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OBJETIVO GERAL A Convenção busca eliminar a tortura e qualquer forma de tratamento cruel, desumano ou degradante praticado por agentes do Estado ou sob sua autoridade. DEFINIÇÃO DE TORTURA (Art. 1º) “Tortura” é causar dor ou sofrimento físico ou mental, intencionalmente, com algum desses fins: • obter informações ou confissões; • punir por ato cometido ou suspeito; • intimidar ou coagir alguém; • discriminar. Só é tortura quando há envolvimento direto ou indireto de agente público. Não inclui dores decorrentes de sanções legais legítimas (ex: pena de prisão). PROIBIÇÃO ABSOLUTA (Art. 2º) • Nenhuma situação (guerra, emergência, ordens superiores) justifica a tortura. • Nenhum agente pode alegar “ordem do chefe” como desculpa. PROTEÇÃO INTERNACIONAL (Art. 3º) Um Estado não pode extraditar, entregar ou expulsar pessoa para país onde ela possa ser torturada. RESPONSABILIZAÇÃO (Arts. 4º–9º) • Tortura é crime grave no direito interno. • Estados devem punir autores, cúmplices e quem tentar praticar. • O país pode julgar casos que envolvam: o crime cometido em seu território, o nacional seu como autor ou vítima, o autor encontrado em seu território (mesmo estrangeiro). • A tortura é motivo para extradição e cooperação internacional em investigações. PREVENÇÃO (Arts. 10–11) • A proibição da tortura deve ser ensinada a: o policiais, militares, agentes penitenciários, médicos e funcionários públicos. • O Estado deve supervisionar rotinas de prisão e interrogatório para prevenir abusos. INVESTIGAÇÃO E QUEIXA (Arts. 12–13) • Suspeita de tortura → investigação imediata e rigorosa. • Vítimas têm direito de denunciar e devem ser protegidas de represálias. REPARAÇÃO (Art. 14) A vítima tem direito à indenização e reabilitação completa. Se morrer, o direito passa aos herdeiros. PROVAS (Art. 15) Declarações obtidas sob tortura não podem ser usadas como prova, exceto para punir o torturador. OUTRAS PENAS CRUÉIS (Art. 16) Os Estados também devem proibir tratamentos degradantes ou desumanos, mesmo que não se encaixem tecnicamente em “tortura”. COMITÊ CONTRA A TORTURA (Arts. 17–24) • Formado por 10 especialistas independentes. • Fiscaliza o cumprimento da Convenção. • Analisa relatórios periódicos dos países. • Pode investigar práticas sistemáticas de tortura e receber denúncias entre Estados ou de indivíduos, se o país permitir. DISPOSIÇÕES FINAIS (Arts. 25–33) • Aberta a todos os Estados-membros da ONU. • Entra em vigor 30 dias após 20 ratificações. • Permite reservas e denúncia (saída) mediante notificação à ONU. • Textos oficiais em várias línguas (inclusive português). EM CONCURSOS Cai muito em: • Direitos Humanos; • Legislação Internacional; • Ética e conduta de agentes públicos; • Questões de extradição e provas ilícitas. PRIMEIRA PARTE – Definições, Obrigações e Punições Artigo 1º – Definição de Tortura Tortura é qualquer ato que cause dor ou sofrimento físico ou mental, intencionalmente, para: • obter informação ou confissão; • punir por ato cometido ou suspeito; • intimidar ou coagir; • discriminar alguém. Tem que haver envolvimento estatal: agente público, pessoa agindo por ordem ou com consentimento do Estado. Não é tortura: sofrimento decorrente de sanção legal legítima (ex: pena de prisão). Cai muito em prova: “Toda dor causada por agente público é tortura?” → Não, só se for intencional e com finalidade específica. Artigo 2º – Proibição Absoluta • Os Estados devem adotar leis e medidas para impedir a tortura. • Nenhuma situação (guerra, emergência, ameaça, ordem superior) justifica a tortura. • “Cumpri ordens” não é defesa válida. Pegadinha: “Em