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Clique para adicionar texto ECONOMIA DA SAÚDE Economia e Gestão Farmacêutica Curso de Farmácia Profa. Viviane Bório Conceito de Saúde Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo, dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. Saúde Embora possa ser eficientemente mantida pelo setor privado, a saúde deve ser gerada pelo setor público para evitar que a população de baixa renda seja privada dela; Afeta diretamente a capacidade produtiva dos indivíduos, reduzindo sua renda. Condições epidemiológicas podem gerar barreiras ao comércio internacional. Como medir a saúde de uma população? Há 2 índices: EXPECTATIVA DE VIDA: é o número aproximado de anos que um grupo de indivíduos nascidos no mesmo ano irá viver, quando mantidas as mesmas condições desde o seu nascimento. MORTALIDADE INFANTIL: Tem ligação direta com o nível de pobreza familiar Fatores da redução da taxa de mortalidade infantil nas últimas décadas 1.Maior acesso à saúde e mais serviços (pré-natal, pediatria) 2. Ampliação da vacinação (PNI= Programa Nacional de Imunização) 3.Saneamento básico (água potável e esgoto tratado) 4. Bolsa Família (redução de desnutrição infantil) 5.Instrução materna (cuidado, higiene, nutrição) 6. Aumento da atenção neonatal 7. Programas de aleitamento materno. Impacto econômico? Expectativa de vida > volume de poupança > nível de investimento > crescimento econômico O que influencia no aumento ou redução desses valores? - Saneamento básico; - Saúde básica; - Emprego; - Educação; - Moradia; - Tranquilidade; - Segurança... O sistema de saúde brasileiro hoje Dois subsistemas → Público: SUS → Privado: constituído pela Saúde Suplementar SUS: Sistema Único de Saúde Criado em 1988 com a promulgação da Constituição Federal, tornou o acesso à saúde direito de todo cidadão. Até então, o modelo de atendimento dividia os brasileiros em 3 categorias: os que pagavam por serviços de saúde privados; os que tinham direito à saúde pública (segurados pela previdência social - trabalhadores com carteira assinada) e os que não possuíam direito algum. Com a implantação do sistema, o número de beneficiados passou de 30 milhões de pessoas para 190 milhões. Atualmente, 80% desses dependem exclusivamente do SUS para ter acesso a serviços de saúde. SUS: Sistema Único de Saúde Tem por objetivo dar assistência às pessoas através da promoção, proteção e recuperação da saúde, com ações assistenciais e atividades preventivas, de forma integrada. A assistência farmacêutica faz parte da ações do SUS de assistência terapêutica integral; Uma das principais atribuições do SUS é formular políticas públicas de saúde. Mesmo sendo público, estabelece parcerias com hospitais e entidades de iniciativas privadas, as quais são subordinadas pela política da Agência Nacional de Saúde (ANS); Lei 8.080/90: Lei Orgânica da Saúde = Dispõe sobre condições para: - a promoção, proteção e recuperação da saúde; - a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes; - dentre outras providências. Está incluída no campo de atuação do SUS a execução de ações de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica! Os principíos de gestão e economia pública de medicamentos se apoiam nas DOUTRINAS DO S.U.S.: UNIVERSALIDADE – garantia para qualquer cidadão; EQUIDADE – garantir o tratamento de forma equilibrada, oferecendo mais a quem mais precisa.; INTEGRALIDADE – assistência integral.. Emenda Constitucional (EC) 29, regulamentada pela Lei Complementar n.º 141, de 16 de janeiro de 2012 -Estabelece os gastos mínimos na saúde e define que os recursos aplicados no setor se destinem às “ações e serviços públicos de acesso universal, igualitário e gratuito.” -Atribui % mínimas de investimento nos níveis federal, estadual e municipal: =A União aplica o valor empenhado no ano anterior mais, no mínimo, a variação do PIB (bens e serviços); =Já os estados e o DF, investem no mínimo, 12 % de sua receita, e os municípios, no mínimo, 15 %. Gastos em saúde no Brasil? - Serviços (consultas, exames, pronto- atendimento, internação, cirurgia...) - Compra e Distribuição de medicamentos. Compra de remédios cresceu Gastos com saúde no Brasil Pode-se dizer que, dentre outros fatores, os custos com a saúde vem crescendo no país, principalmente, porque: - Sempre há novas tecnologias para o setor da saúde (melhores métodos para diagnóstico); - População está mais idosa (doentes