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Manual do Prefeito: contas públicas Ivanil Nunes Quase tudo que um prefeito paulista precisa saber, em 15 minutos, para não ter suas contas reprovadas pelo TCE/SP. JUQUITIBA 2025 2 Manual do Prefeito: contas públicas Ivanil Nunes1 Este breve manual, de leitura rápida, tem por objetivo apresentar, aos prefeitos paulistas, 12 dicas indispensáveis para se evitar a reprovação das contas públicas do município pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. JUQUITIBA 2025 1 Prof. Dr. Ivanil Nunes; é professor universitário e está Secretário Adjunto de Planejamento no Município de Juquitiba/SP 3 Introdução De acordo com o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP) a maioria dos municípios do Estado mais rico da federação recebe nota C - a menor dada pelo TCE/SP - quando este órgão fiscalizador avalia a prestação de contas das prefeituras paulistas. O que equivale a dizer que a maioria dos 645 municípios paulistas não alcançam sucesso em seu ciclo orçamentário, uma vez que estão longe de atingir o Índice Efetividade da Gestão Municipal (IEG-M), qual seja, patamares de classificação equivalentes a B, B+ ou A, deste IEG-M. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, este fenômeno – da baixa efetividade das contas públicas – parece atingir, sobretudo, os menores municípios; que possuem, até trinta mil habitantes, aproximadamente. Afinal, quais seriam as desagradáveis consequências políticas para o prefeito e seus secretários, quando ocorre a reprovação de suas Contas? Será que existe um bê-á-bá a ser seguido pelas Prefeituras Municipais paulistas para se evitar esse enorme constrangimento político público? O objetivo neste Manual é apresentar aos prefeitos paulistas, com base nas exigências do TCE/SP, 10 dicas/recomendações indispensáveis para se evitar a reprovação das contas públicas do município. Sem grandes pretensões, o "Manual do Prefeito: contas públicas" é uma contribuição ao debate público por meio de um bê- á-bá que, se seguido pelos gestores públicos municipais, poderá evitar o enorme constrangimento público que costuma advir com a reprovação das contas públicas municipais. Boa leitura! 4 Sumário Dica 1. Convença seus Secretários e Secretárias! ......................................... 5 Dica 2. Cobre com veemência de seus Secretários e Secretárias: ............... 5 Dica 3. Converse separadamente com a parte do Secretariado que será avaliada pelo TCU .................................................................................... 5 Dica 4. Verifique com atenção, se o Planejado está sendo efetivamente realizado ................................................................................................... 5 Dica 5. Acompanhe os principais indicadores da Educação ........................ 6 Dica 6. Reúna-se com a Secretaria de Finanças (gestão fiscal): .................. 6 Dica 7. Defesa Civil.......................................................................................... 7 Dica 9. Governança ........................................................................................ 8 Dica 10. Saúde ................................................................................................. 8 Considerações finais ...................................................................................... 8 5 Dica 1. Convença seus Secretários e Secretárias! Que o auditor do TCE/SP não inventa normas; ele parte do princípio geral de transparência exigido pela Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, os projetos que tratam de matéria orçamentária devem ser o mais transparentes possível para a sociedade. Dica 2. Cobre com veemência de seus Secretários e Secretárias: Para que eles e elas respondam prontamente e dentro dos prazos os questionamentos realizados pelo órgão de Controle Interno de sua Prefeitura. Nestas ocasiões, normalmente, o Controle Interno Municipal está sob questionamento dos órgãos de controle externo: TCU e/ou Poder Legislativo. Atrasos e respostas ruins, incompletas e sem fundamentos implicam e avaliação ruim por parte do TCU/SP. Dica 3. Converse separadamente com a parte do Secretariado que será avaliada pelo TCU Realize ao menos 1 vez por bimestre uma reunião coletiva com os Secretários ou Secretárias municipais das pastas de Planejamento, Saúde, Educação, Gestão fiscal, Defesa Civil, Meio Ambiente e governança de modo a avaliar a execução orçamentária de cada um dos programas, projetos e metas de cada uma das pastas acima relacionadas. Dica 4. Verifique com atenção, se o Planejado está sendo efetivamente realizado Cobre informação, junto à Secretaria de Planejamento, sobre as metas estabelecidas no planejamento e os resultados alcançados na prática; e aproveite para avaliar se os recursos foram utilizados de forma eficiente. E, sobretudo, indague 6 se existe participação da sociedade nos planos estratégicos do planejamento. Dica 5. Acompanhe os principais indicadores da Educação Reuna-se com a Secretaria de Educação para avaliar como estão sendo