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CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER Capítulo I – Da Escritura Sagrada 1. Conceito de revelação – revelação geral ou natural (razão, criação, providência): responsabilizadora, mas insuficiente para a salvação; revelação especial: primeiro verbal, depois escrita; caráter indispensável da Escritura; cessação de outros modos de revelação. 2. Os livros canônicos – os 39 livros do AT e 27 do NT inspirados por Deus para serem a regra de fé e prática; Escritura Sagrada ou Palavra de Deus. 3. Os livros apócrifos – não são divinamente inspirados e não possuem autoridade; são apenas escritos humanos. 4. A autoridade da Escritura – não depende do testemunho humano (homem ou igreja), mas de Deus, o seu autor; por isso deve ser crida e obedecida. 5. Três testemunhos – o testemunho da igreja produz alto apreço pela Escritura; ela também se evidencia como a palavra de Deus por suas virtudes (excelência do conteúdo, eficácia da doutrina, majestade do estilo, harmonia das partes, escopo sublime, revelação do único caminho de salvação); só o testemunho interno do Espírito Santo produz a plena certeza de sua verdade e autoridade. 6. A suficiência da Escritura – ela declara expressamente todo o conselho de Deus; nada se pode acrescentar a ela (nem por novas revelações, nem por tradições humanas); 7. A clareza da Escritura – nem tudo nela é evidente a todos; as coisas necessárias para a salvação são claramente expostas; mesmos os incultos podem obter suficiente compreensão delas. 8. Os originais e as traduções – o texto bíblico nos idiomas originais foi inspirado por Deus e conservado puro ao longo dos séculos; deve servir de juiz em todas as controvérsias doutrinárias; para o benefício dos fiéis, deve ser traduzido nas línguas vulgares; deve levar ao culto aceitável e à esperança cristã. 9. A analogia da Escritura – a Escritura é a sua própria intérprete; o sentido da Escritura não é múltiplo (alegórico), mas único. 10. A autoridade suprema – o Espírito Santo falando na Escritura é o supremo juiz que deve determinar as controvérsias religiosas e avaliar os decretos dos concílios, as opiniões dos escritores antigos e todas as doutrinas humanas. Capítulo II – De Deus e da Santíssima Trindade 1. “Definição” de Deus – único e uno, infinito; atributos incomunicáveis (espírito puro, imutável, eterno, etc.); sua liberdade e soberania; atributos comunicáveis (de amor e de justiça). 2. A autossuficiência de Deus – tudo vem dele mesmo; não precisa das criaturas nem deriva a sua glória delas; única fonte de todo ser; é soberano sobre tudo; para ele nada é contingente ou incerto. 3. As três pessoas – iguais em substância, poder e eternidade; atributos particulares de cada uma: Pai – não gerado; Filho – eternamente gerado; Espírito – eternamente procedente. Capítulo III – Dos eternos decretos de Deus 1. O que o decreto faz e não faz – Deus ordenou tudo desde a eternidade; o decreto não torna Deus o autor do pecado, não violenta a vontade das criaturas, não tira a contingência das causas secundárias. 2. Decreto e presciência – Deus não decreta por que sabe de antemão, mas sabe porque decreta. 3. Dupla predestinação – inclui homens e anjos; para a vida e para a morte. 4. Predestinação particular – o número dos eleitos e dos reprovados é certo, definido e imutável. 5. Os eleitos para a vida – foram escolhidos em Cristo antes da criação; por livre graça e amor, não por previsão de qualquer coisa neles (fé, boas obras). 6. Meios e fins – Deus preordenou todos os meios que conduzem os eleitos à glória; eles, e somente eles, são remidos por Cristo, eficazmente chamados, justificados, adotados, santificados e guardados (5 pontos do calvinismo). 7. Os não-eleitos – preordenados para desonra e ira por causa de seus pecados. 