Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI 2. MUDANÇAS GLOBAIS (AQUECIMENTO GLOBAL) 2.1. Introdução Um fenômeno típico do final do século XX e inicio do séc. XXI é a percepção de mudanças ambientais globais. Contribuem para isto de um lado, o avanço tecnológico (radares, satélites e supercomputad outro a crescente interferência humana sobre os sistemas terrestres. Existem complexas interdependências entre os sistemas ambientais. Mudanças ambientais parte da Terra podem ter efeito em outra. reações entre as mudanças iniciais e os resultados finais. Algumas mudanças são irreversíveis como a extinção de espécies o desmatamento. CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE 2. MUDANÇAS GLOBAIS (AQUECIMENTO GLOBAL) Um fenômeno típico do final do século XX e inicio do séc. XXI é a percepção de mudanças ambientais globais. Contribuem para isto de um lado, o avanço tecnológico (radares, satélites e supercomputad outro a crescente interferência humana sobre os sistemas terrestres. Existem complexas interdependências entre os sistemas ambientais. Mudanças ambientais outra. As respostas não são lineares. Há grandes incertezas ao se prever as reações entre as mudanças iniciais e os resultados finais. Algumas mudanças são irreversíveis como a extinção de PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 13 Um fenômeno típico do final do século XX e inicio do séc. XXI é a percepção de mudanças ambientais globais. Contribuem para isto de um lado, o avanço tecnológico (radares, satélites e supercomputadores) e do Existem complexas interdependências entre os sistemas ambientais. Mudanças ambientais em uma . Há grandes incertezas ao se prever as reações entre as mudanças iniciais e os resultados finais. Algumas mudanças são irreversíveis como a extinção de CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI Segundo o National Reaserch Council (Acade Futuro Comum” da ONU, incluiriam: TRÊS "MUDANÇAS GLOBAIS" SEGUNDO NATIONAL RESEARCH COUNCIL QUE ULTIMAMENTE ASSUMIRAM GRANDE DESTAQUE INTERNACIONAL. • Mudanças no Equilíbrio Radioativo da Terra ( • Mudanças no Influxo de Radiação ultravioleta (Buraco do Ozônio) • Desflorestamento e Redução do N.º de Espécies Vivas (Biodiversidade) Neste capítulo iremos tratar do primeiro item 2.2. Equilíbrio Radioativo da Terra 2.3 Os Que são o Efeito Estufa? Explicação dos motivos que levam ao Aquecimento Global CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE Segundo o National Reaserch Council (Academia Nacional de Ciências dos EUA) e no relatório ”Nosso TRÊS "MUDANÇAS GLOBAIS" SEGUNDO NATIONAL RESEARCH COUNCIL QUE ULTIMAMENTE ASSUMIRAM GRANDE DESTAQUE INTERNACIONAL. Mudanças no Equilíbrio Radioativo da Terra (Potencialização do Efeito Estufa) Mudanças no Influxo de Radiação ultravioleta (Buraco do Ozônio) Desflorestamento e Redução do N.º de Espécies Vivas (Biodiversidade) Neste capítulo iremos tratar do primeiro item, ou seja: Terra (Gases Estufa e Mudanças Climáticas) motivos que levam ao Aquecimento Global PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 14 mia Nacional de Ciências dos EUA) e no relatório ”Nosso TRÊS "MUDANÇAS GLOBAIS" SEGUNDO NATIONAL RESEARCH COUNCIL QUE ULTIMAMENTE CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI Diagrama do que é o efeito de estufa. O que acontece em A, B, C, e D. A: A luz solar é irradiada através do espaço para a atmosfera da Terra. B: A luz solar penetra na atmosfera terrestre. Parte desta energia, formada pelos raios luz infravermelho vai aquecer a Terra. C: Parte dos raios infravermelho refletidos pela D: A luz Infravermelha que é remetida novamente para a terra e a esquenta Algum desses gases existe modo a terra se mantém aquecida o bastante para vida humana. Este fenômeno é conhecido desde 1896. O problema é que nós, o humano está queimando combustíveis fósseis e biomassa. Nós também acrescentamos dois novos grupos de gases de estufa: os óxidos nitrosos (Nos) e os CFC ( impossibilitadas que as florestas retirem o gás carbônico do ar AQUECIMENTO GLOBAL O efeito estufa é um fenômeno natural. Sem ele, a superfície da Terra seria, em média, 33 °C mais fria. Graças ao efeito estufa, a vida pôde surgir no planeta. O "EFEITO ESTUFA" NORMAL 1. Radiação solar entra na atmosfera 2. Parte da radiação solar é refletida pela atmosfera e volta para o espaço 3. Parte da radiação solar também é refletida pela Terra 4. A maior parte da radiação solar é absorvida pela superfície terrestre e aquece o planeta 5. Superfície da Terra emite raios infravermelhos (calor) 6. Parte dos raios infravermelhos deixa a atmosfera 7. Outra parte é absorvida e impedida de sair pelo vapor de água e por outros gases, em especial o dióxido de carbono (CO2), presentes na atmosfera O "EFEITO ESTUFA" POTENCIALIZADO (CAUSA DO AUMENTO DA TEM 8. A queima excessiva de combustíveis fósseis _ petróleo e derivados e carvão _ pelas atividades humanas e a destruição de florestas pelo fogo aumentam a concentração dos gases Esse aumento intensifica a retenção do calor pelo Fonte: Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Universidade de Cambridge 2.3. O que são os “Gases-Estufa”? Embora possam existir dúvidas sobre as causas de uma seca ou enchente, não há nenhuma controvérsia sobre alguns fatos básicos de nossa atmosfera. Gases como o vapor de água, o dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos, o ozônio troposférico e o óxido nitroso criam um efeito estufa, que aprisionam o CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE Diagrama do que é o efeito de estufa. O que acontece em A, B, C, e D. z solar é irradiada através do espaço para a atmosfera da Terra. B: A luz solar penetra na atmosfera terrestre. Parte desta energia, formada pelos raios luz Terra. O calor é absorvido provocando o aquecimento. refletidos pela atmosfera são “capturados” pelos gases que é remetida novamente para a terra e a esquenta naturalmente na atmosfera como os gases carbônicos modo a terra se mantém aquecida o bastante para vida humana. Este fenômeno é conhecido desde 1896. O o humano está acrescendo cada vez mais gás carbônico e outros gases na atmosfera, biomassa. Nós também acrescentamos dois novos grupos de gases de estufa: CFC (s). Além disso, estamos cortando milhares e milhares de que as florestas retirem o gás carbônico do ar O efeito estufa é um fenômeno natural. Sem ele, a superfície da Terra seria, em média, 33 °C mais fria. Graças ao efeito estufa, a vida pôde surgir no planeta. 1. Radiação solar entra na atmosfera fletida pela atmosfera e volta para o espaço 3. Parte da radiação solar também é refletida pela Terra 4. A maior parte da radiação solar é absorvida pela superfície terrestre e aquece o planeta 5. Superfície da Terra emite raios infravermelhos (calor) arte dos raios infravermelhos deixa a atmosfera 7. Outra parte é absorvida e impedida de sair pelo vapor de água e por outros gases, em especial o (CO2), presentes na atmosfera O "EFEITO ESTUFA" POTENCIALIZADO (CAUSA DO AUMENTO DA TEMPERATURA) 8. A queima excessiva de combustíveis fósseis _ petróleo e derivados e carvão _ pelas atividades humanas e a destruição de florestas pelo fogo aumentam a concentração dos gases Esse aumento intensifica a retenção do calor pelo efeito estufa, elevando a temperatura global Fonte: Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Universidade de Cambridge ”? Embora possam existir dúvidas sobre as causas de uma seca ou enchente, não há nenhuma ontrovérsia sobre alguns fatos básicos de nossa atmosfera. Gases como o vapor de água, o dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos, o ozônio troposférico e o óxido nitroso criam um efeito estufa, que aprisionam o PARAA SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 15 B: A luz solar penetra na atmosfera terrestre. Parte desta energia, formada pelos raios luz O calor é absorvido provocando o aquecimento. atmosfera são “capturados” pelos gases estufa. que é remetida novamente para a terra e a esquenta mais. naturalmente na atmosfera como os gases carbônicos e metano. Este é o modo a terra se mantém aquecida o bastante para vida humana. Este fenômeno é conhecido desde 1896. O acrescendo cada vez mais gás carbônico e outros gases na atmosfera, biomassa. Nós também acrescentamos dois novos grupos de gases de estufa: Além disso, estamos cortando milhares e milhares de árvores O efeito estufa é um fenômeno natural. Sem ele, a superfície da Terra seria, em média, 33 °C mais fria. 4. A maior parte da radiação solar é absorvida pela superfície terrestre e aquece o planeta 7. Outra parte é absorvida e impedida de sair pelo vapor de água e por outros gases, em especial o PERATURA) 8. A queima excessiva de combustíveis fósseis _ petróleo