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1 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA) NO ATENDIMENTO À INDIVÍDUOS COM DESENVOLVIMENTO ATÍPICO 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 SUMÁRIO ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA) NO ATENDIMENTO À INDIVÍDUOS COM DESENVOLVIMENTO ATÍPICO ........... 1 NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 O que é a ABA? ....................................................................................... 4 A ABA na intervenção com crianças com desenvolvimento atípico ..... 5 Concepções essenciais do Ensino Por Tentativas Discretas ........... 7 Comportamento Verbal: VB ou ABA? .................................................. 7 Generalização: Função quanto a ABA ................................................. 9 Exemplos de Programa ABA ............................................................ 9 A utilização da ABA nos dias atuais e a formação de profissionais para essa prática .................................................................................................. 11 Dicas para intervenção baseadas em ABA ........................................ 14 Tipos de dicas ................................................................................ 16 Como escolher a dica e saber o tempo de utilizá-la em intervenção .................................................................................................................. 18 Sistema de dicas e tipos ................................................................. 20 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 31 file:///Y:/EDUCAÇÃO/PSICOPEDAGOGIA%20COM%20ÊNFASE%20EM%20ABA/ANÁLISE%20DO%20COMPORTAMENTO%20APLICADA%20(ABA)%20NO%20ATENDIMENTO%20Á%20INDIVIDUOS%20COM%20DESENVOLVIMENTO%20ATÍPICO/ANÁLISE%20DO%20COMPORTAMENTO%20APLICADA%20(ABA)%20NO%20ATENDIMENTO%20À%20INDIVÍDUOS%20COM%20DESENV.%20ATÍPICO.docx%23_Toc187940573 file:///Y:/EDUCAÇÃO/PSICOPEDAGOGIA%20COM%20ÊNFASE%20EM%20ABA/ANÁLISE%20DO%20COMPORTAMENTO%20APLICADA%20(ABA)%20NO%20ATENDIMENTO%20Á%20INDIVIDUOS%20COM%20DESENVOLVIMENTO%20ATÍPICO/ANÁLISE%20DO%20COMPORTAMENTO%20APLICADA%20(ABA)%20NO%20ATENDIMENTO%20À%20INDIVÍDUOS%20COM%20DESENV.%20ATÍPICO.docx%23_Toc187940573 4 O que é a ABA? A sigla ABA representa a abreviatura do termo em inglês Applied Behaivor Analysis, (Análise do Comportamento Aplicada) proveniente do campo cientifico do Behaviorismo que concentra seus estudos na observação, análise e explicação frente a uma associação do ambiente, comportamento humano observável e mensurável e aprendizagem. O Behaviorismo surge no século XX, com os estudos propostos por Ivan Pavlov, John B. Watson, Edward Thorndike e B.F Skinner. Esse modo de compreensão dos indivíduos propõe que a partir do momento em que se analisa um comportamento é possível elaborar um planejamento para a modificação do mesmo (Skinner, 2000). Em 1938 B. F Skinner lança o livro “The Behavior of Organisms” (O comportamento dos organismos), no qual descreve a respeito do que nomeia como Condicionamento Operante, o qual atualmente é utilizado no processo de modificação de comportamento com o propósito de ajudar o indivíduo no processo de aprendizado. Esse processo de condicionamento envolve a presença de um estímulo reforçador, uma recompensa, diante do comportamento que se quer manter, o que aumenta a probabilidade de que ele volte a se repetir. Essencialmente, o condicionamento operante diz respeito a coisas que acontecem em resposta a determinado comportamento emitido e que aumentam ou diminuem as chances de que você volte a repetir um comportamento em uma situação futura semelhante a qual você obteve bons resultados. Por exemplo, se um indivíduo recebe determinada nota na avaliação escolar e é elogiado, pelos pais e/ou professores, a probabilidade de que ele torne a tentar obter o mesmo desempenho e, como recompensa, ganhar elogios aumenta (Moreira; De Medeiros, 2018; Andery, 1990). Compreende-se então que nosso comportamento se modifica em relação às consequências advindas destes. Se tentarmos fazer algo de determinado modo e não obtermos o resultado desejado, provavelmente não vamos tentar fazer desse mesmo modo em uma situação futura, vamos alterar o comportamento de modo que a consequência, o resultado, do modo que agimos 5 seja interpretado como reforçador (Skinner, 2000). A ABA é utilizada dentro de diversas outras intervenções como, por exemplo, para medos e fobias; dependência química; transtornos mentais do sono; estresse e relaxamento, entre outros. No que diz respeito à aplicação da ABA com indivíduos com desenvolvimento atípico, compreende-se que seu objetivo se dá por buscar permitir que esse indivíduo viva socialmente da forma mais autônoma possível, aprendendo a lidar com as dificuldades de aprendizagem de habilidades importantes, os possíveis excessos comportamentais e os déficits de repertório. Sua intervenção se baseia em procedimentos de ensino aplicados durante horas por semana e em contextos variados, diferenciando-se de intervenções clínicas tradicionais da área da psicologia como, por exemplo, as sessões de psicoterapia que ocorrem uma vez a semana em consultório ( Andery, 1990). A ABA, portanto, configura-se enquanto voltada para o atendimento de indivíduos com desenvolvimento atípico, como uma intervenção que auxilia no aprendizado do indivíduo e deve contar para tanto com diversos agentes envolvidos em seu processo, como diferentes terapeutas, professores, profissionais de outras disciplinas, pais e/ou cuidadores do indivíduo que participa do processo (Moreira; De Medeiros, 2018). A ABA na intervenção com crianças com desenvolvimento atípico A ABA é empregada para auxiliar no ensino das crianças com desenvolvimento atípico, utilizando-se de instruções intensivas e estruturadas, sendo muito importante a presença da família durante o processo de modo a contribuir com o êxito do programa. É importante que a intervenção comece cedo, quando a criança ainda é pequena, e, por vezes, se inicia da casa da mesma. Embora seja interessante uma intervenção precoce, a aplicação desta técnica em crianças maiores e em adultos também pode ser benéfica. As sessões são individuais e a maioria segue agendas de ensino de período integral, sendo cerca de trinta a quarenta horas (Martin e Pear, 2009; Barba, 2001). O modo do programa ABA se baseia em premiar o comportamento 6desejado, reforça-lo, e rejeita a utilização de punição – situações aversivas ao sujeito. O currículo que se segue irá depender das particularidades de cada criança, embora em geral seja amplo, cobrindo habilidades acadêmicas; linguísticas; sociais; referentes a cuidados pessoais, habilidades motoras e de brincar ( Andery, 1990). Desse modo, a ABA trabalha na direção de colaborar para a autonomia do indivíduo com desenvolvimento atípico de forma que este tenha repertório para lidar com dificuldades relacionadas a habilidades elementares como a comunicação, habilidades sociais e exibição de versatilidade comportamental. As intervenções buscam ensinar ao indivíduo comportamentos que estão em estado deficitário em seu repertório e diminuindo comportamentos que podem ser prejudiciais ao seu funcionamento global (Moreira; De Medeiros, 2018). Dentro de intervenções ABA, observa-se o termo “hierarquia de dicas”, o qual diz respeito a uma das etapas existente no planejamento que será efetuado para a intervenção. Esta é uma de oito etapas que consiste em definir um comportamento-alvo que será trabalhado; qual será o estímulo discriminativo e quais reforçadores serão utilizados; em quais atividades e situações de ensino esse comportamento será trabalhado; qual será a hierarquia das dicas utilizadas; quais os tipos de dicas e qual são os critérios para apresenta-las (Martin e Pear, 2009). A hierarquia de dicas compreende ao nível de ajuda que será disposto ao indivíduo durante a realização das atividades realizadas em prol do aprendizado de determinado comportamento, em geral elas são dividas em três níveis gerais, sendo estes; independente para aquelas menos intrusivas, intermediárias e as com máxima intrusão do aplicador, nas quais há a presença do uso de controle ( Andery, 1990). A escolha dos níveis e do quanto as dicas serão intrusivas é de escolha do analista, este tendo como base para tanto o que observa frente às habilidades comportamentais do indivíduo e a dificuldade de aprendizagem da habilidade que será trabalhada (Barba, 2001). 