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ANTIBIÓTICOS E INTERAÇÃO DROGA NUTRIENTE
Ma. Profa. Luciria de Freitas Correa
ANTIBIÓTICOS
Doenças que acompanhavam a humanidade, como tuberculose, sífilis, hanseníase e outras infecções, foram controladas;
Os antibióticos fazem parte do grupo seleto de “drogas curativas”;
Fleming, em 1929, observou que uma substância elaborada pelo fungo Penicillium, era capaz de destruir o Staphylococcus na placa de cultura. Ele deu o nome de penicilina. ( Microrganismo contra Microrganismo)
Penicillium
Penicilina
Sir Alexander Flemming
Terminologia
Os fármacos bactericidas matam a bactéria. 
Os fármacos bacteriostáticos inibem ou interrompem o crescimento bacteriano in vitro. 
Essas definições não são absolutas; os bacteriostáticos podem matar algumas espécies bacterianas e bactericidas só podem inibir o crescimento de algumas espécies bacterianas susceptíveis.
A resistência bacteriana deriva da habilidade da população bacteriana em se adaptar às agressões sofridas ao longo da História e junto ao uso inadequado dos antimicrobianos essas condições podem causar um aumento significativo da gravidade das infecções causadas por diversas espécies.
Os antibióticos podem ser classificados de acordo com diversos critérios:
Estrutura química;
Mecanismo de ação,
Tipos dos micro-organismos- alvo,
Espectro de atividade,
Tipo de ação,
Fontes de origem,
Organelas celulares atingidas.
Classificação
TOXICIDADE
Os principais fatores que fazem variar os efeitos adversos dos antibióticos são:
posologia,
duração do tratamento,
medicação concomitante,
idade do paciente,
estado da função renal e da função hepática.
As reações alérgicas são provocadas mais frequentemente pela administração parenteral.
TOXICIDADE
Após a administração oral os antibióticos podem provocar náuseas, vômitos e diarréia, resultantes de irritação, superinfecção ou alteração da flora gastrointestinal normal.
A diarreia é comum após o uso oral de tetraciclina, ampicilina e cefalosporinas.
A lincomicina e a clindamicina, entre outros antibióticos, além de diarreia grave, podem provocar colite pseudomembranosa.
SUPERINFECÇÕES
A superinfecção indica o aparecimento de uma nova infecção, como resultado de terapia antimicrobiana;
As superinfecções são mais comuns quando as defesas do hospedeiro estão comprometidas: como se observa na terapia corticóide, nas leucemias e em outras neoplasias, especialmente quando tratadas com drogas antineoplásicas que são imunossupressoras e provocam decréscimo na contagem de leucócitos, na presença de AIDS/SIDA, agranulocitose, diabetes e lúpus eritematoso.
Escolha do antibiótico
É indicado um antibiótico?
Foi obtido material para exame laboratorial e cultura?
Quais são as bactérias mais prováveis no caso em questão?
Se houver diversos antibióticos disponíveis, qual o melhor?
A associação de antibióticos é adequada?
Quais são os importantes fatores referentes ao paciente?
Qual a melhor via de administração do antibiótico?
Qual a dose apropriada?
O tratamento inicial precisa ser modificado, após o conhecimento dos resultados da cultura?
Qual a duração do tratamento, e há possibilidade de aparecimento de
resistência durante tratamento prolongado?
Penicilinas
As penicilinas são obtidas de culturas dos fungos Penicillium notatum e P. chrysogenum.
A penicilina foi o primeiro antibiótico a ser usado clinicamente, em 1941.
Penicilinas são antibióticos betalactâmicos bactericidas por mecanismos desconhecidos, talvez pela ativação de enzimas autolíticas que destroem a parede celular bacteriana em alguns microrganismos.
Penicillium notatum
Uso da penicilina
Resistência
Alguns microrganismos produzem betalactamases, que inativam antibióticos betalactâmicos; esse efeito pode ser bloqueado pelo acréscimo de um inibidor de betalactamase.
