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Geografia – Urbanização – Terceiro Ano Professor: Fábio Nobre CIDADE: Na Geografia, definimos cidade como um aglomerado com certo número de habitantes que exercem atividades urbanas, isto é, ligadas à indústria, ao comércio e aos serviços. No Brasil, toda sede de município é classificada como cidade, independentemente do tamanho da população e dos serviços ou recursos que oferece a seus habitantes. REDE URBANA A rede urbana é formada pelo conjunto de cidades – de um mesmo país ou de países vizinhos -, que se interligam umas as outras por meios de sistemas de transportes e de telecomunicações, através dos quais se dão os fluxos de pessoas, mercadorias, informações e capitais. A rede urbana dos países desenvolvidos são mais densas e articuladas por causa dos altos índices de industrialização e urbanização, da economia diversificada e dinâmica, dos mercados internos com alta capacidade de consumo e dos grandes investimentos em transportes e telecomunicações. Já as redes urbanas de muitos países em desenvolvimento, particularmente daqueles de baixo nível de industrialização e urbanização, são bastante desarticuladas, e as cidades estão dispersas no território. As redes de cidades mais densas e articuladas se encontram nas regiões do planeta onde se desenvolveram as megalópoles: nordeste e costa oeste dos Estados Unidos, porção ocidental da Europa e sudeste da ilha de Honshu, no Japão, embora haja importantes redes em outras regiões, como aquelas polarizadas por Cidade do México, São Paulo e Buenos Aires. O capitalismo em sua etapa informacional, o avanço da globalização e a consequente aceleração de fluxos no espaço geográfico planetário criaram um rede urbana mundial, cujos nós ou pontos de interconexão são as chamadas cidade globais. Desde o fim do século XIX, muitos autores passaram a utilizar o conceito de rede urbana para se referir a crescente articulação entre as cidades resultante da expansão do processo de industrialização-urbanização. No mesmo período, na tentativa de aprender as relações que se estabelecem entre as cidades no interior de uma rede, a noção de HIERARQUIA URBANA também passou a ser utilizada. Ocorre que a concepção tradicional de hierarquia urbana, tomada do jargão militar, já não oferece uma boa descrição das relações estabelecidas entre as cidades no interior da rede urbana. Com os avanços da revolução técnico-científica, a acelerada modernização dos sistemas de transportes e de telecomunicação, o barateamento e a maior facilidade de obtenção de energia, a disseminação de aviões, trens e automóveis mais velozes, enfim, com a redução do tempo de deslocamento, as relações entre as cidades já não respeitam o “esquema militar” na qual era necessário “galgar postos” dentro da hierarquia urbana. Esquema clássico de relações entre as cidades em uma rede urbana Em uma analogia com a hierarquia militar, a vila seria um soldado, e a metrópole nacional, um general, a posição mais alta. A metrópole nacional seria o nível máximo de poder e influência econômica na rede urbana de um país, e a vila, o nível mais baixo, que sofreria influência de todas as outras. Essa foi a concepção de hierarquia urbana utilizada desde o fim do século XIX até meados da década de 1970. Atualmente, uma pessoa com boa renda pode residir em uma chácara ou em um sítio, na zona rural, ou em uma pequena cidade, em lugares distantes de um grande centro, e estar mais integrada à vida urbana do que outra pessoa pobre que resida no mesmo centro. Se a pessoa vive, por exemplo, em uma chácara, a quilômetros da grande cidade, mas tem à sua disposição telefone, computador, conexão com a internet, antena parabólica e automóvel, está mais bem integrada do que outra que mora na cidade, mas em habitação precária ou mesmo na rua e sem acesso a todos esses bens e serviços. Portanto, o que define a integração ou não das pessoas à moderna sociedade capitalista é a maior ou menor disponibilidade de renda – e, consequentemente, a possibilidade de acesso às novas tecnologias, aos conhecimentos, aos bens e serviços – e não mais a distância que as separam dos lugares. Esquema atual de relações entre as cidades em uma rede urbana No atual estágio informacional do capitalismo, estruturou-se uma nova hierarquia urbana, na qual a relação da vila ou da cidade local pode se dar com o centro regional, com a metrópole regional ou até mesmo com a metrópole nacional. Esse esquema mostra a inter-relação das cidades no interior da rede urbana de uma forma mais próxima da realidade atual. SÍTIO URBANO É o local onde a cidade se desenvolve de forma espontânea ou planejada. Pode ser uma planície, um planalto, um vale, uma área litorânea, entre