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gabi_fran_ Gabrielle França, CESUPA 2022 O pâncreas O pâncreas é não só um órgão acessório e glândula exócrina do sistema digestivo, como também uma glândula endócrina produtora de hormônios. Anatomia É um órgão achatado no sentido Anteroposterior, apresentando, uma Face Anterior e uma Face Posterior, é retroperitoneal e mede aproximadamente 12 a 15 cm de comprimento e 2,5 cm de espessura, encontra-se posteriormente à curvatura maior do estômago. O pâncreas consiste em uma cabeça, um corpo e uma cauda e geralmente está ligado ao duodeno por dois ductos. A cabeça do pâncreas é a porção expandida do órgão, prox. ao duodeno; à esquerda da cabeça estão o corpo do pâncreas central e a cauda afilada. Ademais possui o processo uncinado abaixo da sua cabeça. Atravessando todo o parênquima pancreático, desde a cauda até à cabeça, encontra-se o ducto pancreático principal (de Wirsung). Ele junta-se ao ducto biliar na cabeça do pâncreas para formar o ducto hepatopancreático, também conhecido como ampola de Vater. Este ducto desemboca na parte descendente do duodeno através da papila duodenal maior. O fluxo através da ampola de Vater é controlado por um esfíncter muscular liso, chamado esfíncter de Oddi (hepatopancreático). Ele também previne o refluxo de conteúdo duodenal para o ducto hepatopancreático. Para além do ducto principal, o pâncreas também contém um ducto acessório (de Santorini). Histologia O pâncreas é composto por pequenos aglomerados de células epiteliais glandulares. Aproximadamente 99% dos aglomerados, chamado ácinos, constituem a porção exócrina do órgão. A função endócrina do pâncreas é desempenhada pelos 1% de ilhéus pancreáticos de Langerhans. Estas glândulas endócrinas secretam hormonas diretamente para a corrente sanguínea e possuem três tipos celulares principais: alfa, beta e delta. As Ilhotas de Langherans são constituídas por Células Poligonais, dispostas em Cordões Celulares irregulares e curtos, revestidos por vários Capilares Sanguíneos Fenestrados. Células Alfa: constituem cerca de 15% a 20% do total de células das Ilhotas, localizadas perifericamente. Elas secretam Glucagon, contêm Grânulos Secretores (armazenamento) que têm um tamanho uniforme e são mais densamente compactados no citoplasma que os grânulos de Células B. Células Betas: constituem 70% do total de células das Ilhotas, estão localizadas em sua porção central, secretam Insulina, contêm numerosos Grânulos Secretores de cerca de 300 nm de diâmetro com um núcleo poliédrico denso (pode ser Insulina Cristaliza) e uma matriz pálida. Quando coradas, exibem coloração laranja- acastanhada; Células Delta: constituem 5% a 10% do total de células das Ilhotas, estão localizadas perifericamente nas Ilhotas, secretam Somatostatina, que está contida em Grânulos Secretores que são maiores que os das outras e contêm material com eletrodensidade baixa. Quando coradas, mostram um citoplasma azul. No início do período fetal, os ácinos começam a se desenvolver de agregados celulares ao redor das extremidades desses túbulos (duetos primários). As ilhotas pancreáticas desenvolvemse de grupos de células que se separam dos túbulos e vão se localizar entre os ácinos. Inervação O Pâncreas é inervado pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA). O componente Parassimpático provém do Nervo Vago (Nervo Craniano X), enquanto que o componente Simpático é proveniente dos Nervos Esplâncnicos Maior e Menos (níveis T5-T12) As Fibras Autonômicas atingem, então, o Gânglio Celíaco e o Plexo Mesentérico Superior, projetando-se, no Pâncreas, onde agem nas células. As Fibras Parassimpáticas estimulam a secreção das Células Acinares, levando, portanto, à liberação de Suco Pancreático e dos Hormônios Insulina e Glucagon. Por outro lado, as Fibras Simpáticas promovem Vasoconstrição e inibição da secreção exócrina; além de atuar na secreção hormonal, estimulando a secreção de Glucagon e inibindo a de Insulina. Vascularização O pâncreas recebe o seu fornecimento sanguíneo de várias fontes. A apófise unciforme e a cabeça são vascularizadas pelas artérias pancreaticoduodenais superior e inferior, ramos das artérias gastroduodenal e mesentérica superior, respetivamente. O Corpo e a Cauda do