caso de guerra, a tortura pode ser admitida para salvar vidas?” → Nunca. Artigo 3º – Proibição de Extradição com Risco de Tortura • Nenhum país pode expulsar, extraditar ou entregar alguém a outro Estado onde possa ser torturado. • As autoridades devem avaliar se há violações sistemáticas de direitos humanos no país de destino. Exemplo: O Brasil não pode extraditar alguém para um país onde presos políticos sofrem tortura. Artigo 4º – Tipificação Penal • A tortura deve ser crime no direito interno de cada país. • Inclui tentativa, cumplicidade e participação. • As penas devem ser proporcionais à gravidade. Concurso gosta de confundir: “Somente o autor direto é punido?” → Também o cúmplice e quem tentar praticar. Artigo 5º – Competência Penal Os Estados devem poder julgar casos quando: 1. O crime ocorreu em seu território; 2. O autor é seu nacional; 3. A vítima é seu nacional (se o Estado achar adequado); 4. O autor está no país e não foi extraditado. Resumo: princípio da universalidade limitada — o torturador pode ser julgado em qualquer país que o encontrar. Artigo 6º – Prisão e Inquérito • Se houver suspeita, o Estado deve prender o acusado e iniciar inquérito preliminar. • O detido tem direito de contatar seu consulado. • O Estado deve notificar outros países envolvidos (do autor, da vítima etc.). Exemplo de prova: “O Estado deve prender preventivamente qualquer suspeito de tortura que estiver em seu território?” → Sim, quando as circunstâncias justificarem. Artigo 7º – Julgamento ou Extradição • Se o Estado não extraditar, deve julgar o caso. • O acusado tem direito a processo justo. Resumo: Aut dedere aut judicare (“ou extradita ou julga”). Artigo 8º – Extradição • Tortura é crime extraditável. • Mesmo sem tratado, a Convenção serve de base jurídica para extraditar. • Pode ser tratada como crime cometido tanto no local quanto no país que julga. Pegadinha comum: “Sem tratado não há extradição por tortura.” → A Convenção autoriza. Artigo 9º – Cooperação Internacional Os Estados devem colaborar em investigações e processos, compartilhando provas. Artigo 10º – Educação e Treinamento A proibição da tortura deve ser ensinada a: • policiais, militares, agentes públicos, médicos, carcereiros etc. E incluída nos regulamentos internos desses profissionais. Questão típica: “A Convenção exige que o ensino sobre tortura seja obrigatório na formação policial?” → Sim. Artigo 11º – Fiscalização Contínua Os Estados devem monitorar métodos de interrogatório, prisão e detenção para evitar tortura. Em resumo: é prevenção prática, não só teoria. Artigo 12º – Investigação Obrigatória Se houver suspeita razoável de tortura, o Estado deve investigar imediatamente. Cai muito: “A investigação é facultativa?” → É obrigatória. Artigo 13º – Direito de Queixa • A vítima tem direito de apresentar denúncia. • O Estado deve proteger vítima e testemunhas contra intimidação. Artigo 14º – Indenização e Reabilitação • A vítima tem direito a reparação total e reabilitação. • Se morrer, a indenização vai aos herdeiros. Exemplo: tratamento psicológico custeado pelo Estado = reabilitação. Artigo 15º – Provas Obtidas por Tortura • Inadmissíveis em juízo, exceto se forem usadas contra o torturador. Clássico de prova: “Pode-se usar confissão obtida sob tortura se o réu confirmar em juízo?” → Não. Artigo 16º – Outros Tratamentos Cruéis • Obriga os Estados a proibir e punir também atos cruéis, desumanos ou degradantes mesmo sem se enquadrar como tortura. • Devem seguir as mesmas medidas (educação, vigilância, investigação, denúncia). Resumindo: A Convenção abrange mais do que tortura. SEGUNDA PARTE – O COMITÊ CONTRA A TORTURA