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MINHAS METAS
A PSICOLOGIA E SEUS 
PRECEDENTES HISTÓRICOS
Compreender o caminho percorrido pela psicologia para tornar-se ciência.
Conhecer os teóricos da construção do conhecimento da psicologia.
Compreender conhecimento senso comum x conhecimento científico.
Conhecer as possibilidades de atuação do profissional de psicologia.
Compreender como a psicologia contribui com outras áreas de saúde.
Entender a relação entre psicologia, história e filosofia.
Entender a aplicação do conhecimento científico na psicologia. 
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A PSICOLOGIA E SEUS PRECEDENTES HISTÓRICOS
O Zeitgeist dos séculos XVII ao XIX constituiu a base que nutriu a nova psicologia. 
O espírito do mecanicismo, que enxerga o universo como uma grande máquina, 
foi o fundamento filosófico do século XVII, ou seja, a sua força contextual básica. 
Essa doutrina afirmava serem os processos naturais mecânicos e passíveis de 
explicação por meio das leis da física e da química. Nesse período, os métodos 
e descobertas da ciência avançavam a passos largos com a tecnologia, e a 
combinação entre eles foi perfeita. A observação e a experimentação tornaram-
se os diferenciais da ciência, seguidos de perto pela medição. Os especialistas 
tentavam medir e descrever os fenômenos, atribuindo-lhes um valor numérico, 
processo vital para o estudo do funcionamento do universo como uma máquina. 
Os termômetros, os barômetros, as réguas de cálculo, os micrômetros, os relógios 
de pêndulo e outros dispositivos de medição eram aperfeiçoados e reforçaram 
a ideia da possibilidade de se medir qualquer aspecto do universo natural. Até 
mesmo o tempo, considerado impossível de ser reduzido a unidades menores, 
já podia ser medido com precisão (Schultz; Schultz, 2006).
Esses foram os primeiros passos para os experimentos que, mais tarde, tor-
naram as teorias psicológicas passíveis de verificação, adquirindo o status de 
VAMOS RECORDAR?
Durante a trajetória acadêmica, será visto que os Filósofos como Platão, Aristóteles e 
Sócrates contribuíram com os estudos de uma maneira geral. Conforme citado por 
Bock, Furtado e Teixeira (2008), Sócrates preocupou-se com o limite que separava 
o homem dos animais e concluiu que a essência do ser humano é a razão, abrindo 
caminho para os estudos da consciência. As grandes descobertas que mudaram a 
história da humanidade e impulsionaram não só a ciência psicológica, mas a ciência 
de uma forma geral, são as chamadas feridas narcísicas. A primeira descoberta 
revolucionária veio com Copérnico, postulando que a Terra não é o centro do universo.
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ciência. Antes de entendermos como a Psicologia se desenvolveu como ciência 
e permitiu o desenvolvimento de outros estudos, precisamos conhecer os fun-
damentos históricos que a elevaram ao status científico. De acordo com Bock, 
Furtado e Teixeira (2008), a preocupação com a alma e a razão humanas já existia 
entre os gregos antes da era cristã.
O termo Psicologia vem do grego psyché, que significa alma ou atividade 
mental e logo que significa estudo. Ou seja, “estudo da alma”. Outro grande pas-
so para a ciência, de uma maneira geral, veio com a descoberta de Copérnico, 
mostrando que a Terra não é o centro do universo. Segundo Bock, Furtado e 
Teixeira (2008), o avanço na produção de conhecimento, a partir das descobertas 
e produções dos pensadores aqui citados, propiciou o início da sistematização 
do conhecimento científico, ou seja, foi a partir desse momento que começaram 
a se estabelecer métodos e regras básicas para a construção do conhecimento 
científico, diferenciando-o do senso comum.
Aspectos históricos e revolucionamento 
histórico da humanidade
História é uma palavra que tem diferentes sentidos. Se pararmos para pensar, 
encontramos ao menos dois sentidos do que é História. Primeiro, podemos ima-
ginar uma história que se conta para alguém, um livro, um filme ou até uma 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
mentira mesmo. Mas o sentido da História que aprenderemos aqui é a História 
como uma ciência. Uma ciência que estuda as ações da humanidade no tempo. 
Em português, até temos a palavra “estória” para diferenciar de “história”, 
mas seu uso acabou se tornando opcional. No inglês, por exemplo, ainda há a 
diferença entre story e history. 
A História busca fontes de dados confiáveis para contextualizar o ocorrido 
dentro do seu contexto vigente. Os pesquisadores de História recorrem com 
frequência a documentos, arquivos, artefatos antigos, registros ou inscrições que 
possam demonstrar uma época na sua forma mais “direta” possível. Isso porque 
existem alguns problemas que podem acontecer quando não são estabelecidos 
critérios para escolher e analisar essas afirmações (Borges, 1996). 
Um relato pessoal, por exemplo, não pode ser tomado como pura verdade. Ele 
pode ser tendencioso, equivocado, exagerado ou até mentiroso. Para que ele seja 
aceito, é preciso descartar ou minimizar essas possibilidades, buscando entender os 
motivos pelos quais aqueles documentos foram preservados enquanto outros podem 
ter sido destruídos. Você já ouviu falar que a História é contada pelos vencedores? Pois 
é, eles escolhem o que vão contar, esconder ou distorcer (Mancebo, 2004). 
“Desde que nascemos, estamos aprendendo coisas novas. Coisas que não fomos 
nós que criamos: o uso de roupas, o tipo de comida, o formato e funcionamento 
das cidades, a língua que falamos, a forma de nos relacionarmos com as pessoas 
etc. Tudo isso é assimilado por cada um de nós. 
À medida que usamos roupas do “nosso estilo”, preferimos essa ou aquela comida, 
moramos e vivemos, falamos aquilo que só nós pensamos e sentimos e convive-
mos com as pessoas nas cidades; ao mesmo tempo em que repetimos uma parte 
da História, criamos também a História enquanto a construímos. Até que ponto 
está fazendo na nossa vida tudo como sempre foi e a partir de quando estamos 
realmente criando algo novo? Ninguém pode ser totalmente automático e nem 
totalmente original."
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
PENSANDO JUNTOS
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Não podemos falar de ciência sem mencionar também as três feridas narcísicas da 
história da humanidade. Por falar nisso, você sabe o que são feridas narcísicas? As 
feridas narcísicas da história da humanidade referem-se a três grandes descobertas 
que revolucionaram a forma como o homem se relaciona com o mundo em que 
vivia, bem como o seu entendimento sobre o funcionamento da mente. O conceito 
de narcisismo diz respeito à apreciação que o homem faz de sua própria imagem, 
e são chamadas de feridas narcísicas justamente pela ruptura que provocaram no 
conhecimento que o ser humano tinha acerca de si mesmo e do mundo.
A primeira delas ocorreu com Nicolau Copérnico (1473-1543), que, por meio 
de observações e cálculos matemáticos, comprovou que a Terra não é o centro 
do universo. Imagine isso acontecendo em uma época em que o cristianismo e 
a Igreja Católica detinham o poder e tudo o que era produzido por ela era lei, 
como a tese de que Deus colocou a Terra no centro do universo.
 “ Segundo Copérnico, o Sol passava a ocupar o centro do universo, 
enquanto a Terra e os demais planetas giravam ao seu redor. Copér-
nico, no entanto, manteve, ainda sob influência do antigo modelo 
cosmológico, a ideia de um universo finito, fechado por esferas, onde 
os planetas descreviam órbitas circulares perfeitas. Sua teoria helio-
cêntrica ainda estava fundamentada em critérios de valor. Segundo 
seu ponto de vista, parecia ser irracional mover um corpo tão grande 
como o Sol, em vez de outro tão pequeno como a Terra. Além disso, 
Copérnico atribuía ao Sol, fonte de luz e de vida, uma condição su-
perior em nobreza. Portanto, ele seria mais merecedor do estado de 
repouso, sinônimo de estabilidade, do que a Terra, que assim perma-
neceria em constante movimento (Porto; Porto, 2008, p. 4).
A segunda descoberta, que colocou aindano campo da consciência, mas sim constituído por conteúdos reprimi-
dos que não acessam o pré-consciente/consciente, por meio de barreiras internas. 
Tais conteúdos podem ter sido conscientes, mas terem sido reprimidos, ou seja, 
foram para o inconsciente ou são inconscientes. No inconsciente não existem 
passado e presente, caracteriza-se por ser atemporal. 
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O pré-consciente, como mencionado, é o sistema que armazena os conteú-
dos acessíveis à consciência. Não está na consciência no momento, mas poste-
riormente pode estar, enquanto o consciente é o aparelho psíquico que recebe 
informações do mundo interno e externo, destacando-se a percepção (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2001). 
A psicanálise atribui importância a aspectos da sexualidade infantil para com-
preender a constituição psíquica de um sujeito e sua doença, compreendendo 
como sexualidade a energia psíquica (libido) envolvida nas fases do desenvol-
vimento físico e cognitivo da criança, e não necessariamente aspectos genitais, 
que se projetam em fixação por objetos que tendem a satisfazer suas necessidades 
libidinais e, conforme esse movimento acontece em suas particularidades em 
cada sujeito, vai se formando a estrutura psicológica (Aires, 2017).
Importantes descobertas no campo da sexualidade foram realizadas, sendo 
elas, a existência da função sexual desde o primeiro ano de vida e não apenas na 
puberdade; o período do desenvolvimento da sexualidade é extenso e complexo, 
a função de obtenção de prazer e reprodução podem estar associadas (Bock; Fur-
tado; Teixeira, 2001). Entre os anos de 1920 e 1923, Freud reformula a teoria do 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
aparelho psíquico e introduz os conceitos de Id, Ego e Superego, referindo-se 
aos três sistemas da personalidade (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
Por fim, vamos entender um pouco mais sobre esses conceitos: O id consti-
tui o reservatório de energia psíquica, regido pelo princípio do prazer. O ego se 
caracteriza por estabelecer o equilíbrio entre as exigências do id, as exigências 
da realidade e as “ordens” do superego, é regido pelo princípio da realidade, 
altera o princípio do prazer para buscar a satisfação, levando em consideração 
as condições da realidade. Suas funções são: memória, percepção, sentimento e 
pensamento. Já o superego internaliza as proibições, limites, a moral, está ligado 
com as exigências sociais e culturais (Bock; Furtado; Teixeira, 2001).
Continuando viajando pela história da psicologia e suas nuances, vamos co-
nhecer agora Frederick Perls, o pai da Gestalt-terapia, nascido em 1893, Ber-
lim. Médico formado, podemos dizer que sua proposta psicoterapêutica surgiu 
de algumas influências, como a Psicanálise de Freud, da filosofia existencial, da 
teoria organísmica, entre outras influências. Alguns autores ressaltam que Perls 
na verdade foi um grande crítico da Psicanálise, visto que o surgimento da Ges-
talt-terapia como uma proposta diferenciada esteja ligada à origem de críticas 
Psicanalíticas (Moreira, 2009). 
Ainda discutindo sobre a história e origem da Gestalt-terapia, chegamos a 
alguns fundamentos de influências vindos da abordagem comportamental além 
da Psicanálise, a abordagem surgiu do “desencontro” de ideias entre Freud e Perls 
em relação a alguns temas da Psicanálise, por isso as críticas. Com isso, enten-
demos que a origem da Gestalt-terapia vindo de Perls e seus precursores, advém 
de influências filosóficas, teóricas, epistemológicas e circunstâncias históricas 
(Cardoso, 1999). Partindo do ponto que conhecemos o pai da Gestalt-terapia e 
algumas de suas influências e pressupostos, vamos entender agora o que é a Ges-
talt-terapia, o que essa abordagem dentro da psicologia quer nos dizer? Podemos 
começar pelo ano de 1951:
 “ O marco do surgimento da Gestalt-terapia, com a publicação de Ges-
talt-therapy: excitement and growth in the human personality, escrito 
por Frederick Perls, Paul Goodman e Ralph Hefferline. O livro foi 
escrito através de anotações que Perls trouxera da África e também 
dos debates ocorridos no chamado Grupo dos Sete, composto por 
Isadore From, Paul Goodman, Paul Weisz, Sylvester Eastman, Elliot 
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Shapiro, Laura Perls e Fritz Perls. Traduzindo o subtítulo do livro: 
“Excitação e crescimento da personalidade humana”, mostrando as-
sim que a Gestalt-terapia não se preocupava apenas com a “cura”, e 
sim com o desenvolvimento do ser humano e com seu crescimento, 
incluídas aí suas potencialidades (Frazão; Fukumitsu, 2013, p. 60).
Segundo Frazão (2013), a psicologia da Gestalt surge no início do século 20, 
sendo seus principais expoentes Wehtheimer, Kohler e Koffka, ao afirmarem 
que percebem totalidades que são diferentes das somas das partes, esses autores 
revolucionaram as teorias a respeito da maneira como as coisas são percebidas e 
vistas. Sendo assim, tal abordagem filosófica identifica-se por assegurar o sentido 
dado ao fenômeno, mostrando que o mundo é o fenômeno, o que se mostra, 
embora precise ser desvelado. 
A Gestalt-terapia afirma que a pessoa deve ser vista como um todo, ou seja, 
seu comportamento só se torna compreensível a partir de sua visão dentro de 
um determinado campo com o qual ela se encontra e se relaciona assim objetos 
e pessoas apenas são compreendidos quando são vistos na sua relação total com 
o ambiente que os cerca e que compartilham experiências. O comportamento 
então deixa de ser entendido apenas como resultado da realidade interna da 
pessoa e passa a ser analisado em função do campo que existe no momento em 
que ocorre (Ribeiro, 1985). 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Entendendo um pouco sobre alguns conceitos da Gestalt-terapia, começando 
pela awareness, a qual pode ser definida como ‘presentificação’, ‘tornar-se pre-
sente’, ‘concentração’, ‘conscientização’.
Pode ser considerada, portanto, uma forma de experiência, isso significa a 
necessidade de ocupar-se do óbvio e descrever a situação tal qual se oferece a 
cada momento (Cardella, 2017). Para Yontef (1998), awareness é uma forma de 
experiência que pode ser definida aproximadamente como estar em contato com 
a própria existência, com aquilo que é. Segundo Loffredo (2017, p. 65):
 “ Awareness pode ser considerada, portanto, uma forma de experiên-
cia, aliada à compreensão do ‘como’ dessa experiência. Isso significa 
ser necessário ocupar-se do óbvio, do dado, e descrever a situação 
tal qual se oferece a cada momento. Esta estratégia visa permitir que 
os significados inerentes a esse vivido aqui-e-agora emerjam a par-
tir de sua focalização que se espera possa promover associações não 
esperadas com outros conteúdos. Os significados emergem a partir 
desses significantes, tomando esse termo num sentido amplo, desde 
que pode incluir um significante corporal, como um gesto ou postura.
Com relação ao processo de psicoterapia, a Gestalt-terapia, para Yontef (1998), 
facilita o crescimento em vez de completar um processo de cura, assim uma psi-
coterapia bem-sucedida e de sucesso, consegue a integração e identificação com 
todas as funções vitais, permitindo a pessoa ser inteira. Yontef (1998) enfatiza a 
relação Eu-Tu, onde a Gestalt-terapia coloca o foco no paciente, o relacionamento 
é horizontal, ressaltando a experiência direta do paciente e a observação do que 
não está na awareness (pensamentos que vem à tona) do paciente. O autor segue 
explicando outro conceito importante, o Aqui-e-agora, que segundo ele, “agora”, 
começa com a awareness presente no paciente, o que acontece antes não é infân-
cia, mas o que é experiência agora, ou seja, eventos anteriores pode ser objeto 
de awareness presente, sendo que o presente é uma movimentação permanente 
entre o passado e futuro.
 Perls (1997) afirma que o centro temporal de nós mesmos, como eventos 
espaço-tempo humanos conscientes, é o presente, não havendo outra realidade 
senão ele. Nesse sentido o autor salienta que não é possível viver no aqui-agora, 
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já que ao estar no presente ele passa aser passado, entretanto, nada existe, exceto, 
o aqui-agora (Frazão; Fukumitsu, 2014). 
Segundo Yontef (1998), o objetivo da Gestalt-terapia é a awareness, esta pode 
ser tanto conteúdo, quando paciente traz seus hábitos automatizados, quanto 
processo, quando progride para níveis mais profundos com o avanço da tera-
pia. A questão para Gestalt-terapia é como o paciente se mantém estruturado 
enquanto está solucionando problemas, pois a mesma facilita a solução de pro-
blemas com o incremento da auto-regulação e do auto-suporte. Para que assim, 
segundo o autor, no final de uma terapia bem-sucedida, o paciente se direciona 
e é capaz de integrar a solução de problemas, bem como os meios para regular 
sua própria awareness. 
A psicoterapia em Gestalt é um encontro na totalidade, onde se separa a aparência 
do fenômeno e busca ir à essência das coisas. O terapeuta deve estar atento para 
todas as possibilidades da realidade que possam revelar as intencionalidades 
internas do ser, na busca do todo (Ribeiro, 1985). 
Sendo assim, Gestalt-terapia possui vários estilos e modalidades de intervenções, 
podendo ser executado em terapia individual, grupos, em workshops, com casais, 
famílias, agências de serviços familiares, hospitais, clínicas particulares, entre 
outros. Os estilos em cada modalidade variam totalmente em várias dimensões 
como grau e tipo de estrutura, quantidade e qualidade de técnicas usadas, fre-
quência das sessões, cognição, sentimentos, contato interpessoal, conhecimento, 
entre outros (Yontef, 1998).
Seguindo nossos pensamentos sobre a psicologia e suas abordagens, vamos 
conversar sobre o existencialismo, o qual está presente na abordagem que aca-
bamos de discorrer acima. Existencialismo surgiu no contexto no século 19, 
marcado pelo avanço tecnológico e pelo progresso da ciência, ele se desenvolve 
especialmente na Europa Ocidental, por meio de reflexões sobre o homem e seu 
modo próprio de ser no mundo. Nesse sentido, o existencialismo pode ser enten-
dido como um conjunto de doutrinas filosóficas cujo tema central é a existência 
humana em sua concepção individual e particular, com objetivo de compreender 
o homem como um ser concreto nas suas circunstâncias e no seu viver, conforme 
sua realidade (Frazão; Fukumitsu, 2013).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Os existencialistas têm a necessidade de compreender a existência humana, o 
homem na sua relação com o mundo, no seu modo de viver, individual, a par-
tir de sua singularidade, do seu manifestar-se subjetivo e enquanto ser livre e 
responsável para construir sua própria história (Ribeiro, 1985; Cardoso, 2013). 
“Na perspectiva existencial, o homem é concebido como um ser livre e res-
ponsável por construir a própria existência”, tal concepção foi citada por Sartre 
(2014, p.25) quando afirma que “a existência precede a essência”, ou seja, o homem 
surge no mundo como um ser particular, sem a possibilidade de definição prévia, 
sendo assim, somente depois poderá vir a ser, portanto o “homem é entendido 
como um ser livre para escolher sua essência a cada instante, podendo consumar 
seu projeto de vida e de ser no mundo” (Frazão; Fukumitsu, 2013, p 45). 
Um ponto importante da doutrina existencialista e uma preocupação cons-
tante da Gestalt-terapia é que o homem nasce “nada”, portanto ele nunca é, mas 
sim, sempre “está sendo”, ele se indaga sobre sua existência na busca permanente 
do concreto, do real e da realidade, ele segue se construindo e tornando-se resul-
tado daquilo que escolheu para si, portanto é fato dizer que estamos em constante 
construção e desenvolvimento (Ribeiro, 1985; Cardoso, 2013). 
Portanto, o homem só pode ser compreendido com base em seu modo de 
existir no aqui e agora, juntamente com a sua forma de ser e de estar no mun-
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do, com isso de acordo com o pensamento existencial a Gestalt-terapia entende 
que o homem é o melhor intérprete de si mesmo, de sua individualidade, sendo 
possível mediante sua personificação (awareness), ou seja, no modo como seu 
passado e seu futuro são experiências no aqui e agora (Frazão; Fukumitsu, 2013).
 “ Nesse sentido, a Gestalt-terapia é uma abordagem existencial por 
ser uma proposta de reflexão sobre a existência humana, buscando 
auxiliar a pessoa a ampliar sua consciência de si no mundo (ou 
seja, awareness) a fim de capacitá-la a fazer escolhas autênticas e 
responsáveis e a organizar sua vida de maneira significativa para si 
(Frazão; Fukumitsu, 2013, p 67).
Na década de 1960, surgiu, na psicologia americana, segundo Frazão e Fukumitsu 
(2013, 89), o movimento chamado de “terceira força em psicologia” (Primeira 
grande força da Psicologia foi o Behaviorismo, segunda grande força a Psicanálise 
e a terceira grande força a Psicologia Humanista Existencial). Essa terceira força 
surgiu como reflexo do descontentamento que predominava contra os aspectos 
mecanicistas e materialistas da cultura ocidental. Tal movimento visava huma-
nizar a atividade psicológica sem se limitar a ser apenas mais uma visão da teoria 
de outras abordagens. 
Sendo assim, a psicologia humanista nasce da necessidade de ampliar a visão 
de homem, que se achava limitada e restrita a apenas alguns aspectos e elementos, 
segundo as perspectivas behavioristas e psicanalíticas (Holanda, 1998). “Quando 
se abria mão dos aspectos positivos do ser humano, focando apenas o lado obs-
curo da personalidade, a psicologia ignorava forças e potencialidades da pessoa, 
que os humanistas se empenharam em recuperar, em conceitos como tendência 
a autorregulação” (Frazão; Fukumitsu, 2013, p. 159). 
O humanismo pode ser considerado qualquer doutrina ou teoria que te-
nha como objetivo a pessoa humana e o seu desenvolvimento, hoje não há uma 
psicologia que não seja humanista, o humanismo designa uma concepção de 
mundo e da existência, que tem o homem como centro, o homem como valor 
positivo maior, como um ser de potencialidades, capaz de se autogerir, de evoluir 
a partir de dentro, conscientizando-se, portanto, só o homem existe e as coisas 
são (Ribeiro, 1985; Ginger; Ginger, 1995).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Maslow é considerado o pai da psicologia humanista, ele acreditava que todos 
os indivíduos tinham uma força inata que os conduzia à autorregulação (Frazão; 
Fukumitsu, 2013). 
Sobre as diversas psicologias e suas abordagens e ramificações, chegamos 
à conclusão de que, independente da abordagem escolhida no atendimento ao 
paciente, o resultado e o desenvolvimento acontecem, existem outras questões 
envolvidas como, por exemplo, o vínculo terapêutico. Importante entendermos 
que todas as abordagens acima funcionam e é ciência, então é necessário que o 
profissional escolha de acordo com sua visão de homem e mundo, para que assim 
consiga seguir seus estudos dentro de uma linha teórica e proporcionar ao seu 
paciente uma melhor qualidade de vida.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gosta-
ríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita-
mos que essa aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento 
sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
Chegando quase ao fim deste tema de aprendizagem, nos deparamos com alguns 
questionamentos feitos no início, os quais nos fazem refletir acerca do quanto a 
psicologia é importante em nossos contextos de vida e profissional, nos fazendo 
perceber e entender o ser humano como um todo e não apenas como um paciente 
que busca uma consulta com um profissional. 
É possível refletir e entender como você pode potencializar o desenvolvimento 
do seu paciente a partir do momento que você o percebe como um ser humano 
que tem pensamentos, crenças, culturas e sentimentos individuais. Com isso, você 
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exercerá sua profissão com excelência visando compreender a subjetividade de 
cada paciente atendido, oferecendo a eles estratégias individuais e personalizadasde acordo com os aspectos avaliados por você, como por exemplo, realidade do 
paciente, rotina, crenças diante do comportamento alimentar, entre outras.