utilizados os recursos públicos e implementando políticas de educação. Verifique, nestas reuniões, os indicadores de desempenho das escolas municipais, como o índice de frequência, o desempenho dos alunos em avaliações, a estrutura física das escolas e a formação dos professores. O i-Educação depende de dados coletados diretamente das escolas e dos sistemas de informação dos municípios, permitindo uma análise comparativa entre diferentes regiões. Igualmente, o i-Educação também analisa a aplicação dos recursos financeiros destinados à educação, verificando se o município está cumprindo com as obrigações constitucionais e legais. Dica 6. Reúna-se com a Secretaria de Finanças (gestão fiscal): Atenção ao Relatório de Gestão Fiscal. Neste Relatório deve conter informações quadrimestrais sobre despesas com pessoal, dívidas consolidada e mobiliária, concessão de garantias, operações de crédito e indicação de medidas adotadas ou a adotar caso se vislumbre algum risco de ser ultrapassado algum dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O Í-Fiscal mede a qualidade da gestão fiscal, avaliando diversos aspectos tais como a receita, despesa, execução orçamentária, dívida, transparência, entre outros. 7 Dica 7. Defesa Civil O "i-Cidade" (Defesa Civil) é um índice que avalia a capacidade dos municípios de lidar com eventos de sinistros e desastres. O principal objetivo é identificar o nível de planejamento e ações municipais para proteger a população em situações de emergência. O índice coleta informações sobre diversos aspectos da proteção municipal, como: 1. Plano de Contingência; 2. Identificação de riscos para intervenção do Poder Público; 3. Infraestrutura da Defesa Civil; 4. Gestão municipal em situações de emergência. Dica 8. Meio ambiente O i-Amb (Meio Ambiente) se concentra na avaliação das ações relacionadas ao meio ambiente, como resíduos sólidos, educação ambiental, estrutura dos conselhos ambientais, entre outros. Por meio deste índice o TCE- SP visa estimular políticas públicas ambientais e práticas sustentáveis nos municípios jurisdicionados, promovendo a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população e, ao mesmo tempo, busca identificar pontos fortes e fracos nas ações ambientais dos municípios, fornecendo informações para que as prefeituras possam melhorar sua gestão e implementar projetos sustentáveis. 8 Dica 9. Governança O iGovTI busca orientar as organizações públicas no desenvolvimento de melhores práticas em TI. Ajuda a identificar áreas de melhoria na gestão de TI e a otimizar o uso dosrecursos tecnológicos. Permite que os órgãos públicos demonstrem a qualidade da sua gestão de TI. Fornece dados e informações para a tomada de decisões na área de TI. Dica 10. Saúde O Índice Municipal da Saúde mede o resultado das ações da gestão Pública Municipal neste tema por meio de uma série de quesitos específicos, com ênfase nos processos realizados pelas prefeituras relacionados à atenção básica, cobertura e ação do Programa Saúde da Família, atuação do Conselho Municipal da Saúde, assiduidade dos médicos e profissionais de saúde, atendimento à população para tratamento de doenças como a tuberculose e prevenção de doenças como a dengue, realização de exames, controle de estoque de insumos, distribuição de medicamentos, cobertura das campanhas de vacinação e de orientação à população. Considerações finais As 10 dicas apresentadas neste manual têm como objetivo central orientar os prefeitos paulistas quanto às principais exigências do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP), destacando ações práticas e estratégicas para garantir a boa governança, a transparência e a legalidade na gestão dos recursos públicos. Cada recomendação foca em áreas-chave da 9 administração municipal — como planejamento, educação, saúde, meio ambiente, finanças, defesa civil e governança digital — com base em indicadores utilizados pelo TCE/SP para avaliar a efetividade da gestão pública. O cumprimento dessas orientações é essencial não apenas para evitar a reprovação das contas municipais, mas também para fortalecer a confiança da população e a eficácia das políticas públicas. O manual reforça a importância da integração entre os secretários, a resposta eficiente aos órgãos de controle, e o acompanhamento sistemático de metas e indicadores, evidenciando o papel central do prefeito na coordenação e fiscalização de sua equipe. Ao adotar essas práticas, os gestores passam a atuar de forma proativa, garantindo que as ações estejam alinhadas com a Constituição Federal, a Lei de Responsabilidade Fiscal e os critérios técnicos do TCE/SP. Mais do que atender a obrigações legais, trata-se da adoção de uma gestão pública responsável, participativa e orientada a resultados, promovendo o desenvolvimento sustentável e o bem- estar da população. ================================== 10 Referências TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEG-M). Disponível em: . TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Manual de Planejamento Público. São Paulo: TCESP, 2021.