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Concreto O concreto é o segundo produto mais consumido pela humanidade. Excelente resistência à água; Facilidade de encontrar os componentes em variadas formas e tamanhos; Baixo custo; Facilidade de produção/aquisição. Classificação Quanto ao uso de armaduras: Concreto simples (sem barras de aço) Concreto armado (com barras de aço) Concreto protendido (com cabos de aço tracionados) Quanto à massa específica: Concreto de densidade normal (γ da ordem de 2.400 kg/m³) Concreto leve (γ inferior a 1.800 kg/m³) Concreto pesado (γ superior a 3.200 kg/m³) Quanto à resistência: Concreto de baixa resistência (menor que 20 MPa) Concreto de resistência moderada (20 MPa a 40 MPa) Concreto de alta resistência (maior que 40 MPa) Componentes A água e o cimento se hidratam formando uma pasta que adere aos agregados. Nas primeiras horas, a mistura pode ser moldada e, ao longo dos dias, endurece e adquire resistência mecânica. A resistência do concreto depende da resistência do agregado, da pasta e da ligação entre eles. Fatores que afetam a zona de transição: Piora: Agregados graúdos maiores, agregados lamelares e alongados, maior relação água/cimento. Melhora: Maior consumo de cimento, agregados menores, agregados cúbicos ou arredondados, menor relação água/cimento. Operações para obtenção do concreto: Dosagem dos materiais Mistura dos materiais Transporte até a obra Lançamento (colocação nas formas) Adensamento (eliminação de vazios) Cura (evitar perda de água nos primeiros dias) Funções da pasta de cimento: Impermeabilidade, trabalhabilidade, envolver os grãos, preencher vazios e resistência mecânica. Funções do agregado: Reduzir custo, reduzir variações de volume e contribuir com grãos resistentes. Propriedades no estado fresco Trabalhabilidade: refere-se à capacidade do concreto fresco de ser aplicado para um fim específico, estando diretamente ligada à sua consistência e coesão. Isso engloba a facilidade de adensar e reduzir vazios, a capacidade de moldagem para preencher formas e espaços da armadura, e a resistência à segregação, mantendo a homogeneidade durante o manuseio e a vibração. O concreto é classificado como seco, plástico ou fluido, dependendo da relação água/materiais secos. Fatores como a quantidade de água e cimento, a proporção entre eles, a granulometria e forma dos agregados, a presença de material pulverulento e o uso de aditivos influenciam a trabalhabilidade. O Slump Test (ABNT NBR 16889) é o ensaio mais comum para medir essa propriedade, embora métodos como o funil em V, Slump Flow e caixa L sejam mais adequados para concretos autoadensáveis. Perda de Abatimento ou Perda de Fluidez: é a diminuição da fluidez do concreto ao longo do tempo. Cimentos com pega anormal, tempo de mistura prolongado, transporte inadequado, alta temperatura do concreto, perda de eficiência de aditivos e absorção ou evaporação da água pelos agregados são fatores que contribuem para essa perda. A ABNT NBR 7212 proíbe a adição de água extra para corrigir a perda de abatimento, mas permite a adição de aditivos superplastificantes. O ensaio ABNT NBR 10342 avalia essa propriedade através de medições periódicas do abatimento. Massa Específica no Estado Fresco: é um indicador indireto do teor de ar incorporado no concreto. A ABNT NBR 9833 descreve o ensaio para sua determinação, sendo a razão entre a massa do concreto e o volume do recipiente. A ABNT NBR 6118 estabelece valores de referência de 2400 kg/m³ para concreto simples e 2500 kg/m³ para concreto armado, e também permite o cálculo do percentual de vazios a partir da massa específica dos componentes. Coesão e Segregação: são conceitos opostos: a segregação é a separação dos componentes do concreto, onde os agregados graúdos se separam da argamassa, resultando em um concreto não homogêneo e de baixa resistência. Fatores como quantidade de água (misturas muito secas ou úmidas), excesso de vibração, uso de aditivos superfluidificantes (que podem prevenir a segregação em misturas fluidas) e o método de transporte e lançamento podem afetar a segregação. A coesão, por sua vez, é a capacidade do concreto de manter seus componentes unidos e homogêneos. Retenção de Água e Exsudação: estão relacionadas à tendência da água subir para