7 Concepções essenciais do Ensino Por Tentativas Discretas O termo DTT refere-se a uma das metodologias de ensino usadas pela ABA, o Ensino por Tentativas Discretas (Discrete Trial Teaching – DTT). Essa metodologia baseia-se em um formato estruturado, comandado pelo analista e dividida em sequências de aprendizado que são caracterizadas pelo ensino através de passos discretos, pequenos, que são ensinados um a um durante séries de tentativas em conjunto com a utilização de Reforçamento Positivo (Recompensas) e o grau de ajuda que for necessário para que a criança alcance o objetivo final (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Por exemplo, quando você foi aprender a dirigir – provavelmente você não começou entrando no carro e tomando o rumo de uma rodovia. De certo que, inicialmente, aprendeu as coisas mais simples como para que serviam cada um dos pedais e como dar a partida, posteriormente, como dar seta e alterar as marchas. No começo você possivelmente dirigia em lugares com menos movimento, em vias dentro da cidade e, conforme melhorava suas habilidades, passou a dirigir em rodovias e estradas onde velocidade e habilidades maiores eram necessárias. Nesse caso, podemos interpretar que elogios provindos de terceiros a respeito de sua habilidade como motorista e a facilidade de locomoção que possivelmente obteve funcionariam como reforçadores positivos (Duarte, Silva e Velloso, 2018). O DTT é, por vezes, usado como sinônimo de ABA, entretanto é importante compreender que não se trata da mesma coisa. Enquanto a ABA representa um conjunto de estratégias utilizadas no ensino e manejo de comportamento, o DTT é uma das estratégias dentro deste conjunto (Martin e Pear, 2009). Comportamento Verbal: VB ou ABA? Dentro da compreensão do Behaviorismo a linguagem também é um tipo de comportamento que é adquirida através da influência de reforçadores. A esse 8 respeito, Skinner publicou em 1958 o livro “O comportamento Verbal”, no qual descreve que o aprendizado da linguagem se dá através da realização de associações e reforçamento, o que foi uma grande mudança dentro do âmbito científico, considerando que, até então, acreditava- se que a linguagem fosse autogenerativa e inata (Skinner, 2000; Skinner, 1993). Tendo como exemplo, o aprendizado de um indivíduo bebê que ao emitir determinado som como “maa” será reforçado por sua mãe, através de um sorriso e um abraço, o que aumenta a probabilidade de que este bebê volte a emitir o mesmo som buscando os reforçadores atribuídos a ele. A aprendizagem da linguagem, portanto, se daria através da associação do som emitido a um reforçador (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Um conjunto de termos foi criado por Skinner de modo a descrever as diferentes unidades funcionais de linguagem – “operantes verbais”. As categorias dividem-se em Mundo, Tato e Intraverbal, as quais Skinner considerava ser imprescindível o aprendizado de todas antes que o indivíduo pudesse realmente compreender e utilizar da palavra como parte de sua linguagem. Com relação a isso é importante ainda destacar que, embora Skinner tenha utilizado o termo Comportamento Verbal (Verbal Behavior – VB), essa mesma compreensão é aplicável a quem utiliza de sistemas de linguagens de sinais ou comunicação aumentativa (Skinner, 2000; Skinner, 1993). Atualmente observa-se que muitos profissionais descrevem fazer uso das práticas de VB, mas não de ABA. A esse respeito é importante compreender que não há diferença entre estes, considerando que, o Comportamento Verbal é o ensino da linguagem seguindo aspectos descritos pela análise do comportamento aplicada, portanto, também sendo ABA (Moreira; De Medeiros, 2018). No que diz respeito aos profissionais atuantes e pesquisadores dessa área, é importante citar os nomes de Jack Michael, Mark Sundberg, James Partington, Vince Carbone e Patrick McGreevy. O livro “Teaching Language to Children with Autism or Other Developmental Disabilities” (Ensinando linguagem para crianças com autismo ou outras deficiências de desenvolvimento) escrito por Sundberg e Partington, ainda não possui tradução para o português, mas se dá como um material amplamente utilizado atualmente no que diz respeito à orientação das pessoas na estruturação de programas de Comportamento 9 Verbal. Esse livro possui ainda um suplemento, o “Assessment of Basic Language and Learning Skills” (Avaliação de habilidades básicas de linguagem e aprendizagem), abreviado para “ABLSS”, que funciona como guia curricular, método de avaliação e um instrumento para monitorar a aquisição de habilidades (Duarte, Silva e Velloso, 2018; Andery, 1990). Generalização: Função quanto a ABA O objetivo principal do método ABA é que, através do aprendizado que ocorre na sessão um-para-um, o indivíduo possa generalizar esses comportamentos emitidos durante as sessões para situações do dia a dia, como na escola ou em casa. Na medida em que o indivíduo alcança a generalização é possível que esteja apto a ser inserido em uma sala de aula ou em uma brincadeira que permita contato com outras crianças (Hora et al, 2015). Conforme ocorra progresso dentro das sessões individuais, a criança pode vir a “aprender incidentalmente”, assimilando aspectos como linguagem, habilidades e conceitos que não são diretamente ensinadas durante o período das sessões. Um bom currículo de ABA colabora para o alcance da generalização de habilidades, da assimilação da criança, na medida em que apresenta equilíbrio entre uma variedade de atividades como trabalho de mesa; brincar; motora fina; motora ampla, etc;e uma variedade de professores e terapeutas (Martin e Pear, 2009). Exemplos de Programa ABA Um programa ABA é composto por diversos elementos. O currículo utilizado com cada sujeito é dividido em programas, que são como categorias, referentes a determinados grupos de habilidades como pessoais; sociais; de linguagem; acadêmicas, etc., e organizadas em níveis de dificuldade de modo que se inicie por habilidades simples e em seguida as use para desenvolver atividades mais complexas. Os programas escolhidos para o trabalho formam o currículo que será utilizado ( Andery, 1990). 10 Um programa de Linguagem Receptiva, por exemplo, abrangerá apontar para objetos quando for solicitado; seguir instruções de um passo e apontar partes do corpo. Quanto a Habilidades de Imitação irá abranger a imitação de ações motoras simples, finas e ações com objetos. As habilidades voltadas para cuidados especiais, por sua vez, irão envolver ações como tirar as roupas, utilizar os talheres e ir ao toalete (Hora et al, 2015). Uma vez que os programas são selecionados, as formas como todos devem utiliza-lo são estabelecidas, envolvendo instruções que devem ser ditas, materiais utilizados e as respostas que podem ser aceitas. Para ajudar nessa tarefa uma terminologia é adotada, nas quais nos deparamos com os termos estímulo discriminativo; tentativa; resposta; reforçador; ajuda; estímulos; aula; domínio; dados e método (Hora et al, 2015). • O estímulo discriminativo ou SD é o termo utilizado para se referir à instrução inicial, o comando que é passado à criança. O SD trabalha de modo a especificar a fala e apresentar os materiais que serão utilizados e, por vezes, é descrito como antecedente. • As tentativas descrevem uma unidade básica do programa individual e que são usadas durante as sessões, representam uma sequência completa de apresentação de SD, obtenção de resposta (utilizando quanta ajuda for necessária) e reforçamento finalizando a sequência. • A resposta descreve as que eram esperadas e aquelas que são aceitáveis. • O reforçador diz respeito aos estímulos reforçadores, abreviados para SR+. Também é descrito como reforçamento