Por fim, estudante, chegou o momento de colocarmos em prática todo conhe-
cimento aprendido nesta unidade, para que você consiga fazer uma relação da 
teoria com a prática profissional de uma forma ampla, a seguir teremos algumas 
questões norteadoras como forma de retenção do conhecimento. Agora chegou a 
sua vez de colocar em prática o aprendizado absorvido durante o tema de apren-
dizagem, seus pensamentos e reflexões acerca de todo conteúdo. Como sugestão, 
oriento a você, que construa um mapa mental, contendo palavras-chaves dos 
principais conceitos que estudamos, essa atividade irá proporcionar a você um 
aprendizado mais consolidado e ainda te auxiliar na fixação do conteúdo.
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MINHAS METAS
ASPECTOS BIOPSICOSSOCIAIS DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Conhecer e compreender a evolução do desenvolvimento humano.
Compreender como cada indivíduo adquire conhecimento.
Compreender a respeito dos fatores biopsicossociais.
Conhecer os descritos nas dimensões: biológica, cognitiva, social e emocional.
Compreender as origens do desenvolvimento humano.
Entender as novas experiências em cada fase da vida.
Compreender os fatores pertinentes em cada fase do processo da vida.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Iniciaremos com a contextualização do desenvolvimento humano, para com-
preendermos todos os principais aspectos e fatores que estão envolvidos. Ao 
longo da vida, o ser humano passa, gradualmente, por constantes mutações e 
transformações no decorrer do seu desenvolvimento, em fases denominadas 
como infância, adolescência, idade adulta e maturidade. Todos os indivíduos 
obterão conhecimento em todas essas fases, as quais irão se transformar, como 
forma de herança, ao longo de toda a sua trajetória de vida (Coelho, 2015). 
Podemos observar que o campo do desenvolvimento humano se constitui do 
estudo científico de como as pessoas mudam, evoluem e se desenvolvem, além 
das características que permanecem, razoavelmente, estáveis durante todo o per-
curso de sua vida. É evidente que o desenvolvimento humano tem ocorrido desde 
que os seres humanos existem, mas o seu estudo científico formal é relativamente 
novo. Desde o início do século XIX, quando Itard estudou Victor (experimen-
to utilizado para o estudo científico das fases do desenvolvimento infantil), os 
esforços para compreender o desenvolvimento das crianças gradualmente se 
expandiram para estudos de todo o ciclo vital (Papalia; Olds; Feldman, 2006).
 “ A ideia de que o desenvolvimento continua depois da infância é re-
lativamente nova. A adolescência não era considerada um período 
separado de desenvolvimento até o início do século XX, quando G. 
VAMOS RECORDAR?
Vamos recordar um pouco, iniciaremos pelo conceito de desenvolvimento e tudo 
o que está por trás desse processo, visto que o ser humano passa por algumas 
fases dentro do seu desenvolvimento, as quais possibilitam inúmeras mudanças 
e aprendizados. Vale ressaltar, ainda, que compreendemos o fato de o processo 
de desenvolvimento humano estar conectado com aspectos biopsicossociais, os 
quais exercem influência direta no processo de desenvolvimento do indivíduo. 
Deparamo-nos, também, com a necessidade de relembrar a compreensão de 
quais aspectos estão envolvidos e influenciam todas as fases do ser humano, 
sendo eles, aspectos biológicos, cognitivos, sociais e emocionais.
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Stanley Hall (1904-1916), pioneiro no estudo de crianças, publicou 
Adolescence (Adolescência), um livro popular, mas não científico. 
Hall também foi um dos primeiros psicólogos a se interessar pelo 
envelhecimento. Em 1922, aos 78 anos de idade, ele publicou Se-
nescence: The Last Halfof Life (Senescência: A Última Metade da 
Vida). Seis anos depois, a Universidade de Stanford inaugurou a 
primeira unidade de pesquisa científica importante dedicada ao 
envelhecimento. Mas o estudo do envelhecimento teve que esperar 
mais uma geração para florescer. Desde o final da década de 1930, 
diversos estudos importantes de longa duração, discutidos na se-
gunda metade deste volume, como os de K. Warner Schaie, George 
Vaillant, Daniel Levinson e Ravenna Helson, concentraram-se na 
inteligência e no desenvolvimento da personalidade na idade adulta 
e na velhice (Papalia; Olds; Feldman, 2006, p. 41).
Segundo Coelho (2015), devemos nos questionar a respeito desses novos co-
nhecimentos adquiridos em cada fase e que se tornam herança para toda a vida 
– para onde vai, qual o tamanho desse conhecimento e a sua qualidade? Isso 
tudo depende de inúmeros fatores, como condições biológicas, fatores psicoló-
gicos e questões da esfera social que influenciam a vida de cada ser humano. Tais 
condições nos levam a pensar em como o indivíduo se torna quem ele é por sua 
determinação, sua vontade e seu próprio esforço.
Precisamos entender, então, 
por que mudamos, já que essa é 
uma consequência da nossa própria 
vida. Esse sentimento nos inunda 
quando nos damos conta de que 
estamos envelhecendo ou ficando 
mais sábios inteligentes e, até mes-
mo, aflitos em alguns momentos, 
quando percebemos que estamos 
“ficando para trás” com relação 
às outras pessoas e à sociedade, já 
que não conseguimos acompanhar 
mais os conhecimentos recorrentes 
impostos pela vida (Coelho, 2015). 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Coelho (2015) ressalta, ainda, que, a respeito desses questionamentos com relação 
às mudanças das diversas fases da vida humana e como esse processo se estabeleceu 
a Psicologia, na tentativa de explicar esses fenômenos, iniciou um estudo chamado 
de Psicologia do Desenvolvimento. De acordo com Morris e Maisto (2004, p. 21): 
 “ Os psicólogos do desenvolvimento se preocupam em verificar como 
ocorre o processo de mudança do ser humano, ou seja, como as pes-
soas amadurecem e envelhecem. Para fazer isso, levando em conta 
que o ser humano sofre uma mudança radical em quase todos os 
aspectos de sua constituição ao longo da vida, todos os tópicos da 
psicologia geral precisam ser considerados. Portanto, nessa lista es-
tão incluídas as análises sobre a linguagem, inteligência, emoções 
e comportamento social.
Como ponto de partida para a nossa reflexão acerca dessas mudanças e para 
tornar mais compreensível o nosso pensamento, Morris e Maisto (2004) des-
crevem três questões nas quais a psicologia do desenvolvimento se apoia para 
desenvolver abordagens e conceitos a respeito do tema. A primeira diz respeito 
a características individuais versus traços compartilhados pelos seres humanos; 
Segundo Morris e Maisto (2004), a história individual da evolução de cada um 
também é importante, além dos traços compartilhados ao longo das mudanças 
de fases do desenvolvimento. 
 “ Se oferecermos a duas crianças as mesmas condições de vida, em 
termos de condições físicas e materiais, bem como o ambiente 
social e emocional, ao fim de algum tempo (alguns anos talvez), 
vamos perceber que elas podem apresentar muitos traços comuns, 
do ponto de vista de sua formação, de capacidade de raciocínio, da 
forma como se apresentam ao mundo. Entretanto, serão também 
diferentes sob muitos aspectos. Um poderá ser médico, o outro en-
genheiro. Um poderá ser alegre e o outro deprimido. Um poderá 
ter desenvolvido dotes artísticos, enquanto o outro se transformou 
em um atleta. Então, o que causou essa diferença? Não foram cer-
tamente as condições iniciais, dadas de forma igualitária às duas 
crianças (Coelho, 2015, p. 22). 
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Outro aspecto relevante é a estabilidade versus mudança. Para exemplificar es-
ses aspectos, Morris e Maisto (2004) utilizam o caso de uma mulher, mãe, que 
leva uma vida acomodada, por estar casada com um empresário bem-sucedido, 
acostumada a cuidar dos filhos e da casa, sem participação na vida profissional 
do marido. Este morre de forma inesperada, fatoque obriga a mulher a assumir 
os negócios do marido. Dessa forma, ela se vê em uma fase em que é necessário 
sair do comodismo e conhecer um mundo com o qual não estava acostumada, 
com certo esforço, poderá se sair bem, mas você acha que ela se esquecerá de 
como cuidar de casa e dos filhos? Assim, podemos entender que, às vezes, somos 
obrigados a nos adaptar a novos contextos, mas isso não nos faz esquecer habi-
lidades e conhecimentos adquiridos no passado.
O terceiro aspecto estudado por Morris e Maisto (2004) foi a hereditarieda-
de versus ambiente, fundamentos essenciais para a psicologia do desenvolvi-
mento, visto que o entendimento do desenvolvimento das pessoas está baseado 
em fatores biológicos e condições ambientais. Para entendermos melhor esses 
aspectos, voltamos ao exemplo apresentado anteriormente, supondo que a mu-
lher tenha falido a empresa do marido; ao analisar a sua experiência, ela pode 
pensar que não soube lidar com a situação e que, talvez, se tivesse nascido com 
outras características ou criada em outro ambiente, outra formação, teria con-
seguido administrar a empresa, concluindo que “as pessoas são moldadas pela 
maneira como vivem seus dias”. Essa conclusão se deriva de um dos conceitos 
mais importantes para a psicologia do desenvolvimento. 
Como podemos entender, desde a concepção até a velhice, o ser humano 
passa por muitas mudanças para se desenvolver. O campo do desenvolvimen-
to humano, por meio da Psicologia do desenvolvimento, abrange um estudo 
científico, que busca entender todos os processos envolvidos nessas mudanças. 
Dito isso, Papalia, Olds e Feldman (2006) destacam que os objetivos do estudo 
científico do desenvolvimento humano correspondem à descrição, à explicação, 
à predição e à modificação do comportamento. 
 “ Descrição revelação das possíveis causas do comportamento. Pre-
dição futuro com base no desenvolvimento pregresso ou presente. 
Modificação é a intervenção para promover o desenvolvimento ideal. 
Tendo-se o desenvolvimento da linguagem como é uma tentativa de 
retratar o comportamento com precisão. Explicação é prever o de-
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
senvolvimento é a ponto de partida, podemos ver como esses quatro 
objetivos operam juntos. Por exemplo, para descrever o momento em 
que a maioria das crianças normais dizem sua primeira palavra ou o 
tamanho normalmente que seu vocabulário tem em certa idade, os 
cientistas do desenvolvimento observam grandes grupos de crianças 
e estabelecem normas ou médias para o comportamento nas diversas 
idades. Depois eles tentam explicar o que causa ou influencia o com-
portamento observado – por exemplo, como as crianças adquirem 
e aprendem a utilizar a linguagem e por que uma criança, que pode 
ter carecido de contato inicial com o idioma, não aprendeu a falar. 
Esse conhecimento pode tornar possível prever o que a capacidade 
de linguagem em uma determinada idade pode informar-nos sobre 
o comportamento posterior – por exemplo, sobre a probabilidade 
de que uma criança como a citada no exemplo acima, ainda possa 
aprender a falar. Finalmente, o conhecimento de como a linguagem 
desenvolve-se pode ser utilizado para modificar o comportamento 
(Papalia; Olds; Feldman, 2006, p. 44).
Neste artigo, você irá entender a modificação neurológica na velhice, e de que 
maneira a neuropsicologia e terapia cognitivo-comportamental são aplicadas a 
pacientes com doença de Alzheimer:
Link: https://rbtcc.com.br/RBTCC/article/view/957
EU INDICO
Podemos pensar nessa compreensão também dentro do desenvolvimento adulto, 
que existem estas implicações práticas, podendo ajudar, por exemplo, as pessoas 
a lidarem com as transições da vida: uma mulher que retorna ao trabalho depois 
da licença-maternidade, uma pessoa em mudança profissional ou prestes a se 
aposentar, um(a) viúvo(a) lidando com a perda do(a) companheiro(a) ou alguém 
enfrentando uma doença incurável (Papalia; Olds; Feldman, 2006).
Quando refletimos a respeito do desenvolvimento, temos a tendência de pensar 
que ele corresponde a um fator interno e que é resultado das capacidades indivi-
duais. É necessário ponderar sobre a amplitude do ciclo da vida humana (Coelho, 
2015). Nós, seres humanos, passamos por um processo ao longo do desenvolvi-
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mento, desde o nascimento até as fases de crescimento e maturação. Nesse processo, 
passamos pelo desenvolvimento do nosso corpo físico, cognitivo e emocional. A 
vida humana é muito complexa, tendo a influência de vários fatores para que a 
evolução aconteça – a seguir, entenderemos mais sobre isso (Coelho, 2015).
Podemos dizer que, quanto mais o tempo passa, mais adquirimos novas 
aprendizagens. Ao longo da nossa existência, passamos por algumas dimensões 
do desenvolvimento humano, o qual ocorre em quatro contextos: biológico, cog-
nitivo, social e emocional. Logo mais, apresentaremos cada um desses contextos, 
além de outros fatores importantes que existem nesse processo (Coelho, 2015). 
Interagimos o tempo todo com o meio e com outras pessoas que, quando nos en-
sinam algo, permitem algum tipo de crescimento positivo, ao passo que, quando 
essa interação nos impede de evoluir, dizemos que foi negativa (Coelho, 2015). 
Você pode pensar que o nosso comportamento e a forma como aprendemos 
e adquirimos habilidades dependem do meio em que vivemos. Por exemplo: 
apesar de vivenciarmos um mundo difundido pela mídia, com uma enorme 
quantidade de informações disponíveis, a realidade de um indivíduo que cresce 
em uma sociedade que seja subdesenvolvida e que o reprime é bem diferente 
daquele que vive em uma sociedade moderna com uma enorme quantidade de 
recursos disponíveis – com o tempo, se essas realidades permanecerem estáticas, 
esses indivíduos viverão em condições diferentes, possuindo aptidões e capaci-
dades distintas (Coelho, 2015).
Dessa forma, podemos concluir que o desenvolvimento humano depende 
de certas variáveis para chegar em seu destino, as quais passam pela individua-
lidade de cada ser humano e se manifestam de acordo com o potencial de cada 
um (Coelho, 2015). Nesse momento, veremos cada uma das dimensões apresen-
tadas inicialmente, começando pela dimensão biológica, a que mais apresenta 
comprovações científicas, devido à quantidade de estudos e de análises e testes 
realizados em laboratórios (Coelho, 2015). 
Primeiramente, entendemos as diferenças entre crescimento físico e desenvol-
vimento, considerando as etapas do ciclo da vida. Segundo Carmo (2012), o cres-
cimento físico refere-se às mudanças que ocorrem no processo de formação do ser 
humano, como aumento da estatura, ganho de peso ou massa muscular, habilidade 
motora e alterações sexuais, que diferem entre homens e mulheres. Já o desenvolvi-
mento refere-se às mudanças que ocorrem ao longo da vida, como alterações físicas, 
aquisição da fala, vocabulário e aquisição da linguagem e pensamento.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Carmo (2012) caracteriza as alterações no campo do afeto (sentimento 
ou emoção em diferentes graus de complexidade), que, inicialmente, era di-
recionado aos pais, porém, com o passar do tempo, adquire a independência 
emocional. Existem, ainda, mudanças nos padrões de interação social, que se 
tornam mais complexos.
Retomando à dimensão biológica, de acordo com Carmo (2012), a partir da 
fecundação, existe um processo biológico determinado para formar um bebê. O pe-
ríodo gestacional é fundamental para a formação do bebê, quando se desenvolvem 
os sistemas nervoso, circulatório, digestivo etc. Os membros superiores e inferiores, 
os olhos, a boca e o nariz iniciam também seu desenvolvimento. Ao completar 40 
semanas, os órgãos do bebê estarão formados por completo (Coelho, 2015).
O bebê nasce com algumas habilidades motoras e outros recursos, como os traços 
de temperamento que irão formar a sua personalidade. Tanto a genética quanto o 
ambiente podem contribuir para a manutenção do temperamento (Coelho, 2015). 
Com relação às mudanças estruturais, ocorreum processo de maturação, no qual 
o bebê irá passar para a fase da infância, da adolescência, da vida adulta e da matu-
ridade. Embora exista previsibilidade, isso não significa que seremos todos iguais, 
pois outros fatores agregam características que nos diferenciam (Coelho, 2015).
É preciso entender que estou sujeito a ocorrências determinadas pela nossa 
herança genética, porém ela não é determinante, uma vez que alguns eventos im-
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pedem que ela se manifeste, porque o meio ambiente é mais um dos componentes 
determinantes para o desenvolvimento biológico do ser humano. A socialização, 
por exemplo, determina o modo e a qualidade do desenvolvimento infantil (Coe-
lho, 2015). Segundo Coelho (2015, p. 38), podemos chegar à seguinte conclusão 
sobre a dimensão biológica:
 “ A dimensão biológica representa um ato contínuo de aquisições 
que pode levar o homem a conquistar seu potencial de crescimento 
físico, mental e emocional. E poderá fazer isso de forma única e 
individual, em que pesem todas as determinantes genéticas e am-
bientais estabelecidas.
Nesse momento, aprofundaremos o tema da dimensão cognitiva. Primeiramente, 
é preciso entender a capacidade de diferenciação dos seres humanos com relação 
a sua forma de pensar e aquisição de conhecimento que envolve a cognição. Essa 
aquisição de conhecimento abrange atividades mentais, que atuam com a aqui-
sição da linguagem, com o desenvolvimento do pensamento e com a capacidade 
de elaborar conceitos (Coelho, 2015).
Segundo Carmo (2012), para uma criança formar uma frase, existe uma se-
quência de mudanças quantitativas a partir do aumento do número de sons e 
palavras. Essas mudanças tendem a aumentar com o passar dos anos. Ocorrem 
também mudanças qualitativas, que se caracterizam pela clareza e pelo uso cor-
reto das palavras. Dessa forma, desenvolve-se o pensamento, o qual se torna 
complexo, aumentando o raciocínio e a elaboração de conceitos. 
A capacidade de raciocínio envolve a linguagem, a qual é utilizada para no-
mear e classificar objetos, fenômenos e emoções. Por meio do raciocínio, po-
demos chegar a alguma conclusão sobre determinado assunto ou estabelecer 
critérios de avaliação (Coelho, 2015). O autor Jean Piaget, ao estudar o aspecto 
qualitativo do desenvolvimento das estruturas psicológicas, propõe que o “de-
senvolvimento da criança acontece por meio de quatro estágios, sendo eles: sen-
sório-motor, pré-operatório, operações concretas e operações formais” (Piletti; 
Rossato; Rossato, 2014, p. 43 apud Bueno, 2020, p. 10). 
O estágio sensório-motor (0 a 2 anos de idade) compreende o estágio da 
inteligência prática, quando a criança percebe o mundo a partir dos órgãos do 
sentido; o estágio pré-operatório (2 a 7 anos de idade) caracteriza-se pelo egocen-
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trismo intelectual e social, em que a criança não consegue se colocar no ponto de 
vista de outras pessoas. Toda a representação do mundo é feita por meio de sím-
bolos; o estágio das operações concretas (7 a 11 anos de idade) está relacionado 
à capacidade de a criança interiorizar ações, ou seja, a criança realiza operações 
mentalmente, e não mais por ações físicas; já no estágio das operações formais 
(12 anos de idade em diante), a criança desenvolve o pensamento lógico-dedutivo 
e adquire capacidade crítica, tornando-se mais autônoma (Bueno, 2020).
Lev Vygotsky (1896-1934) trouxe contribuições para o desenvolvimento hu-
mano ao destacar a influência do ambiente. Para o autor, existe desenvolvimento 
humano se a pessoa entrar em contato com uma cultura e se apropriar de crenças, 
valores, tradições e habilidades do grupo pertencente. Mello (2004) explica que 
a relação entre desenvolvimento e aprendizagem ganha um novo entendimento: 
a aprendizagem antecede e impulsiona o desenvolvimento, e não o contrário.
Dando continuidade às dimensões existentes, precisamos falar sobre a di-
mensão social, que se refere à forma como nos relacionamos com as pessoas ao 
nosso redor, sejam familiares, amigos ou colegas de trabalho. Essa dimensão é 
determinante tanto para nos sentirmos pertencentes ao meio social como tam-
bém para o desenvolvimento da nossa capacidade de aprendizagem e para o 
modo como vemos o mundo e nos inserimos nele (Coelho, 2015).
De acordo com Morris e Maisto (2004), a interação com outras pessoas é 
primordial para o desenvolvimento na infância. Nessa fase, os pais ou os cuida-
dores são as figuras de referência, por estabelecerem as relações mais importantes. 
Mais adiante, após o terceiro ano de vida, os relacionamentos se expandem para 
irmãos, colegas e adultos fora do seu convívio familiar.
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Assim como nas outras dimensões, as relações sociais também passam por um 
crescimento e se expandem. Na família, aprendemos regras e valores de convi-
vência, porém, a partir do momento que a criança frequenta a escola e interage 
com outras pessoas, ocorre uma preparação para a vida, quando os vínculos so-
ciais serão estabelecidos e novas aprendizagens se formarão, construindo se um 
parâmetro sobre se a sua conduta precisa ser modificada ou não (Coelho, 2015).
Papalia, Olds e Feldman (2006) definem uma classificação por períodos de vida, 
fornecendo um parâmetro com o que se espera em termos de desenvolvimento em 
cada etapa, classificando o desenvolvimento humano em: pré-natal (da concepção 
ao nascimento); primeira infância (do nascimento aos 3 anos de idade); segunda 
infância (de 3 a 6 anos de idade); terceira infância (de 6 a 11 anos de idade); adoles-
cência (de 11 a 18 anos de idade); jovem adulto (de 19 a 40 anos de idade); meia-i-
dade (de 41 a 65 anos de idade); e terceira idade (de 66 anos de idade em diante). 
Independentemente da classe etária, é importante perceber que o ambiente 
inserido será determinante para o seu desenvolvimento, ou seja, o meio, assim 
como as habilidades, exerce influência na forma como o indivíduo encontrará 
respostas (Coelho, 2015). Por fim, veremos como a dimensão emocional influen-
cia no processo de desenvolvimento humano, entendendo a importância das 
nossas emoções, que se manifestam desde o nascimento. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Você já observou que, com o passar do tempo, modificamos a forma como as 
emoções são sentidas e como reagimos ao ambiente? 
Quando você era criança, podia ter medo do escuro, mas, hoje, naturalmente dor-
me com a luz apagada. A emoção presente nesse exemplo é o medo, porém existem 
diversas outras emoções, como raiva, ansiedade, alegria ou tristeza (Coelho, 2015).
Já imaginou como a mãe tem uma reação instantânea conforme qualquer 
reação diferente na expressão do seu bebê? Outro exemplo é o fato de ser difí-
cil disfarçarmos algumas emoções, como raiva ou felicidade, diante de alguma 
situação inesperada (Coelho, 2015). Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006, p. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
231), “emoções como tristeza, alegria e medo são reações subjetivas a experiên-
cias associadas às variações fisiológicas e comportamentais”. Embora todos os 
indivíduos possuam a mesma gama de emoções, a diferença está na frequência 
com que cada emoção é sentida, os eventos desencadeantes, a forma como ela é 
manifestada e suas consequências. 
Etiologicamente, as emoções desempenham funções importantes para a sobre-
vivência e bem-estar do ser humano: comunicar fatores internos do indivíduo 
ao outro e obter uma resposta. Em bebês, essa função é fundamental, pois eles 
necessitam dos adultos para satisfazer as suas necessidades básicas. Outra função 
relevante é orientar e regular o comportamento, a qual é transferida ao cuidador 
durante a primeira infância (Papalia; Olds; Feldman, 2006). 
O medo e a surpresa, por exemplo, são emoções que mobilizam a ação em emergências. 
