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Saúde da mulher Atuação do fisioterapeuta na saúde da mulher A fisioterapia em saúde da mulher é uma especialidade reconhecida pelo COFFITO que acompanha a mulher em todas as fase da vida, com foco na prevenção, tratamento e promoção da saúde. No ciclo gravídico-puerperal, o fisioterapeuta atua de forma essencial, visto que o corpo da gestante passa por inúmeras mudanças fisiológicas, posturais e musculoesqueléticas que podem gerar desconfortos e disfunções. Atuação do fisioterapeuta no período pré-natal No pré-natal, o fisioterapeuta acompanha a gestante desde o início da gravidez até o momento do parto. Nesse período, a mulher passa por mudanças hormonais e biomecânicas que podem causar dores lombares, fadiga, inchaço, alterações posturais e desconfortos na pelve. A fisioterapia realiza avaliação completa com entrevista, exame físico, análise da dor, postura, respiração e mobilidade. A partir disso, orienta sobre atividades do dia a dia, como forma correta de dormir, levantar, sentar e realizar tarefas domésticas, evitando sobrecarga. Além disso, o fisioterapeuta trabalha fortalecimento muscular, consciência corporal, exercícios respiratórios e prevenção de disfunções do assoalho pélvico, preparando a gestante para um parto mais tranquilo. Alterações decorrentes da gestação A gestação provoca alterações no centro de gravidade, maior lordose lombar, aumento das mamas e do útero, frouxidão ligamentar e mudança no padrão de marcha. Esses fatores podem gerar dores lombares e cervicais, instabilidade articular, formigamentos e sobrecarga muscular. A avaliação fisioterapêutica identifica onde está a dor, o que desencadeia o desconforto e se existe irradiação. Também são analisadas diástase abdominal, edema, alterações venosas e dificuldades respiratórias. Para reduzir essas queixas, a fisioterapia utiliza exercícios de fortalecimento, correção de padrões de movimento, massagem, alongamentos, uso de meias, orientações posturais e adaptações ergonômicas para reduzir o impacto das mudanças fisiológicas. Sono, despertar, atividades domésticas, calçar sapatos e viagens O fisioterapeuta orienta a gestante sobre a melhor forma de dormir, preferencialmente em decúbito lateral esquerdo, utilizando travesseiros para apoio do abdômen, cabeça e pernas. Ao acordar, ela deve evitar levantar de forma brusca e utilizar a técnica de virar para o lado antes de sentar. Nas atividades domésticas, a gestante deve manter colunas neutras, flexionar joelhos para pegar objetos, evitar elevar braços acima de 90°, alternar posturas e reduzir movimentos repetitivos. Para calçar sapatos, deve sempre sentar-se e evitar calçados instáveis. Em viagens, recomenda-se o uso correto do cinto de segurança abaixo do abdômen, pausas frequentes e postura adequada ao dirigir. Preparação dos músculos do assoalho pélvico Durante a gestação, os músculos do assoalho pélvico sofrem grande estiramento e precisam estar preparados para o parto. O fisioterapeuta ensina exercícios de contração e relaxamento dessa musculatura para melhorar força, coordenação e elasticidade. Também orienta sobre prevenção de traumas perineais e sobre a massagem perineal, recomendada a partir da 35ª semana. A técnica, realizada pela gestante ou acompanhante, ajuda a reduzir risco de episiotomia e diminui a dor perineal no pós-parto. O objetivo é preservar a função urinária, sexual e pélvica, além de facilitar o período expulsivo do parto. Exercícios físicos para gestantes Os exercícios têm papel fundamental na gestação. Eles evitam dores, melhoram circulação, reduzem edema, fortalecem músculos importantes para o parto e ajudam a manter a postura adequada. O fisioterapeuta orienta exercícios seguros, evitando posições de risco como longos períodos em decúbito dorsal. Durante as sessões, são trabalhados músculos abdominais profundos, assoalho pélvico, dorsais, extensores de quadril e joelhos, além de exercícios para respiração diafragmática e preparo corporal para posições como cócoras. Os exercícios ajudam na redução do tempo de trabalho de parto, na evolução da dilatação e no relaxamento, contribuindo para um parto mais eficiente e com menor tensão muscular. Pré-parto No pré-parto, o fisioterapeuta desempenha papel fundamental no alívio da dor e no conforto da gestante. Técnicas não farmacológicas como massagem lombossacra, respiração