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SOL 471 – NUTRIÇÃO E MANEJO DE SOLOS FLORESTAIS 
Prof. Nairam Félix de Barros 
 
ESPAÇAMENTO 
ESPAÇAMENTO/DENSIDADE POPULACIONAL 
 
Teoricamente, a produção final de um povoamento será a mesma 
independentemente do arranjo espacial, desde que a população por unidade de área 
não varie. Para que isso seja verdade, cada indivíduo deve, em cada espaçamento, ser 
capaz de capturar os recursos (água, nutrientes e radiação) disponíveis para seu 
crescimento. 
Portanto, como a produção final deverá ser a mesma, a decisão sobre que 
espaçamento utilizar fica baseada em aspectos econômicos e da qualidade da madeira, 
se esta for afetada pelo espaçamento. Dentre os aspectos econômicos, devem ser 
consideradas as operações de preparo da área e do solo, os tratos culturais (capinas), a 
colheita, a condução da rebrota ou a reforma, etc. No caso da CAF a qualidade do 
tronco pode interferir no rendimento da colheita e dos fornos de carvão, e na 
qualidade do carvão propriamente dito. 
 Embora a produção final (m3/ha) possa não ser afetada, a produtividade (m3/ha/ano) 
é fortemente influenciada pelo espaçamento, pois ele interfere na taxa de ocupação 
do sítio pelas árvores. Em espaçamentos mais fechados, a capacidade de produção 
máxima do sítio é atingida em idades mais jovens, o que leva ao encurtamento do 
período de rotação. Nesse caso, os fluxos e os capitais de água e de nutrientes são 
também afetados e sofrem maior pressão por unidade de tempo do que em 
espaçamentos mais largos. 
Para materiais genéticos que apresentam elevada taxa de crescimento 
recomendam-se espaçamentos mais largos para evitar brusco encurtamento da 
rotação e aumentar o diâmetro das árvores. Esses materiais, em geral, apresentam 
maior demanda absoluta de nutrientes e de água, e maior índice de área foliar. Em 
tese, o espaçamento, além do aspecto econômico, para determinado tipo de produto, 
deve ser definido pela capacidade do sítio em fornecer água (e nutrientes, se a 
adubação não é utilizada). Para sítios mais secos o espaçamento deve ser mais largo. 
No Brasil, independentemente do sítio e finalidade da madeira, o espaçamento tem 
variado de 7 a 12 m2 por planta, com valores médios em torno de 9 m2, de acordo com 
o material genético. 
Os dados do quadro 1 mostram que a maior produção/área é obtida em espaçamentos 
mais fechados (maior população de árvores), como o de 2 x 1m. Mesmo em idades 
próximas à de corte (7 anos) utilizada na maioria das empresas no Brasil, a produção 
de tronco, obtida no espaçamento de 3 x 4m (833 árvores por ha) é 21% menor no E. 
grandis, crescendo num sítio de boa qualidade, e de 38% no E. urophylla, crescendo 
num sítio pior. No quadro 2 tem-se o volume de madeira de eucalipto obtido dos 4 aos 
7 anos de acordo com o espaçamento. A informação é basicamente a mesma, ou seja, 
ao aumentar-se o espaçamento tem-se menor produção. 
 