outros. Esse local influencia seu desenvolvimento e cultura, especialmente quanto ao seu aspecto natural que pode favorecer ou atrapalhar seu desenvolvimento. CONURBAÇÃO É o fenômeno urbano da unificação de duas ou mais cidades que, devido ao seu crescimento geográfico, fundem-se umas às outras. O processo de conurbação é um dos responsáveis pela formação das regiões metropolitanas. O fenômeno da conurbação é visível em quase todos os grandes centros urbanos brasileiros. A conurbação no Brasil é considerada um processo tardio, sendo que as primeiras cidades sofreram com este fenômeno apenas a partir da década de 1950 e 1970, como o Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. REGIÃO METROPOLITANA No Brasil, o conceito de Região Metropolitana foi estabelecido pela Lei n. 14, de 1973, e foi definida como um “conjunto de municípios contíguos e integrados socioeconomicamente a uma cidade central, com serviços públicos de infraestrutura comum”. Com base de Constituição de 1988, a criação de Regiões Metropolitanas é atribuição dos Estados. A Região Metropolitana de Fortaleza é formada por 19 municípios: Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba, Trairi e São Luís do Curu. METRÓPOLE São centros urbanos que concentram recursos técnicos, econômicos e financeiros. Portanto exercem influência sobre vastas áreas, em escala regional, nacional ou global. MEGALÓPOLE É uma extensa região urbana pluripolarizada por diferentes metrópoles conurbadas, ou em processo de conurbação. Correspondem às mais importantes e maiores aglomerações urbanas da atualidade. São encontradas em regiões de intenso desenvolvimento urbano, e nelas as áreas rurais estão praticamente (senão totalmente) ausentes. O conjunto da megalópole apresenta uma forte integração econômica e intensos fluxos de pessoas e mercadorias. Meios de transporte rápidos — trens expressos, autopistas e pontes aéreas — sustentam esses fluxos. A megalópole representa, ao mesmo tempo, concentração e dispersão. Concentração, pois a imensa zona urbanizada forma um mercado consumidor de grandes dimensões, atraindo atividades econômicas diversificadas e de alta capitalização; Dispersão, visto que o espaço da megalópole, irrigado por meios de transportes e comunicação, oferece alternativas de localização para áreas residenciais e industriais fora dos congestionamentos e problemáticos núcleos metropolitanos. A megalópole não é apenas uma aglomeração de metrópoles, mas também uma coleção de subúrbios. MEGALÓPOLE BRASILEIRA Megalópole Rio-São Paulo (também chamada Megalópole Brasileira e Megalópole do Sudeste Brasileiro) é o termo usado para se referir ao processo de conurbação existente entre o Complexo Metropolitano Expandido, no estado de São Paulo, e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa megalópole em formação envolve diferentes centros metropolitanos brasileiros (Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba, Sorocaba e Baixada Santista) localizados na região sudeste do Brasil;as regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo, no entanto, estão em um processo de unificação mais avançado e já formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul — o Complexo Metropolitano Expandido — que ultrapassa os 32 milhões de habitantes (aproximadamente 75% da população do estado de São Paulo ou 18% da população brasileira). https://xadrezcearense.wordpress.com/fortaleza/ https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rea_urbana https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole https://pt.wikipedia.org/wiki/Conurba%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Aglomera%C3%A7%C3%A3o_urbana https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_urbano https://pt.wikipedia.org/wiki/Zona_rural https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia https://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercadoria https://pt.wikipedia.org/wiki/Transporte https://pt.wikipedia.org/wiki/Trem https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada https://pt.wikipedia.org/wiki/Aeroporto https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado https://pt.wikipedia.org/wiki/Atividade_econ%C3%B4mica https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitaliza%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunica%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Resid%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria https://pt.wikipedia.org/wiki/Congestionamento_(tr%C3%A2nsito) https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_urbano https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_urbano https://pt.wikipedia.org/wiki/Sub%C3%BArbio