Já emoções como interesse e excitação objetivam explorar o ambiente, promovendo 
uma aprendizagem que será útil para a sustentação e proteção da vida (Papalia; 
Olds; Feldman, 2006). Ao longo da vida, o nosso comportamento emocional sofre 
modificações,seja por pressões internas, na tentativa de nos ajustarmos à realidade, ou 
por pressões externas, ao lidarmos com diferentes situações (Coelho, 2015). 
De acordo com Barros (2008), as causas que contribuem para a mudança de 
comportamento nas expressões emocionais são: a aquisição da linguagem, que 
ocorre quando a criança troca o choro e o grito por palavras, a fim de obter algo; 
a pressão do meio social, em que a criança começa a perceber que o seu compor-
tamento não é bem aceito pelos adultos e, então, ela muda de comportamento; 
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e o desenvolvimento da inteligência, no qual a criança percebe as desvantagens 
de seu comportamento inadequado (Barros, 2008).
Conforme vimos no decorrer deste Tema de Aprendizagem, o desenvolvi-
mento humano traz a transformação gradualmente e/ou mutação do seu cres-
cimento, no decorrer do seu desenvolvimento, ele evolui de fases denominadas 
como infância, adolescência, idade adulta e maturidade. 
O começo da vida
Mais para formação desse ser, precisa existir a junção da carga 
genética, então indico o filme O começo da vida, o qual de-
monstra esse avanço da neurociência no bebê e a combinação 
genética dos desenvolvimento dos seres humanos. Um dos 
maiores avanços da neurociência é ter descoberto que os be-
bês são muito mais que meras cargas genéticas. O desenvolvi-
mento de todos os seres humanos acontece pela combinação 
da genética com a qualidade das relações que desenvolve-
mos e do ambiente em que estamos inseridos. O começo da 
vida convida todo mundo a ser agente de mudança na socie-
dade: estamos cuidando bem dos primeiros anos de vida, que 
definem tanto o presente quanto o futuro da humanidade?
INDICAÇÃO DE FILME
Após assistirem o filme e correlacionar o conteúdo visto, conseguiram enten-
der os passos de evolução nos seres humanos, de forma genética e neuroló-
gica. Compreendendo as mudanças comportamentais, físicas e emocionais 
de cada indivíduo. 
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gostaríamos 
de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acreditamos que essa 
aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
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MINHAS METAS
PSICOLOGIA E SAÚDE: TEORIA 
E PRÁTICA
Compreender a modificação Saúde doença. 
Compreender a concepção da saúde atual. 
Entender a saúde no processo biopsicossocial. 
Compreender alteração fisiológica através do estresse. 
Compreender a atuação dos profissionais de saúde. 
Entender o que é o estresse. 
Compreender o aspecto psicológico dos seres humanos saudável. 
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5
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TEMA DE APRENDIZAGEM 5
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A Psicologia voltada à saúde é uma das subáreas da Psicologia que estuda, realiza 
pesquisas e aplica princípios psicológicos, visando à melhoria da saúde, bem 
como ao tratamento e à prevenção de doenças (Straub, 2014). O campo da Psi-
cologia da Saúde começou a se desenvolver por volta dos anos 1970, a partir 
das mudanças na forma como eram vistos e realizados os cuidados em saúde 
(Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1946, definiu a saúde como 
um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a 
ausência de doença ou enfermidade (Brasil, 2020). Esse olhar mais amplo sobre 
a saúde, que vai além do aspecto biológico, abre espaço para uma compreensão 
multifatorial do processo saúde e doença, o que evidencia sua complexidade, ao 
passo em que lança luz a outras áreas e especialidades que podem auxiliar na 
compreensão e na intervenção na promoção de saúde. Entretanto, cabe questio-
nar um ponto dessa definição, tal qual foi descrita pela OMS: seria possível para 
qualquer ser humano alcançar um estado de completo bem-estar? Ou esta seria 
uma situação utópica?
VAMOS RECORDAR?
É possível compreender que aspectos biopsicossociais do desenvolvimento 
humano são fundamentais na área da saúde porque ajudam a entender a complexa 
interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais que influenciam o 
comportamento de uma pessoa. Os fatores biológicos se referem às características 
físicas e fisiológicas, como genética, metabolismo, necessidades nutricionais e 
doenças. Os fatores psicológicos envolvem os aspectos emocionais, cognitivos 
e comportamentais. Por fim, os fatores sociais refletem os ambientes cultural, 
econômico e familiar. Esses três aspectos estão interligados e se influenciam 
mutuamente, de modo que, ao entender essa interação, a enfermagem pode 
fornecer uma abordagem mais completa e personalizada no cuidado ao paciente.
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Independentemente de qual seja a conclusão para esse questionamento, o papel 
da psicologia na saúde permanece o mesmo: auxiliar no enfrentamento dos de-
safios que permeiam a saúde, buscando entender a relação entre nosso bem-estar 
com o modo como pensamos, sentiu e agiu (Straub, 2014). 
As últimas décadas foram marcadas por melhoras expressivas no cuidado 
com a saúde da população; isso fica evidente quando analisamos a expectativa de 
vida no decorrer do último século. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE, 2022), na década de 40, a expectativa de vida do brasileiro era 
de 45,5 anos; já em 2020, a expectativa de vida passou a ser de 76,8 anos, ou seja, 
hoje, um brasileiro vive em média 31 anos a mais do que vivia nos anos 40. Vários 
fatores podem explicar esse aumento: as importantes descobertas científicas, a 
diminuição da mortalidade infantil, o desenvolvimento de vacinas e medica-
ções, o controle de doenças infecciosas, as mudanças no padrão de cuidado com 
a saúde, dentre outros (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
Olhando por esse viés, esse parece ser um cenário promissor. Entretanto, se 
por um lado, os avanços na área da saúde ajudaram a diminuir a mortalidade por 
doenças infecciosas, hoje, outra classe de doenças gera preocupação: as doenças 
crônicas. Atualmente, a grande maioria das causas de morte é em decorrência de 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 5
doenças associadas a comportamento de risco e estilo de vida (Brannon; Feist; 
Updegraff, 2014). A boa notícia ou o aspecto dificultador é que, por esse mesmo 
motivo, hoje, há muito mais controle sobre a saúde do que antigamente. A ques-
tão é: as pessoas estão dispostas a mudar seus comportamentos para garantir um 
estado de saúde melhor?
A VISÃO BIOPSICOSSOCIAL DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
Um longo caminho foi percorrido até a construção de uma visão de saúde mais 
abrangente e multifatorial, o que não significa que o modelo biomédico foi supe-
rado, até mesmo porque esse modelo teve grande contribuição para o desenvol-
vimento de medicações e tecnologia para a cura de doenças. Entretanto, em um 
mundo que tem valorizado cada vez mais resultados rápidos e soluções simples, 
algumas ideias do modelo biomédico ainda prevalecem. Um exemplo claro é o 
uso de medicação para emagrecer, sem que seja realizado um acompanhamento 
que vise à mudança alimentar e à instalação de hábitos de vida saudáveis.
Destaca-se o que é mais característico do modelo biomédico: o foco está na 
doença, que é causada por um agente específico; logo, removendo esse agente, a 
saúde é restabelecida. Esse modelo é bastante compatível com as doenças infec-
ciosas, tendo contribuído sobremaneira para o desenvolvimento de tratamentos 
e vacinas que levaram à erradicação quase completa de diversas doenças, como a 
poliomielite e a varíola. Entretanto, tornou-se insuficiente para explicar e tratar 
as chamadas doenças crônicas (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
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Doenças crônicas são enfermidades que se desenvolvem no decorrer do tem-
po e que não apresentam cura, mas, sim, possibilidade de controle, por meio de 
tratamentos e mudanças de hábitos dos pacientes. Tais doenças sofrem grande 
influência de fatores psicológicos e sociais, como a alimentação e a práticade 
atividade física, as quais têm íntima relação com o desenvolvimento de problemas 
cardíacos. Ademais, por demandarem um tratamento em longo prazo, é comum 
que questões psicológicas aflorem diante da necessidade de adaptação a uma 
nova realidade (Taylor, 2018).
No modelo biopsicossocial, compreende-se que a saúde e a doença resultam 
de uma combinação de fatores como genética, fisiologia, relações sociais, auto-
controle, estresse, personalidade, questões econômicas, etnia, crenças culturais 
etc., entendendo que a pessoa é um todo, que não pode ser reduzida a um único 
aspecto e tratada somente por ele, pois seria reducionista demais pensar apenas 
por uma vertente (Brannon; Feist; Updegraff, 2014). É necessário olhar para a 
pessoa considerando toda a sua complexidade, ainda que o nosso foco de atuação 
tenha sua especificidade – por exemplo, no aspecto psicológico, tem-se um olhar 
mais direcionado para aspectos emocionais e comportamentais ou, no caso do 
enfermeiro, este observa aspectos mais fisiológicos. 
Figura 1 - Intersecções do modelo biopsicos-
social / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem: a figura apresenta 
um diagrama de Venn, no qual três círculos 
se sobrepõem, de tal modo que um espaço 
central do diagrama contém uma parte dos 
três círculos. O círculo mais acima, na cor 
azul, apresenta o texto “Biológico: Saúde 
física, vulnerabilidade genética, imuniza-
ções”. O círculo mais abaixo, à esquerda, 
na cor verde, contém o seguinte texto: 
“Social: relacionamento familiar, suporte 
social, contexto e comunidade”. O círculo 
ao lado direito do anterior, na cor verme-
lha, mostra o seguinte texto: “Psicológico: 
habilidades de enfrentamento, habilida-
des sociais, saúde mental”. Representa a 
interconexão entre os três aspectos para 
compor o modelo biopsicossocial de saúde. 
Fim da descrição.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 5
O diagnóstico tem impacto em várias áreas da vida de uma pessoa e como elas 
se inter-relacionam. Se não estamos bem fisicamente, isso pode gerar impactos 
psicológico (ficamos tristes e frustrados) e social (buscamos nos isolar), o que, ao 
mesmo tempo, retroage sobre o nosso estado físico (estado crônico de tristeza ou 
estresse causam impacto negativo sobre o sistema imunológico). No entanto, para 
que possamos entender, de forma mais didática, precisamos olhar e explicar cada 
um dos termos que compõem o nome desse modelo: fatores biológicos, fatores 
psicológicos e fatores sociais.
Inicialmente, com relação aos fatores biológicos, absolutamente tudo que ocorre 
com o organismo, ocorre em um contexto biológico. Qualquer vivência, pensamen-
to, comportamento e experiência só são possíveis por existir um aparato biológico, 
que funciona e coloca esse organismo em interação com o mundo. Assim, torna-se 
importante compreender quais aspectos do nosso organismo influenciam a saúde e 
a doença. Por exemplo, algumas condições genéticas e hereditárias explicam a maior 
probabilidade de desenvolvimento de determinadas patologias (Straub, 2014).
Por exemplo, a sensibilidade ao açúcar varia entre os indivíduos, sendo que 
algumas pessoas podem ter uma predisposição biológica a sentirem um prazer 
maior ao ingerir alimentos ricos em açúcar. Essa característica pode aumentar o 
risco de buscarem esses alimentos com mais frequência, favorecendo o consumo 
excessivo e, consequentemente, o desenvolvimento de condições como obesidade 
e diabetes (Birch et al., 2020).
No campo das emoções, podemos encontrar uma pessoa que tenha uma tolerância 
menor a estímulos aversivos, o que aumenta a probabilidade de ela apresentar 
comportamentos de raiva com mais frequência do que as demais pessoas (Safer; 
Adler; Masson, 2020). Além disso, práticas inadequadas também podem produzir 
vulnerabilidade. Por exemplo, quando alguém se recusa a receber vacinas, isso leva 
à ausência de anticorpos, deixando a pessoa mais suscetível a desenvolver certos 
tipos de doenças (Laloni, 2006).
Compreendemos que estados emocionais podem exercer uma influência impor-
tante no processo de saúde-doença. Inicialmente, vale a pena destacar a inter-
secção entre aspectos emocionais e reações fisiológicas. A vivência de qualquer 
emoção é acompanhada de alterações na bioquímica do nosso cérebro. Emoções, 
como raiva, ansiedade e medo, ativam o sistema simpático e o modo de luta ou 
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fuga, caracterizado por alterações fisiológicas como a taquicardia e hiperventila-
ção. A ativação frequente ou crônica desse sistema pode causar prejuízos impor-
tantes para o organismo, já que a liberação excessiva de hormônios do estresse 
interfere negativamente no sistema autoimune.
O sofrimento emocional, em uma determinada situação estressante, é dire-
tamente influenciado pela forma como essa situação é avaliada pela pessoa que 
o vivencia, ou seja, se a pessoa avalia o evento como possível de ser enfrentado e 
superado ou se avalia que tem recursos emocionais e materiais suficientes para 
lidar com esse evento, o seu sofrimento será relativamente menor. Entretanto, 
se avaliar o evento como impossível de ser enfrentado, sofrerá de uma forma 
mais intensa. Além disso, independentemente de o evento estressor ser real-
mente vivenciado ou imaginado, o nível de estresse experiência pode ser muito 
semelhante. Uma pessoa que constantemente se lembra de uma situação que foi 
muito difícil pode ficar emocionalmente abalada, visto que é como se estivesse 
efetivamente revivendo a situação (Straub, 2014). Os efeitos do estresse para o 
indivíduo serão abordados, de forma mais aprofundada, no próximo tópico.
Sabe-se, também, que pacientes mais tranquilos e que acreditam no trata-
mento proposto tendem a serem mais capazes e motivados a seguir as orientações 
de saúde. Por outro lado, pacientes que duvidam do tratamento ou que ficam 
focados nos efeitos colaterais que as medicações podem causar tendem a experi-
mentar um nível de tensão maior, que culmina em reações físicas desconfortáveis 
acerca do tratamento (Straub, 2014).
Por fim, podemos tratar dos fatores sociais, o que dizem sobre os modos 
como pensamos e nos relacionamos uns com os outros e com nosso ambiente. 
Para tanto, precisamos compreender que todos nós estamos inseridos em um 
determinado contexto social e exercemos determinados papéis nesse contexto. 
Por exemplo, você pertence a uma determinada comunidade, família, grupo 
profissional, mas também seu gênero, sua idade e sua classe socioeconômica 
podem exercer uma influência importante nas crenças e nos cuidados que você 
tem com sua saúde. Além disso, sentir que pertence a um grupo e que está co-
nectado emocionalmente às pessoas que o compõem, recebendo suporte social, 
aumenta a adesão às orientações de saúde e a resposta positiva a um tratamento 
e melhores hábitos de vida e cuidados com a saúde (Straub, 2014). 
Aspectos socioculturais podem explicar algumas práticas de saúde em de-
terminadas populações, considerando comportamentos, crenças, valores e cos-
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tumes que foram desenvolvidos por um grupo ao longo do tempo. Grupos que 
mantêm suas próprias tradições culturais, incluindo seus próprios rituais de cura 
e curandeiros, valorizam práticas ancestrais que fazem parte de sua identidade 
e visão de mundo. Algumas religiões também podem preferir abordagens mais 
espirituais para a cura, em vez de tratamentos convencionais. Além disso, fatores 
socioeconômicos e educacionais podem desempenhar um papel importante nas 
oportunidades de acesso aos cuidados de saúde. 
É fundamental que os profissionais de saúde abordem esses fatores com sen-
sibilidade cultural e respeito, promovendo um diálogo que integre as diferentes 
perspectivas e crenças para proporcionar um cuidado mais inclusivo e eficaz.
Além disso, ter acesso a serviços básicos, como saneamento, alimentação e 
serviços de saúde, e determinantes importantes na relação saúde-doença. Quanto 
ao gênero, comumente, as mulheres são mais preocupadas e cuidadosasquan-
do o assunto é saúde e prevenção, enquanto 
os homens são mais resistentes a procurar 
atendimento – a expectativa de vida no 
Brasil, em 2022, foi de 75,5 anos em média, 
sendo 79,0 anos para mulheres e 72,0 anos 
para homens. Essa diferença de cerca de 7 
anos reflete tanto fatores biológicos quanto 
comportamentais, como maior busca por 
cuidados de saúde por parte das mulheres. Es-
sas informações foram divulgadas pelo IBGE 
na Tábua de Mortalidade 2022, que também 
mencionou o impacto da pandemia de CO-
VID-19 no aumento dos óbitos e na queda da 
expectativa de vida geral (IBGE, 2022).
Como o estresse pode afetar a nossa saúde?
Provavelmente, você já vivenciou alguma situação estressante ou pode, até mes-
mo, se considerar uma pessoa “estressada”. O mundo em que vivemos, com mui-
tos estímulos, desafios, cobranças e expectativas, cria um contexto propício para 
vivenciarmos esse estado.
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Podemos definir estresse como um processo emocional, muitas vezes experiência 
de forma negativa, acompanhado de alterações bioquímicas, fisiológicas, cogni-
tivas e comportamentais em situações percebidas como desafiadoras ou ameaça-
doras, as quais são chamadas de estressores (Straub, 2014; Taylor, 2018). Diante 
desse tipo de evento, o corpo apresenta uma série de respostas, com a liberação 
de diversos hormônios, como adrenalina e cortisol, que são chamadas de reação 
de luta ou fuga. Tudo isso tem o objetivo de preparar o corpo para enfrentar uma 
ameaça, por meio do ataque ou da fuga.
O nosso cérebro desempenha um papel crucial nesse processo de avaliação 
e resposta a um evento estressor. Quando os nossos órgãos do sentido percebem 
alguma ameaça em potencial, enviam sinais para regiões cerebrais, como tálamo, 
hipotálamo, sistema límbico e outras regiões do córtex cerebral, que interpretam 
essas informações; se houver uma avaliação de risco, são enviados estímulos do 
cérebro para diversos músculos, glândulas e órgãos, para preparar o corpo para 
reagir a esse estressor. Straub (2014, p. 79) descreve algumas reações do nosso 
corpo nesse contexto:
 “ Seguindo instruções do SNC [Sistema Nervoso Central], as glân-
dulas adrenais liberam hormônios que desencadeiam respostas de 
luta ou fuga, nas quais a frequência cardíaca aumenta, as pupilas 
dilatam, os hormônios do estresse são secretados e a digestão é re-
duzida. Além disso, a ativação do SNC aumenta o fluxo de sangue 
para os músculos e propicia que a energia acumulada seja conver-
tida em uma forma diretamente utilizável nos músculos.
Cabe ressaltarmos o papel importante das glândulas adrenais, que ficam em uma 
região logo acima dos rins, para as respostas aos estressores. Assim que recebe 
os estímulos advindos do hipotálamo, a glândula adrenal secreta adrenalina e 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Mas você saberia explicar o que é estresse?
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noradrenalina no sangue, ajudando a desencadear as respostas de luta ou fuga 
com uma ação mais rápida e duradoura no organismo.
Vamos ver todo esse processo acontecendo no nosso corpo? Nessa realidade 
aumentada, você terá a oportunidade de visualizar de um modo bastante dinâmi-
co como o sistema de luta ou fuga é ativado e as modificações que desencadeia em 
nosso organismo. Vamos apresentar as estruturas que são ativadas e a importân-
cia delas para preparar o corpo para enfrentar uma situação de possível ameaça.
Uma resposta mais lenta do organismo é realizada quando o hipotálamo se-
creta indutores que estimulam a produção do hormônio corticotrofina (ACTH) 
pela hipófise. Esse hormônio age na glândula adrenal, levando à secreção de 
corticosteroides, que combatem inflamações, estimulam a cura e mobilizam re-
cursos energéticos do corpo. O aumento do cortisol no sangue é percebido pelo 
hipocampo, que envia sinais para que o hipotálamo pare de secretar os indutores 
de ACTH. Esse processo auxilia o corpo a voltar ao seu estado de homeostase 
após o evento estressor (Straub, 2014).
A ação do cortisol no organismo é necessária para que o corpo tenha energia 
suficiente, a partir da quebra da glicose, para enfrentar o estressor. Entretanto, 
quando em grande quantidade ou vivenciado de forma crônica, pode ser bastante 
prejudicial, podendo levar, por exemplo, ao desenvolvimento de hipertensão, 
déficit no sistema imune e transtornos psicológicos O efeito sobre a imunidade 
pode ser visto pela diminuição das células de defesa do organismo, tornando 
mais propícia a ocorrência de doenças virais, como gripe, herpes e Epstein-Barr, 
doenças autoimunes (como a artrite reumatoide) e doença coronariana. Isso 
ocorre devido à liberação de citocinas pelo sistema imune como reação ao evento 
estressante, levando a um processo inflamatório no organismo (Straub, 2014).
Diante de situações avaliadas como ameaças, o indivíduo terá uma série de rea-
ções fisiológicas, comportamentais e emocionais. O objetivo dessas respostas é pre-
parar o indivíduo para enfrentar ou se adaptar ao estressor. Dependendo da natureza, 
intensidade e duração do evento estressor, assim como das características pessoais do 
indivíduo, essa experiência pode ser extremamente desgastante e prejudicial. Quando 
o estressor se mantém por longos períodos e os recursos do indivíduo, os danos físicos 
e fadiga podem ser observados com o tempo. Esse grau de estresse pode ser denomi-
nado de distress e corresponde à dificuldade de adaptação que pode gerar prejuízos 
importantes ao indivíduo, tanto para a sua saúde física como para a emocional, assim 
como na realização de atividades do dia a dia (OMS, 2023).
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Uma informação importante é a intensidade do evento estressor, pois di-
ferentes pessoas podem reagir de forma diversa diante de um mesmo estressor. 
Essa avaliação é influenciada por diversos fatores, como a percepção individual, 
experiências passadas e o suporte social disponível. Portanto, o gerenciamento 
do estresse envolve não apenas a identificação das fontes de estresse, mas tam-
bém a percepção e o desenvolvimento de estratégias que fortalecem os recursos 
pessoais e a rede de apoio social, contribuindo para uma melhor adaptação às 
situações desafiadoras.
Além disso, o evento estressante pode ser analisado de maneiras distintas, 
podendo ser visto como: um desafio, quando o indivíduo entende que é algo que 
pode ser superado e pode trazer benefícios; uma fonte de perigo-perda, na qual 
o indivíduo considera que já houve algum prejuízo decorrente dessa situação; ou 
uma ameaça, em que o indivíduo prevê que a situação pode vir a trazer perdas 
em um momento futuro (Straub, 2014).
Uma forma de promover a redução do nível de estresse do indivíduo é auxiliá-
lo a compreender ou avaliar as demandas do contexto como possíveis de serem 
superadas e perceber que seus recursos pessoais ou sociais para enfrentar a 
situação podem ser aprimorados ou desenvolvidos.
Como compreendemos a nossa saúde?
Entendemos que saúde não é meramente a ausência de doença; uma pessoa que 
não tem uma doença pode não estar doente, mas isso não significa que ela esteja 
saudável também. Portanto, uma pessoa saudável não é meramente aquela que 
não está doente, mas, sim, aquela que se comporta de forma a manter esse estado 
de saúde (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
Para que o profissional de saúde consiga realizar um bom trabalho junto 
àquele que procura sua ajuda, torna-se imprescindível, além de saber o que sig-
nifica saúde para nós, profissionais, compreender como o nosso paciente e a 
população, de forma geral, entendem questões relacionadas à saúde. Cada pessoa 
vivencia, ao longo de sua história, situações que irão contribuir para formar uma 
determinada ideia do que é saúde e se engajar (ou não) em comportamentos que 
objetivem mantê-la. 
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VOCÊ SABE RESPONDER?
Nesse contexto, precisamos encontrar respostas para as seguintes perguntas: o 
que faz as pessoas se manterem saudáveis? O que é definido como saudável? 
