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IMUNOLOGIA 
 PARTE 1 
 
Propriedades e Visão Geral 
das Respostas Imunes 
(Aula 1) 
 
-Imunidade : proteção contra doenças, 
especificamente, doenças infecciosas 
 
-Sistema imune : células e moléculas 
responsáveis pela imunidade, sua falta 
ou deficiência pode causar doenças 
graves, ou até mesmo à morte de 
vertebrados. 
 
-Resposta imune : resposta coletiva e 
coordenada à entrada de substâncias 
estranhas 
 
Obs: mesmo substâncias estranhas não 
infecciosas podem elicitar respostas 
imunes 
 
Intolerância alimentar X Alergia 
Alimentar 
 
-Intolerância: o corpo tem dificuldade na 
digestão/degradação do alimento 
 
-Alergia: o corpo reage combatendo o 
alimento 
como se fosse um agente agressor, terá 
manifestações 
em outros sistemas também, o dano é 
associado ao 
sistema imunológico. 
 
 Vacina (histórico) 
 
-Edward jenner, em 1798 
- Percebeu que vacas leiteiras que 
tinham se recuperado da varíola bovina 
nunca mais contraíam a forma mais 
grave da doença, com isso ele injetou o 
material de uma pústula de varíola 
bovina no braço de um menino de 8 
anos de idade. Quando o menino foi 
inoculado com a varíola, a doença não 
se desenvolveu. 
-A vacinação é o método mais eficaz 
para prevenção de doenças infecciosas 
 
 Funções biológicas do sistema imune 
 
 
-Reconhece e elimina moléculas 
alteradas ou mortas, agentes 
infecciosos, células tumorais e 
células/tecidos/órgãos de origem 
genética diferentes (transplantes) 
 
 Imunidade Inata X Imunidade 
Adaptativa 
 
 Imunidade inata: é presente ao nascer, é 
a primeira linha de defesa e são 
preparados para responder 
rapidamente a infecções 
-Não possui memória imunológica 
-Não muda a intensidade com a 
exposição, sempre é como se fosse a 
primeira vez 
-Possui uma resposta imediata e sem 
especificidade 
-Componentes: 
● barreiras físicas e químicas 
● Fagócitos: neutrófilos, 
macrófagos, células natural Killer 
(NK) e dendríticas 
● Proteínas sanguíneas 
-PAMPs: padrões moleculares associados 
a patógenos 
Permite que o sistema imune reconheça 
e responda rapidamente a infecção 
- PRRs: Receptores que detectam as 
PAMPs 
 
Imunidade adaptativa: 
-é adquirida através da exposição 
-Possui memória imunológica, 
capacidade do sistema imune de 
reconhecer e reagir a um mesmo 
antígeno 
-Possui especificidade, a habilidade de 
distinguir entre diferentes substâncias 
 
 
- Aumenta a intensidade com a 
exposição 
-Possui eventos mais lentos 
-Componentes: 
● linfócitos e seus produtos 
secretados, tais como anticorpos. 
-Tipos 
● Imunidade adaptativa humoral: 
mediada por anticorpos 
● Imunidade adaptativa celular: 
mediada pelos linfócitos T 
 
Obs: Substâncias estranhas que 
induzem as respostas imunes específicas 
ou são reconhecidas pelos linfócitos ou 
anticorpos chamam-se antígenos. 
 
Obs: O sistema imune adaptativo é 
altamente dependente das células do 
sistema imune inato para que possa 
saber quando, como e por quanto 
tempo responder 
 
 
Células, órgãos e tecidos 
do sistema imune (Aula 2) 
 
 
Órgãos linfóides Primários: classificados 
como órgãos geradores, produção e 
maturação de células imunológicas 
>>>>>> Timo e medula óssea 
 
 
Órgãos linfóides Secundários: Onde as 
respostas dos linfócitos aos antígenos 
estranhos são iniciadas e se 
desenvolvem. São os locais de ativação 
dos linfócitos >>>>> Amígdalas e 
adenóides, baço, linfonodos, placas de 
peyer e apêndice 
 
 
Medula óssea 
 
● local de geração da maioria das 
células sanguíneas maduras 
circulantes, incluindo hemácias, 
granulócitos e monócitos, e o 
local dos eventos iniciais na 
maturação da célula B. 
● A geração de todas as células 
sanguíneas é chamada de 
hematopoese 
● As células que apresentam a 
capacidade de gerar todo um 
novo indivíduo, semelhantes às 
células tronco embrionárias são 
chamadas de totipotentes. 
● A diferença ocorre em duas 
linhagens principais: origem 
mieloide (originam as principais 
células da imunidade inata: 
fagócitos, macrófagos, neutrófilos, 
células vermelhas, hemácias e 
plaquetas) e origem linfoide 
(originam linfócitos) 
 
 
Obs: As células são capazes de se 
diferenciar através de um estímulo 
químico, com a presença das citocinas, 
que são chamadas de fatores 
estimuladores de colônia (ou CSFs) pois 
induzem diferenciação e expansão de 
um dado tipo celular, ou seja, as 
citocinas ditam essa diferenciação. A 
principal citocina relacionada a essa 
diferenciação é a IL7. Essa citocina é 
aumentada durante as infecções, visto 
que com uma infecção é necessário 
aumentar a demanda, ou seja, a 
quantidade dessas células, IL7 é 
aumentado para o aumento da 
diferenciação e a proliferação dessas 
células imunológicas 
 
 
Timo 
● Responsável pela maturação de 
linfócitos T 
● Depois que as células 
amadurecem, deixam a medula ou 
o timo e vão povoar os órgãos 
linfóides secundários 
● é um órgão que se atrofia com a 
puberdade 
● é um órgão bilobado situado no 
mediastino anterior. 
● apresenta medula (encontra 
células dendríticas) e córtex 
(encontra mais linfócitos) 
 
 
 
Obs: Camundongos nudes: 
camundongos com um defeito 
embriológico e não possuem timo e 
pelos. Com a ausência de timo possuem 
defeito na maturação dos linfócitos T. 
 
 
Sistema Linfático 
● Linfonodos: Funcionam como um 
filtro, drenam a linfa. 
 
 
Baço 
Responsável por drenar/filtrar 
microorganismos presentes na corrente 
sanguínea 
 
Obs: esplenomegalia: hipertrofia do 
baço, ele aumenta seu tamanho devido 
o aumento da proliferação de células 
imunológicas 
 
 
 
Obs: “O menino da bolha”: a síndrome da 
deficiência imunológica combinada 
severa, é uma doença rara e genética. 
Ela torna o indivíduo extremamente 
suscetível a infecções. Bebês com SCID 
nascem com um sistema imunológico 
muito fraco ou inexistente, o que os 
impede de combater infecções comuns, 
tornando-as potencialmente fatais. Um 
indivíduo com essa imunodeficiência 
não produz ou produz de maneira 
defeituosa os linfócitos T e B e não 
consegue combater os agentes 
infecciosos de maneira eficaz. Esse caso 
demonstra a importância do sistema 
imune na ação contra agentes 
infecciosos com o seu reconhecimento e 
eliminação e a importância da 
imunidade adaptativa. A imunidade 
inata sozinha não é suficiente para nos 
proteger e nos defender de patógenos. 
 
