Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Geografia – Urbanização – Terceiro Ano 
Professor: Fábio Nobre 
 
CIDADE: Na Geografia, definimos cidade como um 
aglomerado com certo número de habitantes que 
exercem atividades urbanas, isto é, ligadas à indústria, 
ao comércio e aos serviços. No Brasil, toda sede de 
município é classificada como cidade, 
independentemente do tamanho da população e dos 
serviços ou recursos que oferece a seus habitantes. 
 
REDE URBANA 
 
A rede urbana é formada pelo conjunto de 
cidades – de um mesmo país ou de países vizinhos -, 
que se interligam umas as outras por meios de 
sistemas de transportes e de telecomunicações, 
através dos quais se dão os fluxos de pessoas, 
mercadorias, informações e capitais. 
A rede urbana dos países desenvolvidos são 
mais densas e articuladas por causa dos altos índices 
de industrialização e urbanização, da economia 
diversificada e dinâmica, dos mercados internos com 
alta capacidade de consumo e dos grandes 
investimentos em transportes e telecomunicações. Já 
as redes urbanas de muitos países em 
desenvolvimento, particularmente daqueles de baixo 
nível de industrialização e urbanização, são bastante 
desarticuladas, e as cidades estão dispersas no 
território. 
As redes de cidades mais densas e articuladas 
se encontram nas regiões do planeta onde se 
desenvolveram as megalópoles: nordeste e costa 
oeste dos Estados Unidos, porção ocidental da Europa 
e sudeste da ilha de Honshu, no Japão, embora haja 
importantes redes em outras regiões, como aquelas 
polarizadas por Cidade do México, São Paulo e Buenos 
Aires. 
O capitalismo em sua etapa informacional, o 
avanço da globalização e a consequente aceleração de 
fluxos no espaço geográfico planetário criaram um 
rede urbana mundial, cujos nós ou pontos de 
interconexão são as chamadas cidade globais. 
Desde o fim do século XIX, muitos autores 
passaram a utilizar o conceito de rede urbana para se 
referir a crescente articulação entre as cidades 
resultante da expansão do processo de 
industrialização-urbanização. No mesmo período, na 
tentativa de aprender as relações que se estabelecem 
entre as cidades no interior de uma rede, a noção de 
HIERARQUIA URBANA também passou a ser utilizada. 
Ocorre que a concepção tradicional de 
hierarquia urbana, tomada do jargão militar, já não 
oferece uma boa descrição das relações estabelecidas 
entre as cidades no interior da rede urbana. Com os 
avanços da revolução técnico-científica, a acelerada 
modernização dos sistemas de transportes e de 
telecomunicação, o barateamento e a maior facilidade 
de obtenção de energia, a disseminação de aviões, 
trens e automóveis mais velozes, enfim, com a 
redução do tempo de deslocamento, as relações entre 
as cidades já não respeitam o “esquema militar” na 
qual era necessário “galgar postos” dentro da 
hierarquia urbana. 
 
Esquema clássico de relações entre as cidades em 
uma rede urbana 
 
 
Em uma analogia com a hierarquia militar, a vila seria 
um soldado, e a metrópole nacional, um general, a posição mais 
alta. A metrópole nacional seria o nível máximo de poder e 
influência econômica na rede urbana de um país, e a vila, o nível 
mais baixo, que sofreria influência de todas as outras. Essa foi a 
concepção de hierarquia urbana utilizada desde o fim do século 
XIX até meados da década de 1970. 
 
Atualmente, uma pessoa com boa renda pode 
residir em uma chácara ou em um sítio, na zona rural, 
ou em uma pequena cidade, em lugares distantes de 
um grande centro, e estar mais integrada à vida 
urbana do que outra pessoa pobre que resida no 
mesmo centro. Se a pessoa vive, por exemplo, em 
uma chácara, a quilômetros da grande cidade, mas 
tem à sua disposição telefone, computador, conexão 
com a internet, antena parabólica e automóvel, está 
mais bem integrada do que outra que mora na cidade, 
mas em habitação precária ou mesmo na rua e sem 
acesso a todos esses bens e serviços. Portanto, o que 
define a integração ou não das pessoas à moderna 
sociedade capitalista é a maior ou menor 
disponibilidade de renda – e, consequentemente, a 
possibilidade de acesso às novas tecnologias, aos 
conhecimentos, aos bens e serviços – e não mais a 
distância que as separam dos lugares. 
 