ESPAÇAMENTO 
 
 Na escolha do espaçamento de plantio, há de se considerar aspectos biológicos, 
econômicos e ambientais. Dentre os fatores biológicos, a qualidade de sítio, o material 
genético a ser utilizado, vegetação competitiva, etc, são alguns dos aspectos 
importantes. Quanto aos econômicos, deve-se ter em mente o objetivo de uso da 
madeira, dimensão dos troncos, os custos da silvicultura (número de mudas a produzir, 
adubação, trato cultural, etc.) e da produção total de madeira. Dentre os aspectos 
ambientais, se deve preocupar com a rápida cobertura do sítio pelas árvores, evitando 
o efeito direto da água de chuva e da insolação sobre o solo, a conservação do solo e 
da água, a ocorrência de danos pelo vento, etc. Portanto, a escolha de um 
espaçamento não é uma tarefa fácil. Na realidade, levando-se em conta a variabilidade 
ambiental da CENIBRA, não deveria haver um espaçamento único para todas as áreas 
da empresa. 
 No Brasil, o espaçamento utilizado para plantações de eucalipto foi, no 
passado, de 2x1 m, quando o objetivo do plantio era energia (lenha e carvão). Nos 
anos 60/70, com a instalação de fábricas de papel e celulose, começou-se a utilizar o 
espaçamento de 3x2 m e, por fim, com a melhoria da qualidade genética do material e 
adoção de técnicas mais intensivas de manejo, espaçamentos mais amplos têm sido 
adotados. 
 No caso da CENIBRA, o objetivo da madeira é bem definido, ou seja, produção 
de celulose. Isso implica que o máximo de madeira industrial, isto é, diâmetro mínimo 
na ponta do tronco de 6 cm (valor que permite o descascamento mecânico), por 
unidade de área, é uma meta da empresa. Tendo esse referencial, há que se buscar 
materiais genéticos e sua adequação aos sítios de modo a se ter o máximo de madeira 
industrial na idade de corte. Em geral, espaçamentos mais fechados levam à mais 
rápida “captura do sítio” pelas árvores e ao atingimento da capacidade máxima de 
produção em idades mais jovens do que espaçamentos mais largos. Por outro lado, os 
espaçamentos mais fechados levam à produção de maior proporção de madeira não 
industrial (resíduos da colheita). 
 Um dos grandes problemas na silvicultura brasileira, no que tange 
espaçamento, é a predefinição da idade de corte, em geral, aos 7 anos, independente 
da qualidade de sítio, potencial de crescimento do material genético, nível tecnológico 
da silvicultura, etc. Isso leva, sempre, à procura de espaçamento que permita atingir a 
capacidade máxima do sítio aos 7 anos. Teoricamente, poder-se-ia ter, para cada 
combinação daqueles fatores, uma idade ideal de corte. 
 A variação das características ambientais (solo, clima e topografia – fisiografia) 
e dos materiais genéticos da CENIBRA indica que vários espaçamentos poderiam ser 
adotados tendo em vista a meta anteriormente mencionada. Assim, o melhor 
espaçamento para a Região do Rio Doce não seria, necessariamente, o melhor para a 
Região de Guanhães. Ou mesmo, na Região do Rio Doce, nas áreas de baixada poder-
se-ia ter um espaçamento mais largo, pelas condições de fertilidade e disponibilidade 
de água no solo, enquanto nas encostas ele poderia ser mais fechado, para permitir a 
rápida cobertura do solo, o que reduz a perda de água por escoamento superficial e 
por evaporação (Figura 6). Considerando esses aspectos, a empresa nos últimos anos, 
tem adotado operacionalmente, para mudas clonais o espaçamento de 3 x 3,33 m 
(10 m2/planta) e para mudas de sementes de 3 x 3 m (9 m2/planta). Ressalta-se que o 
alto nível tecnológico hoje adotado tem levado à não distinção de crescimento das 
árvores nos dois primeiros anos, independente do sítio, numa mesma região. 
 Para os plantios do fomento florestal, por clones ou sementes, a distinção no 
espaçamento é feita por região; isto é, região do Rio Doce e Governador Valadares, 3,5 
x 2,5 m (8,75 m2/planta) e demais regiões 3 x 2,5 (7,5 m2/planta). 
 Em experimento conduzido na Região de Santa Bárbara, com material de 
sementes, ficou demostrado que em espaçamentos mais fechados, como 2 x 1 m, a 
produção máxima tende a ser atingida mais cedo. Portanto, a colheita deveria 
acontecer também em idade mais jovem. Por outro lado, povoamentos em 
espaçamentos mais largos, como o 4 x 5 m, atingem a produção máxima mais tarde e 
usualmente apresentam maior proporção de madeira industrial do que no de 2 x 1 m. 
No quadro 5 observa-se que a diferença na produção de lenho entre a idade de 2,5 e 
6,75 anos, no espaçamento de 2 x 1 foi de 180%, enquanto que no 4 x 5 m foi de 461%. 
A diferença de produção entre os dois espaçamentos foi de 246% na idade de 2,5 anos 
e caiu para 73% aos 6,75 anos, mostrando que a produção no maior espaçamento se 
igualará à do menor espaçamento em idade futura. Tendências semelhantes têm sido 
constatadas em vários outros estudos conduzidos nas mais variadas condições, como 
cerrado e litoral do Espírito Santo, e materiais genéticos distintos. 
 Diante do exposto, não se pode afirmar sobre o espaçamento mais correto para 
eucalipto ou outra essência florestal, se aspectos como uso da madeira, qualidade de 
sítio, materialgenético, nível de tecnologia adotado, etc. não forem levados em conta. 
É forçoso concluir que racionalmente não há como se ter a universalidade de 
espaçamento. 
 
 
 
 
 
Quadro 1 – Distribuição percentual do peso de matéria seca do tronco e total das 
árvores de Eucalyptus grandis e E. urophylla, em diferentes densidades 
populacionais, entre 30 e 84 meses de idade em duas condições no Brasil. 
 
