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Ana Flávia

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REFERÊNCIA:
VAZ, Rafael; VIVAR Y SOLER, Rodrigo. Por uma história malcomportada: a historiografia antidisciplinar de Michel Foucault. História da Historiografia, Ouro Preto, v. 14, n. 36, 2021.
1. TEMA
O artigo trata da contribuição de Michel Foucault para a historiografia, destacando sua proposta de uma “história antidisciplinar”, que rompe com os padrões tradicionais da disciplina histórica e questiona o papel do sujeito e da verdade na construção do conhecimento histórico.
2. TESE CENTRAL
Os autores defendem que a historiografia de Foucault constitui uma alternativa crítica ao modelo disciplinar de história, pois desconstrói a noção de sujeito histórico universal e rompe com a lógica de continuidade da tradição ocidental. A partir de seu método arqueogenealógico, Foucault propõe uma forma de escrita da história que evidencia as rupturas, os jogos de poder e os processos de subjetivação.
3. LÓGICA INTERNA
O texto se organiza em duas grandes partes. Na primeira, os autores analisam a relação entre história, sujeito e verdade no método arqueogenealógico de Foucault, mostrando como ele rompe com a ideia de continuidade e evidencia o caráter inventivo do conhecimento. Na segunda parte, exploram como Foucault reconstrói os conceitos de acontecimento, documento e arquivo, compreendendo-os não como espelhos do passado, mas como efeitos de estratégias de poder e dispositivos discursivos. Dessa forma, os autores demonstram que a proposta foucaultiana redefine o papel do historiador e abre caminho para uma “história outra”.
4. INTERLOCUÇÃO
O artigo dialoga com diversos autores:
- Nietzsche: inspiração para a concepção de conhecimento como invenção, não como verdade essencial ou natural.
- Certeau: referência para a discussão sobre a escrita da história e os efeitos do arquivo.
- Le Goff: citado como representante das transformações da historiografia do século XX, ainda que limitado pela permanência de categorias tradicionais.
- Carlo Ginzburg: usado como contraponto metodológico, já que seu paradigma indiciário se distancia da concepção foucaultiana de documento.
- Paul Veyne: mencionado como intérprete que reconhece em Foucault uma revolução na história.
Em relação a todos, os autores destacam que Foucault ora se afasta (como no caso da tradição hermenêutica), ora se apropria criticamente (como em Nietzsche), para fundamentar sua história antidisciplinar.
5. TRECHOS EM DESTAQUE
“A história só será efetiva na medida em que ela reintroduzir o descontínuo em nosso próprio ser.” (FOUCAULT, 2002, p. 18).
“A formulação de uma descontinuidade histórica, de um saber feito para cortar, parte da hipótese de que o sujeito histórico está implicado, senão enredado internamente, na formulação do saber historiográfico.” (VAZ; SOLER, 2021, p. 469).
“O conhecimento, nesse sentido, não é atributo da natureza humana, uma faculdade adquirida, pleiteada ou simplesmente recebida, mas um desdobramento inaudito dos combates da vida e pela vida, convertido em uma luta pelo significado e sentido mesmo da vida.” (FOUCAULT, 2014b, p. 184).
“A genealogia proposta por Michel Foucault, portanto, impõe-se como método-estratégia, o qual, ao dar um passo atrás, procura observar o que se passa na estrutura desse jogo binário, abordando-o externamente.” (VAZ; SOLER, 2021, p. 472).
“Assim, o que Foucault propõe como historiador é uma atividade (re)criativa do documento histórico, que o tome a partir de onde ele não se pressupõe, nem como suporte da memória, nem como indício, índice ou representação de um passado.” (VAZ; SOLER, 2021, p. 476).

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