 
 
 
 
 
 
Esquema atual de relações entre as cidades em uma 
rede urbana 
 
No atual estágio informacional do capitalismo, 
estruturou-se uma nova hierarquia urbana, na qual a relação da 
vila ou da cidade local pode se dar com o centro regional, com a 
metrópole regional ou até mesmo com a metrópole nacional. Esse 
esquema mostra a inter-relação das cidades no interior da rede 
urbana de uma forma mais próxima da realidade atual. 
 
SÍTIO URBANO 
É o local onde a cidade se desenvolve de 
forma espontânea ou planejada. Pode ser uma 
planície, um planalto, um vale, uma área litorânea, 
entre outros. Esse local influencia seu 
desenvolvimento e cultura, especialmente quanto ao 
seu aspecto natural que pode favorecer ou atrapalhar 
seu desenvolvimento. 
 
CONURBAÇÃO 
É o fenômeno urbano da unificação de duas 
ou mais cidades que, devido ao seu crescimento 
geográfico, fundem-se umas às outras. O processo de 
conurbação é um dos responsáveis pela formação das 
regiões metropolitanas. O fenômeno da conurbação é 
visível em quase todos os grandes centros urbanos 
brasileiros. A conurbação no Brasil é considerada um 
processo tardio, sendo que as primeiras cidades 
sofreram com este fenômeno apenas a partir da 
década de 1950 e 1970, como o Rio de Janeiro e São 
Paulo, por exemplo. 
 
REGIÃO METROPOLITANA 
No Brasil, o conceito de Região Metropolitana 
foi estabelecido pela Lei n. 14, de 1973, e foi definida 
como um “conjunto de municípios contíguos e 
integrados socioeconomicamente a uma cidade 
central, com serviços públicos de infraestrutura 
comum”. 
 Com base de Constituição de 1988, a criação 
de Regiões Metropolitanas é atribuição dos Estados. 
A Região Metropolitana de Fortaleza é 
formada por 19 municípios: Aquiraz, Cascavel, 
Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, 
Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, 
Pacajus, Pacatuba, Pindoretama, São Gonçalo do 
Amarante, Paracuru, Paraipaba, Trairi e São Luís do 
Curu. 
 
METRÓPOLE 
São centros urbanos que concentram recursos 
técnicos, econômicos e financeiros. Portanto exercem 
influência sobre vastas áreas, em escala regional, 
nacional ou global. 
 
MEGALÓPOLE 
É uma extensa região urbana pluripolarizada 
por diferentes metrópoles conurbadas, ou em 
processo de conurbação. Correspondem às mais 
importantes e maiores aglomerações urbanas da 
atualidade. São encontradas em regiões de intenso 
desenvolvimento urbano, e nelas as áreas rurais estão 
praticamente (senão totalmente) ausentes. O 
conjunto da megalópole apresenta uma forte 
integração econômica e intensos fluxos de pessoas e 
mercadorias. Meios de transporte rápidos — trens 
expressos, autopistas e pontes aéreas — sustentam 
esses fluxos. 
A megalópole representa, ao mesmo tempo, 
concentração e dispersão. Concentração, pois a 
imensa zona urbanizada forma um mercado 
consumidor de grandes dimensões, atraindo 
atividades econômicas diversificadas e de alta 
capitalização; Dispersão, visto que o espaço da 
megalópole, irrigado por meios de transportes e 
comunicação, oferece alternativas de localização para 
áreas residenciais e industriais fora dos 
congestionamentos e problemáticos núcleos 
metropolitanos. A megalópole não é apenas uma 
aglomeração de metrópoles, mas também uma 
coleção de subúrbios. 
 
MEGALÓPOLE BRASILEIRA 
Megalópole Rio-São Paulo (também chamada 
Megalópole Brasileira e Megalópole do Sudeste 
Brasileiro) é o termo usado para se referir ao processo 
de conurbação existente entre o Complexo 
Metropolitano Expandido, no estado de São Paulo, e a 
Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa 
megalópole em formação envolve diferentes centros 
metropolitanos brasileiros (Rio de Janeiro, São Paulo, 
Campinas, Vale do Paraíba, Sorocaba e Baixada 
Santista) localizados na região sudeste do Brasil;as 
regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo, no 
entanto, estão em um processo de unificação mais 
avançado e já formam a primeira macrometrópole do 
hemisfério sul — o Complexo Metropolitano 
Expandido — que ultrapassa os 32 milhões de 
habitantes (aproximadamente 75% da população do 
estado de São Paulo ou 18% da população brasileira). 
 
