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CRIMINALÍSTICA. Definição. Histórico. Doutrina Prof. Rafael de Oliveira @profrafaeldeoliveira DEFINIÇÕES, OBJETIVOS E CONCEITO A criminalística é o conjunto de procedimentos científicos de que se vale a justiça moderna para averiguar o fato delituoso e suas circunstâncias, isto é, o estudo de todos os vestígios do crime, por meio de métodos adequados a cada um deles. É a disciplina que tem por objetivo o reconhecimento e interpretação dos indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade do criminoso. “Conjunto de conhecimentos que, reunindo as contribuições das várias ciências, indica os meios para descobrir crimes, identificar os seus autores e encontrá‐los, utilizando‐se de subsídios da química, da antropologia, da psicologia, da medicina legal, da psiquiatria, da datiloscopia, etc., que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal”. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO, v. 21, 1997:486). Criminalística é a disciplina que estuda a indiciologia material para elucidação de fatos que interessam à Justiça nas suas diversas áreas. A criminalística é o conjunto de procedimentos científicos de que se vale a justiça moderna para averiguar o fato delituoso e suas circunstâncias, isto é, o estudo de todos os vestígios do crime, por meio de métodos adequados a cada um deles. Assim temos que os objetivos da criminalística são: a) dar a materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do ilícito penal; b) verificar os meios e os modos como foi praticado um delito, visando fornecer a dinâmica do fenômeno; c) indicar a autoria do delito, quando possível; d) elaborar a prova técnica, através da indiciologia material; Dois são os seus princípios básicos: * Princípio de Locard (1877-1966): “Todo o contacto deixa um traço (vestígio)”; Nesse sentido, a criminalística baseia-se no fato de que um criminoso deixa no lugar do crime, alguns vestígios, e por outro lado também recolhem na sua pessoa, na sua roupa e no seu material, outros vestígios, e todos eles imperceptíveis, mas característicos da sua presença ou da sua atividade (princípio de LOCARD). * Princípio da Individualidade: Dois objetos podem parecer indistinguíveis, mas não há dois objetos absolutamente idênticos. A criminalística ocupa-se fundamentalmente em determinar de que forma se cometeu o delito e quem o cometeu, também abrange interrogações: “como?”, “porque?”, “quem?”, que instrumentos foram utilizados, “donde?”, “quando?”, ou seja, a criminalística utiliza uma série de técnicas, procedimentos e ciências que estabelecem a verdade jurídica acerca do ato criminal. Consta que a criminalística nasceu com Hans Gross, que é considerado o pai dessa ciência, já que foi ele quem cunhou este termo. Juiz de instrução e professor de direito penal austríaco, autor da obra “System Der Kriminalistik”, em 1893. Considerada um manual de instruções dos juízes de direito, que definia a criminalística como “O estudo da fenomenologia do crime e dos métodos práticos de sua investigação”. A criminalística pode ser dividida em duas fases: a primeira aquela em que se buscava a verdade através de métodos primitivos, mágicos ou através da tortura, considerando que na maioria das vezes não se conseguia obter uma confissão do acusado de forma espontânea; a segunda fase que procurava a verdade através de métodos racionais, surgindo assim os fundamentos científicos da criminalística deixando de lado as crenças nos milagres e nas mágicas. Princípios Científicos da Criminalística A) Princípio do Uso Os fatos apurados pela Criminalística são produzidos por agentes físicos, químicos ou biológicos; B) Princípio da Produção Sobreditos agentes agem produzindo vestígios indicativos de suas ocorrências, com uma grande variedade de naturezas, morfologias e estruturas; C). Princípio do Intercâmbio Os objetos ou materiais, ao interagirem, permutam características ainda que microscópicas; D) Princípio da Correspondência de Características A ação dos agentes mecânicos reproduzem morfologias caracterizadas pelas naturezas e modos de atuação dos agentes; E) Princípio da Reconstrução A aplicação de leis, teorias científicas e conhecimentos tecnológicos sobre a complexão dos vestígios remanescentes de uma ocorrência estabelecem os nexos causais entre as várias etapas da ocorrência, culminando na reconstrução do evento; F) Princípio da Certeza O princípio técnico e científico que presidem os fatos criminalísticos