 
Tipos de linfócitos 
 
1. Linfócitos T auxiliares 
2. Linfócitos T citoliticos 
3. Linfócitos B 
4. Células NK 
 
Obs: Como diferenciar esses linfócitos: 
eles possuem marcadores específicos 
nas membranas dessas células que nos 
ajuda a diferenciação 
CD: molécula que auxilia a diferenciação 
desses linfócitos 
Ex: Linfócito T auxiliar: CD4+ 
Ex: Linfócito T citolítico: CD8+ 
 
 
 
CÉLULAS DO SISTEMA 
IMUNE 
 
Obs: Fagócitos 
-são as células cuja função primária é 
ingerir e destruir microrganismos e se 
livrar dos tecidos danificados. 
-Inclui neutrófilos e macrófagos 
 
Passos das respostas dos fagócitos na 
defesa do hospedeiro: 
● Recrutamento das células para 
locais de infecção 
● Reconhecimento e ativação de 
micro-organismos 
● Ingestão por fagocitose 
● Destruição dos microorganismos 
ingeridos 
 
 
Células da Imunidade inata 
 
 
 
 
Macrófago: fagocitose, ingere e destrói o 
microorganismo, apresenta o 
microorganismo processado para a 
imunidade adaptativa e libera enzimas 
que vão contribuir para destruição do 
microorganismo 
 
Obs: essas enzimas liberadas, em 
excesso, podem gerar lesão tecidual. um 
local com muito macrófagos ou 
neutrófilos ativados podem gerar essa 
lesão tecidual e pode causar prejuízo. 
 
Obs: Monócitos são um tipo de glóbulo 
branco que, ao saírem da corrente 
sanguínea e entrarem nos tecidos, se 
diferenciam em macrófagos. Os 
macrófagos são monócitos que 
migraram para tecidos e se 
transformaram em células 
especializadas na defesa do corpo 
 
Obs: Os macrófagos podem receber 
nomes diferentes em determinados 
tecidosEx: No fígado, os macrófagos são as 
células de Kupffer 
 
Células dendríticas (DCs): Células em 
formato de estrela, capturam antígenos 
dos sítios periféricos e fazem 
apresentação destes à células T nos 
linfonodos 
 
 
Neutrófilos: Possui função fagocítica, 
ingere e processa o microorganismo e 
apresenta para os linfócitos 
 
 
Eosinófilos: responsáveis pela morte de 
parasitos recobertos por anticorpos. 
Participam de processos alérgicos 
 
 
Basófilos: Assim como os mastócitos 
participam de reações alérgicas 
imediatas. Liberam histamina, heparina 
e citocinas, promovendo vasodilatação e 
aumento da permeabilidade vascular 
Estão envolvidos também na resposta 
contra parasitas e na regulação de 
processos inflamatórios. 
 
 
Mastócitos: Atuam na liberação de 
grânulos contendo histamina e outros 
agentes ativos. Fundamentais em 
reações alérgicas, atuam na defesa 
contra verminoses 
 
 
Obs: A histamina é vasodilatadora, 
aumenta a permeabilidade do vaso e 
provoca a vermelhidão e edema local. 
Ela atua como mediador inflamatório. 
 
 
Obs: Pergunta: Um acadêmico de 
medicina sofreu um corte na mão ao 
manusear um estilete que possibilitou a 
entrada de bactérias patogênicas. Qual 
a sequência de eventos e as células 
imunológicas que poderiam estar 
envolvidas na eliminação deste 
patógeno até a produção de memória 
imunológica. 
R: A barreira física, a primeira barreira de 
defesa, é rompida devido ao corte, o que 
permitiu as bactérias entrarem no 
tecido. No primeiro momento o sistema 
imune inato é ativado. As células do 
tecido lesado liberam mediadores 
inflamatórios (como histamina, 
prostaglandinas e citocinas), 
promovendo vasodilatação, aumento da 
permeabilidade vascular e recrutamento 
celular para o local da infecção. Os 
fagócitos, principalmente neutrófilos, 
são os primeiros a chegar, realizando 
fagocitose e liberação de enzimas 
antimicrobianas. Em seguida, os 
macrófagos entram em ação, 
fagocitando os patógenos. Nesse 
processo, células como mastócitos e 
células dendríticas também participam, 
liberando mediadores que intensificam a 
resposta e atraem mais células para o 
foco infeccioso. As células dendríticas, 
após fagocitar e processar os antígenos 
bacterianos, migram até os linfonodos 
regionais, onde apresentam esses 
antígenos às células T auxiliares (CD4⁺). 
A ativação dos linfócitos T auxiliares 
estimula tanto a resposta imune celular, 
com ativação de linfócitos T citotóxicos 
(CD8⁺), quanto a resposta imune 
humoral, por meio da ativação dos 
 
 
linfócitos B, que se diferenciam em 
plasmócitos produtores de anticorpos 
específicos contra a bactéria. Os 
anticorpos produzidos neutralizam 
toxinas, facilitando a fagocitose e ativam 
o sistema complemento, potencializando 
a eliminação do patógeno. Com a 
resolução da infecção, parte dos 
linfócitos T e B ativados se diferenciam 
em células de memória, que 
permanecem no organismo e garantem 
uma resposta mais rápida e eficaz em 
caso de reinfecção pelo mesmo agente. 
Assim, a resposta imune progride desde 
a ativação da imunidade inata, com 
barreiras físicas e celulares, até a 
imunidade adaptativa, culminando na 
formação de memória imunológica. 
 
 
 
IMUNIDADE INATA (AULA 
3) 
 
● Envolve barreira físicas, químicas 
e imunológica 
● Células da imunidade inata 
 
Obs: atuação do sistema imune 
O que é desejável: proteção e eliminação 
de seres invasores 
O que é indesejável: desconforto 
(inflamação) e danos aos próprios 
tecidos (doença autoimune) 
*nem todas as vezes o sistema imune vai 
gerar uma resposta desejável, que visa 
sua função e pode gerar lesão 
 
 
Vias que os patógenos podem infectar o 
organismo (porta de entrada) 
 
● Vias aéreas: transmitido por 
gotículas inaladas e esporos 
Ex: Vírus influenza (Doença Influenza) 
 
 
● Trato Gastrointestinal: 
Transmitido por ingestão de água 
ou alimento contaminado 
Ex:Salmonella Typhi ( Febre Tifoide) 
 
 
● Trato Reprodutivo: Transmitido 
por contato físico 
Ex:HIV (Aids) 
 
 
Barreiras que impedem que os 
patógenos colonizem os tecidos 
 
● Mecânica: Células epiteliais se 
unem pelas junções ocludentes e 
formam uma barreira 
 Nos pulmões: movimento do muco 
pelo cílios 
 Nos olhos: lágrimas 
 No nariz: cílios nasais 
 
 
● Química: Enzimas salivares e 
enzimas como a pepsina, 
peptídeos antibacterianos, ph 
 
 
 
● Microbiológica: é uma barreira 
em torno do microbioma, tanto 
intestinal, trato respiratório, na 
pele, trato urogenital, entre 
outros. Microorganismos do 
microbioma vão dificultar a 
entrada de patógenos muitas 
vezes pela própria competição 
 
 
Obs: Disbiose: quando há um 
desequilíbrio da microbiota intestinal, 
onde há uma diminuição das bactérias 
"boas" e/ou um aumento das bactérias 
"más" (patógenos) nós ficamos mais 
suscetíveis a infecções patogênicas. 
 