e derivados e carvão _ pelas atividades humanas e a destruição de florestas pelo fogo aumentam a concentração dos gases-estufa na atmosfera efeito estufa, elevando a temperatura global Fonte: Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Universidade de Cambridge Embora possam existir dúvidas sobre as causas de uma seca ou enchente, não há nenhuma ontrovérsia sobre alguns fatos básicos de nossa atmosfera. Gases como o vapor de água, o dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos, o ozônio troposférico e o óxido nitroso criam um efeito estufa, que aprisionam o CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI calor perto da superfície terrestre e as concentrações de destes gases estão aumentando na atmosfera. Por causa deste aumento, espera-se que estes gases aprisionem mais energia na superfície e na atmosfera, o que, por sua vez, provocaria elevações na temperatura, alterações nos padrões d imprevistas no clima do mundo . O princípio do efeito estufa explica o clima frio de Marte (onde o vapor eficiente, é virtualmente ausente), o clima quente de Vê carbono e as condições são tão quentes que a vida, como a conhecemos, não sobreviveria) e o clima moderado aqui na Terra. Os cientistas sabem há décadas que um acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera p aquecer o clima do planeta. Sabem também que somente as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, aumentaram aproximadamente 25 por cento desde que carvão, petróleo e gás passaram a ser as principais fontes de energia para alimentar a Revolução Industrial. As concentrações de dióxido de carbono no momento estão aumentando aproximadamente 0,4 por cento ao ano. Depois do vapor de água, o dióxido de carbono e o gás naturalmente, mas também é produzido particularmente o carvão. Quando o combustível é queimado, seu carbono é oxidado em dióxido de carbono é de carbono também é liberado quando florestas são desmatadas e o m apodrecer. Estas atividades humanas estão injetando quase cada ano. Ao comparar este número com o aumento real da concentração de dióxido de carbono (aproximadamente três bilhões de toneladas anualmente), os cientistas presumem que quase metade do carbono injetado na atmosfera e absorvida pelos oceanos e pela vida vegetal e a outra metade permanece na atmosfera. Foi só na ultima década que os cientistas descobriram que outr modo importante para o aquecimento global. Sabe naturalmente, mas há concordância e geral de que as atividades humanas estão colaborando para o aumento atual. Molécula por molécula, os gases a seguir absorvem radiação infravermelha muito mais eficientemente do que o dióxido de carbono. Devido ao fato de do dióxido de carbono, o efeito isolado de cada provavelmente igual ou maior do que o efeito do dióxido de carbono sozinho. CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE re e as concentrações de destes gases estão aumentando na atmosfera. Por causa se que estes gases aprisionem mais energia na superfície e na atmosfera, o que, por sua vez, provocaria elevações na temperatura, alterações nos padrões de precipitação e outras mudanças ainda O princípio do efeito estufa explica o clima frio de Marte (onde o vapor - d’água eficiente, é virtualmente ausente), o clima quente de Vênus (onde a atmosfera tem abundância de dióxido de carbono e as condições são tão quentes que a vida, como a conhecemos, não sobreviveria) e o clima moderado aqui na Terra. Os cientistas sabem há décadas que um acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera p Sabem também que somente as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, aumentaram aproximadamente 25 por cento desde que carvão, petróleo e gás passaram a ser as principais fontes de energia ução Industrial. As concentrações de dióxido de carbono no momento estão aumentando aproximadamente 0,4 por cento ao ano. Depois do vapor de água, o dióxido de carbono e o gás-estufa mais abundante e eficaz. Ele ocorre também é produzido em grande quantidade durante a queima de combustíveis fósseis, Quando o combustível é queimado, seu carbono é oxidado em dióxido de carbono é de carbono também é liberado quando florestas são desmatadas e o material orgânico é queimado ou deixado apodrecer. Estas atividades humanas estão injetando quase seis bilhões de toneladas de carbono na atmosfera a cada ano. Ao comparar este número com o aumento real da concentração de dióxido de carbono bilhões de toneladas anualmente), os cientistas presumem que quase metade do carbono injetado na atmosfera e absorvida pelos oceanos e pela vida vegetal e a outra metade permanece na atmosfera. Foi só na ultima década que os cientistas descobriram que outros gases-estufa podem também contribuir de modo importante para o aquecimento global. Sabe-se que as concentrações de muitos destes gases variam naturalmente, mas há concordância e geral de que as atividades humanas estão colaborando para o aumento Molécula por molécula, os gases a seguir absorvem radiação infravermelha muito mais eficientemente do que o dióxido de carbono. Devido ao fato de suas concentrações na atmosfera serem muito menores do que as do dióxido de carbono, o efeito isolado de cada um deles e muito menor. O efeito provavelmente igual ou maior do que o efeito do dióxido de carbono sozinho. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 16 re e as concentrações de destes gases estão aumentando na atmosfera. Por causa se que estes gases aprisionem mais energia na superfície e na atmosfera, o que, por sua e precipitação e outras mudanças ainda d’água, gás-estufa altamente nus (onde a atmosfera tem abundância de dióxido de carbono e as condições são tão quentes que a vida, como a conhecemos, não sobreviveria) e o clima moderado aqui na Terra. Os cientistas sabem há décadas que um acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera poderia Sabem também que somente as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, aumentaram aproximadamente 25 por cento desde que carvão, petróleo e gás passaram a ser as principais fontes de energia As concentrações de dióxido de carbono no momento estão aumentando aproximadamente 0,4 por estufa mais abundante e eficaz. Ele ocorre em grande quantidade durante a queima de combustíveis fósseis, Quando o combustível é queimado, seu carbono é oxidado em dióxido de carbono é liberado. O dióxido aterial orgânico é queimado ou deixado bilhões de toneladas de carbono na atmosfera a cada ano. Ao comparar este número com o aumento real da concentração de dióxido de carbono bilhões de toneladas anualmente), os cientistas presumem que quase metade do carbono injetado na atmosfera e absorvida pelos oceanos e pela vida vegetal e a outra metade permanece na atmosfera. estufa podem também contribuir de se que as concentrações de muitos destes gases variam naturalmente, mas há concordância egeral de que as atividades humanas estão colaborando para o aumento Molécula por molécula, os gases a seguir absorvem radiação infravermelha muito mais eficientemente do suas concentrações na atmosfera serem muito menores do que as um deles e muito menor. O efeito combinado, , todavia, é Fonte: IPCC CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI GRAFICO - AUMENTO DA TEMPERATURA MÉDIA GLOBAL ALÉM DO CO2 EXISTEM MAIS TRÊS IMPORTANTES GASES E METANO (CH4). O metano, também conhecido como gás natural, é produzido pela atividade bacteriana em charcos e plantações de arroz e nos aparelhos digestivos de animais ruminantes e insetos como o cupim. Grande parte do metano na atmosfera vem de fontes biológicas. Ele está uma taxa de aproximadamente 1,1 porcento ao ano. Análises de bolhas de gases presas no gelo glacial mostram que o aumento nos níveis do metano acompanha o crescimento mais eficaz do que o dióxido de carbono na apreensão de calor. CLOROFLUORCARBONOS (CFCs) . Os clorofluorcarbonos são um grupo de compostos sintéticos usados em refrigeração, isolamento, espumas e outros processos industriais. Afora seu papel como gás estratosfera, eles liberam cloro, que depois catalisa a decomposição o ar a nível da camada protetora que protege a Terra da radiação ultravioleta. Os CFCs com maior vezes mais capacidade do que o dióxido de carbono de prender calor, e o CFC capacidade. Ambos os compostos têm vida longa e estão aumentando na atmosfera uma velocidade de O Protocolo de Montreal, um acordo internacional adotado em 1987 para limitar a produção de CFCs, diminuirá mas não eliminará a velocidade aumento. São também considerados como gases estufa pelo protocolo de kyoto os hidrofluorocarbonos (HFCs) perfluorocarbonos (PFCs), e o hexafluoreto de enxofre (SF6). OXIDO NITROSO (N2O). O óxido nitroso e produzido naturalmente pela agricultura. queima de madeira, a decomposição de resíduos de colheitas e a queima de combustíveis fósseis. O uso, na agr nitrogênio presumivelmente acelera sua taxa de liberação. As concentrações atmosféricas de óxido nitroso estão aumentando aproximadamente 0,25 por cento ao ano. Seu tempo de residência na atmosfera e longo e, suas concentrações aumentariam por mais de 200 anos ainda, mesmo que as taxas de emissão ficassem congeladas nos níveis atuais. Os cientistas acreditam que os níveis de oxido nitroso no ano 2030 serão aproximadamente 34 por cento mais altos do que os níveis do período pré que o dióxido de carbono de apreender calor. 