Pâncreas são vascularizados pelas Artérias Pancreáticas, as que se ramificam a partir da Artéria Esplênica, Gastroduodenal e Mesentérica Superior. As Veias Pancreáticas são responsáveis pela Drenagem Venosa do Pâncreas. A Veia Pancre- aticoduodenal Anterior Superior desemboca na Veia Mesentérica Superior; enquanto que a Veia Pancreaticoduodenal Posterior Superior desemboca na Veia Porta Hepática. Hormônios São mensageiros químicos secretados para o sangue por células epiteliais especializadas. Eles agem nas suas células-alvo por meio do controle de taxas de reação enzimáticas, pelo controle do transporte de íons ou moléculas através de membranas celulares e pelo controle da expressão gênica e da síntese proteica. O efeito é endócrino quando o hormônio é liberado na circulação e, em seguida, transportado pelo sangue para exercer um efeito biológico sobre células-alvo distantes. O efeito é parácrino quando o hormônio liberado de uma célula exerce um efeito biológico sobre uma célula vizinha, frequentemente localizada no mesmo órgão ou tecido. O efeito é autócrino quando o hormônio produz um efeito biológico sobre a mesma célula que o libera. Os hormônios podem ser classificados em tróficos, proteínas (ou peptídeos), esteroides e derivados de aminoácidos (aminas). A estrutura do hormônio é que determina, em grande parte, a localização do receptor hormonal; as aminas e os hormônios peptídicos ligam-se a receptores situados na superfície celular, enquanto os hormônios esteroides têm a capacidade de atravessar as membranas plasmáticas, ligando-se a receptores intracelulares. Hormônios Tróficos A adeno-hipófise produz e libera hormônios chamados de hormônios tróficos, ou seja, hormônios que controlam outras glândulas endócrinas. Os principais hormônios produzidos pela adeno-hipófise são o hormônio tireotrófico (TSH), que regula as atividades da glândula tireoide; o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que regula o córtex das suprarrenais; o hormônio folículo estimulante (FSH), e o LH. Hormônios Peptídicos Os hormônios proteicos ou peptídicos constituem a maioria dos hormônios, são moléculas compostas de 3 a 200 resíduos de aminoácidos. Entre os exemplos de hormônios peptídicos, destacam-se a insulina, o glucagon e o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Os hormônios peptídicos são solúveis em água e, portanto, geralmente se dissolvem com facilidade no líquido extracelular ao serem transportados por todo o corpo. A meia-vida dos hormônios peptídicos normalmente é bastante curta, na faixa de alguns minutos. Como os hormônios peptídicos são lipofóbicos, eles geralmente não conseguem entrar na célula- alvo. Em vez disso, ligam-se a receptores presentes na superfície da membrana, o complexo hormônio-receptor inicia a resposta celular por meio de um sistema de transdução de sinal. Muitos hormônios peptídicos utilizam o sistema de segundo mensageiro do AMPc. Hormônios Esteroides Os hormônios esteroides derivam do colesterol e são sintetizados no córtex da suprarrenal, nas gônadas e na placenta. São lipossolúveis, circulam no plasma ligados às proteínas e atravessam a membrana plasmática para se ligarem a receptores intracelulares citosólicos ou nucleares. Essa propriedade também indica que as células que secretam esteroides não podem armazenar esses hormônios em vesículas secretoras, elas sintetizam seu hormônio quando ele é necessário. Hormônios derivados de aminoácidos Os hormônios derivadosde aminoácidos são sintetizados a partir do aminoácido tirosina e incluem as catecolaminas noradrenalina, adrenalina e dopamina, além dos hormônios tireoidianos, que derivam da combinação de dois resíduos do aminoácido tirosina que são iodados. Os hormônios tireóideos agem por meio de receptores nucleares e estimulam o metabolismo energético, especialmente no fígado e no músculo, aumentando a expressão de genes que codificam enzimas-chaves catabólicas. A Insulina Hormônio Peptídico sintetizado pelas Células β, que consiste em duas Cadeias Lineares: a Cadeia A, de 21 aminoácidos; e a Cadeia B, de 30 aminoácidos. Constitui o principal Hormônio Anabólico responsável por manter o limite dos níveis sanguíneos de Glicose. Ela atinge este objetivo por promover a captação e utilização de Glicose pelo Tecido Muscular e Adiposo, aumentando o estoque de Glicogênio no fígado e no Músculo, e reduzindo a produção de glicose pelo Fígado. Além disso, ela promove a síntese de proteínas e inibe a degradação de proteína em Tecidos Periféricos, promove também a síntese de TG no Fígado e no Tecido Adiposo e reprime a lipólise dos estoques de TG adiposo. Síntese A síntese de Insulina é orientada por um gene no Cromossomo 11 membro da família de genes que codificam Fatores de Crescimento relacionados. A Insulina resulta de dois precursores: a Pré-PróInsulina e a Pró-Insulina. 