Como podemos ajudar as pessoasnesse processo?
No início do século XX, quando uma pessoa apresentava algum sintoma e pro-
curava por atendimento de saúde, a intervenção, na maioria das vezes, consistia 
na prescrição de repouso, alimentação e uso de determinados remédios. No en-
tanto, atualmente, considerando o cenário de as doenças crônicas estarem mais 
associadas ao estilo de vida, aparentemente, as orientações de saúde são mais 
difíceis de serem seguidas (Taylor, 2018).
Quais são as características ou os fatores que levam uma pessoa a manter 
uma vida saudável, enquanto outra pessoa continua a trazer danos para a própria 
saúde? A percepção da pessoa quanto ao risco iminente tem uma grande contri-
buição para o engajamento em comportamentos de autocuidado. Isso significa 
dizer que não é a gravidade da doença em si que gera a busca por prevenção ou 
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adesão ao tratamento, mas, sim, a percepção que a pessoa tem sobre essa gravi-
dade (Taylor, 2018). Por exemplo, uma pessoa que recebeu um diagnóstico de 
pré-diabetes pode ter uma maior adesão à mudança de hábitos que uma pessoa 
que recebeu um diagnóstico de doença renal crônica, pois tal condição exigiria 
um grau de comprometimento maior com comportamentos saudáveis e trata-
mento; tudo isso dependerá de como cada indivíduo percebe e avalia os riscos 
advindos da doença. 
O que é comportamento saudável e como promovê-lo 
A Psicologia exerce um papel importante no campo da saúde; busca-se entender 
quais são as influências dos aspectos psicológicos na forma como as pessoas se 
mantêm saudáveis, em como e por que elas adoecem e em como elas se compor-
tam depois que adoecem. O objetivo é encontrar também maneiras de ajudar as 
pessoas a se manterem saudáveis ou se recuperarem ou enfrentarem bem uma 
doença. Podemos, então, trabalhar em diferentes frentes: auxiliando na promo-
ção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento de doenças e na 
identificação da etiologia (causa) da saúde e da doença (Taylor, 2018).
Essa concepção auxilia os profissionais de saúde ao permitir que os inves-
timentos sejam direcionados para procedimentos e programas que objetivem 
ajudar pessoas – por exemplo, parar de fumar, comer de forma saudável, praticar 
atividade física, aderir ao tratamento de saúde, reduzir estresse, controlar a dor, 
evitar comportamento de risco, dentre outros.
Assim, podemos dizer que um dos principais objetivos da Psicologia voltada à 
saúde é buscar formas de instalar hábitos e comportamentos saudáveis, visando à 
promoção de saúde e à prevenção de doenças.
Uma das principais estratégias voltadas a esse objetivo é a educação, a partir da 
ideia de que, quanto mais munida de informações sobre hábitos saudáveis uma 
pessoa está, maior a probabilidade de mudar suas atitudes nesse âmbito. Para tanto, 
é necessário que se estabeleça uma comunicação clara entre profissional e paciente, 
para que a mensagem chegue de forma mais efetiva. Algumas características dessa 
comunicação devem ser: linguagem clara e direta, sem a utilização de jargões e ter-
mos muito técnicos; se possível, apresentar casos clínicos, com argumentos fortes 
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no início e no final da fala; as orientações não devem ser extremas, mas, sim, con-
siderar que a mudança é gradual – por exemplo, indicar uma caminhada de meia 
hora pode ser mais eficaz do que solicitar três horas de atividade física ao dia. Essa 
abordagem se alinha com as diretrizes de saúde recentes que enfatizam a impor-
tância de tornar a atividade física mais acessível e sustentável. Estudos científicos 
comprovam que a prática de exercícios físicos traz benefícios significativos para o 
controle de doenças cardíacas, diabetes, câncer e depressão. Por isso, a Organização 
Mundial da Saúde (OMS) recomenda a realização de pelo menos 150 minutos de 
atividades físicas semanais. No entanto, cerca de 23% dos adultos globalmente 
não alcançam essa meta. Em algumas regiões, influências como o uso de meios 
de transporte motorizados, o avanço da tecnologia e fatores culturais elevam esse 
índice de inatividade física para até 80% (OMS, 2022).
Na estratégia de promover educação em saúde, podemos utilizar mensagens que 
podem ser elaboradas em termos positivos ou de precaução. Frases que enfatizam 
cautela e consequências podem ser eficazes para motivar ações que precisam ser 
realizadas de forma esporádica ou em temas que geram apreensão. Por exemplo, 
destacar os riscos de não se submeter a mamografias periódicas pode ser uma maneira 
poderosa de promover a detecção precoce de doenças. Mensagens que ressaltam 
consequências adversas tendem a captar a atenção das pessoas e estimular mudanças 
de comportamento, como as imagens em caixas de cigarro (Straub, 2014). 
Frases que enfatizam aspectos positivos podem ser mais efetivas para estimular 
comportamentos saudáveis, como os benefícios de praticar atividade física e pre-
venir-se do câncer de pele. Algumas características pessoais e de personalidade 
também irão influenciar na forma como essas mensagens afetam cada indivíduo. 
Por exemplo, pessoas que possuem uma orientação mais voltada a maximizar as 
oportunidades, que se importam em alcançar metas, talvez, se beneficiem mais 
de uma abordagem positiva, como na frase “consumir alimentos com cálcio 
pode ser bom para seus ossos”. Já pessoas que têm uma orientação de prevenção, 
provavelmente, terão mais resposta a outra abordagem, como na frase “pouco 
consumo de cálcio pode danificar e enfraquecer seus ossos” (Taylor, 2018, p. 34).
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O modo como concebemos esse processo tem grande influência em nossa atuação 
e intervenção, na forma particular como escolhemos lidar com cada pessoa que 
irá procurar o nosso serviço, entendendo que aquela pessoa tem uma história de 
vida, vive em um determinado contexto e tem características físicas que precisam 
ser levadas em consideração para que a sua queixa seja avaliada de forma integral. 
Compreendendo a saúde como um processo multifatorial, podemos direcionar 
nosso olhar para intervenções que sejam mais efetivas em nossos pacientes.
Tendo isso em mente, podemos dizer que o papel do profissional de saúde 
é ajudar as pessoas a alcançarem um estilo de vida saudável, monitorando ou se 
afastando dos fatores de risco. Buscamos, com isso, reduzir mortes relacionadas a 
comportamentos prejudiciais e aumentar a expectativa de vida da população; não 
queremos apenas que as pessoas vivam mais, mas, sim, que vivam com qualidade, e, 
por isso, também deverão orientar nossas intervenções nesse sentido (Taylor, 2018).
VOCÊ SABE RESPONDER?
Mas, por que toda essa compreensão do que é saúde e do que influencia ou 
determina o processo de saúde e doença das pessoas é importante para o 
profissional de saúde? 
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gosta-
ríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita-
mos que essa aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento 
sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
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MINHAS METAS
CONTRIBUIÇÕES 
INTERDISCIPLINARES DA PSICOLOGIA 
PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Compreender a mudanças de comportamentos relacionadas à saúde.
Conheceremos diversas teorias.
Entenderemos a utilidade do comportamento para o profissional de saúde.
Compreender as habilidades importantes ao profissional de saúde.
Aprender a utilizar a técnica da entrevista motivacional.
Compreender os conceitos de empatia, escuta, autonomia e motivação.
Aprender habilidades que fortaleçam a motivação no processo de mudança.
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DESENVOLVA SEU POTENCIAL
O papel do profissional de saúde é ensinar, a pessoas, como desenvolverem um 
estilo de vida saudável, e, a aquelas que já possuem algum fator de risco, a dimi-
nui-lo, ou a monitorá-lo. Em um âmbito mais geral, são essas pesquisas e estudos 
dos profissionaisde saúde que embasam o desenvolvimento de políticas públicas 
voltadas à promoção da saúde (Taylor, 2018).
Os benefícios de uma população ter hábitos de vida saudáveis são muitos: 
primeiramente, é possível aumentar a expectativa de vida das pessoas ao reduzir 
a mortalidade por doenças relacionadas ao estilo de vida. Em segundo lugar, 
consegue-se aumentar o número de anos que uma pessoa pode viver com mais 
qualidade, sem sintomas relacionados a doenças crônicas. Em terceiro, observar 
uma redução dos gastos com saúde para a própria pessoa e para o Estado, com 
a diminuição do número de internações e intervenções médicas (Taylor, 2018).
Comportamentos saudáveis buscam desenvolver ou manter a saúde. Quando 
se tornam hábitos, ocorrem de forma mais automática, geralmente enraizados na 
infância por orientações parentais, como escovar os dentes ou comer alimentos 
nutritivos. Embora seja difícil mudá-los, é possível promover hábitos saudáveis 
em qualquer fase da vida. Com crianças, esse ensino tem bons resultados, com o 
papel dos pais sendo fundamental, mas também pode ser feito em escolas e servi-
ços de saúde. Nos adolescentes, os hábitos se consolidam e há maior exposição a 
riscos, como álcool e drogas, devido à influência dos pares e à busca por aceitação.
Intervenções para pacientes com fatores de risco, como histórico familiar de 
doenças cardíacas, podem ser eficazes com orientações para parar de fumar. Para 
idosos, a promoção de comportamentos saudáveis envolve diversas abordagens, 
VAMOS RECORDAR?
Como posso investir no meu vínculo com o paciente ou o que posso fazer para 
ajudá-lo em seu processo de motivação? Existem várias habilidades que o 
profissional de outra área pode desenvolver e que serão muito úteis para ajudar 
o paciente na mudança de comportamento e no comprometimento com o 
tratamento. Neste podcast, conversaremos sobre algumas dessas habilidades.
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como estimular alimentação balanceada, manter atividades físicas regulares, prevenir 
quedas e acidentes, melhorar o uso de medicamentos e incentivar o envolvimento 
social. A prática de atividades físicas, por exemplo, é fundamental não só para manter 
o idoso ativo, mas também como oportunidade para interação social, combatendo a 
solidão e a depressão, além de aumentar o suporte social (Taylor, 2018).
Incentivar mudanças de hábitos e comportamentos saudáveis é uma tarefa 
fundamental dos profissionais de saúde, que devem considerar a pessoa de forma 
integral, conforme o modelo biopsicossocial. A educação, por meio de orienta-
ções e ensino, é uma maneira eficaz de promover essas mudanças. Campanhas 
educativas podem ter apelos positivos, destacando benefícios como a prática de 
exercícios físicos, ou negativos, enfatizando riscos como os de não realizar exa-
mes preventivos. Apelos ao medo, como nas campanhas antitabagismo, podem 
ser eficazes para alguns, mas também podem gerar ansiedade ou negação em 
pessoas que sentem não ter os recursos para lidar com o problema.
Para entender e apoiar a mudança de comportamento e a adesão ao trata-
mento, a Psicologia contribui com teorias e pesquisas que identificam fatores 
preditivos e influenciam esses processos.
COMPORTAMENTO SAUDÁVEL E ADESÃO AO TRATAMENTO: 
ENTENDENDO OS PROCESSOS ENVOLVIDOS 
Existem diversas variáveis que influenciam o nosso processo de saúde-doença, 
assim como diversos processos estão envolvidos no nosso comportamento e 
decisões relacionadas à saúde A seguir, veremos como algumas teorias descre-
vem e entendem esses processos, e, para que possamos visualizar como elas se 
aplicam em situações que podemos encontrar na nossa clínica, utilizaremos o 
caso de Armando, que tem 52 anos e teve um infarto há cinco meses. O pai e o 
tio dele faleceram há mais de 15 anos, em decorrência de problemas cardíacos.
Armando tem uma rotina de trabalho intensa, é corretor imobiliário, e está, 
sempre, com muitas pendências para resolver e clientes para atender. Muitas 
vezes, acaba trabalhando até tarde da noite ou, mesmo, no fim de semana. Fica 
muito estressado e tem a sensação de que não consegue dar conta de tudo.
É casado e tem dois filhos adolescentes. A esposa sempre diz que precisa 
desacelerar e passar mais tempo com a família, o que é motivo de discussão entre eles.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Armando não consegue ter um horário certo para fazer as refeições, acaba 
comendo quando “sobra um tempo” e o que tem disponível.
Nunca foi muito adepto de atividade física, e, quando tem um tempo livre, 
prefere relaxar, fazer um churrasco e beber cerveja. Também, não tem o costume 
de realizar algum acompanhamento médico, pois diz que não tem “tempo pra 
isso”. Depois que teve o infarto, os médicos o orientaram a mudar alguns hábitos 
e a tomar uma medicação corretamente, além de realizar um acompanhamento 
periódico. Armando ficou assustado com o que aconteceu, mas tinha dificulda-
des de pensar em como poderia mudar tantas coisas na própria vida para tentar 
se mantiver mais saudável.
Vamos ver como algumas teorias que abarcam mudança comportamental, 
no contexto da saúde, poderiam se aplicar ao caso do Armando?
Modelo de Crenças em Saúde 
O modelo foi originalmente desenvolvido por Geoffrey Hochbaum em 1958 e 
aprimorado por Marshall Becker e Irwin Rosenstock em 1984. Ele propõe que as 
crenças de uma pessoa sobre sua saúde influenciam diretamente seus comporta-
mentos. Quatro crenças principais são consideradas para prever comportamen-
tos relacionados à saúde: a percepção de suscetibilidade à doença; a percepção 
da gravidade da doença; os benefícios de adotar comportamentos saudáveis; e 
as barreiras ou dificuldades para adotar esses comportamentos (Brannon; Feist; 
Updegraff, 2014).
Os fatores de percepção dos benefícios e das barreiras parecem ser melho-
res preditores de adesão do que as percepções de risco e gravidade. Somente, 
avaliar os riscos não parece ser fator motivador suficiente para uma mudança 
de comportamento, uma vez que, se as barreiras parecem maiores do que o in-
divíduo pode suportar, esse fator parece ser mais determinante (Brannon; Feist; 
Updegraff, 2014). Assim, falta, a essa teoria, uma ideia muito importante, a da 
autoeficácia, que será apresentada a seguir.
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Teoria da Autoeficácia 
A teoria foi proposta por Albert Bandura e menciona que a ação de uma pessoa 
é resultado da interação entre três fatores: comportamento, ambiente e pessoal. 
Essa interação é chamada de determinismo recíproco.
Um componente importante do fator pessoal é a autoeficácia, que abarca 
a crença da pessoa de ter algum nível de controle sobre aspectos do próprio 
comportamento ou sobre aspectos ambientais. É a ideia que se tem dos recursos 
necessários para se produzirem resultados desejados em uma determinada situa-
ção. Quando uma pessoa acredita que pode fazer algo, ela tenta e persiste, mas, 
quando não acredita, desiste facilmente. Algo que pode exercer uma influência 
importante nesse processo é o quanto a pessoa acredita que os resultados dos 
próprios atos são benéficos a ela (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
Ao ser trazido todo esse contex-
to para o cenário da saúde, para que 
a adesão a um tratamento seja mais 
provável, a pessoa deve acreditar que 
possui as habilidades necessárias 
para efetuar a mudança e que isso 
traz resultados positivos para ela.
Como a história de Armando se 
encaixaria nessa teoria? Bom, o nos-
so paciente sabe que comportamen-
tos precisam mudar e o que precisa-
ria incluir na própria rotina, porém, 
alguns pontos precisam ser obser-
vados: ele nunca gostou de praticar 
atividade física e não acredita que 
consegue se manter fazendo algum 
exercício por muito tempo. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Além disso, não suporta a ideia de não ter uma estabilidade financeira, e, 
neste momento, não imagina como pode manter a mesma renda se reduzir o 
tempo ou a quantidade de trabalho. Com relação a esse último tópico, parece 
que, para Armando, o prejuízo financeiromais a teoria cristã em xeque, veio em 
1859, com a publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin (1809-1882).
 “ Nas situações explicativas que ele cita, a luta pela existência tem 
caráter fortemente causal, seja no plano de cada indivíduo, seja no 
próprio princípio, segundo o qual novas formas orgânicas origi-
nam-se na natureza.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Como cada (animal) existe por uma luta pela vida, é claro que cada 
um deve estar bem adaptado a seu lugar na natureza. Graças a essa 
luta, variações, embora leves e procedentes de qualquer causa, em 
algum grau, úteis aos indivíduos de uma espécie, nas suas infinita-
mente complexas relações com outros seres orgânicos e com suas 
condições físicas de vida, tenderão à preservação de tais indivíduos 
e serão geralmente herdadas pelos descendentes. Os descendentes 
também terão, assim, uma melhor chance de sobreviver, pois dos 
muitos indivíduos de qualquer espécie que periodicamente nascem 
apenas um pequeno número pode sobreviver. Chamei a esse prin-
cípio, pelo qual cada leve variação, quando útil, é preservada, pelo 
termo seleção natural (Regner, 2001, p. 49).
Darwin apresentou a sua teoria da evolução das espécies afirmando que o ser 
humano evoluiu a partir dos primatas, contrapondo mais uma vez as ideias de-
fendidas pela Igreja.
A terceira ferida narcísica veio com as descobertas de Sigmund Freud 
(1856- 1939). Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), Freud formou-se em 
Medicina na Universidade de Viena, em 1881, e especializou-se em Psiquiatria. 
Trabalhou algum tempo em um laboratório de Fisiologia e deu aulas de Neuropa-
tologia no instituto onde trabalhava. Além da vida acadêmica, Freud dedicou-se 
ao atendimento clínico de pessoas acometidas por “problemas nervosos”.
 “ Em 1900, no livro A interpretação dos sonhos, Freud apresenta a 
primeira concepção sobre a estrutura e o funcionamento psíquicos. 
Essa teoria refere-se à existência de três sistemas ou instâncias psí-
quicas: inconsciente, pré-consciente e consciente. O inconsciente 
exprime o conjunto de conteúdos não presentes no campo atual 
da consciência. É constituído por conteúdos reprimidos, que não 
têm acesso aos sistemas pré-consciente e consciente, pela ação de 
censuras internas. Esses conteúdos podem ter sido conscientes, em 
algum momento, e terem sido reprimidos, isto é, ‘foram’ para o in-
consciente, ou podem ser genuinamente inconscientes. O incons-
ciente é um sistema do aparelho psíquico regido por leis próprias de 
funcionamento. Por exemplo, é atemporal, não existem as noções 
de passado e presente. O pré-consciente refere-se ao sistema em 
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que permanecem os conteúdos acessíveis à consciência. É aquilo 
que não está na consciência nesse momento, mas no momento se-
guinte pode estar. O consciente é o sistema do aparelho psíquico 
que recebe ao mesmo tempo as informações do mundo exterior e 
as do mundo interior. Na consciência, destaca-se o fenômeno da 
percepção, principalmente a percepção do mundo exterior, a aten-
ção e o raciocínio (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p. 49).
Enquanto ainda se especulava acerca dos conhecimentos sobre o funcionamento 
da consciência, Freud revolucionou a humanidade ao dizer que o ser humano 
não é senhor de sua consciência, ou seja, ele postulou o inconsciente como parte 
constituinte do ser humano, dizendo que, além da consciência, todos nós somos 
movidos por razões e desejos mais profundos, que a consciência desconhece. A 
teoria se desenvolveu e deu origem à Psicanálise, teoria psicológica que estudare-
mos mais adiante. Freud é, portanto, considerado o “pai da Psicanálise”, e não da 
Psicologia. Você sabe quem é considerado o “pai da Psicologia”? O nome dele é 
Wilhelm Wundt, e explicaremos o porquâ ele é considerado o “pai da Psicologia”.
LEMBRE-SE
História: é uma ciência que estuda a reinterpretando e pensando criticamente sob 
da historiografia. A História pode ser dividida um com seu zeitgeist específico.
Contribuições da filosofia
Entender qual foi o caminho percorrido pelas profissões até se tornarem a ciên-
cia que conhecemos hoje exige uma definição do seu conceito atual. Partindo 
do campo da psicologia, que estuda os processos mentais e o comportamento 
humano, tendo a subjetividade humana como objeto de estudo pode dizer que 
a ciência, de uma maneira geral, encontrou na Filosofia o seu ponto de partida.
Você é nosso convidado para conhecer o caminho que estabeleceu a relação 
entre Filosofia e demais áreas do conhecimento e de que maneira a Filosofia contri-
buiu para seu desenvolvimento. Para tanto, precisamos ir até a Grécia antiga, berço 
de tantas descobertas e mobilizações que mudaram a história da humanidade.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Os filósofos gregos foram os responsáveis pelo desenvolvimento do método in-
trospectivo. Introspecção é o exame de ideias e experiências internas. Conforme 
descrito por Bock, Furtado e Teixeira (2008), a evolução do povo grego, em termos 
de organização social (já que não podemos esquecer que a Grécia foi o berço da 
democracia), permitiu que o cidadão se ocupasse com o pensar acerca das ques-
tões do espírito, como a Filosofia e a arte. Pensadores como Platão e Aristóteles 
começaram a analisar o homem e seus aspectos internos, como a alma e a razão.
A alma ou espírito era concebido como a parte imaterial do ser humano e abar-
caria o pensamento, os sentimentos de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a 
sensação e a percepção. Os filósofos pré-socráticos (assim chamados por antecederem 
o filósofo grego Sócrates) preocupavam-se em definir a relação do homem com o 
mundo através da percepção. Discutiam se o mundo existe porque o homem o vê 
ou se o homem vê um mundo que já existe. Havia uma oposição entre os idealistas 
(para os quais a ideia forma o mundo) e os materialistas (para os quais a matéria que 
forma o mundo já é dada para a percepção) (Bock; Furtado; Teixeira, 2008).
Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), a principal preocupação de Sócra-
tes (469-399 a.C.) era entender o que diferenciava o ser humano dos animais, 
concluindo que a principal característica humana era a razão, que o tornava um 
ser racional, capaz de agir sobrepondo-se aos seus instintos. Foi nesse momento 
que Sócrates iniciou os estudos do que mais tarde entenderíamos como consciên-
cia. Seguindo o mesmo caminho, Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, 
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preocupou-se em encontrar um lugar para a razão dentro do corpo humano. Esse 
lugar seria a cabeça, onde se encontra a alma humana. Platão concebia a alma 
separada do corpo e a medula como o elo que os unia.
Aristóteles contrapõe as ideias de Platão, postulando que alma e corpo não 
poderiam ser dissociados. Aristóteles foi o pensador responsável pela publicação 
do que é considerado o primeiro tratado de Psicologia, o “De Anima”, no qual 
trata das diferenças entre razão, percepção e sensações. A imagem a seguir nos 
traz a imagem dos pensadores que contribuíram para o surgimento da Psicologia.
Quando falamos da história da Psicologia, além da Grécia antiga e as contribui-
ções de seus filósofos, também precisamos nos remeter ao Império Romano e à 
Idade Média, pois foram nestes momentos históricos que se desenvolveram os 
conhecimentos de outros dois filósofos de grande importância: Santo Agostinho 
(354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274).
 “ Às vésperas da Era Cristã surge um novo império que iria dominar 
a Grécia, parte da Europa e o Oriente Médio: o Império Romano. 
Uma das principais características desse período é o aparecimento e 
o desenvolvimento do cristianismo – uma força religiosa que passa 
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a força política dominante. Mesmo com as invasões bárbaras, por 
volta de 400 d.C., que levam à desorganização econômica e ao esfa-
celamento dos territórios romanos, o cristianismo sobreviveu e até se 
fortaleceu, tornando-se a religião principal da Idade Média, período 
que então se inicia. As ideiasacaba pesando muito mais do que os 
benefícios que os hábitos saudáveis podem trazer para a vida dele, e, por não 
conseguir imaginar outra forma de lidar com a situação, avalia que não tem os 
recursos necessários para se engajar em mudanças nesse momento, ou seja, a 
crença de baixa autoeficácia, nesse contexto, seria um indicativo para a baixa 
adesão às orientações propostas.
