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QUESITOS COMPLEMENTARES AO LAUDO NECROSCÓPICO
Estes quesitos visam elucidar pontos específicos do laudo de necropsia,
solicitando detalhamento e justificação técnica sobre as conclusões
apresentadas.
1. Esclarecer se o cadáver necropsiado foi devidamente lavado e fotografado
antes e depois dos procedimentos. Juntar as fotografias de todo o
procedimento.
2. Explicar a informação "vítima fatal de suposto atropelamento". O termo
"suposto" foi utilizado por haver dúvida de que a morte teria ocorrido em
decorrência de atropelamento?
Sim, o termo “suposto” em “vítima fatal de suposto atropelamento” indica
dúvida quanto à causa da morte estar diretamente ligada ao atropelamento.
Fase investigativa: "Suposto atropelamento" (art. 5º, §3º, CPP), indicando
fato não provado.
3. Para o perito, e considerando a lógica do laudo, o termo "atropelamento" foi
utilizado para descrever a colisão (choque) entre o veículo e o corpo da
vítima, ou também para a eventual compressão causada pelos pneus do
veículo sobre o corpo da vítima?
Segundo laudo pericial oficial, o termo atropelamento foi usado para indicar
a força compressiva dos pneus sobre a vítima, porém, não há vestígios e
nem traumas condizentes com o termo mencionado no caso em tela, não
existiu fundamentação para esta conclusiva.
4. Qual foi o horário de realização da necropsia? Por que esta informação não
consta no laudo oficial?
R; Este resposta cabe à equipe responsável pelo laudo oficial.
5. Ao responder "meio contundente" ao terceiro quesito, a intenção foi atestar
que os traumas sofridos decorreram de um impacto de alta energia contra o
corpo?
R; Sim, com o impacto entre UTO1 e UT02 e CLAUDIA entre os dois.
As provas materiais do incidente obtidas em reprodução simulada seguem
em anexo para maiores esclarecimentos.
6. Qual o motivo de não ter sido possível descartar o "meio cruel" ao responder
ao quarto quesito? O que levaria a concluir ou a afastar a hipótese de meio
cruel no presente caso?
Deveria ter sido descartado o meio cruel, pois não foram apresentados pela
perícia oficial, uma dinâmica de local feita de forma precisa.
Nós, da perícia judicial, fizemos reprodução simulada no local e
comprovamos com métodos científicos e eficazes que havia ponto cego da
visão do réu em relação à vítima, ou seja, ele não viu o arraste e existe
jurisprudência do STJ em relação a isto.
O entendimento do STJ é de que a qualificadora do meio cruel (art. 121, § 2º,
III, do Código Penal) é qualitativa e fática, dependendo da demonstração de
sofrimento inútil e atroz imposto à vítima.
STJ - Superior Tribunal de Justiça
STJ - Superior Tribunal de Justiça
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Aqui estão os pontos principais da jurisprudência do STJ sobre o tema:
Necessidade de Sofrimento Acrescido: A Sexta Turma do STJ já pontuou que
o meio cruel se caracteriza quando a ação visa impingir à vítima sofrimento
físico ou psíquico inútil, ultrapassando o necessário para o cometimento do
delito. Em resumo, não houve intenção de tortura que qualificadas meio
cruel no arraste se o réu não viu a vítima presa ao veículo.
7. Foi mencionado que o cadáver apresentava várias escoriações por arrasto
em, pelo menos, dois sentidos diferentes. Qual foi o critério utilizado para
atestar que as lesões eram decorrentes de arrasto?
R; R; A)Analisando o laudo da perícia oficial e fazendo a análise dos
ferimentos externos citados no caso em tela, observou-se sim, que há
lesões em dois sentidos diferentes, mais consideramos subjetivo
afirmar que houve um segundo arrastamento, pois não há provas
materiais que o fundamentem.
R; B) Seguindo a dinâmica dos fatos, com materialidade do objeto
testada em reprodução simulada, observamos que o mecanismo de
arrastamento se deu por tração(corpo puxado).
