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Resumo sobre Política Social no Contexto da Crise Capitalista A política social é um tema central na formação dos assistentes sociais, sendo um componente curricular essencial nas Diretrizes da ABEPSS desde 1996. As políticas sociais, especialmente as de seguridade social, são reconhecidas como os principais empregadores dessa categoria profissional. A relação entre o Serviço Social e a política social é histórica, refletindo as formas de enfrentamento da questão social, que é entendida como um resultado da subordinação do trabalho ao capital e das interações entre classes sociais. Apesar de a discussão sobre política social ter sido introduzida nos currículos de Serviço Social apenas na década de 1970, o Brasil atualmente apresenta uma produção teórica avançada sobre o tema, influenciada pelo pensamento crítico e pela tradição marxista, que enriqueceram a reflexão sobre essa mediação entre economia e política. O texto apresenta uma análise metodológica da política social, enfatizando que suas concepções estão sempre ligadas a perspectivas teóricas e políticas. A política social é vista como um processo que revela a interação de determinações econômicas, políticas e culturais, e seu debate é permeado por tensões entre diferentes visões sociais. Muitas vezes, a análise da política social se torna descritiva e técnica, despolitizando a questão e ignorando as tensões políticas que a envolvem. No contexto contemporâneo de crise e neoliberalismo, há um ressurgimento de abordagens funcionalistas que tentam explicar as transformações sociais, como a anomia, que reflete a desagregação social e a incapacidade da sociedade de regular a vida dos indivíduos. A trajetória da política social é caracterizada por três períodos principais: o liberalismo, o keynesianismo-fordismo e o neoliberalismo. O liberalismo, que prevaleceu até a Grande Depressão de 1929, defendia um Estado mínimo e a ideia de que o interesse individual levaria ao bem-estar coletivo. Com a crise de 1929, surgiram críticas ao liberalismo, levando à adoção de políticas keynesianas que buscavam a intervenção do Estado na economia para garantir a demanda efetiva e a estabilidade. O keynesianismo, aliado ao fordismo, resultou na criação do Estado de bem-estar social, que buscava garantir direitos sociais e promover a cidadania. No entanto, a partir do final da década de 1960, as bases desse modelo começaram a se deteriorar, culminando na ascensão do neoliberalismo, que propunha a redução do papel do Estado e a desregulamentação das políticas sociais. A crise contemporânea e a política social são analisadas sob a perspectiva do neoliberalismo, que emergiu como uma resposta ao keynesianismo e ao Welfare State. As políticas neoliberais visam controlar o poder dos sindicatos e reduzir os gastos sociais, promovendo uma lógica de austeridade e desregulamentação. Apesar de algumas promessas de recuperação econômica, o neoliberalismo não conseguiu reanimar o capitalismo de forma sustentável, resultando em aumento do desemprego e da demanda por proteção social. No Brasil, a Constituição de 1988 incorporou o conceito de seguridade social, mas as políticas sociais enfrentam tensões entre universalidade e seletividade. A análise crítica sugere que a política social, sob o capitalismo, não se fundamenta em uma verdadeira redistribuição de renda, mas sim em concessões que variam conforme a correlação de forças entre classes sociais. Destaques A política social é central na formação de assistentes sociais e é historicamente ligada à questão social e à luta de classes. A análise da política social deve considerar suas determinações econômicas, políticas e culturais, evitando abordagens descritivas e técnicas que despolitizam a questão. A trajetória da política social é marcada por três períodos: liberalismo, keynesianismo-fordismo e neoliberalismo, cada um com suas características e impactos sociais. O neoliberalismo, surgido como resposta ao keynesianismo, promoveu a desregulamentação e a redução do papel do Estado, resultando em aumento do desemprego e da demanda por proteção social. A política social no Brasil, embora reconhecida na Constituição de 1988, enfrenta desafios relacionados à universalidade e seletividade, refletindo a luta de classes e a dinâmica do capitalismo.