ou consequência e deve ser inserido no contexto logo em seguida a resposta da criança. • A ajuda ou dicas são um auxilio suplementar dados pelo analista e podem ser usadas antes e durante a execução de um comportamento. • Os estímulos são um conjunto de materiais, ações, itens e etc., utilizados dentro de um programa especificam, como, por exemplo, figuras de animais e blocos de montar. • A aula diz respeito ao tempo utilizado com a criança dentro de determinado programa. Quando descrita por quem prefere utilizar de linguagem terapêutica é comumente denominada sessão. • O domínio define quando a criança aprendeu determinada 11 habilidade e está pronta para seguir adiante. Muitos vêm aderindo ao termo “fluência” dentro das pesquisas de Comportamento Verbal, definindo um aprendizado de 100%, correto e rápido, enquanto outras preferem com o tradicional que coloca domínio como 80% de melhora, considerando três sessões sucessivas de dez tentativas cada. • Os dados são um registro das respostas da criança frente a cada SD, as quais são indicadas com um símbolo na folha de registro: ‘+’ para respostas corretas; ‘-‘ ou “x” para incorretas; NR ou SR para quando a criança não responder e ‘A’ ou ‘S’ para aproximação sucessiva. Dá-se por aspecto de extrema importância dentro do método ABA, considerando que, sem um registro, não é possível ter uma visão meticulosa do desenvolvimento da criança, o que não permite saber a hora de seguir para outro programa. • O método diz respeito a qualquer apresentação especial relacionado a materiais, lugares e estruturas utilizadas no processo. Uma vez que se compreende a terminologia utilizada fica mais fácil o entendimento do exemplo a seguir, o qual demonstra a utilização da ABA no ensino a uma criança com transtorno do espectro autista a partir de um programa de imitação de um currículo inicial. Observe o exemplo na imagem a seguir: Figura1 – Utilização de ABA usando programa de imitação de currículo inicial com método de aprendizagem sem erro. Imagem retirada de “ABA – Help us to learn”. Fonte: Hora et al, 2015 A utilização da ABA nos dias atuais e a formação de profissionais 12 para essa prática Desde o início da utilização da ABA e dos estudos publicados por Lovaas, o método continua sendo considerado como uma maneira eficiente dentre as possibilidades de tratamento para indivíduos com desenvolvimento atípico. Entre as variáveis que abrangem o nível de eficácia de suas intervenções encontra-se o período em que ocorre o início do processo, se quando o indivíduo ainda está no início da infância ou, posteriormente, ainda criança ou adulto e o caráter intensivo da intervenção (Martin e Pear, 2009). O processo interventivo que faz uso da ABA utiliza de diversos procedimentos realizados durantes horas seguidas no decorrer da semana do indivíduo e requer uma gama de profissionais aptos para que a intervenção possa ser realizada da maneira adequada. Uma equipe que envolve agentes de ensino, diferentes terapeutas, professores, familiares e/ou cuidadores participam ativamente do processo. Entre estes dois papéis se destacam: o do Supervisor ou Coordenador, o qual é responsável pelo planejamento e supervisão das estratégias que serão utilizadas e as decisões clínicas e o papel dos profissionais Aplicadores, responsáveis por aplicar ativamente os programas, executar a intervenção. A contratação de ambos profissionais é essencial, considerando que, em geral, os Supervisores são aqueles com mais experiência ou conhecimento a respeito de AC e ABA ficam responsáveis pelo manejo dos programas que serão utilizados, enquanto os Aplicadores possuem menos experiência na área (Martin e Pear, 2009; Barba, 2001). Inicialmente com o aumento da busca por profissionais que prestassem serviços frente à aplicação da ABA, uma lacuna entre demanda e oferta foi se estabelecendo, e novas propostas para intervenções frente à indivíduos com desenvolvimento atípico foram surgindo, entretanto sem uma quantia suficiente de evidências cientificas comprovando sua eficácia. Com este crescimento de demanda, crescia também a necessidade de informação a respeito dos critérios adotados para a qualificação do profissional que trabalha com o método ABA de modo que o contratante do serviço pudesse estar apto a escolher um bom profissional do campo (Martin e Pear, 2009). Muitas pessoas começaram a prestar serviços sob o rótulo de “analistas ou especialistas do comportamento”, ainda que sem experiência ou formação 13 específica referente à área, se apropriando de técnicas e procedimentos da análise do comportamento sem a preocupação anterior de se apropriar de conhecimentos voltados aos princípios teóricos que embasavam as técnicas utilizadas na prática (Moreira; De Medeiros, 2018). Enquanto, alguns como Michael (1980, apud Da Hora, 2015) se posicionavam contra essa prática, defendendo que o distanciamento entre formação teórica e aplicação era negativo para o desenvolvimento do campo, outros como Baer (1981, apud Da Hora, 2015) defendiam o oposto, apontando as diferentes formações dos profissionais como um aspecto positivo para a análise do comportamento, frisando ainda sua importância, considerando o benefício frente ao número de aplicadores dos princípios da AC frente às necessidades emergenciais da sociedade (Barba, 2001). Em meio a essas discussões a respeito da formação, o número de indivíduos trabalhando com análisedo comportamento em serviços de aplicação que não apresentavam programas de pesquisa que os embasassem crescia e percebeu-se com isso a necessidade da criação de um parâmetro objetivo para a aplicação da prática. Com isso, em 1984 na Flórida, foi criado um programa de certificação regional, oferecido pela Midwest Association for Behavior Analysis (MABA), que credenciava os profissionais com formação em AC ou áreas afins. Com o crescimento da busca pela certificação outros estados se associaram a este sistema que buscava padronizar as habilidades e competências necessárias para o profissional da área de modo que pudesse atuar de modo eficaz (Martin e Pear, 2009). Ainda assim, não havia um consenso entre os sujeitos envolvidos com o campo da análise comportamental a respeito do que seria o conteúdo essencial para a formação do profissional desta área. Somente no ano de 1998, após diversos estudos de “Job-analysis and survey” (Shook, Hastifield e Heminghway, 1995) e outras certificações regionais que a função foi centralizada, atingindo âmbito nacional e, posteriormente, internacional. Desse modo, aqueles que queriam atuar no campo deveriam preencher requisitos quanto à formação teórica e experiência prática, propostos pelo Board Certification on Behavior Analysis (BACB) e serem aprovados em um exame escrito de conteúdo referente às tarefas normatizadas e definidas por esta instituição. Dessa maneira, aqueles que consumiam os serviços baseados em ABA passaram a ter um meio formal 14 de identificar o profissional que possuía requisitos para uma boa prática profissional neste âmbito (Lindegren, 1982). No Brasil, por sua vez, essa discussão é recente, considerando que a necessidade de operacionalizar as competências dos analistas de comportamento se deu pelo aumento de demanda frente a serviços voltados ao indivíduo com desenvolvimento atípico e é conduzida pela comunidade analítico- comportamental do país (ABMPC), o qual propõe competências mínimas para a aplicação da ABA, compreendidas de modo geral, considerando demandas da vida prática, e não voltado particularmente a indivíduos com TEA ou atraso no desenvolvimento (Millenson, 1975). Atualmente no Brasil, o profissional deve ser submetido à comissão avaliadora que comprovará aspectos relacionados à experiência e formação dentro dos critérios para receber o Selo de Qualidade em Análise do Comportamento. Essa submissão à avaliação representa uma possibilidade para o desenvolvimento da AC no país, considerando que estimula o constante aprimoramento dos profissionais e protege os consumidores dos serviços prestados por profissionais atuantes do método ABA (Millenson, 1975). Dicas para intervenção