 
Primeira linha de defesa 
 
● A primeira linha de defesa do 
sistema imune e através das 
superfícies epiteliais, que forma 
uma barreira física à infecção e 
bloqueia a entrada dos 
patógenos 
● Faz a destruição de 
microorganismos por meios de 
 
 
antibióticos produzidos 
localmente (como defensinas e 
catelicidinas) que conseguem, por 
exemplo, destruir parede de 
bactéria ou cápsula de vírus. 
● São presentes no epitélio 
linfócitos intra-epiteliais, células 
que podem reconhecer e linfar os 
microorganismos 
 
Obs: as respostas imunes inatas podem 
manter a infecção sob controle até as 
respostas imunes adaptativas serem 
ativadas, que são respostas mais 
potentes e especializadas. 
 
Células da Imunidade Inata (Barreiras 
secundárias) 
 
 Funções: 
● Reconhecimento do agressor 
● Mecanismos efetores para 
eliminar o agressor ou limitar 
suas ações 
● Estimular os linfócitos – 
Imunidade adquirida 
● Restaurar a integridade funcional 
e histológica do tecido. 
 
 
● Neutrófilos: células fagocíticas 
encontrados na corrente 
sanguínea que podem sair 
quando há uma invasão nos 
tecidos (diapedese) 
- podem realizar lise intracelular, 
inflamação e dano tecidual 
- Vivem cerca de 6 horas (ele não se 
multiplica no tecido) 
- Possui grânulos pré formados 
(pode liberar enzimas como 
lisosima, colagenase e elastase 
que podem auxiliar na 
movimentação em tecidos 
conjuntivos, ajuda na passagem 
de fibras, por exemplo) 
 
 Obs: Pus: o que gera a coloração 
amarela/esverdeada são os neutrófilos 
que morreram ali, chegam em grande 
quantidade e morrem junto com o 
microrganismo, já que eles não se 
multiplicam no tecido e tem uma vida 
curta 
 
 
● Macrófagos: derivados dos 
monócitos 
- células fagocíticas, fagocitam e 
destroem o microorganismo 
- fazem a apresentação do 
antígeno para a resposta 
adaptativa 
- Reparo tecidual 
- realiza a morte de patógeno que 
estão intra e extra-célular (dentro 
e fora da célula). 
 
Obs: todo monócito se transforma em 
um macrófago, mas nem todo 
macrófago se origina de um monócito. 
Existe o macrófago originado dos 
monócitos, mas também existe os 
macrófagos teciduais, que são os que já 
nascemos com eles no tecido. Mesmo 
tendo origem diferentes eles possuem 
mesma função e ação. 
 
● Células dendríticas: 
Apresentação do antígeno 
 
 
● Células natural killer (NK): 
Associadas a infecções virais, 
reconhecem e eliminam células 
infectadas ou células tumorais 
(mata a célula hospedeira). 
- Produz citocinas que vão 
coordenar as respostas. A 
citocina interferon é a mais 
importante porque ela tem a 
função de ativar o macrófago. O 
contrário também ocorre: o 
macrófago produz citocina que 
ativa a células NK 
- Induz a morte por apoptose de 
células infectadas 
- Ativação das células NK: em 
células infectadas o vírus inibe a 
expressão da molécula chamada 
MHC classe I, que é o sinal 
inibidor da ação das células NK, 
isso gera a ativação das células 
NK causando a destruição dessa 
célula infectada, ou seja, ela é 
atividade pela falta desse inibidor 
 
 
 
 
 
 
 
● Eusinófilo:Age em alergia e em 
parasitoses, contém grânulos 
contendo enzimas que provocam 
destruição 
 
● Basófilo: Associada a alergias, 
principalmente as mais tardias, 
gera um aumento de 
permeabilidade que ele gera nos 
vasos que provoca o aumento de 
líquido intersticial formando 
edemas 
 
● Monócito: inicialmente está na 
corrente sanguínea com o 
neutrófilo, mas ele demora a sair, 
e chegando no tecido ele se 
transforma em macrófago 
 
 
● Mastócito: libera moléculas 
inflamatórias (como a histamina) 
 
 
Obs: Todas as células da imunidade 
inata se comunicam através das 
citocinas, todas tem a habilidade de 
produzir citocinas (proteínas que vão 
ajudar na ativação ou na inibição delas, 
vai sinalizar o que uma célula que tem 
que fazer) 
 
Obs: Fagocitose 
● Micróbios se ligam aos receptores 
(receptores de reconhecimento 
padrão) dos fagócitos 
● A membrana do fagócito se fecha 
(muda seu formato com o 
citoesqueleto) em torno do 
micróbio e ingere no fagossomo 
● Fagossomo: organela formada 
pela nova projeção que o fagócito 
gerou para ingerir o patógeno 
● O fagossomo se funde com o 
lisossomo (organela que possui 
enzimas que provoca destruição) 
e forma fagolisossomo 
● O fagolisossomo liberam enzimas 
lisossômicas que destroem o 
patógeno 
● Além das enzimas lisossomais o 
fagócito também produz 
moléculas reativas tanto dióxido 
nítrico tanto moléculas reativas 
de oxigênio 
 
 
 
 
Células atípicas 
 
-não são encontradas frequentemente, 
mas podem aparecer 
 
● Linfócito B1 (cavidade peritoneal 
e pleural) 
● Linfócito T gama delta 
(Intra-epitelial, reconhecem 
glicolipídeos) 
● Células NKT (misto de NK e 
linfócito T) 
● Mastócitos 
 
 
 
 
Receptores de reconhecimento de 
padrões (PRR) 
 
● Reconhecem padrões estruturais 
que se repetem nos patógenos. 
● Chamadas de Padrões 
Moleculares Associados a 
Patógenos (PAMPS). 
● Ex: LPS, CpG, RNA de dupla fita, 
Ácido lipoteicóico, etc. 
 
 
● Receptores de reconhecimento 
padrão (PRRs) - são receptores do 
sistema imune inato que 
reconhecem padrões moleculares 
comuns na superfície dos 
patógenos. Receptores de PAMPs. 
 
● Padrões moleculares associados 
a patógenos (PAMPs) - são 
padrões moleculares comuns 
presentes nas superfície de 
patógenos. Se ligam aos PRRs. 
 