De modo geral, esse modelo é um bom predito de adesão, mas peca por fo-
car, exclusivamente, na autoeficácia e omitir outros fatores, como suporte social.
Teoria do comportamento planejado
A teoria foi proposta por Ajzen, em 1985, e comenta que as pessoas tomam deci-
sões de como agir, de acordo com o objetivo que pretendem alcançar, sendo que 
um determinante imediato que ajudaria a prever a probabilidade de ocorrência 
de um comportamento seria avaliar a intenção comportamental, ou seja, a dis-
posição da pessoa para se engajar em uma atitude saudável, ou não (Brannon; 
Feist; Updegraff, 2014).
Straub (2023) descreve a teoria ao apontar que a intenção é influenciada por 
três fatores. Primeiramente, a avaliação da pessoa em relação ao comportamento: 
se é avaliado como positivo ou negativo. Por exemplo, quando pensamos em 
iniciar uma prática de atividade física, podemos considerar que isso tende a ser 
benéfico para ajudar na perda de peso e na melhora estética.
Em segundo, a percepção de quanto controle a pessoa tem sobre o compor-
tamento ou o quanto acredita ter sucesso ao realizar a ação esperada, voltada 
à saúde. Esse fator envolve a percepção das habilidades que tem para colocar 
em prática o comportamento e alcançar o resultado desejado. No exemplo que 
falamos, de iniciar uma prática de atividade física, podemos começar a avaliar 
como devemos inserir essa atividade no nosso dia a dia; se há tempo disponível 
ou se é possível reorganizar os horários; se é algo que temos facilidade de realizar; 
e como manter a motivação no decorrer do tempo.
Em terceiro, há a chamada norma subjetiva, definida pela crença da pessoa 
de que o meio social encoraja o comportamento a ser praticado e pelo quanto 
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essa pessoa se mostra motivada a aderir a desejos ou à influência de outros. Isso 
significa que a nossa motivação, para se engajar em um comportamento saudável, 
é maior se consideramos que ele é positivo e se as pessoas em volta, também, 
aprovam o comportamento em questão. Ainda, com relação ao exemplo da ati-
vidade física, ao notarmos o apoio e o incentivo de pessoas próximas quanto a 
essa ação, alcançamos maiores chances de nos mantermos engajados; por outro 
lado, se recebemos críticas por um determinado comportamento, ou mudança, 
existe uma tendência maior a abandonarmos essa ação.
Realizada uma análise geral dessa teoria, podemos avaliar que um ponto po-
sitivo é que ela é capaz de identificar as crenças que moldam o comportamento, 
porém, poderia ser mais efetiva, para prever a adesão, se incluísse outros fatores, 
como comportamentos passados.
Teoria Comportamental
A Análise do Comportamento, criada por B.F. Skinner, investiga a relação entre 
o indivíduo e o ambiente, focando no comportamento operante, que altera o 
ambiente e afeta o próprio indivíduo. As consequências desse comportamento 
moldam futuras ações. Quando uma consequência aumenta a probabilidade 
de repetição, é chamada de reforço: positivo (adição de algo bom) ou negativo 
(remoção de algo ruim). Quando a consequência diminui essa probabilidade, é 
uma punição: positiva (adição de algo ruim) ou negativa (remoção de algo bom). 
Esse ciclo reforça ou enfraquece comportamentos com longo do tempo.
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No contexto de adesão a um tratamento, preconiza-se que sejam prioriza-
das estratégias que envolvem reforçadores, uma vez que a punição causa efeitos 
pouco produtivos e, muitas vezes, maléficos, já que levam a fortes sentimentos 
negativos (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
 Por exemplo, vamos voltar ao caso de Armando, que precisaria mudar de 
rotina para incluir uma atividade física e uma alimentação mais saudável. Já 
sabemos que ele estava com muita dificuldade de realizar essas mudanças. No 
retorno, com o cardiologista, este foi muito enfático ao dizer que não havia jus-
tificativa para que ele continuasse se mantendo em risco, e que a não adesão ao 
tratamento poderia ocasionar uma redução da expectativa de vida dele. As falas 
do médico funcionaram como uma punição ao comportamento de Armando, 
que continuava realizando comportamentos prejudiciais à própria saúde. 
Diante disso, ele ficou muito irritado, pensando que o médico não poderia ter 
sido tão duro, uma vez que não sabia o que ele estava passando para dizer tudo 
aquilo e que procuraria outro médico para acompanhá-lo.
A punição leva a sentimentos de raiva, tristeza e frustração, e, para evitar sentir 
tais sentimentos, muitos pacientes deixam de realizar o acompanhamento com de-
terminados profissionais, ou começam a omitir informações para não ser punidos.
O modelo comportamental considera que a adesão pode ser mais difícil, a 
depender da história de vida de cada um, isso porque comportamentos ensinados 
pelos pais, ou hábitos instalados há muitos anos, são mais resistentes à mudança. 
As pessoas podem precisar de ajuda para instalar esses novos comportamentos, 
e, nesse cenário, o profissional pode lançar mão de algumas estratégias, como 
estimular o uso de lembretes, recados, ou estabelecer contratos de compromisso 
(Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
Modelo Trans-teórico ou de Estágios da Mudança
O Modelo Transitório, ou Modelo de Estágios da Mudança, proposto por James 
Prochaska e Carlo DiClemente, apresenta uma ideia de que as pessoas passam 
por cinco estágios no processo de mudança de comportamentos de saúde, sendo 
que a passagem por cada ciclo ocorre de forma não linear, ou seja, em espiral. 
• Para exemplificar esse modelo, apresentaremos o caso de Leila, uma mu-
lher jovem de 32 anos, que luta com a balança desde a adolescência. No 
último ano, ela passou por algumas situações difíceis no trabalho, depois 
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que assumiu um cargo com muitas responsabilidades. Ela acredita que 
todo o estresse vivido contribuiu para que ganhasse cerca de 15kg no 
período. Apesar de estar muito incomodado com a aparência e com o fato 
de as roupas não estar mais servindo, ela afirma que, nesse momento, não 
está ‘com cabeça’ para pensar em mudar a própria alimentação.
Você, provavelmente, já ouviu uma história parecida, certo?! Então, com essas 
informações da história de Leila, veremos como os estágios de mudança se apli-
cariam a ela (Straub, 2014; Taylor, 2018):
ESTÁGIO DESCRIÇÃO EXEMPLO (LEILA)
1 PRÉ-CONTEMPLAÇÃO
A pessoa não reconhece 
que tem um problema e 
não tem intenção de mudar.
Leila não percebe que 
sua relação com a co-
mida está prejudicando 
sua saúde.
2 CONTEMPLAÇÃO
A pessoa reconhece que 
tem um problema, mas não 
tem intenção imediata de 
mudar.
Leila percebe que seu 
peso é um problema, 
mas ainda não quer 
mudar seus hábitos.
3 PREPARAÇÃO
A pessoa começa a planejar 
a mudança, mas ainda não 
a programou.
Leila decide procurar 
um profissional ou com-
prar menos doces, mas 
ainda não age.
4 AÇÃO
A pessoa realiza mudan-
ças no comportamento, se 
comprometendo com o 
processo.
Leila começa a cuidar 
da alimentação e iden-
tifica os gatilhos para o 
excesso de comida.
5 MANUTENÇÃO
A pessoa mantém os 
resultados e age de forma 
preventiva para sustentar a 
mudança.
Leila adota práticas 
saudáveis de forma 
consistente para manter 
os resultados alcança-
dos.
Quadro 1 – Estágios de mudança
Fonte: adaptado de Straub (2014) e Taylor (2018).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
O modelo é muito útil para o planejamento de ações em saúde, uma vez que pode 
tornar a intervenção mais individualizada. Por exemplo, pessoas no estágio de 
pré-contemplação precisam de ajuda para descobrir por que precisam mudar; 
já nos estágios de contemplação e ação, necessitam de auxílio parasaber como 
mudar. Por fim, as que estão no estágio de manutenção devem saber como per-
sistir (Brannon; Feist; Updegraff, 2014).
Para quem está no estágio de contemplação, a intervenção pode ser direcio-
nada a fazer reflexões a respeito de como se sente e do que pensa em relação ao 
próprio estado de saúde, incluindo o que mudaria se não tivesse mais esse pro-
blema. Para Leila, podemos pedir para que pense nos impactos da obesidade na 
vida dela e no que mudaria se conseguisse ter uma outra relação com a comida.
Diante de quem está no estágio de preparação, podemos estimular o com-
promisso com a mudança, estabelecidos metas e prazos para iniciá-la. Aqui, 
poderíamos incentivar a Leila a se comprometer a não comprar mais doces na 
próxima ida ao mercado, ou padaria.
Por fim, para aqueles que se encontram no estágio de ação, estamos aptos a 
trabalhar a fim de ensinar estratégias de autocontrole e enfrentamento, além da 
busca de suporte social. Aqui, pode ser muito efetivo ensinar, para Leila, como 
identificar os momentos nos quais há uma maior probabilidade de comer de 
forma excessiva, além de desenvolver habilidades emocionais para lidar com 
esses momentos.
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São alguns modelos apresentados por estudiosos da Psicologia e que podem 
nos ajudar a compreender os processos pelos quais os pacientes passam quando 
estão diante da possibilidade de mudar os próprios comportamentos de saúde. 
Podemos observar que cada um deles lança um olhar diferente, ou traz contri-
buições distintas, as quais destacam um aspecto dos funcionamentos cognitivo e 
comportamental das pessoas e denotam a complexidade de cada indivíduo. Por 
que precisamos ter um mínimo de conhecimento desses processos? Justamente, 
para não simplificar, ou diminuir, as dificuldades que os pacientes trazem, ou 
relatam, para nós, em um consultório. 
Mudar comportamentos é um desafio, pois cada pessoa está em um momento 
único da vida e com contextos próprios. Compreender o estágio de mudança em que 
o indivíduo se encontra, seu suporte social e sua autopercepção, ajuda a criar pla-
nos terapêuticos mais eficazes. Para incentivar hábitos saudáveis, podem ser usados 
métodos educativos que destacam benefícios (mensagens positivas) ou os riscos de 
comportamentos prejudiciais (mensagens negativas). Já nas estratégias comporta-
mentais, o foco é modificar comportamentos específicos, com ações como manter 
contato regular com o paciente, enviar lembretes, fornecer dicas práticas e ensinar 
autocuidado, facilitando a adesão ao tratamento e à mudança de hábitos.
Embora métodos educativos ajudem a promover o conhecimento, as estraté-
gias comportamentais são geralmente mais eficazes, pois muitas pessoas sabem o 
que é saudável, mas não adotam essas práticas por acharem-nas menos atraentes. 
Para facilitar a adesão, é importante simplificar as orientações e usar alimentos 
que já fazem parte do cotidiano do paciente. Além disso, o uso de redes sociais 
pode ser uma ferramenta útil para manter a proximidade com os pacientes, ofe-
recendo dicas e mensagens personalizadas, funcionando como um estímulo para 
que eles sigam as recomendações.
QUE HABILIDADES O PROFISSIONAL 
DE SAÚDE PRECISA TER:
Quando um paciente procura um profissional de saúde para auxiliá-lo com al-
guma demanda, ele busca alguém que tenha um bom domínio teórico ou um 
bom conhecimento do assunto em questão. É importante sentir que aquele pro-
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
fissional possui os conhecimentos necessários para oferecer o melhor tratamento 
possível para cada caso, porém, ter propriedade teórica não é tão útil se faltam as 
habilidades necessárias para repassar esse conhecimento e, principalmente, para 
entender qual é a necessidade do outro naquele momento. Assim, quais são as 
habilidades que um profissional de saúde precisa ter para conseguir estabelecer 
um bom vínculo com um paciente, conseguir entender e criar estratégias para 
aumentar a adesão às orientações propostas?
O papel da motivação
Você já deve ter ouvido frases motivacionais em algum momento da sua vida. 
Elas, geralmente, são colocadas como fórmulas mágicas de como levar a vida ou 
do que devemos fazer para ficar bem. Não é disso que falaremos neste tópico. 
Para começar, precisamos entender o que é motivação.
Motivação é um conceito central na psicologia que descreve os processos que 
direcionam, iniciam e mantêm comportamentos, além de influenciar o nível de 
esforço dedicado a atividades específicas. Ela pode ser tanto intrínseca quanto 
extrínseca. A motivação intrínseca está relacionada com a satisfação interna de 
realizar uma tarefa, como aprender algo novo ou alcançar um prazer pessoal. Já 
a motivação extrínseca é influenciada por fatores externos, como recompensas 
tangíveis ou reconhecimento social . 
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REGULAÇÃO
EXTERNA
REGULAÇÃ
 INTROJETADA
REGULAÇÃO
IDENTIFICADA
REGULAÇÃO
EXTERNA
Comer de deter-
minada maneira 
para atender a 
expectativas do 
outro ou para 
ganhar algum 
prêmio.
Comer de 
determina-
da maneira, 
apenas, para 
evitar a culpa, 
ou melhorar a 
autoestima.
Comer de determi-
nada maneira, ape-
nas, por acreditar 
que faz bem para a 
saúde, mesmo que 
não seja prazeroso. 
Inclui alimentos 
que agregam 
valores culturais, 
memória, sabor, 
satisfação, não 
pelo valor nutri-
cional
Ex.: Vou comer 
legumes para 
ganhar chocolates 
depois da refeição.
Ex.: Vou comer 
legumes porque 
sei que não 
engorda.
Ex.: Vou comer 
legumes pois meu 
médico falou que 
faz bem e faz meu 
corpo funcionar 
melhor
Ex: Vou tentar 
incluir a beringela. 
Vou fazer uma 
receita diferente 
que comi no res-
taurante e gostei 
bastante.
Quadro 2 - Exemplos de motivação extrínseca nas diferentes formas de regulação 
Fonte: adaptado de Dunker et al. (2019).
Concluímos, então, que o nível de motivação é mais forte quanto mais interna-
lizado for e quanto mais sensações prazerosas gerar para a pessoa que realiza o 
comportamento. Ainda, essa motivação tende a ser, negativamente, afetada quan-
do a pessoa não consegue identificar a relação entre o próprio comportamento e 
o resultado desejado. “A motivação, para a realização de qualquer mudança, dá-se 
pela consciência, e depende do momento de vida da pessoa (desejo, confiança e 
prontidão para mudar)” (Dunker et al., 2019, p. 203).
Outro ponto muito importante a se destacar é o fato de que não é possível 
motivar o outro, tendo em vista que a motivação é um aspecto individual, porém, 
é importante compreender como os processos motivacionais se apresentam nas 
pessoas e como podemos utilizá-los a nosso favor. (Dunker et al., 2019).
Também, podemos destacar o estado de ausência de motivação, no qual a 
pessoa não identifica propósito, ou intenção, em relação a uma determinada 
atividade, e, por isso, não se engaja nela. Observaremos, a seguir, como esse 
modelo seria aplicado em um contexto alimentar:
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Entrevista Motivacional
Para conseguir realizar um bom trabalho com os nossos pacientes, precisamos 
identificar o nível de motivação de cada um deles, visto que o simples fato de 
um ter procurado atendimento profissional não garante que ele está motivado 
(Dunker et al., 2019). 
Nesse contexto, a entrevista motivacional desponta como uma ferramenta 
muito útil aos profissionais que precisam trabalhar com a mudança de compor-
tamento em pacientes. A entrevista motivacional é uma técnica utilizada para 
o aconselhamento em saúde, a qual busca utilizar a motivação do paciente para 
promover a mudança de determinados comportamentos através do diálogo entre 
profissional de saúde e paciente.
Dunker et al. (2019) apontam que a entrevista motivacional é aplicada de 
forma mais efetiva se o profissional conduz a conversa com o paciente e consi-
dera quatro elementos principais: respeito, empatia, colaboração e capacidade 
de escutar.
O respeito abarca as capacidades de entender e aceitar a autonomia do pa-
ciente, ou seja, reconhecer que ele tem a liberdade sobreas próprias escolhas, por 
mais contraditórias que pareçam e por mais que difiram das orientações realiza-
das pelo profissional. Essas contradições fazem parte do processo de mudança. 
A empatia se refere ao ouvir sem julgar; é a capacidade de se colocar no lugar 
do outro não para dizer “se eu estivesse no seu lugar faria assim”, mas para dizer 
“considerando tudo que você passou, eu entendo como você se sente”. Pressu-
põe o acolhimento da pessoa de forma integral, ao considerar que ela tem uma 
história, dores, dificuldades e potencialidades que a levam a se comportar da 
forma como o fazem. Esse ponto é muito relevante para ajudar na compreensão 
das motivações da pessoa.
A colaboração envolve a relação entre profissional e paciente, e deve se basear 
na equidade, ou seja, não deve ser construída ao serem considerados um suposto 
saber do profissional e a ignorância do paciente. Pela colaboração, entende-se que 
ambas as pessoas, em uma relação, podem contribuir de alguma forma, assim, 
estabelece-se uma parceria, de modo a estimular uma troca de conhecimento.
Nesse sentido, o paciente é convidado a assumir um papel ativo na consulta. 
A capacidade de escutar determina a habilidade de prestar atenção, de perceber, 
e pode ser chamada de escuta ativa, justamente, por não ser uma atividade passi-
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va, uma vez que envolve a sensibilidade de observar o que é dito e o que fica nas 
entrelinhas. Para tanto, é necessário estar “aberto” ao outro. Isso pode ser visto 
quando mantemos contato visual, afastamo-nos do computador ou do papel e 
caneta direcionou a atenção e não interrompemos, e quando utilizamos alguns 
sinais de incentivo, como balançar a cabeça, falar “aham”, “entendo”, “certo” etc. 
(Alvarenga et al., 2019).
Escutar nos permite conhecer melhor aquele com quem falamos, e, conse-
quentemente, ajuda-nos a entender melhor o outro. Muitos profissionais não 
gostam de utilizar perguntas abertas por acreditar que o atendimento se esten-
de em demasia, porém, são essas perguntas que nos permitem conhecer a real 
necessidade do paciente, e não aquilo que nós acreditamos ser a necessidade 
dele. Sentir-se acolhido e ouvido é essencial para que se fortaleça o vínculo entre 
paciente e profissional. Para ouvir o outro, precisamos nos silenciar, no sentido 
de evitar pensamentos e julgamentos, o que implica fazer perguntas e esperar a 
resposta, não colocar palavras na fala do outro, ou tirar conclusões precipitadas 
(Alvarenga et al., 2019).
Na entrevista motivacional, é necessário que o profissional tenha conheci-
mento dos passos necessários para auxiliar o paciente no processo de mudança 
e das habilidades para conduzir a entrevista.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Fortalecimento da motivação
Quando começamos a ouvir a demanda do paciente, é imprescindível buscar 
compreender por que aquilo que ele está solicitando é importante para ele, ou 
seja, quais são as reais motivações dele. É comum que algumas pessoas cheguem 
no consultório e relatem motivações extrínsecas, como “minha esposa acha que 
como demais” ou “o médico disse que preciso emagrecer”. O papel do profissional 
é o de ajudar o paciente a reconhecer os próprios interesses pessoais para realizar 
a mudança. Por exemplo, quando o sujeito chega ao consultório e diz que procu-
rou atendimento porque gostaria de perder peso, essa é uma fala vaga, vazia. É 
necessário entender por que perder peso é importante para ele, o que ele acredita 
que, de positivo, deve conquistar ao alcançar essa meta (Dunker et al., 2019).
Os objetivos da escuta não são encontrar e apontar os erros do paciente, mas 
compreender o que ele tem feito e o porquê de estar fazendo dessa forma. Aqui, 
novamente, ressalta-se a importância do papel ativo desse paciente durante a con-
sulta. Ele não é, apenas, um receptáculo, que absorve todo o conteúdo repassado 
pelo profissional. A mudança de comportamento é mais provável se ele se sente 
participativo no processo, e se os motivos para mudar são apresentados por ele 
mesmo, e não impostos pelo outro.
É necessário considerar os saberes do paciente, aquilo que ele tem aprendido 
durante toda a vida e que acredita ser o correto, pois, nesses saberes, também, estão 
implícitos valores e crenças. O conhecimento científico é, extremamente, importante, 
mas não podemos nos esquecer de que nós, profissionais de saúde, tratamos e 
cuidamos de pessoas, não de doenças. É importante conhecer a doença para tratar 
de tal pessoa, mas esta não se resume a uma patologia (Dunker et al., 2019).
Quando o profissional investiga e busca fortalecer a motivação do paciente, 
é muito comum que, nesse processo, sejam identificadas ambivalências em rela-
ção à mudança: o paciente encontra, além de motivos para mudar, para continuar 
mantendo o comportamento antigo. Tais posturas podem ser identificadas em um 
mesmo discurso e é, papel do profissional, ajudá-lo a refletir a respeito dos prós e 
contras de cada comportamento e do quanto acredita estar motivado, ou pronto, 
para mudar. Nessa última pergunta, o paciente pode ser estimulado a dar uma nota 
para essa prontidão para mudar, de 0 a 10, e questionado acerca do motivo de não 
ter dado uma nota maior ou menor, por exemplo (Dunker et al., 2019).
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Planejando a intervenção
Quando identificamos a disponibilidade do paciente para mudar, começamos 
a planejar a ação e estabelecer as metas. As metas são importantes para ajudar 
no direcionamento, determinando o ponto a ser alcançado e o prazo para isso. 
Mantendo a ideia de estimular a autonomia, é importante que o próprio pacien-
te estabeleça as suas próprias metas, considerando as suas habilidades e a sua 
realidade de vida.
Nesse momento, o profissional deve incentivar a autoeficácia do paciente ou 
reforçar que ele é capaz, assim como administrar as expectativas, estimulando 
o paciente a refletir, por exemplo, a possibilidade de aumentar o consumo de 
determinados alimentos ou diminuir o consumo de outros – considerando as 
metas já escolhidas (Dunker et al., 2019). 
É importante que o profissional também tenha espaço para compartilhar 
informações relevantes, que auxiliarão o paciente a alcançar as metas. Pode ser 
útil, para evitar a resistência do paciente, sempre pedir permissão para introduzir 
um novo conteúdo, com falas como “você gostaria de saber” ou “posso fazer uma 
sugestão”, por exemplo (Alvarenga et al., 2019).
A forma como a informação é apresentada deve ser adaptada para cada pa-
ciente, ou seja, a mesma informação deverá ser repassada de forma diferente 
dependendo da pessoa que estamos lidando (Alvarenga et al., 2019).
 Nesse ponto, podem ser utilizadas perguntas que reforçarão o processo de au-
tonomia, levando o paciente a pensar sobre como colocará as mudanças em prática.
Para encerrar a consulta, o profissional pode fazer um resumo do que foi 
conversado e dos comportamentos que o paciente quer mudar, e retomar possí-
veis empecilhos para a mudança e quais estratégias podem ser utilizadas nesse 
momento. Para que o paciente se sinta estimulado, a frase de encerramento pode 
ser voltada à crença na capacidade dele de concretizar as metas estabelecidas 
(Dunker et al., 2019).
Nas consultas de reforço, tanto as metas como os seus resultados devem ser 
retomados, valorizando o esforço do paciente, identificando as barreiras encon-
tradas, pensando em soluções e estabelecendo novas metas. Pode ser bastante 
importante verificar e ajustar as metas, para que sejam mais realistas ao contexto 
do paciente, visto que, ao estabelecer metas muito altas e que dificilmente será 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
alcançada em curto prazo, a chance de fracasso é grande e isso pode gerar frustra-
ção ao paciente, comprometendo o seu compromisso com a mudança. Deve-se 
sempre priorizar metas pequenas para serem realizadas em curto prazo, as quais 
serão escalonadas com o tempo (Dunker et al., 2019).
