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#BNCC#estrutura#CHAVES • A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é estruturada em três partes, que correspondem às etapas da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental (com os anos iniciais e finais) e Ensino Médio. Cada etapa possui diretrizes específicas que orientam o trabalho pedagógico nas escolas, com foco no desenvolvimento de competências e habilidades. • Estrutura Detalhada: o Educação Infantil: A BNCC para a Educação Infantil organiza-se em campos de experiência, focando no desenvolvimento da oralidade e escrita, e nos direitos de aprendizagem. o Ensino Fundamental: Dividido em anos iniciais (1º ao 5º ano) e anos finais (6º ao 9º ano), o Ensino Fundamental tem como foco a alfabetização nos anos iniciais, e a progressão de conhecimentos e habilidades nos anos finais. o Ensino Médio: A BNCC do Ensino Médio organiza-se por Áreas do Conhecimento e Itinerários Formativos, buscando aprofundar o desenvolvimento de competências específicas já iniciadas no Ensino Fundamental. • Componentes da Estrutura: o Competências Gerais: A BNCC define 10 competências gerais que devem ser desenvolvidas ao longo de toda a Educação Básica, abrangendo áreas como conhecimento, pensamento crítico, comunicação, cultura digital, entre outras. o Competências Específicas: Cada área do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso) possui competências específicas a serem desenvolvidas. o Áreas do Conhecimento: A BNCC organiza os conteúdos em áreas do conhecimento, que são Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso. o Unidades Temáticas, Objetos de Conhecimento e Habilidades: No Ensino Fundamental, a BNCC estrutura as aprendizagens em unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades, que devem ser desenvolvidos de forma progressiva ao longo dos anos. o Direitos de Aprendizagem: A BNCC estabelece direitos de aprendizagem que garantem o desenvolvimento integral dos estudantes. A BNCC busca garantir que todos os alunos desenvolvam as aprendizagens essenciais para sua formação, de forma progressiva e articulada entre as diferentes etapas da Educação Básica. • A ESTRUTURA DA BNCC PARA CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS visa o desenvolvimento de competências e habilidades que permitam aos alunos compreender o mundo natural e suas relações com a tecnologia, promovendo o letramento científico e a investigação. A área é organizada em torno de conhecimentos, práticas e procedimentos da investigação científica, com foco na análise de fenômenos naturais e processos tecnológicos. Estrutura da BNCC para Ciências da Natureza e suas Tecnologias: • Competências: A área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias busca desenvolver competências gerais e específicas, como a compreensão da ciência como empreendimento humano, a análise de fenômenos e processos, e a avaliação de aplicações e implicações da ciência e tecnologia. • Objetos de Conhecimento: A BNCC define objetos de conhecimento que abrangem diferentes áreas da ciência, como Biologia, Física e Química, de forma integrada e transdisciplinar. • Habilidades: A estrutura curricular estabelece habilidades que os alunos devem desenvolver em relação a cada objeto de conhecimento, promovendo a aplicação do conhecimento científico na resolução de problemas e na tomada de decisões. • Práticas e Procedimentos da Investigação Científica: A BNCC enfatiza a importância de práticas como a formulação de perguntas, a busca por respostas, a análise e representação de resultados, e a criação de soluções. • Temas Contemporâneos: A área aborda temas como sustentabilidade, saúde, tecnologia e sociedade, incentivando a reflexão crítica sobre o impacto da ciência e tecnologia na vida cotidiana e no meio ambiente. Em resumo: A BNCC para Ciências da Natureza e suas Tecnologias busca desenvolver competências e habilidades que permitam aos alunos compreender o mundo natural e tecnológico, utilizando o conhecimento científico para analisar, investigar e propor soluções para os desafios do mundo contemporâneo. • Políticas nacionais: A BNCC promove a COERÊNCIA EDUCACIONAL. O que é isso? Com a definição das aprendizagens essenciais como direitos de todos os estudantes, a BNCC traz uma oportunidade inédita para a Educação brasileira: o alinhamento dos principais elementos do sistema educacional ao que se deve aprender na escola. Estamos falando dos currículos das redes, da formação inicial e continuada dos professores, dos materiais didáticos, das avaliações, dos concursos públicos para contratação docente, no âmbito nacional, estadual, distrital e municipal. Antes, sem a exatidão trazida pela BNCC, esses elementos atuavam de forma fragmentada, com diferentes referenciais para as mesmas disciplinas e anos escolares. Este é um exemplo real que compara o índice de dois livros didáticos do 3º ano de Matemática, ambos do PNLD, antes da BNCC: Livro A Livro B • Números até 999 • Divisão com três algarismos no dividendo • Números até 3000 • Divisão com dois algarismos no dividendo • Leitura de horas e minutos • Frações • Leitura de horas • Não trabalha frações Ao mesmo tempo, era comum, por exemplo, que os índices dos livros didáticos adotados por uma rede fossem usados como currículo. Seguia-se o correr dos capítulos ao longo do ano letivo. Outra inversão inadequada acontece com as matrizes das avaliações como Enem e Saeb, que acabam influenciando o que é ensinado em determinado ano escolar. O que os alunos aprendem (e quando) é uma decisão que deve ser tomada no momento da construção curricular. É por meio da BNCC – e consequentemente dos currículos alinhados a ela – que define-se a formação esperada dos estudantes. Portanto, os professores precisam estar preparados para garantir essa formação. Os livros didáticos e as avaliações precisam ser elaborados para apoiar, promover e induzir as aprendizagens essenciais em sala de aula. Tal coerência traz qualidade para o sistema, que se fortalece para atender aos direitos de aprendizagem dos estudantes. É importante ressaltar que a coerência educacional acontece também dentro das redes de ensino, com os mesmos elementos. Neste caso, a centralidade recai sobre os currículos alinhados. Ou seja: as formações dos professores, os materiais didáticos e as avaliações utilizadas pela rede respondem ao que diz o documento curricular local. • Políticas nacionais: Os conceitos e fundamentos da BNCC A BNCC é um documento normativo e de natureza pedagógica, que descreve aprendizagens essenciais que todos os estudantes precisam desenvolver na Educação Básica. Porém, a BNCC é mais do que um descritor do que se deve aprender na escola. Ela traz conceitos e princípios pedagógicos que mudam a estrutura curricular nacional, com impacto no papel dos currículos e dos projetos pedagógicos nas redes de ensino e escolas, respectivamente. Esses princípios também mudam a abordagem do processo de ensino-aprendizagem, propondo a Educação Integral como caminho para desenvolver competências e habilidades do século 21. A seguir, acompanhe mais a fundo os conceitos da BNCC e conheça a estrutura do documento. • A diferença entre BNCC e currículo A BNCC não é currículo. Ela é um documento nacional, que diz o que todos os alunos brasileiros têm o direito de aprender ao longo da Educação Básica. É referência obrigatória para os currículos da rede pública e privada. Os currículos são documentos elaborados pelas redes de ensino, com autonomia. Têm a BNCC como referência obrigatória, mas incluem outros conhecimentos e elementos pedagógicos, como metodologia de ensino. Possuem estruturas próprias e são elaborados em diálogo com a comunidadeescolar local, respeitando as realidades e diversidades do território. • A proposta de educação da BNCC A BNCC estabelece 10 competências gerais que todos os estudantes têm o direito de desenvolver ao longo da Educação Básica. As 10 competências valem para todas as etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Todas as aprendizagens descritas pela BNCC, bem como a estrutura do documento, foram pensadas para atender ao desenvolvimento das 10 competências. • COMPETÊNCIA: é a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”. Em outras palavras, os estudantes precisam não apenas “saber”, mas principalmente “saber fazer” (mobilizar os conhecimentos e habilidades adquiridos para resolver problemas da vida cotidiana). Essa demanda é imposta pelo atual cenário mundial, de sociedades dinâmicas, onde saber se comunicar, ser criativo, crítico, participativo, colaborativo, resiliente, ter atitudes sustentáveis, saber conviver com as diversidades vale mais do que apenas dominar uma lista de conteúdos. Ao definir as competências como seu principal fundamento pedagógico, a BNCC promove a Educação Integral, que olha para o estudante de forma global, sem reduzir seu desenvolvimento a aspectos cognitivos ou intelectuais. • EDUCAÇÃO INTEGRAL: “é a formação e o desenvolvimento humano global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. Além disso, a escola, como espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e diversidades”. Além disso, uma aprendizagem guiada pelo desenvolvimento das competências gerais também mostra o alinhamento da BNCC às Diretrizes Nacionais para Educação em Direitos Humanos e à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas. • EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: “a Educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”. Essas são as 10 competências gerais da BNCC • A estrutura da BNCC A BNCC organiza as aprendizagens necessárias para desenvolver as competências gerais de formas diferentes em cada etapa, respeitando as especificidades de cada faixa etária e ano escolar. As aprendizagens assumem diferentes formas (objeto de conhecimento, habilidade, objetivo de aprendizagem e desenvolvimento etc) e são progressivas, ou seja, foram elaboradas para que a cada ano o aluno adquira mais conhecimento e desenvolva habilidades mais complexas. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=32131-educacao-dh-diretrizesnacionais-pdf&Itemid=30192 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=32131-educacao-dh-diretrizesnacionais-pdf&Itemid=30192 https://brasil.un.org/pt-br/sdgs • Na Educação Infantil. Foram estabelecidos direitos de aprendizagem e desenvolvimento para as crianças de 0 a 5 anos. São eles: Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar, Conhecer-se. Para alcançá-los, foram estabelecidos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, por sua vez organizados em Campos de Experiência (O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações) e por faixa etária. • CAMPOS DE EXPERIÊNCIA: “um arranjo curricular que organiza e integra brincadeiras, observações, interações que acontecem na rotina da creche/escola” Veja um exemplo de como os objetivos de aprendizagem aparecem na Educação Infantil e note o caráter progressivo da aprendizagem: - Campo “Traço, Sons. Cores e Formas”: Bebês (Zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. • No Ensino Fundamental. Está organizado em cinco áreas do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Cada área agrupa disciplinas afins. Para que todos os estudantes conquistem as 10 competências gerais, foram estabelecidas competências específicas para cada área do conhecimento. Veja um exemplo: • COMPETÊNCIA 7 DE CIÊNCIAS DA NATUREZA (EF): Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo-se https://movimentopelabase.org.br/wp-content/uploads/2019/04/Campos-de-Experi%C3%AAncias-PDF-interativo-2.pdf respeitar e respeitando o outro, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza e às suas tecnologias. Para desenvolver as competências específicas, os estudantes precisam, dentro de cada disciplina, desenvolver habilidades. As habilidades estão relacionadas a objetos de conhecimento – esse sim o “conteúdo” tradicional. • HABILIDADE: é, a rigor, a aprendizagem essencial da BNCC. É por meio de seu desenvolvimento que o aluno conquista as competências específicas e gerais. Ela expressa o “saber fazer” e está sempre relacionada com um objeto do conhecimento, o “saber”. • No Ensino Médio Para que todos os estudantes conquistem as 10 competências gerais, foram estipuladas competências e habilidades específicas em quatro áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) e habilidades específicas para Língua Portuguesa. As únicas disciplinas propostas pela BNCC para esta etapa são Língua Portuguesa e Matemática, por isso elas possuem habilidades específicas. As outras habilidades e competências podem ser organizadas de diferentes formas, ao longo dos três anos, pelos currículos, de acordo com as demandas de cada rede de ensino. • COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3: Utilizar diferentes linguagens (artística, verbal, corporal) para exercer, com autonomia e colaboração, protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária (…) - ALGUMAS DAS HABILIDADES RELACIONADAS: • Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. • Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. • Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. • Os Temas Transversais Nem todos os conhecimentos e habilidades se encaixam em apenas uma disciplina ou área do conhecimento. Ao contrário: os temas contemporâneos, mais ligados à vida em sociedade – e por isso indispensáveis para a formação dosestudantes – mobilizam diversas áreas. A BNCC cita temas transversais contemporâneos e estruturou habilidades correlacionadas com cada um deles em diferentes faixas etárias, anos escolares e disciplinas. São eles: • Meio ambiente – Educação Ambiental e Educação para o Consumo; • Economia – Trabalho, Educação Financeira e Educação Fiscal; • Saúde – Saúde e Educação Alimentar e Nutricional; • Cidadania e civismo – Vida familiar e social, Educação para o Trânsito, Educação em Direitos Humanos, Direitos da Criança e do Adolescente e Processo de envelhecimento, respeito e valorização do Idoso; • Multiculturalismo – Diversidade Cultural e Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras; • Ciência e Tecnologia – Ciência e Tecnologia. • Políticas nacionais: Como acontece a implementação da BNCC e dos novos currículos Atualmente, a BNCC está em fase de implementação nas redes de ensino de todo o país. Esta é uma fase longa, complexa e essencial para que os princípios da BNCC e do Novo Ensino Médio alcancem todos os estudantes brasileiros. A implementação envolve governos em todas as esferas, as equipes das secretarias de educação, das escolas, mobiliza estudantes e famílias. Planejada em diversas etapas interdependentes, ela passa pelo realinhamento de políticas públicas e programas, revisões curriculares, dos projetos político-pedagógicos das escolas, formação de professores, adequação de avaliações e materiais didáticos. É justamente neste importante percurso que a inclusão de novos conteúdos ou