baseadas em ABA As dicas consistem em um auxilio necessário que é oferecido ao indivíduo , visando aumentar a probabilidade de acerto de determinada resposta. As dicas, portanto, são adicionadas ao ambiente como um SD (estímulo discriminativo) complementar aos demais estímulos que se apresentam a fim de resultar na apresentação da resposta alvo, o que aumenta o controle dos estímulos sobre os antecedentes importantes que estão presentes na instrução (Moreira; De Medeiros, 2018; Luna, 1999). Em um contexto tradicional de aprendizagem, o indivíduo tem chances iguais de responder o que lhe é questionado de forma correta ou incorreta, obtendo frente a isso reforçamento diferencial, ou seja, sendo reforçado somente diante respostas corretas, o que aumentará a probabilidade de sua frequência e diminuirá as de respostas incorretas. De certo que, durante avaliação, os erros colaboram no sentido de que indicam qual o repertório de base do indivíduo frente a seu processo de aprendizagem ou desenvolvimento. Entretanto, 15 devemos observar que a presença dos erros, no contexto educacional, pode vir a interferir na precisão e manutenção de habilidades que já foram aprendidas; resultando em comportamento de fuga e esquiva, da tarefa e do analista; recusa a participar do que está na demanda e em respostas emocionais comuns a ambientes com a presença de controle de estímulos aversivos, apresentando desagrado (Kerbauy, 1999). Tais efeitos indesejáveis podem ser mais prováveis, considerando individuos com desenvolvimento atípico, dado aos repertórios com pouca variabilidade comportamental. Neste caso, se a produção de erros se torna parte da sequência do aprendizado de uma nova tarefa, esse padrão possivelmente irá se manter e o individuo não terá acesso aos reforçadores, aumentando as chances de entrar em contato com efeitos negativos do erro (Luna, 1999). O uso de dicas é utilizado, portanto, tanto com indivíduos de desenvolvimento atípico quanto típico, como uma prevenção a ocorrência de erros durante sequências de aprendizado. Estudos a esse respeito descrevem que não há necessidade da presença de erros para que o indivíduo aprenda a realizar discriminações, pois isto está relacionado ao procedimento adotado para o ensino. De modo geral, contingências de ensino que favorecem ocorrência de erros podem ser desmotivadoras tanto para o individuo quanto para o analista, sendo menos eficientes, especialmente para individuos que apresentam histórico de fracasso escolar ou dificuldades de aprendizagem e pode resultar em emoções aversivas frente ao processo, o que é incompatível com um processo de excelente aprendizagem (Lindegren, 1982). No caso de individuos com desenvolvimento atípico esse método se apresenta sendo muito importante, visto que indivíduos dessa população apresentam, às vezes, dificuldade no aprendizado de novas habilidades por imitação e responder diante controle de aspectos relevantes da tarefa, precisando, por vezes, de ensino intensivo que é maximizado através do uso de dicas em contingências de ensino (Luna, 1999). A inserção das dicas no processo de aprendizagem denomina-se paradigma da aprendizagem sem erros, visto que propõe o acontecimento da aprendizagem através de condições em que a probabilidade da presença de erros seja minimizada e a presença de estímulos reforçadores que aumentem a motivação do individuo sejam maximizadas. Esse paradigma colabora para que 16 o processo de ensino seja positivo para o analista e para o individuo , representando ainda uma economia no tempo desprendido para ensino, uma vez que menos tempo é disposto para correção de erros (Moreira; De Medeiros, 2018). Tipos de dicas Para diferentes tipos de habilidades e diferentes indivíduos, são usados também diferentes tipos de dicas. Geralmente, procedimentos de ensino sem erro são utilizados para a aprendizagem de discriminações simples ou condicionais, entretanto Green (2001, apud Duarte; Coltri e Silva; Velloso, 2018), descreve que métodos de discriminação sem erros devem ser utilizados para o ensino de todos os tipos de habilidades para individuos com desenvolvimento atípico, considerando que basicamente todas as habilidades envolvem discriminação (Kerbauy, 1999). O tipo de dica é classificado considerando a alteração que o estimulo suplementar sofre para ter controle sobre a resposta, sendo denominado de dica intraestímulo ou dica extraestímulo quando se soma um estímulo externo ao antecedente e a resposta (Luna, 1999). As dicas intraestímulo dizem respeito aquelas às quais sofrem transformação direta quanto ao evento do ambiente que será discriminado, através da alteração gradativa das características físicas do estimulo, seja em dimensões como cor; forma; tamanho, ou frente a uma diminuição das diferenças entre os estímulos de discriminação inicial e final, considerando, por exemplo, mudanças no formato; linhas para letras impressas, entre outros aspectos (Kerbauy,1999). As dicas extraestímulos, por sua vez, são adicionadas ao antecedente e são externas ao SD e também a resposta a ser emitida pelo individuo . São classificadas conforme o modo que se apresenta, o que irá depender do comportamento do analista, considerando que é ele quem se comporta de modo a adicionar a dica controladora ao ambiente. Essa classificação se divide em cinco categorias que são explanadas a seguir, sendo estas (A) ajuda física; (B) modelação; (C) ajuda gestual; (D) ajuda verbal e (E) ajuda visual. A única categoria independente ao analista se dá pelas dicas contextuais, visto que 17 essas consistem em outros pontos do ambiente físico que podem exercer a função de dica (Lindegren, 1982). As dicas físicas conduzem o individuo quando ele não sabe responder por meio de outras dicas que sejam menos intrusivas, como modelação ou dica gestual, e são comumente utilizadas para ensinar habilidades que envolvem movimentos motores com diferentes níveis. Apresentam-se em duas categorias (Martin e Pear, 2009): • Dica física total: Nesse modelo, ajuda-se o individuo a realizar todo o movimento, assegurando a obtenção de uma resposta correta. Por exemplo, diante a situação “dar tchau” o aplicador coloca sua mão sob a do individuo , realizando o movimento referente. • Dica física parcial: A ajuda neste caso visa conduzir o individuo até a realização do movimento, mas fornecendo o mínimo de ajuda possível. Por exemplo, na situação “dar tchau” o aplicador apenas toca levemente o cotovelo do individuo , estimulando que ele estenda o braço e emita uma resposta compatível com “tchau”. A modelação consiste em apresentar, total ou parcialmente, modelos da resposta correta. É utilizado quando dicas verbais ou visuais não são suficientes para a emissão da habilidade alvo de modo correto (Duarte, Silva e Velloso, 2018). • O modelo completo se dá por uma apresentação integral de um modelo da resposta alvo. Por exemplo, ao ensinar que uma atividade seja interrompida, o aplicador diz “pare, por favor”, sendo esta a apresentação do modelo linguístico a ser seguido. • O modelo parcial envolve apresentação de apenas uma parte do modelo da habilidade praticada. No caso de pedir pela interrupção da atividade, por exemplo, o analista dirá apenas “pa...”, enquanto olha para o individuo demonstrando expectativa frente sua resposta. Nas dicas gestuais há a apresentação de gestos que auxiliem na realização da resposta, sem encostar-se ao individuo ou acenar ou apontar para os estímulos relacionados, fazendo, por exemplo, um sinal de “pare” com a mão aberta e dedos esticados para auxiliar no pedido de interrupção da lição. Em dicas verbais, por sua vez, há a emissão de pistas; comandos; perguntas ou instruções vocais que podem variar de grau de intensidade, sendo mais ou 18 menos intrusivas, de modo que o individuo apresente a resposta correta. Por exemplo, caso a resposta desejada seja “galinha”, podem ser apresentadas dicas como “é um animal que faz cocorocó”; “começa com ga”, entre outras. A ultima categoria que depende do analista, se dá pelas dicas visuais/textuais nas quais há a apresentação de estímulos variados em 2D (figuras, imagens, objetos, palavras ou instruções impressas) para auxiliar o individuo na emissão da resposta correta, considerando sempre que devem ser simples e considerar o desenvolvimento do individuo em questão (Lindegren, 1982). As dicas contextuais, independentes do aplicador, são relacionadas ao ambiente físico e são organizadas de modo aumentar o controle do estimulo sobre a resposta desejada, sendo exemplos o reposicionamento físico de estímulos reforçadores ou a diminuição de estímulos que possam ser comparados de modo correto ou distratores, para perto ou longe do individuo . É importante citar ainda as que são denominadas dicas inadvertidas que são eventos ambientais que não foram previamente planejados, mas que podem exercer poder sobre a resposta e atrapalhar a aprendizagem. A esse respeito o analista deve emitir comportamentos que evite o estabelecimento destas, mantendo expressões neutras; o olhar sob o individuo e organizando estímulos de modo que ele e os estímulos estejam em uma distância aproximada a dele e do individuo (Martin e Pear, 2009). Como escolher a dica e saber o tempo de utilizá-la em intervenção A escolha das dicas que serão utilizadas irá depender das necessidades e características de aprendizagem de cada individuo em particular. Deve-se escolher um tipo de dica que compreenda as demandas do indivíduo e suas características particulares, considerando que é possível haverem respostas diferentes a um mesmo tipo de dica. É interessante para tanto que o aplicador controle aspectos relacionados à responsividade do individuo frente a diferentes tipos de dica, escolhendo a que mais viabilizou o aprendizado de modo efetivo e com um número mínimo de tentativas ( Andery, 1990). No que diz respeito ao tempo de uso das dicas, é interessante que sua utilização seja aos poucos esvanecida, evitando criar dependência desta, e a substituindo o controle antes atribuído à dica para um SD que irá controlar a 19 resposta, assim que o analista compreender que é possível (Kerbauy, 1999). Observa-se que as dicas apresentadas por outra pessoa, em especial indivíduos adultos, são difíceis de serem esvanecidas, particularmente as dicas verbais. Por esse motivo, é importante seu esvanecimento tão logo quanto possível e atenta-se aos meios para evitar que o indivíduo fique dependente de sua presença para apresentar as respostas desejadas. Existem estratégias que, se seguidas, evitam que ocorra a dependência da dica como criar rotinas de atividade e apresentar outras dicas não verbais (Millenson, 1975). Com a criação de rotinas, ensina-se ao individuo a criação de agendas das atividades com estímulos textuais, como fotos ou palavras impressas, que auxiliem na sequência de uma determinada resposta quando não houver instrução ou supervisão de um adulto. A princípio haverá alguém posicionado atrás do individuo , fornecendo dicas não verbais, e reforçando diante respostas corretas de modo que o individuo aprenda a emitir respostas de observação frente ao que representa uma etapa ou ação especifica, completar uma etapa ou ação, virar a página do aparato e, por fim, repetir o processo com o que estiver apresentado em seguida. Assim que for possível, essas dicas físicas devem ser esvanecidas e, posteriormente, a presença e proximidade do adulto também, alterando o esquema de reforçamento para intermitente e contingente as respostas independentes (Luna, 1999). A apresentação de dicas não verbais envolve a apresentação de dicas textuais para o ensino de habilidades como autocuidado, acadêmicas, vocacionais e de interações sociais; de dicas táteis e dicas auditivas automatizadas que são verbais, mas apresentadas por dispositivos e apresentam esvanecimento sistemático, podendo também ser utilizada com individuos que ainda não aprenderam a ler ( Andery, 1990). Para evitar que o individuo fique dependente de determinas dicas é importante ainda estar atento para alguns princípios gerais como a respeito do quão intrusiva é dica, considerando que as dicas são consideradas melhores quanto menos intrusivas são. O tipo e a intensidade podem ser definidos a partir decididos considerando habilidades e características do individuo , atentando-se ainda ao fato de que dicas visuais e gestuais são menos intrusivas que a modelação e todas são menos intrusivas que dicas físicas (Millenson, 1975). O tempo de uso da dica é um principio imprescindível de estar atento de20 modo a evitar dependência, devendo sempre utiliza-las o mínimo possível e iniciar o processo de esvanecimento assim que possível. Para tanto, é interessante realizar o que são denominados blocos de sondagem, momento no qual são realizadas tentativas para compreender o quanto o aprendizado se desenvolveu e ocorre sem o uso de dicas ou se a resposta desejada está sob o controle de uma dica menos intrusiva. Além desses aspectos, pode-se manipular o esquema de reforçamento, tornando o esquema intermitente e, se necessário, alterando a magnitude dos reforçadores de modo que gradativamente apenas respostas independentes a dicas sejam pareadas a reforço (Martin e Pear, 2009). Sistema de dicas e tipos Sistema de dicas diz respeito ao procedimento que deve ser realizado para apresentar ou remover qualquer espécie de suporte, visando o aumento da probabilidade de respostas corretas. Basicamente, se dá por um conjunto sequenciado de respostas que possibilitam ao aplicador que as dicas sejam implementadas da maneira correta durante o processo de aprendizado. Esses sistemas são variados e o aplicador deve optar pelo qual mais se adequa as características de aprendizagem do individuo em questão e a habilidade que está se visando ensinar (Kerbauy, 1999). Antes da implementação de qualquer sistema de dica é imprescindível estar atento aos componentes críticos que os envolvem e que devem estar claros para que a utilização do sistema seja efetiva, sendo eles o antecedente que se dá pelo SD e a instrução da tarefa, ou seja, é a situação na qual se espera que o individuo emita a habilidade alvo; a habilidade alvo que correspondente à resposta, ao comportamento, que o individuo deve aprender a emitir sempre que necessário e a consequência que se dá como um evento ambiental apresentado pelo aplicador após a emissão da resposta pelo individuo , esta sendo reforçada em caso de resposta correta e posta sob implementação de procedimentos de correção de erro diante respostas incorretas (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Os tipos de sistema de dicas dizem respeito às características especificas de cada um destes, os quais devem sempre ser utilizados de modo a ser um 21 suporte mínimo para garantir as respostas corretas, sendo iniciado esvanecimento assim que possível. Os sistemas de dicas se dividem em: Apresentação simultânea da dica; atraso de tempo constante; atraso de tempo progressivo; apresentação das dicas da menos para a mais intrusiva; apresentação das dicas da mais para a menos intrusiva; fading flexível da dica; orientação graduada e não, não, dica (Hora et al, 2015). • A apresentação simultânea da dica ou SP – Simultaneous Prompting, envolve a apresentação das dicas ao mesmo tempo em que ocorrem os eventos antecedentes, sendo, portanto, SD + dica – demanda. Para tanto, são utilizadas dois tipos de sessões, as de treino e as de sondagem. Durante o treino a dica aparece pareada ao antecedente e a demanda, já na sondagem as dicas não são fornecidas, possibilitando compreender se a aprendizagem está sendo efetiva. • O atraso de tempo constante ou CTD – Constant Time Delay consiste na apresentação imediata da dica durante um tempo determinado de tentativas, sendo apenas uma dica usada durante todo o processo. Após as tentativas determinadas, a dica passa a ser apresentada depois de um tempo fixo de intervalo após o SD, usualmente cerca de 4 segundos. Esse intervalo permanece até que se atinja o objetivo de aprendizado seja alcançado, quando a criança não espera pela dica, responde antes e, como consequência, é reforçado antes. • O atraso de tempo progressivo ou PTD – Progressive Time Delay inicia com