NOVOS DESAFIOS
Para promover mudanças eficazes no comportamento de saúde deum paciente, é 
essencial entender em que estágio de mudança ele se encontra, suas crenças sobre 
suas habilidades e as barreiras que ele enfrenta. Isso permite que o profissional 
de saúde crie intervenções personalizadas, ao invés de aplicar uma abordagem 
genérica. A consulta deve ser adaptada ao contexto do paciente, e para isso, ha-
bilidades como empatia, escuta ativa e boa comunicação são fundamentais.
Estudante, agora avaliaremos o conteúdo que aprendemos e a importância 
dele para a sua formação. Nesse momento, devemos retomar as teorias que falam 
sobre o processo de mudança de comportamento em saúde. Tentem esquemati-
zar quais são os pontos relevantes para cada uma dessas teorias ou quais são os 
componentes de mudança de cada uma delas. Quais são os passos da entrevista 
motivacional. Identifique os aspectos relevantes de cada um dos passos, como: o 
que é importante no início da consulta; pontos importantes de como fortalecer 
a motivação; e como planejar a intervenção
A entrevista motivacional se destaca como uma ferramenta eficaz, pois foca 
no fortalecimento do vínculo entre o profissional e o paciente, permitindo que 
o próprio paciente tenha um papel ativo no processo de mudança. Quando o 
paciente participa ativamente da definição de metas e soluções, as chances de 
sucesso aumentam significativamente.
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MINHAS METAS
COMPREENDENDO O TERMO 
SAÚDE NO SEU SENTIDO AMPLO
Conhecer a política pública de saúde.
Conhecer a Política Nacional de Atenção Básica.
Compreender os princípios de promoção de saúde e integralidade. 
Conhecer os comportamentos em saúde.
Compreender como a Psicologia interfere no trabalho em saúde.
Compreender o conceito Saúde.
Compreender as principais legislações e materiais nacionais de referência.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
O conceito de saúde evoluiu significativamente ao longo do tempo. A definição 
tradicional de saúde como simples ausência de doenças foi desafiada em 1948, 
quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a redefiniu como um “estado 
completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfer-
midades ou invalidez” (OMS, 2009). No entanto, muitos estudiosos criticaram 
essa definição, argumentando que é impossível atingir um estado de bem-estar 
completo, uma vez que os seres humanos estão em constante mudança e adap-
tação (Daneluci, 2010).
Daneluci (2010) reforça que a saúde é um conceito dinâmico, variável e sub-
jetivo, influenciado por fatores como cultura, lugar, vivências pessoais, classe 
social, gênero, faixa etária e até mesmo valores religiosos. Isso implica que cada 
indivíduo e cada sociedade compreendem saúde e doença de maneiras diferen-
tes, com base em suas experiências e condições de vida. Assim, saúde e doença 
não são conceitos fixos ou opostos, mas coexistem e estão relacionados com a 
sobrevivência e a qualidade de vida.
Além disso, como aponta o Ministério da Saúde do Brasil (2005), é crucial 
ampliar o conceito de saúde, rejeitando analogias simplistas como a comparação 
entre o corpo humano e uma máquina. O estado de “bom funcionamento” do 
corpo não pode ser equiparado à saúde, uma vez que saúde envolve subjetividade, 
incluindo a capacidade de enfrentar novas situações, superar limitações e viver 
em equilíbrio, mesmo em meio a tensões e desconfortos. 
O papel dos profissionais de saúde, nesse contexto, é auxiliar na promoção da 
autonomia dos indivíduos, ajudando-os a identificarem e enfrentarem os riscos 
inevitáveis da vida, enquanto evitam os riscos que podem ser controlados. 
Esse enfoque coloca a responsabilidade da saúde, em grande parte, nas mãos 
das próprias pessoas, mas com o suporte dos profissionais de saúde, que devem 
oferecer conhecimento técnico e apoio no processo de defesa da vida e promoção 
de políticas de saúde baseadas em objetivos realistas.
Outro aspecto importante na evolução do conceito de saúde é a crescente va-
lorização do bem-estar mental e social, que tem sido considerado, cada vez mais, 
tão relevante quanto a saúde física. A saúde mental, antes negligenciada ou es-
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tigmatizada, passou a ser reconhecida como um componente fundamental para 
a qualidade de vida. Isso reflete uma visão mais holística da saúde, que busca o 
equilíbrio entre os diversos aspectos do ser humano. A promoção da saúde mental, 
o enfrentamento do estigma em torno das doenças mentais e a criação de ambientes 
de apoio social são agora prioridades em muitas políticas de saúde pública.
Por fim, é fundamental que o sistema de saúde se adeque a essa visão amplia-
da, considerando as necessidades individuais e coletivas de saúde, e não apenas 
o tratamento de doenças. As políticas de saúde devem ser desenhadas para pro-
mover a equidade, dando acesso igualitário a cuidados de saúde de qualidade e 
respeitando as particularidades culturais, sociais e econômicas dos indivíduos. 
Esse modelo propõe uma abordagem mais inclusiva e sensível às diversidades, 
com a participação ativa das pessoas no cuidado da sua saúde e bem-estar.
A POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE
A Primeira Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, rea-
lizada em Alma-Ata em 1978, marcou um momento crucial na formulação de 
políticas globais de saúde. Nessa conferência, foi destacada a necessidade urgente 
de ações concretas para a promoção da saúde e o reconhecimento de que a saúde 
é um direito humano fundamental. A definição de saúde foi reafirmada como 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência 
de doença. A meta de alcançar o nível mais elevado de saúde possível foi estabe-
lecida como um objetivo social global, e os cuidados primários de saúde foram 
identificados como o principal instrumento para atingir esse objetivo (Who, 2018).
Figura 1 - Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, Cazaquistão, 1978
Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1072143. Acesso em: 6 dez. 2024.
Descrição da Imagem: a imagem mostra o interior de um grande plenário. O espaço é amplo, com uma grande 
quantidade de cadeiras dispostas em fileiras que se estendem até o fundo, onde é possível ver uma mesa de 
discussão à frente. A iluminação do ambiente é bastante intensa, com luzes instaladas no teto. A fotografia é em 
preto e branco, o que dá uma sensação de antiguidade ou formalidade. A disposição das cadeiras e da estrutura do 
local sugere que o evento é de grande importância, com muitas pessoas presentes, possivelmente participando 
de uma sessão plenária ou votação. Fim da descrição. 
Essa visão ampliada da saúde tem sido reforçada por políticas mais recentes, que 
continuam a enfatizar a importância da promoção da saúde ao invés de focar 
apenas na cura e reabilitação. A Declaração de Astana, de 2018, por exemplo, 
revisitou os princípios de Alma-Ata, reiterando que a atenção primária à saúde 
é essencial para alcançar a cobertura universal de saúde e os Objetivos de De-
senvolvimento Sustentável (Who, 2018). Promover a saúde significa atuar de 
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forma preventiva e educativa, abordando determinantes sociais, econômicos e 
ambientais da saúde, e não apenas tratar doenças já instaladas.
A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada 
em Ottawa em 1986, foi um marco na definição de estratégias globais para a 
promoção da saúde. A Carta de Ottawa estabeleceu que a responsabilidade 
pela promoção da saúde deve ser compartilhada entre indivíduos, comunidades, 
profissionais de saúde, instituições e governos. A proposta era criar um sistema de 
saúde que trabalhasse de forma colaborativa para alcançar altos níveis de saúde, 
indo além da cura e priorizando ações preventivas e educativas (Who, 1986).
No contexto brasileiro, essa abordagem foi fundamental durante o processo 
de redemocratização do país, após o fim da ditadura militar. A Constituição Fe-
deral de 1988 incorporou essesprincípios ao definir a saúde como um direito de 
todos e dever do Estado, garantindo o acesso universal às ações de promoção, 
proteção e recuperação da saúde. Isso levou à criação do Sistema Único de Saú-
de (SUS), regulamentado pelas Leis Orgânicas da Saúde (Lei nº 8.080/1990 e Lei 
nº 8.142/1990), que estabelecem um sistema de saúde descentralizado, universal 
e com participação comunitária (Brasil, 1990).
Figura 2 - Logotipo do SUS
Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3611135. Acesso em: 6 dez. 2024.
Descrição da Imagem: a imagem mostra o logotipo do SUS (Sistema Único de Saúde), que é o sistema de saúde 
público do Brasil. O logotipo é composto pela palavra SUS escrita em letras azuis. Brasil 2020. Fim da descrição.
O SUS baseia-se em princípios como a universalidade, a equidade e a integra-
lidade da assistência. O princípio da integralidade, em especial, visa assegurar 
um cuidado completo ao ser humano, compreendendo suas necessidades em 
todos os níveis de atenção, desde os mais simples até os mais complexos, reco-
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
nhecendo tanto as necessidades individuais quanto as coletivas (Brasil, 1990). 
Esse modelo de saúde busca promover o bem-estar da população por meio de 
ações integradas, preventivas e resolutivas.
A Lei Orgânica da Saúde (Lei n° 8.080, de 1990) define a saúde como resul-
tado de fatores determinantes e condicionantes, como alimentação, moradia, 
saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer e 
acesso a bens e serviços essenciais, dentre outros (Brasil, 2005). Essa visão ampla 
de saúde embasa o Sistema Único de Saúde (SUS), que visa melhorar a qua-
lidade de vida e garantir o direito à saúde, promovendo novas perspectivas de 
cuidado e promoção da saúde, com ênfase nos determinantes sociais de saúde.
SUS: O Que Você Precisa Saber Sobre o Sistema Único de 
Saúde
O livro oferece uma visão detalhada sobre a formulação e a 
implementação de políticas de saúde no Brasil, destacando o 
papel do SUS na promoção da saúde como um direito univer-
sal. Ele aborda as relações entre política, economia e saúde, 
além de discutir as principais reformas que impactaram o setor 
ao longo dos anos.
INDICAÇÃO DE LIVRO
A Atenção Básica, também chamada de atenção primária no contexto inter-
nacional, é a porta de entrada preferencial do SUS, oferecendo um conjunto 
de ações de saúde individuais e coletivas que abrangem desde a promoção e 
prevenção até o tratamento, reabilitação e manutenção da saúde. A Estratégia 
de Saúde da Família (ESF) é a principal ferramenta de execução dessas ações 
no Brasil, permitindo a organização e a coordenação dos cuidados de saúde. 
Segundo Boing e Crepaldi (2010), o termo “atenção básica” tem um sentido mais 
amplo no Brasil, enquanto “atenção primária” é utilizado internacionalmente de 
forma mais restrita, geralmente referindo-se a ações de saúde coletiva voltadas 
para promoção e prevenção.
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A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), revisada em 2017, reforça a 
importância da atenção integral à saúde, abordando tanto as necessidades indi-
viduais quanto os fatores sociais que influenciam a saúde das coletividades. A 
PNAB visa fortalecer as Redes de Atenção à Saúde (RAS), nas quais a atenção 
básica desempenha um papel fundamental ao coordenar o cuidado e garantir 
que as necessidades da população sejam atendidas de forma integrada, resolutiva 
e contínua (Brasil, 2017).
PREVENÇÃO PRIMÁRIA
envolve ações antes do surgimento de doenças, com foco na promoção da saúde e 
na educação para reduzir a exposição a fatores de risco. Exemplos incluem campa-
nhas de vacinação, ações educativas sobre o HIV e promoção de hábitos saudáveis na 
comunidade. O objetivo é evitar o início da doença.
PREVENÇÃO SECUNDÁRIA
ocorre quando a doença já está presente, mas ainda em estágios iniciais. A interven-
ção neste nível visa detectar precocemente a condição para evitar complicações. 
Exemplos incluem exames de rastreamento, como o teste de HIV para quem está em 
risco, e o diagnóstico precoce de doenças como hipertensão.
PREVENÇÃO TERCIÁRIA
trata-se da reabilitação e do controle de doenças que já causaram efeitos significa-
tivos no paciente. O foco é melhorar a qualidade de vida, minimizar sequelas e evitar 
complicações adicionais. Para pessoas com HIV, isso pode incluir tratamentos antirre-
trovirais e acompanhamento para evitar a progressão para AIDS.
PREVENÇÃO QUATERNÁRIA
surgiu como um modelo mais recente, focado na redução do impacto das interven-
ções médicas desnecessárias e no cuidado coordenado, evitando procedimentos 
invasivos excessivos e focando na qualidade de vida do paciente.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Esses níveis são fundamentais para o trabalho dos profissionais de saúde, pois 
eles estruturam as estratégias de atuação de forma a promover uma saúde mais 
eficiente e abrangente (OMS,2023).
Figura 3 - Igualdade e Equidade
Descrição da Imagem: a imagem apresenta duas ilustrações lado a lado para explicar a diferença entre igualdade 
e equidade. - **Esquerda (Igualdade):** Uma ilustração mostra três pessoas de alturas diferentes (representadas 
por figuras coloridas) tentando alcançar maçãs em uma árvore. Cada uma delas está sobre uma única caixa de 
madeira, recebendo exatamente o mesmo suporte. No entanto, uma pessoa mais alta consegue alcançar as 
maçãs facilmente, enquanto uma pessoa de altura mediana mal consegue tocar as maçãs, e a pessoa mais baixa 
não alcança nenhuma maçã, mesmo com a ajuda da caixa. Esta parte ilustra o conceito de **igualdade**, em que 
todos recebem o mesmo recurso (uma caixa), mas nem todos têm condições iguais de sucesso devido às suas 
diferenças individuais. - O lado direito da imagem, a equidade é equidade busca compensar **. Fim da descrição.
Os princípios de promoção de saúde e Integralidade
Segundo o Manual Técnico de Promoção de Saúde e Prevenção de Riscos e 
Doenças na Saúde Suplementar (Brasil, 2009a), os primeiros conceitos de promo-
ção de saúde derivam dos anos 1920 e 1946, quando se definiram quatro tarefas 
fundamentais da medicina: a promoção da saúde, a prevenção das doenças, a 
recuperação e a reabilitação. Posteriormente, em 1965, foram apresentados três 
níveis de prevenção: primária, secundária e terciária.
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Conforme estudado no tópico anterior, os modos de viver foram por muito 
tempo abordados de uma maneira individualizante, colocando o sujeito e as 
comunidades como únicos responsáveis pelas mudanças ocorridas no âmbi-
to da saúde e doença. Contudo, na perspectiva ampliada de saúde, dá-se enfo-
que a demais aspectos determinantes, como violência, desemprego, habitação 
inadequada ou ausente, dificuldade de acesso à educação, fome. Sendo assim, 
há a necessidade de uma estratégia mais ampla de intervir em saúde, tomando 
como objeto os problemas e as necessidades de saúde e seus determinantes e 
condicionantes (Brasil, 2010).
A promoção de saúde é uma estratégia, um modo de pensar e operar articu-
lado com as demais políticas públicas e tecnologias, que visa construir ações que 
possibilitem responder às necessidades sociais em saúde. Conforme estabelecido 
na Carta de Ottawa (1986):
 “ Promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação 
da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida 
e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste 
processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, 
mental e social, os indivíduos e grupos devem saber identificar as-
pirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio 
ambiente. A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e 
não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito 
positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as 
capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não é responsabi-
lidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida 
saudável, na direção de um bem-estar global.
A promoçãoda saúde é descrita como uma estratégia transversal que envolve 
um conjunto de compromissos compartilhados e responsabilidades coletivas. 
Segundo o relatório da OMS (2023) sobre determinantes sociais de saúde, essa 
abordagem requer a colaboração de diferentes setores e atores sociais, além de 
priorizar a inclusão das condições de vida dos indivíduos, suas necessidades so-
ciais e culturais, especificando suas especificidades e potencialidades. Isso implica 
em uma visão holística da saúde, que vai além do tratamento de doenças e busca 
promover o bem-estar em todos os aspectos da vida do indivíduo. 
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Esses princípios se alinham diretamente com os objetivos do SUS (Sistema 
Único de Saúde), conforme abordado anteriormente, enfatizando que a saúde 
não deve ser apenas entendida como a ausência de doença, mas como um estado 
completo de bem-estar físico, mental e social (OMS, 2023). 
A integralidade da atenção à saúde visa garantir os serviços de saúde, incluin-
do a atenção primária, atendimento de forma contínua e integrada às necessi-
dades da população, abordando não apenas os sintomas, mas os determinantes 
sociais e as condições de vida das pessoas. Essa abordagem busca garantir que 
os serviços de saúde sejam de forma coordenada e contínua, abordando as ne-
cessidades de saúde em todas as suas dimensões — físicas, mentais, sociais e 
ambientais (OMS, 2023; Brasil, 2023). Dessa forma, a promoção da saúde deve 
ser considerada uma responsabilidade compartilhada entre os diferentes setores 
e a sociedade, o que facilita a construção de um sistema de saúde mais equitativo. 
A política de saúde tem o desafio de construir a intersetorialidade, que é esta 
articulação dos distintos setores, para pensar tanto do setor de saúde quanto do 
governo de forma geral, assim como no setor privado, não governamental, na 
sociedade, para que todos sejam participantes na proteção e no cuidado com a vida.
Pinheiro e Mattos (2009) esclarecem que a integralidade não é apenas uma dire-
triz do SUS, é uma “bandeira de luta”, o objetivo que enuncia características do 
sistema de saúde, práticas que são consideradas desejáveis. Seria um conjunto de 
valores pelos quais vale a pena lutar, pois se relacionam a um ideal de sociedade 
mais justa e solidária. Os autores discutem sobre três grandes conjuntos de 
sentidos no princípio da integralidade.
 “ Eles incidem sobre diferentes pontos: o primeiro conjunto se refere a 
atributos das práticas dos profissionais de saúde, sendo valores ligados 
ao que se pode considerar uma boa prática, independentemente de 
ela se dar no âmbito do SUS; o segundo conjunto refere-se a atributos 
da organização dos serviços; o terceiro aplica-se às respostas gover-
namentais aos problemas de saúde (Pinheiro; Matos, 2009, p. 65).
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Portanto, podemos tomar a integralidade como princípio orientador das práticas, 
da organização do trabalho, da organização das políticas e uma afirmação da 
abertura para o diálogo.
Um paciente não se reduz a uma lesão que no momento lhe causa sofrimen-
to. Não se reduz a um corpo com possíveis lesões ainda silenciosas, escondidas 
à espera de um olhar astuto que as descubra. Tampouco se reduz a um conjunto 
de situações de risco. O profissional que busque orientar suas práticas pelo 
princípio da integralidade busca sistematicamente escapar aos reducionismos 
(Pinheiro; Mattos, 2009).
Para os autores, quando se busca orientar a organização dos serviços de 
saúde pelo princípio da integralidade, busca-se ampliar as percepções das ne-
cessidades dos grupos, as quais não se reduzem às necessidades de atendi-
mento oportuno de seus sofrimentos, assim como não se reduzem por uma 
única disciplina, como a epidemiologia ou a clínica. A integralidade é a recusa 
em aceitar um recorte do problema que o reduza a uma ou algumas de suas 
dimensões, desconsiderando as demais; as respostas aos problemas de saúde 
devem abarcar suas mais diversas dimensões.
Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) continua a ser referência mundial, 
especialmente por sua abrangência e equidade no atendimento. O programa 
“Brasil Saudável”, lançado em 2024, visa combater doenças que afetam popula-
ções vulneráveis, alinhado às metas da ONU para 2030. Esse programa reflete o 
compromisso do Brasil com a promoção de saúde universal e com a redução de 
desigualdades sociais no acesso à saúde (OMS, 2024). 
ZOOM NO CONHECIMENTO
Boing e Crepaldi (2010) explicam em seu artigo que, para se desenvolver uma aten-
ção almejada integral à saúde, o trabalho interdisciplinar se torna uma necessidade 
real. A inter-relação entre as diferentes áreas do conhecimento, entre os profissio-
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
nais e entre estes com o senso comum requer criatividade e flexibilidade, princípios 
que exploram as potencialidades de cada ciência e a compreensão de seus limites. 
Infelizmente, ainda há pessoas que não lidam com os sujeitos, lidam como 
se fossem apenas portadores de doenças, e não como portadores de desejos, de 
aspirações, de sonhos. Há formuladores de políticas que concebem os sujeitos 
que sofrerão as consequências das políticas que formulam como objetos, alvos 
das intervenções. Sendo assim, Pinheiro e Mattos (2009) afirmam que estes são 
alguns dos sentidos pelos quais vale a pena lutar pelo direito universal ao aten-
dimento da necessidade da saúde.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gosta-
ríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita-
mos que essa aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento 
sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
Caro estudante, você pode entender que o conceito de saúde vai muito além da 
simples ausência de doenças. Ele é entendido como um processo dinâmico e 
multifacetado, que envolve o bem-estar físico, mental e social do ser humano. 
Ser saudável não significa estar livre de qualquer tipo de desconforto ou condição 
adversa, mas sim ter a capacidade de lidar com as dificuldades e de se recuperar 
das adversidades. Isso inclui a adaptação às tensões da vida e a manutenção dos 
equilíbrios emocional e social, mesmo quando se enfrenta problemas de saúde.
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O conceito apresentado destaca a importância de uma visão ampla e holística 
no cuidado à saúde, essencial para vocês futuros profissionais da área. Uma 
abordagem integral vai além do tratamento biológico, considerando também o 
contexto psicossocial, incluindo fatores como relações, ambiente de trabalho, 
suporte emocional e espiritualidade, que impactam a saúde. 
Essa perspectiva permite o desenvolvimento de disciplinas mais específicas, per-
sonalizadas e focadas no bem-estar geral, respeitando os valores e indivíduos 
específicos. Ela também se alinha com a promoção da saúde, capacitando as pes-
soas a adotarem hábitos saudáveis e prevenir doenças, melhorando a qualidade 
de vida de maneira contínua. 
A prática de saúde humanizada visa não apenas tratar sintomas, mas pro-
porcionar transformações significativas no bem-estar do paciente, refletindo 
uma mudança nas práticas de cuidado centrado na pessoa, que valorizam a in-
dividualidade e o contexto de vida de cada paciente. Essa abordagem permite 
um atendimento mais eficiente, ao mesmo tempo que fortalece a relação entre 
o profissional de saúde e o paciente, promovendo uma experiência de cuidado 
mais acolhedora e transformadora.
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MINHAS METAS
ASPECTOS CONTEMPORÂNEOS 
DA INTERSECÇÃO PSICOLOGIA/
ENFERMAGEM
Entender a importância da integração entre psicologia e enfermagem.
Entender a importância de uma abordagem integrada.
Compreender a saúde de forma holística.
Aprimorar a formação interdisciplinar dos profissionais de saúde.
Compreender a necessidade de formação conjunta.
Reforçar a importância de um cuidado personalizado.
Compreender a importância de adotara abordagem biopsicossocial.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A intersecção entre psicologia e enfermagem tem se tornado cada vez mais rele-
vante nos contextos contemporâneos da saúde, refletindo a necessidade de abor-
dagens mais holísticas e integradas no cuidado ao paciente. Historicamente, a 
psicologia e a enfermagem foram disciplinas com focos diferentes: a psicologia 
voltada para os processos mentais, comportamentais e emocionais, e a enferma-
gem centrada na promoção da saúde física e no cuidado direto ao paciente. No 
entanto, com a evolução dos cuidados de saúde, tem-se destacado a importância 
de integrar essas áreas para oferecer um cuidado mais completo e eficaz.