disciplinas interfere de forma prejudicial. Em andamento desde 2017, essa cadeia de esforços coordenados se quebra, as redes de ensino e os professores perdem o trabalho já realizado, precisam se reorganizar, refazer formações e materiais didáticos etc. Além disso, conteúdos e disciplinas alheios ao planejamento curricular das redes incham a carga horária da escola e tiram o foco das aprendizagens essenciais. Quem sai mais prejudicado com isso tudo são os estudantes, pois estão deixando de ser atendidos em seus direitos de aprendizagens. Preservar a implementação é preservar esses direitos. Aqui está um roteiro para entender mais a fundo como funciona a implementação da BNCC e dos novo currículos e como novos conteúdos e disciplinas: • O alinhamento das políticas nacionais à BNCC O avanço e a concretização da implementação de qualidade da BNCC depende do alinhamento das grandes políticas públicas nacionais de Educação (vale lembrar que políticas públicas e programas estaduais e municipais também precisam passar pelo mesmo processo de adequação). São elas: • Formação de professores: Política Nacional de Formação de Professores, que orienta a formação inicial docente. • Materiais Didáticos: O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que distribui livros para as escolas públicas e é considerado o segundo maior do mundo. Os editais que selecionam as obras da Educação Infantil ao Ensino Médio foram alinhados às aprendizagens da BNCC em quase sua totalidade. • Avaliações: As principais são Enem e Saeb. As matrizes de ambas ainda precisam ser adequadas ao que diz a BNCC. • A revisão dos currículos estaduais e municipais da Educação Básica Aprovada a BNCC (em 2017 para Educação Infantil e o Ensino Fundamental) e 2018 para o Ensino Médio), as redes de ensino se organizaram para rever seus documentos currículares para cumprirem as novas determinações de aprendizagens. Para isso, as secretarias de educação tiveram que se preparar: criaram coordenações para gerenciar a implementação, mobilizaram recursos financeiros e técnicos, ofereceram cursos de formação sobre a BNCC. Foi neste período que o ProBNCC, um programa do governo federal de apoio à implementação, Os referenciais curriculares estaduais de Educação Infantil e Ensino Fundamental em vigor atualmente foram elaborados entre 2017 e 2018. Os referenciais estaduais do Ensino Médio foram revistos entre 2019 e 2022, de acordo também com a Reforma do Ensino Médio. Já os municípios fizeram esse esforço entre 2018 e 2022 para currículos de Educação Infantil e Ensino Fundamental. https://observatorio.movimentopelabase.org.br/politicas-nacionais/ Vale ressaltar dois importantes aspectos do processo de revisão curricular. Primeiro, que boa parte dos documentos foi produzida em Regime de Colaboração entre Estados e municípios, garantindo que a identidade e realidade dos territórios estivesse refletida dos documento. Segundo, que, assim como no caso da construção da BNCC, os diferentes processos de revisão curricular mobilizou não apenas a comunidade escolar, mas também as famílias, famílias, especialistas, acadêmicos. Há inúmeros exemplos de redes que abriram suas propostas de currículo à consulta pública e promoveram debates em diferentes fóruns (outros municípios, universidades grêmios estudantis etc.). Hoje 100% dos currículos dos estados e municípios, de todas as etapas da Educação Básica, estão alinhados à BNCC e em processo de implementação pelas redes de ensino. A implementação dos novos currículos A BNCC e os currículos são documentos. Sozinhos, não mudam o jogo da Educação. Eles precisam acontecer na sala de aula, na prática do professor no momento da aprendizagem do aluno. Muita coisa precisa ser realizada pelas redes de ensino para chegar até lá. Aqui estão as principais: 1. Formação continuada de professores. Os docentes precisam estar preparados para ensinar o que determinam os currículos. Como a BNCC traz uma nova abordagem de educação, envolvendo competências, habilidades e Educação Integral, essa formação é ainda mais indispensável. As secretarias de educação envolvem seus professores nessas formações por meio de cursos, oficinas, reuniões. É um processo contínuo, que demanda recursos financeiros e capacidade de mobilização do corpo docente. 2. Adequação dos materiais didáticos da rede. Sejam livros comprados ou materiais próprios, eles precisam mudar para acompanhar as novas diretrizes. Esse é um trabalho minucioso, de muitas etapas e que exige grande investimento e planejamento das secretarias. 3. Adequação das avaliações. Para averiguar se as aprendizagens da BNCC e dos currículos estão acontecendo, as avaliações também precisam ser refeitas. Há avaliações adotas por toda a rede, as que são feitas nas escolas e até por professores. Todas elas passam a ter a mesma régua para medir as aprendizagens que os currículos e os materiais didáticos. 