● Padrões moleculares associados 
ao dano (DAMPs) - podem ser 
produzidos como resultado de 
dano celular causado por 
infecções, mas eles também 
podem indicar lesão estéril às 
células causada por qualquer das 
inúmeras razões, tais como 
toxinas químicas, queimaduras, 
trauma ou redução no 
suprimento sanguíneo 
 
Obs: Receptores do tipo toll (TLRs) : 
proteínas transmembranares que atuam 
na imunidade inata, detectando padrões 
moleculares associados a patógenos 
(PAMPs) e a danos celulares (DAMPs) para 
iniciar respostas. Possui uma coletânea 
de receptores que são específicos para 
moléculas do patógeno. 
*Cada célula da imunidade inata tem 
uma diversidade de receptores de 
padrão para reconhecer o patógeno 
 
 
 
 
 
Processo inflamatório 
 
● Inflamação: 
Resposta tecidual á presença de 
microrganismos ou a uma lesão. 
É um mecanismo protetor vital 
 
Reação inflamatória 
 
● Fase aguda 
- Curta duração 
- Dilatação dos vasos 
- Maior permeabilidade vascular 
 
● Fase crônica 
- longa duração 
- Presença de macrofagos e 
linfócitos 
- Proliferação de vasos e tecido 
conjuntivo 
 
Sinais da inflamação 
● Rubor (vermelhidão do local 
devido a vasodilatação) 
● Edema (inchaço pelo acúmulo 
excessivo de líquido nos tecidos 
do corpo) 
● Calor (por conta da alta atividade 
metabólica) 
● Dor (devido a mediadores 
inflamatórios liberados no local) 
● Perda de função 
 
 
Proteínas envolvidas na imunidade inata 
 
Citocinas: proteínas produzidas por 
vários tipos de células imunológicas ou 
 
 
não. Suas funções são: sinalização e 
comunicação celular, elas podem ativar 
ou inibir a ação de várias células 
- Elas agem de maneira parácrina, 
uma célula produz e outra 
percebe, e autócrina, liberada na 
própria célula que produziu
 
- São muito utilizadas como 
biomarcadores (indicam e 
monitoram a doença) 
 
-Proteínas C Reativa (PCR): umas das 
principais proteínas de fase ajuda 
- Produzida no fígado e presente 
em pequenas quantidades em 
uma pessoa saudável 
- Em episódios de inflamação ou 
infecção ajuda, sua concentração 
pode aumentar até mil vezes 
- Ela pode se fixar em bactérias e 
marcar para que os macrófagos 
venham e realizem a fagocitose 
- Níveis elevados dessa proteínas 
estão associados a ataques 
cardíacos e a derrames 
- Útil no diagnóstico clínico e 
seguimento de doenças 
 
- Sistema complemento: conjunto de 
proteínas plasmáticas que podem ser 
ativadas através de uma reação em 
cascata, isto é, cada componente 
ativado é capaz de ativar o outro 
componente do sistema complemento. 
- Nomenclatura: letra c seguida do 
número (Ex: C1, C2, C3…C9) 
- Quando elas são quebradas é 
produzido dois fragmento 
 ( Fragmento A (menores) e 
Fragmento B (maiores) ) Ex: C4B ou 
C4A 
- C3: a mais importante, dividida 
em dois fragmentos A e B. O 
fragmento A, o menor, tem função 
quimiotática, ou seja, atração 
química, promove a inflamação e 
ativa fagócitos, já o fragmento b, 
o maior, pode se fixar na parede 
do microorganismo, sozinho ele 
pode agir provocando fagocitose, 
papel de sinalização, provoca a 
quebra de outra proteína do 
complemento (ação em cascata), 
ele quebra o C5 em C5a e C5b 
- São ativadas por 3 vias: 
 Via alternativa: o microorganismo 
por si só é capaz de ativar as proteínas 
complemento 
 Via clássica: dependente de 
anticorpo 
 Via da lectina: ela é específica 
para bactéria e fungos com um açúcar 
chamado manose 
 
Perguntas da aula: 
 
1. Explique a habilidade dos mecanismos 
da imunidade inata de reconhecerem os 
microrganismos, mas não células dos 
mamíferos. 
A imunidade inata reconhece padrões 
moleculares associados a patógenos 
(PAMPs), como lipopolissacarídeos 
bacterianos, peptidoglicanos, flagelina e 
RNA viral de dupla fita. Esses padrões 
são detectados por receptores de 
reconhecimento de padrões (PRRs, como 
TLRs, NLRs e RLRs). 
Essas estruturas microbianas são 
essenciais para a sobrevivência do 
microrganismo e não estão presentes em 
células de mamíferos, o que garante 
especificidade contra o invasor e evita 
autoagressão. 
 
2. Quais são os mecanismos pelos quais 
o epitélio da pele previne a entrada de 
microrganismos? 
O epitélio da pele atua como barreira 
física, química e imunológica: 
● Camada de queratina: impede 
invasão física. 
● Ácidos graxos e pH ácido: inibem 
crescimento bacteriano. 
● Produção de peptídeos 
antimicrobianos (defensinas, 
catelicidinas). 
● Microbiota comensal: compete 
com microrganismos patogênicos. 
● Células imunes residentes (células 
de Langerhans) prontas para 
iniciar resposta imune adaptativa. 
 
 
3. Como os fagócitos ingerem e 
destroem os microrganismos? 
● Reconhecimento: receptores de 
fagócitos (PRRs) se ligam a 
patógenos. 
● Englobamento: a membrana do 
fagócito se deforma e envolve o 
microrganismo, formando o 
fagossomo. 
● Fusão: fagossomo se funde a 
lisossomos → forma o 
fagolisossomo. 
● Destruição: ocorre por: Radicais 
de oxigênio (estouro respiratório), 
Radicais de nitrogênio e Enzimas 
lisossômicas e proteínas 
antimicrobianas. 
4. Qual o papel das moléculas do MHC 
no reconhecimento das células 
infectadas pelas células NK e qual o 
significado fisiológico deste 
reconhecimento? 
As células NK possuem receptores 
inibitórios que reconhecem moléculas de 
MHC classe I. Células saudáveis 
expressam MHC I normalmente → NK 
não as destroem. Vírus e alguns tumores 
reduzem a expressão de MHC I para 
escapar dos linfócitos T CD8⁺. → Isso 
ativa as NK (“hipótese da falta de MHC I”). 
Significado fisiológico: as NK funcionam 
como linha de defesa contra células 
infectadas outumorais que tentam “se 
esconder” da imunidade adaptativa. 
5. O que é inflamação? Como ocorre o 
processo de extravasamento de 
leucócitos da circulação sanguínea para 
os tecidos durante o processo 
inflamatório? Inflamação: resposta local 
dos tecidos à infecção ou lesão, 
caracterizada por rubor, calor, dor, 
edema e perda de função. O 
extravasamento leucocitário (diapedese): 
● Rolagem: selectinas no endotélio 
interagem com carboidratos dos 
leucócitos → células rolam na 
parede vascular. 
● Ativação: quimiocinas no 
endotélio ativam integrinas dos 
leucócitos. 
● Adesão firme: integrinas ativadas 
(ex.: LFA-1) ligam-se fortemente a 
moléculas de adesão no endotélio 
(ICAM-1, VCAM-1). 
● Migração transendotelial: 
leucócitos atravessam o endotélio 
em direção ao gradiente de 
quimiocinas no tecido. 
 