crônicos); - Repasse: empresas e médicos repassam parte dos seus custos para consultas, exames e tratamentos; - Inflação vem sempre aumentando. A inflação é o aumento persistente e generalizado no valor dos preços. Inflação: O IBGE chegou a um percentual de inflação do ano de 2024 através da análise de 373 ítens, obtendo 4,83 %. Exemplo dos ítens: alimentos, serviços, medicamentos, energia elétrica. Importados $$$= desvalorização da moeda brasileira No entanto, pode ser que a sua inflação pessoal seja maior ou menor do que a indicada pelo IBGE, pois, depende dos seus ítens habituais de consumo. Saúde privada: - Clientes e planos de saúde privados possuem uma oferta de recursos bem mais ampla e acessível do que a população dependente do SUS; - 80 % são planos coletivos (empresas) 20 % são planos familiares; - Lei 9.661/2000: Criação da ANS para saúde suplementar, a fim de: → Promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde; → Contribuir para o desenvolvimento das ações de saúde no país. Reembolso do SUS por planos de saúde Se um paciente que tem plano de saúde foi internado no hospital da rede pública, essa internação gerou um custo. Assim, a operadora de plano de saúde que teve seu beneficiário atendido pelo SUS deve reembolsar o Ministério da Saúde pelo tratamento hospitalar prestado; O valor a ser restituído pela operadora de plano de saúde é definido de acordo com a tabela SUS, multiplicado por 1,5 conforme previsto na Resolução Normativa nº 251, de 2011 da ANS, de forma a abranger os custos do atendimento. TABELA SUS (NACIONAL E PAULISTA) A comunidade local e a municipalização do SUS: em busca de maior equidade O governo federal vem atribuindo às prefeituras a responsabilidade de estimular a participação da sociedade nas participações de decisões, e vem criando Conselhos e Conferências de saúde. Esse incentivo à participação se dá através da criação de mecanismos que permitem o acesso da população: • às informações das decisões; • às organizações populares que possibilitem o acompanhamento; • à fiscalização dos projetos governamentais para os municípios. A comunidade local e a municipalização do SUS A municipalização da saúde acontece quando a gestão dos serviços de saúde é transferida dos governos federal e estadual para os municípios. Esta descentralização dos serviços de saúde atende à determinação da Constituição Federal, às definições da Lei Orgânica da Saúde – Lei 8.080. - Isso permite a cada município atuar conforme suas necessidades específicas = certamente esses problemas serão mais bem resolvidos por meio de interventores locais. A comunidade local e a municipalização do SUS De acordo com estudos, o que se verifica, na Prática: - Municípios com menos de 100 mil habitantes costumam ter maior oferta per capita de serviços ambulatoriais do que cidades maiores; -Por outro lado, a capacidade de gestão hospitalar local é mais avançada nas capitais e grandes cidades (pela maior arrecadação tributária; mais necessidade de administração e conhecimento técnico). Judicialização da Saúde Saúde Judicialização da saúde Os princípios e diretrizes do SUS e o direito de todos à saúde, estabelecidos na Constituição Federal, tem servido de base para um númerocrescente de ações judiciais visando ao fornecimento de medicamentos, essenciais ou não, sendo esse tema objeto de grande controvérsia. Esta interferência do poder judiciário nas questões do executivo e legislativo a respeito da garantia de direitos individuais, tem sido chamada de JUDICIALIZAÇÃO. Judicialização da saúde O principal alvo das ações judiciais é a assistência farmacêutica, ou seja, a garantia do acesso a medicamentos não disponíveis nos serviços públicos, em razão de preços abusivos praticados pelos fabricantes ou de falta de estoque, padronização do uso, registro no país e comprovação científica de eficácia. Um dos maiores desafios que os gestores estaduais enfrentam atualmente são as ações Judiciais, que geram individualização da demanda, em detrimento do coletivo e levam à desorganização dos serviços Judicialização da saúde A existência de decisões judiciais obrigando o gestor público a fornecer medicamentos promove debate sobre a função do judiciário na execução da assistência farmacêutica. As vezes o que se revela é a concessão de privilégios a alguns jurisdicionados em detrimento da cidadania em geral. Gasta-se mais com a compra de medicamentos individuais para atender as decisões