8. Prudência e consolação – verdade misteriosa, mas encorajadora; seus benefícios para os crentes: segurança da salvação; louvor, reverência e admiração; humildade, diligência e consolação. Capítulo IV – Da criação 1. O caráter da criação – obra do Deus trino; manifestação do seu poder, sabedoria e bondade; “ex nihilo”; abrange toda a realidade, material e imaterial. 2. O ser humano original – homem e mulher; almas racionais e imortais; inteligência, retidão e santidade; lei de Deus escrita no coração; capacidade de cumprir ou transgredir (livre arbítrio); proibição e obediência. Capítulo V – Da providência 1. Abrangência – o Deus soberano sustenta, dirige, dispõe e governa todas as criaturas e suas ações. 2. Duas dimensões – os acontecimentos decorrem da causa primária (Deus), mas isso não dispensa as causas secundárias. Distinção filosófica. 3. Providência ordinária e extraordinária – ação mediata ou imediata de Deus. 4. Providência e pecado – a ação providencial de Deus inclui a queda e todos os pecados dos seres racionais, e vai além de mera permissão; todavia, Deus não é o autor do pecado. 5. Os pecados dos crentes – Deus permite que seus filhos pequem e sofram, com vários propósitos: discipliná-los, convencê-los de sua pecaminosidade, humilhá-los, torná-los mais dependentes dele, torná-los mais vigilantes. 6. Os pecados dos ímpios – Deus os endurece, recusa-lhes a graça, tira os dons que já possuíam, entrega-os às suas paixões; são endurecidos pelos mesmos meios que Deus emprega para abrandar outros. 7. Providência geral e especial – sobre todas as criaturas e sobre a igreja. Capítulo VI – Da queda do homem, do pecado e do seu castigo 1. Origem da queda – resultou não só da ação de Satanás, mas da permissão e ordenação de Deus. 2. Consequências da queda – perda da retidão original, morte espiritual, corrupção de toda a personalidade (“depravação total”). 3. A solidariedade da raça – o pecado dos primeiros pais e suas consequências foram imputados ou transmitidos aos seus descendentes. 4. Pecado original e atual – da corrupção original procedem as transgressões atuais (o homem peca porque é pecador, não o oposto). 5. A natureza corrompida dos regenerados – persiste durante toda a vida, embora perdoada e mortificada por Cristo. 6. Pecado e lei – o pecado original e o atual violam a lei de Deus; tornam culpado o pecador e sujeito à ira de Deus, à condenação e à morte. Capítulo VII – Do pacto de Deus com o homem 1. O pacto em geral – ação generosa de Deus mediante a qual o ser humano, apesar da distância que o separa do Criador, pode fruir bem-aventurança e recompensa. 2. O pacto de obras – a vida foi prometida a Adão e sua posteridade sob condição de obediência perfeita e pessoal. 3. O pacto da graça – incapaz de ter vida por meio do pacto de obras, o ser humano foi contemplado com o pacto da graça, no qual lhe são oferecidas vida e salvação por meio de Cristo sob a condição de fé, também ela um dom de Deus aos eleitos. 4. Pacto e testamento – linguagem bíblica que evoca a morte de Cristo (o testador) e a herança eterna legada no pacto. 5. Pacto e ordenanças – com a vinda de Cristo, o pacto é ministrado pela pregação da Palavra e a ministração dos sacramentos, manifestando-se com mais plenitude a todas as nações (Novo Testamento). Trata-se do mesmo pacto da graça sob diferentes dispensações. Capítulo VIII – De Cristo o mediador 1. A missão do Mediador – sua escolha pelo Pai; seus títulos; sua tarefa em relação ao povo que lhe foi confiado. 2. A pessoa do Mediador – as naturezas divina e humana de Cristo; linguagem dos credos históricos (Niceia, Calcedônia). 3. A santidade do Mediador – o papel do Espírito Santo; sua total aptidão para ser mediador e fiador; sua submissão ao Pai. 4. A humilhação e exaltação do Mediador – sujeição à lei, sofrimento e morte; ressurreição, ascensão, segunda vinda; linguagem do Credo Apostólico. 5. A eficácia do sacrifício do Mediador – perfeita obediência e autossacrifício; plena satisfação da justiça do Pai; plena redenção dos eleitos. 6. Redenção prometida e realizada – realizada após a encarnação; prefigurada desde o início do mundo por meio de promessas, tipos e sacrifícios. 