 
 
 
 
https://xadrezcearense.wordpress.com/fortaleza/
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rea_urbana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conurba%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aglomera%C3%A7%C3%A3o_urbana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_urbano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zona_rural
https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercadoria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transporte
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trem
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aeroporto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Atividade_econ%C3%B4mica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitaliza%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunica%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Resid%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Congestionamento_(tr%C3%A2nsito)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_urbano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_urbano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sub%C3%BArbio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conurba%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Metropolitano_Expandido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Metropolitano_Expandido
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo_(estado)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Rio_de_Janeiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Megal%C3%B3pole
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Rio_de_Janeiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_S%C3%A3o_Paulo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_Campinas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Vale_do_Para%C3%ADba_e_Litoral_Norte
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_Sorocaba
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_da_Baixada_Santista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_da_Baixada_Santista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste_do_Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Macrometr%C3%B3pole
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemisf%C3%A9rio_sul
CIDADE GLOBAL 
 
As cidades globais, também conhecidas como 
metrópoles mundiais, são grandes aglomerações 
urbanas que funcionam como centros de influência 
internacional. Estão no topo da hierarquia urbana. São 
dotadas de técnica e conhecimento em serviços de 
elevada influência nas decisões vinculadas à economia 
globalizada e ao progresso tecnológico. 
Nessas cidades, há grande concentração e 
movimentação financeira, sedes de grandes empresas 
ou escritórios filiais de transnacionais, importantes 
centros de pesquisas, presença de escritórios das 
principais empresas mundiais em consultoria, 
contabilidade, publicidade, bancos e advocacia, além 
das principais universidades. 
São dotadas de infraestrutura necessária para 
a realização de negócios nacionais e internacionais, 
aeroportos, bolsa de valores e sistemas de 
telecomunicações, além de uma ampla rede de hotéis, 
centros de convenções e eventos, museus e bancos. 
Possuem serviços bastante diversificados, como 
jornais, teatros, cinemas, editoras, agências de 
publicidade, entre outros. 
Segundo classificação desenvolvida pela 
Globalization and World Cities (GaWC), rede de 
pesquisa da globalização e das cidades globais 
sediadas no Departamento de Geografia da 
Universidade de Loughborough (Reino Unido), em 
2012, havia 182 cidades globais. Essa pesquisa 
classificou-as em três níveis (alfa, beta e gama), com 
seus subníveis de acordo com a densidade e a 
qualidade da infraestrutura, a oferta de bens e 
serviços e, consequentemente, a capacidade de 
polarização de cada uma delas sobre os fluxos 
regionais e mundiais. 
As duas cidades mais influentes, que mais 
polarizam os fluxos de pessoas, investimentos e 
informações – as principais comandantes da 
globalização – são Londres e Nova York, classificadas 
como cidades alfa ++. 
Após as cidades alfa ++ vem 8 cidades alfa +, 
também com alto grau de integração, porém 
complementares às duas principais. Ainda fortemente 
conectadas, mas em patamar inferior a essas 
primeiras, vêm 13 cidades alfa, entre as quais estão 
São Paulo, e 22 alfa-, completando as 45 cidades 
dessa categoria. As 78 seguintes foram classificadas 
na hierarquia como cidades globais beta, onde 
aparece o Rio de Janeiro. As 59 do último grupo, cujos 
fluxos e ofertas de serviços são bem menores em 
comparação com os dois primeiros, foram definidas 
como cidades globais gama. 
Mesmo nas cidades mais bem equipadas, nem 
todos têm igual acesso aos bens e serviços. Isso é mais 
acentuado em aglomerações urbanas que apresentam 
grande desigualdade social, como as megacidades dos 
países em desenvolvimento: Délhi, São Paulo, Cidade 
do México, Buenos Aires, entre outras. O que limita o 
acesso aos bens e serviços é, sobretudo, a desigual 
disponibilidade de renda. 
No capitalismo, os investimentos são 
concentrados nos lugares mais bem equipados e 
voltados para os setores econômicos e sociais nos 
quais o lucro é maior. Assim, se não forem realizados 
investimentos públicos para garantir o 
desenvolvimento de todos os lugares, as pessoas mais 
pobres tendem a permanecer marginalizadas. 
São Paula é uma cidade global alfa, com 
moderna infraestrutura que a conecta aos fluxos 
globais. Entretanto, como megacidade marcada por 
profundas desigualdades sociais, São Paula abriga 1,5 
milhão de pessoas que moram precariamente. 
Há outras classificações para as cidades 
globais, entre as quais a da instituição de pesquisa The 
Mori Memorial Foundation, sediada em Tóquio 
(Japão). Para elaborar uma lista de 40 cidades globais, 
seus pesquisadores consideraram mais de vinte 
indicadores distribuídos em seis categorias: ambiente 
econômico, capacidade de pesquisa e 
desenvolvimento (P&D), opções culturais, qualidade 
de vida, ecologia e meio ambiente, facilidade de 
acesso. Quanto maior a pontuação nesses 
indicadores, melhor a posição da cidade na rede 
urbana mundial. A classificação japonesa, não tão 
extensa e hierarquizada, equivale a aproximadamente 
às cidades alfas da classificação britânica. 
 