a apresentação de imediata e simultânea do SD e a dica durante um número previamente determinado de tentativas, usando apenas um tipo de dica, assim como no CTD. Depois de um número especifico de tentativas, o intervalo entre SD e dica aumenta de modo progressivo, variando entre 1 a 8 segundos. Esse tipo de sistema possibilita que a criança possa responder corretamente independentemente da dica. • A apresentação das dicas da menos para a mais intrusiva ou LTM – Least To Most também é conhecido como “sistema de dicas mínimas” e “assistência crescente”, pois o analista inicialmente dá uma oportunidade para que o individuo responda sozinho, sem dicas, o que pode favorecer respostas espontâneas. Caso o individuo não responda, o analista auxilia apresentando dicas que tem sua sequência partindo das que serão minimamente intrusivas, 22 ainda que auxiliem a emissão da resposta correta. • A apresentação das dicas da mais para a menos intrusiva ou MTL – Most To Least consiste em apresentar uma dica de controle, a que apresentar maior nível de suporte e na medida em que ocorrem as tentativas, o analista vai esvanecendo o nível de dica até que ela seja removida. • O fading flexível da dica ou FBF – Flexible Prompt Fading é parecido com o MTL na medida em que também apresenta esvanecimento gradativo de dicas, desde as mais intrusivas até as menos intrusivas. O que difere são os critérios adotados para a ocorrência desde esvanecimento, visto que enquanto no MTL o esvanecimento segue critérios fixos previamente definidos, no FBF ele é definido através do julgamento do analista a cada tentativa de ensino que se realiza. • A orientação graduada ou Gratuated Guidance é utilizada para ensinar comportamentos que precisem de assistência física, assim como comportamentos motores encadeados. Assemelha-se ao FBF na medida em que considera o julgamento do analista como determinante quanto ao nível de auxilio que o individuo deve receber em cada tentativa. Geralmente, inicia-se com dicas mais intrusivas que vão sendo esvanecidas pelo aplicador. • O não, não, dica ou No-No Prompting se inicia com feedbacks verbais do analsita, sendo um máximo de duas vezes consecutivas, para, posteriormente, apresentar uma dica controladora para a emissão da resposta correta. Essa sequência é utilizada até três vezes antes que se mude a tarefa ou se interrompa a tentativa de ensino. Neste sistema o individuo pode cometer até dois erros antes de emitir uma resposta correta e receber reforço. Ainda que seja um sistema que tem se mostrado efetivo no ensino a crianças com desenvolvimento atípico, é interessante o analista priorizar outros sistemas que enfatizem o aprendizado sem erros ou com o mínimo possível de erros, considerando que a possibilidade da ocorrência de erros e o atraso no reforçador podem frustrar ou confundir o individuo , diminuindo sua motivação para responder. Para a apresentação das dicas deve-se primeiramente organizar quais serão as condições de ensino, categorizando-as em três etapas que envolvem planejamento, implementação e o monitoramento (Duarte, Silva e Velloso, 2018). 23 Planejamento Para a realização do planejamento, são necessárias oito etapas que envolvem a definição do comportamento/ resposta alvo; a definição do estimulo discriminativo; seleção de demanda para a realização da tarefa; seleção de reforçadores; identificar atividades e situações de ensino; definir a quantidade de níveis de hierarquia de dicas; definição dos tipos de dicas que serão utilizadas e definir critérios para a aprendizagem e a apresentação das dicas (Martin e Pear, 2009). Na primeira etapa do planejamento, a atenção se volta a definir qual é o comportamento, qual resposta alvo, o individuo precisa aprender e descreve-lo de modo operacional, sendo, portanto, mensurável, observável e especifico. O que será ensinado pode envolver respostas discretas, desencadeadas ou classes de respostas, as quais correspondem a um conjuntode respostas que possuem a mesma função sendo, por exemplo, conversar com colegas ou dar início a interações sociais (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Além disso, deve-se também ser definido nesta etapa qual tipo de tarefa será realizada para a ocorrência da resposta alvo, podendo esta ser discreta ou encadeada. A diferença entre elas se dá pelo fato de que enquanto tarefas discretas requerem uma única resposta e sua duração é curta, tarefas encadeadas exigem mais respostas individuais que, sequenciadas, foram um comportamento mais complexo. É importante ainda que, nesta etapa, o analista defina o número e a sequência que definem a cadeia comportamental; em qual direção será ensinada, se de frente para trás ou vice-versa, e se irá ensinar um passo de cada vez ou todos de uma vez (Hora et al, 2015). A segunda etapa corresponde à definição do estímulo discriminativo, ou seja, o evento ambiental que se apresenta antes da emissão da resposta alvo e que tem a função de exercer controle a esse respeito, sem que seja adicionada a presença de dicas ou instruções do analista . A presença deste estímulo é o que define a condição em que o individuo poderá acessar reforçadores, caso a resposta alvo seja emitida de modo correto (Hora et al, 2015). A fim de tornar mais simples a identificação do estímulo discriminativo e o 24 planejamento de contingências de ensino, é interessante atentar-nos as três categorias em que foi dividido, sendo evento natural para eventos que já estão presentes e não precisam que o analista interfira como, por exemplo, o comportamento de lavar as mãos diante o estimulo discriminativo de ter os dedos sujos de tinta, após uma atividade de pintura; conclusão de um evento ou atividade se apresenta diante ao final de atividades, sendo estimulo para guardar os materiais ou limpar o local, começar um trabalho seguinte ao término do primeiro, entre outros exemplos, e sinal externo que diz respeito aos sinais do ambiente que são programados ou acionados para que o individuo saiba quando emitir determinado comportamento, tal como um despertador avisa que é hora de acordar ou o sinal escolar sinaliza o final de uma aula e início de outra (Martin e Pear, 2009). A terceira etapa envolve a seleção de instruções ou demandas para a realização da tarefa que foi escolhida, para tanto, o analista define qual será a instrução ou demanda que será passada ao individuo de modo que ele complete a tarefa e apresente o comportamento-alvo. A instrução do analista diz quando o comportamento deve ser emitido e apresenta como função aumentar o controle de estímulos para o SD de modo que o individuo possa aprender quais condições determinam a presença do reforço. Por exemplo, aprender que para receber o reforço “lanche” o comportamento-alvo deva ser “lavar as mãos”. As instruções podem ser apresentadas no começo das tentativas de ensino, mas também podem ser dispostas a cada etapa para quais foram preparadas dicas para serem apresentadas, nesse caso, instruindo o individuo diante erro ou ausência do comportamento-alvo (Duarte, Silva e Velloso, 2018). A quarta etapa, selecionar reforçadores, diz respeito a que para que se efetue o aprendizado é necessário reforçar as respostas corretas. Portanto, devem-se selecionar reforçadores, o mais natural possível e relacionado a tarefa realizada, e apresenta-lo de modo contingente as respostas corretas apresentadas pelo indivíduo. Esses itens reforçadores são selecionados através de modo indireto, questionando os pais ou cuidadores através de entrevistas ou questionários, ou através de modo direto, observando o que reforçou o individuo no passado (Hora et al, 2015). Identificar atividades e situações de ensino se apresenta como a quinta etapa do processo de planejamento. Nesse ponto, o analista deve levantar junto 25 às pessoas que convivem com a criança em que situações cotidianas ela irá fazer uso do comportamento-alvo e buscar oportunidades em que seja possível incorporar situações de ensino, além das que foram previamente planejadas. Esse levantamento permite ainda que se decida quem irá ser o responsável e/ou irá participar