judiciais do que se comprasse em grande quantidade. - Segundo Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, a recusa de incorporações por parte do Ministério da Saúde estimula a judicialização e obriga o Estado a adquirir produtos com preços mais altos. Judicialização da saúde Situações em que a Judicialização da saúde em nível privado é questionável: - Quando o cliente de um plano de saúde privado processa a operadora porque precisa de um tratamento imediato, se não, pode morrer. Se é urgente, começa por conta própria e depois vai atrás. O cliente de plano de saúde não “compra” um SUS privado, e sim, o que assinou no contrato de saúde com a operadora. - Médico prescreve exame que a operadora não cobre. Ela não tem obrigação de pagar! - Agride o direito do consumidor. - Jurisprudência (se 1 já conseguiu, o juiz concede) Níveis hierárquicos do atendimento do SUS: Divididos pela complexidade em: A Atenção básica ou atenção primária em saúde é conhecida como a "porta de entrada" dos usuários nos sistemas de saúde. Ou seja, é o atendimento inicial. Seu objetivo é orientar sobre a prevenção de doenças, solucionar os possíveis casos de agravos e direcionar os mais graves para níveis de atendimento superiores em complexidade. A atenção básica funciona, portanto, como um filtro capaz de organizar o fluxo dos serviços nas redes de saúde, dos mais simples aos mais complexos. Atenção básica e vigilância em saúde = Atenção Básica: serviços públicos de saúde próximos às nossas casas e que são capazes de resolver o problema dos pacientes/cidadãos, descentralizando os atendimentos. 1° nível de atenção do SUS. Exemplos: - Saúde da Família, - Agentes Comunitários de Saúde (ACS), - Programa Mais Médicos, - Brasil Sorridente, Saúde na Escola, Núcleos de Apoio à Saúde da Família com psicólogos, fisioterapeutas,... =Vigilância em saúde: vigilância e controle das doenças transmissíveis, das doenças e agravos não transmissíveis, da situação de saúde, da saúde ambiental, da saúde do trabalhador e da vigilância sanitária Está relacionada aos modos de viver e adoecer presentes em cada local e época e às ações e desenvolvidas para prevenir a ocorrência e propagação das doenças Atenção básica e vigilância em saúde = Vigilância em saúde: É responsável por: - Controle e ação de combate a epidemias, como dengue, zika, febre amarela, meningite e AIDS; - Ações que evitam o aumento de certas condições de saúde, como a obesidade, tabagismo, doenças crônicas; - Prevenção de doenças por meio do programa de imunização (vacinas) do Sistema único de Saúde (SUS); - Fiscalização de alimentos, medicamentos, água, supermercados, restaurantes, empresas, locais de trabalho, portos e aeroportos, clínicas privadas de saúde. Atenção básica e vigilância em saúde =O que mais se observa em países desenvolvidos, como França, é o investimento nessas duas áreas, que visam, principalmente, a prevenção. = Prevenir é mais sábio, mais econômico e sustentável do que remediar o que já está errado. Em 1996, no período de estruturação do SUS, foi criado um financiamento específico do Governo Federal para as áreas de Atenção Básica e de Vigilância em Saúde. Hoje não há mais! O prefeito usa uma verba única e investe no que quiser! = Todo prefeito deveria tê-las como máxima prioridade. Porém, cria mais impacto na mídia, a criação de mais um PS do que medidas preventivas. Revista Época “A comparação com outros países é limitada” – segundo a economista especializada em saúde Maria Cristina Amorim. Os tipos de gastos em saúde variam a cada país, porque varia o perfil epidemiológico das populações (os tipos de doenças mais comuns). Ainda assim, os cortes no Orçamento brasileiro preocupam porque a pressão sobre o sistema público de saúde deverá aumentar ao longo do próximo ano: Com isso, aumentou também o número de pessoas que deixou de usar planos de saúde e que passa a recorrer ao sistema público.” TAXAS DE DESEMPREGO NO BRASIL Fonte: IBGE, 2024 Sistema Único de Saúde - SUS "Nosso SUS é um modelo para ser seguido em todo o mundo. Porém, não funciona como deveria. Existem problemas nas emergências, principalmente, além de falta de leitos nos hospitais, falta de medicamentos... Creio que parte dessas dificuldades poderiam acabar, ou melhorar, se existisse uma integração entre a saúde pública federal, estadual e municipal. Eu opero pelo SUS diariamente e sinto na pele esses problemas. Além de tudo, considero a falta de