2.4. A Resposta do Clima aos Gases Usando modelos matemáticos tridimensionais do sistema climático, os cient inferências sobre as condições do mundo no futuro. Os resultados de literalmente milhões de medições e cálculos durante o século passado indicam que a Terra está para sofrer décadas. Os modelos prevêem que por causa do dióxido de carbono e de outros gases que estão se acumulando na atmosfera desde 1860, a Terra provavelmente já está comprometida com um aumento de 0,5°C a 1,5°C na sua temperatura média. “Se as atuais emissões continuarem, o efeito estufa combinado de todos estes gases CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE AUMENTO DA TEMPERATURA MÉDIA GLOBAL EXISTEM MAIS TRÊS IMPORTANTES GASES ESTUFA : O metano, também conhecido como gás natural, é produzido pela atividade bacteriana em charcos e plantações de arroz e nos aparelhos digestivos de animais ruminantes e insetos como o cupim. Grande parte do e fontes biológicas. Ele está atualmente no nível de 1,7 partes por milhão uma taxa de aproximadamente 1,1 porcento ao ano. Análises de bolhas de gases presas no gelo glacial mostram que o aumento nos níveis do metano acompanha o crescimento da população humana. Por molécula; ele é 25 vezes mais eficaz do que o dióxido de carbono na apreensão de calor. Os clorofluorcarbonos são um grupo de compostos sintéticos usados em refrigeração, isolamento, os processos industriais. Afora seu papel como gás -estufa, quando os CFCs sobem para a estratosfera, eles liberam cloro, que depois catalisa a decomposição o ar a nível da camada protetora que protege a Terra da radiação ultravioleta. Os CFCs com maior predominância são os CFC-12, que por molécula, tem 20.000 vezes mais capacidade do que o dióxido de carbono de prender calor, e o CFC -11, com 17.500 vezes mais capacidade. Ambos os compostos têm vida longa e estão aumentando na atmosfera uma velocidade de O Protocolo de Montreal, um acordo internacional adotado em 1987 para limitar a produção de CFCs, diminuirá mas São também considerados como gases estufa pelo protocolo de kyoto os hidrofluorocarbonos (HFCs) perfluorocarbonos (PFCs), e o hexafluoreto de enxofre (SF6). O óxido nitroso e produzido naturalmente pela agricultura. queima de madeira, a decomposição de resíduos de colheitas e a queima de combustíveis fósseis. O uso, na agricultura, de fertilizantes minerais que contêm nitrogênio presumivelmente acelera sua taxa de liberação. As concentrações atmosféricas de óxido nitroso estão aumentando aproximadamente 0,25 por cento ao ano. Seu tempo de residência na atmosfera e longo e, suas concentrações aumentariam por mais de 200 anos ainda, mesmo que as taxas de emissão ficassem congeladas nos níveis atuais. Os cientistas acreditam que os níveis de oxido nitroso no ano 2030 serão aproximadamente 34 por e os níveis do período pré-industrial. Por molécula, este gás tem 250 vezes mais capacidade que o dióxido de carbono de apreender calor. 2.4. A Resposta do Clima aos Gases-Estufa Usando modelos matemáticos tridimensionais do sistema climático, os cientistas conseguem fazer várias inferências sobre as condições do mundo no futuro. Os resultados de literalmente milhões de medições e cálculos durante o século passado indicam que a Terra está para sofrer uma significativa mudança climática nas próximas . Os modelos prevêem que por causa do dióxido de carbono e de outros gases que estão se acumulando na atmosfera desde 1860, a Terra provavelmente já está comprometida com um aumento de 0,5°C a 1,5°C na “Se as atuais emissões continuarem, o efeito estufa combinado de todos estes gases Fonte IPCC,1997 PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 17 STUFA : O metano, também conhecido como gás natural, é produzido pela atividade bacteriana em charcos e plantações de arroz e nos aparelhos digestivos de animais ruminantes e insetos como o cupim. Grande parte do atualmente no nível de 1,7 partes por milhão o e aumenta a uma taxa de aproximadamente 1,1 porcento ao ano. Análises de bolhas de gases presas no gelo glacial mostram que humana. Por molécula; ele é 25 vezes Os clorofluorcarbonos são um grupo de compostos sintéticos usados em refrigeração, isolamento, estufa, quando os CFCs sobem para a estratosfera, eles liberam cloro, que depois catalisa a decomposição o ar a nível da camada protetora que protege a 12, que por molécula, tem 20.000 11, com 17.500 vezes mais capacidade. Ambos os compostos têm vida longa e estão aumentando na atmosfera uma velocidade de 5 % ao ano. O Protocolo de Montreal, um acordo internacional adotado em 1987 para limitar a produção de CFCs, diminuirá mas São também considerados como gases estufa pelo protocolo de kyoto os hidrofluorocarbonos (HFCs), O óxido nitroso e produzido naturalmente pela agricultura. queima de madeira, a decomposição de icultura, de fertilizantes minerais que contêm nitrogênio presumivelmente acelera sua taxa de liberação. As concentrações atmosféricas de óxido nitroso estão aumentando aproximadamente 0,25 por cento ao ano. Seu tempo de residência na atmosfera e longo e, portanto, suas concentrações aumentariam por mais de 200 anos ainda, mesmo que as taxas de emissão ficassem congeladas nos níveis atuais. Os cientistas acreditam que os níveis de oxido nitroso no ano 2030 serão aproximadamente 34 por industrial. Pormolécula, este gás tem 250 vezes mais capacidade istas conseguem fazer várias inferências sobre as condições do mundo no futuro. Os resultados de literalmente milhões de medições e cálculos uma significativa mudança climática nas próximas . Os modelos prevêem que por causa do dióxido de carbono e de outros gases que estão se acumulando na atmosfera desde 1860, a Terra provavelmente já está comprometida com um aumento de 0,5°C a 1,5°C na “Se as atuais emissões continuarem, o efeito estufa combinado de todos estes gases Fonte IPCC,1997 CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 18 seria igual a uma duplicação efetiva dos níveis de dióxido de carbono” - ponto em que o dióxido de carbono e outros gases-estufa combinados apreende a mesma quantidade de energia que o dióxido de carbono sozinho aprisionaria se sua concentração dobrasse com relação ao nível pré-industrial - já em 2030. Apesar de os modelos climáticos serem intricados e exigirem maciças quantidades tempo junto ao computador, eles são representações bastante simplificadas das realidades complexas do sistema climático propriamente dito. É difícil, por exemplo, incluir as nuvens nos modelos, muito embora estas possam ampliar ou moderar o efeito estufa. A maioria dos modelos não inclui adequadamente a dinâmica da circulação dos oceanos, um determinante essencial das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera. Os modelos também não conseguem incorporar toda a gama de incertezas sobre as respostas em potencial do sistema terrestre - a possibilidade, por exemplo, de que um aumento da temperatura possa alterar a cobertura de nuvens ou aumentar a velocidade com que as bactérias do solo decompõem materiais orgânicos inanimados e conseqüentemente acelerar a contribuição biológica do dióxido de carbono para atmosfera ou a possibilidade de que uma mudança no clima possa desencadear uma virada dramática na circulação dos oceanos, o que alteraria completamente a temperatura e os padrões de precipitação. 