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Resumo sobre Mastite Bovina A mastite bovina é uma condição inflamatória que afeta as glândulas mamárias das vacas, resultando em uma série de consequências negativas tanto para a saúde do animal quanto para a produção de leite. O processo de produção do leite ocorre nos alvéolos, que drenam o leite para as cisternas, onde são cercados por capilares que transportam nutrientes e células inflamatórias. A integridade dos alvéolos é crucial para a síntese de lactose e triglicerídeos, e a curva de lactação mostra que o pico de produção ocorre em torno de 60 dias, diminuindo até cerca de 330 dias, quando a vaca se prepara para a próxima gestação. Durante o início e o final da lactação, a contagem de células somáticas (CCS) pode aumentar, refletindo a renovação celular e a regressão do epitélio glandular. A mastite pode ser classificada em dois tipos principais: mastite contagiosa e mastite ambiental . A mastite contagiosa é transmitida de um animal para outro, geralmente durante a ordenha, enquanto a mastite ambiental ocorre quando os agentes patogênicos estão presentes no ambiente onde os animais vivem. Os principais agentes causadores incluem Staphylococcus aureus, E. coli e Mycoplasma bovis, sendo que a mastite subclínica é a forma mais comum e frequentemente não é detectada, mas causa impactos econômicos significativos devido à sua persistência e à contaminação do rebanho. Os impactos da mastite são variados, incluindo a redução da produção e qualidade do leite, o descarte de quartos mamários e a alteração das características físico-químicas do leite, como pH e tempo de coagulação. A resposta inflamatória do organismo resulta em um aumento da permeabilidade vascular, o que pode levar a uma maior excreção de produtos que afetam a qualidade do leite. A identificação do agente causador é fundamental para direcionar as estratégias de controle, sendo que a mastite contagiosa é frequentemente mais difícil de erradicar devido à sua natureza persistente e à possibilidade de infecções recorrentes. Classificação e Diagnóstico da Mastite A mastite pode ser diagnosticada através da contagem de células somáticas e da contagem total de bactérias (CBT), que são realizadas trimestralmente. A presença de neutrófilos e células inflamatórias indica uma infecção na glândula mamária. A mastite clínica se manifesta com alterações visíveis no leite, como grumos, coágulos e até sangue, além de sintomas sistêmicos como febre e apatia. Por outro lado, a mastite subclínica é mais insidiosa, podendo afetar a produção de leite sem apresentar sintomas evidentes, o que a torna uma preocupação significativa para os produtores. Os fatores predisponentes para a mastite incluem a alta produção de leite, que aumenta a tensão sobre os ligamentos do úbere, e condições ambientais, como umidade e temperatura elevadas, que favorecem o crescimento de bactérias. A nutrição adequada e a hereditariedade também desempenham papéis importantes na prevenção da mastite. A falta de higienização durante a ordenha e a proximidade dos tetos ao solo são fatores que facilitam a entrada de agentes infecciosos. Controle e Prevenção da Mastite O controle da mastite envolve práticas de manejo que minimizam a exposição dos animais a agentes patogênicos. A ordenha deve ser realizada de forma cuidadosa, utilizando técnicas que evitem a contaminação das glândulas mamárias. A terapia da vaca seca e o uso de produtos como o pós-dipping são métodos eficazes para prevenir a mastite contagiosa. Para a mastite ambiental, a limpeza e a manutenção de um ambiente seco e limpo são essenciais. A vacinação, como a vacina J5 para E. coli, pode ajudar a reduzir a incidência de mastite, mas é específica e deve ser utilizada em conjunto com outras práticas de manejo. A identificação precoce e o tratamento adequado da mastite são cruciais para minimizar os impactos econômicos e garantir a saúde do rebanho. A monitorização diária dos animais e a realização de testes como o CMT (California Mastitis Test) são ferramentas valiosas para detectar a mastite em estágios iniciais, permitindo intervenções rápidas e eficazes. Destaques A mastite bovina é uma inflamação das glândulas mamárias que afeta a produção e qualidade do leite. Classifica-se em mastite contagiosa (transmitida entre animais) e mastite ambiental (proveniente do ambiente). A mastite subclínica é comum e pode causar impactos econômicos significativos sem apresentar sintomas visíveis. Fatores predisponentes incluem alta produção de leite, condições ambientais e falta de higiene na ordenha. O controle envolve práticas de manejo, identificação precoce e tratamento adequado para minimizar os efeitos da mastite.