1- O RNAm orienta a síntese ribossômica de Pré-Pró-Insulina, com quatro peptídeos: o Peptídeo de Sinalização, as Cadeias A e B de Insulina e o Peptídeo de Conexão (Polipeptídeo C). 2-A Pré-Pró-Insulina é sintetizada nos Ribossomos das Células β sob a forma de uma Cadeia Polipeptídica de 23 resíduos de aminoácidos, os quais formam o Peptídeo de Sinalização, o qual facilita a adesão entre o Ribossomo com a membrana do Retículo Endoplasmático Rugoso. 3- Ele é, então, clivado, produzindo a Pró- Insulina. Esta, por sua vez, no Retículo Endoplasmático, apresenta duas cadeias: A e B, unidas pelo Peptídeo Conector 4- 15 minutos após o início da síntese, a Pró-Insulina é transportada das Cisternas do Retículo Endoplasmático Rugoso ao Complexo de Golgi, onde os Grânulos Secretores dela são formados. Eles apresentam em sua membrana uma Bomba Protônica ATP- Dependente que diminui o pH promove a ativação de enzimas, para hidrolisa a Pró- Insulina e o Peptídeo de Conexão. Secreção Os níveis séricos de Insulina normalmente começam a subir dentro de 10 minutos após a ingestão de alimento e atingem o pico em 30 a 45 minutos. Desse modo, a secreção de Insulina consiste em duas fases: a Fase Precoce de liberação da Insulina com a liberação da Insulina Pré-Formada, e a Fase Tardia, liberando Insulina recém-formada. Existem três diferentes estímulos para a secreção de Insulina, sendo eles: Nutrientes, Nervosos, e Hormonais. No caso dos Nutrientes, o Receptor nas Células β é um produto intermediário do seu próprio metabolismo. No caso dos Neurotransmissores, temos a via da Fosfolipase C. Enquanto que nos Hormônios será o sistema AMPcíclico. Sendo o seu principal estímulo a Glicose: A Glicose entra nas células beta por um transportador GLUT, lá ela é fosforilada em G6P e posteriormente oxidada. O metabolismo de G6P pelas Células β aumenta a proporção de ATP/ADP e fecha o Canal de K+ Sensível à ATP. Dessa forma, promove-se uma Despolarização da Membrana Celular. A concentração intracelular de Ca+2 elevada, por sua vez, ativa a Exocitose mediada por Microtúbulos dos Grânulos Secretórios contendo Insulina/ Pró-Insulina. 5. A Insulina, por sua vez, é secretada para o Sangue Venoso do Pâncreas e, em seguida, distribuída para a Circulação. Regulação da liberação Sistema Nervoso Parassimpático: a Inervação Colinérgica Vagal (Parassimpática) estimula a secreção de Insulina pela elevação de Ca+2 intracelular, Acetilcolina secretada pela Estimulação Parassimpática age em Receptor Acoplado à Proteína Gq nas células Beta. Sistema Nervoso Simpático: a secreção de Insulina é inibida pelos Receptores α2- Adrenérgicos, que são ativados por Adrenalina (da Medula Suprarrenal) e Noradrenalina (de Fibras Simpáticas Pós-Ganglionares). Os Receptores α2-Adrenérgicos atuam diminuindo o AMPc e possivelmente fechando os Canais de Ca+2. Também fazem ativação de Receptores β- adrenérgicos, os quais se encontram Associados à Proteína Gi na membrana das Células β. Estados de Alerta: na Resposta de Luta ou Fuga, no medo e nos Exercícios Físicos, a Descarga Adrenérgica promovida pela Estimulação Simpática libera Adrenalina na circulação e Noradrenalina pelas Terminações Adrenérgicas. Assim, o S.N.A. Simpático promove tanto a inibição da secreção de insulina como o aumento da Glicose Sanguínea. GLP-1 e GIP: a liberação de Insulina dependente de nutrientes é aumentada pelos Hormônios Peptídeo 1 Semelhante ao Glucagon (GLP-1) e Polipeptídeo Inibitório Gástrico (GIP) e possivelmente por outros Hormônios Gastrointestinais. Estes hormônios atuam principalmente na elevação do AMPc intracelular, que amplifica os efeitos intracelulares do Ca+2 sobre a Glicose; Glucagon: o Glucagon