2.5. Perguntas e respostas sobre o aquecimento global PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL 1. A Terra está ficando mais quente? Sim. As temperaturas médias na superfície terrestre subiram entre 0,3 °C e 0,6 °C desde 1860 (data de início do registro). Especialistas atribuem parte desse aumento ao 'efeito estufa'. Os dez anos mais quentes do século aconteceram desde 1980 e há indícios de que os anos 90 estão sendo ainda mais quentes 2. A elevação será de quantos graus? Segundo o Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima (IPCC), órgão ligado à ONU que reúne cerca de 2.000 cientistas, a temperatura média global da superfície terrestre subirá entre 1 °C e 3,5 °C até o ano 2100, se a emissão de gases não for controlada 3. O que acontecerá com o clima da Terra? Ficará mais quente e mais úmido, mas não em todos os lugares. Cientistas dizem que haverá acréscimo nas chuvas e enchentes mais freqüentes em algumas áreas. Outras regiões poderão sofrer secas crônicas. Haverá um acréscimo no número de dias de verão extremamente quentes, mas a temperatura subirá mais durante o inverno em altas latitudes do hemisfério Norte 4. O aquecimento global vai afetar o nível do mar? O calor provoca a expansão do volume da água. Se as geleiras continuarem a derreter, como tem acontecido, o nível do mar pode subir ainda mais. A projeção é de que a elevação média no ano 2100 será de cerca de 50 centímetros, podendo variar de 15 cm a 90 cm. Se o nível do mar subir 1 metro, 17,5% das terras de Bangladesh, por exemplo, ficarão submersas 5. O aquecimento afetará a saúde humana? Especialistas em saúde pública estão preocupados com a possibilidade de a elevação da temperatura facilitar a ocorrência de infecções e de doenças provocadas por insetos. De acordo com um estudo, os casos de malária podem aumentar em 80 milhões 6. Haverá conseqüências negativas para a agricultura? O aquecimento poderá resultar em queda na produção de algumas áreas, mas, em compensação, poderá permitir a agricultura em regiões que hoje são muito frias 7. A concentração de gases na atmosfera cresceu muito? Em 1750, época da Revolução Industrial, a concentração de CO2 na atmosfera era de aproximadamente 280 partes por 1 milhão (PPM). Agora, está próxima a 360 ppm, um acréscimo de cerca de 30%. O IPCC estima que, se as emissões continuarem nos níveis de 1994, a concentração de CO2 em 2100 será de 550 ppm. A humanidade joga cerca de 7 bilhões de toneladas de CO2na atmosfera todos os anos, o que representa acréscimo anual de cerca de 1% na concentração de gases 8. O que contribui para a elevação da temperatura e como evitá-la? A queima de combustíveis fósseis, principalmente petróleo e seus derivados e carvão, e de florestas. É preciso restringir os níveis atuais das emissões de gases-estufa. Para isso, é necessário desenvolver tecnologias que economizem energia e reduzam a emissão de poluentes. Também é preciso racionalizar as atividades industriais e de transportes e impedir a queima de florestas e áreas agrícolas Fonte: Folha de São Paulo 2.6. Cronologia CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 19 CRONOLOGIA DO COMBATE AO AQUECIMENTO GLOBAL Década de 70 Durante a década de 70, começaram a surgir as primeiras revelações que apontavam para o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Cientistas e ambientalistas começaram a exigir medidas contra o aquecimento global. Nos anos seguintes, o assunto ganhou importância 1988 É criada a UNFCCC- Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas É criado o Painel Intergovernamental sobre Mudança no Clima (IPCC), reunindo 2.000 cientistas de todo o mundo, por determinação da Organização das Nações Unidas e da Organização Meteorológica Mundial. O objetivo é investigar a possibilidade de a Terra estar caminhando para um aquecimento global e quais as conseqüências que o fenômeno traria. É criada a UNFCCC- Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas 1990 Conferência de Genebra Suíça - É publicado o primeiro relatório do IPCC, que previu que os níveis de CO2 dobrariam nos próximos cem anos. Como resultado, a temperatura global aumentaria de 1,5 °C a 4,5 °C. O trabalho também alertou para a possibilidade de o nível do mar subir e previu a ocorrência de grandes enchentes e secas, que poderiam ameaçar o suprimento de comida e água 1992 Chefes de Estado de diversos países do mundo reúnem-se no Rio de Janeiro para a primeira conferência de cúpula sobre a Terra. A Convenção do Clima, assinada durante a reunião, rejeitou cortes obrigatórios nas emissões de CO2, mas sugeriu às nações que reduzissem voluntariamente seus níveis de poluição aos de 1990. O ano 2000 foi o prazo estipulado para o início do controle 1993 O presidente norte-americano, Bill Clinton, declarou-se favorável à redução das emissões dos Estados Unidos de acordo com o proposto pela conferência do Rio. Logo ficou claro que os EUA, assim como a maioria dos países desenvolvidos, não conseguiriam reduzir suas emissões aos níveis de 1990 1995 COP-1: Berlim (Alemanha), 28/3 a 7/4 de 1995 Na primeira Conferência das Partes, da qual participaram 117 países, estabeleceu-se o Mandato de Berlim como resultado consensual sobre a necessidade de se criar medidas efetivas para reduzir a emissão de GEEs, conforme os objetivos propostos pela CQMC (Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas) Ali foi feita a primeira revisão de adequação referente ao compromisso assumido pelos países desenvolvidos e da Europa Central e do Leste, listados no Anexo I da Convenção, de mitigar aos níveis de 1990 a emissão de GEEs até o ano 2000. A partir dessa revisão, chegou-se a conclusão de que tal compromisso não seria suficiente para o cumprimento das metas da CQMC, sendo necessária a elaboraçãode um documento, a ser apresentado em 1997, que tornasse oficial o comprometimento dos países do Anexo I em reduzir a emissão de GEEs. Documento este que resultou na criação do Protocolo de Kyoto. Ficou decidido também o desenvolvimento de um programa de implementação conjunta de atividades (Atividades Implementadas Conjuntamente, AIC) para facilitar e garantir o cumprimento das metas estabelecidas de mitigação da emissão de GEEs. As AICs são feitas entre um país do Anexo I e outro que não precisa cumprir as metas do Protocolo de Kyoto, tendo em vista a implantação de projetos em comum a partir de suporte e transferência de tecnologia. 1997 COP-3: Kyoto (Japão), 1 a 10/12 de 1997 A terceira Convenção das Partes representou um importante passo no combate à mudança do clima, desde a criação da CQMC. Ali, diante da participação de 159 países, ficou decidida a adoção do Protocolo de Kyoto, que entraria em vigor a partir da ratificação de no mínimo 55 países, que juntos fossem responsáveis por 55% das emissões de GEEs. O Protocolo de Kyoto determina que as partes do Anexo I devem mitigar pelo menos 5,2% de suas emissões deGEEs nos níveis de 1990. O Japão assumiu o compromisso de reduzir 6%; a União Européia concordou em diminuir 8%; num primeiro momento, os Estados Unidos se comprometeram em reduzir 7%. Alguns países do Anexo I, como Rússia e Ucrânia, não assumiram compromissos. 2001 COP-7: Marrakesh (Marrocos), 29/10 a 9/11 de 2001 CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 20 Algumas das regras estabelecidas na sétima COP incluem definição dos mecanismos de flexibilização; limitação para o uso e transferência de créditos originários de florestas, vendidos pelos países com maior potencial de geração de créditos de carbono (sobretudo Brasil, China e Índia) aos países do Anexo I; permissão para a adoção de programas unilaterais de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) sem que haja a participação de uma nação do Anexo I; e o estabelecimento de fundos internacionais de ajuda aos países subdesenvolvidos para que se adaptem às conseqüências das mudanças do clima. Em março, o recém-eleito presidente George W. Bush jogou um balde de água fria sobre a comunidade ambientalista do planeta: declarou que os Estados Unidos não ratificariam o Protocolo de Kyoto. O mundo reagiu com vigor e acusou a administração Bush de ser "isolacionista" e de converter-se em títere dos interesses energéticos e automobilísticos norte-americanos. 2002 30.05 - União Européia ratifica o Protocolo de Kyoto 04.06 - Japão ratifica o Protocolo de Kyoto 2005 16.02 – Após a ratificação da Rússia, entra em vigor o Protocolo de Kyoto sem a participação dos EUA 2007 (UNFCCC - COP 13),Bali. Os delegados reunidos na conferência climática da ONU em Bali concordou em incluir a conservação da floresta em futuras discussões sobre um tratado novo do aquecimento global Fontes: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, PNUMA , Aguaonline, TierraAmérica,UNFCCC 2.7. Primeiras Propostas para a Redução do Efeito Estufa (Taxas Sobre o Carbono ou Créditos Estufa) “Ainda que no caso dos CFCs essas questões sejam complicadas e dispendiosas, serão infinitamente mais difíceis no caso dos gases estufa. Esta e uma das razoes para considerar, como parte integrante de qualquer acordo sobre mudanças climática, algum mecanismo que impeça os países de produzir gases estufa e ao mesmo tempo transfira dinheiro daqueles que estão dispostos a pagar para os que precisam ser subornados. Alguns acadêmicos já imaginaram programas para uma taxa internacional do dioxido de carbono produzido por cada pais, sendo a arrecadação utilizada para ajudar os países mais pobres a se adaptar, e licenças negociáveis a nível internacional para a produção de gases estufa, cuja distribuição visaria penalizar alguns países e subornar outros. Os instrumentos econômicos tem duas funções úteis nos tratados internacionais .Em primeiro lugar, oferecem um mecanismo de transferencia de recursos dos virtusos para os potencialmente perversos. Em segundo lugar, mantém baixo o custo de controle dos poluentes mundiais. O custo dessas medidas sempre produzirão um determinado beneficio ambiental a um custo baixo para sociedade do que a regulamentação estrita. A mera fixação, para cada pais, de uma meta de redução de sua emissão de CFCs, dióxido de carbono e outros gases nocivos será um método mais - talvez muito mais - dispendioso do que usar um mecanismo que leve em conta os custos da redução. Isto é duplamente importante para poluentes mundiais como os gases estufa. 