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Altimetria – Nivelamento Geométrico III Apresentação Quando uma determinada medição necessita ser realizada com o auxílio de várias instalações do nível do terreno ao longo do trecho a ser nivelado, dá-se o nome de nivelamento geométrico. Ou seja, o mesmo pode ser compreendido como uma sucessão de nivelamentos geométricos simples, sendo que esta técnica é aplicada para terrenos/áreas que apresentem desníveis acentuados ou onde os pontos extremos do nivelamento estão distantes um do outro. Neste tipo de nivelamento, o operador necessita se deslocar em um percurso conveniente para visar todos os pontos, ou seja, o nivelamento é feito por intermédio de um caminhamento. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará os diferentes tipos de caminhamento, os conceitos de altimetria, as diferenças entre altura elipsoidal e altitude ortométrica, ondulação geoidal e desvio na vertical, algumas medidas para tentar diminuir a ocorrência de erros nos levantamentos e os principais sinais de mão usados neste tipo de nivelamento. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar os diferentes tipos de nivelamento geométrico composto.• Descrever os principais conceitos sobre transporte de altitudes e a diferença entre altura elipsoidal, altitude ortométrica, ondulação geoidal e desvio na vertical. • Aplicar os sinais de mão para apoio ao nivelamento geométrico.• Desafio Existe uma série de erros que podem ocorrer durante o nivelamento altimétrico, os quais podem ser grosseiros, acidentais ou sistemáticos. Desta forma, é fundamental os profissionais prestarem atenção nos mesmos, pois de nada adianta possuir instrumentos modernos, se o profissional responsável pelo nivelamento não apresenta o conhecimento do correto funcionamento destes ou não apresenta cuidados mínimos em campo. Além disso, os profissionais devem estar atentos às normas e legislações, pois as mesmas possuem como função padronizar e organizar as atividades/serviços, como é o caso na NBR 13333/1993 - Execução de Levantamento Topográfico. Sabendo disso, você, topógrafo, foi chamado para medir uma determinada área, que apresenta 25o de inclinação e boa parte dela está coberta com vegetação. Desta forma, explique, conforme a NBR 13333/1993, quais as fases necessárias para um correto levantamento, visando organizar o serviço e, desta forma, diminuir ao mínimo o risco de erros no nivelamento. Infográfico Ao conjunto de operações de campo realizadas para a determinação das altitudes, cotas ou diferenças de alturas entre pontos, dá-se o nome de levantamento altimétrico ou nivelamento. Em decorrência da natureza e do processo de medidas usadas na determinação das cotas ou das altitudes, os nivelamentos são classificados principalmente em geométricos, trigonométricos e barométricos. Acompanhe no Infográfico a seguir, os principais tipos de nivelamentos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/0a661117-c987-4d11-8e43-4232fa3577f2/d098a960-6f9e-4eb4-ac32-937df9dcb31d.jpg Conteúdo do livro Altimetria é a parte da Topografia que tem por objetivo a determinação das alturas dos pontos do terreno em relação a uma superfície de referência e cuja finalidade é a representação do relevo. Designa-se por altitude a altura de um ponto do terreno em relação à superfície de nível médio dos mares e por "cota" a altura do ponto em relação a um plano horizontal arbitrário. A diferença de altura entre dois pontos é a diferença de nível entre estes pontos. Para saber mais, acompanhe a leitura do capítulo Altimetria - Nivelamento Geométrico III da obra Topografia e Geoprocessamento, que serve como base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. Conteúdo: TOPOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO Ronei Stein Altimetria: nivelamento geométrico III Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar os diferentes tipos de nivelamento geométrico composto. Retratar os principais conceitos sobre transporte de altitudes e a diferença entre altura elipsoidal e altitude ortométrica, ondulação geoidal e desvio na vertical. Descrever a importância de um bom nivelamento geométrico, por meio de sugestões e como os sinais de mão podem auxiliar nesta tarefa. Introdução Quando determinada medição necessita ser realizada com auxílio de várias instalações do nível do terreno ao