4. Revisão dos Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas. Os PPPs orientam as práticas pedagógicas da unidade escolar, fortalece sua identidade, organiza a gestão, traz estratégias de ensino e objetivos de aprendizagem. No contexto da implementação dos currículos, eles são peça-chave para fazer os princípios da https://undime.org.br/uploads/documentos/phpxSmjJl_5df923f8969f1.pdf BNCC chegarem aos estudantes e serem assimilados pela comunidade escolar. São construídos de forma colaborativa, dialogando com professores, estudantes, famílias e a comunidade no entorno da escola e também demandam formação de professores, novos materiais didáticos e avaliações. • O Que é a BNCC? – Capítulo 2 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que define as aprendizagens essenciais a serem trabalhadas nas escolas brasileiras de toda a Educação Básica, da Educação Infantil até o Ensino Médio. Ela tem como objetivo garantir o direito à aprendizagem e o desenvolvimento pleno de todos os estudantes. Por isso, é um documento importante para promover a igualdade no sistema educacional, colaborando para a formação integral e para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. Ao ter como objetivo nortear os currículos escolares a partir dessas perspectivas, a BNCC colocaem prática o que está previsto no artigo nove da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996. Segundo a LDB, cabe ao Governo Federal “estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum”. • A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • AS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC A BNCC estabelece 10 competências gerais para nortear as áreas do conhecimento e seus componentes curriculares. Segundo o documento, o desenvolvimento dessas competências é essencial para assegurar os direitos de aprendizagem de todos os estudantes da Educação Básica. Desse modo, as 10 competências gerais da BNCC comunicam aos educadores uma importante mensagem: quem é o estudante que a BNCC propõe formar. Relembre cada uma das 10 competências gerais da BNCC. • BNCC AO LONGO DO TEMPO A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou a ser elaborada em 2015, a partir de uma análise aprofundada dos currículos brasileiros realizada por 116 especialistas indicados por secretarias de educação e universidades. Neste período, começou um longo processo de mobilização nacional em torno da elaboração da BNCC. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/?_ga=2.173093923.1691635395.1667473476-1342562427.1656017788 http://institutoayrtonsenna.org.br/category/desenvolvimento-pleno/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm?_ga=2.172161827.1691635395.1667473476-1342562427.1656017788 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm?_ga=2.172161827.1691635395.1667473476-1342562427.1656017788 Nos anos de 2015 e 2016, consultas públicas foram realizadas para ampliar a participação da população na construção da BNCC. A iniciativa fez com que mais de 12 milhões de contribuições – a maioria feita por professores – fossem enviadas ao Ministério da Educação (MEC). Em 2017, considerando as versões anteriores do documento, o MEC concluiu a sistematização das contribuições e encaminhou uma terceira e última versão do texto ao Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável por regulamentar o sistema nacional de educação e orientar a implementação da BNCC. O CNE ainda promoveu audiências públicas, que tiveram caráter consultivo, e resultaram em 235 documentos com contribuições e 283 manifestações orais. No final 2017, o texto introdutório da BNCC, e as partes referentes à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental, foi aprovado pelo CNE e oficializado pelo MEC. O currículo do Ensino Médio foi aprovado em 2018. Sendo assim, a oficialização da BNCC estabeleceu para os sistemas e redes de ensino do país o desafio de implementar o documento curricular até o início de 2020. Após 2020, as redes de ensino têm o desafio de implementar e avaliar os currículos estabelecidos e as 10 competências gerais da BNCC. • Desafios para a implementação da BNCC • O QUE É UM CURRÍCULO ESCOLAR E COMO ELABORÁ-LO? Currículo escolar é um texto que reflete o que será ensinado em uma escola ou rede de ensino. Ele pode abranger desde os planos de aula usados pelos professores até a visão de educadores e da comunidade escolar sobre aspectos políticos e sociais que se relacionam com a educação das crianças e jovens. Segundo documento do MEC, “Currículo, Conhecimento e Cultura”, os debates para a criação de um currículo “incorporam, com maior ou menor ênfase, discussões sobre os conhecimentos escolares, sobre os procedimentos e as relações sociais que conformam o cenário em que os conhecimentos se ensinam e se aprendem”. Atualmente, os debates sobre currículo envolvem a discussão sobre relações de poder de diversos atores, uma vez que sua elaboração está relacionada a escolhas e alguns conteúdos a serem, ou não, incluídos no documento. Nesse sentido, questões sociais e de identidade que promovam a equidade precisam ser