A interação entre essas duas áreas do conhecimento é essencial, especialmente 
no contexto atual, em que a saúde é compreendida de maneira ampla e multi-
dimensional, considerando não apenas os aspectos biológicos, mas também os 
psicológicos, sociais e emocionais do paciente. Essa abordagem integrada permi-
te que os profissionais da saúde, tanto enfermeiros quanto psicólogos, trabalhem 
juntos para atender às necessidades complexas dos pacientes, proporcionando 
um cuidado que abrange tanto o corpo quanto a mente. 
A colaboração entre psicólogos e enfermeiros não só melhora o entendi-
mento das necessidades do paciente, mas também facilita a implementação de 
estratégias mais práticas de intervenção. O profissional, com sua expertise em 
cuidados diretos e monitoramento da saúde física, pode identificar sinais de 
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sofrimento. Essa prática integrada é especialmente importante no tratamento de 
doenças crônicas, em que o manejo emocional é tão crucial quanto o tratamento 
físico, ou em situações de crise, como hospitalização. 
Com isso, a psicologia e a enfermagem não apenas enriquecem a prática do 
cuidado, mas também resultam em uma abordagem mais humanizada e eficaz, 
respeitando a complexidade do ser humano e suas diversas necessidades. Em um 
cenário de saúde cada vez mais focado no bem-estar integral, essa colaboração 
interdisciplinar se mostra essencial para promover a saúde de forma holística. 
Sinopse:
Leitura obrigatória para estudantes da área da saúde mental, 
em que a obra busca explorar a relação entre as duas áreas, 
destacando como a psicologia pode contribuir para a prática 
de enfermagem, melhorando o cuidado ao paciente, especial-
mente em aspectos emocionais e comportamentais.
INDICAÇÃO DE LIVRO
O Profissional da saúde enfermeiro e 
a integralidade do cuidado
A integralidade do cuidado é um conceito central nas práticas de saúde contem-
porâneas, que busca um atendimento mais completo e humanizado, levando em 
consideração todas as dimensões do indivíduo. O profissional de enfermagem, 
nesse contexto, desempenha um papel essencial na implementação dessa abor-
dagem, sendo responsável por oferecer cuidados que abordem não apenas os 
aspectos físicos, mas também os psicológicos, sociais e espirituais dos pacientes. 
A atuação do enfermeiro é fundamental para a promoção da saúde.
O enfermeiro desempenha um papel crucial na implementação da integra-
lidade do cuidado, sendo responsável por fornecer uma atenção completa ao 
paciente, considerando suas dimensões físicas, emocionais, sociais e psicológicas. 
Para que isso aconteça, o enfermeiro precisa atuar de forma integrada e multi-
disciplinar, colaborando com outros profissionais da saúde e garantindo que as 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
necessidades do paciente sejam atendidas de maneira holística. Principais áreas 
de atuação do enfermeiro na integralidade do cuidado (Mendes, 2020):
1 Cuidado físico e técnico: o enfermeiro realiza procedimentos técnicos 
essenciais para o bem-estar físico do paciente, como administração de 
medicamentos, monitoramento de sinais específicos, curativos e outros 
cuidados clínicos diretos. Esses cuidados são fundamentais, mas, sozinhos, não 
atendem à totalidade das necessidades do paciente.
2 Cuidado emocional e psicológico: essa abordagem integrada, considerando 
as necessidades emocionais e psicológicas do paciente, é fundamental para o 
cuidado integral e humanizado, oferecendo não apenas um tratamento físico, 
mas também cuidando do bem-estar mental e emocional do paciente.
3 Atenção às necessidades sociais: o enfermeiro pode colaborar com outros 
profissionais, como assistentes sociais, para garantir que o paciente tenha o 
apoio necessário para superar barreiras sociais e econômicas que possam afetar 
seu bem-estar. Ao tratar as necessidades sociais do paciente, o enfermeiro 
contribui para um cuidado mais integral e equitativo, promovendo não apenas 
a cura física, mas também a melhoria das condições de vida e de saúde. 
4 Promoção da saúde e prevenção de doenças: a promoção da saúde também 
se estende ao acompanhamento e à orientação para o autocuidado, ajudando 
os pacientes a entenderem a importância do cuidado contínuo com a saúde, 
mesmo quando estão saudáveis. No caso de prevenção de doenças, o enfermeiro 
realiza atividades como vacinação, rastreamento de doenças, realização de 
exames periódicos e orientação para hábitos preventivos. Dessa forma, o 
enfermeiro contribui para a redução da incidência de doenças, melhorando a 
qualidade de vida da comunidade e promovendo uma abordagem.
Embora a integralidade seja um princípio fundamental na prática da saúde, sua 
implementação ainda enfrenta uma série de desafios, especialmente em contex-
tos de recursos limitados. A ideia de cuidar do paciente de maneira holística, 
considerando suas dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, exige uma 
abordagem multidisciplinar e integrada. No entanto, essa integração entre as 
diferentes áreas do cuidado nem sempre é fácil de alcançar, especialmente quan-
do se enfrentam barreiras como as deficiências de intervenções profissionais, a 
infraestrutura integrada e o acesso desigual aos serviços de saúde.
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Esses desafios são particularmente evidentes em regiões mais afastadas ou 
em populações mais vulneráveis, que dificultam o acesso a serviços de saúde 
de qualidade. Além disso, a sobrecarga de trabalho nos serviços públicos e pri-
vados pode afetar a capacidade dos profissionais de saúde de abordarem uma 
abordagem realmente integral, com tempo e recorrências. 
Recomendo a leitura do artigo “Dez competências para ensino-aprendizagem da 
consulta de enfermagem e integralidade do cuidado”. Esse material aborda com-
petências essenciais para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem, desta-
cando a importância da consulta de enfermagem na promoção da integralidade 
do cuidado. É uma leitura enriquecedora para quem busca desenvolver práticas 
mais integradas e humanas na área da saúde.
EU INDICO
A FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Outro grande desafio na implementação da integralidade do cuidado é a forma-
ção dos profissionais de saúde. A formação de enfermeiros, médicos, psicólogos e 
outros profissionais precisa estar alinhada com os princípios da integralidade. Isso 
significa que os currículos de formação devem ser adaptados para oferecer uma 
visão mais ampla do cuidado, que vai além da aparência técnica e clínica.
Os profissionais precisam ser capacitados para lidar com as várias dimensões 
do paciente, ou que incluam suas necessidades emocionais, psicológicas, sociais 
e culturais. A formação deve enfatizar o trabalho em equipe interdisciplinar, 
pois a integralidade do cuidado depende da colaboração entre profissionais de 
diferentes áreas. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
SUPERANDO OS DESAFIOS
Apesar dos desafios, existem várias estratégias que podem ajudar a superar es-
sas dificuldades. O fortalecimento das políticas públicas de saúde, com foco na 
universalização do acesso e na melhoria da qualidade dos serviços, é uma delas. 
Investir em infraestrutura, ampliar a capacitação dos profissionais e promover 
programas de saúde que atendam às necessidades das populaçõesvulneráveis 
são passos fundamentais para garantir que a integralidade do cuidado seja 
inovadora (Paim et al., 2011). 
Além disso, a implementação de tecnologias de informação e comunicação 
pode contribuir para melhorar a eficácia do cuidado e facilitar a troca de infor-
mações entre os profissionais de saúde, o que pode ser especialmente útil em 
áreas mais remotas ou de difícil acesso.
Portanto, embora os desafios sejam reais, o compromisso com a integralida-
de pode levar a um sistema de saúde mais eficaz, acessível e inclusivo, no qual o 
cuidado ao paciente é realizado de maneira completa e equilibrada, garantindo 
que todas as suas necessidades sejam atendidas de forma equitativa e integrada.
Profissional de saúde – paciente – família
A relação entre o profissional de saúde, o paciente e sua família é um aspecto fun-
damental para o sucesso do tratamento e o bem-estar do paciente. Essa interação 
envolve não apenas uma troca de informações sobre condições de saúde, mas 
também aspectos emocionais, psicológicos e sociais que impactam diretamente 
o processo de cura. O profissional de saúde, ao lidar com o paciente e sua família, 
deve estar atento às necessidades físicas e emocionais de todos os envolvidos, 
promovendo um ambiente de confiança, respeito e empatia. A colaboração entre 
essas três partes é essencial para garantir que o tratamento seja eficaz, adaptado 
às realidades do paciente e da família, e respeitadas as particularidades de cada 
contexto familiar. O cuidado integral, que leva em conta a saúde física, emo-
cional e social, reflete a complexidade da experiência de adoecer e buscar um 
resultado positivo tanto para o paciente. 
O profissional de saúde, ao interagir com o paciente e sua família, desem-
penha um papel multifacetado, que vai além da prescrição de tratamentos 
médicos. A escuta ativa, a comunicação clara e a abordagem humanizada são 
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pilares essenciais para o fortalecimento dessa relação. O paciente, muitas vezes 
vulnerável em sua condição de saúde, precisa se sentir coletado e compreendido, 
o que pode ser facilitado quando o profissional se oferece um diálogo aberto, 
sem julgamentos, e com sensibilidade às necessidades específicas do momento 
(Carvalho; Almeida, 2012).
A família, por sua vez, muitas vezes assume o papel de cuidadora e, em muitos 
casos, compartilha das ansiedades, dúvidas e medos do paciente. O envolvimento 
da família no processo de tratamento pode trazer benefícios, tanto no aspecto 
emocional quanto no apoio logístico e físico. A conscientização de que a saúde 
do paciente também envolve o contexto familiar permite ao profissional adotar 
uma abordagem mais abrangente, considerando o impacto do tratamento. 
PROFISSIONAL DE SAÚDE 
O profissional de saúde, como enfermeiro, médico ou outros especialistas, tem a 
responsabilidade de fornecer cuidados técnicos e clínicos adequados ao paciente, 
com base em sua formação e conhecimento. Além disso, deve atuar de maneira 
empática, atendendo às necessidades e preocupações do paciente e de sua família. 
O profissional precisa ser sensível às dimensões emocionais, psicológicas e sociais 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
do paciente, garantindo um atendimento holístico. Sua função também inclui 
orientar a família sobre o processo de cuidado, esclarecendo dúvidas e auxiliando 
tomar decisões informadas sobre o tratamento. O enfermeiro, médico ou outros 
especialistas devem, portanto, trabalhar com a família, monitorando seu papel 
fundamental no apoio ao paciente durante todo o processo de cuidado.
A empatia, nesse contexto, vai além da simples escuta, sendo um aspecto cru-
cial para a criação de um vínculo de confiança. Quando o profissional de saúde 
demonstra compreensão e respeito pelas preocupações e emoções do paciente 
e de sua família, a relação se fortalece, o que pode contribuir diretamente para 
uma melhor adesão ao tratamento.
Além disso, uma comunicação clara e acessível é essencial para garantir que 
o paciente e sua família compreendam as condições de saúde, as opções de tra-
tamento disponíveis e as etapas do processo de cuidado. O profissional deve 
ser capaz de explicar de forma simples e compreensível, respeitando o nível de 
entendimento e as particularidades culturais e sociais da família. Isso ajuda a 
reduzir a ansiedade, promove o autocuidado e estimula uma maior participação 
da família no processo de decisão, o que é essencial.
Ao considerar os aspectos emocionais e sociais do paciente, o profissional 
de saúde tem a oportunidade de fornecer um cuidado mais humanizado, que 
leva em conta as complexidades de cada indivíduo e de seu ambiente familiar. 
Isso implica em adotar práticas que favoreçam a participação ativa da família, 
garantindo que todos os envolvidos no cuidado compreendam sua importância 
e saibam como apoiar o paciente de maneira eficaz.
Dessa forma, o profissional de saúde se torna um facilitador não apenas do 
tratamento clínico, mas também dos apoios emocional e social, essencial para a 
recuperação do paciente. O trabalho conjunto entre o profissional de saúde, o 
paciente e sua família, baseado na comunicação aberta, respeito mútuo e empa-
tia, é fundamental para o alcance dos melhores resultados (Silva; Souza, 2023).
PACIENTE
O paciente é o centro do cuidado e deve ser tratado com dignidade, respeito 
e autonomia. Sua participação ativa no processo de cuidado é crucial para o 
sucesso do tratamento. O paciente precisa se sentir confortável para expressar 
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suas preocupações, desejos e necessidades ao profissional de saúde. Além disso, 
a comunicação aberta com a família, quando necessário, pode ser fundamental 
para que o paciente receba o suporte emocional adequado e tenha sua qualida-
de de vida preservada, diante de desafios relacionados à sua saúde. Quando o 
paciente se sente parte ativa do processo de cuidado, ele se torna mais envolvido 
a colaborar com os tratamentos propostos, a seguir orientações médicas e a se 
envolver em práticas de autocuidado.
A comunicação aberta e honesta entre o paciente e a equipe de saúde é um 
componente essencial para garantir que todas as preocupações sejam ouvidas e 
tratadas de forma adequada. Ao dar ao paciente a oportunidade de expressar suas 
preferências, expectativas e medos, o profissional pode ajustar o tratamento e as abor-
dagens de cuidado de maneira mais personalizada, levando-o em consideração. 
A presença e o envolvimento da família, muitas vezes, desempenham um 
papel igualmente importante, especialmente em situações de doenças graves ou 
crónicas. A família pode ser uma fonte vital de suporte emocional, e a comuni-
cação aberta com ela pode garantir que o paciente tenha o apoio necessário em 
todas as fases do cuidado. 
FAMÍLIA
A família desempenha um papel fundamental no cuidado ao paciente, ofere-
cendo suportes emocional, físico e, muitas vezes, assistencial. A participação 
da família pode ser essencial para a adesão ao tratamento, especialmente em 
pacientes com doenças crônicas ou em recuperação pós-cirúrgica. Os familia-
res podem ajudar a monitorar o estado de saúde do paciente, garantir a admi-
nistração correta de medicamentos e fornecer o apoio emocional necessário. 
Além disso, a família também é um fator importante na tomada de decisões, 
especialmente quando o paciente não tem capacidade. Além disso, a presença 
constante da família no ambiente de cuidado pode proporcionar ao paciente 
um sentimento de segurança e conforto, ajudando a reduzir a ansiedade e o 
estresse, comuns em momentos de adoecimento. O apoio emocional dos fa-
miliares é um pilar importante para a resiliência do paciente, pois muitas vezes 
ele depende desse vínculo para lidar com a dor, a insegurança e os desafios 
psicológicos relacionados à sua condição.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Em muitos casos, a família também se torna responsável por acompanhar 
o paciente após uma alta hospitalar, garantindo que ele siga corretamente as 
orientaçõesmédicas e os regimes de tratamento. Essa função de acompanhamento 
domiciliar é particularmente relevante em situações de recuperação pós-
cirúrgica ou no manejo de doenças crônicas, em que o paciente pode precisar 
de cuidados contínuos, monitoramento e motivação para seguir o tratamento 
de forma consistente.
No entanto, o envolvimento da família não se resume apenas ao apoio direto 
ao paciente, mas também inclui a sua própria educação e preparação para os 
cuidados necessários. O profissional de saúde tem a responsabilidade de orien-
tar a família sobre as especificidades da condição do paciente, as estratégias de 
cuidado e a importância de manter a saúde emocional de todos os envolvidos. 
Isso fortalece a rede de apoio e garante que os cuidados sejam realizados de 
forma eficaz, além de proporcionar uma experiência mais tranquila tanto para 
o paciente quanto para seus familiares.
Assim, o papel da família vai além de um simples suporte: ela é um parceiro 
indispensável no processo de cuidado, contribuindo de maneira significativa 
para a saúde e o bem-estar do paciente, e garantindo que ele receba o melhor 
atendimento possível, respeitoso e cauteloso. 
DESAFIOS NA RELAÇÃO PROFISSIONAL 
DE SAÚDE – PACIENTE – FAMÍLIA
Existem alguns desafios comuns na dinâmica entre o profissional de saúde, do 
paciente e da família que podem impactar os níveis do processo de cuidado. Esses 
desafios, se forem aprimorados, podem melhorar a qualidade do atendimento e 
a adesão ao tratamento (Brasil, 2008):
• Falta de Tempo: em muitos contextos de trabalho, especialmente no 
sistema público de saúde, os profissionais de saúde podem ter pouco 
tempo para se dedicar a cada paciente, o que pode afetar a qualidade da 
comunicação e a construção de um relacionamento de confiança.
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• Falta de Preparação da Família: a falta de preparação da família para 
lidar com a condição de saúde do paciente é um dos desafios mais signi-
ficativos na dinâmica de cuidado. Muitas vezes, os familiares não estão 
informados sobre a doença, os tratamentos e as necessidades específicas 
do paciente, o que pode gerar insegurança, confusão e até falhas no acom-
panhamento do tratamento. Essa falta de preparação pode ocorrer por 
diversos motivos, como a escassez de recursos educacionais, a ausência de 
apoio psicológico ou a falta de tempo e disponibilidade para se envolver 
no processo de cuidado. Alguns dos impactos mais comuns da falta de 
preparação da família incluem: dificuldade em lidar com a doença: 
Quando a família não tem um entendimento claro sobre a condição do 
paciente, suas expectativas podem ser irrealistas, o que gera frustração 
e ansiedade. Além disso, os familiares não podem saber como melhorar 
a condição do paciente, como controlar sintomas ou quando procurar 
ajuda médica.
• Aspectos Culturais e Sociais: os aspectos culturais e sociais desempe-
nham um papel fundamental na dinâmica de cuidado entre o profissional 
de saúde, o paciente e a família. Cada indivíduo e grupo familiar trazem 
um conjunto único de valores, crenças, práticas e normas que podem 
influenciar a forma como percebem a saúde, o tratamento e o cuidado. 
Ignorar essas particularidades pode resultar em mal-entendidos, des-
confiança e resistência ao tratamento, afetando diretamente a eficácia 
do cuidado prestado. 
• Emoções e Conflitos: as emoções desempenham um papel central na 
relação entre o profissional de saúde, o paciente e a família. O processo 
de adoecimento, especialmente em casos graves ou cotidianos, evoca 
uma série de sentimentos complexos que podem impactar diretamente 
a dinâmica do cuidado. Medo, ansiedade, tristeza, raiva e frustração são 
apenas algumas das emoções comuns vivenciadas tanto pelo paciente 
quanto pelos familiares. Esses sentimentos, quando não são educados 
e gerenciados, podem gerar conflitos que dificultam a colaboração e a 
adesão ao tratamento, além de afetar aspectos do bem-estar.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
A vivência de “equipe” 
e a centralidade do 
cuidado do paciente
Uma vivência de “equipe” no 
contexto da saúde envolve a 
colaboração entre diversos 
profissionais com diferentes 
formações e especializações, 
com o objetivo comum de 
proporcionar um cuidado 
integral ao paciente. Essa 
abordagem multidisciplinar é 
essencial para garantir que to-
das as necessidades do pacien-
te sejam atendidas de forma 
holística, considerando não 
apenas o aspecto físico, mas também as dimensões emocionais, psicológicas e 
sociais do cuidado. No contexto da saúde, a vivência de equipe é mais do que 
uma simples colaboração entre profissionais; trata-se de uma interação constan-
te e interdependente, em que cada membro traz seu conhecimento específico 
para construir um plano de cuidado que abranja de forma abrangente todas as 
dimensões (Costa, 2018).
Essa abordagem multidisciplinar, com a integração de médicos, enfermeiros, 
psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissio-
nais, permite uma visão mais completa e detalhada da condição do paciente. 
Cada especialista oferece uma perspectiva única e contribui para a formação de 
um plano de cuidados que não trata apenas a doença, mas também promove 
o bem-estar geral do paciente. Além de abordar o tratamento da doença, essa 
abordagem multidisciplinar busca entender o paciente como um ser integral, 
levando em consideração suas necessidades emocionais, psicológicas, sociais e 
culturais. Por exemplo, enquanto o médico se concentra no diagnóstico e tra-
tamento clínico, o psicólogo pode trabalhar com o paciente para lidar com o 
impacto emocional da doença, ajudando a reduzir a ansiedade e o estresse. O 
nutricionista pode orientar sobre a alimentação adequada, essencial para a re-
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cuperação, e o fisioterapeuta contribui com a reabilitação física, melhorando a 
mobilidade e a funcionalidade do paciente. 
O fisioterapeuta pode ajudar na recuperação de movimentos, prevenir 
complicações, melhorar a força muscular e a resistência física, e garantir que o 
paciente recupere sua autonomia nas atividades diárias. Isso é particularmente 
importante em pacientes que passaram por cirurgias, lesões ou que estão lidando 
com doenças crônicas que afetam sua mobilidade, como doenças neurológicas. 
Além disso, os assistentes sociais desempenham um papel fundamental para 
ajudar o paciente e sua família a lidarem com questões sociais, como dificulda-
des financeiras, apoio domiciliar e acesso a recursos essenciais, garantindo que 
o paciente tenha um ambiente adequado para sua recuperação. 
Essa integração de diferentes áreas do conhecimento permite um tratamen-
to mais completo, que vai além da cura simples, proporcionando conforto ao 
paciente. Cada profissional de saúde traz uma contribuição única para o cuidado 
do paciente, e sua colaboração é essencial para garantir uma abordagem integral 
e eficaz. O trabalho conjunto entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisio-
terapeutas, psicólogos e assistentes sociais cria uma rede de apoio que aborda as 
diversas necessidades do paciente de maneira holística
Cada um desses profissionais contribui de maneira essencial para que o pa-
ciente receba um cuidado personalizado e coordenado, o que melhora signifi-
cativamente os resultados do tratamento e a qualidade de vida do paciente. A 
comunicação eficaz e a colaboração entre todos os membros da equipe são 
fundamentais para que o paciente se sinta apoiado e compreendido em todos os 
aspectos de sua saúde.
Quando uma equipe de saúde funciona de maneira coesa, integrada e cola-
borativa, o paciente é colocado no centro do processo de cuidado, o que resulta 
em melhores desenvolvimentos terapêuticos e uma experiência de atendimento 
mais satisfatória. 
CENTRALIDADE DO CUIDADO AO PACIENTE
Ao adotar a centralidade do paciente, os profissionais de saúde devem garantir 
que o paciente seja visto não apenas como um receptor passivo de cuidados, 
mas como um parceiro ativo no processo de tratamento. Issoenvolve uma co-
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
municação aberta e transparente, em que o paciente tenha acesso a informações 
claras e compreensíveis sobre sua condição de saúde, o diagnóstico, as opções 
terapêuticas disponíveis e os riscos e benefícios de cada uma delas. Dessa forma, o 
paciente é capaz de fazer escolhas informadas sobre o seu tratamento, respeitando 
seus valores, opiniões e preferências pessoais. 
Quando os profissionais de saúde pesquisam informações claras e compreen-
síveis, o paciente pode avaliar as opções disponíveis, ponderando os riscos, bene-
fícios e as consequências de cada decisão. Isso permite que o tratamento seja mais 
alinhado ao que é mais importante para o paciente, levando em consideração suas 
situações individuais, como seu estilo de vida, especialmente, valores culturais e 
expectativas em relação à saúde. Cada paciente é único, com experiências de 
vida e contextos diferentes, e suas preferências devem ser respeitadas na hora de 
elaborar o plano de cuidados.
Além disso, a centralidade do paciente implica em conformidade e valorizar 
suas preocupações e desejos. Ao serem incentivados a expressar suas preferên-
cias, os pacientes podem contribuir para a personalização do plano de cuidados, 
fazendo com que este seja mais adequado às suas necessidades e realidades, sejam 
elas emocionais, sociais ou culturais. Por exemplo, em pacientes com doenças 
crônicas, a escolha entre tratamentos invasivos ou menos agressivos, o ritmo 
da reabilitação ou até a decisão de como lidar com os efeitos colaterais de um 
medicamento, pode ser mais eficaz quando o paciente tem a oportunidade de 
expressar suas preferências. Esse envolvimento ativo no processo de decisão 
permite que o plano de cuidados seja ajustado de acordo com suas necessida-
des específicas, considerando não apenas os aspectos médicos, mas também as 
condições emocionais, sociais e culturais que podem influenciar (Costa, 2018). 