O Complexo Principal de 
Histocompatibilidade (MHC) e 
Processamento de antígenos 
(AULA 4) 
 
Rotas de entrada de antígenos: 
-pele 
-trato gastrointestinal 
-trato respiratório 
 
- Após a entrada do antígeno, ele vai ser 
reconhecido ou pelos fagocitos ou pelas 
células dendríticas que podem já estar 
no local invadido >>> ele vai ser 
processado por essas células e levado 
até o órgão linfoide secundário mais 
próximo, nos quais as células T circulam 
constantemente (ex: para linfonodos via 
vasos linfáticos) e ali é realizado o 
encontro do antígeno com os linfócitos 
T. 
 
Obs: Os linfócitos T para serem 
estimulados eles precisam encontrar 
esse antígeno 
 
-Outra entrada possível do antígeno é 
pela corrente sanguínea, nesse caso 
será uma apresentação via baço, porque 
é no baço que ocorre a apresentação de 
antígenos presentes no sangue 
 
Obs: Os linfócitos precisam de uma 
apresentação do antígeno, já os 
linfócitos B não necessitam de 
apresentação, eles reconhecem 
diretamente o microorganismo ou o 
produto dele, ou seja, eles possuem uma 
forma de ativação diferente mesmo eles 
 
 
sendo encontrados no mesmo local 
(órgãos linfoides secundários) 
 
 
 
 
-As células que capturam antígenos e os 
exibem aos linfócitos T são chamadas 
células apresentadoras de antígeno 
(APCs): 
 
 
 
-São células que tem capacidade de 
estimular os linfócitos T 
 
Obs: Quando o linfócito T não for 
estimulado, não estar ativado, ele é 
considerado naive, uma célula virgem, 
que não encontrou o antígeno. Quando 
ela encontra com antígeno e é ativada 
ela se torna uma célula efetora 
 
Obs: Após a sua ativação ocorre uma 
expansão clonal, ela vai se multiplicar, e 
terá vários clones de uma célula T 
específica para um determinado tipo 
antígeno gerando células efetoras e uma 
população de células T de memória (irão 
ficar circulando mesmo depois da 
extinção daquele antígeno) 
 
Células dendríticas: é a principal célula 
apresentadora de antígeno, localizadas 
principalmente nos tecidos (quando um 
microrganismo invadir ela já vai estar vai 
estar no tecido realizando sua função). 
Essas células terão outras moléculas que 
são consideradas co-estimuladoras, que 
são importantes para ativar o linfócito T. 
 
 
 
Macrófago: pode já estar no tecido ou 
vem no monócito, processa via 
fagocitose e migra e chega até o 
linfócito. Quando o macrófago se 
encontra com o linfócito T, ele pode se 
tornar mais fagocítico e mais 
processador de microorganismo (o 
linfócito T promove uma maior ação do 
macrófago) 
 
Linfócito B: a partir da endocitose 
O microorganismo pode chegar inteiro 
no linfonodo, via vasos linfáticos, e pode 
ser endocitado pela célula B, processado 
e apresentado para a célula T. Umas das 
funções desse contato é transformar a 
célula T em uma célula ativa e produtora 
de anticorpos. 
 
MHC 
 
 
-conjunto de genes relacionados à 
compatibilidade tecidual 
 
-função principal: realizar a 
apresentação dos antígenos aos 
linfáticos T e ativar a imunidade 
adaptativa. 
 
Obs: A descoberta do MHC foi feita em 
camundongos através de experiências 
com órgãos transplantados, o 
organismo reconhece como um agente 
estranho tudo que não é geneticamente 
idêntico, o sistema imunológico vai agir 
contra esse tecido. 
 
MHC: é o locus do genoma onde 
encontra-se genes extremamente 
importantes para o sistema imune, 
auto-imunidade e para o sucesso 
reprodutivo 
 
Obs: Molécula que se associa ao 
antígeno e isso vai ser apresentado a um 
receptor no linfócito T 
 
Obs: nos seres humanos ele está no 
cromossomo 6 e eles possuem a mesma 
função em todos os mamíferos. 
 
características: 
-altamente poligênicos (muitos genes 
relacionados a essa resposta 
imunológica) >>> mais de 240 genes 
-altamente polimórficos (muitos genes 
que sofrem alteração variações nos 
indivíduos) 
Ex: 649 alelos no Locus A, 1029 alelos no 
Locus B 
 
Obs: Por isso é tão difícil encontrar 
alguém com o MHC muito similar ao seu 
>>>>> por isso é tão difícil encontrar um 
doador nos transplantes>>> a chance de 
rejeição é alta. 
 
-alelos co-dominantes (compartilham 
dominância, todos são dominantes) 
 
função: os genes precisam codificar 
proteínas de superfície que reconhecem 
e apresentar antígenos próprios ou 
externos para o nosso sistema imune 
adaptativo. 
 
 
 
 
 
Obs: a proteína seria a “mão” da célula 
apresentadora de antígeno 
 
 Função dos linfócitos T: 
auxiliares: produz citocinas 
 
T citolítico: destroem células 
infectadas/tumorais 
 
Obs: só podem ser estimulados por 
antígenos proteicos, ou seja, apenas 
proteínas vão se ligar ao MHC. Somente 
reconhecem antígenos apresentados 
por outras células, diferente das células 
B que reconhecem diretamente o 
patógeno 
 
Função dos linfócitos B: 
 
Obs: diferente dos linfócitos T, eles são 
estimulados por qualquer classe de 
moléculas e reconhecem diretamente o 
patógeno, não é preciso nenhuma célula 
apresentar 
 
Tipos de MHC: cada MHC vai ser 
específico para um receptor de célula T 
 
MHC classe I: ativam os linfócitos T 
citolíticos (CD8)>>>maior afinidade. 
-pode ser expresso por todas as células 
nucleadas 
 
MHC classe II: só irá ativar linfócitos T 
auxiliares (CD4)>> maior afinidade. 
-ele será expresso somente em APCs, só 
as células apresentadoras de antígenos 
são capazes de expressar o MHC de 
classe II 
 
 
 
Obs: isso garante uma grande 
especificidade de ativação dessas 
células 
 
Obs: O MHC possui uma especificidade 
muito ampla a ligação de antígenos, a 
fenda pode acomodar diferentes tipos 
de antígenos 
- “A imunidade adaptativa possui 
especificidade” >>> é o receptor da célula 
T que tem especificidade 
 
-A única fenda do MHC (I ou II) é capaz 
de ligar um peptídeo por vez e pode 
acomodar peptídeos diferentes 
 
Obs: o MHC não discrimina antígenos 
estranhos ou próprios, os linfócitos que 
discriminam >>> isso se deve a uma 
capacitação/maturação que é feita no 
linfócito T quando ele ainda está no 
timo. 
 