MEGACIDADE 
 
De acordo com a ONU, são aglomerações 
urbanas (áreas metropolitanas) com 10 ou mais 
milhões de habitantes. Assim, as cidades globais, uma 
definição qualitativa, não coincidem necessariamente 
com as megacidades, definidas por um critério 
quantitativo. 
Ainda que, segundo a ONU, somente cerca de 
10% da população urbana mundial vivessem em 
megacidades em 2014, elas estão crescendo e 
ganhando importância, sobretudo nos países em 
desenvolvimento. Das 28 megacidades existentes no 
mundo no referido ano, 21 estavam em países pobres 
e emergentes. A maioria delas apresenta elevado 
crescimento populacional, com destaque para Lagos 
(Nigéria), Kinshasa (República Democrática do Congo) 
e Daca (Bangladesh). 
Segundo projeções da ONU, em 2030 haverá 
41 megacidades, das quais 34 localizadas em países 
em desenvolvimento. 
De acordo com a ONU, Zurique, na Suíça, 
tinha 1,2 milhão de habitantes em 2014. Não é 
megacidade, mas é cidade global pelo papel de 
comando que desempenha na rede urbana mundial. 
Já a área metropolitana de Daca, em Bangladesh, 
tinha 17 milhões de habitantes em 2014. É 
megacidade, porém, não é cidade global, em razão da 
limitação de infraestrutura e a reduzida oferta de 
serviços. Além disso, grande parcela da população de 
Daca está marginalizada, desconectada dos fluxos 
globais. 
 
METACIDADEÉ um aglomerado urbano que possui mais de 
30 milhões de habitantes. Existe apenas uma 
metacidade em nosso planeta, sendo ela a 
metacidade de Tóquio, no Japão. 
 
OS PROBLEMAS SOCIAIS URBANOS 
 
“Muitos dos problemas sobre os quais se fala nas 
cidades não são especificamente urbanos, mas sim da 
sociedade.” 
 
Horácio Capel (1941-), geógrafo espanhol, professor da 
Universidade de Barcelona. 
 