inalteráveis e suficientemente comprovados, atestam a certeza das conclusões periciais; G) Princípio da Probabilidade Em todos os estudos da prova pericial, prepondera a descoberta no desconhecido de um número de características que corresponda à característica do conhecido. Pela existência destas características comuns, o perito conclui que o conhecido e o desconhecido possuem origens comuns devido à impossibilidade de ocorrências independentes deste conjunto de características. A prova pericial está disposta nos arts. 158 a 184, do Código de Processo Penal e os dispositivos tratam de maneira pormenorizada o valor probatório da prova técnica e os procedimentos que o perito deve observar. O CPP inclusive prevê que “o juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá‐lo ou rejeitá‐lo, no todo ou em parte” (art; 182). Na prática, contudo, dificilmente o laudo é rejeitado, e o magistrado se vale da prova técnica para embasar a condenação ou a absolvição do réu. ÁREAS DE ATUAÇÃO DA CRIMINALÍSTICA Como dito anteriormente, a função do perito criminal é fazer exames no local onde ocorreu a infração penal, bem como nos instrumentos utilizados para tal. São 14 frentes de atuação: Perícias em Informática: Desempenha papel fundamental na solução de crimes que utilizam recursos informatizados. Perícia Contábil e Financeira: Utilizada em crimes onde se objetiva a obtenção de lucro fácil. Ex.: crimes do colarinho branco, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, manutenção de depósitos não declarados no exterior, sonegação fiscal, etc. Perícias Documentoscópicas: Os peritos da área buscam, através de exames, comparações e análises científicas em documentos, esclarecer a autenticidade do material recolhido, revelando os processos e métodos utilizados nas falsificações de papéis e assinaturas. Perícias em Audiovisual e Eletrônicos: O objetivo é apurar se não há montagens, trucagens, supressões e outras alterações de caráter fraudulento. Também realizam exames para comparação de locutor e reconhecimento facial. Perícias de Química Forense: As atribuições desta área envolvem a análise, a caracterização e o desenvolvimento de novas metodologias de exames em drogas, fármacos (medicamentos), agrotóxicos, alimentos, tintas, documentos, bebidas, combustíveis, em diferentes formas de apresentação. Perícias de Engenharia: Superfaturamento de licitações, financiamentos e contratos de obras públicas estão entre os casos solucionados pelos peritos de engenharia. Perícias de Meio Ambiente: Os peritos desta área trabalham na realização de exames e produção de laudos periciais em crimes que envolvem a fauna, flora, poluição, extração mineral e invasão de áreas protegidas. Perícias em Genética Forense: Realizam análises de identificação genética em humanos, animais e vegetais. Nos exames com DNA humano, a perícia identifica a origem do material biológico deixado no local de crime. Em caso de exame de vínculo genético, o objetivo, em geral, é a identificação de restos mortais, principalmente ossadas ou corpos carbonizados. Qualquer tipo de material biológico humano, como sangue, sêmen, saliva, tecido epitelial, entre outros, são passíveis de exame. Perícias em Balística: Confirmam a prova da ocorrência de um crime, que tenha como objeto principal uma arma de fogo. O trabalho consiste na identificação de armas, confronto de elementos de munição e revelação de caracteres de registro que foram adulterados e suprimidos pelos criminosos. Perícias em Locais de Crime: Para a produção da maioriados laudos da perícia criminal é preciso, antes de qualquer coisa, que o local de crime seja fotografado, analisado e feito a coleta de todos os vestígios necessários, que, posteriormente, são submetidos a análises em laboratório. Os peritos criminais atendem as ocorrências em locais que envolvam os mais diversos tipos de crimes, tais como: incêndios, acidentes de trânsito, desastres, crimes contra o patrimônio e pessoas, ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares, entre outros. Perícias em Bombas e Explosivos: Ocorrências que envolvem bombas em propriedades públicas e privadas são o foco dos peritos especializados nessa área, dentre outras atividades correlatas, como perícias de pós-explosão e o planejamento da segurança antibomba em grandes eventos nacionais e internacionais. Perícias de Veículos: Em diversas ocorrências criminais existe a ligação direta ou indireta com um veículo e em muitas delas, os veículos