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O que são políticas educacionais? Gestão de Políticas Públicas em Educação Prof. Angela Mendonça O que são políticas educacionais? Gestão de Políticas Públicas em Educação Prof. Angela Mendonça Sumário O que são políticas educacionais? .................................................................................................................. 3 Tipos de Políticas Públicas ....................................................................................................................................3 Políticas públicas regulatórias ...............................................................................................................................3 O que são Políticas Públicas Educacionais ...........................................................................................................3 Globalização, neoliberalismo e educação ..............................................................................................................3 Olá estudante! Meu nome é Angela Christianne Lunedo de Mendonça e sou professora na área de Direito Educa- cional e Fundamentos da Educação. Sou graduada em Pedagogia pela UFPR, Direito pelo Centro Universitário Curitiba, especialista em Direito Educacional e também em Gestão Publica Educacional . Atualmente coordeno e sou professora nos cursos de Especialização em Direito Educacional, Direitos da Criança e Adolescente e Projetos Sociais. Atuo como gestora pública: chefe de de- partamento de Politicas Públicas para Crianças e Adolescentes na Secretaria de Justiça Família e Trabalho do Estado do Paraná, e vice presidente do CEDCA/PR (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná). Bons estudos! 3 Gestão de Políticas Públicas em Educação O que são políticas educacionais? O que são políticas educacionais? Campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações e ou entender por que o como as ações tomaram certo rumo em lugar de outro (variável dependente). Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e ações, que produzi- rão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real (SOUZA, 2003, p. 13). Tipos de Políticas Públicas Azevedo (2003) apontou a existência de três tipos de políticas públicas: as redistributivas, as distributi- vas e as regulatórias. As políticas públicas redistributivas consistem em redistribuição de “renda na forma de recursos e/ou de financiamento de equipamentos e serviços públicos” (Azevedo, 2003, p. 38). São exemplos de políticas públicas redistributivas os programas de bolsa-escola, bolsa-universitária, cesta básica, renda cidadã, isenção de IPTU e de taxas de energia e/ou água para famílias carentes, dentre outros. Do ponto de vista da justiça social o seu financia- mento deveria ser feito pelos estratos sociais de maior poder aquisitivo, de modo que se pudesse ocorrer, portanto, a redução das desigualdades sociais. Por conta do poder de organização e pressão desses estratos sociais, o financiamento dessas po- líticas acaba sendo feito pelo orçamento geral do ente estatal (união, estado federado ou município). As políticas públicas distributivas implicam nas ações cotidianas que todo e qualquer governo precisa fazer. Elas dizem respeito à oferta de equipamentos e serviços públicos, mas sempre feita de forma pontual ou setorial, de acordo com a demanda social ou a pressão dos grupos de interesse. São exemplos de políticas públicas distributivas as podas de árvores, os reparos em uma creche, a implementação de um projeto de educação ambien- tal ou a limpeza de um córrego, dentre outros. O seu financiamento é feito pela sociedade como um todo através do orçamento geral de um estado. Políticas públicas regulatórias Consistem na elaboração das leis que autorizarão os governos a fazerem ou não determinada política pública redistributiva ou distributiva. Se estas duas implicam no campo de ação do poder executivo, a política pública regulatória é, essencialmente, campo de ação do poder legislativo. Esse tipo de política possui importância funda- mental, pois é por ela que os recursos públicos são liberados para a implementação das outras políticas. Seu resultado não é imediato, pois enquanto lei ela não possui a materialidade dos equipamentos e serviços que atendem diariamente a população. Os grupos sociais tendem a ignorá-la e a não acompanhar o seu desenvolvimento, permitindo que os grupos econômicos, principalmente, mais orga- nizados e articulados, façam pressão sobre os seus gestores (no caso do Brasil, vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores). O que são Políticas Públicas Educacionais Se “políticas públicas” é tudo aquilo que um go- verno faz ou deixa de fazer, políticas públicas educa- cionais é tudo aquilo que um governo faz ou deixa de fazer em educação. Educação é um conceito muito amplo para se tratar das políticas educacionais. Isso quer dizer que políticas educacionais é um foco mais específico do tratamento da educação, que em geral se aplica às questões escolares. Globalização, neoliberalismo e educação A escola como se conhece hoje, lugar de ensino para todos os grupos sociais, garantida em suas con- dições mínimas de existência pelo Estado, reprodu- tora da cultura universal acumulada pela experiência humana sobre a Terra e disseminada em todos os países do planeta, não possui mais do que 150 anos, ou seja, um século e meio. É uma experiência educacional do final do século XIX, momento em que as relações capitalistas de pro- dução, amadurecidas pelo ritmo da industrialização (mecanização da produção) e visando a mais-valia, demandavam, por um lado, conhecimento técnico padronizado da mão-de-obra e, por outro, controle ideológico das massas de trabalhadores. 