Artigo 17 – Criação e Composição do Comitê • É criado o Comitê Contra a Tortura (CAT). • Composto por 10 peritos: o de alta integridade moral e competência em direitos humanos; o atuam a título pessoal (não representamgovernos); o eleitos pelos Estados Partes levando em conta distribuição geográfica justa e experiência jurídica. • Eleição: o voto secreto; o cada Estado indica 1 candidato; o eleitos por 4 anos, podendo ser reeleitos; o metade deles (5) na primeira eleição terão mandato de 2 anos, sorteados para renovação escalonada; o se um membro morrer ou sair, o Estado que o indicou nomeia substituto (precisa da aprovação da maioria dos demais). Em concurso: o Comitê não é formado por representantes oficiais dos Estados, mas por especialistas independentes. Artigo 18 – Funcionamento • O Comitê elege seu presidente e mesa diretora por 2 anos (reeleição permitida). • Elabora seu regimento interno. • Quórum mínimo: 6 membros. • As decisões são tomadas por maioria simples dos presentes. • A ONU fornece estrutura, pessoal e recursos financeiros. • Reúne-se conforme seu regulamento, convocado pelo Secretário-Geral da ONU. Ponto de prova: O Comitê é mantido pela ONU e tem autonomia funcional, mas não poder punitivo — apenas fiscalizador. Artigo 19 – Relatórios dos Estados • Cada Estado Parte deve enviar relatórios periódicos ao Comitê: o o primeiro: 1 ano após a entrada em vigor da Convenção para aquele Estado; o depois, a cada 4 anos, ou quando o Comitê solicitar. • O relatório descreve as medidas adotadas para cumprir a Convenção. • O Comitê pode fazer comentários e recomendações. • Esses comentários podem ser incluídos no relatório anual do Comitê à ONU. Cai em prova: “Os Estados apresentam relatório inicial em até 2 anos?” → 1 ano. Artigo 20 – Inquérito por Tortura Sistemática • Se o Comitê receber informações confiáveis de que a tortura é sistematicamente praticada num país: 1. convida o Estado a explicar ou cooperar; 2. pode designar membros para conduzir um inquérito confidencial; 3. pode visitar o país, com consentimento dele; 4. envia relatório com conclusões e recomendações ao Estado; 5. tudo é confidencial, mas pode aparecer um resumo no relatório anual. Ponto de atenção: o Estado pode optar por não aceitar esse procedimento (art. 28, veremos depois). Artigo 21 – Comunicações entre Estados • Os Estados podem denunciar outros Estados por descumprimento da Convenção, se ambos tiverem declarado aceitar esse procedimento. Etapas: 1. Um Estado envia comunicação escrita ao outro. 2. O outro tem 3 meses para responder. 3. Se em 6 meses não houver solução, o caso pode ir ao Comitê. 4. O Comitê só analisa após esgotados os recursos internos. 5. Pode tentar solução amigável (comissão de conciliação). 6. Ao final, emite relatório resumido dos fatos e da solução (ou da falta dela). Resumo de prova: só vale entre Estados que reconheceram a competência do Comitê para isso. Artigo 22 – Denúncia Individual (Pessoas) • Um Estado pode declarar que aceita que o Comitê receba denúncias individuais. • Assim, qualquer pessoa sob sua jurisdição pode reclamar por violação da Convenção. Condições: 1. A denúncia não pode ser anônima nem abusiva. 2. O reclamante deve esgotar os recursos internos (salvo demora excessiva ou ineficácia). 3. O Comitê notifica o Estado, que tem 6 meses para responder. 4. O Comitê analisa em sessão confidencial. 