ativamente da implementação do sistema de dicas nas situações de aprendizagem. Usualmente, habilidades relacionadas ao autocuidado podem vir a ser mais fáceis de obter aproveitamento por diferentes sujeitos de ensino, aumentando a possibilidade de aprendizagem e generalização do comportamento-alvo (Martin e Pear, 2009). Posteriormente, realiza-se a sexta etapa que envolve a seleção da quantia de níveis da hierarquia de dicas, definindo-as através do que o analista observa frente às habilidades do individuo , a natureza da tarefa, o tempo disponível para ensinar o comportamento-alvo e o tipo de sistema de dicas escolhido. De modo geral, são postos três níveis de hierarquia para as dicas e a variabilidade no número de níveis fica entre três e cinco. Esses níveis devem ser preparados de modo a ter um nível em que as dicas sejam de nível independente, ou seja, o menos intrusivas quanto for possível, níveis intermediários e níveis maximamente intrusivos, sendo estas com presença de controle. A definição das extremidades nos níveis de dicas dependerá do tipo de dicas que o analista escolheu e do tipo de atividade que será realizada, qual o nível de dificuldade de aprendizado do comportamento-alvo, pois quanto mais fácil esse for, menor será a hierarquia de dicas (Duarte, Silva e Velloso, 2018). No que concerne ao tempo disposto para o aprendizado, percebe-se que quanto maior o nível de hierarquia, maior o tempo necessário para o ensino, principalmente no começo e, portanto, ao escolher esses níveis o analista deve estar atento também ao tempo que o individuo dispõe e quanto tempo de ensino será necessário. É importante ainda considerar aspectos relacionados à obtenção do reforço, considerando que, quanto mais níveis de hierarquia de dicas, mais tempo o individuo irá precisar esperar para receber suporte, acertar e receber o reforço, o que pode resultar em diminuição do nível de motivação do indivíduo e levar a possíveis comportamentos disruptivos como estereotipias ou respostas que indiquem diminuição da atenção e controle aversivo (Hora et al, 2015). A sétima etapa volta-se para a definição dos tipos de dicas que serão 26 utilizadas para o ensino do comportamento-alvo. As dicas são escolhidas pelo analista e podem ser do mesmo tipo como, física total ou parcial, ou podem ser combinações que julgue efetivas, considerando para tanto o comportamento- alvo e o repertório comportamental do indivíduo. Deve-se atentar ao fato de que quanto mais correspondente for o tipo de dica com o comportamento que será aprendido, maiores serão as chances do sistema de dicas se mostrar efetivo (Hora et al, 2015). É importante ainda considerar as particularidades de cada individuo no que diz respeito a seu repertório, considerando que, por exemplo, crianças com desenvolvimento atípico podem apresentar hipersensibilidade tátil ao toque e, portanto, pode não ser uma boa opção escolher as dicas físicas, as quais também podem ser não ser uma boa opção no caso de individuo s que tem motivação por contato físico e que, possivelmente, mantenham um padrão de resposta de modo que a dica seja o reforço. De modo geral, é importante que o analista considere o que o individuo sabe ou não realizar, acuidades especificas e nível de desenvolvimento, para que seja possível uma escolha adequada de dica (Martin e Pear, 2009). A oitava e ultima etapa para a escolha dos níveis de dica envolve a definição de critérios para o aprendizado e mudanças no modo de apresentar as dicas, o qual é utilizadaquando o analista opta por usar de um sistema de dicas para o qual deva ser feito uma mudança na hierarquia de dicas, esvanecimento do nível ou tipo de intrusão, ou ainda mudanças no tempo que o individuo espera para receber uma dica ou para que emita uma resposta. Tais critérios devem ser definidos previamente pelo analista e, para tanto, deve-se definir qual o numero de tentativas que irá formar cada bloco de tentativas frente a cada sessão de ensino; número de tentativas em que o SD será apresentado sozinho, sem a adição de dicas; número de tentativas em que SD será apresentado pareado a dica; tempo de atraso da dica, isso é, quanto tempo o analista deve esperar para apresentar a dica depois da instrução inicial; critérios de acerto referentes de acerto com relação a determinado nível e o tipo de dica para muda-las, tanto da mais intrusiva para uma menos, quanto vice versa (Hora et al, 2015). Implementação 27 Para a implementação de um sistema de dicas simultâneas envolve-se uma série de outros passos que consistem em realizar as etapas básicas e especificas do planejamento; apresentar a instrução de tarefa ao individuo junto ao SD e a dica (entre 0s a 1s de atraso) e obter a resposta do individuo ; apresentar as consequências diante a resposta, sendo elogio mais um item reforçador em caso de acerto ou um procedimento de correção em caso de erro; realizar tentativas de sondagem após um número predeterminado de tentativas de ensino e, por último, realizar um registro de como se deu o desempenho do individuo e fazer um monitoramento geral do desempenho (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Para a implementação de um sistema de dicas com atraso de tempo, primeiro se dá a realização das etapas básicas e especificas do planejamento; em seguida apresenta-se o SD junto à dica controladora, sem atrasos; depois de um número especifico de tentativas junto a dicas sem atraso, passa-se a apresentar o SD junto à instrução quando for necessário e aguarde o período de tempo estabelecido, apresentando posteriormente a dica e mantendo o tempo de atraso até o critério definido ser atingido; assim que se obtém a resposta do individuo apresenta-se a consequência, inserindo reforço em maior magnitude, se a resposta correta for antes da dica, e em caso de erro ou ausência da resposta se adiciona o procedimento de erros aos passos. Por ultimo, registra- se o desempenho do individuo (Hora et al, 2015). O sistema de dicas com atraso progressivo envolve a realização das etapas básicas e especificas do planejamento para iniciar; segue-se dando garantia de resposta de atenção à atividade do individuo ; apresentando a principio o SD e a dica controladora ao mesmo tempo, sem atrasos; posteriormente a um número já determinado de tentativas sem atraso, se apresenta o SD e a instrução quando se é necessário e pouco a pouco se insere um intervalo entre a apresentação do SD e a dica, variando esse período de atraso de modo progressivo até atingir o critério de aprendizagem; obtendo a resposta do individuo se apresenta a consequência, sendo um reforço prévio e em maior magnitude, em caso de acerto antes da dica, e procedimento de correção em caso de erro ou ausência de resposta, realizando, como última etapa, o registo do desempenho e realizando monitoramento do desempenho 28 geral do mesmo (Martin e Pear, 2009). Quanto ao sistema LTM, os passos envolvem o início através de etapas básicas de planejamento e especificas deste sistema; definindo em seguida a sequência de apresentação das dicas, posteriormente a definição de quais tipos serão utilizadas; determinando o intervalo de resposta, quanto tempo deve se esperar para adicionar a dica; garantir atenção do individuo frente ao que se esta realizando; apresentar o SD e a instrução para a tarefa, se houve, finalizando neste ponto o primeiro nível de hierarquia de dicas, dada a ausência do auxilio para que o individuo responda (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Posteriormente, espera-se a resposta do individuo e apresenta-se a consequência, sendo um elogio junto a um item reforçador e intervalo entre as tentativas, caso o individuo acerte, e o suporte do segundo nível de hierarquia de dicas, em caso de resposta incorreta ou ausente. Esse segundo nível diz respeito à apresentação do SD junto à dica, sendo que com a resposta do individuo apresenta-se como consequência elogios e um item reforçador, caso a resposta esteja correta, e um suporte de terceiro nível em caso de ausência ou erro de resposta. Ao final, registra-se o desemprenho e se faz