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- Conhecer sobre a neuro arquitetura da memória pode ajudar não só na reabilitação mas também na educação, na vida profissional e até mesmo no contexto clínico. Porque? Argumente com base nas leituras. 
Nosso cérebro recebe constantes estímulos externos através do nosso sistema sensorial que consiste em: tato, olfato, visão, audição e paladar. A Partir disso ele capta essas informações que chegam a todo o momento, as processam, seleciona e estabelece quais informações serão armazenadas ou deletadas da memória. A memória é um elemento de extrema importância no processo de aprendizagem e como pontua Izquierdo, (1989, p.89) “não há memória sem aprendizado, nem aprendizado sem experiência”. O referido autor discorre ainda que a memória dos homens e dos animais é o armazenamento e evocação de informação adquirida através de experiências, onde a aquisição de memórias denomina-se aprendizado. 
Importante inferir que a memória e o aprendizado têm um papel fundamental na vida do homem como um todo, porque foi através das nossas memórias que foi possível entender e controlar a natureza no passado, além de possibilitar a inserção e adaptação em novos ambientes. Ainda que sem perceber, estamos fazendo uso desse importante recurso cognitivo a todo momento, seja ao entrarmos no carro para ir para a faculdade onde temos que necessariamente nos lembrar para onde estamos indo, ou até mesmo fazer a lição de casa (Mourão Júnior & Faria, 2015). Logo, que sem a função da memória teríamos que aprender e reaprender diariamente atividades tão triviais do nosso dia-a-dia.
Segundo De Toni, Romanelli e De Salvo, (2005) os recursos do estudo do cérebro são solicitados na atualidade por educadores, psicólogos, neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras, como também por profissionais de áreas afins que lidam com pessoas portadoras de queixas cognitivas. É importante salientar que os domínios da neuropsicologia vão além do diagnóstico e entra nos campos da terapêutica, ou seja, os programas de reabilitação atendem não só pacientes com comprometimento neurológico, como também quadros psiquiátricos e déficits de aprendizagem. Com isso, a neuropsicologia nasceu como ciência interdisciplinar e atualmente assumiu o caráter transdisciplinar, pois em seu arcabouço teórico envolve as ciências humanas, as ciências biológicas e os recursos da engenharia biomédica, o que auxilia na produção de instrumentos tecnológicos e possibilita o desenvolvimento de pesquisas na investigação dos mecanismos cerebrais do comportamento.
Dentre as contribuições do estudo da memória, temos a avaliação neuropsicológica, que corresponde ao método de investigação das funções cerebrais a partir de seu produto comportamental e esse conhecimento é essencialmente interdisciplinar pois dessa maneira é possível fazer uma avaliação mais completa. Deste modo, um aspecto positivo quanto a sua utilização é o fato de que possibilitam definir e quantificar, através de procedimentos válidos e confiáveis, graus variados de doenças e déficits da memória, estabelecendo distinções entre o patológico e o normal. Assim, desde as deficiências na memória de trabalho quanto na de longo prazo ou até mesmo nas doenças neurodegenerativas como alzheimer, a avaliação neuropsicológica determinará a magnitude deste problema, e construirá métodos para o indivíduo retornar ao padrão de funcionamento.
 É essencial que o professor contemporâneo conheça o cérebro e seu funcionamento, a fim de ampliar suas práticas. Salla (2012, p.9) em uma reportagem da “Revista nova escola”, aborda as contribuições da neurociência na aprendizagem escolar, afirma que aprender não é só memorizar informações e sim, é saber relacioná-las, ressignificá-las e refletir sobre elas. Desta forma, é tarefa do professor, então, apresentar bons pontos de ancoragem, para que os conteúdos sejam aprendidos e fiquem na memória, e dar condições para que o aluno construa sentido sobre o que está vendo em sala. Nessa perspectiva a neurociência cognitiva pode ser aplicada na clínica, porque assim poderá ajudar desenvolver métodos que tentem explicar como ocorre à aprendizagem e todos os elementos que a compõem, podendo ajudar assim crianças, jovens e adultos que sofrem com déficits e transtornos.