longo do trecho a ser nivelado, se dá o nome de nivelamento geométrico. Ou seja, o mesmo pode ser com- preendido como uma sucessão de nivelamentos geométricos simples, sendo que esta técnica é aplicada para terrenos/áreas que apresentam desníveis acentuados ou onde os pontos extremos do nivelamento estão distantes um do outro. Neste tipo de nivelamento, o operador necessita se deslocar em um percurso conveniente para visar todos os pontos, isto é, o nivelamento é feito por intermédio de um caminhamento. Existem diferentes tipos de caminhamento, os quais podem ser sim- ples, misto, duplo ou com mira invertida. Cada uma exige cuidados e técnicas especiais, que serão apresentados neste capítulo. Visando dimi- nuir a ocorrência de erros nos levantamentos, serão apontadas algumas medidas para tentar minimizar esses erros, bem como, serão apresentados os principais sinais de mão usados neste tipo de nivelamento, os quais auxiliam o trabalho. U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 173 25/10/2017 22:49:33 Nivelamento geométrico: considerações iniciais Existem diferentes métodos de nivelamento, entre os quais, Silva (2003) destaca: Geométrico: é o mais exato dos nivelamentos realizado por meio de visadas horizontais com o instrumento chamado nível. Trigonométrico: realizado por teodolitos com visadas com qualquer inclinação. Mais rápido que o geométrico, mas menos preciso. Barométrico: baseia-se na relação existente entre a pressão atmos- férica e a altitude; tem pouca precisão; há necessidade de se efetuar correções devido à Maré Barométrica; dispensa visibilidade entre os pontos a nivelar. O método geométrico é o mais exato dos métodos de nivelamento, sendo realizado por visadas horizontais com o instrumento conhecido como nível. Dessa forma, por ser um levantamento de alta precisão, é utilizado principalmente ao longo de ferrovias e rodovias. Segundo Silva e Segantine (2015), o método geométrico (o qual se baseia este capítulo), é um método de determinação das diferenças de altitudes ou de cotas entre pontos a partir da medição da distância vertical entre cada um deles e um plano horizontal de referência, gerado por intermédio do instru- mento topográfico denominado nível. Quando o instrumento é estacionado e nivelado sobre determinada área, de modo que o eixo vertical coincida com a vertical do lugar, a luneta estabelece um plano horizontal à medida que ela é girada em torno do eixo vertical do instrumento. Assim, o nível instalado, juntamente com auxílio da mira graduada, permite realizar medições de alturas com precisões da ordem do milímetro. O nivelamento geométrico é adotado principalmente em: estradas, ao longo do eixo longitudinal; terraplanagem; Altimetria: nivelamento geométrico III 174 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 174 25/10/2017 22:49:34 lavouras (como arroz) e terraceamento; barragens. O nivelamento geográfico classifica-se em nivelamento geométrico simples e composto. O nivelamento geométrico simples ocorre quando é possível visar de uma única estação do nível, a mira colocada sucessivamente em todos os pontos do terreno a nivelar (PINTO, 1988). Ou seja, a diferença de altitudes ou cotas é determinada pelas diferenças entre os valores lidos nas miras instaladas sobre os pontos de nivelamento. O uso do nivelamento geométrico simples ocorre principalmente em pequenas áreas, como em pequenos lotes, em queo relevo é relativamente plano. Outro exemplo é o levantamento de seções transversais nos projetos de rodovias. O nivelamento geométrico composto ocorre quando a medição de campo necessita ser executada por intermédio de várias instalações do nível no ter- reno ao longo do trecho a ser nivelado. Devido aos desníveis acentuados e extensão dos pontos a nivelar, é necessário estacionar o aparelho em mais de uma posição, para nivelar o local em estudo. Então, o trecho a nivelar se decompõe em trechos menores e se realiza uma sucessão de nivelamento geométrico simples, devidamente amarrados uns aos outros pelas estacas de mudanças (COMASTRI; TULER, 2005). Para conhecer melhor o nivelamento geométrico composto, assista ao vídeo disponível no link ou código a seguir: https://goo.gl/vz1QNQ 175Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 175 25/10/2017 22:49:34 Classificação do nivelamento geométrico composto Silva e Segantine (2015) comentam