DESIGUALDADES E SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL 
Em qualquer grande cidade do mundo, o 
espaço urbano é fragmentado. Sua estrutura 
assemelha-se a um quebra-cabeça em que as peças, 
embora formem um todo, têm sua própria forma e 
função. As grandes cidades apresentam funções 
comerciais, financeiras, industriais, residenciais e de 
lazer. Entretanto, é comum que funções diferentes 
coexistam, além do centro, em alguns bairros que, 
com isso, polarizam seus vizinhos. Por isso, essas 
cidades são policêntricas. 
Essa fragmentação, quase sempre associada a 
um intenso crescimento urbano, impede os 
habitantes de vivenciarem a cidade como um todo. 
Em vez disso, eles se atêm apenas aos fragmentos que 
fazem parte do seu dia a dia. O local de moradia, 
trabalho, estudo ou lazer é onde se estabelecem as 
relações pessoais e sociais. Entretanto, em uma 
metrópole, esses locais tendem a não ser 
coincidentes, o que provoca grandes deslocamentos e 
o aumento dos congestionamentos. Pode-se dizer, 
então, que a grande cidade não é um lugar, mas um 
conjunto de lugares, e que as pessoas vivenciam 
parcialmente. 
As desigualdades se materializam na paisagem 
urbana. Quanto mais acentuadas forem as 
disparidades de renda entre a população, maiores são 
as desigualdades de moradia, de acesso aos serviços 
públicos e, portanto, de oportunidades culturais e 
profissionais. Consequentemente, a segregação 
socioespacial, isto é, a separação das classes sociais 
em bairros diferentes em função do desigual poder 
aquisitivo, e os problemas urbanos são maiores 
também. 
 O medo da violência urbana vem 
impulsionando a criação de condomínios fechados, 
sobretudo nas metrópoles, mas isso também ocorre 
nas médias e até nas pequenas cidades. Buscando 
maior segurança e tranquilidade, muitas pessoas de 
alto e médio poder aquisitivo se mudam para esse 
tipo de conjunto residencial. Esse fenômeno acentua 
a segregação socioespacial e reduz os espaços 
urbanos públicos, uma vez que propicia o crescimento 
de espaços privados e de circulação restrita. Além 
disso, muitos bairros, ao perderem habitantes, sofrem 
um processo de deterioração urbana, caso de algumas 
áreas do centro de grandes cidades, como São Paulo, 
Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, 
entre outras. Muitas prefeituras procuram recuperar 
as áreas degradadas das cidades por meios de 
incentivos fiscais para atrair comerciantes e 
prestadores de serviços. 
 
Incentivo fiscal: redução na cobrança de impostos. Estados e 
municípios usam esse recurso para atrair investimentos. 
 
 
MORADIAS PRECÁRIAS 
 As maiores cidades dos países em 
desenvolvimento não tiveram condições econômicas 
de absorver a grande quantidade de pessoas que em 
pouco tempo migraram da zona rural e das cidades 
menores; por isso, aumentou o número de 
desempregados. Para sobreviver, muitas pessoas se 
submetem ao subemprego e à economia informal. 
Como os rendimentos, mesmo para os trabalhadores 
da economia formal, em geral são baixos, muitos não 
têm condições de comprar nem de alugar um imóvel 
em bairros com infraestrutura adequada (rede de 
esgoto, água encanada, boa oferta de serviços), pois 
são itens que encarecem o imóvel. Por causa disso, 
formaram-se aglomerados subnormais em várias 
cidades, principalmente nas maiores. Essa é a face 
mais visível do crescimento desordenado das cidades 
e da segregação socioespacial. 
 Os governos de muitos países em 
desenvolvimento têm grande parcela de 
responsabilidade nesse processo, porque não 
implementaram políticas públicas adequadas, 
especialmente no setor habitacional, para enfrentar o 
problema. Nos países em que as políticas públicas 
foram adequadas, paralelamente ao aumento da 
oferta de emprego e à elevação da renda, o que 
possibilitou uma melhoria nas condições de vida, as 
aglomerações subnormais foram bastante reduzidas 
ou até mesmo erradicadas. 
Um dos exemplos disso aconteceu em 
Cingapura. De acordo com o Banco Mundial, em 
1965, quando o país se tornou independente, 70% de 
sua população vivia em condições muito precárias: a 
renda per capita era de 2 700 dólares ao ano, e o 
desemprego atingia 14% da População 
Economicamente Ativa (PEA). Após cinco décadas de 
elevados investimentos públicos em habitação, em 
infraestrutura urbana e em serviços públicos de 
qualidade, houve crescimento econômico sustentado, 
elevação e melhor distribuição de renda, erradicação 
das submoradias e, consequentemente, melhoria na 
qualidade de vida da população. Em 2014, segundo o 
Banco Mundial, Cingapura tinha uma renda per capita 
de 55 150 dólares, e o desemprego atingia 3% da PEA. 
A carência de habitações seguras e 
confortáveis é um problema no mundo todo. Segundo 
o Programa das Nações Unidas para Assentamentos 
Humanos (agência da ONU sediada em Nairobi, 
Quênia, mais conhecida como UN-Habitat), em 2012, 
havia 863 milhões de pessoas vivendo em 
aglomerados subnormais. 
A África Subsaariana é a região com maior 
número absoluto de moradores em submoradias. 
Embora a China e a Índia tenham reduzido 
significativamente a quantidade de pessoas que 
moram em habitações precárias, ainda são os países 
que apresentam os maiores números absolutos. O 
Brasil é o quarto país do mundo com maior 
contingente de moradores em aglomerados 
subnormais, com um total de 44,9 milhões, perdendo 
para a China (180,6 milhões), Índia (104,7 milhões) e 
Nigéria (47,6 milhões). 
 