0 que importa , em termos ambientais, não é quanto cada país em si produz, mas o total geral do planeta. Para o planeta, portanto, mais do que qualquer outro objetivo global fixado pelo acordo, o método mais eficiente será permitir que alguns países reduzam menos e outros mais. Estabelecer um objetivo constante para cada país digamos estabilização aos níveis de 1990 no final do século - (como propõe os EUA) pode parecer justo, mas na a verdade será profundamente ineficiente A taxa seria fixada ao mesmo nível para todos os países ,mas as receitas seriam revertidas por meio de alguma forma para subornar os não cooperadores. Estes poderiam ser os países em desenvolvimento. ou os grandes produtores de energia.” Cairncross,Frances - Meio Ambiente Custos e Benefícios Ed.Nobel 1991 CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 21 2.8. Seqüestro de Carbono Os reservatórios de CO2 na terra e nos oceanos são maiores que o total de CO2 na atmosfera. Pequenas mudanças nesses grandes reservatórios podem causar efeitos significativos na concentração atmosférica. A liberação de 2% de carbono estocado nos oceanos, por exemplo, poderá dobrar a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera As formas de seqüestrar carbono florestal podem ser simplificadamente classificadas em três tipos: a) preservação do estoque de carbono nas florestas já existentes através de ação protetora; b) aumento do estoque de carbono florestal por meio de uma ação combinada de práticas de manejo florestal sustentável, regeneração florestal e reflorestamento em áreas degradadas, ou introdução de atividades agroflorestais em áreas de agricultura; c) substituição de combustíveis fósseis por produtos de biomassa vegetal sustentáveis. Há muita polêmica sobre a retenção de carbono nas árvores. Enquanto a opinião mais aceita é a de que a maior incorporação de carbono ocorre durante a fase de crescimento das árvores (reflorestamento ou regeneração), que praticamente se estabiliza em uma floresta adulta (preservação de mata nativa). Outro ponto que coloca em questão a eficiência da retenção de carbono em florestas – o limite de temporalidade para essa retenção – é o de que um dia, finalmente, essa madeira será decomposta, e o carbono será então liberado novamente para a atmosfera. Há, ainda, outro aspecto que limita o alcance do seqüestro de carbono, de difícil previsão e contabilização, 2.9. Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima: A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 1992 foi assinada por mais de 150 Estados assinaram na "Cúpula da Terra", no Rio. Reconhecendo, assim, a mudança do clima como "uma preocupação comum da humanidade". Eles se propuseram a elaborar uma estratégia global "para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras". Os Governos que se tornaram Partes da Convenção tentarão atingir o objetivo final de estabilizar "as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica (provocada pelo homem) perigosa no sistema climático." A Convenção fornece um "quadro" dentro do qual os governos podem trabalharjuntos para desenvolver novas políticas e programas que terão grande implicação na forma como as pessoas vivem e trabalham. É um texto detalhado, negociado com cuidado, que reconhece as preocupações especiais de diferentes grupos de países. A Convenção enfatiza que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelas emissões históricas e atuais, devendo tomar a iniciativa no combate à mudança do clima; que a prioridade primeira de países em desenvolvimento deve ser o seu próprio desenvolvimento social e econômico, e que a sua parcela de emissões globais totais deve aumentar à medida que eles se industrializam; que estados economicamente dependentes de carvão e petróleo enfrentarão dificuldades se a demanda de energia mudar; e que países com ecossistemas frágeis, como pequenos países insulares e de terreno árido, são especialmente vulneráveis aos impactos previstos da mudança do clima. Ao tornarem-se Partes da Convenção, tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento assumiram certo número de compromissos. Entre eles: ● Submeter para apreciação informações sobre as quantidades de gases de efeito estufa que eles emitem, por fontes, e sobre seus "sumidouros" nacionais (processos e atividades que absorvem gases de efeito estufa da atmosfera, em especial, florestas e oceanos). ● Desenvolver programas nacionais para a mitigação da mudança do clima e adaptação a seus efeitos. ● Fortalecer a pesquisa científica e tecnológica e a observação sistemática do sistema climático e promover o desenvolvimento e a difusão de tecnologias relevantes. ● Promover programas educativos e de conscientização pública sobre mudança do clima e seus efeitos prováveis. Os países desenvolvidos assumem certo número de compromissos adicionais que cabem somente a eles. Os mais importantes são: ● Adotar políticas destinadas a limitar suas emissões de gases de efeito estufa e proteger e aumentar seus "sumidouros" e "reservatórios" de gases de efeito estufa. Eles se comprometeram a retornar suas emissões aos níveis de 1990 até o final desta década. Também submeterão informações detalhadas sobre seu progresso. A Conferência das Partes revisará a implementação geral e a adequação desse compromisso pelo menos duas vezes durante a década de 90. CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 22 ● Transferir recursos tecnológicos e financeiros para países em desenvolvimento além da assistência que já seja por eles oferecida, e apoiar os esforços desses países no cumprimento de suas obrigações sob a Convenção. ● Ajudar países em desenvolvimento que sejam particularmente vulneráveis aos efeitos adversos da mudança do clima para fazer frente aos custos de adaptação. Para fazer download completo do texto da convenção acesse ao site: http://www.mct.gov.br/clima/convencao/texto.htm 2.10. Conferência sobre Mudanças Climáticas de Kyoto Em Dezembro de 1997 realizou-se em Kyoto no Japão uma conferência das partes contratantes da “Convenção do Clima”. A conferência adotou uma série de decisões importantes relativas ao aquecimento global. Estas decisões estão refletidas no “Protocolo de Kyoto”. O texto do Protocolo pode ser acessado em www.UNFCCC.int O Protocolo de Kyoto estabelece regras mais rígidas de redução de gases que causam o efeito estufa - os chamados GEE - do que aquelas previstas na Convenção Quadro da ONU sobre Mudança do Clima A redução será feita apenas por países industrializados em cotas diferenciadas de até 8%, entre 2008 e 2012. O documento estabelece que os países desenvolvidos - os inseridos no anexo I da Convenção - terão a obrigação de reduzir a quantidade de seis gases que provocam o efeito estufa em pelo menos 5%, em relação aos níveis de 1990. Para sua entrada em vigor, o Protocolo necessita ser ratificado por pelo menos 55 partes da Convenção, incluindo os países desenvolvidos que eram responsáveis por pelo menos 55% das emissões totais de dióxido de carbono em 1990. Sua ratificação e conseqüente entrada em vigor por parte dos países signatários, só ocorreu devido à ratificação do tratado pela Rússia. Mesmo com a recusa dos EUA em ratificá-lo. Apesar de serem responsáveis por cerca de 25% da emissão de GEEs no mundo, uma coalizão dos demais países, viabilizou a entrada em vigor do protocolo. Foi preciso reunir 55% dos "poluidores mundiais" para que o Protocolo passasse a ter força de lei internacional a partir de dezesseis de fevereiro de 2005. Atualmente já estão garantidos mais de 43.9% + 17.4% (da Rússia) = 61,39 % das emissões. Em março de 2001, o presidente George W. Bush saiu unilateralmente do acordo, alegando que este estaria equivocado e que seu cumprimento prejudicaria a economia americana. Essa posição trouxe um clima pessimista para a viabilidade do