que o nivelamento geométrico composto pode ser dividido em: caminhamento simples; caminhamento misto; caminhamento com mira invertida. O caminhamento simples ocorre quando dois pontos (A e B) estão loca- lizados em posições que não permitem uma instalação única do nível, sendo necessário realizar um caminhamento, nivelando todos os pontos intermediá- rios, que irão auxiliar na determinação da diferença de altitude entre os pontos. Em relação ao procedimento de campo, o caminhamento simples consiste em posicionar uma mira sobre o ponto (A) e instalar o nível numa posição a qual seja possível realizar o caminhamento no sentido de (A) para (B). O passo seguinte é realizar a primeira leitura de ré, a qual é denominada de Lv(1). Em seguida, o nível deve ser deslocado para a próxima posição (sentido do caminhamento), de modo que seja possível visar o ponto 1, em que uma nova leitura de ré é realizada, denominada de Lr(1). Outra leitura de vante deve ser realizada sobre o ponto (2) e novamente a leitura de ré (Lr(2)). O processo é repetido até alcançar o ponto (B), conforme ressalta Silva e Segantine (2015). Já em relação ao caminhamento misto, são realizadas leituras de vante de pontos que não pertencem ao caminhamento. O procedimento de campo está baseado na leitura de ré do ponto procedente do nivelamento e posteriores leituras de vante de vários pontos. Esses pontos são conhecidos como pontos irradiados. Ao término da leitura do último ponto irradiado, a leitura de vante deve ser realizada no ponto seguinte. Veja a Figura 1. Leitura de ré: feita a um ponto cuja cota ou altitude é conhecida. Ela serve somente para o cálculo do APV. Leitura de vante: é uma leitura a um ponto de cota ou altitude desconhecida. Ela serve para o cálculo da cota do ponto. Altimetria: nivelamento geométrico III 176 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 176 25/10/2017 22:49:36 Figura 1. Exemplo de nivelamento geométrico misto. Fonte: adaptada de Silva e Segantine (2015). Na Figura 1, os pontos RN1, A, B, C, D, E e RN2 pertencem ao caminha- mento. Já os pontos (1) ao (7) são os pontos irradiados não pertencentes ao caminhamento. Os pontos (RN1) e (RN2) são os pontos de altitudes conhecidas. Em se tratando do caminhamento com mira invertida, estes são usados em nivelamentos subterrâneos, muitas vezes, ocorrem situações em que as miras são posicionadas no teto do túnel em vez do piso. Nesse caso, o porta-mira apoia a mira acima do plano de referência, sendo que a mira fica invertida. Saiba que para manter a mesma convenção de cálculo do desnível adotado, basta considerar as leituras feitas na mira invertida como sendo negativas. Altimetria Também conhecida como hipsometria, esta consiste na medição de alturas ou de elevações, bem como, da análise e interpretação de seus resultados. O transporte de altitudes visa a determinação das diferenças de nível ou distâncias verticais entre pontos de determinada área ou terreno. Além da determinação do desnível entre os pontos, se deve incluir o transporte da cota ou altitude de um ponto conhecido (Referência de Nível-RN) para os pontos nivelados. 177Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 177 25/10/2017 22:49:36 Referência de nível (RN) consiste em marcos, os quais devem apresentar grande durabi- lidade e ser implantados em pontos próximos à obra. Ou seja, no nivelamento de área destinada à execução de projetos, cuja implantação exigirá a modificação do relevo do terreno, por exemplo, na construção de uma estrada, é necessário a determinação das cotas de pontos do projeto no decorrer da obra até sua finalização, sendo este procedimento realizado com o auxílio de marcos que servirão como referência para o nivelamento e para futuras verificações. Nas áreas rurais, os marcos podem ser árvores ou mesmos estacas de madeira com seção quadrada. Já em áreas urbanas, os RN são assinalados em soleiras de prédios, afastados do local em que irão ser executadas as obras, para que não sejam danificadas (PINTO, 1988). Quando a diferença de nível se refere a uma superfície qualquer, como rua ou calçada, recebe o nome de cota; quando se refere ao nível da superfície do mar, é chamada altitude. Mas o que seria exatamente a altitude de um ponto na superfície terrestre? Ela pode ser definida como a distância vertical de certo ponto em relação à superfície média dos