https://pt.wikipedia.org/wiki/Conurba%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Metropolitano_Expandido https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_Metropolitano_Expandido https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo_(estado) https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Rio_de_Janeiro https://pt.wikipedia.org/wiki/Megal%C3%B3pole https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole https://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B3pole https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Rio_de_Janeiro https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_S%C3%A3o_Paulo https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_Campinas https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Vale_do_Para%C3%ADba_e_Litoral_Norte https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_de_Sorocaba https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_da_Baixada_Santista https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_da_Baixada_Santista https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Macrometr%C3%B3pole https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemisf%C3%A9rio_sul CIDADE GLOBAL As cidades globais, também conhecidas como metrópoles mundiais, são grandes aglomerações urbanas que funcionam como centros de influência internacional. Estão no topo da hierarquia urbana. São dotadas de técnica e conhecimento em serviços de elevada influência nas decisões vinculadas à economia globalizada e ao progresso tecnológico. Nessas cidades, há grande concentração e movimentação financeira, sedes de grandes empresas ou escritórios filiais de transnacionais, importantes centros de pesquisas, presença de escritórios das principais empresas mundiais em consultoria, contabilidade, publicidade, bancos e advocacia, além das principais universidades. São dotadas de infraestrutura necessária para a realização de negócios nacionais e internacionais, aeroportos, bolsa de valores e sistemas de telecomunicações, além de uma ampla rede de hotéis, centros de convenções e eventos, museus e bancos. Possuem serviços bastante diversificados, como jornais, teatros, cinemas, editoras, agências de publicidade, entre outros. Segundo classificação desenvolvida pela Globalization and World Cities (GaWC), rede de pesquisa da globalização e das cidades globais sediadas no Departamento de Geografia da Universidade de Loughborough (Reino Unido), em 2012, havia 182 cidades globais. Essa pesquisa classificou-as em três níveis (alfa, beta e gama), com seus subníveis de acordo com a densidade e a qualidade da infraestrutura, a oferta de bens e serviços e, consequentemente, a capacidade de polarização de cada uma delas sobre os fluxos regionais e mundiais. As duas cidades mais influentes, que mais polarizam os fluxos de pessoas, investimentos e informações – as principais comandantes da globalização – são Londres e Nova York, classificadas como cidades alfa ++. Após as cidades alfa ++ vem 8 cidades alfa +, também com alto grau de integração, porém complementares às duas principais. Ainda fortemente conectadas, mas em patamar inferior a essas primeiras, vêm 13 cidades alfa, entre as quais estão São Paulo, e 22 alfa-, completando as 45 cidades dessa categoria. As 78 seguintes foram classificadas na hierarquia como cidades globais beta, onde aparece o Rio de Janeiro. As 59 do último grupo, cujos fluxos e ofertas de serviços são bem menores em comparação com os dois primeiros, foram definidas como cidades globais gama. Mesmo nas cidades mais bem equipadas, nem todos têm igual acesso aos bens e serviços. Isso é mais acentuado em aglomerações urbanas que apresentam grande desigualdade social, como as megacidades dos países em desenvolvimento: Délhi, São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, entre outras. O que limita o acesso aos bens e serviços é, sobretudo, a desigual disponibilidade de renda. No capitalismo, os investimentos são concentrados nos lugares mais bem equipados e voltados para os setores econômicos e sociais nos quais o lucro é maior. Assim, se não forem realizados investimentos públicos para garantir o desenvolvimento de todos os lugares, as pessoas mais pobres tendem a permanecer marginalizadas. São Paula é uma cidade global alfa, com moderna infraestrutura que a conecta aos fluxos globais. Entretanto, como megacidade marcada por profundas desigualdades sociais, São Paula abriga 1,5 milhão de pessoas que moram precariamente. Há outras classificações para as cidades globais, entre as quais a da instituição de pesquisa The Mori Memorial Foundation, sediada em Tóquio (Japão). Para elaborar uma lista de 40 cidades globais, seus pesquisadores consideraram mais de vinte