envolvidos apresentam uma série de vestígios, que demandam a atuação de peritos de diferentes áreas. Perícias de Medicina e Odontologia Forense: As perícias médico-legais são realizadas em casos de crimes contra a integridade física da pessoa. Com o foco na caracterização da materialidade dos delitos, cabe aos peritos do setor a realização de exames de corpos de pessoas vivas ou mortas ou análise de documentação médica. Perícias sobre o Patrimônio Cultural: Os bens examinados podem ser imóveis ou móveis e buscam apontar a autenticidade, a avaliação de danos e, no caso de bens artísticos, a avaliação de mercado PROVAS: CONCEITO E OBJETO DA PROVA Como dito anteriormente, a prova pericial é tratada nos arts. 158 a 184, da Código de Processo Penal. Os arts. 155 a 157, CPP tratam das disposições gerais da prova. A prova é o ato que busca comprovar a veracidade dos fatos que concorreram para a prática de um delito, no qual influenciará diretamente o julgador. Guilherme de Souza Nucci (Curso de Direito Processual Penal, 2020, p. 684), o termo prova pode significar, objetivamente, o "ato" ou o "meio" de demonstração da verdade sobre determinado fato e, subjetivamente, é entendido como o "resultado da ação de provar". De acordo com o Código de Processo Penal, em regra, são admissíveis qualquer meio de prova, desde que obtidas por meio lícito, incluindo-se as filmagens, interceptações telefônicas, tudo que possa, direta ou indiretamente, demonstrar a veracidade dos fatos e alegações. Serão todos os elementos levados ao processo para apreciação do magistrado, o seu destinatário. Somente o fato jurídico relevante, ou seja, aquele que possa influenciar na tipificação do fato delituoso ou na exclusão de culpabilidade ou de antijuridicidade, deve ser provado. Fatos notórios, por exemplo, não precisam de comprovação. A prova é um elemento essencial do processo, levando à sentença baseada no conteúdo dos fatos ou atos praticados e levados a conhecimento do juiz. Há critérios utilizados pelo juiz para valorar as provas dos autos. Tais critérios são chamados de “sistema de avaliação da prova”. São três os sistemas de avaliação da prova: a "livre convicção", a "prova legal" e a "persuasão racional". Sistema da livre ou íntima convicção: não vincula o julgador à motivação decisória, tampouco a critérios de avaliação probatória. É adotado pelo Tribunal do Júri. Assim, os jurados julgam com plena liberdade, de acordo com a sua íntima convicção, não precisando portanto, fundamentar a decisão em nenhum dispositivo de lei. Sistema da prova legal ou da prova tarifada: como o próprio nome já sugere, é um sistema hierarquizado, no qual o valor de cada prova é predefinido, não existindo, portanto uma valoração individualizada, de acordo com cada caso concreto. Ou seja, cada prova já possui seu valor definido em lei de forma prévia. Nesse sistema o juiz não possui liberdade para valorar as provas de acordo com as especificidades do caso concreto. Há resquícios dos sistema da prova tarifada no atual Código de Processo Penal. Um exemplo disso é o artigo 158 do referido diploma legal, que impede que a confissão do acusado, nos crimes que deixam vestígios, supra a falta de exame de corpo de delito Sistema do livre convencimento motivado ou da persuasão: no livre convencimento motivado, como o próprio nome já sugere, o julgador está livre para valorar as provas de acordo com o seu livre convencimento. Não existe uma super prova; não há aquela prova que se sobreponha em relação as demais, tendo em vista que as provas serão valoradas de acordo com cada caso concreto. Está previsto no art. 155, caput, do Código de Processo Penal. Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Apesar de não haver hierarquia entre as provas, o juiz deve fundamentar as suas decisões com base nas provas produzidas sobre o crivo do contraditório e do devido processo legal, não se aceitando a condenação de um indivíduo com base, única e exclusivamente, em elementos colhidos na fase de investigação, pois nessa fase (pré-processual) o contraditório é mitigado. Em resumo, o juiz deve decidir de acordo com o arcabouço probatório que foi produzido durante o processo, é vedado, portanto, o decisionismo, ou seja, que o juiz julgue de acordo com a sua consciência e de acordo com a sua lei particular. Classificação das provas: A) quanto ao objeto: direta: destina-se a comprovar a alegação de um fato. indireta: destina-se a demonstrar fatos secundários ou circunstanciais (indícios), por meio dos quais o juiz, em raciocínio dedutivo. presume como verdadeiro fato principal. B) Quanto à fonte: pessoais: decorre de declaração de uma pessoa. reais: é constituída por meio de objetos e coisas. D) Princípio da Correspondência de Características A ação dos agentes mecânicos reproduzem morfologias caracterizadas pelas naturezas e modos de atuação dos agentes; E) Princípio da Reconstrução A aplicação de leis, teorias científicas e conhecimentos tecnológicos sobre a complexão dos vestígios remanescentes de uma ocorrência estabelecem os nexos causais entre as várias etapas da ocorrência, culminando na reconstrução do evento; F) Princípio da Certeza O princípio técnico e científico que presidem os fatos criminalísticos inalteráveis e suficientemente comprovados, atestam a certeza das conclusões periciais; G) Princípio da Probabilidade Em todos os estudos da prova pericial, prepondera a descoberta no desconhecido de um número de características que corresponda à característica do conhecido. Pela existência destas características comuns, o perito conclui que o conhecido e o desconhecido possuem origens comuns devido à impossibilidade de ocorrências independentes deste conjunto de características. OBJETO DA PROVA A princípio, devemos diferenciar o objeto de prova, que é saber o que será preciso provar, sendo ele fato ou direito, ou seja, todos os fatos ou coisas que necessitam de comprovação de veracidade; e o objeto da prova, que são os fatos que necessitam ser provados. Estes serão os objetos apresentados para a apreciação do juiz. Objeto da prova, portanto, são os fatos. MEIOS DE PROVA Meios de prova são os instrumentos pessoais ou materiais aptos a trazer ao processo a convicção da existência ou inexistência de um fato. O Código de Processo Penal especifica vários meios de prova (arts. 158 a 250), que constituem os chamados meios legais de prova. A enumeração, entretanto, não é taxativa. Outros meios de prova se admitem, mas desde que compatíveis com os princípios de respeito ao direito de defesa e à dignidade da pessoa humana. PROVA DOCUMENTAL Documento é uma coisa capaz de representar um fato (Carnelutti). Assim em sentido lato, documento não é apenas o escrito, mas toda e qualquer coisa que transmita diretamente o registro físico de um fato, tais como desenhos,fotografias, gravações sonoras, etc. O documento pode ser apresentado em sua forma original ou cópias O documento quando autêntico forma uma prova de enorme prestígio, todavia este não comprova totalmente o fato. No sistema processual Brasileiro não há uma hierarquia de provas, devendo o juiz analisar livremente a prova e forma seu convencimento. Podendo assim outras provas como a confissão testemunhal e confissão pericial se sobreporem ao documento. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO (AOCP- 2018 – Instituto Técnico-Cientídico de Perícia (ITEP/RN) - Agente de Necropsia). A Criminalística pode ser definida como A.uma disciplina autônoma, integrada pelos diferentes ramos do conhecimento técnico-científico, auxiliar e informativa das atividades policiais e judiciárias de investigação criminal, tendo por objeto o estudo dos vestígios materiais extrínsecos à pessoa física, no que tiver de útil à elucidação e à prova das infrações penais e, ainda, à identificação dos autores respectivos. B.a parte da jurisprudência que tem por objeto o estabelecimento de regras que dirigem a conduta do perito e na forma que lhe cumpre dar às suas declarações verbais ou escritas. C.o conjunto de conhecimentos médicos e paramédicos destinados a servir ao Direito, cooperando na elaboração, na interpretação e na execução dos dispositivos legais, no campo de ação da ciência aplicada. D.o ramo das ciências que se ocupa em elucidar as questões da administração da justiça civil e criminal que podem ser resolvidas somente à luz dos conhecimentos médicos. E.a área do direito penal que se ocupa da doutrina criminal envolvida na elucidação material do fato, sendo prescindível à elucidação de crimes que deixam vestígios e regida por leis jurídicas e ritos processuais rígidos e imutáveis e cujos resultados e apontamentos são de origem empírica, ambígua e inextricável. ALTERNATIVA A. É conceito de criminalística formulado por Eraldo Rabello. (CESPE – 2018 – Delegado de Polícia Federal). Acerca da prova no processo penal, julgue o item a seguir. Por força do princípio da verdade real, se uma autoridade policial determinar que um indiciado forneça