Antígenos extracelulares:Via endocítica 
(MHC II) 
 
Antígenos intracelulares: Via citosólica 
(MHC I) 
 
 Via endocítica: 
-endocitose de antígenos (internaliza 
esse microorganismo) 
-associada a MHC II 
- processamento dentro do 
fagolisossomo feito por APCs 
 
 
 
 
Via citosólica: 
-associado ao MHC de classe I 
-intracelular (endógenos-vírus) 
-as células possuem no citosol um 
complexo proteassoma, complexo 
proteico enzimático que consegue 
funcionar como um “liquidificador” 
processando microorganismos ou 
proteínas estranhas 
-O vírus caí nesse complexo e é 
processado e picotado em peptídeos, 
- o ponto de encontro do peptídeo e o 
MHC I vai ser no retículo 
 
Obs: na via endocítica, o MHC vai ao 
encontro dos antígenos no 
fagolisossoma e quando eles são 
processados no citosol, o antígeno que 
vai encontrar o MHC e vai até o retículo. 
 
 
 
Obs: porque o MHC é importante na 
visão clínica médica: 
Muitos distúrbios, como a diabetes, 
doenças autoimunes que estão 
associadas com alterações nos alelos do 
gene MHC 
-alterações no MHC podem estar 
relacionadas com doenças autoimunes 
- doença autoimune: falha no 
reconhecimento de algoque é próprio e 
estimula os linfócitos a destruir o que é 
próprio 
 
MHC e reconhecimento materno 
-células do trofoblasto falham em 
expressar moléculas do MHC paterno , 
ou seja, há uma redução de expressão 
 
 
de MHC no embrião, o que ajuda a não 
rejeição do feto pelo o organismo da 
mãe. 
- muitos abortos poderiam ser causados 
por essa rejeição com uma expressão de 
MHC paterno no embrião (estudos 
mostram isso) 
 
MHC e Reconhecimento sexual 
-opostos se atraem 
-MHC similares: maior dificuldade em 
engravidar e aborto espontâneo 
-Quanto mais diferentes os MHC entre 
os parceiros maior a diversidade da 
prole e sucesso reprodutivo da espécie 
 
 
 
ANTICORPOS E ANTÍGENOS 
(AULA 5) 
 
-moléculas relacionadas à resposta 
imunológica 
 
Anticorpos: proteínas produzidas em 
resposta à exposição a estruturas 
estranhas conhecidas como antígenos 
 
-Eles são produzidos pelos linfócitos B 
 
-Os anticorpos podem ser encontrados 
na corrente sanguínea (plasma), no 
líquido intersticial dos tecidos, na 
mucosa, entre outros 
 
-Eles mediam a imunidade humoral 
 
-Eles são diversos e específicos na 
capacidade de reconhecer estruturas 
estranhas 
 
-Existem dois tipos de anticorpos: 
anticorpos ligados à membrana na 
superfície dos linfócitos B que atuam 
como receptores antígenos e anticorpos 
secretados que atuam na proteção 
contra microorganismos 
 
Funções dos anticorpos 
 
- Se ligam a toxinas produzidas por 
bactérias (ex: toxina botulínica e 
toxina da difteria) e neutralizar/ 
impedir a ação dessas toxinas 
bacterianas 
- Se ligam a superfícies de 
microorganismos (bactérias, vírus) 
e evitar a disseminação deles nos 
tecidos 
- Aglutinação: os anticorpos 
unem-se a vários antígenos ao 
mesmo tempo, formando um 
“aglomerado” (um aglutinado) de 
partículas estranhas 
- Colaboram na ativação da 
resposta imunológica inata 
- Opsonização: o microorganismo é 
marcado com anticorpo>> deixa 
mais visível para a ação da 
imunidade inata >>> significa 
"marcação" do microrganismo 
para facilitar sua eliminação 
pelos fagócitos (macrófagos e 
neutrófilos) 
- Ativação do sistema complemento 
 
Obs: Quando um anticorpo se liga a 
uma bactéria ele marca ela e deixa ela 
mais evidente para imunidade inata (ex: 
para os macrófagos) 
 
Obs: Os anticorpos estão relacionados a 
doenças autoimunes >>> você pode 
produzir muitos anticorpos específicos 
para proteínas de antígenos próprios e 
desencadear uma resposta inflamatória 
(o que está relacionado a esse efeito é 
sua função de ativar a imunidade inata) 
 
Obs: a maioria dos anticorpos são 
secretados >> muito utilizados para 
 
 
diagnóstico clínico >> teste de 
anticorpos (ex: COVID) >> o teste vai 
conter os anticorpos específicos dos 
antígenos do vírus). Na gravidez, no teste 
temos o anticorpo específico para o Beta 
HCG. Eles também podem ser usados 
para tratamento >> anticorpos 
específicos para neutralizar a ação de 
uma doença 
 
Os anticorpos podem ser 
- Secretados >> produzidos pelos 
os linfócitos B e liberados no 
ambiente por eles 
- Ou podem estar na membrana 
dos linfócitos B >> com a função 
de receptor, ou seja o receptor do 
linfócito B (BCR) é um anticorpo 
 
Obs: Todo linfócito B é capaz de 
produzir anticorpos se ele for 
estimulado, independente do local que 
ele esteja >>> essa capacidade depende 
do estímulo >>>se ele não encontrar o 
antígeno ele não vai ser estimulado e 
não vai produzir anticorpos específicos 
durante sua meia vida 
 
Curiosidade: Recombinação somática: 
processo de diversidade dos receptores 
>> só acontece em linfócito T e B >> é 
gerado uma infinidade de receptores e é 
o que gera toda essa diversidade 
 
Obs: Os linfócitos T e B geram receptores 
diversificados e ao longo da vida 
podemos encontrar ou não esses 
antígenos e estimular as células 
 
 
Imunoglobulina (Ig) : são as proteínas 
dos anticorpos. Anticorpo e 
imunoglobulina são sinônimos 
 
Estrutura do anticorpo 
 
Obs: Todas as moléculas de anticorpo 
compartilham as mesmas características 
estruturais básicas, mas apresentam 
extraordinária variabilidade nas regiões 
que se ligam ao antígeno 
 
 
 
-Cadeia leve e pesada: quantidade de 
aminoácidos >> a leve tem menos 
aminoácidos e a pesada tem mais >> 4 
cadeias (2 leves e 2 pesadas) 
 
Obs: As cadeias (leve e pesada) são 
conectadas por ligações químicas 
chamadas pontes dissulfeto 
 
Obs: região variável (os anticorpos 
várias nessa área e está relacionado 
com a interação da molécula com o 
antígeno que pode variar muito, vários 
antígenos diferentes e ela está presente 
na cadeia leve e na cadeia pesada) e a 
região constante (regiões conservadas 
dos anticorpos que não irão variar 
muito) 
 