ativa uma Proteína Gq acoplada à Fosfolipase C, que leva a aumento do Ca+2 intrace-lular (IP3/Ca+2), causando Exocitose da Insulina. A Somatostatina inibe o mecanismo que o Glucagon estimula, efeito parácrino. Metabolismo A Insulina possui uma Meia-Vida de 5 a 8 minutos e é depurada rapidamente da circulação. Ela é degradada pela Insulinase no Fígado, Rim e outros tecidos. Mecanismo de ação A Insulina age sobre uma grande gama de tecidos, sendo eles: Tecido Muscular, Tecido Miocárdico, Fígado, Leucócitos, Tecido Adiposo, Glândula Mamária, Vesículas Seminais, Tecido Ósseo e Cartilaginoso, Tegumento, Fibroblastos, Nervos Periféricos, Timo, Cérebro, entre outros. Em geral, a Insulina atua como um fator estimulante. A Insulina estimula o Transporte de Glicose através da membrana, facilita a passagem de Aminoácidos, de alguns Ácidos Graxos, K+ e Na+ . Ademais, estimula a atividade da Na+K+ATPase; aumenta a oxidação da Glicose, a Glicogênese e a Lipogênese. Atua, também, aumentando a síntese proteica. 1 -A Insulina se liga ao seu Receptor nas Células-Alvo, presente na membrana dessas células. O Receptor de Insulina é um tetrâmero composto por duas subunidades α e duas subunidades β. As subunidades α ficam no Domínio Extracelular, e as subunidades β atravessam a membrana. 2 -Após a ligação e formação do Complexo Hormônio-Receptor, produz-se alteração conformacional nesse Receptor de Insulina. A alteração conformacional ativa a Tirosinoquinase na subunidade β, que fosforila três resíduos de Tirosina. 3 -Estes resíduos de fosfotirosina recrutam três classes de Proteínas Adaptadoras: Substratos de Receptor de Insulina (IRSs), Proteína Shc e Proteína APS. As Proteínas IRS são fosforiladas, e a 3-Fosfoinositol-Cinase (PI3K) é então recrutada para a membrana, onde ela fosforila seus substratos e ativa a via dependente de PKB. 3.1 - A Insulina induz a inserção do Transportador de Glicose 4 (GLUT4) Nas Membranas Celulares do Tecido Muscular e Adiposo. Esta ação requer tanto a sinalização dependente de IRS/PI3K quanto uma via adicional dependente da Proteína Adaptadora APS que ativam uma pequena via GTPase. A Proteína Shc é ligada à via da Proteinocinase Ativada por Mitógeno (MAPK). 4 - A Tirosinoquinase ativada fosforila diversas outras proteínas ou enzimas, envolvidas nas ações fisiológicas da Insulina. 5 - O Complexo Insulina-Receptor é internalizado pela Célula-Alvo por Endocitose. O Receptor de Insulina é, então, degradado pelas Proteases Intracelulares, Ações da insulina Quando a disponibilidade de nutrientes excede as demandas do organismo, a Insulina asseguraque o excesso de nutrientes seja armazenado como Glicogênio no Fígado, como gordura no Tecido Adiposo, e como Proteína No Músculo. Esses nutrientes armazenados ficam, então, disponíveis durante os períodos subsequentes de jejum para manter a distribuição da Glicose. Efeitos precoces Glicose (Ação Hipoglicêmica): pode ser descrita de duas maneiras: (1) a Insulina provoca diminuição da Glicemia e (2) a Insulina limita o aumento da Glicemia após a ingestão de Carboidratos. Desse modo, a Ação Hipoglicemiante é resultado de respostas coordenadas que, simultaneamente, estimulam a Oxidação da Glicose e inibem a Gliconeogênese. Assim ela induz o transporte de glicose as células alvo pela inserção de GLUT4, inibe a gliconeogênese e a glicogenólise, bem como induz a formação de glicogênio no Fígado. Diminui a concentração de Ácidos Graxos e Cetoácidos no sangue: o efeito global de Insulina, no metabolismo de gordura, é o de inibir a mobilização e a oxidação dos Ácidos Graxos e, simultaneamente, aumentar seu armazenamento. Como resultado, a Insulina diminui os níveis circulantes de Ácidos Graxos e Cetoácidos. Diminui a concentração de Aminoácidos no sangue: o efeito global da Insulina, no metabolismo da proteína, é Anabólico. A Insulina aumenta a captação de Aminoácidos e Proteínas pelos tecidos, diminuindo, assim, os Níveis Sanguíneos de Aminoácidos. Balanço de Potássio (K+ ): esse Hormônio estimula a captação de K+ pelas Células através do aumento da atividade da Enzima Na+K+ATPase. Efeitos Intermediários Fígado: no Fígado, a Insulina exerce suas ações de duas maneiras: (1) promoção do Anabolismo e (2) inibição do Catabolismo. Ela promove a síntese e