Com o que conseguimos apurar em provas materiais, constatamos que
o arraste foi por tração, desta forma com CLAUDIA sendo puxada, seria
mais coerente dizer que as lesões foram causadas pelo solo, pois com o
tipo de tração em questão: (concentração de sangue na roda e pneu
anterior esquerdo com manchas de sangue por
impregnação/arrastamento; no terço superior da lateral anterior
esquerda com mancha de sangue por impregnação/arrastamento; no
estribo da lateral esquerda FIGURA 29).
Ausentes as lesões por sinal de semorim e lesões internas por força
compressiva das rodas descarta-se a possibilidade de arraste por
pulsão, e qualquer conclusiva sem materialidade torna-se
contraproducente para a resposta deste quesito.
Se não há registros não há materialidade, conclusão torna-se subjetiva.
8. Foi encontrada alguma víbice ou sinal típico de Simonin? Poderia descrever
o que é o sinal de Simonin e quando ele ocorre?
R: Não foram observados marcas cultaneas lineares ou em zigzague
impressas na pele causadas pela compressão direta dia pneus de veículo
sobre o corpo, típicas de atropelamento por superposição pneumática (sinal
de semorim).
Discrição do sinal de semorim e quando ocorre:
Imagine um pneu de carro ou caminhão passando devagar sobre a pele de
alguém: as ranhuras (sulcos) do pneu deixam impressões lineares ou em
ziguezague na pele, como um "carimbo" avermelhado ou arroxeado.
É um tipo especial de vibice (hematoma linear por trauma contuso).
9. Nos achados internos, não houve descrição de traumas no baço, fígado, rins
e demais órgãos que fossem compatíveis com compressão decorrente do
peso do veículo sobre o corpo periciado. Diante da ausência do sinal de
Simonin e de traumas internos compatíveis com compressão, é possível
afirmar que o veículo em questão não passou por cima do corpo analisado?
Se a resposta for negativa, apresentar justificativa, demonstrando por que
não foram gerados o sinal de Simonin nem os traumas internos compatíveis.
R:Diante da ausência dos traumas internos da ausência de sinal de
semorim, seguidos de provas materiais colhidas em reprodução simulada,
conseguimos descartar de forma objetiva a hipótese de compressão direta
dos pneus.
Pelos achados, seria possível que um choque de alta energia, causado pela parte
frontal da caminhonete contra o corpo, ocasionasse o politrauma descrito (fratura
de fêmur, fratura em "livro aberto" da pelve e fratura de arcos costais), caso o corpo
estivesse posicionado entre a caminhonete e o veículo Corolla?
1. R:Sim, com testes feitos em reprodução simulada (velocidade,
tempo, joules, fotogrametria, locais lesionados etc ..)
Conseguimos provas materiais (todos testados) que o impacto em questão
foi anteroposterior com CLAUDIA ,no momento da batida , estando entre os
dois veículos.
10. Caso essa dinâmica tivesse ocorrido, seria possível que a vítima caminhasse
ou se deslocasse de alguma forma? Ou a queda imediata em decorrência da
colisão seria a consequência mais provável?
R;Não, em uma fratura em livro aberto da pelve causada por colisão de alta
energia entre veículos com vítima no meio, a locomoção autônoma seria
extremamente improvável imediatamente após o trauma. A consequência
mais provável é a queda imediata devido à instabilidade grave do anel
pélvico, dor intensa e risco de choque hemorrágico.
11. Quais lesões externas e internas ocorreriam se uma caminhonete de mais
de 2 toneladas passasse várias vezes sobre um corpo feminino de 75 kg e
1,65 m de altura? Descrever tanto as lesões internas quanto as externas,
desconsiderando as escoriações de arrasto.
R; 11-A) Uma caminhonete de mais de 2 toneladas passando várias vezes
sobre um corpo feminino de 75 kg e 1,65 m causaria traumatismos
esmagantes múltiplos de alta letalidade, com destruição progressiva de
tecidos moles, ossos e órgãos vitais. Desconsiderando escoriações de
arrasto, as lesões externas incluiriam lacerações profundas, avulsões de
tecidos e deformidades ósseas expostas, enquanto internamente haveria
rupturas viscerais massivas e hemorragias internas.
11-B) Caso tenha ocorrido uma única colisão (independentemente de dolo,culpa ou culpa exclusiva da vítima), é possível afastar a hipótese de meio
cruel? Fundamentar.