controlada, mobilidade pélvica, imersão em água quente, termoterapia e liberdade de movimento são utilizadas para reduzir a intensidade das contrações e facilitar a evolução do trabalho de parto. Essas intervenções promovem relaxamento, diminuem ansiedade e ajudam a gestante a lidar melhor com a dor. O fisioterapeuta também orienta o acompanhante para auxiliar com massagens e posições de conforto. Atuação da fisioterapia no pós-parto Após o parto, o corpo da mulher ainda está em fase de recuperação, podendo apresentar fraqueza abdominal, diástase, dor lombar, alterações posturais e fraqueza do assoalho pélvico. A fisioterapia no pós-parto busca restaurar funções musculares, recuperar alinhamento corporal, reduzir dores e orientar ergonomicamente atividades como amamentação e cuidados com o bebê. Exercícios de mobilidade, alongamento, ativação do core, fortalecimento global e técnicas de respiração ajudam na recuperação funcional e no retorno às atividades diárias. Pós-parto O pós-parto, ou puerpério, dura aproximadamente seis semanas e envolve grandes mudanças físicas, hormonais e emocionais. A mulher pode apresentar instabilidade emocional, fadiga, dores musculares e dificuldades funcionais. A fisioterapia avalia o estado geral da mulher, orienta sobre autocuidado, amamentação, postura e recuperação muscular. O acompanhamento adequado reduz risco de complicações, melhora o bem-estar físico e emocional e promove uma reintegração saudável às atividades de vida diária. Fraqueza abdominal e diástase A gestação pode causar enfraquecimento dos músculos abdominais e separação dos retos abdominais, chamada diástase. Isso prejudica estabilidade, postura e força, podendo causar dor lombar e dificuldade para realizar movimentos básicos. O fisioterapeuta trata a diástase com exercícios de ativação do transverso do abdômen, correção postural, exercícios respiratórios, fortalecimento progressivo e técnicas específicas para reduzir pressão intra-abdominal, como os hipopressivos. Essa abordagem diminui o afastamento abdominal e melhora o controle do core. Incontinência urinária A incontinência urinária é comum no pós-parto devido ao enfraquecimento do assoalho pélvico, especialmente após partos vaginais. Ela acontece ao tossir, rir, pular ou levantar peso. A fisioterapia é o tratamento de primeira linha e utiliza treinamento dos músculos do assoalho pélvico, exercícios de coordenação, técnicas de consciência corporal e ajustes de hábitos miccionais. Com o fortalecimento adequado, a mulher recupera o controle urinário e melhora sua qualidade de vida. Alterações posturais e dores musculoesqueléticas no pós-parto O pós-parto exige muito da mulher, principalmente ao carregar, amamentar e cuidar do bebê. Essas atividades geram sobrecarga cervical, lombar, nos ombros e nos punhos. A postura alterada da gestação também pode persistir. A fisioterapia corrige essas alterações com fortalecimento do core, ajustes posturais, mobilizações articulares, alongamentos e orientações ergonômicas, reduzindo dores e prevenindo lesões. Recursos preventivos da fisioterapia no pós-parto Para prevenir complicações futuras, a fisioterapia utiliza exercícios de Kegel para fortalecer o assoalho pélvico, exercícios hipopressivos para recuperação abdominal e respiração adequada. Também orienta ergonomia nas tarefas com o bebê, técnicas de relaxamento e fortalecimento global. Esses recursos ajudam a manter a estabilidade corporal, prevenir dores, evitar prolapsos e melhorar a qualidade de vida da mulher. Pesquisa Uma pesquisa realizada mostrou que a maioria das gestantes relatou dor lombar, inchaço, fadiga e dificuldade para dormir durante a gestação.No pós-parto, fraqueza abdominal, diástase e incontinência urinária foram as queixas mais comuns. Muitas mulheres desconheciam o papel preventivo da fisioterapia tanto no pré quanto no pós-parto, destacando a importância de ampliar informações e acesso à área. Conclusão A fisioterapia em Saúde da Mulher é essencial para prevenir, tratar e orientar mulheres durante a gestação e o pós-parto. A atuação do fisioterapeuta melhora a funcionalidade, reduz dores, promove conforto, prepara para o parto e auxilia na recuperação pós-parto. No entanto, ainda há pouco acesso e reconhecimento dessa especialidade, reforçando a importância de valorizá-la e integrá-la aos serviços de saúde, especialmente na atenção primária.