acordo multilateral, porém, paradoxalmente, também serviu para unir os demais países na necessidade de consenso. A fim de salvar o acordo, de não deixar que se perdessem dez anos de longa e árdua negociação e de defender uma solução de cooperação multilateral para o aquecimento global Mesmo sem os EUA, as reduções das emissões dos gases vão acontecer em várias atividades econômicas. O Protocolo estimula os países a cooperarem entre si através de algumas ações básicas: ● reformar os setores de energia e transportes ● promover o uso de fontes energéticas renováveis ● eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção ● limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos ● proteger florestas e outros sumidouros de carbono A evolução das discussões nas Convenções das Partes (COPs) – tanto a COP1, de 1995, em Berlim, quanto a COP2, de 1996, em Genebra – culminou no Protocolo de Kyoto (PK) e na COP3 em Kyoto, em 1997, quando foi firmado um termo de compromisso de redução média de 5,2% na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012, para os países do Anexo I. 7 O Protocolo de Kyoto, além de estabelecer os compromissos de redução, também estabelece três mecanismos de flexibilização, com o objetivo de permitir maior eficiência econômica na mitigação do efeito estufa. O Protocolo de Kyoto, prevê, ainda, além das medidas necessárias ao cumprimento dos compromissos da Convenção, três mecanismos de flexibilização a serem utilizados para o cumprimento das metas, quais sejam: a) a Implementação Conjunta - Joint Implementation (JI) - consiste na possibilidade de um país do Anexo I receber Unidades de Emissão Reduzida (UER), quando ajuda a desenvolver projetos que provoquem redução de emissão em outros países do Anexo I, de forma suplementar às ações domésticas (art. 6 do Protocolo); Dá maior flexibilidade aos países do Anexo I para investirem entre si no cumprimento de seus compromissos de redução; b) o Comércio de Emissões - Emission Trading (ET) - consiste na possibilidade de que países do Anexo I, compromissados em reduzir emissões de GEE, possam comercializar as unidades de emissão evitada com outras partes, com o objetivo de incrementar a eficiência econômica na redução de emissões (art.17 do CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 23 Protocolo); O Mercado Internacional das Emissões (International Emissions Trading), possibilita aos países do Anexo I comercializarem entre si as quotas de emissão e os créditos adquiridos através do MDL em países em desenvolvimento. O artigo 12 do PK define MDL somente em termos de “redução de emissões”, referindo-se, em princípio, à transferência de tecnologias limpas dos países industrializados para os países em desenvolvimento, a fim de que os últimos também passem a controlar as emissões, num esforço comum de mitigação do efeito estufa no longo prazo. Pela insistência dos EUA, as negociações evoluíram na equiparaçãodos conceitos de “redução das emissões de carbono” e “seqüestro de carbono emitido”, abrindo a possibilidade de incluir o seqüestro de carbono florestal nos MDLs. Os opositores a essa inclusão argumentavam que os projetos florestais não reduzem as emissões mas apenas as capturam c) o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - Clean Development Mechanism (CDM) - que permite aos países industrializados financiar projetos de emissão evitada em países em desenvolvimento e receber créditos por assim agirem, como forma de suprir parte de seus compromissos (art. 12 do Protocolo). Os dois primeiros mecanismos são de exclusividade dos países que compõem o Anexo I e o terceiro (MDL) possibilita os países em desenvolvimento auxiliarem na preservação do equilíbrio climático global. 2.6.1. Os MDL(s) – Mecanismos de Desenvolvimento Limpo Também foi aprovado a criação, de um “Fundo de Desenvolvimento Limpo” proposto pelo Brasil, para facilitar a transferência de tecnologias aos países em desenvolvimento e permitir que eles cresçam sem repetir o padrão de uso de derivados de petróleo e de carvão dos países industrializados. É a parte mais controvertida do Acordo de Kyoto pois permite às nações comprar direitos de poluição de outras nações. As licenças de quotas de emissões são apresentadas como solução de "livre de mercado" para problemas ambientais. Os MDL(s), Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, criados no artigo 12 do Protocolo diz que: "o objetivo do mecanismo de desenvolvimento limpo deve ser assistir às Partes não incluídas no anexo I para que atinjam o desenvolvimento sustentável e contribuam para o objetivo final da Convenção e assistir às Partes incluídas no anexo I para que cumpram seus compromissos quantificados de limitação e redução de emissões". Mais à frente, o documento estabelece que as Partes não incluídas no anexo I poderão se beneficiar "de atividades de projetos que resultem em reduções certificadas de emissões"; e as Partes incluídas no anexo I "podem utilizar as reduções certificadas de emissões, resultantes de tais atividades de projetos, para contribuir com o cumprimento de parte de seus compromissos quantificados de limitação e redução de emissões".Ou seja, fica criada assim a possibilidade de países desenvolvidos (os do anexo I) negociarem com países não-anexo I (normalmente, os países em desenvolvimento) a redução de emissões de GEEs nestes últimos. Iso pode ser feito, por exemplo, através do financiamento de projetos de substituição de energia fóssil por energia renovável, ou de atividades de redução de gases nocivos na atmosfera - como o seqüestro de carbono. Este mercado em potencial é o que mais tem recebido atenção dos ambientalistas e, principalmente, dos países desenvolvidos que não querem diminuir suas atividades produtivas, o que levaria à diminuição dos GEEs. O mecanismo possibilita a elaboração, por países em desenvolvimento, de projetos voltados à redução das emissões de CO² causadas pela queima de carvão e de derivados de petróleo. Com base nesses projetos, seus países receberiam certificados chancelados de quotas em toneladas de carbono, correspondentes às reduções propostas, que poderiam ser vendidos a países com metas de redução de emissões. O fluxo estimado de capitais em CDM pode chegar a US$ 17. Esta permissão para poluir não deverá exceder a capacidade de absorção do ecossistema. Em outras palavras, alguém tem que determinar a quantidade total de poluição que o ecossistema pode tolerar, o que dificilmente poderá ser exeqüível. Outro problema seria a alocação e distribuição dos recursos financeiros gerados, (direitos para poluir). Eles devem ser inicialmente distribuído a vários setores (indivíduos, firmas, ou nações, por exemplo)? Como efetuar distribuição justa? Devem estes direitos serem considerados propriedade pública ? Devem passar por uma licitação? Ou simplesmente devam vendidos por um preço predeterminado? Questiona-se também se ao plantar uma árvore agora e daqui a alguns anos ela for queimada ou cortada, os países que investiram terão direito ao dinheiro de volta. Outro principio bastante questionável é da “adicionalidade”. Onde estaria a adicionalidade de um plantio de eucalipto para uma empresa de papel e celulose? Se a adicionalidade está no plantio em relação a uma área de pastagem pré-existente. Mas essas empresas precisam plantar eucalipto para produzir celulose e papel, uma vez que não existe o "ato nobre" de se preocupar com o meio ambiente. Muito pelo contrário. Todos sabem dos problemas causados pelas grandes áreas ocupadas com eucalipto. Visando a aproveitar a possibilidade de negociar certificados de emissão de carbono, as nações ricas já estão atentas a projetos implementados em países em desenvolvimento: mesmo sem o Protocolo de Kyoto estar CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 24 vigorando. Os projetos que se voltam para a diminuição dos GEEs na atmosfera que tenham se iniciado a partir de 2000 poderão ser aproveitados e considerados como MDL(s), quando o Protocolo entrar em vigor de acordo com o artigo 12 "reduções certificadas de emissões obtidas durante o período do ano 2000 até o início do primeiro período de compromisso podem ser utilizadas para auxiliar no cumprimento das responsabilidades relativas ao primeiro período de compromisso." É o caso, por exemplo, da recém-implementada iniciativa da Prefeitura de Palmas, Tocantins. Divulgada como o primeiro projeto de seqüestro de gás carbônico em área urbana no mundo, a intenção é que se absorva anualmente 16 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, totalizando 246.110 toneladas em 15 anos. A novidade prevê a preservação de 3.700 hectares de áreas não degradadas, o reflorestamento de 1.500 hectares de áreas degradadas