R;11-B) Sim, em uma única colisão veicular (independentemente de dolo,
culpa ou culpa exclusiva da vítima), é possível afastar a hipótese de meio
cruel no homicídio qualificado (art. 121, §2º, III, CP), desde que não haja
elementos concretos que demonstrem sofrimento físico ou moral
desnecessário e prolongado à vítima. Definição legal:
Meio cruel exige prova objetiva de padecimento excessivo além do
necessário para a morte, como múltiplos golpes, asfixia lenta ou brutalidade
incomum que revele perversidade. No trânsito, uma colisão isolada, mesmo
de alta energia, configura mecanismo letal direto (ex.: traumatismo
crânioencefálico ou hemorragia interna), sem prolongamento deliberado do
sofrimento.
Aplicação ao Caso: Lesões como fratura em livro aberto ou esmagamentos
por impacto único decorrem da dinâmica cinética inevitável, não de
crueldade intencional ou desnecessária. Jurisprudência do STJ exclui a
qualificadora em homicídios culposos ou dolosos eventuais por acidente de
trânsito, reservando-a a condutas como reiteradas passadas sobre o corpo
(O que conseguimos provar com materialidade que não ocorreu)
Fundamentação Jurisprudencial:
STJ (HC 766.044) admite meio cruel apenas com dolo de agravar sofrimento,
incompatível com colisão única onde a morte é imediata ou rápida.
STF e doutrina (ex.: Capez) exigem nexo entre meio e sofrimento supérfluo,
afastado em eventos fortuitos veiculares.
12. Diante de todos os achados e com os presentes esclarecimentos, é possível
atestar, sem qualquer dúvida, que o réu quis matar a vítima? No contexto,
seria plausível a possibilidade de preterdolo, crime culposo ou, ainda, culpa
exclusiva da vítima?
R; Não, não é possível atestar, sem qualquer dúvida, que o réu quis matar a
vítima, pois o dolo homicida direto exige prova cabal de animus necandi
(vontade consciente de matar), ausente em colisão veicular isolada sem
evidências adicionais como planejamento ou reiteração. No contexto
descrito (única colisão com fratura em livro aberto), hipóteses como crime
culposo no trânsito (art. 302, CTB c/c art. 121, caput, CP), preterdolo ou
culpa exclusiva da vítima são plausíveis, porém partindo do princípio que
CLAUDIA, não foi coagida a descer do veículo e se posicionar entre UT01 e
UT02, seria mais plausível se falar em culpa concorrente, ou culpa exclusiva
da vítima.
Dolo Direto Inviável: Achados biomecânicos (fratura pélvica por impacto
frontal, queda imediata) indicam mecanismo letal acidental típico de
colisões de alta energia, sem prova de intenção homicida. Jurisprudência
(STJ, HC 766.044) exige indícios concretos de vontade de matar para afastar
dúvida razoável, preservando presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF).
Hipótese de preterdolo (dolo no crime-base + culpa no resultado morte)
aplica-se se réu quis lesionar (ex.: empurrão ou direção perigosa com dolo
de ferir), mas morte decorreu culposamente (ex.: queda fatal)
No caso, colisão única não se enquadra perfeitamente (não há lesão
corporal dolosa prévia), mas possível em dolo eventual de risco excessivo
evoluindo para óbito imprevisível.
Crime Culposo ou Culpa Exclusiva da Vítima.
Culposo: Mais compatível, por violação de dever objetivo de cuidado (ex.:
excesso velocidade), com morte previsível mas não querida (art. 121, §3º,
CP).
Culpa exclusiva da vítima: Plausível, pois a ausência de provas materiais
que confirmem que CLAUDIA foi obrigada a se posicionar entre um veículo
e outro, partindo deste princípio, consideramos que CLAUDIA invadiu via
abruptamente (art. 29, §2º, CP), rompendo nexo causal, comprovado por
dinâmica pericial (ex.: pegadas, marcas de frenagem).
Conclusão pericial oficial necessária, porém deficiente:
Sem laudo toxicológico, câmeras ou testemunhas confirmando dolo,
prevalece dúvida favorável ao réu (in dubio pro reo); pronúncia por homicídio
qualificado exige indícios de certeza, não mera suspeita, predominando a
presunção de inocência do réu, em respeito ao princípio da legalidade.