mares (denominada Geoide). Já a cota de um ponto da superfície terrestre é definida como a distância vertical do ponto à uma su- perfície qualquer de referência (a qual é fictícia e não Geoide). Esta superfície de referência pode estar situada abaixo ou acima da superfície determinada pelo nível médio dos mares. É fundamental compreender o transporte de altitudes, pois muitos equipamentos topográficos são posicionados sobre a superfície topográfica e as medições realizadas são referenciadas, ora em relação ao elipsoide, ora em relação ao geoide, o que acaba produzindo uma inconsistência matemática, a qual necessita ser observada a fim de que os cálculos matemáticos e as determinações das posições dos pontos sobre a superfície terrestre sejam consistentes (SILVA; SEGANTINE, 2015). Altimetria: nivelamento geométrico III 178 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 178 25/10/2017 22:49:37 Entre as relações geométricas mais importantes para a Geomática, destacam-se: altura elipsoidal e altitude ortométrica; ondulação geoidal; desvio na vertical ou deflexão na vertical. Quando se mede a elevação de um ponto em relação à superfície do elip- soide de referência, está se medindo uma altura geométrica, ou elipsoidal (h). Quando a elevação de um ponto é medida em relação ao geoide, está se medindo a altitude ortométrica (H), sendo que este conceito de altitude possui significado físico, uma vez que define o potencial gravimétrico do ponto. Em se tratando da ondulação geoidal, é importante ressaltar que o geoide e o elipsoide raramente se coincidem, fato explicado devido às irregularidades do geoide, sendo que existe a necessidade de considerar a diferença de altura (N) entre eles, para realização dos cálculos geodésicos e topográficos. Esta diferença de altura recebe o nome de ondulação geoidal (ou altura geoidal), conforme Silva e Segantine (2015). O conhecimento do valor de (N) é fundamental para que se possam usar os sistemas de posicionamentos por satélites artificiais adequadamente, em termos de altitudes. Por essa razão, os institutos geodésicos ou organizações de mapeamento de vários países têm se preocupado com o desenvolvimento de modelos mais precisos para a ondulação geoidal. Outro efeito geométrico importante, oriundo da inconsistência geométrica entre o geoide e o elipsoide é o desvio da vertical. Silva e Segantine (2015) descrevem que devido ao fato dos equipamentos topográficos estarem nive- lados de acordo com a vertical do lugar, há uma diferença angular entre a tangenterepresentativa da vertical do lugar e a reta representativa da normal ao elipsoide, à qual denomina-se desvio da vertical. Este desvio é comumente representado pela letra grega (Ɵ). Veja a Figura 2. 179Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 179 25/10/2017 22:49:37 Figura 2. Desvio na vertical. Fonte: Silva e Segantine (2015). Existem diversos aparelhos utilizados em altimetria, por exemplo, o nível de precisão, teodolitos taquimétricos, barômetros, altímetros, nível de borracha, entre outros. Importância e cuidados do nivelamento geométrico É muito comum acontecerem erros quando ocorre o nivelamento geométrico, sendo que, muitos casos são acidentais e tendem a aumentar em função do comprimento da linha de nivelamento. Estes erros podem ser de dois tipos, conforme ressalta McCormac (2007): Erros grosseiros comuns no nivelamento: erros de leitura de mira; troca do ponto de mudança; erros de anotações de campo e erros com miras extensíveis. Erros do próprio nivelamento: erros de verticalidade; assentamento da mira; acumulação de gelo, barro ou neve na base da mira; mira não estendida completamente; comprimento incorreto da mira; distâncias Altimetria: nivelamento geométrico III 180 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 180 25/10/2017 22:49:38 desiguais entre as visadas de ré (VR) e das visadas a vante (VV); bolha do nível não centrada; acomodação do nível; instrumento não retificado ou não calibrado; focagem incorreta da luneta; ondas de calor ou reverberação e vento. A NBR 13.133/1993, intitulada Execução de levantamentos topográficos, traz especi- ficações para nivelamentos. Como evitar que estes erros (tanto os grosseiros como do próprio nivela- mento) ocorram? Nos primeiros trabalhos, é comum os profissionais da área da topografia cometerem erros porque a prática vai