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Processo de Trabalho em Saúde e em Enfermagem O processo de trabalho no campo da saúde diferencia-se substancialmente da produção industrial de bens materiais. Enquanto na indústria o produto é finalizado e estocado para consumo posterior, na saúde o serviço é produzido e consumido simultaneamente. O sucesso de um tratamento ou de uma ação preventiva está intrinsecamente ligado à capacidade de escuta do profissional e à adesão do sujeito. Nesse cenário, o usuário atua como um coautor do processo terapêutico, tornando a relação clínica um espaço de troca e pactuação, e não apenas de imposição técnica. Devido à complexidade das demandas humanas, o trabalho em saúde é, por definição, um esforço coletivo e interdisciplinar. Nenhuma categoria profissional detém o monopólio do saber necessário para a cura ou promoção da saúde. É a articulação entre médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e demais técnicos que permite uma visão sistêmica do paciente. Além disso, essa rede deve extrapolar os muros das unidades de saúde por meio da intersetorialidade, conectando-se com políticas de educação, saneamento, lazer e segurança para enfrentar as causas raízes do adoecimento. Os trabalhadores da saúde incluem todos os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o cuidado, seja com ou sem formação específica na área, com ênfase na sua inserção no Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2009). Para realizar o trabalho, os profissionais mobilizam diferentes saberes: o saber manusear (uso de materiais e equipamentos), o saber aplicar (conhecimentos técnicos e científicos) e o saber estabelecer relações (comunicação e vínculo). A integração desses saberes é essencial para a eficácia do trabalho (FRANCO; MERHY, 2003). No caso da enfermagem, seu processo de trabalho está inserido em uma lógica socialmente determinada e não isolada do mundo do trabalho. A profissão, que historicamente esteve voltada ao cuidado no processo saúde-doença, passou por transformações, ampliando suas responsabilidades e assumindo novos papéis, o que tornou o trabalho mais complexo (SOUZA et al., 2010). Para que a assistência de enfermagem seja eficaz, é fundamental que o enfermeiro organize suas ações de forma sistematizada, aplicando seus conhecimentos técnicos e científicos. O processo de trabalho envolve diversas dimensões, como assistência, gestão, ensino, pesquisa e participação política (SOUZA et al., 2010). Reconhecer essas dimensões permite uma gestão mais qualificada do cuidado. Por fim, a gestão do cuidado, ao oferecer suporte individualizado ao paciente e à sua família, visa promover qualidade de vida, bem-estar e autonomia. O processo de trabalho em enfermagem articula saberes técnicos, científicos e relacionais, promovendo um cuidado integral e humanizado. Referências FRANCO, T. B.; MERHY, E. E. O trabalho em saúde: olhando e experienciando o SUS no cotidiano. São Paulo: Hucitec, 2003. SOUZA, M. F. et al. Processo de trabalho em enfermagem. In: Saúde coletiva. Porto Alegre: Artmed, 2010.