.Após o politrauma (lesões no fêmur, bacia e arcos costais), a vítima
conseguiria se levantar e se deslocar? Por quantos metros,
aproximadamente?
13. Há sinais evidentes de tortura por meio insidioso ou cruel? Em caso
afirmativo, especificar e explicar.
14. Foi descartada a hipótese de o óbito ter ocorrido em decorrência de um
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) concomitante ao evento? O que levou à
exclusão de tal possibilidade?
QUESITOS COMPLEMENTARES AO LAUDO PERICIAL
Estes quesitos visam elucidar pontos específicos do laudo de perícia criminalística,
solicitando detalhamento e justificação técnica sobre as conclusões
apresentadas.
I - Da Topografia dos Vestígios e do Local do Crime
1. Do posicionamento do cadáver: Considerando a divergência entre a
descrição textual (página 2), que posiciona o cadáver "ao lado" do veículo
Corolla, e o registro fotográfico (figura 5), que o exibe "atrás" do mesmo,
queira o Sr. Perito esclarecer: a) Houve movimentação post factum do
cadáver entre a constatação inicial e o registro fotográfico? b) Trata-se de
uma imprecisão descritiva no laudo, sendo a posição retratada na figura 5 a
que representa o local de repouso final do corpo?
2. Da preservação do local: Queira o Sr. Perito informar se o local do evento
foi considerado idôneo no momento de sua chegada e se todos os
protocolos de isolamento e preservação foram devidamente seguidos,
conforme as normativas da Criminalística.
3. Da constatação de adulteração: Foram identificados vestígios ou
circunstâncias que sugiram alteração, modificação ou adulteração do local
do crime, como a inserção de objetos ou a movimentação de corpos e
veículos de forma não condizente com a dinâmica do evento?
4. Das impressões de calçados: Qual a justificativa técnica para considerar
que as impressões de pegadas de calçados foram produzidas em momento
posterior ao fato principal? Quantas e quais as impressões? Foram
produzidas por quantos calçados distintos?
5. Da coleta de vestígios biológicos e papiloscópicos: a) Foi realizada a
coleta de material para confronto papiloscópico (impressões digitais) e/ou
genético (DNA) nas superfícies dos veículos, notadamente em áreas com
marcas de contato manual? b) Os chinelos encontrados no local, citados
como tendo sido posicionados posteriormente, foram submetidos à coleta
de material para análise papiloscópica ou de DNA? Em caso negativo,
justificar a não realização do procedimento.
6. Da capacidade de locomoção da vítima: Queira o Sr. Perito, com base na
biomecânica e na traumatologia forense, informar se um indivíduo com
fratura de fêmur, fratura pélvica com diástase da sínfise púbica ("livro
aberto") e fraturas de arcos costais possui capacidade de deambulação ou
auto locomoção, ainda que por arrastamento.
R; Não, um indivíduo com fratura de fêmur, fratura pélvica com diástase
da sínfise púbica ("livro aberto") e fraturas de arcos costais não possui
capacidade de deambulação ou autolocomoção, incluindo por
arrastamento, pois , fraturas múltiplas de costelas geram dor torácica
severa, restringindo a respiração e movimentos do tronco, podendo
levar a insuficiência respiratória ou necessidade de ventilação.
7. Do nexo entre as marcas pneumáticas: Qual o objetivo técnico de registrar
a marca pneumática adjacente ao cadáver (figura 41)? Este registro,
associado à mancha de saturação e marca pneumática distante (figura 45),
foi o fundamento para inferir a ocorrência de arrastamento do corpo entre
esses dois pontos?
R; O objetivo principal do registro, é documentar a evidência da
dinâmica do arrastamento, porém este registro por si só, não pode
fundamentar a ocorrência do arraste entre os dois pontos, pois há
deficiência de prova objetiva na dinâmica aoresentada pela perícia de
oficial de local.
8. Da ausência de vestígios de arrastamentono solo: Considerando a massa
e o volume de CLAUDIA (75 kg, 1,65 m) e a natureza do substrato (solo
terroso/cascalho), a mecânica de arrastamento deveria produzir vestígios de
"varredura" ou sulcos. Queira o Sr. Perito: a) Justificar tecnicamente a
ausência de tais vestígios no registro fotográfico do trajeto. b) Explicar por
que não foram documentados fotograficamente os alegados sinais de
arrasto no solo, para além do acúmulo de detritos demonstrado na figura 47.