se adquirindo com o passar do tempo. Porém, veja algumas dicas para minimizar os erros: as pernas do tripé devem estar fixas firmemente; verificar se a folha está centrada antes e depois das leituras de mira; as leituras entre VR e VV devem ser tomadas com o menor tempo possível; na instalação do nível, você deve utilizar distâncias de VR e VV apro- ximadamente iguais; providenciar níveis (esférico, convencional, entre outros) com os quais as miras possam ser aprumadas, ou então, obrigar o porta-miras a balançar lentamente em direção ou se afastando do instrumento; quando a área apresentar inclinação, duas das pernas do tripé devem ser afixadas no lado mais baixo, a fim de evitar a queda do aparelho. Sinais de mão Para haver um bom levantamento, deve haver comunicação entre todos os pro- fi ssionais envolvidos no trabalho. No nivelamento geométrico não é diferente, sendo os sinais de mãos uma excelente “ferramenta” para a comunicação entre a equipe, sendo usados principalmente, pois neste tipo de trabalho, a distância entre os profi ssionais pode ser grande e o barulho pode ser excessivo (muitas vezes se tem tráfego de veículos ou de máquinas pesadas, principalmente quando o nivelamento ocorrer em um canteiro de obras). 181Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 181 25/10/2017 22:49:38 Na ausência de rádios portáteis, um conjunto de sinais de mão deve ser adotado pela equipe, que devem ser claramente entendidos por todos os en- volvidos, visando realizar um trabalho de qualidade. O operador deve lembrar que possui uma luneta com a qual o porta-mira pode ser observado. Porém, o porta-mira pode não ver o operador tão nitidamente, sendo necessário que o operador forneça sinais para o porta-mira. Entre os sinais mais utilizados, McCormac (2007) apresenta: Aprume da mira: um braço é levantado acima da cabeça e movido na direção que a mira deve ser inclinada. Balance da mira: o operador levanta um braço acima de sua cabeça e o move de um lado para o outro. Mira alta: para dar o sinal para estender a mira, colocar os braços abertos para os lados e depois dobrá-los sobre a cabeça. Levante para vermelho: às vezes, para visadas muito curtas, as marcas vermelhas de graduação cheia (metro) não cairão dentro do campo de visada da luneta e, com o sinal “levante para o vermelho”, o operador pede para levantar um pouco a mira para poder determinar a leitura correta de metro. Dessa forma, um braço é esticado para a frente, com a palma para cima e ligeiramente levantada. Tudo bem: os braços são estendidos horizontalmente e são balançados para cima e para baixo. Pegue o instrumento: o chefe de equipe pode dar este sinal quando deseja uma nova instalação do instrumento. Deve-se levantar as mãos rapidamente de uma posição baixa como se um objeto estivesse sendo levantado. Levante o alvo: a mão deve ser levantada acima do ombro com a palma visível. Caso um grande deslocamento seja necessário, a mão deve ser movida bruscamente, porém, caso o movimento seja pequeno, a mão é movida lentamente. Abaixe o alvo: o caimento da mão abaixo da cintura significa descer o alvo. Prenda o alvo: o operador deve manter o braço na horizontal, movendo a mão em círculos verticais. A Figura 3 apresenta os sinais de mão descritos, como forma de compre- ender melhor como são usados no nivelamento. Altimetria: nivelamento geométrico III 182 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 182 25/10/2017 22:49:39 Figura 3. Sinais de mão. Fonte: adaptada de McCormac (2007). 1. Analisando a figura abaixo, o que o operador quer dizer com os sinais de mão? a) Tudo bem. b) Aprume a mira. c) Pegue o instrumento. d) Prenda o alvo. e) Balance a mira. 2. O levantamento consiste em percorrer o contorno de um polígono, saindo de um ponto inicial e retornando a ele, medindo-se os ângulos e as distâncias dos lados que compõem tal polígono. Quando são realizadas leituras de vante de pontos que não pertencem ao caminhamento, qual é o nome atribuído a esta técnica? a) Caminhamento com mira invertida. b) Caminhamento simples. c) Nivelamento geométrico simples. d) Caminhamento misto. e) Nivelamento de precisão. 