7. A comunicação dos atributos – duas naturezas, uma pessoa, “communicatio idiomatum” (At 20.28).8. A aplicação da redenção – meios pelos quais Cristo aplica aos eleitos a salvação que ele realizou. Capítulo IX – Do livre arbítrio 1. A vontade humana original – plena liberdade de escolha entre o bem e o mal. 2. Estado de inocência – capacidade de querer e fazer o que é agradável a Deus e possibilidade de querer e fazer o oposto. 3. Estado de pecado – perda da liberdade de escolher o bem; incapacidade de voltar-se para Deus (converter-se ou mesmo preparar-se: facere quod in se est). Posição antipelagiana. 4. Estado de graça – restauração da capacidade de querer e fazer o bem, embora de modo limitado. 5. Estado de glória – vontade livre somente para o bem. Capítulo X – Da vocação eficaz 1. Como ela opera nos eleitos – pela Palavra e pelo Espírito; da morte para a salvação; mediante iluminação do entendimento, mudança de coração, renovação da vontade. 2. Plena iniciativa de Deus – só por graça, não por previsão de mérito; passividade inicial do ser humano; resposta posterior. 3. Crianças e incapazes – sendo eleitos, são regenerados e salvos por Cristo. 4. Não eleitos e não cristãos – os primeiros, ainda que chamados pela Palavra, não são salvos; os que não professam a fé cristã não podem ser salvos pela sua própria religiosidade. Capítulo XI – Da justificação 1. A natureza da justificação – não é infusa (tornar justo), mas imputada (considerar justo); essa justiça não provém da fé ou obediência humana, mas da obra redentora de Cristo. 2. A natureza da fé – repousa em Cristo e sua justiça; é o único instrumento da justificação; não está só, mas atua pelo amor (Gl 5.6). 3. A justiça de Cristo – é manifesta em sua obediência e morte; pagou a dívida e satisfez a justiça do Pai em favor dos eleitos; revelação da justiça e da graça de Deus. 4. Três etapas da justificação – decretada na eternidade, consumada na morte e ressurreição de Cristo, aplicada no tempo próprio pelo Espírito Santo. 5. Os pecados dos justificados – carecem do perdão de Deus; têm consequências tristes; requerem humilhação, confissão e renovação da fé e arrependimento. 6. As duas dispensações – a justificação dos crentes é a mesma no Antigo e no Novo Testamento. Capítulo XII – Da adoção 1. Em que consiste – concedida aos justificados; inclui múltiplos e ricos benefícios. Menor capítulo da CFW, uma das únicas a abordar esse tema. Capítulo XIII – Da santificação 1. Em que consiste – condição: novo coração e novo espírito; decorre da obra de Cristo, de sua Palavra e do seu Espírito; sujeição do pecado e da concupiscência; fortalecidos para a prática da santidade. 2. Santificação parcial – é imperfeita na presente vida; subsistem resíduos de corrupção; luta contínua entre carne e Espírito. Tema puritano favorito. 3. A vitória final – apesar do predomínio temporário da corrupção residual, graças à assistência do Espírito Santo a “parte regenerada” irá vencer. Capítulo XIV – Da fé salvadora 1. Em que consiste – é uma dádiva da graça; por ela os eleitos creem para a salvação; é produzida pelo Espírito mediante o ministério da Palavra; pelos mesmos meios é aumentada e fortalecida. 2. Objetivos da fé – aceitar como verdadeiro o que é revelado na Escritura; agir de conformidade com os seus ensinos e preceitos; acima de tudo, receber a Cristo e confiar só nele para a justificação, santificação e vida eterna. 3. Os graus da fé – é fraca ou forte; pode ser assaltada, mas sempre alcança a vitória; pode chegar à plena segurança em Cristo. Capítulo XV – Do arrependimento para a vida 1. Uma graça evangélica – deve receber tanta ênfase na pregação quanto a fé em Cristo. 2. Em que consiste – reconhecimento da gravidade do pecado; consciência da misericórdia divina; abandono do erro; esforço para andar com Deus. 3. Necessário, mas insuficiente – não é satisfação pelo pecado nem a causa do perdão (atos da livre graça de Deus), mas sem ele não se pode esperar o perdão. 