma metodologia de cálculo específica e a manter documentos que comprovem a adequação dos preços praticados nas transações entre partes relacionadas. Segundo a Receita Federal (2005), o termo “preço de transferência” tem sido utilizado para identificar os controles a que estão sujeitas as operações comerciais ou financeiras realizadas entre partes relacionadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, ou quando uma das partes está sediada em paraíso fiscal. Em razão das circunstâncias peculiares existentes nas operações realizadas entre essas pessoas, o preço praticado nessas operações pode ser artificialmente estipulado e, consequentemente, divergir do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas. Pessoas vinculadas e interpostas O conceito de pessoa vinculada torna-se essencial para o estudo do Preço de Transferência. Isso acontece 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 13/17 porque as operações realizadas com pessoas domiciliadas no exterior podem gerar evasão de divisas, o que, pela legislação brasileira, deve ser tributada. Para definir “Pessoas Vinculadas”, o artigo 23 da Lei nº 9430/96 e o artigo 2º da IN/SRF nº 38/97 contêm dez itens e diversos parágrafos, que resultam em cerca de 25 hipóteses de caracterização de partes relacionadas. Saiba mais Segundo o comentário de Rosseto (1998, p. 3), “os preços de referência devem ser calculados em bases anuais, exceto nas hipóteses de início e encerramento de atividades e de suspeita de fraudes, conforme Art. 40 da IN/SRF nº 38/97. Conforme o Art. 18 da Lei nº 9.430/96, na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, até o valor constante do documento de importação ou aquisição. A parcela doscustos que exceder ao valor resultante do método escolhido deverá ser adicionada ao lucro líquido, na determinação do lucro real.” Preço de transferência nas operações de importação A legislação de Preço de Transferência estabelece quatro métodos para apuração dos custos e despesas com as importações, como segue: a) Método dos Preços Independentes Comparados (PIC). b) Método do Preço de Revenda menos o Lucro (PRL) com margem de lucro de 20% (vinte por cento). c) Método do Preço de Revenda menos o Lucro (PRL) com margem de lucro de 60% (sessenta por cento). d) Método do Custo de Produção mais Lucro (CPL). Método dos preços independentes comparados (PIC) De acordo com a IN SRF nº 243/02, esse método é a média aritmética dos preços de bens, serviços e direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou em outros países, em operações de compra e venda, em condições semelhantes de pagamento. Os preços desses bens, serviços ou direitos serão comparados com aqueles que: a) foram vendidos pela mesma empresa exportadora, não vinculada, residente ou não; b) foram adquiridos pela mesma empresa importadora, não vinculada, residente ou não; c) em operações de compra e venda entre Pessoas Jurídicas, não vinculadas,residentes ou não. São aspectos fundamentais do método PIC: obter dados de fornecedores ou concorrentes e comparar os preços com empresas não vinculadas e independentes, utilizando a média do Brasi ou de outros países. Além disso, o preço e os ajustes poderão variar de acordo com o ramo do negócio e a legislação específica. Apesar de parecerum método de fácil aplicação, pode apresentar algumas dificuldades. Em algumas situações específicas, esse método é de difícil aplicação devido à inexistência de produtos idênticos e similares à venda no mercado. É o caso de aquisições pelas empresas vinculadas localizadas no exterior, dos concentrados de refrigerantes, de produtos considerados agentes ativos dos laboratórios farmacêuticos eoutros produtos resultados, muitas vezes, de fórmulas ou processos que seus detentores não 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 14/17 pretendamdivulgar. Método do preço de revenda menos lucro (PRL) – margem de 20% Saiba mais Comentário apresentado por Rosseto (1998, p. 4) sobre esse método: “Também aplicável apenas na revenda de produtos importados e não podendo ser utilizado no caso de importações de matérias-primas, este método baseia-se na média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, deduzindo-se: juros nas vendas a prazo, descontos incondicionais, impostos sobre vendas, comissões e corretagens, e margem de lucro de 20% calculada sobre o preço médio de revenda, praticados pela própria empresa com pessoas não vinculadas, excluindo-se os descontos incondicionais.” Como apurar o Preço de Transferência pelo método PRL 20%: Sobre o valor adquirido após a exclusão dos descontos e das devoluções será aplicada a Margem de lucro de 20%; em seguida, serão deduzidos: a) os impostos e as contribuições incidentes sobre a venda (PIS, COFINS, ICMS, ISS); b) comissões e corretagens pagas; c) fretes e seguros embutidos na Nota Fiscal de Venda. Esse método tem sua aplicação facilitada, pois independe da informação passada por