5. Conclusões são enviadas ao Estado e ao denunciante. Ponto-chave: o Brasil ainda não reconheceu formalmente a competência do Comitê para receber denúncias individuais. Artigo 23 – Imunidades e Privilégios Os membros do Comitê e das comissões de conciliação têm imunidades diplomáticas equivalentes às de peritos em missão da ONU. Artigo 24 – Relatório Anual O Comitê envia relatório anual à Assembleia Geral da ONU e aos Estados Partes, descrevendo: • suas atividades; • casos analisados; • observações gerais. Resumo: o Comitê não julga, fiscaliza, orienta e recomenda. TERCEIRA PARTE – Disposições Finais Artigo 25 – Assinatura e Ratificação • A Convenção está aberta à assinatura de todos os Estados. • Para ter validade, o Estado precisa ratificar (confirmar formalmente a aceitação). • O instrumento de ratificação é depositado junto ao Secretário-Geral da ONU. Resumo: Assinar é simbólico; ratificar é o que vincula juridicamente o Estado. Artigo 26 – Adesão • Mesmo quem não assinou pode aderir depois, depositando o documento de adesão na ONU. Serve para países que quiserem entrar depois da entrada em vigor. Artigo 27 – Entrada em Vigor 1. A Convenção entra em vigor 30 dias após o depósito do 20º instrumento de ratificação ou adesão. 2. Para Estados que entrarem depois, entra em vigor 30 dias após sua própria ratificação. Em prova: a contagem é 30 dias (não 60, nem imediato). Artigo 28 – Reserva sobre o Art. 20 • Um Estado pode declarar, no momento da assinatura, ratificação ou adesão, que não reconhece a competência do Comitê para realizar inquéritos confidenciais (art. 20). • Essa reserva pode ser retirada a qualquer momento. Pegadinha clássica: “Todo Estado é obrigado a aceitar o inquérito do Comitê.” → Pode recusar, conforme este artigo. Artigo 29 – Emendas • Qualquer Estado pode propor mudanças (emendas) na Convenção. • A proposta é enviada à ONU, que consulta os demais Estados. • Se 1/3 dos Estados concordar, a ONU convoca uma conferência para discutir. • A emenda entra em vigor quando 2/3 dos Estados Partes a aceitarem. Resumo: precisa de 1/3 para convocar e 2/3 para aprovar. Artigo 30 – Solução de Controvérsias • Se houver conflito entre Estados sobre interpretação ou aplicação da Convenção: 1. tenta-se resolver por negociação; 2. se não der certo em 6 meses, o caso pode ir para arbitragem; 3. se ainda assim não houver acordo, pode ser submetido ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ). • O Estado pode declarar que não aceita essa competência do TIJ no momento da ratificação. • Essa reserva também pode ser retirada depois. Exemplo de prova: “Todo Estado Parte deve submeter disputas ao TIJ.” → Só se não tiver feito reserva. Artigo 31 – Denúncia da Convenção • O Estado pode denunciar (sair) da Convenção por notificação escrita à ONU. • Passa a valer 1 ano após a notificação. • Mas o país ainda responde por atos cometidos antes da saída. • E o Comitê pode continuar analisando casos pendentes até a data efetiva da denúncia. Resumo: sair é possível, mas não apaga crimes já cometidos. Artigo 32 – Comunicações da ONU O Secretário-Geral da ONU deve informar a todos os Estados: • quem assinou, ratificou ou aderiu; • quando a Convenção entrou em vigor; • quem denunciou; • e quando houver emendas. Serve para manter transparência e controle internacional. Artigo 33 – Textos Oficiais • O texto é autêntico em seis idiomas: inglês, árabe, chinês, espanhol, francês e russo. • A versão oficial fica depositada na ONU, e cópias certificadas são enviadas a todos os países. Curiosidade: o português não é versão oficial, é apenas tradução. CONCLUSÃO GERAL Resumo da lógica da Convenção: 1. Define o que é tortura (Art. 1). 2. Proíbe totalmente em qualquer circunstância (Art. 2). 3. Criminaliza e pune (Arts. 3–9). 4. Previne (Arts. 10–11). 5. Investiga e repara (Arts. 12–15). 6. Fiscaliza internacionalmente (Arts. 17–24). 7. Regula aspectos formais (Arts. 25–33).