4. Pecados pequenos e grandes – mesmo os primeiros merecem condenação; mesmo os últimos não podem condenar os verdadeiramente arrependidos. 5. Geral e particular – um arrependimento geral é insuficiente; é importante fazê-lo em relação a cada pecado. 6. Pecados particulares e públicos – pecados que escandalizam um irmão ou a igreja devem incluir confissão particular ou pública e declaração de arrependimento aos ofendidos; estes devem reconciliar-se com o penitente e recebê-lo em amor. Capítulo XVI – Das boas obras 1. Definição – são somente aquelas que Deus ordena em sua Palavra e não quaisquer outras, ainda que zelosas e bem-intencionadas. 2. Finalidades – são evidências da fé verdadeira; manifestam gratidão a Deus; edificam os outros; calam os adversários; glorificam a Deus; produzem santidade. 3. A capacidade de praticá-las – não provém das pessoas, mas do Espírito Santo; apesar disso, os fiéis não devem negligenciá-las, mas empenhar-se nelas. 4. Sua insuficiência – por mais obediente e exemplar que seja, um cristão é deficiente em muitos deveres e está longe de fazer mais do que Deus requer. 5. Não produzem mérito – mesmo as melhores não merecem o perdão dos pecados ou a vida eterna; são impuras e misturadas com fraqueza e imperfeição. 6. Aceitáveis a Deus – Deus aceita as boas obras, mesmo imperfeitas, daqueles que são aceitos por ele em Cristo, e as recompensa quando sinceras. 7. Obras dos não regenerados – ainda que corretas, são pecaminosas por não procederem de corações purificados, não serem praticadas segundo a Palavra e não visarem a glória de Deus; porém, negligenciá-las é ainda mais pecaminoso. Capítulo XVII – Da perseverança dos santos 1. Definição – os eleitos não podem decair do estado de graça de modo total nem definitivo, mas perseveram nesse estado até o fim. 2. Seu fundamento – a perseverança não depende da vontade do crente, mas do decreto de eleição, da eficácia da obra de Cristo, da ação do Espírito e da natureza do pacto da graça. 3. Não é constante – por vários motivos, os fiéis podem cometer pecados graves, por algum tempo, prejudicando a si mesmos e a outros. Capítulo XVIII – Da certeza da graça e da salvação 1. Falsa e verdadeira – os não regenerados podem ter uma sensação enganosa de estarem salvos, que não perdura para sempre; os crentes fiéis e verdadeiros podem adquirir a certeza de se acharem em estado de graça e regozijar-se na esperança do porvir. Verdade importante para os puritanos. 2. Sua natureza – não se trata de uma persuasão provável, mas de uma segurança infalível da fé, fundada em evidências externas e internas. 3. Certeza da graça e a fé – esta segurança não acompanha necessariamente a fé, mas pode surgir só depois de muita luta; não depende de experiências extraordinárias; deve ser buscada com diligência, por causa de seus grandes benefícios. 4. Pode ser abalada – por causa do pecado e da negligência; contudo, não desaparece totalmente e pode ser restaurada. Capítulo XIX – Da lei de Deus 1. Antes da queda – dada a Adão como parte do pacto de obras; ele recebeu a promessa de vida e uma ameaça de morte em caso de cumprimento ou não dessa lei. 2. Lei moral – continua depois da queda, como perfeita regra de justiça, estando sintetizada nos Dez Mandamentos (deveres para com Deus e o próximo). 3. Lei cerimonial – referem-se ao culto e prefiguram Cristo e sua obra redentora; estão abolidas na nova dispensação. 4. Lei civil – dada a Israel como entidade política; deixou de vigorar quando a nação israelita cessou de existir e não obriga a ninguém. 5. A permanência da lei moral – obriga a todos, crentes e não crentes; Cristo lhe deu ainda maior vigor. 