triagem de pacientes algo que pode melhorar... Uma vez, chegou um paciente com dores no peito. Ao realizarmos os exames constatamos que era muscular. Ou seja, se houvesse triagem, esse paciente teria tido seu problema resolvido com mais rapidez, e, com isso, outra pessoa que possuí um problema no coração poderia ter sido atendida“ Dr. Fábio Jatene- cirurgião cardíaco (Presidente. ANM) E MAL DISTRIBUÍDA Economia da saúde É o campo de conhecimento voltado para o desenvolvimento e uso de ferramentas de economia na análise, formulação e implementação das políticas de saúde. Envolve a análise e o desenvolvimento de metodologias relacionadas ao financiamento do sistema, a mecanismos de alocação de recursos, à apuração de custos, à avaliação tecnológica, das necessidades, etc. Economia da saúde Objetivos: Aumento da eficiência no uso dos recursos públicos; Equidade na distribuição dos benefícios de saúde por ele propiciados. Ou seja...Investir em saúde de forma racional SURGIMENTO DA ECONOMIA DA SAÚDE: Economia e saúde estão interligadas de várias formas Seu estudo sistemático e a aplicação de instrumentos econômicos à questões estratégicas e operacionais do setor saúde, deram origem à economia da saúde. Vem sendo estudada a algum tempo em países como EUA e Canadá (1960); Encontra-se em fase de inicialização no Brasil. DIFICULDADE NA IMPLEMENTAÇÃO DA ECONOMIA DA SAÚDE: União do profissional da área ECONÔMICA com o PROFISSIONAL DE SAÚDE # Conflitos entre economistas e profissionais da saúde: Exemplo: Tratamento do câncer: É necessário e tem apoio da maioria das pessoas; Então deve-se aplicar metade do orçamento da saúde ao combate do câncer? Mais da metade? Ou menos? Esse programa traz benefício à população como um todo? Ou então deveríamos dedicar essa verba a programas de assistência primária à saúde, os quais atingem a maioria da população carente? Subsídios em saúde No início do regime militar (1966), o Código Tributário Nacional concedeu a dedução no imposto de renda dos gastos com planos ou seguros, além de serviços privados de saúde. Pergunta-se: em momento de necessidadede redução de gastos públicos (até mesmo gastos sociais), qual o sentido de manter subsídios para o setor privado de saúde? Tais subsídios, além de fortalecer um setor que beneficia aprox 20% dos brasileiros, retiram recursos indispensáveis para que o governo possa financiar a saúde de todos os brasileiros. ABRANGÊNCIA DA ECONOMIA DA SAÚDE Os Serviços de saúde não correspondem às necessidades da população; A distribuição geográfica dos recursos ainda é extremamente desigual; Em algumas áreas existe excessivo uso de alta tecnologia médico-hospitalar para tratar moléstias que podem ser prevenidas; Existe uso excessivo e venda liberal de medicamentos; Internações desnecessárias e exames supérfluos ($). Surgem questionamentos... Em síntese: Economia da saúde Aplicação do conhecimento da área econômica à área da saúde, utilizando ferramentas que possam mensurar e demonstrar as necessidade e as melhores intervenções que devem ser tomadas naquele momento, naquela situação. FORNECE AUXÍLIO AOS GESTORES DE SAÚDE SOBRE AS DECISÕES E APLICAÇÕES QUE DEVEM SER TOMADAS COM O RECURSO DISPONÍVEL. Através da economia da saúde os profissionais de saúde exploram conceitos econômicos tradicionais: - Sistemas econômicos; - Orçamento do governo, déficits e dívida pública; - Teoria do consumidor; - Teoria da produção e dos custos; - Comportamento das empresas e das famílias; - Sistema de preços do mercado; - Demanda e oferta de bens e serviços; - Avaliação econômica de projetos, com análise de custo, benefício, eficácia e utilidade, visando ao fim tomarem decisões mais acertadas. ALGUMAS FERRAMENTAS UTILIZADAS NA ECONOMIA DA SAÚDE: Dados estatísticos Dados epidemiológicos Curvas de classificação ABC (importância financeira do insumo/medicamento) Curva de classificação XYZ (materiais/medicamentos imprescindíveis, úteis) Questões: 1- A ordem econômica nacional é embasada pela Constituição Federal de 1988. Você acha que ela supre as demandas atuais? 2- Como você enxerga o princípio da defesa do meio ambiente? 3- Descreva a realidade das empresas de pequeno porte e correlacione com o princípio do tratamento favorecido. 4- O que você entende por economia da saúde? 5- Qual o principal obstáculo enfrentado para interação entre os profissionais da economia e da saúde? 6- Quais os principais objetivos da economia da saúde?