Obs: o antígeno se liga na região 
variável >> temos duas regiões que vão 
se ligar ao antígenos>> variável leve e 
variável pesada do lado direito e variável 
leve e variável pesada do lado esquerdo 
 
Obs: a região variável possui tem 
microrregiões hipervariáveis que variam 
ainda entre os anticorpos de mesmo 
tipo: 
 
 
 
-ex: IgG: eles se diferenciam na região 
hipervariável>>> IgG para toxoplasmose, 
para hepatite, entre outros 
 
-É chamado de imunoglobulina porque 
na estrutura tridimensional o anticorpo 
tem estruturas globosas: 
 
 
Regiões observadas na imagem acima: 
 
Região FAB: região que interage com o 
antígeno 
 
Região FC: região constante que não 
interage diretamente com antígeno >> 
ele tem uma função de ativador efetora 
da imunidade inata >> ela pode mediar a 
interação do macrófago com a bactéria 
 
Ex: Na alergia, a região Fc do IgE é 
essencial porque se liga aos receptores 
de alta afinidade em mastócitos e 
basófilos, permitindo que essas células 
fiquem sensibilizadas. Quando o 
alérgeno é novamente reconhecido pela 
região Fab do IgE, o sinal é transmitido 
pela região Fc, desencadeando a 
liberação de histamina e outros 
mediadores responsáveis pelos sintomas 
alérgicos. 
 
Em resumo: 
 
● Fab = parte que se liga 
especificamente ao antígeno (ex: 
pólen, ácaro, proteína do 
amendoim). 
 
● Fc = parte constante do 
anticorpo, que não se liga ao 
antígeno, mas que se conecta a 
receptores nas células do sistema 
imune (mastócitos, basófilos, 
macrófagos etc.). 
 
Obs: região de dobradiça: 
- localizada entre as regiões Fab e 
Fc. 
- Ela funciona como uma 
- “articulação” flexível, permitindo 
que os braços Fab se movam e se 
ajustem para ligar-se a antígenos 
que estão em diferentes posições 
ou distâncias. 
- Essa flexibilidade é importante 
porque aumenta a capacidade 
do anticorpo de agarrar 
múltiplos antígenos ao mesmo 
tempo e facilita a formação de 
complexos antígeno-anticorpo. 
 
 
 
Classes de anticorpos: 
 
IgG: 
● É a imunoglobulina mais 
abundante no sangue e nos 
fluidos extracelulares. 
● Associado a memória 
● Atua na neutralização de toxinas 
e vírus, opsonização (marca 
patógenos para fagocitose), 
aglutinação de antígeno e 
ativação do complemento. 
● Consegue atravessar a placenta, 
protegendo o feto (imunidade 
passiva). 
 
IgM: 
● Primeiro anticorpo produzido na 
resposta imune inicial. 
● Forma pentâmeros, o que o torna 
muito eficiente na ativação do 
complemento >> pode se ligar a 
vários antígenos ao mesmo 
 
 
tempo (10 antígenos) >>> mas ao 
mesmo tempo isso ganha peso 
molecular >> pode se depositar 
em vasos sanguíneos e 
desencadear uma resposta 
inflamatória exacerbada 
● Excelente marcador de infecção 
aguda (recente) >> será produzido 
em maior quantidade se ocorrer 
uma infecção em curso>>> é o 
primeiro anticorpo produzido 
pelos linfócitos B 
 
IgA: 
● Presente principalmente nas 
mucosas (saliva, lágrimas, leite 
materno, secreções respiratórias 
e intestinais). 
● Estrutura com dois monômetros 
ligados (4 antígenos ao mesmo 
tempo) 
● Protege as superfícies mucosas 
contra a invasão de 
microrganismos. 
● Ele não consegue ativar 
inflamação via sistema 
complemento 
● Neutraliza vírus e bactérias 
● No leite materno,garante 
proteção imunológica ao 
recém-nascido. 
 
IgD: 
● Encontrada em baixíssima 
concentração no sangue. 
● Receptor de membrana 
● Atua principalmente como 
receptor de antígeno na 
superfície de linfócitos B 
imaturos. 
● Participa da ativação dos 
linfócitos B. 
IgE: 
● Presente em baixíssima 
concentração no sangue. 
● Relacionada a reações alérgicas 
(atua ligando-se a mastócitos e 
basófilos, liberando histamina). 
● Importante na defesa contra 
parasitas, como helmintos. 
 
 
 
 
Curiosidade: o IgM é a única que pode 
ser presente na membrana (funcionar 
como receptor) e ser secretada >> 
quando secretada ela assume outra 
forma >> forma pentamérica (semelhante 
a uma estrela) 
 
Obs: Cadeia J: conecta, no IgM e no IgA, 
as estruturas monométricas 
 
Antígeno: qualquer substância que pode 
se ligar especificamente a uma molécula 
de anticorpo ou receptor de célula T. 
 
Obs: Anticorpos podem reconhecer 
como antígeno quase todas as 
moléculas biológicas, como por exemplo, 
proteínas, carboidratos, ácidos 
nucleicos, lipídeos etc... Enquanto células 
T só reconhecem peptídeos. 
 
- Somente as macromoléculas podem 
estimular os linfócitos B 
 
- Imunógenos: são todas as moléculas 
capazes de induzir uma resposta imune 
>> antígeno que ativou célula T e B 
 
Ex: vacina contém imunógenos >> 
antígenos que eu sei que vão ativar 
imunidade adaptativa 
 
 
 
 
Obs: região específica que o antígeno 
interage com o anticorpo: Epítopo 
 
 
 
Obs: dependendo do tipo de anticorpo 
pode existir uma interação diferente com 
o antígeno >>>> exemplo: o IgG apenas 
um “braço” se conecta ao antígeno, 
sendo que ele pode se ligar a dois, essa 
intenção vai ter baixa avidez, ou seja, 
não vai ser uma ligação tão estável 
Quando os dois se ligam>> alta avidez 
Por isso os anticorpos IgM tem essa 
vantagem, conseguem interagir com 
muitos antígenos ao mesmo tempo >> 
alta avidez 
 
Aplicação clínica: uso de anticorpos no 
tratamento de doenças >> exemplo de 
imunoterapia>> anticorpos monoclonais 
>> específicos para regiões específicas 
do antígeno 
Obs: o camundongo é vacinado com o 
antígeno da doença, seus linfócitos B 
passam a produzir anticorpos 
específicos contra esse antígeno. Esses 
linfócitos B então são isolados do animal 
e fundidos com células de mieloma (um 
tipo de célula tumoral de origem em 
plasmócito). Essa fusão gera os 
chamados hibridomas, células híbridas 
que têm a capacidade de se multiplicar 
indefinidamente (graças às 
características tumorais do mieloma) e 
ao mesmo tempo secretar grandes 
quantidades de anticorpos específicos 
(graças ao linfócito B). Seleção e cultivo 
→ produção de anticorpos monoclonais 
Aplicação clínica → imunoterapia 
direcionada contra câncer, doenças 
autoimunes, infecções etc. 
 