Espécie Idade Densidade 
populacional 
Matéria Seca 
Tronco Total 
E. grandis Meses 
 ------------------ % ------------------- 
30 
2500 100 100 
1666 74 76 
1250 63 66 
 833 56 60 
54 
2500 100 100 
1666 82 85 
1250 72 75 
 833 79 83 
81 
2500 88 88 
1666 83 83 
1250 92 91 
 833 79 79 
E. urophylla 
31 
2225 100 100 
1111 62 70 
 833 56 68 
41 
2225 100 100 
1111 60 70 
 833 56 72 
84 
2225 100 100 
1111 72 83 
 833 62 76 
 
Pode-se reduzir um pouco o espaçamento, mantendo-se a distância de 3 m entre linha 
e reduzir a distância entre plantas na linha para 2 m. Isso reduziria também a mato-
competição. Contudo, há de se considerar que o aumento da população leva à redução 
do diâmetro dos troncos. 
 Outra variável que claramente afetará a escolha do espaçamento, são os 
clones. A arquitetura de copa varia consideravelmente entre clones atualmente 
plantados pela empresa. Há clones que possuem copa triangular, com os galhos basais 
mais longos e os intermediários e apicais mais curtos. A copa é volumosa e ocupa o 
sítio rapidamente. A inserção dos galhos é mais vertical (com ângulos em torno de 45º) 
em relação ao tronco. Também as folhas são mais eretas. Esse tipo de arquitetura 
permite maior absorção de radiação entre ás 9 e 15 horas, quando a incidência dos 
raios solares é mais perpendicular ao plano do limbo foliar. 
Quadro 2 - Produção relativa em volume de eucalipto em diferentes idades, plantado 
sob 5 espaçamentos, em sítio de alta qualidade (52 m3/ha/ano) 
Espaçamento População 
Idade (anos) 
4 5 6 7 
 3 x 1,5 2220 100 100 100 100 
 3 x 2,0 1666 99 99 98 99 
 3 x 2,5 1333 91 95 96 99 
 3 x 3 1111 83 88 87 92 
 3 x 4 833 74 81 83 86 
 
 Por outro lado, a maior absorção de radiação favorece a perda de água por 
transpiração. O balanço entre esses dois processos determinará que produção poderá 
ser obtida com clones desse tipo. Esse tipo de copa é também efetivo na competição 
com as ervas daninhas, que são mais facilmente dominadas. 
 Há, também, clones com arquitetura de copa caracterizada por galhos mais 
finos com inserção no tronco em ângulo tendendo para reto e folhas pendentes (mais 
verticais). A copa não ocupa rapidamente o espaço entre as linhas. Isso leva, no 
primeiro momento a pensar-se que o espaçamento para esses clones poderia ser mais 
fechado. Contudo, as folhas ficam mais expostas à radiação solar nas primeiras horas 
da manhã e nas últimas da tarde. Se o espaçamento é mais fechado, nessas horas uma 
árvore sombreará a outra. Logo, a quantidade de radiação absorvida será menor e o 
crescimento deverá também ser menor. Esse tipo de arquitetura é mais conservador 
de água, considerando-se a perda por transpiração. Entretanto, o efeito de mato-
competição deverá ser maior, pois o sombreamento promovido pela copa é pequeno. 
Portanto, a escolha de um espaçamento não é uma tarefa fácil. Na realidade, levando-
se em conta a variabilidade ambiental da CAF não deveria haver um espaçamento 
único para todas as áreas da empresa. 
 A variação das características ambientais (solo, clima e topografia – fisiografia) 
e dos materiais genéticos indica que vários espaçamentos poderiam ser adotados 
tendo em vista a meta de produção de madeira. Assim, o melhor espaçamento para a 
Região do Rio Doce não seria, necessariamente, o melhor para a Região do Centro 
Oeste. Ou mesmo, na Região do Rio Doce, nas áreas de baixada poder-se-ia ter um 
espaçamento mais largo, pelas condições de fertilidade e disponibilidade de água no 
solo, enquanto nas encostas ele poderia ser mais fechado, para permitir a rápida 
cobertura do solo, o que reduz a perda de água por escoamento superficial e por 
evaporação (Figura 2). 
 Diante do exposto, não se pode afirmar sobre o espaçamento mais correto para 
eucalipto ou outra essência florestal, se aspectos como uso da madeira, qualidade de 
sítio, material genético, nível de tecnologia adotado, etc. não forem levados em conta. 
É forçoso concluir que racionalmente não há como se ter a universalidade de 
espaçamento.

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