No entanto, os inibidores tradicionais de betalactamases (p. ex., clavulanato, sulbactam, tazobactam) não inibem de modo confiável os seguintes:
Betalactamases AmpC, comumente produzidas por Enterobacter, Serratia, Citrobacter, Providencia e Morganella spp, ou por Pseudomonas aeruginosa
Betalactamases de amplo espectro (ESBLs) produzidas por alguns Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, e outras Enterobacterales (anteriormente Enterobacteriaceae)
Carbapenemases
Novos inibidores de betalactamase não-betalactâmicos como avibactam, relebactam e vaborbactam têm atividade contra AmpC, ESBLs, e até mesmo algumas carbapenemases como as carbapenemases contra Klebsiella pneumoniae (KPCs), que se tornaram cada vez mais comuns na espécie Klebsiella e em outras Enterobacterales. Entretanto, atualmente não existem inibidores de betalactamases ativos contra metalobetalactamases (MBLs), como os tipos NDM-1 (New Delhi, MBL-1), VIMs (MBLs codificadas por Verona integron) e IMP (imipeném), que possam inativar todos os antibióticos betalactâmicos, exceto o aztreonam. No entanto, muitas cepas que produzem MBLs também produzem outras betalactamases que podem hidrolisar o aztreonam.
Indicadas para combater diversos tipos de bactérias, a penicilina é comumente usada em casos de:
Infecção de garganta (faringite, amigdalite);
Ouvido (otite);
Sinusite;
Pneumonia.
Ácido clavulânico
O ácido clavulânico é um derivado betalactâmico, produzido pelo Streptomyces clavuligerus, de fraca atividade antibacteriana, mas possuidor de grande capacidade inibitória de muitas betalactamases bacterianas.
O sulbactam e o tazobactam são outros inibidores de betalactamase, também usados em associações com ampicilina e piperacilina.
Betalactamases são uma classe diferente das enzimas produzidas por bactérias que rompem o anel betalactâmico, inativando o antibiótico betalactâmico. Algumas betalactamases são codificadas nos elementos genéticos móveis (p. ex., plasmídeos); outras são codificadas nos cromossomos.
Cefalosporinas
As cefalosporinas representam, sem dúvida, um importante e rapidamente crescente grupo de antibióticos na medicina atual.
Provêm de um fungo, Cephalosporium acremonium, capaz de produzir vários antibióticos assemelhados às penicilinas;
Com a característica de serem resistentes à betalactamase, além de serem ativos contra germes Gram-positivos e Gram-negativos.
Basicamente, o espectro de ação das cefalosporinas de 1ª geração são gram-positivos (exceto entecoccos e estafiloco coagulase negativo) e poucos gram-negativos (como E. coli, Proteus spp e Klebsiela pneumoniae). dos gram-positivos o destaque com certeza é para o MSSA: Staphylococcus aureus meticilina sensível.
Por isso, seus usos são resumidos em:
Infecção de trato urinário inferior: principalmente em crianças e gestantes (principalmente a cefalexina)
Infecções de pele em tratamento ambulatorial (cefalexina) ou hospitalar (cefalotina)
Profilaxia de infecção de ferida cirúrgica (cefalotina ou cefazolina)
Cefalexina
A grande diferença da 2° geração, é uma cobertura maior contra cocos gram-negativos e cocos gram-positivos, como o pneumococo. Além disso cobrem H. influenzae e M. catarrhalis. Especificamente a cefotixina tem boa cobertura contra Bacteroides fragilis. E é claro, permanece a cobertura contra as enterobactérias. São representadas pela cefotixina, cefuroxime, cefprozil e cefaclor, este último já não é tão mais recomendado seu uso na prática.
Cefalosporinas de 3ª geração
Uma das classes mais utilizadas na prática médica. Seu poder de ação amplia para os gram negativos. Penetra barreira hemato-encefálica, por isso são usadas em meningites (exceto se por Listeria monocytogenes). Porém não tem ação contra germes atípicos. Fazem parte dessa classe: Ceftriaxone, Ceftazidme e Cefotaxima
Espectro de ação de usos
A grande diferença é que a Ceftadzime é a única com boa ação contra Pseudomonas. Seus usos são:
Pneumonia bacteriana em tratamento hospitalar
Tratamento empírico de meningite
Tratamento hospitalar de ITU complicada
Infecções intestinais (como peritonite bacteriana espontânea e abdome agudo inflamatório)
4° geração é Classe de amplo espectro,com ótima cobertura de gram-negativo e positivo, atuam bem contra estafilococo sensível a meticilina (MSSA) e boa ação contra Pseudomonas. Porém não tem boa cobertura contra enterococos. A principal droga é o Cefepime, porém também há o Cefpirome (que existe no Brasil)
Usos
Bom uso em pacientes hospitalizados (inclusive sépticos) contra ITU, meningite e pneumonia e é droga de escolha em Neutropenia Febril
Macrolídeos
São antibóticos principalmente bacteriostáticos; por ligarem-se à subunidade 50S do ribossomo, inibem a síntese proteica bacteriana.