e a implantação de 300 hectares de praças e jardins até 2005. Neste contexto em que as atenções recaem sobre o futuro "mercado de carbono" e - em menor escala - sobre a troca de energias fósseis por renováveis, problemas não deixam de ser apontados no modelo que pode surgir a partir daí. O primeiro deles é que, com, os países negociando ao bel- prazer financiamento de projetos que diminuam a emissão de gases, a questão - essencialmente ambiental e de desenvolvimento - pode vir a se reduzir a um assunto econômico uma que este fator tem sido decisivo para que países ratifiquem ou não o Protocolo - afinal, aqueles que não querem diminuir sua produção são os que têm se recusado a reafirmar o documento. Além disso, outro risco iminente é que a possibilidade de usar o MDL seja um pretexto para que países desenvolvidos continuem poluindo da forma que sempre fizeram. O comércio de carbono pode muito bem passar a ser uma das maiores indústrias do século 21. Estimativas baseadas no potencial do comércio de carbono nos Estados Unidos e Europa indicam que poderá ser avaliado entre 30 e 100 bilhões quando estiver funcionando em sua plenitude. O preço de compensação de mercado para o comércio de carbono completo no Estados Unidos pode alcançar de US$ 30 a US$ 40 por tonelada, e de US$ 70 a US$ 80 por tonelada no mercado europeu e japonês Protocolo de Kyoto, em seu art. 12.5, estabelece algumas condições básicas para que as reduções de emissões de GEE resultantes de um projeto ou de uma atividade de projeto obtenham Certificado de Redução de Emissões. Tais condições demonstram que nem todos os projetos que resultem em redução de emissões serão elegíveis, ou seja, para que seja reconhecida a elegibilidade de um projeto o mesmo deve apresentar requisitos básicos para candidatar-se como um projeto de MDL, quais sejam: a) Benefícios reais, mensuráveis e de longo prazo relacionados com a mitigação do clima; b) Reduções de emissões que sejam adicionais às que ocorreriam na ausência da atividade certificada de projeto; c) Participação voluntária e promoção do desenvolvimentosustentável. Assim, para que os projetos sejam considerados elegíveis é necessário que atendam integralmente as três condições acima mencionadas, estabelecidas no art. 12, item 5 do Protocolo de Kyoto. Portanto, pode haver projetos que eventualmente apresentem redução de emissões de GEE, porém não promovam o desenvolvimento sustentável, ou vice-versa, o que os torna inelegíveis. Há várias empresas especializadas no desenvolvimento de projetos que reduzem o nível de gás carbônico na atmosfera e na negociação de certificados de emissão do gás. Preparam-se para negociar contratos de compra e venda de certificados que conferem aos países desenvolvidos o direito de poluir. Os MDL s são alternativas que implicam em assumir uma responsabilidade para reduzir as emissões de poluentes e promover o desenvolvimento sustentável. Trata-se de um mecanismo de investimentos, pelo qual países desenvolvidos podem estabelecer metas de redução de emissões e de aplicação de recursos financeiros em projetos como reflorestamentos, produção de energia limpa. As empresas, por exemplo, ao invés de utilizar combustíveis fósseis, que são altamente poluentes, passariam a utilizar energia produzida em condições sustentáveis, como é o caso da biomassa. De fato, os reflorestamentos – ou a regeneração das florestas – apenas capturam o carbono já emitido. Porém, os defensores contra-argumentavam que as ações que concorrem para evitar o desmatamento ou a degradação das florestas existentes apresentam também o efeito de reduzir emissões. De qualquer forma, a inclusão ou exclusão das florestas no MDL não depende tanto de uma leitura legalista do Protocolo, mas de uma decisão negociada entre as partes. Aliás, essa questão foi uma das mais polêmicas, marcando as diferenças de posições entre os blocos de países nas últimas Conferências de Clima. 2.11. A Posição dos Países Industrializados Uma vez ratificado o PK, o compromisso dos países industrializados em reduzir as emissões de carbono será transferido para as empresas intensivas em emissão nesses países, por meio de uma política que regulamentará as obrigações de redução contra as emissões das respectivas empresas. Na realidade, a posição dos países industrializados nas convenções mundiais sobre o clima (somam-se a estes os países produtores de CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 25 petróleo) apresenta fortes lobbies das empresas intensivas em emissão. Cada vez mais, as grandes corporações poluidoras, principalmente as geradoras de energia e do setor de transporte, estão se antecipando a essa política, adotando planos de redução das emissões. A lógica subjacente a essa estratégia é a de que quanto antes às empresas agirem, mais estará se garantindo diante de barreiras futuras, prevenindo-se contra custos maiores e criando possibilidades de fontes de receitas. Em outras palavras, agindo antes, as empresas transformam uma ação defensiva em uma ofensiva inteligente. Diante desse novo mercado em formação, as empresas que não buscarem oportunidades e alternativas correm o risco de ficar para trás e terem de pagar altos preços pelos certificados de carbono quando o regulamento para a emissão global estiver em vigor. Enfim, uma melhor colocação nessa corrida traduz-se na capacidade de competição da empresa no futuro. É nesse contexto que se afiguram as alternativas do MDL de eficiência energética, recursos renováveis, preservação florestal, reflorestamento e manejo sustentável de florestas, que refletem uma variação ampla de possibilidades, custos e riscos, bem como de níveis de sincronização e de oportunidades. A racionalidade empresarial tende sempre a perseguir a alternativa menos custosa. E, ao serem comparadas as várias opções, percebe-se que as tecnologias para eficiência energética são as mais caras, e as do seqüestro de carbono florestal, as mais baratas. Nesse sentido, é indiscutível que é muito mais custoso para uma empresa geradora de energia termelétrica num país industrializado desenvolver tecnologia de ponta para aperfeiçoar sua eficiência do que investir em florestas para capitular carbono – preferencialmente em países em desenvolvimento, onde os custos são comparativamente menores em relação aos países do primeiro mundo. 13 Além disso, o seqüestro de carbono florestal pode constituir uma oportunidade de renda para as empresas e de reconhecimento pelo serviço ao meio ambiente. A racionalidade econômica encara com muita objetividade a questão da mudança do clima global. Sob esse ponto de vista, é inegável que a economia global está transformando o clima global, porém, por sua vez, também está sendo transformada pela mudança climática. Um mercado significativo está emergindo, resultante das alternativas para reduzir e estocar/ seqüestrar carbono. Estima-se que, com o compromisso de redução da emissão de carbono estipulado no PK, estar-se-ia criando um mercado global de redução de aproximadamente um bilhão de toneladas ao ano em 2012, com valor de investimentos entre US$ 30 e US$ 100,00 bilhões anuais, uma vez em plena operação. Há prognósticos que indicam que o mercado de carbono será a maior indústria do século XXI, fato que explica as iniciativas das grandes corporações de se adiantarem, e dos governos nacionais14 de se empenharem na corrida da construção e definição de sistemas de troca das emissões para poder levar maior vantagem. As companhias de seguros oferecem um bom indício da perspectiva desse mercado, pois estão cobrando taxas cada vez mais elevadas e reduzindo a cobertura de áreas propensas a riscos. É como se a racionalidade econômica do sistema de produção capitalista se apercebesse de que é mais barato prevenir ou reduzir emissões do que arcar com os altos custos de desastres climáticos. O processo de “esverdeamento do capital” se acerca e incorpora a questão ambiental de variadas formas, pelo lado da produção, de novos mercados, da competição e da rentabilidade. Infelizmente, esse processo, que é regido estritamente pela racionalidade técnico-econômica, deixa de longe a indissociável questão social. 