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MINI-CASO: NUBANK E A 
REVOLUÇÃO INVISÍVEL 
AOS DADOS
Antropologia para Negócios
prof. Mauricio C. Serafim
Duração: 15-20 minutos
2013
PARADOXO INICIAL: QUANDO OS NÚMEROS 
DIZIAM "NÃO"
Brasil, 2013: David Vélez, ex-Sequoia Capital, analisa viabilidade de banco digital sem agências físicas.
INDICADORES TRADICIONAIS APONTAVAM INVIABILIDADE:
• Custo de manutenção de agência bancária: R$ 350.000-500.000/ano (Febraban, 2012)
• País continental: 8,5 milhões km² exigiam presença física para credibilidade
• CAC (Custo de Aquisição de Cliente) em banco tradicional: R$ 800-1.200 (Análises setoriais, 2012)
• Barreiras regulatórias: Capital mínimo exigido pelo BCB > R$ 30 milhões
• Switching costs altíssimos: portabilidade bancária complexa desencorajava migração
• Os cinco maiores bancos do país controlavam 80% do mercado
O Paradoxo dos Dados
Em 2012, o Bradesco operava 4.700 agências, um investimento bilionário 
que os dados pareciam validar.
Conclusão Aparente
Sem uma vasta rede física, os números indicavam que seria impossível 
competir no mercado bancário brasileiro.
Mas… e se tais dados 
estivessem contando apenas 
parte da história?
E se a racionalidade econômica estivesse com dificuldades de 
perceber uma dimensão fundamental da experiência brasileira?
CONTEXTO DO SETOR BANCÁRIO 
BRASILEIRO (2010-2013)
Um cenário de contradições aparentes que os números 
tradicionais não conseguiam explicar completamente.
O PARADOXO DOS NÚMEROS
Rentabilidade vs. 
Insatisfação
Rentabilidade alta (ROE 20%+), mas 
insatisfação massiva (NPS negativo)
Infraestrutura vs. Problemas
Infraestrutura gigantesca (22 mil 
agências), mas 57% com problemas
Reclamações vs. Retenção
Liderança em reclamações, mas 
retenção de clientes alta
Pergunta: Retenção de clientes significava satisfação ou ausência de alternativa?
Os números 
mostravam 
lucratividade e 
escala
Mas mascaravam algo que os economistas chamam de 
'externalidades' e os filósofos chamam de 'sofrimento 
existencial': a experiência cotidiana de milhões de 
brasileiros.
O QUE OS DADOS NÃO CAPTURAVAM
INSIGHT ANTROPOLÓGICO DO NUBANK
A) FRUSTRAÇÃO EMOCIONAL INVISÍVEL AOS NÚMEROS
Manifestações concretas:
Filas intermináveis
Filas de 40-60 minutos para operações simples (experiência 
desumanizante)
Violação simbólica
Portas giratórias que travavam: violação simbólica da dignidade
Linguagem excludente
"Bancariês": linguagem que infantilizava clientes
Problemas sem solução
80% das reclamações sem solução na 1ª tentativa
"Qualquer pessoa que eu conversava falava: eu odeio meu banco, odeio meu banco. Vi aí uma oportunidade de 
negócio, de criar uma alternativa". David Vélez
B) DESEJO POR DIGNIDADE (RESPEITO)
Evidências:
Discriminação sistêmica
• Discriminação por CEP, aparência, profissão em aprovações 
de crédito
• Clientes de "baixo valor" recebiam atendimento humilhante
Exclusão financeira
• 45 milhões excluídos do sistema: negação de cidadania 
financeira
C) ASPIRAÇÃO POR AUTONOMIA
Manifestações práticas:
Dependência forçada
Dependência de "gerente" para decisões sobre próprio 
dinheiro
Horários incompatíveis
Horário bancário (10h-16h) incompatível com realidade de 
trabalhadores
Burocracia infantilizante
Burocracia que infantilizava: "você não sabe, deixe o banco 
decidir"
Falta de transparência
Letras miúdas, tarifas ocultas, contratos de 40 pgs
EXEMPLO REAL: David Vélez relatou que abrir conta no Brasil (2012) levou 4-6 meses, 5-6 visitas, documentação absurda.
Esses insights antropológicos 
não apareciam em nenhum 
relatório do BCB ou em análise 
setorial alguma.
Mas eram a verdadeira estrutura da experiência brasileira. A 
Nubank apostou não apenas no que os dados mostravam, 
mas no que eles ocultavam.
2013-2023
IMPACTO E LEGADO: 
QUANDO O INVISÍVEL SE 
TORNA MENSURÁVEL
RESULTADOS QUANTITATIVOS (2013-2023):
• 2014: Lançamento do cartão de crédito roxo
• 2016: 1,5 milhões de clientes
• 2018: 5 milhões de clientes
• 2020: 34 milhões de clientes
• 2023: 85 milhões de clientes (Brasil + América Latina)
CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta): ~87% ao ano
Fonte: Relatórios Anuais Nubank (2016-2023)
MÉTRICAS QUANTIFICADAS
80+
NPS Nubank
Consistentemente acima de 80 (vs. -5 a 
+12 dos tradicionais)
Fonte: Relatório Anual Nubank 2023
20%
Primeiro cartão
20% dos clientes nunca haviam tido 
cartão de crédito antes
Fonte: Nubank Investor Day, 2021
15%
Clientes 55+
Entre clientes 55+, 15% tiveram Nubank 
como primeiro cartão
Fonte: Dados internos Nubank, 2022
TRANSFORMAÇÃO DO ECOSSISTEMA
1 2021: IPO na NYSE
valuation US$ 45 bilhões
2 Digitalização forçada
Forçou digitalização de todo setor: Itaú Next, Bradesco Next etc.
3 Melhoria do NPS setorial
NPS médio do setor bancário brasileiro subiu de +12 (2013) para +65,7 (2024)
Fonte: Opinion Box / Exame
O Nubank mostrou que DIGNIDADE, AUTONOMIA e RESPEITO não são apenas valores abstratos - são 
vantagens competitivas mensuráveis quando o mercado ignora a dimensão humana da experiência.
O que o caso Nubank revela sobre os limites da análise puramente econômica? Sobre a relação entre 
humanidade e dados? Entre ser humano e ser cliente?
Perguntas para Reflexão Final
A Dimensão Humana Invisível
Que aspectos da realidade humana dos brasileiros – suas emoções, 
valores culturais e anseios por reconhecimento – não eram 
capturados pelos dados de mercado disponíveis entre 2010 e 2013?
Os Limites da Análise Econômica
Como essa lacuna revela os limites fundamentais da análise 
puramente econômica nos negócios contemporâneos, destacando a 
importância de uma perspectiva mais holística?
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