6. Seus benefícios – regra de vida: informa a vontade de Deus e os deveres para com ele, produz convicção do pecado e da necessidade de Cristo; revela as promessas e bênçãos decorrentes da obediência. Maior parágrafo da CFW. 7. Lei e graça – harmonia entre ambos (ao contrário de Lutero); o Espírito de Cristo submete a vontade humana à vontade de Deus. Capítulo XX – Da liberdade cristã e da liberdade de consciência 1. Liberdade espiritual – da culpa do pecado, da ira de Deus, damaldição da lei, do presente mundo ímpio, etc.; liberdade de acesso a Deus; privilégios já existentes sob a lei, mas ampliados na nova dispensação. 2. Liberdade de consciência – só Deus é Senhor da consciência; crer em e obedecer a doutrinas e mandamentos humanos é trair a verdadeira liberdade de consciência; o mesmo quanto à fé implícita e obediência cega a eles. 3. Liberdade e pecado – a liberdade cristã não é liberdade para cometer ou tolerar pecados. 4. Liberdade e poder civil – a liberdade cristã visa o apoio e a preservação mútuos; ela não justifica a oposição a qualquer poder legítimo, civil ou religioso; os que emitem opiniões e mantêm práticas contrárias aos princípios cristãos e à paz da igreja estão sujeitos a disciplina. Texto modificado em 1788; foi excluído no final: “e pelo poder do magistrado civil”. Capítulo XXI – Do culto religioso e do domingo 1. O princípio regulador – Deus deve ser cultuado e o modo aceitável de fazê-lo foi instituído por ele mesmo; ele não pode ser adorado de outro modo não prescrito nas Escrituras. 2. O objeto do culto – deve ser prestado somente ao Deus trino e somente pela mediação de Cristo. 3. A oração – é parte essencial do culto; deve ser feita em nome do Filho com o auxílio do Espírito Santo; de modo inteligente, reverente, humilde e fervoroso; com fé, amor e perseverança; deve ser feita em língua conhecida. 4. Pelo que orar – por coisas lícitas e por todos os tipos de pessoas, exceto os mortos ou os que cometeram o pecado para a morte. 5. Outros elementos – leitura bíblica, pregação da Palavra, cântico de salmos, ministração dos sacramentos; em ocasiões especiais, juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e ações de graças. 6. O lugar do culto – não está restrito a um lugar nem se torna mais aceitável por causa do lugar; Deus deve ser adorado em todo lugar: pelo indivíduo sozinho, em família, em reuniões públicas. 7. O culto dominical – Deus designou um dia em sete para ser um dia de repouso consagrado a ele; até a ressurreição de Cristo, o último dia da semana; depois dela, o primeiro dia da semana; é o Dia do Senhor, o sábado cristão. 8. O dia santificado ao Senhor – requer preparação prévia, envolve descanso das atividades e diversões semanais, deve ser dedicado a atos públicos e particulares de culto, bem como a “deveres de necessidade e misericórdia”. Capítulo XXII – Dos juramentos legais e dos votos 1. Definição – juramento legal é uma parte do culto em que o crente, em ocasiões próprias e com toda a solenidade, invoca a Deus por testemunha do que declara ou promete, submetendo-se ao seu julgamento. 2. Juramento religioso e civil – o juramento só deve ser feito em nome de Deus e não de qualquer outro ser; por isso, não deve ser falso ou temerário; seguindo o precedente bíblico, deve ser prestado quando exigido pela autoridade civil. 3. A seriedade do juramento – só se deve jurar pelo que é verdadeiro, bom e justo e pelo que se está resolvido a cumprir; é pecado recusar-se a prestar juramento por uma coisa justo e boa quando exigido pela autoridade legal. (Esta última parte foi suprimida na revisão de 1903, mas mantida no Brasil.) 4. Dever de honestidade – deve ser feito sem dubiedade ou reserva mental; deve ser cumprido mesmo com prejuízo de quem jura; deve ser mantido, mesmo quando feito a não crentes. 5. A natureza do voto – é semelhante ao juramento; deve ser feito com o mesmo cuidado e cumprido com a mesma fidelidade. 