indicadores distribuídos em seis categorias: ambiente econômico, capacidade de pesquisa e desenvolvimento (P&D), opções culturais, qualidade de vida, ecologia e meio ambiente, facilidade de acesso. Quanto maior a pontuação nesses indicadores, melhor a posição da cidade na rede urbana mundial. A classificação japonesa, não tão extensa e hierarquizada, equivale a aproximadamente às cidades alfas da classificação britânica. MEGACIDADE De acordo com a ONU, são aglomerações urbanas (áreas metropolitanas) com 10 ou mais milhões de habitantes. Assim, as cidades globais, uma definição qualitativa, não coincidem necessariamente com as megacidades, definidas por um critério quantitativo. Ainda que, segundo a ONU, somente cerca de 10% da população urbana mundial vivessem em megacidades em 2014, elas estão crescendo e ganhando importância, sobretudo nos países em desenvolvimento. Das 28 megacidades existentes no mundo no referido ano, 21 estavam em países pobres e emergentes. A maioria delas apresenta elevado crescimento populacional, com destaque para Lagos (Nigéria), Kinshasa (República Democrática do Congo) e Daca (Bangladesh). Segundo projeções da ONU, em 2030 haverá 41 megacidades, das quais 34 localizadas em países em desenvolvimento. De acordo com a ONU, Zurique, na Suíça, tinha 1,2 milhão de habitantes em 2014. Não é megacidade, mas é cidade global pelo papel de comando que desempenha na rede urbana mundial. Já a área metropolitana de Daca, em Bangladesh, tinha 17 milhões de habitantes em 2014. É megacidade, porém, não é cidade global, em razão da limitação de infraestrutura e a reduzida oferta de serviços. Além disso, grande parcela da população de Daca está marginalizada, desconectada dos fluxos globais. METACIDADEÉ um aglomerado urbano que possui mais de 30 milhões de habitantes. Existe apenas uma metacidade em nosso planeta, sendo ela a metacidade de Tóquio, no Japão. OS PROBLEMAS SOCIAIS URBANOS “Muitos dos problemas sobre os quais se fala nas cidades não são especificamente urbanos, mas sim da sociedade.” Horácio Capel (1941-), geógrafo espanhol, professor da Universidade de Barcelona. DESIGUALDADES E SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL Em qualquer grande cidade do mundo, o espaço urbano é fragmentado. Sua estrutura assemelha-se a um quebra-cabeça em que as peças, embora formem um todo, têm sua própria forma e função. As grandes cidades apresentam funções comerciais, financeiras, industriais, residenciais e de lazer. Entretanto, é comum que funções diferentes coexistam, além do centro, em alguns bairros que, com isso, polarizam seus vizinhos. Por isso, essas cidades são policêntricas. Essa fragmentação, quase sempre associada a um intenso crescimento urbano, impede os habitantes de vivenciarem a cidade como um todo. Em vez disso, eles se atêm apenas aos fragmentos que fazem parte do seu dia a dia. O local de moradia, trabalho, estudo ou lazer é onde se estabelecem as relações pessoais e sociais. Entretanto, em uma metrópole, esses locais tendem a não ser coincidentes, o que provoca grandes deslocamentos e o aumento dos congestionamentos. Pode-se dizer, então, que a grande cidade não é um lugar, mas um conjunto de lugares, e que as pessoas vivenciam parcialmente. As desigualdades se materializam na paisagem urbana. Quanto mais acentuadas forem as disparidades de renda entre a população, maiores são as desigualdades de moradia, de acesso aos serviços públicos e, portanto, de oportunidades culturais e profissionais. Consequentemente, a segregação socioespacial, isto é, a separação das classes sociais em bairros diferentes em função do desigual poder aquisitivo, e os problemas urbanos são maiores também. O medo da violência urbana vem impulsionando a criação de condomínios fechados, sobretudo nas metrópoles, mas isso também ocorre nas médias e até nas pequenas cidades. Buscando maior segurança e tranquilidade, muitas pessoas de alto e médio poder aquisitivo se mudam para esse tipo de conjunto residencial. Esse fenômeno acentua a segregação socioespacial e reduz os espaços urbanos públicos, uma vez que propicia o crescimento de espaços privados e de circulação restrita. Além disso, muitos bairros, ao perderem habitantes, sofrem um processo de deterioração urbana, caso de algumas áreas do centro de grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, entre outras. Muitas prefeituras procuram recuperar as áreas degradadas das cidades por meios de incentivos fiscais para atrair comerciantes e prestadores de serviços. Incentivo fiscal: redução na cobrança de impostos. Estados e municípios usam esse recurso para atrair investimentos. MORADIAS PRECÁRIAS As maiores cidades dos países em desenvolvimento não tiveram condições