 
Na foto, Dharavi Slum, em Mumbai (Índia), em 2013. Nesse 
aglomerado urbano subnormal, um dos maiores do mundo, vivem 
cerca de 1 milhão de pessoas. Dharavi ficou conhecida no mundo 
todo porque serviu de locação para cenas do filme Quem quer ser 
um milionário?. 
 
O maior número relativo de moradores em 
aglomerados subnormais também aparece na África 
Subsaariana. Na Nigéria, país com o maior número de 
habitantes em submoradias nessa região, o 
percentual de pessoas que vivem em habitações 
precárias chega a 63% da população urbana. Mas 
nesse subcontinente há países com percentuais bem 
mais altos, como a República Centro-Africana, onde 
96% da população vivem em aglomerados 
subnormais. 
Não há um conceito único para definir as 
moradias precárias; a publicação Slums of the World 
da UN-Habitat apresenta descrições e definições para 
30 cidades espalhadas pelo mundo. A própria agência 
da ONU reconhece que o termo inglês slum é utilizado 
para definir uma grande diversidade de tipos de 
assentamento urbano precário espalhados por vários 
países. 
São Paulo e Rio de Janeiro, as duas regiões 
metropolitanas com maior número de pessoas que 
vivem em aglomerados subnormais – 2,2 milhões e 
1,7 milhões, respectivamente -, aparece entre as 
trinta cidades da lista da UN-Habitat e em ambas 
constam a definição dada pelo IBGE: “Aglomerado 
subnormal: grupo de cinquenta ou mais moradias, 
construídas de maneira adensada, em terreno 
pertencente a terceiros, e carente de infraestrutura e 
serviços públicos”. 
 
ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA 
 
 
 É a compra ou aquisição de bens imóveis com 
a finalidade de vendê-los ou alugá-los posteriormente, 
na expectativa de que seu valor de mercado aumente 
durante o lapso de tempo decorrido. 
Se uma pessoa, empresa, ou grupo de pessoas 
ou empresas compra imóveis, em grandes áreas ou 
quantidades e numa mesma região, isto eleva a 
demanda de imóveis no lugar, e, por consequência, há 
um aumento artificial dos preços de todos os imóveis 
daquela região (segundo a lei de oferta e procura). A 
expressão tem conotação pejorativa, por deixar 
implícito que o comprador do imóvel não irá utilizá-lo 
para fins produtivos ouhabitacionais, e ainda retira de 
outras pessoas, de menor poder aquisitivo e, 
portanto, mais necessitadas, a possibilidade de fazê-
lo. No Brasil, o Estatuto das Cidades pretende regular 
a especulação imobiliária. 
No Brasil, as capitais nordestinas são as que 
mais sofrem com a especulação imobiliária. 
 