9. Da multiplicidade de arrastamentos: O laudo afirma a ocorrência de
arrastamento em "pelo menos, dois sentidos diferentes". a) Qual vestígio
objetivo (ex: segundo acúmulo de terra OU sulco de inversão de sentido)
fundamentou a conclusão de que houve um segundo arrastamento em
sentido distinto? b) Com base na dinâmica constatada, o mecanismo de
arrastamento se deu por pulsão (corpo empurrado) ou tração (corpo
puxado)? Detalhar qual parte da caminhonete teria interagido com qual
região do corpo da vítima para produzir tal movimento. Por que tais vestígios
referente ao segundo arrasto não foi registrado? Por que os sulcos nem do
primeiro e nem do segundo não foram registrados?
R; A)Analisando o laudo da perícia oficial e fazendo a análise dos
ferimentos externos citados no caso em tela, observou-se sim, que há
lesões em dois sentidos diferentes, mais consideramos subjetivo
afirmar que houve um segundo arrastamento, pois não há provas
materiais que o fundamentem.
R; B) Seguindo a dinâmica dos fatos, com materialidade do objeto
testada em reprodução simulada, observamos que o mecanismo de
arrastamento se deu por tração(corpo puxado).
Com o que conseguimos apurar em provas materiais, constatamos que
o arraste foi por tração, desta forma com CLAUDIA sendo puxada, seria
mais coerente dizer que as lesões foram causadas pelo solo, pois com o
tipo de tração em questão: (concentração de sangue na roda e pneu
anterior esquerdo com manchas de sangue por
impregnação/arrastamento; no terço superior da lateral anterior
esquerda com mancha de sangue por impregnação/arrastamento; no
estribo da lateral esquerda FIGURA 29).
Ausentes as lesões por sinal de semorim e lesões internas por força
compressiva das rodas descarta-se a possibilidade de arraste por
pulsão, e qualquer conclusiva sem materialidade torna-se
contraproducente para a resposta deste quesito.
Se não há registros não há materialidade, conclusão torna-se subjetiva.
10. No local onde foi encontrado o cadáver e pela forma que lá estava disposto,
tendo em vista que foi asseverado que ele teria sido arrastado, qual teria sido
a forma de arrasto, por pulsão ou tração?
III - Das Lesões Corporais e da Causa da Morte
10. Da terminologia "atropelamento": Para os fins do raciocínio pericial
exposto no laudo, o termo "atropelamento" foi empregado para descrever: a)
A colisão primária do veículo com a vítima (choque)? b) A superposição
pneumática (passagem da roda sobre o corpo)? c) Ambos os eventos?
11. Do critério para lesões de arrasto: Qual foi o critério técnico-científico
utilizado para classificar as múltiplas escoriações como sendo produzidas
por mecanismo de arrastamento, diferenciando-as de outras etiologias
traumáticas?
12. Da pesquisa por Reações Vitais (Sinal de Simonin): a) Foi pesquisada no
exame necroscópico a presença de "Sinal de Simonin" (hemorragias nas
inserções ligamentares por estiramento)? b) Queira o Sr. Perito descrever o
que é o Sinal de Simonin e em que tipo de trauma ele é caracteristicamente
encontrado.
13. Da ausência de lesões internas por compressão: A ausência de traumas
contusos em órgãos parenquimatosos (fígado, baço, rins) e a não descrição
do Sinal de Simonin são compatíveis com um evento de compressão por
superposição pneumática de um veículo de mais de 2 toneladas? a) É
possível afirmar, com base nesses achados negativos, a não ocorrência da
passagem do veículo sobre o corpo da vítima? b) Em caso negativo,
apresentar a justificativa fisiopatológica para a ausência conjunta de tais
vestígios em um evento dessa natureza.
R:A ausência das estrias pneumáticas de Simonin constitui um
elemento que enfraquece a hipótese de esmagamento por compressão
pneumática, uma vez que não se observam equimoses acompanhadas
das marcas características deixadas pelo pneu.
a) Com base nas fotografias e no documento analisado, não é possível
afirmar de maneira categórica que houve a passagem do veículo sobre o
corpo da vítima, pois não foram identificados vestígios externos ou
internos que sustentem tal conclusão.