6. Seu objetivo – deve ser feito só a Deus, de modo voluntário, com fé e consciência de dever; visa reconhecer bênçãos recebidas ou obter determinadas bênçãos; é um compromisso mais rigoroso com os deveres para com Deus. 7. Limites dos votos – não se deve prometer fazer alguma coisa proibida na Escritura ou o que a pessoa não tem a capacidade de cumprir; por isso, são condenáveis os votos monásticos. Capítulo XXIII – Do magistrado civil 1. Seu fundamento – são constituídos por Deus, o Senhor e Rei supremo, para a sua glória e para o bem comum; são dotados do “poder da espada”, para defesa dos bons e castigo dos maus. 2. Sua relevância – ofício lícito para os cristãos; seu propósito é manter a piedade, a justiça e a paz; em ocasiões justas e necessárias, podem promover a guerra. 3. Poder civil e igreja – os magistrados não podem assumir funções eclesiásticas (ministração da Palavra e dos sacramentos, disciplina, interferência em matéria de fé); têm o dever de proteger a igreja em geral, sem dar preferência a uma denominação, respeitando os direitos de todos os clérigos; devem respeitar o governo e a disciplina das diferentes igrejas; impedir que qualquer pessoa seja perseguida ou maltratada por motivo de crença ou descrença; assegurar que as reuniões religiosas não sejam perturbadas. (Parágrafo modificado e expandido em 1788) 4. Deveres dos cidadãos – os governantes devem ser objeto de orações intercessórias, honra, tributos, obediência e sujeição por parte do povo, mesmo no caso de serem incrédulos ou indiferentes; o papa não tem jurisdição sobre os magistrados ou sobre os cidadãos, nem pode privá-los de seus direitos sob pretexto de heresia ou outro. Capítulo XXIV – Do matrimônio e do divórcio 1. Pessoas envolvidas – um homem e uma mulher (heterossexual e monogâmico). 2. Finalidades – auxílio mútuo, propagação da raça humana e da igreja, proteção contra a impureza. 3. Limites – pessoas capazes de dar consentimento consciente; somente com pessoas que professam a mesma fé, e não com idólatras, ímpios notórios e seguidores de heresias. 4. Impedimentos – pessoas que tem os graus de consanguinidade ou afinidade proibidos na Escritura (incesto). (A parte final do texto original foi suprimida em 1887.) 5. Adultério ou fornicação – depois de um contrato e antes do casamento: anulação do contrato; depois do casamento: proposição de divórcio; a parte inocente pode voltar a se casar. 6. Causas do divórcio – adultério e deserção obstinada; necessidade de processo público e regular. Capítulo XXV – Da igreja 1. A igreja invisível – é católica ou universal; inclui o número total dos eleitos, passados, presentes e futuros. 2. A igreja visível – também católica ou universal; inclui todos os que, em todo o mundo, professam a verdadeira fé, junto com seus filhos; fora dela não há possibilidade ordinária de salvação (Cipriano). 3. As dádivas de Cristo – ele dá à igreja visível o ministério, as Escrituras e as ordenanças para o aperfeiçoamento dos santos; pela sua presença e pelo seu Espírito ele os torna eficientes para esse fim. 4. Mais puras e menos puras – a pureza da igreja ora é mais visível, ora é menos; depende do grau em que ensinado e abraçado o evangelho, são ministradas as ordenanças e é celebrado o culto público. Importante para os “puritanos”. 5. Não há pureza absoluta – as igrejas mais puras estão sujeitas à mistura ou erro; algumas não são mais igrejas de Cristo, e sim sinagogas de Satanás; sempre haverá na terra uma igreja para adorar a Deus segundo a sua vontade. 6. O cabeça da igreja – é somente Cristo, e não o papa (ou o rei inglês?). Capítulo XXVI – Da comunhão dos santos 1. Duas dimensões – a união com Cristo na fé e no Espírito produz comunhão com ele e de todos os santos entre si, os quais devem cumprir seus deveres públicos e particulares para o benefício mútuo, interno e externo. 2. Deveres dos fiéis – os crentes se comprometem a estar em comunhão no culto a Deus, em outros serviços espiritais e no socorro uns aos outros; isto se estende a todos os crentes, em toda parte. 