REVISÃO N1 (ESTUDOS DE 
CASOS) 
Caso 1 – João Bittencourt (ausência 
de anticorpos) 
Resumo: Criança com infecções 
respiratórias e de pele recorrentes, níveis 
extremamente baixos de IgG, IgA e IgM, 
ausência de linfócitos B (CD19–). 
Diagnóstico: imunodeficiência humoral 
grave (agamaglobulinemia ligada ao X). 
Resposta: 
A) As imunoglobulinas são fundamentais 
para a defesa contra microrganismos: 
● IgG → principal anticorpo 
circulante, neutraliza toxinas e 
vírus, ativa o complemento e faz 
opsonização. 
● IgA → protege mucosas 
respiratórias, gastrointestinais e 
geniturinárias, impedindo adesão 
de microrganismos. Ele vai 
neutralizar o antígeno. 
● IgM → primeiro anticorpo 
produzido na resposta imune, 
eficiente na aglutinação e 
ativação do complemento. 
 
 
Sem essas imunoglobulinas, o 
paciente fica altamente suscetível 
a infecções repetidas e graves. 
Aglutinar e neutralizar 
B) Os linfócitos B são responsáveis por 
produzir anticorpos e formar células de 
memória. Sua ausência impede a 
resposta adaptativa humoral, levando a 
uma imunidade extremamente deficiente 
e maior risco de infecções oportunistas. 
Caso 2 – Ana Maria (falhas nas 
barreiras imunológicas) 
Resumo: Paciente adulta com infecções 
recorrentes, pele seca, fissuras, 
dermatite e feridas de cicatrização lenta, 
mas com níveis normais de anticorpos. 
Diagnóstico: fragilidade nas barreiras 
inatas (pele e mucosas). 
Resposta: 
A pele e as mucosas são a primeira linha 
de defesa inata, funcionando como 
barreira física e química contra 
microrganismos. Quando a integridade 
dessas barreiras é comprometida 
(ressecamento, fissuras, inflamações), há 
aumento da colonização e invasão por 
bactérias e fungos, mesmo que a 
imunidade adaptativa esteja preservada. 
Assim, o paciente apresenta infecções 
recorrentes por falhas na proteção 
inicial. 
Caso 3 – Pedro Silva (resposta 
imunológica viral) 
Resumo: Jovem com febre, fadiga, 
adenopatia e linfocitose, quadro de 
infecção viral autolimitada. 
Resposta detalhada: 
A) A imunidade inata respondeu 
primeiramente com produção de 
interferons tipo I (IFN-α, IFN-β), que 
dificultam a replicação viral, além da 
ação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1, 
TNF-α) que induziram febre e sintomas 
gerais. As células NK destruíram células 
infectadas para conter a disseminação 
inicial do vírus. 
B) A linfocitose se deve ao aumento de 
linfócitos T e B, especializados contra 
vírus. Os neutrófilos não 
aumentaramporque sua principal 
função é combater bactérias 
extracelulares. 
C) Após a fase aguda, formaram-se 
linfócitos T e B de memória, que 
permanecem circulando no organismo e 
conferem proteção rápida e eficaz 
contra futuras infecções pelo mesmo 
agente viral. 
Caso 4 – Susana e irmãos (asplenia 
congênita) 
Resumo: Crianças com infecções graves 
por bactérias encapsuladas, algumas 
sem baço confirmado em exames. 
Diagnóstico: asplenia congênita. 
Resposta: 
A) O baço é fundamental para resposta 
contra bactérias encapsuladas, pois nele 
ocorre a produção de anticorpos contra 
antígenos T-independentes (como 
polissacarídeos capsulares). A vacina 
tifóide contém antígenos proteicos 
T-dependentes, que podem ser 
respondidos por linfonodos e medula 
óssea, mantendo alguma imunidade. Já 
os eritrócitos de carneiro (antígenos 
T-independentes) dependem do baço, 
explicando a falha na resposta. 
B) Em adultos, a retirada do baço tem 
impacto menor porque o sistema imune 
já está maduro e outros órgãos linfoides 
(linfonodos, placas de Peyer) podem 
compensar parcialmente. Em crianças, a 
ausência do baço é mais grave, pois 
prejudica o desenvolvimento da 
imunidade contra bactérias 
encapsuladas. 
Caso 5 – Júlio (transplante renal e 
rejeição) 
Resumo: Jovem com insuficiência renal 
recebeu transplante. Apesar da 
compatibilidade parcial em HLA, houve 
rejeição aguda por reação dos linfócitos 
T. 
 
 
Resposta: 
A) O MHC classe I apresenta antígenos 
endógenos (ex.: virais, tumorais) para 
linfócitos T CD8+. Já o MHC classe 
IIapresenta antígenos exógenos para 
linfócitos T CD4+. Diferenças entre o HLA 
do doador e do receptor levam ao 
reconhecimento como “não próprio”, 
ativando linfócitos T e desencadeando 
rejeição. 
B) A reação cruzada ocorre quando 
linfócitos T do receptor reconhecem 
moléculas do doador como semelhantes 
a antígenos contra os quais já tinham 
sido sensibilizados, gerando ativação 
intensa. Mesmo com compatibilidade 
parcial, essa resposta pode inviabilizar o 
transplante. 
Caso 6 – Paulo (inflamação aguda 
após acidente) 
Resumo: Trabalhador rural com 
ferimento profundo e sinais clássicos de 
inflamação: dor, calor, rubor, edema e 
febre, além de neutrofilia. Diagnóstico: 
processo inflamatório agudo. 
Resposta: 
A) Os mediadores químicos da 
inflamação são responsáveis pelos sinais 
clínicos: 
● Histamina → vasodilatação e 
aumento da permeabilidade 
vascular (rubor, calor, edema). 
● Prostaglandinas → sensibilização 
da dor, febre e vasodilatação. 
● Bradicinina → dor e aumento da 
permeabilidade vascular. 
● Citocinas (IL-1, TNF-α) → febre, 
recrutamento de leucócitos, 
ativação da resposta 
inflamatória. 
B) Os neutrófilos são as primeiras células 
a chegarno local, realizando fagocitose 
de microrganismos e liberando enzimas 
e espécies reativas de oxigênio. Esses 
mecanismos ajudam a conter a infecção, 
mas também podem causar dano 
tecidual colateral. Outros leucócitos 
(como macrófagos) chegam em seguida, 
coordenando a resolução da inflamação 
e reparo tecidual. 
 
 
 
	Caso 1 – João Bittencourt (ausência de anticorpos) 
	Caso 2 – Ana Maria (falhas nas barreiras imunológicas) 
	Caso 3 – Pedro Silva (resposta imunológica viral) 
	Caso 5 – Júlio (transplante renal e rejeição) 
	Caso 6 – Paulo (inflamação aguda após acidente)