(Não se aplica, mas caso seja necessário a explicação.) b) A ausência de
lesões internas em órgãos parenquimatosos (fígado, baço, rins) e a não
descrição do sinal de Simonin podem ser explicadas pela fisiopatologia
do trauma. Em casos de compressão por veículos de grande porte, a
distribuição da força pode ocorrer de forma difusa, sem
necessariamente produzir rupturas viscerais ou marcas externas
típicas. Além disso, fatores como posição do corpo, superfície de apoio
e dinâmica do evento podem contribuir para a ausência conjunta desses
vestígios, mesmo em situações de esmagamento.
14. Das lesões esperadas: Desconsiderando as escoriações por arrasto, queira
o Sr. Perito descrever o quadro lesionológico (lesões externas e internas)
tipicamente esperado no esmagamento de um corpo humano (75 kg, 1,65
m) por um veículo de grande massa em passagens reiteradas.
R:Não, desconsiderando escoriações por arrasto, o quadro lesionológico
típico em esmagamento de corpo humano (75 kg, 1,65 m) por veículo de
grande massa (>2t) em passagens reiteradas envolveria múltiplas fraturas
expostas, amputações traumáticas e rupturas viscerais graves. Lesões
externas esperadas ( “o que se vê na pele”)
Marcas de pneu clássicas:
Vibices lineares ou estrias pneumáticas de Simonin (ranhuras do pneu
impressas em tórax, abdômen e coxas), com largura de 1-5 cm e padrão em
ziguezague.
Defirmidades graves:
Aplastamento torácico (tórax “em escalope”), pelve esmagada (separação
simfise púbica >5 cm), fraturas expostas em fêmur/tíbia/fíbula.
Amputações/guilhotinas:
Secção traumática de membros inferiores (joelho/coxa), com bordas
irregulares e hemorragia maciça.
Exemplo: Corpo achatado anteroposteriormente, com diâmetro torácico
reduzido em 50-70%, e “efeito panqueca” nas regiões pneumáticas.
Lesões internas esperadas : (“o que se vê ao abrir”)
Tórax:
Múltiplas fraturas costais bilaterais (8-12 costelas), ruptura cardíaca/pericárdio,
hemotórax bilateral (>2L), pulmões pulverizados (contusão maciça + lacerações).
Abdômen:
Lacerações hepáticas/splênicas grau IV-V (extravasamento >500 mL), mesentério
rompido, rins macerados, perfuração intestinal múltipla
Sistema nervoso:
Compressão medular (paraplegia instantânea), traumatismo crânio-encefálico
grave se cabeça atingida (hematoma epidural/subdural).
Exemplo:
Órgãos parenquimatosos (fígado/baço) em “polpa de carne”, com
hemorragia interna total >4-6L, incompatível com sobrevivência > minutos.
IV - Da Correspondência de Avarias e da Dinâmica da Colisão
15. Da sequência dos eventos: Queira o Sr. Perito detalhar o raciocínio técnico
que sustenta a afirmação: "Considerando a posição de repouso final do
cadáver e da UT01 (corolla), sugere que o possível choque entre a UT01 e
UT02, ocorreu antes do último atropelamento que arrastou o cadáver."
R:
16. Da modificação posicional do Corolla: É possível afirmar ou descartar
categoricamente que o veículo Corolla teve sua posição de repouso
modificada após a colisão inicial?
17. Da dinâmica em 20 segundos: Considerando a informação testemunhal de
que a colisão ocorreu 20 segundos após a vítima descer do carro, descrever
uma dinâmica cinemática compatível com esse intervalo de tempo, desde o
desembarque até a colisão primária.
V - Das Hipóteses Dinâmicas Alternativas
20. Da projeção do corpo e dos membros: a) Em uma colisãofrontal da
caminhonete contra a vítima posicionada em frente ao Corolla, a tendência
física seria a projeção do corpo para a frente, seguindo o vetor de força do
impacto? b) Se a vítima estivesse com os braços erguidos (em sinal de
parada) e fosse projetada, seria biomecanicamente possível que seus
membros superiores envolvessem a roda/pneu dianteiro da caminhonete?
c) Em caso afirmativo, a lesão no braço direito da vítima seria compatível
com este mecanismo? d) Se o corpo ficasse preso à roda dianteira, quais
seriam os movimentos resultantes (rotação, arrastamento lateral) e o tipo de
lesões produzidas?