3. Ressalvas – a comunhão dos crentes com Cristo não os faz participar da sua divindade nem os torna iguais a ele (deificação); a comunhão dos crentes entre si não elimina os direitos de propriedade de cada um. Capítulo XXVII – Dos sacramentos 1. Definição – sinais e selos do pacto da graça; objetivos: representam Cristo e seus benefícios, confirmam nosso interesse nele, distinguem os crentes dos demais, comprometem os crentes no serviço de Deus. 2. União sacramental – existe uma relação espiritual entre o sinal e a coisa significada;por isso, os nomes e efeitos de um são atribuídos ao outro. 3. Graça e eficácia – os sacramentos não têm o poder de conferir graça, mas apenas dão testemunho dela; a eficácia do sacramento não depende da piedade ou intenção do ministro, mas da atuação do Espírito Santo e das palavras de instituição, com sua promessa de benefício (“ex opere operato”). 4. Os dois sacramentos – Cristo ordenou somente dois sacramentos no evangelho: batismo e Ceia; eles só podem ser ministrados por um ministro legalmente ordenado. 5. O Antigo Testamento – quanto ao significado espiritual, os sacramentos do Antigo Testamento são essencialmente os mesmos que os do Novo. Capítulo XXVIII – Do batismo 1. Propósitos – admitir a pessoa batizada na igreja visível; servir de sinal e selo do pacto da graça, da união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e da consagração a Deus. 2. Elementos essenciais – água (elemento exterior) e invocação da Trindade por um ministro legalmente ordenado. 3. Forma do batismo – pode ser por imersão, mas preferencialmente por efusão ou aspersão. 4. Batismo de menores – devem ser batizados não só os que professam a fé em Cristo, mas também os filhos de pais crentes (mesmo que só um o seja). 5. Limitações – embora seja pecaminoso desprezar essa ordenança, há que considerar dois fatos: uma pessoa pode ser regenerada e salva sem o batismo; uma pessoa pode ser batizada e não estar regenerada. 6. Eficácia do batismo – não se limita ao momento da ministração; a graça prometida é não somente oferecida, mas manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ela pertence (adultos ou crianças), no tempo determinado por Deus. 7. Uma só vez – o batismo deve ser ministrado uma só vez a uma pessoa. Capítulo XXIX – Da Ceia do Senhor 1. Propósitos – ser uma perpétua lembrança do sacrifício de Cristo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios desse sacrifício e seu compromisso de cumprir os deveres para com ele; ser um vínculo e penhor da comunhão com Cristo e uns com os outros. 2. Não é um sacrifício – nele Cristo não é oferecido ao Pai nem se faz um sacrifício real para a remissão de pecados; é uma recordação da única oferta que ele fez de si mesmo na cruz e uma oferenda espiritual de louvor a Deus; o sacrifício da missa é ofensivo ao único sacrifício de Cristo, a única propiciação pelos pecados dos eleitos. 3. Deveres dos ministros – declarar ao povo as palavras de instituição, orar, consagrar os elementos, separando-os do uso comum, tomar e partir o pão, tomar o cálice, dar ambos os elementos aos comungantes, e tão somente aos que se acharem presentes. 4. Práticas condenáveis – recepção do sacramento por uma só pessoa (missa particular), negação do cálice aos fiéis, adoração dos elementos, elevação ou procissão deles. 5. União sacramental – os elementos consagrados do pão e do vinho têm tal relação com o Cristo crucificado que às vezes são chamados pelos nomes das realidades que representam – o corpo e o sangue de Cristo; porém, em substância continuam sendo somente pão e vinho. 6. A transubstanciação – é inaceitável à vista das Escrituras, do senso comum e da razão; destrói a natureza do sacramento; tem produzido superstições e idolatria. 7. Participação real – os que comungam de modo digno recebem em seu íntimo, pela fé, o Cristo crucificado e todos os seus benefícios, e dele se alimentam de modo real, verdadeiro e espiritual; o corpo e o sangue de Cristo não estão fisicamente nos elementos, nem com eles e sob eles (consubstanciação), mas espiritual e realmente estão presentes à fé dos crentes. 