4 Gestão de Políticas Públicas em Educação O que são políticas educacionais? Assim surgiu a escola moderna, encerrando, desde sua fundação, uma grande contradição: ser ao mesmo tempo espaço de superação, de criação, de práxis e, na contramão dessa feita, espaço de re- produção e controle ideológicos (a esse respeito, ver OLIVEIRA, 2007; BOURDIEU, 2001; e GADOTTI, 2003). É com essa característica contraditória, dialética, dual que a escola se desenvolveu nos últimos 150 anos, tempo em que a cultura humana passou por suas mais profundas transformações A revolução tecnológica desse período exigiu um conjunto significativo de novos saberes, pois esse pe- ríodo representou uma sucessão de saltos que parti- ram da Revolução Industrial à automação da produção (processos automáticos, baseados na microeletrônica e na informática), conformando o mundo dos meios de transporte velozes, da telemática, da conquista do espaço sideral, dos satélites artificiais, da teleconfe- rência, da financeirização das relações econômicas (venda de dinheiro pelos bancos), da urbanização, etc. O que distingue política pública da política, de um modo geral, é que esta também é praticada pela so- ciedade civil, e não apenas pelo governo. Política pública é condição exclusiva do governo, no que se refere a toda a sua extensão (formulação, deliberação, implementação e monitoramento). Entende-se por políticas públicas educacionais aquelas que regulam e orientam os sistemas de ensino, instituindo a educação escolar. Essa educação orientada (escolar) moderna, massificada, remonta à segunda metade do século XIX. Ela se desenvolveu acompanhando o desenvol- vimento do próprio capitalismo, e chegou na era da globalização resguardando um caráter mais reprodu- tivo, haja vista a redução de recursos investidos nesse sistema que tendencialmente acontece nos países que implantam os ajustes neoliberais. O Estado é uma instituição criada e gerida pela sociedade organizada paracomandar a e neutralizar os conflitos, no entanto, a partir do Contrato Social, ele passa a existir para garantir e legitimar o direito natural de propriedade, defendido por John Locke. O liberalismo econômico, política adotada e de- sencadeada na vigência do capitalismo industrial, possui como princípio a lei da oferta e da procura, tendo o mercado papel fundamental na regulação da economia e das relações sociais. A política neoliberal surge no final do século XX e se dissemina em grande parte do mundo capitalista; o neoliberalismo por meio da crença no poder da livre iniciativa restringiu a intervenção estatal. Ao limitar a atuação do Estado na sociedade, as políticas neoliberais abrem espaço para setores pri- vados, e o mercado passa a reger a sociedade. Dessa forma, o Estado, muitas vezes, compactua com os interesses empresariais, acentuando os conflitos so- ciais e fortalecendo ainda mais a exclusão daqueles que não possuem condições de obter determinados bens ou serviços que outrora eram de responsabili- dade do Estado. Os discursos dos governos neoliberais ressaltam a necessidade dos chamados “ajustes” que incluem cortes de investimentos na área educacional, pois os consideram gastos desnecessários. Para tanto pro- põem e defendem a ideia de que a oferta educacional deveria ser de responsabilidade da iniciava privada, transformando o ensino num grande negócio. No enfoque liberal, o Estado é considerado neutro e está acima dos interesses das classes sociais, pois tem como objetivo a realização do bem comum e o aperfeiçoamento do organismo social no seu conjun- to. Ao contrário do neoliberalismo, a política do Bem Estar Social prega a atuação do Estado em diferen- tes frentes junto à sociedade; esta forma de governar o Estado surgiu após a crise de 1929 nos Estados Unidos. Crise gerada, em grande parte, pela política liberal que desestruturou a economia americana pelo excesso de bens no mercado e provocou a maior crise da história do sistema capitalismo. A população começou a se organizar e fortalecer os movimentos sociais e por meio de pressão, foi con- quistando espaços. Sendo assim, o Estado assume papel central no controle e distribuição de lucros e políticas de garantia de proteção ao trabalhador, se- guridade social, educação, saúde pública e gratuita. A educação é entendida pelos educadores pro- gressistas como um dever do Estado e um direito da população. Neste sentido, está diretamente ligada a forma como os governos adotam suas políticas, que vão se manifestar nas instituições escolares. Maior ou menor oferta desse serviço, pelo Estado, é resultado do tipo de opção política. Nesse contexto, enfatiza-se a importância de se construir, dentro das políticas públicas, políticas educacionais, visando me- lhorias qualitativas na educação pública. A qualidade, nesse sentido, consiste em construir propostas articuladas e consequentes com vistas à educação emancipatória, centrada em razões ético- -políticas. Sendo assim, ao se reportar ao conceito de emancipação, considera-se a liberdade como con- dição para a sua concretização, condição esta que permite ao oprimido ser sujeito consciente de sua 5 Gestão de Políticas Públicas em Educação O que são políticas educacionais? realidade, possibilitando o emergir da solidariedade como prática humana e humanizadora. As leis e normas educacionais mais democrá- ticas são cada vez mais necessárias, mas não são suficientes para garantir a construção de propostas curriculares democráticas e críticas. Analisando a escola como um todo e o educando nela inserido, torna-se preocupante o estado lamen- tável do esfacelamento do saber, que transformado em migalhas, revela uma inteligência esfacelada e um horizonte epistemológico demasiadamente reduzido. Ainda não se conseguiu estruturar um sistema educacional eficiente, ou seja, incapazes de assegurar a democratização mediante ao oferecimento de vagas que ampliam o acesso das massas às instituições educacionais, ainda não há investimentos suficientes para proporcionar condições de melhorias nessa área. O que são políticas educacionais? Tipos de Políticas Públicas Políticas públicas regulatórias O que são Políticas Públicas Educacionais Globalização, neoliberalismo e educação