o monitoramento geral do indivíduo (Martin e Pear, 2009). É importante estar atento, neste sistema de dicas, que caso o individuo emita muitos erros mesmo com nível três de hierarquia de dicas, o analista pode alterar o reforçador para algo mais poderoso, mas que, entretanto, deve-se compreender que a ocorrência de muitos erros nesta situação é um forte indício de que se deve alterar o suporte do individuo por algo que seja mais assistente como dica, considerando que a atual não controla a resposta correta e, por esse motivo, não pode ser considerada dica (Hora et al, 2015). O sistema de dicas MTI, por sua vez, envolve como passos para implementação a realização das etapas básicas do planejamento e as especificas do MTI; posteriormente, se apresenta o SD e a instrução quando houver, junto à dica de maior auxilio. Dada a resposta ao individuo se apresenta a consequência, sendo um elogio mais um item reforçador, diante acertos, e o procedimento de correção em caso de respostas erradas ou ausentes. Quando atingir o critério previamente determinado para cada nível especifico, deve-se esvanecer a dica de modo gradual, até que o individuo responda de modo correto sem nenhum auxilio de dica. Por fim, registre o desempenho do sujeito e 29 faça um monitoramento geral (Martin e Pear, 2009). Na implementação do sistema FFD, inicia-se como nos demais sistemas, realizando etapas básicas de planejamento e, posteriormente, especificas do sistema empregado, no caso FFD. Em seguida, apresente ao individuo o SD junto com uma instrução, se houver, e a dica de maior nível de suporte. Diante a resposta do individuo apresente a consequência, sendo elogio e item reforçador para respostas corretas e procedimento de correção diante erros ou ausência de resposta. Assim que se atingir o critério de acertos predeterminado para o nível especifico, deve-se esvanecer gradativamente a dica, até que o individuo possa responder corretamente sem dica. Ao final desse processo, registre o desempenho e faça um monitoramento geral do desempenho do individuo (Duarte, Silva e Velloso, 2018). No caso da orientação graduada, sua implementação envolve iniciar pelas etapas básicas de planejamento e as especificas deste sistema, posteriormente realizando uma aproximação do individuo e garantindo sua atenção; apresentando o SD e a instrução para a realização da tarefa, se houver, e aguardar por aproximadamente três a quatro segundos pela resposta do individuo . Diante ausência de resposta do individuo , se apresenta uma quantidade e um tipo de dica conforme necessário para que o indivíduo execute a cadeia comportamental. Quando o individuo iniciar a fazer a cadeia comportamental, a intensidade e quantia de dica devem ser reduzidas e deve- se iniciar a sombrear os movimentos do individuo , ou seja, por suas mãos perto das do individuo de modo que seja possível ajuda-lo de modo imediato a completar a tarefa. Caso o individuo venha a interromper a cadeia, deve-se fornecer imediatamente a quantia e o tipo de dica necessário para que ele reinicie o movimento (Hora et al, 2015).Em casos de erros, o movimento deve ser imediatamente bloqueado e se apresenta um tipo de dica que se mostre necessário, na quantia que for preciso para que o individuo volte a responder do modo correto. Conforme o individuo completa cada passo da cadeia corretamente, com ou sem dica, deve-se introduzir reforços através de elogios verbais e vocalizações de encorajamento, assim como ao final da cadeia comportamental, reforçando-o por ter completado toda a cadeia (Lindegren, 1982). Em casos nos quais o individuo apresenta resistência à orientação 30 graduada deve-se parar de realizar o movimento que evocou as respostas de resistência e segurar as mãos no individuo no local em que estiverem, esperando que a resistência diminua e então retomando a dica de modo a realizar o movimento que complete a cadeia, apresentando, para tanto, a quantia e tipo necessário de dica. Se o comportamento de resistência se der na ultima etapa não se apresenta reforço e se interrompe a tentativa, esperando a resistência cessar e, posteriormente, retomando a tentativa de ensino do começo da cadeia comportamental (Duarte, Silva e Velloso, 2018). Para implementar o sistema Não, não dica (No, No Prompt) deve-se inicialmente realizar as etapas básicas de planejamento e garantir a atenção do individuo ; em seguida apresenta-se o SD e a instrução da tarefa, se for necessária. Então se aguarda a resposta do individuo e diante da mesma se apresenta a consequência, sendo que, em casos de acerto, se adiciona um reforçador ao ambiente, um elogio, item reforçador e se passa para a próxima tentativa sem repetir o antecedente (Martin e Pear, 2009). Caso a resposta obtida esteja incorreta, vocaliza-se “Não” e reapresenta o SD e a instrução da tarefa. Diante outra resposta incorreta, repete-se a vocalização do “Não” seguido da apresentação do SD e da instrução da tarefa, adicionando uma dica em seguida. Diante a presença de resposta correta, se fornece um reforço e um elogio. Ao final, registrando o desempenho do individuo e realizando um monitoramento do desenvolvimento de modo geral (Lindegren, 1982). Monitoramento A etapa de monitoramento funciona como um modo de avalição do procedimento de ensino, considerando que permite avaliar se o procedimento adotado está ou não sendo efetivo e eficiente para o aprendizado do individuo . É imprescindível que o analista registre dados referentes ao individuo e faça monitoramento de como está se dando o desempenho do individuo , pois é através destas informações que se torna possível realizar alterações no procedimento de modo efetivo (Martin e Pear, 2009). 31 Letdford et al. (2016, apud Duarte; Coltri e Silva; Velloso, 2018) descreve que é através do monitoramento, dos registros realizados, que se pode saber precisamente quantas respostas o individuo emitiu com e sem dicas, observando ainda as respostas corretas ao longo do processo de modo que se torna verificável o quão efetivo o procedimento de ensino está sendo. Esse monitoramento do aprendizado do individuo pode ser realizado analisando diferentes tipos de respostas entre acertos independentes; erros sem dicas; erros com dicas; ausência de respostas e resistência (Duarte, Silva e Velloso, 2018). REFERÊNCIAS Andery, M. A. P. A. (1990). Uma Tentativa De (Re)Construção Do Mundo: A Ciência Do Comportamento Como Ferramenta De Intervenção. Tese De Doutorado, Não Publicada, Pontifícia Universidade Católica De São Paulo. São Paulo: São Paulo. Barba, L. (2001). A Ciência De Robinson Crusoé: Algumas Contribuições Da Filosofia E Da Ciência Do Comportamento Para A Investigação Epistemológica. Em Resumos De Comunicações Científicas Do X Encontro Da Associação Brasileira De Psicoterapia E Medicina Comportamental (P. 24-25). Campinas, 2001. Baum, W. M. (1999). Compreender O Behaviorismo: Ciência, Comportamento E Cultura (M. T. A. Silva, M. A. Matos, G. Y. Tomanari, E. Z. Tourinho, Trads.). Porto Alegre: Artmed. Publicado Originalmente Em 1994. Duarte, Cintia Perez; Silva, Luciana Coltri; Velloso, Renata de Lima. (Org) Estratégias da Análise do Comportamento Aplicada para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo. Memnon, 2018. Hora, Cássia Leal da et al. Conquistas e desafios da Análise do Comportamento Aplicada no trabalho para pessoas com Transtorno do Espectro Autista: questões de eficácia e de formação de profissionais. 2015. 32 Kerbauy, R. R. (1999). Como Fazer Pesquisa Em Clínica? Em R. A. Banaco (Org.), Sobre Comportamento E Cognição, 1, 338-347. (2ª Ed.) Santo André: Arbytes. Lindegren, H. E Byrne, D. Psicologia: Processos Comportamentais. Rio De Janeiro: Livros Técnicos E Científicos, 1982. Luna, S. V. (1999). O Terapeuta É Um Cientista? Em R. A. Banaco (Org.), Sobre Comportamento E Cognição, 1, 305-313. (2ª Ed.) Santo André: Arbytes. Martin, Garry; Pear, Joseph. Modificação de Comportamento: o que é e como fazer. São Paulo: Roca, 2009. Millenson, J. R. (1975). Princípios De Análise Do Comportamento. (A. A. 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