econômicas de absorver a grande quantidade de pessoas que em pouco tempo migraram da zona rural e das cidades menores; por isso, aumentou o número de desempregados. Para sobreviver, muitas pessoas se submetem ao subemprego e à economia informal. Como os rendimentos, mesmo para os trabalhadores da economia formal, em geral são baixos, muitos não têm condições de comprar nem de alugar um imóvel em bairros com infraestrutura adequada (rede de esgoto, água encanada, boa oferta de serviços), pois são itens que encarecem o imóvel. Por causa disso, formaram-se aglomerados subnormais em várias cidades, principalmente nas maiores. Essa é a face mais visível do crescimento desordenado das cidades e da segregação socioespacial. Os governos de muitos países em desenvolvimento têm grande parcela de responsabilidade nesse processo, porque não implementaram políticas públicas adequadas, especialmente no setor habitacional, para enfrentar o problema. Nos países em que as políticas públicas foram adequadas, paralelamente ao aumento da oferta de emprego e à elevação da renda, o que possibilitou uma melhoria nas condições de vida, as aglomerações subnormais foram bastante reduzidas ou até mesmo erradicadas. Um dos exemplos disso aconteceu em Cingapura. De acordo com o Banco Mundial, em 1965, quando o país se tornou independente, 70% de sua população vivia em condições muito precárias: a renda per capita era de 2 700 dólares ao ano, e o desemprego atingia 14% da População Economicamente Ativa (PEA). Após cinco décadas de elevados investimentos públicos em habitação, em infraestrutura urbana e em serviços públicos de qualidade, houve crescimento econômico sustentado, elevação e melhor distribuição de renda, erradicação das submoradias e, consequentemente, melhoria na qualidade de vida da população. Em 2014, segundo o Banco Mundial, Cingapura tinha uma renda per capita de 55 150 dólares, e o desemprego atingia 3% da PEA. A carência de habitações seguras e confortáveis é um problema no mundo todo. Segundo o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (agência da ONU sediada em Nairobi, Quênia, mais conhecida como UN-Habitat), em 2012, havia 863 milhões de pessoas vivendo em aglomerados subnormais. A África Subsaariana é a região com maior número absoluto de moradores em submoradias. Embora a China e a Índia tenham reduzido significativamente a quantidade de pessoas que moram em habitações precárias, ainda são os países que apresentam os maiores números absolutos. O Brasil é o quarto país do mundo com maior contingente de moradores em aglomerados subnormais, com um total de 44,9 milhões, perdendo para a China (180,6 milhões), Índia (104,7 milhões) e Nigéria (47,6 milhões). Na foto, Dharavi Slum, em Mumbai (Índia), em 2013. Nesse aglomerado urbano subnormal, um dos maiores do mundo, vivem cerca de 1 milhão de pessoas. Dharavi ficou conhecida no mundo todo porque serviu de locação para cenas do filme Quem quer ser um milionário?. O maior número relativo de moradores em aglomerados subnormais também aparece na África Subsaariana. Na Nigéria, país com o maior número de habitantes em submoradias nessa região, o percentual de pessoas que vivem em habitações precárias chega a 63% da população urbana. Mas nesse subcontinente há países com percentuais bem mais altos, como a República Centro-Africana, onde 96% da população vivem em aglomerados subnormais. Não há um conceito único para definir as moradias precárias; a publicação Slums of the World da UN-Habitat apresenta descrições e definições para 30 cidades espalhadas pelo mundo. A própria agência da ONU reconhece que o termo inglês slum é utilizado para definir uma grande diversidade de tipos de assentamento urbano precário espalhados por vários países. São Paulo e Rio de Janeiro, as duas regiões metropolitanas com maior número de pessoas que vivem em aglomerados subnormais – 2,2 milhões e 1,7 milhões, respectivamente -, aparece entre as trinta cidades da lista da UN-Habitat e em ambas constam a definição dada pelo IBGE: “Aglomerado subnormal: grupo de cinquenta ou mais moradias, construídas de maneira adensada, em terreno pertencente a terceiros, e carente de infraestrutura e serviços públicos”. ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA É a compra ou aquisição de bens imóveis com a finalidade de vendê-los ou alugá-los posteriormente, na expectativa de que seu valor de mercado aumente durante o lapso de tempo decorrido. Se uma pessoa, empresa, ou grupo de pessoas ou empresas compra imóveis, em grandes áreas ou quantidades e numa mesma região, isto eleva a demanda de imóveis no lugar, e, por consequência, há um aumento artificial dos preços de todos os imóveis daquela região (segundo a lei de oferta e procura). A expressão tem conotação pejorativa, por deixar implícito que o comprador do imóvel não irá utilizá-lo para fins produtivos ouhabitacionais, e ainda retira de outras pessoas, de menor poder aquisitivo e, portanto, mais necessitadas, a possibilidade de fazê- lo. No Brasil, o Estatuto das Cidades pretende regular a especulação imobiliária. No Brasil, as capitais nordestinas são as que mais sofrem com a especulação imobiliária. GENTRIFICAÇÃO Do inglês – gentrification - é o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada. Para entender GENTRIFICAÇÃO imagine um bairro histórico em decadência, ou que apesar de estar bem localizado, é reduto de populações de baixa renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não oferecem nada muito atrativo para fazer… Enfim, lugares que você não recomendaria o passeio a um amigo. Imagine, porém, que de um tempo para cá, a estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a segurança pública e agora há parques, iluminação, ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos benefícios para os moradores da região, exceto que eles não podem mais morar ali. É que, depois de todos esses melhoramentos, o valor do aluguel dobrou, a conta de luz triplicou e as idas semanais ao mercadinho da esquina ficaram cada vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o custo de vida subiu tanto que não cabe mais no orçamento dos atuais moradores. E o mais cruel de tudo é perceber que, enquanto o antigo morador procura um novo bairro, pessoas de maior poder aquisitivo estão indo morar no seu lugar. Talvez você já tenha passado por essa situação. Mas, se não passou, deve imaginar que é a história de muita gente. E o nome dessa história é GENTRIFICAÇÃO. VIOLÊNCIA Por que o Brasil é um país violento? A violência é um problema estrutural do país Recentemente, assistimos uma crescente de medidas controversas em estados como o Rio de Janeiro sob a justificativa de diminuir a criminalidade e a violência. No entanto, a violência não é um fenômeno recente e tampouco está restrito ao Rio de Janeiro. O estado é apenas um retrato da dramática situação de insegurança vivida pelo Brasil. Em 2016, mais de 61 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. É o maior índice já registrado na história. São 29,9 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Apenas três unidades da federação – Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo – respondem por 27% dessas mortes. O combate efetivo da criminalidade no país depende de ações abrangentes. Isso porque, o aumento da violência no país se deve não apenas a fatores conjunturais (ou seja, próprios de nosso tempo), como as políticas de segurança pública. Há também que se levar em consideração uma série de fatores estruturais – condições sociais, que estimulam as desigualdades. O estudo Segurança Cidadã com Rosto Humano: diagnóstico e propostas para a América Latina, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) procurou entender as causas da violência na América Latina. Suas conclusões se aplicam também ao Brasil, o maior e mais populoso país da região. A intenção dos pesquisadores era entender por que nas últimas décadas, a região viveu um período de crescimento econômico que não conseguiu reduzir a espiral de crescimento da violência. De acordo com o estudo, a América Latina continua sendo a região mais desigual e insegura do mundo. Os dez países com as maiores taxas de homicídios no mundo em 2015 são latino-americanos, segundo projeções da ONU. As taxas são excepcionalmente altas em países da América Central, resultado atribuído ao crime organizado. O estudo elenca fatores sociais relacionados ao aumento de criminalidade que são comuns entre os países da América Latina. Veja os principais aspectos que explicam essa violência persistente: Urbanização: A maioria dos países que apresentou longos períodos com crescimento da população urbana superior a 2% ao ano apresentou aumento da violência na América Latina, à exceção de Colômbia e Paraguai. Inchaço das periferias: O crescimento urbano rápido e desordenado, acelerado pela migração para as cidades, criou periferias pobres, sem os serviços públicos adequados, como escolas e centros de lazer, o que gera criminalidade e as condições para a formação de quadrilhas que controlam o tráfico de drogas e armas. Juventude em risco social: Situações como deixar a casa antes dos 15 anos de idade, não ir à escola ou ter um lar desestruturado sem pai ou mãe afeta diretamente na iniciação do jovem ao crime. Segundo o Ministério Público de São Paulo, dois em cada três jovens infratores da Fundação Casa vieram de lares sem o pai, e grande parcela deles não têm qualquer contato com o