o armazenamento de Glicogênio enquanto inibe a quebra do Glicogênio. Esses efeitos são mediados por alterações na atividade das enzimas na via da síntese do Glicogênio. Tecido Muscular: a Insulina promove a síntese proteica no músculo pelo aumento do Transporte de Aminoáci-dos, bem como estimula a síntese Proteica Ribossomal por meio da Fosforilação de uma Serina/Treonina Proteinaquinase, conhecida como mTOR. Adicionalmente, a Insulina promove a síntese de Glicogênio para repor os depósitos de Glicogênio gastos na Atividade Muscular. Tecido Adiposo: a gordura, na forma de triglicerídeos, é o meio mais eficiente de armazenar energia. A Insulina age para promover o armazenamento de triglicerídeos nos Adipócitos por inúmeros mecanismos, sendo: (1) indução da Enzima Lipase Lipoproteica no Tecido Adiposo, a qual leva à hidrólise de Triglicerídeos. (2) pelo aumento do transporte de Glicose para dentro dos Adipócitos. (3) inibe a Lipólise e a Cetogênese ao desencadear a desfosforilação da Lipase Hormônio-Sensível. Efeitos em longo prazo Os efeitos da Insulina na promoção do crescimento e os Efeitos Mitogênicos são respostas a longo prazo mediadas pela via da MAPK, que induz um excessivo crescimento celular e uma ligação exagerada ao receptor. A Hiperinsulinemia Crônica tem sido ligada a um risco aumentado de câncer, incluindo Cânceres de Endométrio, de Mama Pós- Menopausa, de Colo de Útero e de Rim. Interações Hormonais Insulina e Cortisol: o Cortisol é capaz de promover Resistência Insulínica devido ao estímulo à Gliconeogênese, o que provoca Hiperglicemia, estimulando a secreção de Insulina pelo Pâncreas. Outro fato seria a própria mobilização de Ácidos Graxos no sangue a partir dos depósitos de Triglicerídeos nos Adipócitos, que podem prejudicar a ação da Insulina nos tecidos. Insulina, GH e IGF-1: mesmo que tais hormônios exerçam Efeitos Antagônicos, a Insulina e o GH necessitam um do outro para que a produção de IGFs seja adequada, pois o GH não consegue estimular sua síntese de forma eficiente na ausência de insulina e vice-versa. OBS.: Quadro de Jejum Prolongado: nessa situação, onde temos um quadro de Hipoglicemia Generalizada, os níveis de GH aumentam e esse hormônio consegue realizar sua mobilização calórica de forma adequada, como por exemplo, a mobilização de Ácidos Graxos Livres (AGL) para serem utilizados como fonte de energia. torna a condição desfavorável para o crescimento. OBS. 2: Oferta abundante de Nutrientes: os níveis séricos altos de Aminoácidos estimulam a secreção de GH e insulina, e os níveis séricos altos de Glicose estimulam a secreção de Insulina (o efeito estimulador dos Aminoácidos em estimular o GH se sobrepõe ao efeito inibidor da Hiperglicemia em inibir o GH). Níveis séricos elevados de GH, insulina e nutrientes estimulam a produção de IGFs, e essas condições são adequadas para que o crescimento ocorra adequadamente. O Glucagon Hormônio Polipeptídico de 29 aminoácidos secretado pelas Células α das Ilhotas Pancreáticas. Assim, enquanto a Insulina é o hormônio da “abundância”, o Glucagon é o hormônio da “fome”. Ao contrário da Insulina, que promove o armazenamento de combustíveis metabólicos, o Glucagon promove sua mobilização e utilização. Síntese O Glucagon Pancreático juntamente com vários outros peptídeos biologicamente ativos, deriva- se do Pró-Hormônio Pró-Glucagon (61 aminoácidos), codificado pelo Gene Pré-Pró- Glucagon localizado no Cromossomo 2. Os dois principais produtos do processamento do Pró-Glucagon são o Glucagon nas Células α do Pâncreas e o GLP-1 nas Células Intestinais. O GLP-1 é produzido em resposta a uma concentração elevada de Glicose no Lúmen Intestinal, sendo conhecido como Incretina, um mediador que amplifica a liberação de Insulina das Células β em resposta a uma sobrecarga de Glicose. Secreção Os mecanismos envolvidos na regulação e no acoplamento de Estímulo-Secreção da liberação do Glucagon não foram tão bem elucidados quanto os da Insulina. A liberação de Glucagon é inibida pela Hiperglicemia e estimulada pela Hipoglicemia. Curiosidade! Na ausência de Insulina, como no quadro de Diabetes Mellitus Tipo I, contudo, a resposta do Glucagon à Hipoglicemia está reduzida e pode levar à perpetuação da Hipoglicemia Grave. Regulação Células β: liberam Ácido Gama-Aminobutírico (GABA) e as células a expressam Receptores Inibitórios GABA, o GABA também pode participar na inibição das células a durante a estimulação da Célula α; Aminoácidos: muitos Aminoácidos estimulam a liberação do Glucagon, embora eles distingam em seu mecanismo de ação. Somatostatina: produzida pelas Células Delta do Pâncreas, inibe a liberação de Glucagon; Sistema Nervoso Simpático: a Adrenalina também estimula a liberação de Glucagon por um mecanismo β2-Adrenérgico (enquanto suprime a liberação de insulina das Células β por um mecanismo α2-Adrenérgico). Sistema Nervoso Parassimpático: A Estimulação Vagal aumenta a liberação de Glucagon; Mecanismo de ação Ele medeia seus efeitos por sua ligação ao Receptor de Glucagon Acoplado à Proteína Gs, levando a ativação da AdenilatoCiclase, elevação do AMPcíclico, que, por sua vez, aumenta a mobilização de Ca+2 intracelular, o que induz ao aumento da atividade da Proteínaquinase A (PKA). Resultando em fosforilação das enzimas responsáveis pelo controle do metabolismo da Glicose, o Complexo Glucagon-Receptor sofre Endocitose em Vesículas Intracelulares, onde o Glucagon é degradado. O Glucagon fornece um Mecanismo Humoral para o fornecimento de energia a partir do Fígado aos outros tecidos entre as refeições. Desse modo, o Fígado constitui o principal Órgão-Alvo do Glucagon, com apenas pequenos efeitos nos Tecidos Periféricos. Assim, ele estimula o Débito Hepático de Glicose ao estimular a degradação do Glicogênio e a Gliconeogênese e diminuir a Glicólise. Efeitos Metabólicos Aumenta a Glicemia: o Glucagon aumenta a concentração de Glicose no sangue, por meio das seguintes ações coordenadas:(1) estimula a Glicogenólise e, simultaneamente, inibe a formação de Glicogênio, a partir da glicose; (2) aumenta a Gliconeogênese. Aumenta a concentração de Ácidos Graxos e dos Cetoácidos no sangue: o Glucagon aumenta a Lipólise e inibe a síntese dos Ácidos Graxos, o que também desvia substratos para a Gliconeogênese. Os efeitos do Glucagon sobre o Tecido Adiposo são relevantes principalmente durante os períodos de estresse ou de privação de alimento: no Adipócito estimula a fosforilação (ativação) mediada pela Proteinaquinase da Lipase Hormônio-Sensível, a enzima envolvida na degradação dos Triglicerídeos. Contrarregulador vs Antagonista Hormônios Antagonistas possuem efeitos opostos. Em determinadas situações, duas moléculas trabalham uma contra a outra, uma diminuindo a eficácia da outra. O Antagonismo pode ocorrer quando duas moléculas competem por um mesmo receptor. Por exemplo, o Glucagon e o Hormônio do Crescimento (GH) aumentam a concentração de Glicose no sangue e ambos são Antagonistas da Insulina. Hormônios Contrarreguladores à insulina como a adrenalina, o glucagon, o hormônio do crescimento (GH) e o cortisol estimulam a glicogenólise e a gliconeogênese apresentando ação hiperglicemiante e também lipolítica, liberando ácidos graxos livres para a circulação. Metabolismo dos carboidratos Enterócitos que revestem as Vilosidades do Intestino Delgado contêm 4 Enzimas (Lactase, Sacarase, Maltase e alfa-Dextrinase), as quais são capazes de clivar os dissacarídeos Lactose, Sacarose e Maltose, em monossacarídeos. Assim, a Lactose gera Galactose + Glicose; a Sacarose se divide em Frutose + Glicose; e a Maltose gera múltiplas moléculas de Glicose. Transporte de Glicose através da Membrana Celular: a Glicose não é capaz de se difundir pelos Poros da Membrana Plasmática, pois seu peso molecular é de 180, e o limite para a Difusão Simples é de 100. Para atingir o interior das células, a Glicose utiliza o Mecanismo de Difusão Facilitada, mediada por Transportadores de Glicose: GLUT1, 2, 3, 4 e 5. Glicogênese (Formando glicogênio) a Glicose pode ser usada imediatamente, para liberar energia, ou pode ser armazenada sob a forma de Glicogênio, um grande polímero da Glicose. Esse processo é ativado pela Insulina!! mediante à Hiperglicemia. Glicogenólise consiste na ruptura do Glicogênio armazenado em Glicose nas células e não ocorre pela reversão das mesmas reações químicas que formam o Glicogênio; ao contrário, cada molécula de Glicose sucessiva, em cada ramo do polímero de Glicogênio, divide-se por meio de Fosforilação, reação catalisada