material biológico para a coleta de amostra para exame de DNA cujo resultado poderá constituir prova para determinar a autoria de um crime, o indiciado estará obrigado a cumprir a determinação. Certo Errado ERRADO. O indiciado/réu não é obrigado a produzir provas contra si. Princípio mais conhecido como Nemo Tenetur Se Detegere. As provas invasivas (intervenções corporais que pressupõe penetração no organismo humano) são abrangidas citado princípio de só podem ser realizadas com autorização da pessoa. (CESPE – 2018 – STJ – Técnico Judiciário). Acerca do ônus da prova, julgue o próximo item. A exigência de realização do exame de corpo de delito no caso de infrações que deixem vestígios pode ser dispensada na hipótese de confissão do acusado. Certo Errado ERRADO. A questão fere o art. 158, CPP: Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. (CESPE – 2018 – STJ – Técnico Judiciário). Acerca da competência, das questões e dos processos incidentes e das provas, julgue o item a seguir. Sendo possível a realização de exame para investigar crimes que deixam vestígios, não proceder a esse exame é motivo de nulidade do processo, ainda que provas documentais e testemunhais confirmem a autoria e a materialidade do crime. Certo Errado CERTO. Nos delitos que deixam é indispensável o exame de corpo de delito, não podendo ser substituído pela confissão do acusado (art. 158 CPP), somente podendo ser suprido por outro meio quando o vestígio deixar de existir (art. 167 CPP). (CESPE – 2017 – DPU – Defensor Público Federal). Acerca dos sistemas de apreciação de provas e da licitude dos meios de prova, julgue o item subsequente. Embora o ordenamento jurídico brasileiro tenha adotado o sistema da persuasão racional para a apreciação de provas judiciais, o CPP remete ao sistema da prova tarifada, como, por exemplo, quando da necessidade de se provar o estado das pessoas por meio de documentos indicados pela lei civil. Certo Errado CERTO. A questão nos faz relembrar dos sistemas de prova. Livre convencimento motivado - > REGRA: não há hierarquia entre as provas e o juiz decide da maneira que lhe bem entender desde que de acordo com as leis e seja motivado. Prova Tarifada - > EXCEÇÃO: meio necessário para se comprovar determinado fato , exemplo: certidão de casamento para se comprovar que é casado , não bastando a mera palavra. Íntima convicção - > EXCEÇÃO: é admitido somente nos casos do tribunal do Juri, dar a decisão sem necessidade de motivação como acontece na regra. (MPE-SC – 2016 – Promotor de Justiça). De acordo com a redação do art. 156 do Código de Processo Penal, a regra de que a prova da alegação incumbirá a quem o fizer admite exceções, quais sejam: ser facultado ao juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade das medidas; e, determinar no curso da instrução ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvidas sobre ponto relevante. Certo Errado CERTO. Quanto ao ônus da prova, há de se salientar que, em regra, a prova da alegação incumbirá a quem a fizer (art. 156, caput, do CPP). Nesse sentido, em regra, por força do princípio da presunção de inocência, o ônus é da acusação. Assim, compete ao autor da ação penal a demonstração da autoria e da materialidade delitiva, do dolo ou culpa do agente e de circunstâncias que venham a exasperar a pena (qualificadoras, causas de aumento de pena e até mesmo agravantes, embora estas últimas possam ser reconhecidas de ofício pelo juiz, nos termos do art. 385 do CPP). De outro lado, em proteção à busca da verdade real, a Lei n° 11.690/08, alterando a redação do art. 156 do CPP, permitiu que o juiz ordenasse, mesmo antes de iniciada a ação penal (ou seja, na fase de inquérito policial), a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida (art. 156, inciso I, do CPP), bem como determinasse, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante (art. 156, inciso lI, do CPP). (CESPE - 2013 - Polícia Federal – conhecimentos gerais). A respeito da prova no processo penal, julgue o item subsequente. A consequência processual da declaração de ilegalidade de determinada prova obtida com violação às normas constitucionais ou legais é a nulidade do processo com a absolvição do réu. Certo Errado ERRADO. A consequência processual da declaração de ilegalidade de determinada prova obtida com violação às normas constitucionais ou legais é o desentranhamento do processo. Fundamento: art. 157, caput, CPP: São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.