terceiros. Método do preço de revenda menos o lucro (PLR2) – margem de 60% Método instituído em janeiro de 2000, utilizado por empresas na compra de matéria-prima e produtos intermediários que serão utilizados na produção de bens e produtos acabados. Além da sua aplicabilidade, difere-se do outro método PRL na base de cálculo e na alíquota, mas são considerados praticamente os mesmos critérios. O PRL2 – 60% tem a mesma facilidade do outro método PRL. No entanto, esse é de uso exclusivo para cálculo de preço parâmetro de matérias-primas ou produtos intermediários. Sua base de cálculo é diferenciada, já que nesse método todas as deduções possíveis são efetuadas antes da aplicação da margem de lucro de 60%. Método do custo de produção mais lucro (CPL) Método utilizado para a importação de bens, direitos e obrigações destinados a imobilização e produção de outros bens. É definido como custo médio de produção dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, nos países originários, acrescido dos impostos do país incidentes sobre a exportação. Sobre o custo apurado incide uma Margem de Lucro de 20%. De acordo com a IN nº 243/02, poderão ser computados como parte integrante do custo: a) custo de qualquer bem, serviço ou direito aplicado ou consumido na produção; b) além das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 15/17 c) o custo com salários e encargos sociais exigidos na legislação do país; d) custos de locação, manutenção e reparo; e) os encargos de depreciação, amortização ou exaustão dos bens, serviços e direitos aplicados na produção; f) perdas e quebras razoáveis. Esse método tem sua aplicação inviável, pois para sua realização seria necessário o conhecimento de custos. Preços de Transferência na Exportação Nas exportações, os critérios não são muitos diferentes dos utilizados nas importações. Da mesma forma, permite aos contribuintes escolher o método que melhor benefício lhes proporcionar. Uma distinção é feita entre exportações para clientes atacadistas e varejistas. Assim, à determinação dos preços de referência das exportações são utilizados os mesmos parâmetros que nas importações. Na prática, pode-se afirmar quetambém existem três métodos de determinação de preços de referência nas exportações, sintetizados a seguir. Preços de venda nas exportações (PVEx) Na sua determinação, devem ser considerados, em um mesmo período de apuração e para compradores não vinculados, em condições negociais semelhantes: preço médio das próprias exportações; preço médio das exportações de outros clientes. Comparando-se os critérios do “PIC” com os do “PVEx”, verifica-se a inexistência de diferenças substanciais entre eles, podendo-se afirmar que seriam passíveis de consolidação (ROSSETO, 1998). Preço de Venda no Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro (PVA) Da mesma forma, esse método está calcado nos mesmos critérios do “PRL” para as importações, com o preço de referência sendo resumidamente calculado como segue (ROSSETO, 1998, p. 5): média dos preços por atacado; menos tributos incluídos no preço; menos margem de lucro de 15% sobre o preço bruto de venda. Preço de venda a varejo no país de destino, diminuído do lucro (PVV) Essa metodologia de cálculo do preço de referência difere da anterior somente no percentual de margem de lucro, que passa de 15% para 30%, provavelmente devido às maiores despesas que um cliente varejista incorre na distribuição do produto ao consumidor final, o que justificaria a diferença de percentual entre varejistas e atacadistas (Caderno de Estudos, São Paulo, FIPECAFI, v.10, n.17, p.79-85, janeiro/abril 1998). Método do custo de aquisição produção mais tributos e lucro (CAP) 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 16/17 As características básicas desse método equiparam-se às do CPL usado para as importações, devendo ser levado em consideração: custo médio de produção própria; tributos incidentes na exportação; crédito presumido do IPI (ressarcimento do Cofins/PIS); margem de lucro de 15% sobre o custo médio mais tributos. Uma interpretação “prática” dessa metodologia seria a de que o governo, nessa fase inicial de vigência da atual legislação e dentro de um esforço de incremento das exportações, permitisse vários “graus de liberdade” para os exportadores, desde que os preços de venda praticados gerem renda tributável, no Brasil, sobre a margem de15% aplicada sobre o custo médio dos produtos (ROSSETO, 1998). Resumo da lição Nesta lição, foram abordados: a contabilidade por responsabilidade, suas finalidades e objetivos, a departamentalização da empresa, os conceitos de departamentos, centros de custos, centros de lucros e centros de investimentos. Também foram abordados os aspectos sobre a descentralização e as metodologias de cálculos de preços de transferências. 20/01/26, 10:17 Estudando: Contabilidade Gerencial | Prime Cursos https://www.primecursos.com.br/openlesson/10069/102238/ 17/17