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PAPER SOCIOLOGIA DO TRABALHO

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SOCIOLOGIA DO TRABALHO INFORMAL E TRABALHOS POR 
APLICATIVOS 
 
Rafael Ribeiro da Silva 
. 
RESUMO 
 
O trabalho informal, historicamente associado à ausência de direitos 
trabalhistas, instabilidade de renda e fragilidade nas relações de emprego, ganha 
novas configurações com a expansão das plataformas digitais. A sociologia do 
trabalho identifica que os aplicativos de transporte, delivery e serviços diversos 
ampliam oportunidades de geração de renda, porém reproduzem características 
marcantes da informalidade, como a ausência de vínculo empregatício, a 
remuneração variável e a transferência dos custos e riscos ao trabalhador. 
Apesar de utilizarem tecnologias avançadas e modelos de gestão algorítmica, 
essas plataformas frequentemente reforçam dinâmicas de precarização, 
individualização do trabalho e competitividade entre os próprios trabalhadores. 
Nesse contexto, debates sociológicos apontam para o surgimento de uma 
“nova informalidade”, marcada pela autonomia relativa, mas também pela 
dependência econômica do trabalhador em relação ao aplicativo, que determina 
ritmo, rotas, avaliações e acesso às demandas. Ao mesmo tempo, observa-se o 
crescimento de mobilizações coletivas e reivindicações por direitos, indicando 
que a organização laboral — mesmo em ambientes digitais — continua sendo 
elemento essencial na luta por melhores condições de trabalho. Assim, a análise 
sociológica do trabalho por aplicativos revela tensões entre flexibilidade e 
precarização, inovação tecnológica e exploração, demandando novas reflexões 
sobre proteção social, regulação e cidadania trabalhista. 
 
Palavras-chave: trabalho informal. Aplicativos de transporte. Sociologia do 
trabalho 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Nas últimas décadas, profundas transformações econômicas, 
tecnológicas e sociais alteraram significativamente as formas de organização e 
realização do trabalho. Entre essas mudanças, destaca-se a expansão do 
trabalho informal e o crescimento acelerado das atividades mediadas por 
plataformas digitais, como aplicativos de transporte, entrega e serviços sob 
demanda. Esse fenômeno evidencia um cenário em que a flexibilização das 
relações laborais, a intensificação do uso de tecnologias e a busca por 
 
alternativas de renda convergem para novos modelos de ocupação, que 
desafiam as classificações tradicionais da sociologia do trabalho. 
Historicamente, o trabalho informal sempre esteve associado à ausência 
de proteção social, instabilidade profissional e marginalidade econômica. No 
contexto contemporâneo, os trabalhos por aplicativos reformulam essa 
informalidade ao combinarem elementos de autonomia aparente, gestão 
algorítmica e remuneração variável. Apesar de serem apresentados como 
oportunidades de liberdade e empreendedorismo, esses modelos trazem 
questões centrais para o debate sociológico, como a precarização das condições 
de trabalho, a transferência de riscos para o trabalhador e a fragilização dos 
mecanismos de regulação estatal. 
Dessa forma, compreender o trabalho informal e as dinâmicas dos 
aplicativos requer investigar não apenas seus aspectos econômicos, mas 
também as relações de poder, as formas de controle, as estratégias de 
sobrevivência e a subjetividade dos trabalhadores inseridos nesse ambiente. A 
sociologia do trabalho, ao analisar tais processos, contribui para identificar 
tensões entre inovação tecnológica e direitos trabalhistas, evidenciando a 
necessidade de repensar as políticas públicas e os modelos de proteção social 
diante das novas formas de ocupação. 
Este Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo examinar as 
configurações contemporâneas do trabalho informal e dos serviços por 
aplicativos, destacando suas características, desafios e impactos sociais. A partir 
de uma abordagem analítica e crítica, busca-se compreender de que maneira 
essas modalidades influenciam a organização laboral, a cidadania e a vida 
cotidiana dos trabalhadores, contribuindo para o debate sobre as novas formas 
de trabalho no século XXI. 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
 
2.1. Conceitos de Trabalho e Modernidade 
Ao longo da história, o trabalho assume diferentes significados. Na 
modernidade industrial, conforme analisado por Karl Marx e Émile Durkheim, o 
 
trabalho se torna elemento estruturante da vida social e base da organização 
capitalista. Marx destaca a centralidade da força de trabalho como fonte de mais-
valia e a alienação resultante do controle capitalista do processo produtivo. 
Durkheim, por sua vez, analisa a divisão social do trabalho como mecanismo de 
coesão e solidariedade. 
Na contemporaneidade, autores como Richard Sennett e Zygmunt 
Bauman evidenciam a fluidez e a instabilidade do trabalho pós-industrial. O 
emprego formal, estável e protegido deixa de ser regra, e a flexibilidade passa a 
ser exigência. Esse cenário abre espaço para formas de trabalho caracterizadas 
pela incerteza, ausência de direitos e individualização extrema. 
 