a superfície do concreto recém-lançado, resultando em exsudação. Isso leva a um concreto poroso, fraco e de menor durabilidade, ocorrendo quando a parte sólida do concreto não consegue reter a água de amassamento. Consistência inadequada, falta de finos, excesso de agregado graúdo e lançamento/compactação incorretos são fatores contribuintes. Para mitigar a exsudação, é necessário ajustar a dosagem do concreto, aumentando a proporção de finos e o teor de cimento, além de evitar o excesso de água. Tempo de Pega: marca o momento em que o concreto fresco não pode mais ser misturado, lançado ou compactado, devido a um aumento abrupto em sua viscosidade. A composição do cimento, a relação água/cimento, a temperatura e a presença de aditivos são os principais fatores que influenciam o tempo de pega. Dosagem A dosagem do concreto consiste na determinação das quantidades de seus componentes (cimento, água, agregado miúdo e agregado graúdo, com a possível adição de aditivos) para alcançar requisitos específicos de trabalhabilidade, resistência mecânica e durabilidade, buscando sempre o menor consumo de cimento possível sem comprometer as características desejadas, e considerando o fator custo. Dosagem Empírica: Baseia-se em valores médios de propriedades físicas e mecânicas de materiais, obtidos por experiência ou bibliografia. É permitida pela ABNT NBR 12655 (2022) para concretos das classes C10 e C15, com consumo mínimo de 300 kg de cimento por metro cúbico. Dosagem Racional e Experimental: Baseia-se nas características específicas dos materiais que serão utilizados na obra. Requer o proporcionamento adequado de todos os constituintes (cimento, agregados, água e aditivos). Deve considerar exigências de projeto (resistência, impermeabilidade, etc.), condições de exposição e operação, tipo de agregado disponível, técnicas de execução e custos (buscando o mínimo consumo de cimento). De acordo com a ABNT NBR 12655 (2022), é obrigatória para concretos de classe C20 (fck=20MPa) ou superior e deve ser realizada com antecedência, utilizando os mesmos materiais e condições da obra. O cálculo da dosagem deve ser refeito em caso de mudanças nos materiais. Traço: 1 : a : b : a/c Determinação da resistência de dosagem A determinação da resistência de dosagem do concreto parte da resistência característica à compressão (fck), geralmente especificada aos 28 dias em projetos estruturais, representando o valor abaixo do qual apenas 5% das resistências são esperadas. A ABNT NBR 6118 exige que os projetos considerem a agressividade ambiental, classificando os ambientes (Tabela 6.1) de fraca a muito forte e estabelecendo a correspondência entre a classe de agressividade e a qualidade do concreto (Tabela 7.1), incluindo a relação água/cimento máxima e a classe de concreto mínima (C20 a C40 para concreto armado, C25 a C40 para protendido). Também define o cobrimento nominal da armadura em função da classe de agressividade e tipo de estrutura (Tabela 7.2). Cálculo da resistência de dosagem: fcj = resistência média do concreto à compressão para a idade de j dias fck = resistência característica do concreto à compressão aos j dias Sd = desvio padrão da dosagem A determinação do diâmetro máximo do agregado graúdo deve seguir diversas restrições para garantir a boa execução e desempenho do concreto, como ser menor ou igual a 1,2 vezes o cobrimento nominal, menor que 1/4 da menor distância entre as faces das fôrmas, e outras proporções relacionadas à espessura das lajes, espaçamento das armaduras e diâmetro da tubulação (em caso de bombeamento). Método de dosagem teórico Este método é uma alternativapara engenheiros que não possuem meios de realizar uma dosagem experimental. Envolve as seguintes etapas: Determinar a relação água/cimento (x) com base na resistência de dosagem especificada, utilizando a Lei de Abrams ou ábacos e expressões. Determinar a relação água/materiais secos (H), que para abatimentos entre 6 e 9 cm pode ser obtida por tabelas. Calcular a quantidade de agregado total no traço (m). Baseia-se no princípio de que o agregado graúdo possui um volume de vazios a ser preenchido por argamassa, além de uma argamassa adicional para trabalhabilidade. Envolve as seguintes etapas: Fixação da água/cimento: Resistência de dosagem: Determinação do consumo de água do concreto (Cag) (L/m3): Determinação do consumo de cimento (c): Determinar as proporções de agregado miúdo (a) e agregado graúdo (p) no agregado total, utilizando uma tabela com valores de teor de argamassa (α). Converter o traço para quantidades por metro cúbico (cimento, agregado miúdo, agregado graúdo e água) e, se necessário, converter os agregados para volume, utilizando as massas específicas aparentes e as massas unitárias dos agregados, além do coeficiente de inchamento da areia. Método de dosagem experimental ABCP Determinação do consumo de agregados: Agregado graúdo (Cb): Determinação do Vc: Agregado miúdo (Ca ou Cm): Traço calculado: O traço resultante deve ser testado em laboratório, e correções são feitas para ajustar a trabalhabilidade (mantendo a relação água/cimento constante) através da adição de pequenas porções de materiais, incluindo areia, água, cimento e, se aplicável, aditivos. Produção Dosagem: A dosagem do concreto consiste em determinar a proporção mais adequada e econômica de cada material na composição da mistura, visando obter as propriedades desejadas do concreto fresco e endurecido. Mistura: tem o objetivo de obter uma massa homogênea onde todos os componentes estejam em contato. Pode ser manual ou mecânica: Amassamento manual: Indicado para obras de pequena importância sem função estrutural, com volume de cimento igual ou inferior a 100kg (2 sacos). Deve ser feito em superfície plana, impermeável e resistente. As etapas incluem espalhar a areia, adicionar o cimento, misturar até uniformizar a cor, espalhar a mistura, adicionar a brita e misturar, formar um monte com coroa e, por fim, adicionar a água aos poucos. Amassamento mecânico: Realizado em betoneiras, que são equipamentos com um tambor ou cuba e pás. Os elementos importantes são o tempo de mistura (para homogeneização) e a velocidade de rotação (para evitar centrifugação). A ordem de colocação dos materiais na betoneira é: 100% da brita, parte da água para umedecer, 100% do cimento, ligar a betoneira para o cimento revestir a brita, 100% da areia e, por último, o restante da água. Após adicionar todos os materiais, a betoneira deve girar por mais 3 minutos antes de usar o concreto. Transporte: O objetivo é levar o concreto do local de mistura até o ponto de preenchimento das formas. Pode ser classificado como: Transporte Externo: Quando o concreto é trazido de uma central de concretagem para a obra. Transporte Interno: Quando o concreto é movimentado dentro da própria obra até o local de lançamento nas formas. É crucial ter cuidado para evitar vibração excessiva durante o transporte, pois isso pode causar a segregação dos componentes do concreto, comprometendo sua homogeneidade. Além disso, o transporte deve ser rápido para que o concreto não perca a trabalhabilidade necessária para as etapas seguintes. Lançamento: O lançamento do concreto consiste em sua colocação nas formas, sendo crucial que o tempo entre o amassamento e o lançamento não exceda de 1 a 2 horas. Para evitar a segregação dos materiais e garantir a qualidade do concreto, alguns cuidados são essenciais: Preparação das formas: Devem estar limpas, sem detritos e substâncias estranhas. Formas de madeira precisam ser saturadas com água para não absorver a umidade do concreto, e todas as formas devem ser estanques para evitar a fuga da nata de cimento. Limitação do tamanho do agregado: Em concreto bombeado, o tamanho máximo dos agregados não deve ultrapassar 1/3 do diâmetro do tubo. Restrições de movimentação: Evitar arrastar o concreto por mais de 0,80 a 1 metro para não perder argamassa. Altura de lançamento: O concreto não deve ser lançado de grandes alturas (máximo de 1,5 a 2 metros) para prevenir a segregação dos componentes. Lançamento em pilares: Nesses casos, o concreto deve ser lançado lateralmente. Plano de concretagem: O plano de concretagem aborda as juntas e a necessidade de considerar o projeto do escoramento e as deformações causadas pelo peso do concreto fresco e cargas de serviço em grandes estruturas. As juntas são classificadas em: Juntas de Dilatação: Permitem os deslocamentos da estrutura, como no exemplo de "Estrutura 1" e "Estrutura 2" separadas por isopor. Juntas de Construção: Realizadas de acordo com as