Além disso, outro ponto a ser levantado é que quanto mais memórias se consolidam, mais aprendizagens acontecem, mas esse processo memória-aprendizagem vai depender do contexto em que o aluno está inserido, logo, que um ambiente estimulador favorece as conexões neurais, facilitando a apreensão do conteúdo que está sendo ministrado. Pesquisas feitas com ratos em laboratórios comprovaram que os animais criados em ambientes arejados com estímulos como bolas, rampas, escadas, tendo liberdade para brincar, demonstraram aumento de conexões neurais, em detrimento dos outros ratos criados em ambientes isentos de estímulos, os quais não apresentaram nenhuma mudança na estrutura cerebral (LIMA, 2009, p.159). Assim outra contribuição do estudo da memória é de que os ambientes de aprendizagem precisam ser devidamente planejados para possibilitar estímulos estéticos capazes de minimizar as ameaças e estimular a sensibilidade e o aconchego, permitindo organizar novos desafios e conquistas do conhecimento aos alunos (LIMA, 2009). Segundo Pena, Paranhos e Paranhos (2017) são as experiências que determinarão a qualidade da aprendizagem, pois se os professores aproveitarem ao máximo as experiências vividas por seus alunos para assim introduzir uma nova informação, essa nova informação parecerá familiar e o cérebro processá-la-á com maior facilidade haja em vista que é na infância que o cérebro é mais plástico.
Fica claro, portanto, que quando dizemos que o cérebro armazena informações, não podemos imaginar que a informação fique guardada dentro de "gavetas cerebrais", ou seja, armazenar uma informação não significa colocá-la dentro de certos neurônios como se estes fossem uma espécie de armário. O armazenamento é possível graças à neuroplasticidade, que pode ser definida como a capacidade que o cérebro tem de se transformar diante de pressões (estímulos) do ambiente. Disso, podemos concluir também que as informações ficam armazenadas em regiões difusas do cérebro, envolvendo redes complexas de neurônios, as quais modificam-se para armazenar informações (Kandel, Schwartz, Jessell, Siegelbaum, & Hudspeth, 2013). E graças a essa plasticidade o ser humano pode aprender ao longo de toda a sua vida, uma vez que o cérebro se modifica, se reorganiza e se adapta ao ambiente, além disso, ações didáticas e estratégias sensoriais e dinâmicas de ensino, voltadas para os vários campos cerebrais, áreas corticais e conexões sinápticas favorecem positivamente à aprendizagem (Cardoso & Queiroz, 2019).
Além de se estudar o processamento da informação, ou seja, as diferentes funções mentais que são necessárias para a execução de determinadas tarefas, a localização das funções pode ser importante não pelo conhecimento sobre a localização exata dos componentes, mas sim pelo conhecimento sobre as conexões entre eles. Esse, conhecimento possibilita a aplicação de técnicas a diversas áreas que uma pessoas está inserida. Assim, o psicólogo clínico (dentre outros) se beneficiaria muito se usar os conhecimentos do estudo da memória, pois desta maneira, além de entender o ser humano mais amplamente graças ao caráter interdisciplinar da ciência, também terá subsídios (comprovados) teóricos e experimentais para ajudar eficientemente seus pacientes, desde adaptação escolar à reabilitação de danos cerebrais, pois a psicoterapia através dos métodos corretos é capaz de mudar o cérebro quimicamente. 
Referências 
Cardoso, A., & Queiroz, L. (2019). As contribuições da neurociência para a educação e a formação de professores: um diálogo necessário. Cadernos da Pedagogia, 12(24), 30–47. doi: https://doi.org/10.36661/2358-0399.2020v11i3.11512
De Toni, M., Romanelli, J., & De Salvo, G. (2005). A evolução da neuropsicologia: da antiguidade aos tempos modernos. Psicologia argumento, 23(41),47-55. Disponível em: 
Izquierdo, I. (1989). Memórias. Revista Estudos Avançados. 3(6), 89-112. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/8522.
Kandel, R., Schwartz, H., & Jessell, T., Siegelbaum, A., & Hudspeth, A. (2013). Principles of neural science (5th ed.). New York: McGraw-Hill. 
Lima, G. (2009). Redescoberta da mente na educação: A expansão do aprender e a conquista do conhecimento complexo. Revista Educação e Sociedade, 3(106).151-174. Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_artt 
Mourão, C., & Faria, N. (2015). Memória. Psicologia: Reflexão e Crítica , 28 (4), 780-788. https://doi.org/10.1590/1678-7153.201528416
Pena, S., Paranhos, M., & Paranhos, M. (2015). Neurociência e a aprendizagem da leitura e da escrita- elementos essenciais na formação do professor: uma revisão. Revista Eventos, 8(1). Recuperado de https://eventos.set.edu.br/enfope/article/download/1665/336 
Salla, F. (2012). Neurociência: como ela ajuda a entender a aprendizagem. Revista Nova Escola. 253(81).Disponível: https://novaescola.org.br/conteudo/217/neurociencia-aprendizagem.

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