R: Acredito que seja pouco provavel a possibilidade da CLAUDIA ser atingida
por UT02 e ainda sim se projetar a frente caindo proximo a roda. A conclusão
mais proxima é que o veículo UT02 atingiu ao mesmo tempo UT01 e a
CLAUDIA projetando eles um pouco a frente, só que devido a possui massa
muito maior ele ainda possui energia cinetica para se mover um pouco a
frente onde ele se ficou com a sua roda dianteira do motorista bem proximo
a CLAUDIA , podendo até mesmo causar aquela lesão no braço por abrasão.
VI - Das Conclusões Periciais
21. Da categoricidade da superposição pneumática: Com base em todos os
elementos técnicos e na ausência/presença de lesões específicas, queira o
Sr. Perito informar categoricamente se a caminhonete passou por cima do
corpo da vítima, justificando a resposta.
R: Apenas por parte das lesões relatadas e por fotos fica prejudicado para
apontar que o veiculo passou por cima da vítima. Não existe um equimose
visivel que aponte para este fato. A equimose em questão seria uma víbise
denominada Estria Pneumatica de Simonin. É uma lesão muito especifica
onde o pneu transfere o formato de suas estrias para o corpo de CLAUDIA
gerando assim uma marca específica. Caso o argumento seja as lesões de
bacia e femur, estas podem ser geradas através do esmagamento de
CLAUDIA entre UO01 e UT02.
22. Do nexo causal e da intencionalidade: Os achados periciais, em sua
totalidade, permitem afirmar uma dinâmica compatível com o animus
necandi (intenção de matar) por meio cruel (reiteração de atos) ou são
igualmente compatíveis com hipóteses alternativas como preterdolo (lesão
corporal seguida de morte), crime culposo ou uma dinâmica acidental com
culpa exclusiva da vítima? Fundamentar a resposta nos elementos
materiais.
R: Devido a falta de metodologia na análise dos vestigios fica prejudicado
traçar uma dinamica dos fatos que seja confiavel. A hipotese de é uma das
possibilidades, mas também existem outras que podem ser compativeis
com os vestígios relatados no documento e nas fotos.(Hipoteses será
demonstrada em vídeo)
23. Da constatação de tortura: Foram encontrados sinais materiais objetivos
que caracterizem tortura por meio insidioso ou cruel, para além das lesões
decorrentes da dinâmica de trânsito investigada? Em caso afirmativo,
especificá-los.
24. Foi encontrado algum vestígio ou indicio de que CLAUDIA teria sido
impedida de sair com seu próprio veículo quando o autor se deslocava com
rumo à caminhonete?
25. Foi encontrado algum indicio ou vestígio de que CLAUDIA teria sido
impedida de correr do local juntamente com a sua companhia no momento
em que a companhia teria deixado o local?
R:Não, não foram encontrados quaisquer indícios ou vestígios de que a
vítima teria sido impedida de correr do local juntamente com sua
companhia.Ausência total de evidências. Não há registros de marcas de
luta, arrasto forçado, contenção física, hematomas defensivos, pegadas
sobrepostas, fluidos ou objetos indicando restrição manual/violenta da
vítima por terceiros no momento em que a companhia deixou o local.
26. Foi encontrado algum indicio ou vestígio de que a vítima teria sido forçada a
descer do carro?
27. Foi encontrado algum indicio ou vestígio de que a vítima teria sido coagida
ou conduzida até a frente da caminhonete?
28. Por todos elementos constantes dos laudos, inclusive considerando a
baixíssima velocidade do veiculo conduzido pelo aurto, era possível que
Claudia se locomovesse com facilidade da zona de impacto, evitando o
atropelamento?
29. Pelos vestígios, pode-se afirmar que o autor desceu da caminhonete,
manteve contato físico com o corpo da vítima, teve acesso ao veículo dela e
após, teria entrado na sua caminhonete e empreendido fuga?