3. Caso as pernas do tripé não estejam firmemente presas e alinhadas, diversos erros podem ser cometidos no trabalho de nivelamento de determinada 183Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 183 25/10/2017 22:49:41 área. Em relação a esta definição, assinale a alternativa correta. a) Tripés tortos fazem com que a bolha de nível fique centrada. b) O tripé torto faz com que a acomodação do nível seja falha. c) O tripé torno ocasiona calibração incorreta dos instrumentos. d) O tripé torno não interfere na paralaxe. e) O tripé torno ocasiona apenas problemas na medição da área. 4. Entre as afirmações a seguir, qual se refere à altitude ortométrica? a) Distância contada sobre a normal entre o ponto e o elipsoide. b) Ângulo formado pela normal que passa pelo ponto e sua projeção no Equador. c) Distância contada sobre a normal, entre as superfícies geoidal e elipsoidal. d) É o ângulo do diedro formado pelo meridiano médio de Greenwich e o meridiano do ponto. e) É a distância contada sobre a vertical entre o ponto e o geoide. 5. Em relação à altimetria, assinale a alternativa correta. a) As referências de nível são marcos numéricos usados nas áreas urbanas, visando a comparação a partir de um ponto estabelecido que pode ser transferido e relacionado a outros pontos de um terreno ou obra, sejam eles mais altos ou mais baixos. b) Cota é definida como sendo distância vertical de certo ponto, em relação à superfície média dos mares (denominada geoide). c) A hipsometria é muito utilizada em obras civis, porém, é pouco usada na representação de mapas, por exemplo. d) A superfície do geoide é mais irregular do que o elipsoide de revolução, usado habitualmente para aproximar a forma do planeta, mas consideravelmente mais suave do que a própriasuperfície física terrestre. e) O geoide e o elipsoide se coincidem frequentemente em se tratando da ondulação geoidal. Altimetria: nivelamento geométrico III 184 U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 184 25/10/2017 22:49:42 COMASTRI, J. A.; TULER, J. C. Topografia: altimetria. 3. ed. Viçosa, MG: UFV, 2005. MCCORMAC, J. C. Topografia. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007. PINTO, L. E. K. Curso de topografia. Salvador: Centro Editorial e Didático da UFBA, 1988. SILVA, J. L. B. Nivelamento geométrico. Porto Alegre, 2003. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2017. SILVA, I.; SEGANTINE, P. C. L. Topografia para engenharia: teoria e prática de geomática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. Leituras recomendadas CASACA, J.; MATOS, J.; BAIO, M. Topografia geral. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. TULER, M.; SARAIVA, S. Fundamentos de topografia. Porto Alegre: Bookman, 2014. VEIGA, L. A. K.; ZANETTI, M. A. Z.; FAGGION, P. L. Fundamentos de topografia. 2012. Dis- ponível em: . Acesso: 23 set. 2017. 185Altimetria: nivelamento geométrico III U2_C15_Topografia e geoprocessamento.indd 185 25/10/2017 22:49:43 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Dica do professor As áreas de atuação nos estudos de topografia de um terreno incluem diversos levantamentos. Com auxílio destes levantamentos, é possível adquirir uma série de dados, os quais ajudam a compor o perfil completo do terreno (ou da área). Esses dados são todos os detalhes e medições exatas do território, como o perímetro, a área, os limites territoriais e as diferenças de nível. O levantamento altimétrico é o estudo responsável por medir as diferenças de nível de um mesmo território, de forma que se conheçam todas as irregularidades do relevo do local. Porém, este levantamento deve ser realizado com cautela, pois é comum a ocorrência de erros grosseiros, sistemáticos e acidentais. Quer saber o que são esses erros? Veja no vídeo a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/c9905b706e8067eb7bdbed021b8a2e62 Exercícios 1) Na imagem a seguir, o que o operador quer dizer com os sinais de mão? A) Tudo bem. B) Aprume a mira. C) Pegue o instrumento. D) Prenda o alvo. E) Balance a mira. 2) O levantamento consiste em percorrer o contorno de um polígono, saindo de um ponto inicial e retornando a ele, medindo-se os ângulos e as distâncias dos lados que compõem tal polígono. Quando são realizadas leituras de vante de pontos que não pertencem ao caminhamento, qual é o nome atribuído a esta técnica? A) Caminhamento com mira invertida. B) Caminhamento simples. http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/layout/1876908558/2019-08-04-15-38-58-exercicio.jpg?v=2056427134 C) Nivelamento geométrico simples. D) Caminhamento misto. E) Nivelamento de precisão. 