2.2. Trabalho Informal: Definições e Perspectivas Sociológicas 
O trabalho informal é tradicionalmente definido como aquele realizado 
sem registro empregatício, sem proteção social e fora das regulamentações 
trabalhistas formais. No entanto, a sociologia contemporânea amplia essa 
compreensão ao destacar que a informalidade é parte estrutural do capitalismo, 
e não simples “anomalia”. Autores como Castells e Portes apontam que a 
informalidade se expande em paralelo à modernização e às políticas neoliberais. 
No Brasil, a informalidade historicamente representa parcela significativa 
da força de trabalho. A crise econômica, aliada às reformulações na legislação 
trabalhista, intensifica esse cenário. O trabalhador informal vive frequentemente 
em condições de vulnerabilidade, com rendimentos instáveis, jornadas longas e 
falta de proteção social. 
 
2.3. Economia de Plataforma e Uberização do Trabalho 
A economia de plataformas consiste na mediação tecnológica entre 
consumidores e prestadores de serviços. Empresas como Uber, iFood, Airbnb e 
Rappi funcionam como intermediárias digitais que organizam a oferta e a 
demanda por meio de algoritmos. Esses aplicativos operam sob o discurso da 
autonomia, flexibilização e empreendedorismo individual. 
 
Entretanto, diversos estudos demonstram que, por trás dessa narrativa, 
existe um intenso controle algorítmico: monitoramento permanente, metas de 
desempenho, punições e bloqueios unilaterais. O termo "uberização", 
popularizado por pesquisadores como Ludmila Abílio, descreve essa forma de 
organização do trabalho marcada por autonomia ilusória, precarização e 
dependência total da plataforma. 
 
2.4. Precarização e Desproteção Social 
Os trabalhadores de aplicativos geralmente não possuem vínculo 
empregatício reconhecido. Como consequência, ficam excluídos de direitos 
básicos como férias, 13º salário, plano de saúde, FGTS e aposentadoria. A 
remuneração varia conforme demanda, algoritmo e condições externas (clima, 
localização, promoções). Esse cenário configura um tipo de "precarização 
digital", conceito que relaciona tecnologia, informalidade e vulnerabilidade. 
A sociologia do trabalho analisa esses processos como parte de uma 
reestruturação produtiva mais ampla, em que as empresas transferem riscos ao 
trabalhador, transformando-o em microempreendedor de si mesmo. 
 
3. CONCLUSÃO 
 
A análise sociológica do trabalho informal e das ocupações mediadas por 
aplicativos evidencia que as transformações tecnológicas, econômicas e 
organizacionais das últimas décadas têm produzido um cenário laboral marcado 
por novas formas de flexibilização e precarização. Embora apresentadas como 
alternativas inovadoras de geração de renda e autonomia, as plataformas digitais 
reproduzem — e em alguns casos intensificam — características históricas da 
informalidade no Brasil, como ausência de proteção social, instabilidade de 
ganhos e fragilidade nas relações de trabalho. Os resultadosdiscutidos ao longo 
deste estudo demonstram que a chamada “nova informalidade digital” constitui 
um modelo híbrido, no qual a promessa de liberdade e empreendedorismo 
convive com mecanismos sofisticados de controle algorítmico, avaliação 
 
constante e dependência econômica dos trabalhadores em relação às 
plataformas. Dessa forma, observa-se que a autonomia oferecida é relativa, 
limitando-se ao gerenciamento individual do tempo, mas sem garantir condições 
dignas, previsibilidade de renda ou segurança laboral. 
Além disso, a pesquisa revela que os trabalhadores por aplicativo assumem 
integralmente os riscos, custos e responsabilidades que deveriam ser 
compartilhados ou regulados por políticas públicas e marcos legais adequados. 
Tal dinâmica contribui para a intensificação da precarização estrutural e para a 
ampliação das desigualdades sociais, especialmente entre aqueles que utilizam 
essas ocupações como principal ou única fonte de renda. 
No entanto, também se evidencia a emergência de novas formas de 
organização, solidariedade e mobilização coletiva entre motoristas, entregadores 
e demais trabalhadores de plataforma. Esses movimentos, ainda que 
fragmentados, demonstram a capacidade de resistência e reivindicação de 
direitos diante de um modelo que tende à individualização e à invisibilidade das 
condições reais de trabalho. A luta por reconhecimento, regulamentação e 
proteção social torna-se, portanto, elemento central no debate contemporâneo 
sobre o futuro do trabalho. 
Diante disso, conclui-se que compreender o trabalho informal e os 
serviços por aplicativos exige uma abordagem sociológica crítica, capaz de 
analisar as estruturas macroeconômicas, as práticas das plataformas e as 
experiências cotidianas dos trabalhadores. É fundamental que pesquisas 
acadêmicas, políticas públicas e legislações avancem no sentido de garantir 
condições mais justas, seguras e reconhecidas para esses profissionais, 
considerando que os aplicativos já representam parte significativa da 
organização laboral atual. 
Assim, este paper contribui para o debate sobre as novas formas de 
trabalho no século XXI, destacando que a tecnologia, embora transformadora, 
não elimina desigualdades preexistentes — e, em muitos casos, pode reforçá-
las. Cabe à sociedade, ao Estado e às instituições acadêmicas refletirem sobre 
modelos de regulação e formas de proteção social que assegurem dignidade, 
direitos e cidadania a todos os trabalhadores. 
 
 
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