Os macrolídeos são mal absorvidos por via oral. Fidaxomicina é minimamente absorvida e tem atividade apenas local no trato gastrintestinal. Os alimentos têm os seguintes efeitos sobre a absorção de macrolídeos:
Para liberação prolongada de claritromicina, maior absorção
Não afetam a absorção imediata de cápsulas ou suspensão de claritromicina
Diminuem a absorção das cápsulas de azitromicina e eritromicina (incluindo as preparações básicas e de estearato)
Para fidaxomicina, efeitos mínimos
Depois de absorvidos, os macrolídeos difundem-se bem nos líquidos do corpo, exceto no líquido cefalorraquidiano, e ficam concentrados em fagócitos. A excreção se dá principalmente pela bile.
Indicações para macrolídeo
Os macrolídeos foram considerados fármacos de escolha para tratamento de infecções causadas por estreptococos do grupo A e por infecções por pneumococos, quando a penicilina não puder ser usada. 
Entretanto, pneumococos com sensibilidade reduzida à penicilina são frequentemente resistentes aos macrolídeos, e a resistência aos macrolídeos entre S. pyogenes varia globalmente.
 Por sua atividade contra patógenos respiratórios atípicos, são, com frequência, usados empiricamente em infecções do trato respiratório inferior, embora outro fármaco seja habitualmente necessário para cobrir os pneumococos macrolídeo-resistentes. 
Os macrolídeos têm outros usos clínicos (ver tabela Alguns usos clínicos dos macrolídeos). Os macrolídeos não são usados para tratar meningite.
As principais preocupações com macrolídeos são: 
Distúrbios gastrintestinal (principalmente com a eritromicina)
Prolongamento do intervalo QT
Inibição do metabolismo hepático, provocando muitas interações com outros fármacos
AZITROMICINA
A azitromicina inibe a síntese proteica de micro-organismos sensíveis;
Largo espectro, que age contra bactérias Gram-positivas, algumas Gram- negativas, micoplasma e alguns espiroquetas;
A azitromicina é recomendada somente para uso em pacientes com mais de 16 anos de idade, uma vez que a segurança e a eficácia da droga em crianças ainda não foram estabelecidas.
SULFONAMIDAS (Sulfas)
Sulfonamidas são agentes quimioterápicos (compostos químicos sintéticos e semi-sintéticos ) eficazes, e representam o primeiro grupo de agentes utilizados para o tratamento de infecções bacterianas.
As sulfonamidas são antibióticos que atualmente têm seu uso isolado restrito, mas antigamente, antes da descoberta de outras drogas, era um grupo de antibióticos bastante usado pelo baixo custo e pela sua eficácia contra algumas infecções bacterianas, como o tracoma e as do trato urinário
Por outro lado, em 1970, quando foi introduzida a associação entre o sulfametoxazol e o trimetoprim (denominada Bactrim®) o interesse pela sulfonamidas foi renovado, já que proporciona uma combinação sinérgica eficaz contra várias infecções bacterianas.
SULFONAMIDAS SISTÊMICAS
De ação curta
De ação intermediária
De ação prolongada
SULFONAMIDAS DE APLICAÇÃO TÓPICA
Indicações:
Um amplo espectro de bactérias Gram-positivas, muitas Gram-negativas
Plasmodium e Toxoplasma spp
A sulfassalazina pode ser usada por via oral para tratar doenças inflamatórias do intestino.
Sulfonamidas são mais comumente usadas com outros fármacos (p. ex., para nocardiose, infecções do trato urinário e malária falcípara resistente à cloroquina).
Várias sulfonamidas estão disponíveis para uso tópico:
Queimaduras: sulfadiazina prata e acetato de mafenida
Vaginite: creme vaginal e supositórios com sulfanilamida
Infecções oculares superficiais: sulfacetamida oftálmica
Quinolonas
As quinolonas são drogas sintéticas que evoluíram ao longo do tempo e foi desenvolvida por um grupo de grandes antibióticos através de mudanças estruturais, contendo assim, quatro gerações. 
Criada por Lescher et al., (1962) a primeira quinolona foi utilizada como antimicrobiano no tratamento de infecções urinárias e gastroenterites, causadas por bactérias gram-negativas sensíveis e bactérias gram-positivas.
 As primeiras quinolonas descobertas (ciprofloxacino, norfloxacino, lemofloxacino, ofloxacino) são mais eficazes, de maior aspecto e propriedades farmacocinéticas, com menores efeitos adversos e menor indução de resistência bacteriana. 
Os mecanismos de ação das quinolonas agem por inibição do DNA girase, enzima essencial para sobrevivência de uma bactéria, a DNA girase torna a molécula de DNA compacta e biologicamente ativa. 
Assim ela passa a ocupar grande espaço no interior da bactéria determinando a morte da mesma.