3) Caso as pernas do tripé não estejam firmemente presas e alinhadas, diversos erros podem ser cometidos no trabalho de nivelamento de uma determinada área. Em relação a esta definição, assinale a alternativa correta: A) tripés tortos fazem com que a bolha de nível fique centrada. B) o tripé torto faz com que a acomodação do nível seja falha. C) o tripé torto ocasiona em uma calibração incorreta dos instrumentos. D) o tripé torto não interfere na paralaxe. E) o tripé torto ocasiona apenas problemas na medição da área. 4) Entre as afirmações a seguir, qual refere-se à altitude ortométrica? A) Distância contada sobre a normal entre o ponto e o elipsoide. B) Ângulo formado pela normal que passa pelo ponto e sua projeção no Equador. C) Distância contada sobre a normal, entre as superfícies geoidal e elipsoidal. D) É o ângulo do diedro formado pelo Meridiano de Greenwich e o meridiano do ponto. E) É a distância contada sobre a vertical entre o ponto e o geóide. 5) Em relação a altimetria, assinale alternativa correta: A) as referências de nível são marcos numéricos usados nas áreas urbanas, visando a comparação a partir de um ponto estabelecido que pode ser transferido e relacionado a outros pontos de um terreno ou obra, sejam eles mais altos ou mais baixos. B) cota é definida como sendo a distância vertical de um certo ponto, em relação a superfície média dos mares (geoide). C) a hipsometria é muito utilizada em obras civis, porém, é pouco usada na representação de mapas, por exemplo. D) a superfície do geoide é mais irregular do que o elipsoide de revolução usado habitualmente para aproximar a forma do planeta, mas consideravelmente mais suave do que a própria superfície física terrestre. E) o geoide e o elipsoide se coincidem frequentemente em se tratando da ondulação geoidal. Na prática Em relação à ciência geodésica, a qual analisa a determinação da forma, das dimensões e do campo de gravidade da Terra, são utilizadas três superfícies de referência: superfície terrestre (superfície topográfica real da Terra); geoide (superfície equipotencial do campo gravítico terrestre que mais se aproxima do nível médio das águas do mar); elipsoide (superfície matemática fictícia, sem qualquer realidade física). O geoide e o elipsoide raramente se coincidem, fato explicado devido às irregularidades do primeiro, sendo que existe a necessidade de considerar a diferença de altura (N) entre eles, para realização dos cálculos geodésicos e topográficos. A ondulação do geoide pode ser positiva ou negativa, isso irá depender se o geoide se encontra acima ou abaixo do elipsoide. Mas você sabe como a ondulação geoidal é utilizada no dia a dia dos levantamentos topográficos? Veja na imagem a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/16fa4921-1e3f-4817-91ea-6d17517663b0/7bd43813-c9e0-4a34-abb9-7dca8a3c8a2e.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Compreenda por meio do vídeo Nivelamento topográfico geométrico quais as etapas necessárias para realizar esse nivelamento cujo método é o mais exato e, por isso, amplamente utilizado. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Veja por meio da leitura do artigo O uso da topografia para auxílio de recuperação de uma área degradada, que demonstra de que forma o nivelamento geométrico pode auxiliar no mapeamento, controle e recuperação de áreas ambientais conforme o que preconiza a nova Legislação Florestal, de 2012. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Aprofunde os seus conhecimentos por meio da leitura do artigo Geodésia aplicada à integração de dados topográfico e batimétricos na caracterização de superfícies de praia, onde é apresentado uma metodologia desenvolvida para levantamento, geração e avaliação de Modelos Digitais de Elevação (MDE) de superfícies praiais, associando os setores emersos e submersos em litorais arenosos a partir da integração https://www.youtube.com/embed/aafeBdIzAaY?rel=0 https://www.amigosdanatureza.org.br/publicacoes/index.php/forum_ambiental/article/view/881/905 de dados topográficos e batimétricos mensurados in situ e georreferenciados com precisão decimétrica, compatível aos estudos de geomorfologia e dinâmica costeira de curta duração. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.seer.ufu.br/index.php/revistabrasileiracartografia/article/view/43904/23168