tratadas como prioritárias nas propostas curriculares. • BNCC e currículo A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não é um currículo, mas sim um orientador curricular. Sendo assim, cabe às redes de ensino elaborarem seus currículos a partir dos critérios definidos pela BNCC e também pelo Regime de Colaboração entre cidades e http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag2.pdf estados. Segundo o documento ressalta, “nesse sentido, espera-se que a BNCC ajude a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e seja balizadora da qualidade da educação”. Com isso, para além de orientarem práticas pedagógicas a serem adaptadas de acordo com a realidade de cada escola, os currículos estaduais e municipais funcionam como ferramenta de implementação e acompanhamento de políticas públicas educacionais. • ESTRUTURA DO CURRÍCULO ESCOLAR O currículo escolar de um estado ou município deve seguir uma estrutura mínima, que envolve as seguintes partes: • Introdução curricular Consiste na apresentação do documento, que traz itens como seus princípios gerais, visão de educação e estudante que se quer formar. • Campos de experiência do currículo (Educação Infantil) Consiste na apresentação de recursos materiais, equipamentos e organização de tempos e espaços de ensino e aprendizagem. • Áreas do conhecimento (Ensino Fundamental e Ensino Médio) Diz respeito à apresentação de pressupostos teórico-metodológicos, da organização curricular dos componentes de cada etapa do ensino, dos seus objetivos de aprendizagem, da organização dos objetos de conhecimento e habilidades e da concepção de avaliação. • Referências bibliográficas Diz respeito à apresentação das referências (livros, artigos, documentos, filmes) utilizadas para a construção do currículo. • Compentências Gerais da BNCC - Capítulo 4 AS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC NOS CURRÍCULOS ESCOLARES • COMO INCLUIR AS COMPETÊNCIAS NO CURRÍCULO • COMO CONSTRUIR UMA MATRIZ DE COMPETÊNCIAS DA REDE DE ENSINO - Competências Gerais da BNCC e o Desenvolvimento Integral As 10 Competências Gerais da BNCC são habilidades, atitudes e valores que, quando garantidas, promovem o desenvolvimento integral dos estudantes. Sendo assim, cada uma delas integra aspectos cognitivos e socioemocionais, tais como: https://institutoayrtonsenna.org.br/nossos-materiais/guias-tematicos/bncc/competencias-gerais-bncc https://institutoayrtonsenna.org.br/nossos-materiais/guias-tematicos/bncc/competencias-gerais-bncc https://institutoayrtonsenna.org.br/competencias-gerais-bncc/#as-10-competencias-gerais-da-bncc-nos-curriculos-escolares https://institutoayrtonsenna.org.br/competencias-gerais-bncc/#como-incluir-as-competencias-no-curriculo https://institutoayrtonsenna.org.br/competencias-gerais-bncc/#como-construir-uma-matriz-de-competencias-da-rede-de-ensino http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base http://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/socioemocional-estudantes/ comunicação, criatividade, pensamento crítico e científico, empatia, comunicação e autoconhecimento. Ao destacar o compromisso com o desenvolvimento integral dos estudantes em suas diversas dimensões (intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica), a BNCC retoma orientações presentes na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCNs), apresentando uma visão de educação integral que propõe a superação da divisão entre o desenvolvimento intelectual e o desenvolvimento socioemocional. • O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL E AS COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC A partir das suas 10 competências gerais, a BNCC propõem, portanto, que os estudantes não têm apenas o direito de aprender, mas também de desenvolver suas emoções e relações sociais. Para isso, seria importante desenvolver as competências socioemocionais dos estudantes, que podem serdefinidas como capacidades individuais que se manifestam nos modos de pensar, sentir e nos comportamentos ou atitudes para se relacionar consigo mesmo e com os outros, estabelecer objetivos, tomar decisões e enfrentar situações adversas ou novas. Elas podem ser observadas em nosso padrão costumeiro de ação e reação frente a estímulos de ordem pessoal e social. Por meio de estudos sobre o tema realizados na área da Psicologia, sabe-se que as competências socioemocionais não são fixas, ou seja, são flexíveis e maleáveis, manifestando-se com intensidade e modos diferentes de acordo com os elementos sociais e culturais que atravessam a história de cada pessoa, e sendo, assim, possíveis de serem desenvolvidas ao longo da vida. • MODELO DAS 5 MACROCOMPETÊNCIAS Existem diferentes modelos científicos que visam a organizar os estudos das competências socioemocionais. Os pesquisadores do Instituto Ayrton Senna adotam um modelo com 5 macrocompetências, que organiza a ampla variação de competências socioemocionais em cinco grupos. São elas: Abertura ao Novo, Autogestão, Engajamento