Fluoroquinolonas
O desenvolvimento das fluoroquinolonas mais recentes representou importantes avanços terapêuticos, permitindo a obtenção de compostos de:
maior atividade antibacteriana,
espectro de ação mais amplo,
boa absorção gastrointestinal,
excelente distribuição tecidual e
menor incidência de efeitos colaterais.
As quinolonas inibem a síntese do 
DNA bacteriano, ocasionando a 
 morte da bactéria.
As fluoroquinolonas apresentam um átomo de flúor não observado nas quinolonas. Ambas formam o grupo de antibióticos mais tóxico atualmente em uso com mais de 40% dos usuários sofrendo de efeitos colaterais.
Aminoglicosídeos
Os aminoglicosídeos são drogas primariamente bactericidas por causarem alterações em proteínas sintetisadas pela bactéria, ao ligarem-se irreversivelmente aos ribossomas bacterianos. Podem também atuar de forma bacteriostática ao inibirem a síntese de proteínas. 
Aminoglicosídeos são antimicrobianos usados principalmente no tratamento de pacientes com infecções graves causadas por bactérias gram-negativas aeróbias. Em especial, Pseudomonas aeruginosa).
São ineficazes contra anaeróbios. 
Os principais representantes de uso corrente são gentamicina, amicacina, estreptomicina e tobramicina.
Se os aminoglicosídeos forem tomados durante a gravidez, é possível que haja efeitos prejudiciais para o feto (como perda de audição), mas, às vezes, os benefícios do tratamento podem superar os riscos. (Consulte também Uso de medicamentos durante a gravidez).
O uso de aminoglicosídeos durante a amamentação costuma ser considerado aceitável. 
INTERAÇÕES ANTIBIÓTICOS X NUTRIENTE 
ATBs e Relações com alimentos 
As tetraciclinas ou sulfonamidas, por exemplo, podem levar a quadros de hemorragia, uma vez que eliminam as bactérias que são responsáveis pela síntese da vitamina K e vitamina B12. 
Além da redução destas vitaminas, os antimicrobianos produzem um gosto metálico na boca, reduzindo o apetite. Este efeito pode inibir o comportamento alimentar do paciente, agravando quadros de desnutrição associados, ou reduzindo o aporte de nutrientes necessários à manutenção da imunidade.
ATBs e Relações com alimentos 
Em alguns casos, como o da azitromicina, formas farmacêuticas diferentes podem apresentar comportamentos distintos em relação à alimentação. 
Este antibacteriano quando administrado como cápsula concomitantemente com alimentos, apresenta uma menor biodisponibilidade que o seu equivalente em comprimidos. Isto se deve, principalmente, à degradação da azitromicina, que permanece mais tempo em contato com o pH ácido do estômago
Ciprofloxacino: menor biodisponibilidade quando administrado 
juntamente com leite. Efeito atribuído à complexação com
 íons como o cálcio
(CURATOLO et al., 2010).
Revisão ATB e Microbiota 
“Um estudo documentou que voluntários saudáveis ​​tratados por 1 semana ou menos com antibióticos relataram efeitos em sua flora bacterianaque persistiram de seis meses a dois anos após o tratamento, incluindo uma perda dramática na diversidade”
ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4885777/ 
ATB e Microbiota 
Uso de probióticos : microrganismos vivos que são benéficos para o sistema digestivo.
Onde encontrar?: iogurte, kefir, kombuchá, chucrute...
Misturar antibióticos com álcool: qual é o risco?
Para a maioria dos pacientes e para a maioria das classes de antibióticos, não há nenhum problema em ingerir bebidas alcoólicas de forma moderada durante o curso dos antibióticos.
Misturar antibióticos com álcool: qual é o risco?
O álcool é uma substância muito irritante para a mucosa gastrointestinal, e como alguns antibióticos como a amoxicilina, nitrofurantoína e azitromicina, levam frequentemente a quadros de náuseas, vômitos, dor abdominal ou diarreia, a mistura de doses elevadas de álcool com antibióticos é desaconselhada por potencializar esses efeitos adversos.
Misturar antibióticos com álcool: qual é o risco?
Metronidazol.
Tinidazol.
Ceftriaxona.
Cefotetan.
Cefoperazona.
Cefamandol.
Cefmetazol.
Cetoconazol.
Griseofulvina.
Voriconazol.
Didanosina.
Linezolida.
Isoniazida.
Etambutol.
Rifampicina.
Pirazinamida.
Eritromicina.
Doxiciclina.
Os antibióticos que NÃO podem de forma alguma ser misturados com álcool são:
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