interrupções na execução da obra. Devem ser planejadas previamente para estarem localizadas em seções com menor solicitação. Adensamento: O adensamento é a etapa que visa eliminar o ar dos vazios presentes na massa de concreto, devendo ser realizado durante e imediatamente após o lançamento. Pode ser manual ou mecânico. Independentemente do método, o objetivo é prevenir a formação de "ninhos de concretagem" e a segregação dos materiais. Um adensamento bem executado melhora a resistência mecânica, diminui a permeabilidade, aumenta a resistência a intempéries e a aderência do concreto à armadura. Adensamento Manual: Utiliza barras de aço ou pedaços de madeira como soquetes. Consiste em aplicar choques repetidos em camadas de concreto com espessura máxima de 15 a 20 cm, ideal para concretos com slump de 5 a 12 cm. O processo cessa quando uma camada lisa de cimento aparece na superfície. Adensamento Mecânico: É o método recomendado para obras de médio e grande porte. Pode ser realizado com vibradores de imersão, vibradores externos ou de forma, mesas vibratórias ou centrifugação. Cura: conjunto de medidas para evitar a evaporação prematura da água necessária para a hidratação do cimento no concreto. É fundamental para garantir qualidades como resistência mecânica, impermeabilidade e resistência a agentes agressivos. Recomenda-se realizar a cura nos primeiros 7 dias após o lançamento do concreto, sendo ideal estendê- la até o 14º dia para prevenir fissuras causadas pela retração. Os métodos de cura mais comuns incluem: Irrigação periódica da superfície: Molhar a superfície exposta do concreto em intervalos frequentes. Recobrimento simples da superfície: Cobrir a superfície com lonas ou sacos úmidos para evitar a ação direta do sol e do vento. Imersão: Método ideal (mas de aplicação restrita) onde as peças são imersas em tanques de água, ou lajes e pisos são cobertos com uma lâmina de água. Envolvimento ou recobrimento total da superfície: Envolver as peças com plásticos ou papéis impermeáveis para impedir a evaporação da água. Manutenção da umidade da forma: Utilizado em peças onde a forma (de madeira ou material absorvente) protege a maior parte da superfície, molhando-a frequentemente para manter a umidade. Propriedades no estado endurecido Resistência à compressão: principal característica do concreto no estado endurecido, e sobre ela se baseiam os cálculos estruturais. Embora o endurecimento possa levar anos, o concreto atinge 75% a 90% de sua resistência total aos 28 dias. Fatores que influenciam a resistência à compressão incluem: Relação água-cimento: Afeta a porosidade. Idade: A resistência aumenta com o tempo devido à hidratação do cimento. Forma e graduação dos agregados: Agregados rugosos ou britados e diâmetros maiores (com menor relação água/cimento) podem aumentar a resistência, mas agregados muito grandes podem criar zonas de transição fracas.Tipo de cimento: Suas propriedades físicas, químicas e adições. Forma e dimensões dos corpos de prova: Cubos apresentam maior resistência que cilindros (h = 2d), e cilindros maiores resultam em resistências menores. Velocidade de aplicação e duração da carga: Maiores velocidades tendem a gerar resistências mais elevadas. Condições de cura: Manter umidade e temperatura ideais por mais tempo aumenta a resistência, pois acelera a hidratação. A ABNT NBR 5738 (2015) estabelece os procedimentos para moldagem e cura de corpos de prova cilíndricos. A ABNT NBR 5739 (2018) descreve o ensaio de compressão Resistência à tração Módulo de elasticidade: razão entre o gradiente de tensão aplicado e o respectivo gradiente de deformação específica. Durabilidade: Capacidade do concreto de resistir à ação do tempo, ataques químicos, abrasão e outras ações de deterioração. Fatores que influenciam: gressividade do ambiente, condições de exposição, cobrimento das armaduras e manutenção das estruturas. Impermeabilidade: Relacionada à durabilidade, pois um concreto impermeável impede o acesso de agentes agressivos. Variações volumétricas: São principalmente de retração, mas também envolvem variações por temperatura e deformação lenta (fluência) Como Diminuir a Permeabilidade: Utilizar baixas relações água/cimento (aumento do consumo de cimento ou uso de aditivos redutores de água).