com os Outros, Amabilidade e Resiliência Emocional. Esse modelo foi escolhido pelo Instituto Ayrton Senna pois organiza as competências socioemocionais de forma abrangente e, ao mesmo tempo, específica. Ele foi elaborado a partir de estudos sobre essas habilidades, já identificadas e validadas cientificamente, por meio de experiências práticas em diversos contextos, localidades e culturas. No contexto brasileiro, as cinco macrocompetências foram desdobradas em 17 competências socioemocionais. identificadas como importantes de serem consideradas e desenvolvidas nas escolas. É importante ressaltar que essas 17 competências https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/criatividade-e-pensamento-critico/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/socioemocional-estudantes/ https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-defendemos/socioemocional-estudantes/ https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-fazemos/atuacao-pesquisas/ https://institutoayrtonsenna.org.br/o-que-fazemos/pesquisa-inovacao/socioemocionais/ socioemocionais não abarcam todas as existentes, mas compreendem os aspectos socioemocionais abordados nas 10 Competências Gerais da BNCC. Confira a relação entre as cinco macrocompetências e as 17 competências socioemocionais mencionadas. Abertura ao novo; Amabilidade; Autogestão; Engajamento com os outros; Resiliência Emocional. • RAIO-X DAS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC Uma análise das 10 competências gerais da BNCC buscou verificar quais das cinco macrocompetências e das 17 competências socieomocionais abordadas acima são mencionadas ou representadas no documento. • Evidências e socioemocionais... Há importância do desenvolvimento socioemocional para diversas áreas da vida. • AS 10 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC NOS CURRÍCULOS ESCOLARES As 10 competências gerais da BNCC deixam evidente o compromisso que a Educação Básica precisa ter em relação à formação integral dos estudantes para que sejam capazes de se colocar no lugar do outro, ser colaborativos, flexíveis e sensíveis às questões coletivas. Sendo assim, o desenvolvimento socioemocional não pode constar em uma parte isolada dos textos do currículo, nem pode aparecer neles de forma subentendida, pouco valorizada ou apenas a serviço da aprendizagem de conteúdos. Ao contrário, deve ser um pilar central do currículo, aparecendo com intencionalidade no texto. A escola oferece inúmeras oportunidades de identificar, desenvolver e colocar em prática essas competências socioemocionais, pois é onde o estudante passa parte significativa do seu tempo, em contato com o saber, os colegas e os professores, enfrentando desafios, seja em relação ao aprendizado, seja em relação ao convívio social. Portanto, a partir dos currículos estaduais e municipais, as escolas, em seus Projetos Político Pedagógicos (PPPs), devem planejar experiências e vivências que contemplem o desenvolvimento intencional das 10 competências gerais da BNCC. • COMO INCLUIR AS COMPETÊNCIAS NO CURRÍCULO http://institutoayrtonsenna.org.br/content/institutoayrtonsenna/pt-br/BNCC/o-que-e-BNCC.html#competencias-gerais Chegou a hora de colocar a mão na massa! É importante lembrar que o desenvolvimento integral deve ser considerado para orientar a escrita de todo o currículo quanto à concepção das áreas do conhecimento, das didáticas, da formação continuada dos professores e do desenvolvimento e aprendizagens dos estudantes. Veja, a seguir, algumas sugestões sobre como incluir as 10 competências gerais e o desenvolvimento socioemocional em cada parte do texto introdutório do currículo. • Marcos legais: A escrita sobre desenvolvimento integral deve mencionar que as competências cognitivas e socioemocionais são promotoras desse desenvolvimento. • Visão de estudante e de educação: é importante destacar, especificamente quanto à visão de educação, que a dimensão socioemocional – entendida como o conhecimento de si, a capacidade de estabelecer objetivos e persistir em alcançá- los, a capacidade de ter sensibilidade com relação ao outro e às diferenças, a capacidade de tomar decisões íntegras, entre outras – é tão importante para a aprendizagem e a concretização de projetos de futuro e realizações na vida quanto os conhecimentos acadêmicos. • Temas contemporâneos: Deve destacar aspectos mais diretos que possibilitam a promoção do desenvolvimento integral dos estudantes. Entre esses aspectos, podem estar a indicação e a abordagem de temas transversais e integradores nos componentes curriculares. • Diretrizes do que o estudante deve saber: Prever a elaboração de uma matriz de competências, que, ao levantar e definir competências específicas que os estudantes devem desenvolver no contexto local, é capaz de comunicar a todos o sujeito que se quer formar na perspectiva da educação integral. Veja abaixo onde incluir as 10 Competências Gerais da BNCC e o desenvolvimento integral no texto introdutório do