2.12. Comércio de Créditos de Carbono Créditos de Carbono são certificados que autorizam o direito de poluir. O princípio é simples. As agências de proteção ambiental reguladoras emitem certificados autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes. Inicialmente, selecionam-se indústrias que mais poluem no País e a partir daí são estabelecidas metas para a redução de suas emissões. As empresas recebem bônus negociáveis na proporção de suas responsabilidades. Cada bônus, cotado em dólares, equivale a uma tonelada de poluentes. Quem não cumpre as metas de redução progressiva estabelecidas por lei, tem que comprar certificados das empresas mais bem sucedidas. O sistema tem a vantagem de permitir que cada empresa estabeleça seu próprio ritmo de adequação às leis ambientais. Estes certificados podem ser comercializados através das Bolsas de Valores e de Mercadorias e os contratos na bolsa dos EUA. (Emission Trading - Joint Implementation). Trata-se de um mecanismo de investimentos, pelo qual países desenvolvidos podem estabelecer metas de redução de emissões e de aplicação de recursos financeiros em projetos como reflorestamentos, produção de energia limpa. As empresas, por exemplo, ao invés de utilizar combustíveis fósseis, que são altamente poluentes, CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 26 passariam a utilizar energia produzida em condições sustentáveis, como é o caso da biomassa. Existe, enfim, uma gama enorme de projetos ambientais e operações de engenharia financeira que podem ser desenvolvidos no Brasil, proprietário das sete matrizes ambientais. (água, energia, biodiversidade, madeira, minério, reciclageme controle de emissão de poluentes - água, solo e ar) As trocas de créditos de cotas entre países desenvolvidos que estabelecem limitem de “direitos de poluir” (Joint Implemetation e Emission Trading), pode ser transformada em títulos comercializáveis em mercados de balcão (contratos de gaveta - side letters), ou em mercados organizados (Bolsas, Interbancários, Intergovernamentais, etc). Mas afirmar que poluição é mercadoria é um absurdo conceitual e chamá-la de “commodity ambiental” é uma contradição. Existe o risco dos certificados de carbono serem transformadas apenas numa operação financeira para dar lucros aos seus investidores e acabar não gerando nenhuma vantagem para o meio ambiente. Isto é, se os instrumentos econômicos forem uma promessa de capturar carbono no futuro. 2.13. GHG Protocol O Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) é uma ferramenta contábil utilizada por grandes empresas e governos para compreender, quantificar e gerenciar as emissões de gases de efeito estufa. É resultado da parceria entre o World Resources Institute (WRI) e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). O GHG Protocol visa trabalhar com empresas, governos e grupos ambientalistas em todo o mundo dar credibilidade e eficácia aos programas de combate às mudanças climáticas. O GHG Protocol Initiative surgiu quando WRI e WBCSD perceberam que uma norma internacional de contabilidade de GEEs e relatórios corporativos seria necessária em função da evolução da política de mudanças climáticas. O programa conta com grandes parceiros corporativos, tais como a British Petroleum, General Motors e a Monsanto. O GHG Protocol tornou-se o padrão coorporativo, com o desenvolvimento uma suíte de ferramentas de cálculo de modo a facilitar às empresas o calculo de suas emissões de gases de efeito estufa, além da elaboração de documentos com orientações adicionais. Em 2006, a International Organization for Standardization (ISO) aprovou a Norma Corporativa como base para quantificação de gases de efeito estufa são elas: ABNT NBR ISO 14064 – Parte 1 – Especificação e orientação a organizações para a quantificação e elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa; ABNT NBR ISO 14064 – Parte 2 – Especificação e orientação a projetos para quantificação, monitoramento e elaboração de relatórios das reduções de emissões ou da melhoria das remoções de gases de efeito estufa; ABNT NBR ISO 14064 – Parte 3 – Especificação e orientação para validação e verificação de declarações relativas a gases de efeito estufa.. A ISO, WBCSD e WRI assinaram um protocolo de entendimento em dezembro de 2007 para promover em conjunto os dois padrões globais. O GHG Protocol é a ferramenta mais utilizada para a realização de inventários de gases de efeito estufa (GEE). O método é compatível com as normas do ISO e com as metodologias de qualificações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). A aplicação da metodologia GHG Protocol no Brasil acontece de modo adaptado ao contexto nacional e tem como foco o Corporate Standard, que é o padrão para inventário e relatório corporativos de GEEs. O inventário de emissões é uma espécie de raios-X que se faz em uma empresa, grupo de empresas, setor econômico, cidade, estado ou país para se determinar fontes de gases de efeito estufa (GEE) nas atividades produtivas e a quantidade de GEE lançada à atmosfera. Fazer a contabilidade em GEE significa quantificar e organizar dados sobre emissões com base em padrões e protocolos e atribuir essas emissões corretamente a uma unidade de negócio, empresa, país ou outra entidade. No caso dos inventários corporativos, esses objetivos são alcançados pela aplicação de cinco passos básicos: 1- definir os limites operacionais e organizacionais do inventário. 2- coletar dados das atividades que resultam na emissão de GEE. 3- calcular as emissões. 4- adotar estratégias de gestão, como aumento de eficiência, projetos para créditos de carbono, introdução de novas linhas de produtos, mudança de fornecedor etc. 5 - relatar os resultados. CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FEI – ECOLOGIA – ENG. PARA A SUSTENTABILIDADE - CAPÍTULO N° 2- 2011 27 Um inventário de emissões deve ser estabelecido como um processo contínuo, que permita identificar a evolução dos esforços de mitigação de uma instituição ou região e aprimorar essas medidas progressivamente. Para colocar em prática um inventário de emissões, é importante adotar metodologias ou protocolos reconhecidos, como é o caso do GHG Protocol. Para que o inventário seja bem sucedido, sua elaboração deve seguir os cinco princípios que fazem parte do padrão GHG Protocol Corporate Standard e da norma ISO 14064- 1: relevância, integralidade, consistência, transparência e exatidão. 2.14. REDD - Reducing Emissions from Deforestation and Degradation (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal). O conceito básico é simples: governos, empresas ou proprietários de florestas nos países em desenvolvimento, devem ser recompensados por manter as suas florestas, em vez de derrubá-las. O REDD é um mecanismo criado para incentivar os países a proteger e melhorar a gestão dos seus recursos florestais, contribuindo assim na luta global contra as mudanças climáticas. Os programas de REDD visam agregar valor à “floresta em pé”, dando valor financeiro ao carbono armazenado nas árvores. Uma vez que o carbono for avaliado e quantificado poderá transformar-se em créditos de carbono. O objetivo REDD é direcionar a econômia em favor de uma gestão sustentável das florestas, de modo a gerar benefícios ambientais economicos e sociais para as comunidades do entorno, ao mesmo tempo em que contribua para manter a biodiversidade das florestas e redução significativa das emissões de gases de efeito estufa. Permitirá aos países desenvolvidos receber créditos de carbono pelo financiamento de projetos de conservação que reduzam o desmatamento nos países em desenvolvimento. Segundo a proposta, países desenvolvidos que financiarem projetos de proteção florestal em países como o Brasil poderiam obter créditos pelo carbono que deixar de ser emitido. A idéia de fazer pagamentos para evitar o desmatamento e a degradação florestal foi discutida nas negociações do Protocolo de Quioto, mas acabou por ser rejeitada. O mecanismo de REDD foi desenvolvido a partir de uma proposta em 2005 por um grupo de países que se autodenominam da Coalizão para Florestas Tropicais. Dois anos mais tarde, a proposta foi retomada na Conferência das Partes na Convenção em Bali (COP-13). 2.15. REDD Plus Serão utilizados para atividades voltadas para as comunidades locais, povos indígenas. Portanto, envolve reforçar as florestas existentes e aumentando a cobertura florestal. Para o acionamento dos mecanismos de REDD plus há a necessidade da mobilização de recursos financeiros dos países desenvolvidos. O Acordo prevê o compromisso coletivo dos países desenvolvidos, através de instituições internacionais da ordem de 30 bilhões de dólares até 2012. Links sobre o assunto http://www.redd-oar.org/ http://www.forumredd.org http://www.un-redd.org/ 2.16. Atividades do capítulo 1. O que são mudanças globais? 2. Quais são os principais gases estufas e suas respectivas fontes emissoras? 3. Como contabilizar a participação dos diversos países em termos da emissão de gases estufa? 4. Quais as principais propostas discutidas na Conferência Sobre Mudanças Climáticas de Kyoto? 5. O que significa “ seqüestro” de carbono? 6.O que são os MDLs ? Quais os seus prós e contras? 7. No que consistem os inventários de carbono ? 8. O que são mecanismos de REDD?