pela Enzima Fosforilase. Induzida pelo glucagon!! Glicólise: (quebra [lise] da molécula de Glicose. Gliconeogênese: é a produção de Glicose a partir de outros substratos que não sejam Carboidratos (Proteínas); Lipólise: representa o processo em que se tem a degradação de Lipídeos em Ácidos Graxos e Glicerol, ocorre no Tecido Adiposo; Lipogênese Quando ingerimos carboidratos, estes são transformados em glicose, e esta, entra na corrente sanguínea. Quando a concentração de glicose depositada no sangue ultrapassa o seu limite máximo, seu excesso é removido pelo fígado, e este, o armazena em seu interior sob a forma de glicogênio. Por sua vez, quando em excesso, o glicogênio é quebrado pelo fígado tendo seu excedente eliminado no sangue e, consequentemente, a concentração de ácidos graxos na corrente sanguínea será aumentada. Liponeogênese: é a produção de gordura através de substâncias que não são gorduras, sobretudo os Carboidratos, e muitas vezes podem ser armazenados em forma de Glicogênio; Diabetes Mellitus É uma síndrome metabólica crônica, de variadas manifestações clínicas e que afeta inúmeras as pessoas ao redor do mundo. O diabetes constitui um fator de risco significativo de coronariopatia e acidente vascular encefálico e representa a principal causa de cegueira e doença renal crônica, bem como é um importante fator contribuinte nas amputações dos membros inferiores. Pode consistir em deficiência absoluta de insulina, comprometimento da liberação de insulina pelas células beta do pâncreas, presença de receptores de insulina inadequados ou defeituosos, regulação pós-receptor de insulina inadequada ou deficiente ou produção de insulina inativa ou de insulina que é destruída antes que possa exercer a sua ação. Classificação DM tipo 1A: O diabetes tipo IA, que em geral é simplesmente designado diabetes tipo I, caracteriza-se pela destruição imunologicamente mediada das células beta. Esse tipo de diabetes, outrora denominado diabetes juvenil, ocorre mais comumente em indivíduos jovens, mas pode ser observado em qualquer idade. A forma lentamente progressiva ocorre habitualmente em adultos e, algumas vezes, é designada diabetes autoimune latente em adultos (DALA). O DALA/LADA pode responder por até 10% dos adultos atualmente classificados como portadores de diabetes tipo 2. Na ausência de insulina, verifica-se o desenvolvimento de cetose quando esses ácidos graxos são liberados pelas células adiposas e convertidos em cetonas no fígado. Devido à perda de resposta da insulina, todos os indivíduos com diabetes tipo IA necessitam de reposição com insulina exógena para reverter o estado catabólico. DM tipo 1B: Utilizado para descrever os casos de destruição das células beta em que não há evidências de autoimunidade. Apenas um pequeno número de indivíduos com diabetes tipo 1 está incluído nessa categoria, e a maioria é de origem africana ou asiática. Os indivíduos com o distúrbio apresentam cetoacidose episódica, devido a graus variáveis de deficiência de insulina, a deficiência absoluta de insulina pode surgir e desaparecer. DM tipo 2: Condição heterogênea que descreve a presença de hiperglicemia em associação a deficiência relativa de insulina. Os indivíduos com diabetes tipo 2 são, em sua maioria, de idade mais avançada e estão acima do peso. Uma história familiar positiva confere um aumento de duas a quatro vezes no risco de diabetes tipo 2, e 15 a 25% dos parentes de primeiro grau de indivíduos com diabetes tipo 2 desenvolvem comprometimento da tolerância à glicose ou diabetes. Em contraste com o diabetes tipo 1, em que ocorre deficiência absoluta de insulina, os indivíduos com diabetes tipo 2 podem apresentar níveis altos, normais ou baixos de insulina. A resistência à insulina estimula inicialmente um aumento na secreção de insulina, frequentemente para um nível de hiperinsulinemia modesta, visto que as células beta procuram manter um nível de glicemia normal. Como não apresentam uma deficiência absoluta de insulina, os indivíduos com diabetes tipo 2 têm menos tendência ao desenvolvimento de cetoacidose do que os indivíduos com diabetes tipo 1. No estado basal, a resistência hepática à insulina manifesta-se pela produção excessiva de glicose, a despeito da hiperinsulinemia em jejum, e