currículo: • COMO CONSTRUIR UMA MATRIZ DE COMPETÊNCIAS DA REDE DE ENSINO A construção de uma matriz de competências da rede ou sistema de ensino, que oriente a forma de trabalho nas escolas considerando a necessidade de formar sujeitos plenos para viver no século 21, é fundamental para colocar o desenvolvimento integral em prática. A matriz é importante para que fique evidente aos gestores, professores, estudantes e familiares as escolhas pedagógicas intencionais , e competências socioemocionais a serem desenvolvidas, a constar nos Projetos Político Pedagógicos (PPPs) das escolas e nos planejamentos de aulas dos professores. Para a construção de uma matriz de competências, é importante considerar o resultado das escutas com estudantes, familiares e educadores, e também levar em conta as 10 Competências Gerais da BNCC. Ela não pode ser planejada e construída em forma de lista, mas sim como uma imagem que representa a relação entre as diferentes competências socioemocionais. O currículo também precisa garantir que as competências socioemocionais previstas na matriz tenham o seu desenvolvimento acompanhado nas escolas por meio de avaliações formativas. Esse tipo de avaliação possibilita que os próprios estudantes sejam, junto aos professores, responsáveis pelo acompanhamento de seu desenvolvimento de forma personalizada e individual. Ao mesmo tempo, é importante que a matriz de competências seja viável em termos de implementação. Isso implica planejar e escrever como ela poderá ser intencionalmente trabalhadanas escolas. Confira na imagem a importância de definir uma matriz de competências socioemocionais a serem desenvolvidas na escola. • Integração Curricular e a BNCC – Capítulo 5 O que é integração curricular A integração curricular é o agrupamento de disciplinas, antes separadas, em uma proposta unificada no currículo. O modelo de integração curricular tem várias possibilidades de organização, mas em todas elas é preciso um esforço consciente da equipe escolar em tratar o conhecimento de forma integrada. Sendo assim, o currículo escolar pode já prever essa dimensão integradora ou os elementos que podem fazer a integração curricular acontecer na prática. A integração curricular pode acontecer na organização das disciplinas por áreas de conhecimento, e na utilização de metodologias ativas de forma intencional, por exemplo. Ela é muito importante para o desenvolvimento integral dos estudantes, pois se os componentes curriculares não se integram e não favorecem a conexão entre os diferentes conteúdos, métodos e visões de mundo de cada matéria, não será possível formar um sujeito pleno e integral. Integração curricular e a BNCC A integração curricular na BNCC fica evidente na orientação às escolas em promover um currículo interdisciplinar. Logo na introdução do documento, a integração curricular com o objetivo de integrar conhecimentos e promover o desenvolvimento integral dos estudantes fica evidente: “Cabe aos sistemas e redes de ensino, assim como às escolas, em suas respectivas esferas de autonomia e competência, http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf incorporar aos currículos e às propostas pedagógicas a abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora“, BNCC, 2018 Ao longo do documento, também há a indicação de promover maior integração também entre séries escolares e áreas do conhecimento: “Habilidades devem ser consideradas sob as perspectivas da continuidade das aprendizagens e da integração dos eixos organizadores e objetos de conhecimento ao longo dos anos de escolarização (…) Na formação geral básica, os currículos e as propostas pedagógicas devem garantir as aprendizagens essenciais definidas na BNCC e contemplar (…) , a integração e articulação das diferentes áreas do conhecimento “, BNCC, 2018 Como mencionar a integração curricular no texto introdutório do currículo A integração curricular no texto introdutório de um currículo deve ser considerada de forma a orientar a escrita de todo o documento em relação às áreas do conhecimento, das didáticas, da formação continuada dos professores e do desenvolvimento integral dos estudantes. Sendo assim, anunciar as premissas para que a integração curricular seja um objetivo escolar é uma das funções do texto introdutório dos currículos. Veja onde e como a integração curricular pode ser incluída no texto: • Visão de estudante e de educação: Discutir as consequências da fragmentação do conhecimento na formação dos estudantes • Diretrizes do que o estudante deve saber: Contextualizar sobre a necessidade da integração curricular para além da temática. Destaque a importância de metodologias ativas de ensino e de aprendizagem e de avaliações formativas. • Temas contemporâneos: Indique como integrar os temas eleitos aos elementos estruturantes da educação integral. Vale lembrar que, além do texto introdutório, a integração curricular também deve constar nas concepções das áreas do conhecimento e nas orientações didáticas do currículo.