pai. Desigualdade social: Os estímulos ao consumo de bens e serviços (de tênis de grife a celulares e outros produtos eletrônicos, por exemplo), associados ao baixo poder aquisitivo e à dificuldade de acesso aos estudos e, por consequência, de ascender profissionalmente, constitui um convite para assaltos, roubos, furtos e tráfico de drogas. Fábio Sasaki – Guia do Estudante – Editora Abril - 2019 AS CIDADES E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS [...] além das questões relativas à poluição do ar, da água e do solo gerados pelas indústrias e pelos automóveis, existem os problemas relacionados com a miserabilidade da população pobre, que sobrevive em péssimas condições sanitárias, vivendo em grandes adensamentos demográficos nos morros, mangues, margens de rios, correndo riscos de toda natureza. ROSS, Jurandyr L.S. Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP CHUVA ÁCIDA Toda chuva é naturalmente ácida (Ph inferior a 7), em função das reações do vapor-d’água com o gás carbônico presente na atmosfera. Entretanto, ao atingir um Ph inferior a 5,6 a chuva é considerada, de fato, ácida e passa a ser tratada como um problema ambiental. Esse aumento de acidez se deve à queima de combustíveis fósseis, feita principalmente pelas atividades industriais e pelos automóveis, que liberam óxido de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Esses compostos reagem com o vapor- d’água presente na atmosfera, formando o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4). Quando chove, essas substâncias atingem o solo e a água, alterando suas características e prejudicando lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos. As principais áreas de ocorrência se encontram próximas às regiões de maior emissão de gases causadores do efeito estufa, ou seja, as mais urbanizadas e industrializadas, como o Nordeste dos Estados Unidos, a Europa ocidental, o leste da China, o eixo Rio-São Paulo. Entretanto, essas substâncias podem ser transportadas pelos ventos para regiões mais afastadas desses grandes centros urbano- industriais, causando a chuva ácida. Trata-se, portanto, de uma “poluição transfronteiriça”. O leste do Canadá, por exemplo, sofre com a chuva ácida proveniente da poluição gerada na megalópole Boston-Washington-Nova York e nas cidades industriais da região dos Grandes Lagos, dos Estados Unidos. Já os países escandinavos como Noruega, Finlândia e Suécia recebem as correntes de ar que trazem poluição da Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra. ILHAS DE CALOR Os poluentes lançados na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono, ajudam a aumentar a temperatura do ar mais próximo da atmosfera. Em regiões urbanas, esse fato é agravado pela substituição da cobertura vegetal por prédios de concreto e cimento e ruas asfaltadas. Esses materiais absorvemmais calor e devolvem nas formas de radiação térmica. A combinação desses fenômenos tende a aumentar a temperatura nos grandes centros, criando as ilhas de calor. A diferença de temperatura entre uma área verde e uma típica zona central de uma cidade pode ser de 8 graus centígrados a mais. INVERSÃO TÉRMICA A inversão térmica é um fenômeno atmosférico natural que ocorre principalmente nas manhãs de outono e inverno, com a penetração de massas de ar frio, em regiões de clima tropical e subtropical. Caracteriza-se pela alteração na sequência de camadas de ar. Em condições normais, a temperatura fica cada vez mais baixa conforme aumenta a altitude. Em uma situação de inversão térmica, porém, forma-se uma camada de ar mais quente logo acima da camada de ar mais frio próxima ao solo. Isso ocorre graças ao resfriamento da superfície e do ar durante o final da madrugada e início da manhã, quando as temperaturas, tanto da terra quanto do ar, são mais baixas. Em regiões onde o ar não se encontra carregado de poluentes, a inversão térmica não apresenta nenhum problema ambiental. No entanto, em ambientes urbanos, a inversão térmica causa o bloqueio das correntes ascendentes de ar, retendo grande quantidade de poluentes próximos à superfície durante algumas horas do dia. Isso ocorre porque as trocas verticais de ar, chamadas correntes de convecção, não chegam a atingir a superfície, formando-se somente a partir da camada de ar quente para cima. Por esse motivo, os poluentes não conseguem se dispersar. Quando o sol esquenta a superfície no decorrer da manhã, o ar da camada mais baixa se aquece e sobe, as correntes de convecção voltam a atingir o solo e os poluentes voltam a ser dispersados em camadas mais elevadas. Fontes: Geografia Geral e do Brasil. Editora: Scipione Autores: João Carlos Moreira e Eustáquio de Sene Guia do Estudante – Atualidades Editora: Abril