GENTRIFICAÇÃO 
 
 
Do inglês – gentrification - é o fenômeno que 
afeta uma região ou bairro pela alteração das 
dinâmicas da composição do local, tal como novos 
pontos comerciais ou construção de novos edifícios, 
valorizando a região e afetando a população de baixa 
renda local. Tal valorização é seguida de um aumento 
de custos de bens e serviços, dificultando a 
permanência de antigos moradores de renda 
insuficiente para sua manutenção no local cuja 
realidade foi alterada. 
Para entender GENTRIFICAÇÃO imagine um 
bairro histórico em decadência, ou que apesar de 
estar bem localizado, é reduto de populações de baixa 
renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não 
oferecem nada muito atrativo para fazer… Enfim, 
lugares que você não recomendaria o passeio a um 
amigo. 
Imagine, porém, que de um tempo para cá, a 
estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a 
segurança pública e agora há parques, iluminação, 
ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, 
variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de 
rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos 
benefícios para os moradores da região, exceto que 
eles não podem mais morar ali. 
É que, depois de todos esses melhoramentos, 
o valor do aluguel dobrou, a conta de luz triplicou e as 
idas semanais ao mercadinho da esquina ficaram cada 
vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o 
custo de vida subiu tanto que não cabe mais no 
orçamento dos atuais moradores. E o mais cruel de 
tudo é perceber que, enquanto o antigo morador 
procura um novo bairro, pessoas de maior poder 
aquisitivo estão indo morar no seu lugar. 
Talvez você já tenha passado por essa situação. Mas, 
se não passou, deve imaginar que é a história de 
muita gente. E o nome dessa história é 
GENTRIFICAÇÃO. 
VIOLÊNCIA 
 
Por que o Brasil é um país violento? 
A violência é um problema estrutural do país 
 
Recentemente, assistimos uma crescente de 
medidas controversas em estados como o Rio de 
Janeiro sob a justificativa de diminuir a criminalidade 
e a violência. No entanto, a violência não é um 
fenômeno recente e tampouco está restrito ao Rio de 
Janeiro. O estado é apenas um retrato da dramática 
situação de insegurança vivida pelo Brasil. Em 2016, 
mais de 61 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. É 
o maior índice já registrado na história. São 29,9 
homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. 
Apenas três unidades da federação – Bahia, Rio de 
Janeiro e São Paulo – respondem por 27% dessas 
mortes. 
O combate efetivo da criminalidade no país 
depende de ações abrangentes. Isso porque, o 
aumento da violência no país se deve não apenas a 
fatores conjunturais (ou seja, próprios de nosso 
tempo), como as políticas de segurança pública. Há 
também que se levar em consideração uma série de 
fatores estruturais – condições sociais, que estimulam 
as desigualdades. O estudo Segurança Cidadã com 
Rosto Humano: diagnóstico e propostas para a 
América Latina, do Programa das Nações Unidas para 
o Desenvolvimento (Pnud) procurou entender as 
causas da violência na América Latina. Suas 
conclusões se aplicam também ao Brasil, o maior e 
mais populoso país da região. 
A intenção dos pesquisadores era entender 
por que nas últimas décadas, a região viveu um 
período de crescimento econômico que não 
conseguiu reduzir a espiral de crescimento da 
violência. De acordo com o estudo, a América Latina 
continua sendo a região mais desigual e insegura do 
mundo. Os dez países com as maiores taxas de 
homicídios no mundo em 2015 são latino-americanos, 
segundo projeções da ONU. As taxas são 
excepcionalmente altas em países da América Central, 
resultado atribuído ao crime organizado. 
O estudo elenca fatores sociais relacionados 
ao aumento de criminalidade que são comuns entre 
os países da América Latina. Veja os principais 
aspectos que explicam essa violência persistente: 
 
Urbanização: A maioria dos países que apresentou 
longos períodos com crescimento da população 
urbana superior a 2% ao ano apresentou aumento da 
violência na América Latina, à exceção de Colômbia e 
Paraguai. 
Inchaço das periferias: O crescimento urbano rápido e 
desordenado, acelerado pela migração para as 
cidades, criou periferias pobres, sem os serviços 
públicos adequados, como escolas e centros de lazer, 
o que gera criminalidade e as condições para a 
formação de quadrilhas que controlam o tráfico de 
drogas e armas. 
Juventude em risco social: Situações como deixar a 
casa antes dos 15 anos de idade, não ir à escola ou ter 
um lar desestruturado sem pai ou mãe afeta 
diretamente na iniciação do jovem ao crime. Segundo 
o Ministério Público de São Paulo, dois em cada três 
jovens infratores da Fundação Casa vieram de lares 
sem o pai, e grande parcela deles não têm qualquer 
contato com o pai. 
Desigualdade social: Os estímulos ao consumo de 
bens e serviços (de tênis de grife a celulares e outros 
produtos eletrônicos, por exemplo), associados ao 
baixo poder aquisitivo e à dificuldade de acesso aos 
estudos e, por consequência, de ascender 
profissionalmente, constitui um convite para assaltos, 
roubos, furtos e tráfico de drogas. 
 