8. Participação indigna – os ignorantes e ímpios que recebem os elementos visíveis não recebem a realidade significada por eles e tornam-se réus do corpo e do sangue do Senhor; enquanto permanecerem nesse estado, tais pessoas não devem participar destes “santos mistérios”. Capítulo XXX – Das censuras eclesiásticas 1. O governo eclesiástico – Cristo instituiu oficiais para governarem a sua igreja, distintos dos magistrados civis. 2. O poder das chaves – esses oficiais recebem as chaves do reino do céu, podendo cancelar ou reter pecados, fechar o reino aos impenitentes (pela Palavra e pela disciplina) e abri-lo aos arrependidos (pelo evangelho e pela remoção da disciplina). 3. Objetivos da disciplina – ganhar para Cristo os crentes transgressores, impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, lançar fora o velho fermento que pode contaminar toda a massa, vindicar a honra de Cristo e do evangelho, evitar a ira de Deus contra a violação do pacto. 4. Graus de disciplina – segundo a natureza da ofensa cometida: repreensão, suspensão da Ceia e exclusão da igreja. Capítulo XXXI – Dos sínodos e concílios 1. Definição – assembleias para o melhor governo e edificação da igreja; pela autoridade que Cristo lhes deu, pastores e presbíteros devem criar esses concílios e reunir-se neles. (Recebeu um acréscimo em 1788) 2. Finalidades – decidir conflitos doutrinários e morais; estabelecer normas para a condução do culto e da administração da igreja; deliberar sobre queixas quanto à má administração; devido a sua autoridade dada por Deus, suas decisões devem ser recebidas com reverência e submissão. (O parágrafo 2 do texto original foi suprimido; este equivale ao 3 do original.) 3. Falibilidade – todos os concílios podem errar e muitos o tem feito ao longo da história; assim, não devem servir como regra de fé e prática, e sim como auxílio nessas questões. Inclusive a Assembleia de Westminster. (Corresponde ao parágrafo 4 do original.) 4. Limites – não devem discutir nem determinar questões não eclesiásticas; não devem se envolver com os assuntos civis do Estado, exceto mediante humilde petição, em casos extraordinários, ou quando convidados pelo magistrado civil. Foi o caso da Assembleia de Westminster. (Corresponde ao parágrafo 5 do original.) Capítulo XXXII – Do estado do homem depois da morte e da ressurreição dos mortos 1. Morte e estado intermediário – o corpo volta ao pó, mas a alma (que não morre nem dorme), tendo uma substância imortal, volta para Deus; as almas dos justos são aperfeiçoadas em santidade e recebidas na presença gloriosa de Deus; as almas dos ímpios são lançadas no inferno; além destes, a Escritura não reconhece outro lugar para as almas. 2. O último dia – os vivos serão transformados; os mortos serão ressuscitados com os mesmos corpos, com qualidades diferentes, e se unirão novamente às suas almas, para sempre. 3. Justos e ímpios – os corpos dos ímpios são ressuscitados para desonra; os corpos dos justos, para honra e para serem semelhantes ao corpo glorificado de Cristo. Capítulo XXXIII – Do juízo final 1. Em que consiste – num dia pré-determinado, Deus irá julgar o mundo por meio de Jesus Cristo; serão julgados os anjos caídos e todos os seres humanos; todos prestarão contas de seus pensamentos, palavras e obras, e receberão o galardão segundo o que tiverem feito. 2. Finalidade – manifestar a glória de Deus: da sua misericórdia na salvação dos eleitos e da sua justiça na condenação dos ímpios; os justos gozarão a vida eterna e os ímpios a destruição eterna. 3. A esperança cristã – o dia do juízo virá com toda a certeza e isto deve afastar as pessoas do pecado e consolar os crentes nas suas lutas; não se sabe quando virá esse dia, daí a necessidade de vigilância e expectativa: “Vem logo, Senhor Jesus!”. Não há referência à volta de Cristo e ao milênio. Apêndices à Confissão de Fé Em 1903, a Igreja Presbiteriana dos EUA acrescentou dois capítulos à CFW (34), um sobre o Espírito Santo e outro sobre o amor de Deus e as missões (35).