é a taxa de produção de glicose o determinante primário da GPJ elevada em indivíduos com diabetes tipo 2. As causas específicas de disfunção das células beta consistem em diminuição inicial da massa de células beta relacionada a fatores genéticos ou pré-natais (p.ex., retardo do crescimento intrauterino;); aumento da apoptose ou diminuição da regeneração das células beta; exaustão das células beta devido a uma resistência à insulina de longa duração; toxicidade da glicose; lipotoxicidade. Fisiopatologia DM tipo 1: Causado por destruição de células beta, como resultado de processo autoimune, o metabolismo das gorduras e do carb. é perturbado. Aumento da concentração de glicose no sangue, decorrente de diminuição da absorção de glicose nas células e diminuição da utilização de glicose e aumentoda gliconeogênese. Ocorre perda de massa magra e perda de tecido adiposo. Aumento dos cetoácidos → acidose metabólica ( cetoacidose diabética ). O aumento da concentração de glicose, no sangue, resulta em aumento da carga filtrada de glicose, que excede a capacidade de reabsorção do túbulo proximal. Glicose não reabsorvida → age como soluto osmótico na urina → diurese osmótica, poliúria e sede. Poliúria produz contração do volume do LEC e hipotensão. DM tipo 2: Associa-se a obesidade e exibe algumas alterações metabólicas observadas no DM I. É causado pela down regulation dos receptores de insulina, nos tecidos alvo e resistência à insulina. A insulina será produzida normalmente por células beta mas não pode ativar seus receptores no músculo, no fígado e tecido adiposo, assim, é incapaz de produzir seus efeitos. A concentração de glicose no sangue está elevada no jejum e nos estágios pós-prandiais. A clínica Polifagia → falta de estimulo do centro da saciedade hipotalâmico, decorrente do deprimido consumo de glicose. Polidipsia, poliúria produzida pela glicosúria → glicose aumenta no sangue, exercendo pressão osmótica, arrastando a água e aumentando a diurese. Ocorre menor utilização periférica de glicose, ocorrendo menor disponibilidade para os tecidos, ocasionando inúmeras perturbações funcionais → retina, vasos sanguíneos, fibroblastos, tecido renal. O tecido adiposo pode diminuir, pois a lipogênese falha. Pode ocorrer acidose devido a maior produção de corpos cetônicos que se acumulam no meio extracelular, diminuindo o excesso de base e o pH. Síntese de proteínas → diminuída e catabolismo aumentado. Ocorre alterações do processo de crescimento, regeneração e reparação, fibroblastos podem estar deprimidos. OBS: Pessoas obesas apresentam resistência aumentada à ação da insulina e supressão diminuída da produção de glicose pelo fígado, resultando em hiperglicemia e hiperinsulinemia. Obesidade central → correm maior risco. O aumento da resistência a insulina tem sido atribuído devido ao aumento da gordura visceral. Aumento de ácidos graxo s livres → lipotoxicidade. Acúmulo de ácidos graxos livres e triglicerídeos aumenta produção hepática de glicose e causa hiperglicemia contudo em jejum. O adipócito inflamado promove a expressão, síntese e secreção de fatores inflamatórios, as adipocinas, as quais contribuem para a resistência à insulina. Tratamento DM I: terapia de reposição insulínica, que restaura capacidade do organismo de armazenar carboidratos e lipídios e proteínas, retornando valores sanguíneos de nutrientes e eletrólitos ao normal. DM II: restrição calórica, redulão de peso, fármacos sulfoureias ( tolbutamia ), que estimulam secreção de insulina e tratamento com fármacos biguanida como metformina, que fazem up regulation nos receptores de insulina em tecidos alvo. GLP1: O peptídeo glucagon-like 1-(7-36)- amide (GLP-1) é um hormônio com potente ação hipoglicemiante. Ele possui um espectro de atividades que se opõem aos sintomas da DM. O GLP-1 se liga a receptores de proteína G com alta afinidade (GPCRs) localizadas nas células pancreáticas beta, e exerce ação insulinotrópica que inclui estimulação da transcrição do gene da insulina, biosíntese e secreção da insulina. Estas atividades são glicose-dependente. Algumas ações benéficas, como fator de crescimento, também foram descritas, como o estímulo à formação de novas ilhotas pancreáticas e retardamento do processo de apoptose de células beta.