Fábio Sasaki – Guia do Estudante – Editora Abril - 2019 
 
 
AS CIDADES E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS 
 
[...] além das questões relativas à poluição do ar, da 
água e do solo gerados pelas indústrias e pelos 
automóveis, existem os problemas relacionados com a 
miserabilidade da população pobre, que sobrevive em 
péssimas condições sanitárias, vivendo em grandes 
adensamentos demográficos nos morros, mangues, 
margens de rios, correndo riscos de toda natureza. 
 
ROSS, Jurandyr L.S. Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP 
 
CHUVA ÁCIDA 
 
 
 Toda chuva é naturalmente ácida (Ph inferior 
a 7), em função das reações do vapor-d’água com o 
gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao 
atingir um Ph inferior a 5,6 a chuva é considerada, de 
fato, ácida e passa a ser tratada como um problema 
ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima 
de combustíveis fósseis, feita principalmente pelas 
atividades industriais e pelos automóveis, que liberam 
óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) 
na atmosfera. Esses compostos reagem com o vapor-
d’água presente na atmosfera, formando o ácido 
nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando 
chove, essas substâncias atingem o solo e a água, 
alterando suas características e prejudicando 
lavouras, florestas e a vida aquática. Também 
danificam edifícios e monumentos históricos. 
 As principais áreas de ocorrência se 
encontram próximas às regiões de maior emissão de 
gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais 
urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos 
Estados Unidos, a Europa ocidental, o leste da China, 
o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias 
podem ser transportadas pelos ventos para regiões 
mais afastadas desses grandes centros urbano-
industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, 
portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste 
do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida 
proveniente da poluição gerada na megalópole 
Boston-Washington-Nova York e nas cidades 
industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados 
Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, 
Finlândia e Suécia recebem as correntes de ar que 
trazem poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e 
Inglaterra. 
 
ILHAS DE CALOR 
 
 
 Os poluentes lançados na atmosfera, 
principalmente o dióxido de carbono, ajudam a 
aumentar a temperatura do ar mais próximo da 
atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado 
pela substituição da cobertura vegetal por prédios de 
concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais 
absorvemmais calor e devolvem nas formas de 
radiação térmica. A combinação desses fenômenos 
tende a aumentar a temperatura nos grandes centros, 
criando as ilhas de calor. A diferença de temperatura 
entre uma área verde e uma típica zona central de 
uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais. 
 
 
 
 
INVERSÃO TÉRMICA 
 
 
 A inversão térmica é um fenômeno 
atmosférico natural que ocorre principalmente nas 
manhãs de outono e inverno, com a penetração de 
massas de ar frio, em regiões de clima tropical e 
subtropical. Caracteriza-se pela alteração na 
sequência de camadas de ar. Em condições normais, a 
temperatura fica cada vez mais baixa conforme 
aumenta a altitude. Em uma situação de inversão 
térmica, porém, forma-se uma camada de ar mais 
quente logo acima da camada de ar mais frio próxima 
ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da 
superfície e do ar durante o final da madrugada e 
início da manhã, quando as temperaturas, tanto da 
terra quanto do ar, são mais baixas. 
 Em regiões onde o ar não se encontra 
carregado de poluentes, a inversão térmica não 
apresenta nenhum problema ambiental. No entanto, 
em ambientes urbanos, a inversão térmica causa o 
bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo 
grande quantidade de poluentes próximos à superfície 
durante algumas horas do dia. Isso ocorre porque as 
trocas verticais de ar, chamadas correntes de 
convecção, não chegam a atingir a superfície, 
formando-se somente a partir da camada de ar 
quente para cima. Por esse motivo, os poluentes não 
conseguem se dispersar. Quando o sol esquenta a 
superfície no decorrer da manhã, o ar da camada mais 
baixa se aquece e sobe, as correntes de convecção 
voltam a atingir o solo e os poluentes voltam a ser 
dispersados em camadas mais elevadas. 
 
 
 
 
 
Fontes: Geografia Geral e do Brasil. 
Editora: Scipione 
Autores: João Carlos Moreira e Eustáquio de Sene 
 
 
Guia do Estudante – Atualidades 
Editora: Abril

Mais conteúdos dessa disciplina