Quando o paciente tem autonomia para discutir e decidir sobre questões 
como os efeitos colaterais de um medicamento, ele se sente mais no controle de 
sua saúde e mais disposto a seguir o tratamento, já que as escolhas refletem suas 
preocupações e necessidades reais. O profissional de saúde, por sua vez, pode 
fornecer orientações claras sobre as opções disponíveis, ajudando o paciente a 
tomar decisões informadas, mas sempre respeitando suas preferências.
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Política nacional de humanização 
na assistência de enfermagem
A Política Nacional de Humanização da Assistência (PNHA) foi criada no Bra-
sil com o objetivo de promover a qualidade do atendimento nas instituições 
de saúde, focando no acolhimento, no respeito à dignidade dos pacientes e na 
construção de uma relação mais humanizada entre os profissionais de saúde e os 
usuários. A iniciativa visa transformar a maneira como a assistência é prestada, 
colocando o paciente como sujeito central do cuidado, e incorporando práticas 
que envolvem tanto os aspectos técnicos quanto os aspectos humanos e relacio-
nados à saúde (Brasil, 2021). 
A Política Nacional de Humanização na Assistência de Enfermagem é uma 
vertente específica dessa política, focada no papel dos enfermeiros e outros pro-
fissionais da área de enfermagem na implementação de práticas humanizadas. Ela 
busca garantir que as ações de cuidado, educação e acolhimento realizadas pelos 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
enfermeiros sejam baseadas em princípios éticos e de respeito à autonomia do 
paciente, seu contexto cultural, suas necessidades emocionais e sociais. Princípios 
da Política Nacional de Humanização: 
1. Transversalidade: a possibilidade de diálogo com os usuários em todas as 
áreas, ouvindo-os e permitindo que a sua vivência faça parte do processo.
2. Indissociabilidade entre atenção e gestão: a ideia de que os modos de 
cuidar e de gerir são inseparáveis.
3. Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos coletivos: a 
valorização da atuação individual de cada cidadão e a sua participação 
nos momentos de definição de políticas para a comunidade (Brasil, 2021).
Portanto, ao adotar e aplicar esses princípios, a enfermagem não só melhora 
a qualidade do atendimento, mas também contribui para a construção de um 
sistema de saúde mais justo, acessível e humano. Essa transformação é crucial 
para a formação de profissionais de saúde que entendam a importância da ética, 
da escuta ativa e do cuidado integral, capacitando-os para atuarem em um con-
texto de saúde cada vez mais. 
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gostaríamos 
de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acreditamos que essa 
aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
Estudante, você chegou a mais um final de tema de aprendizagem, em que con-
seguimos compreender que a interseção entre psicologia e enfermagem oferece 
um campo rico de atuação, especialmente quando consideramos a conexão entre 
a teoria e a prática e as demandas do mercado de trabalho.
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Na teoria, tanto a psicologia quanto a enfermagem se baseiam em concei-
tos de cuidado centrado no paciente, humanização e compreensão integral 
do ser humano. A psicologia fornece o embasamento teórico para entender as 
dimensões emocionais, cognitivas e comportamentais dos pacientes, enquanto 
a enfermagem se foca no cuidado prático, holístico, e na promoção da saúde. 
A prática da enfermagem, por outro lado, requer a aplicação desses conhe-
cimentos teóricos em ambientes clínicos, hospitalares ou comunitários. A in-
terseção psicologia/enfermagem coloca você futuro profissional de saúde em 
uma posição de destaque, sendo procurados por sua capacidade de oferecer um 
cuidado mais completo e eficiente, adaptado tanto às necessidades físicas quanto 
psicológicas dos pacientes.
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MINHAS METAS
PROBLEMÁTICAS DE 
SAÚDE MENTAL: TEMAS 
INTERDISCIPLINARES
Compreender a política de saúde mental no Brasil.
Reconhecer a importância dos cuidados primários em saúde mental.
Identificar problemáticas comuns em saúde mental.
Analisar os efeitos do estresse sobre a saúde mental.
Discutir os transtornos depressivos e de ansiedade.
Examinar a relação entre o uso de álcool e os transtornos mentais.
Entender a importância do trabalho interdisciplinar em saúde mental.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9
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TEMA DE APRENDIZAGEM 9
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL 
Segundo a Secretaria de Atenção à Saúde (Brasil, 2013), a política de saúde mental 
no Brasil resultou de mobilizações iniciadas na década de 1980 para transformar 
os antigos manicômios, onde viviam mais de 100 mil pessoas com transtornos 
mentais. Impulsionada pela valorização dos direitos humanos e exemplos euro-
peus, essa mudança gerou o Movimento da Luta Antimanicomial e a Reforma 
Psiquiátrica. A desinstitucionalização criou serviços de atenção psicossocial, 
focados no exercício da cidadania dos pacientes, integrando-os a redes de edu-
cação, habitação e trabalho. O desafio vai além do SUS, exigindo a aceitação da 
diversidade pela sociedade.
Em 2001, foi sancionada a Lei nº 10.216, que assegura os direitos das 
pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de saúde 
mental, transformando os princípios da década de 1980 em política 
pública (BRASIL, 2013). Entre os serviços substitutivos ao modelo 
manicomial estão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os 
Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), e as Unidades Básicas de 
Saúde, que desempenham um papel importante na rede comuni-
tária de saúde mental. A reforma sanitária e psiquiátrica são parte 
do movimento de redemocratização e garantem o direito à saúde e 
cidadania (Brasil, 2013).
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Assim, entendemos que as práticas em saúde mental podem e devem ser realiza-
das por todos os profissionais desobre o mundo psicológico, nesse pe-
ríodo, estão relacionadas de perto ao conhecimento religioso, já que, 
ao lado do poder econômico e político, a Igreja Católica também 
monopolizava o saber (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p. 34).
Os pensadores da época eram fortemente influenciados pelas ideias de seus ante-
cessores. Conforme nos apontam Bock, Furtado e Teixeira (2008), Santo Agostinho 
tinha o entendimento de que alma e corpo somente poderiam ser entendidos sepa-
radamente, assim como Platão. Contudo, complementou a referida teoria dizendo 
que alma não era somente a sede da razão, mas a prova de que Deus se manifestava 
no homem. A alma era imortal porque ligava o homem a Deus. Sendo a alma a 
sede do pensamento, a Igreja também passou a se interessar pela sua compreensão.
São Tomás de Aquino viveu em uma época em que os conhecimentos gerados 
pela Igreja Católica sofriam questionamentos que levaram ao início do movi-
mento protestante. O momento também era de mudanças significativas na eco-
nomia, que caminhava em direção ao capitalismo, com o advento da Revolução 
Francesa, bem como da Revolução Industrial na Inglaterra. O pensar acerca da 
essência e existência do homem foi permeado pelos conhecimentos produzidos 
por Aristóteles, todavia, as ideias de São Tomás de Aquino tomaram um caminho 
diferente das de Aristóteles quando o religioso afirmou que somente Deus seria 
capaz de reunir a essência e existência, em termos de igualdade, postulando que 
a busca da perfeição pelo homem seria a busca de Deus.
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A Filosofia, portanto, trouxe como sua maior contribuição para a Psicologia o 
método introspectivo, ou seja, o exame das ideias e experiências internas que 
foram descritas pelos filósofos estudados anteriormente. As contribuições dos 
referidos pensadores ainda foram adiante, pois alguns filósofos, como Aristóteles, 
por exemplo, também transitavam por outras áreas do conhecimento (ele ainda 
exercia a profissão de naturalista e biólogo). Os conhecimentos acerca da Biologia 
fizeram com que Aristóteles considerasse, em suas teorias, os conhecimentos de 
Fisiologia, trazendo um novo método para a compreensão humana: o método 
empírico, baseado na observação.
Sendo assim, podemos dizer que, de uma maneira geral, os antecedentes 
filosóficos da Psicologia encontram-se no racionalismo (desenvolvido através 
do método introspectivo) e no empirismo (desenvolvido por meio do método 
empírico), que abordaremos em seguida.
Segundo Sternberg (2015), a Filosofa busca entender a natureza geral de muitos 
aspectos do mundo, em parte por meio da introspecção (exame das ideias inter-
nas). A Fisiologia busca um estudo científico das funções vitais dos organismos 
vivos, basicamente por meio de métodos empíricos (baseados na observação).
APROFUNDANDO
Racionalismo e empirismo
O racionalismo e o empirismo são duas teorias desenvolvidas para o estudo da 
mente humana. São teorias filosóficas que se concentram na origem e validade 
do conhecimento humano. O racionalismo afirma que a razão é fonte de conhe-
cimento e que ela pode verificar os fatos através da lógica. O empirismo afirma 
que a experiência é uma fonte de conhecimento e que só podemos saber o que 
recebemos através dos sentidos. O racionalismo acredita na intuição, enquanto o 
empirismo não. O racionalismo busca o conhecimento universal, enquanto o em-
pirismo se limita à realidade apresentada. O empirismo considera que nascemos 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
como uma tabula rasa, sem ideias inatas, e que a razão depende da experiência. 
O texto a seguir, desenvolvido por Sternberg (2015), nos apresenta uma síntese 
dos conhecimentos abordados por cada uma dessas teorias.
Radicalismos versus 
empirismo
O racionalismo acredita que 
o caminho para o conheci-
mento se dá por meio da aná-
lise lógica. Em contrapartida, 
Aristóteles foi um empirista. 
O empirista acredita que se 
adquire conhecimento por 
meio da evidência empí-
rica, ou seja, essa evidência 
é obtida por intermédio da 
experiência e da observação.
VOCÊ SABE RESPONDER?
Como a Filosofia contribuiu para a Psicologia?
 “ O Empirismo orienta diretamente a observação empírica da Psi-
cologia. Ao contrário, o Racionalismo é muito importante para o 
desenvolvimento da fundamentação teórica. As teorias racionalis-
tas, sem qualquer ligação com a observação, não podem ser, por-
tanto, válidas. Entretanto, grandes quantidades de dados empíricos, 
sem uma estrutura teórica organizada, também podem não fazer 
sentido. Podemos considerar a visão racionalista do mundo como 
uma tese, enquanto a visão empirista seria a antítese. A maioria dos 
psicólogos, atualmente, busca a síntese dessas duas teses, funda-
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menta suas observações empíricas na teoria. Por outro lado, usam 
essas observações para revisar suas próprias teorias. As ideias con-
trastantes do Racionalismo e do Empirismo tornaram-se notórias 
a partir do racionalista Francês René Descartes (1596-1650) e do 
empirista inglês John Locke (1632-1704). Descartes considerava o 
método introspectivo e reflexivo superior ao método dos empíricos 
de encontrar a verdade. Descartes tinha um profundo interesse em 
aplicar o conhecimento científico às questões práticas. O trabalho 
mais importante de Descartes para o desenvolvimento da Psicolo-
gia moderna foi a tentativa de resolver o problema mente- corpo 
(a questão da distinção entre as qualidades física e mental), uma 
questão controversa durante séculos (Sternberg, 2015, p. 3).
Ao longo de vários períodos, os intelectuais discutiam como a men-
te – ou as qualidades mentais – podia ser diferenciada do corpo e 
todas as demais qualidades físicas. [...] Antes de Descartes, a teoria 
predominante afirmava ser a interação entre a mente e o corpo es-
sencialmente unilateral. A mente era capaz de exercer grande in-
fluência sobre o corpo, enquanto o corpo exercia pouco efeito sobre 
a mente [...]. Na teoria da interação mente-corpo de Descartes, a 
mente influenciava o corpo e a influência deste sobre a mente era 
maior do que se acreditava. A relação não era apenas unilateral, 
mas mútua. Essa proposta, considerada radical no século XIX, teve 
grande repercussão na psicologia (Schultz; Schultz, 2006, p. 35).
Locke, por sua vez, era muito entusiasmado com o método da observação em-
pírica (Schultz; Schultz, 2006). Segundo Schuld e Schuld (2006), o principal 
interesse de Locke estava voltado ao funcionamento cognitivo, isto é, a forma 
como a mente adquire o conhecimento, rejeitando a proposta de Descartes sobre 
a existência das ideias inatas, apresentando a teoria de que o ser humano nascia 
sem qualquer conhecimento prévio.
 “ Locke acreditava que os seres humanos nascem sem qualquer co-
nhecimento e, portanto, precisam buscá-lo por meio da observação 
empírica. O conceito de Locke para isso é o termo tábula rasa (que 
em latim significa “folha de papel em branco”). Sua ideia é de que 
a vida e a experiência “escrevem” o conhecimento do indivíduo. 
Sendo assim, para Locke, o estudo da aprendizagem era fundamen-
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tal para a compreensão da mente humana. Ele acreditava que não 
existiam de forma algumas ideias inatas. No século XVIII, o filósofo 
alemão Immanuel Kant (1724-1804) sintetizou dialeticamente as 
ideias de Descartes e Locke argumentando que tanto o Racionalis-
mo como o Empirismo têm seu lugar e que ambos devem trabalhar 
juntos na busca pela verdade. Atualmente, a maioria dos psicólogos 
aceita a síntese de Kant (Sternberg, 2015, p. 4).
Já passamos pela Grécia antiga e pela Idade Média. Chegamos agora ao Renas-
cimento, período de transição para o capitalismo. Foi nesse período histórico 
que grandes personalidades, como Leonardo da Vinci, Boticelli, Michelangelo 
e Maquiavel, produziram grandes obras. Esse também foi um período em que a 
ciência avançou de forma bastante significativa. 
Leia este artigo sobre a História da Psicologia: rumos e percursos e entenda melhor 
a importância de se obteremsaúde; o cuidado em saúde mental deve ocorrer 
na realidade do dia a dia, com as singularidades dos pacientes e de suas comuni-
dades. Algumas ações de saúde mental são realizadas sem que os profissionais as 
percebam em sua prática, por isso é necessário refletir sobre o que já se realiza e 
o que o território tem a oferecer como recurso para contribuir.
A IMPORTÂNCIA DOS CUIDADOS 
BÁSICOS EM SAÚDE MENTAL
Muitas pessoas procuram ajuda profissional devido a sofrimento mental, fre-
quentemente relacionado à tristeza ou ansiedade, e os profissionais também per-
cebem esses sinais, mesmo quando não há queixa explícita. É fundamental focar 
na pessoa, e não apenas na doença, proporcionando um cuidado que considere 
sua diversidade e integralidade. Embora muitos busquem ajuda por estarem 
doentes, o sofrimento não pode ser explicado apenas pela doença (Brasil, 2013).
Pesquisas indicam que cerca de uma em cada quatro pessoas que buscam a 
Atenção Básica apresenta transtornos mentais conforme a CID-10 (Brasil, 2013). 
Se incluirmos aqueles com sofrimento mental sem diagnóstico específico, essa 
proporção chega a uma em duas pessoas. Além disso, há outras situações que 
requerem cuidados de saúde mental, embora raramente sejam demandadas di-
retamente pelos usuários. Os problemas relacionados ao uso de álcool são co-
muns no Brasil, enquanto os transtornos mentais graves, como esquizofrenia 
e transtorno bipolar, são menos frequentes, mas têm grande impacto. Apesar 
dos dados preocupantes, a OMS e a World Organization of Family Doctors ou 
Organização Mundial dos Médicos de Família (Wonca) afirmam que a atenção 
primária à saúde mental ainda não é uma realidade em muitos países, que seguem 
com tratamentos baseados em hospitais psiquiátricos ultrapassados.
Apesar da alta prevalência de transtornos mentais e dos custos quando não 
tratados, a saúde mental ainda é negligenciada nos cuidados primários (OMS, 
2009). A OMS desenvolveu um relatório sobre a integração da saúde mental 
nos cuidados primários, destacando suas justificativas e vantagens. A seguir, são 
apresentadas as sete razões para essa integração.
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PROBLEMÁTICAS COMUNS EM SAÚDE MENTAL
Tratamos até então de sofrimento e transtornos mentais de forma geral, todavia, 
é importante que você compreenda melhor algumas problemáticas mais comuns, 
por isso elencamos algumas delas. Para abordar os transtornos mentais, nos fun-
damentamos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, co-
nhecido como DSM, o DSM-5, que é sua última versão. Antes de apresentarmos 
alguns transtornos, vamos especificar o que é um transtorno mental, a partir do 
conceito do DMS-5.
Um transtorno mental é uma síndrome caracterizada por perturbação 
clinicamente significativa na cognição, na regulação emocional ou no 
comportamento de um indivíduo que reflete uma disfunção nos pro-
cessos psicológicos, biológicos ou de desenvolvimento subjacentes ao 
funcionamento mental. Transtornos mentais estão frequentemente 
associados a sofrimento ou incapacidade significativos, afetando ati-
vidades sociais, profissionais ou outras atividades importantes. Uma 
resposta esperada ou aprovada culturalmente a um estressor ou perda 
comum, como a morte de um ente querido, não constitui transtorno 
mental. Desvios de comportamento (por exemplo, de natureza po-
lítica, religiosa ou sexual) e conflitos que são basicamente referentes 
ao indivíduo e à sociedade não são transtornos mentais, a menos que 
o desvio ou conflito seja o resultado de uma disfunção do indivíduo 
(American Psychiatric Association, 2014, p. 20).
Existem vários tipos de transtornos mentais, porém o DSM-5 divide-os em gran-
des categorias, as quais estão elencadas a seguir: 
• Transtornos do Neurodesenvolvimento. 
• Espectro da Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos. 
• Transtorno Bipolar e Transtornos Relacionados. 
• Transtornos Depressivos. 
• Transtornos de Ansiedade. 
• Transtorno Obsessivo-compulsivo e Transtornos Relacionados. 
• Transtornos Relacionados a Trauma e a Estressores. 
• Transtornos Dissociativos. 
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• Transtornos de Sintomas Somáticos e Transtornos Relacionados.
• Transtornos Alimentares e da Ingestão de Alimentos.
• Transtornos do Sono-Vigília.
• Disfunções Sexuais.
• Disforia de Gênero.
• Transtornos Disruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta. 
• Transtornos Relacionados a Substâncias e Transtornos Aditivos. 
• Transtornos Neurocognitivos.
• Transtornos da Personalidade:
• Transtornos Parafílicos. 
• Outros Transtornos Mentais.
Cada uma dessas categorias apresenta transtornos particulares descritos de acor-
do com critérios diagnósticos específicos. Seria inviável abordarmos todas ou 
várias delas neste estudo, até mesmo porque não há necessidade. No entanto, 
é de suma importância que um futuro profissional de saúde conheça algumas 
problemáticas que são muito comuns em saúde mental, acometendo grande 
parcela de pessoas. Nesse sentido, escolhemos falar primeiramente a respeito 
do estresse, o qual não é um transtorno mental, mas uma condição que ocorre 
com todo ser humano e que pode acarretar sofrimento. Segundo a Organização 
Mundial da Saúde (OMS, 2023), as principais problemáticas mentais presentes 
na atenção básica em saúde a nível mundial são a depressão (atingindo cerca 
de 4% da população global), a ansiedade (cerca de 3,6% da população global) e 
o abuso e dependência do álcool (afetando cerca de 5% da população adulta). 
A partir de tais dados, optamos por abordar essas problemáticas neste estudo.
Estresse
Cotidianamente, ouvimos pessoas dizendo que estão estressadas, sendo que até 
mesmo crianças já utilizam esse termo. Frases como “estou estressado!”, “que es-
tresse é esse?” são comuns. Mas será que nós sabemos realmente o que é estresse?
De acordo com Lipp (2013), uma das principais pesquisadoras em estresse no 
Brasil, a percepção social do estresse muitas vezes diverge da realidade. Profissio-
nais de saúde, em algumas ocasiões, utilizam o termo “estresse” de maneira super-
ficial para descrever os sintomas dos pacientes, sem compreender a profundidade 
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do que está acontecendo. Frequentemente, oferecem soluções rápidas como ates-
tados, férias, calmantes ou suplementos vitamínicos, sem uma investigação mais 
detalhada das causas subjacentes e sem encaminhar o paciente para tratamento 
especializado, como a psicoterapia. Embora a medicação possa ser útil, estratégias 
de enfrentamento são essenciais para que o indivíduo possa lidar com o estresse 
atual e prevenir episódios futuros. Aqueles que já experimentaram crises graves 
de estresse possuem uma alta probabilidade de recaídas, tornando indispensável 
a compreensão das causas do estresse, o reconhecimento precoce dos sintomas e 
o estabelecimento de limites e estratégias alternativas para mitigar o impacto.
Conforme Lipp (2013), o estresse é definido como um estado de tensão que 
provoca uma ruptura no equilíbrio interno do organismo, pois, de maneira ge-
ral, o corpo humano funciona como uma grande orquestra, em que os sistemas 
trabalham de forma integrada. Durante situações de estresse, esse equilíbrio é 
comprometido, prejudicando a harmonia entre os órgãos. Por exemplo, diante 
de um desafio, o coração acelera, o estômago tem dificuldades para digerir os 
alimentos e a insônia se manifesta, causando alterações nos ritmos habituais do 
corpo. O organismo, como resposta adaptativa, busca automaticamente retornar 
ao seu estado anterior de equilíbrio, porém, esse processo pode gerar desgaste e 
demandar o uso de reservas de energia.
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 É importante destacar que existem diferentes fontes de estresse, e o que 
causa estresse em uma pessoa pode não ter o mesmo efeito em outra, pois cada 
ser humano possui características singulares e um repertório de experiências de 
vida distinto. Dessa forma, podemos afirmar que qualquer situação que exija uma 
maior adaptação do organismo pode gerarestresse. Portanto, não são apenas os 
eventos negativos que provocam estresse; acontecimentos significativos que tra-
zem felicidade e realização também podem ser fontes de estresse (Lipp, 2013).
A autora destaca que o tempo necessário para retornar ao equilíbrio varia de 
pessoa para pessoa, dependendo de como cada indivíduo enfrenta os problemas 
em sua vida. Quanto mais resiliente a pessoa for, e quanto mais estratégias 
de enfrentamento utilizar, maior será sua capacidade de resistir aos estressores 
intensos por um período mais longo. No entanto, quando alguém é exposto a 
fontes de estresse permanentes, como uma relação conflituosa, por exemplo, a 
pessoa entra em ciclos prolongados de estresse. Esses ciclos exigem um consumo 
elevado de energia, que, eventualmente, se esgota, levando ao adoecimento. O 
corpo e a mente emitem sinais de alerta, indicando que não conseguem mais 
suportar a tensão emocional (Lipp, 2013).
 “ A memória começa a falhar, coisas pequenas e corriqueiras são esque-
cidas como se nunca tivessem acontecido. Não se consegue lembrar 
fatos, nomes ou tarefas, mesmo as mais simples. O outro sinal do 
corpo é acordar de manhã, após um boa noite de sono, muito cansa-
do. A sensação de desgaste físico e mental, acompanhada de falhas de 
memória, questionamentos sobre a nossa própria competência (auto-
dúvidas), apatia e desinteresse pelas coisas que antes davam prazer se 
constituem em sinais de que a tensão está excessiva (Lipp, 2013, p. 13).
Para a autora, esse seria o quadro do estresse excessivo, quando chega ao limite da 
resistência antes mencionada. Uma série de problemáticas podem se desencadear 
a partir de então, pois o estresse diminui a defesa imunológica, abrindo espaço 
para que doenças oportunistas se manifestem, como gripe, gastrite, retração da 
gengiva, problemas na pele, úlcera, herpes, hipertensão, psoríase, podendo che-
gar até mesmo a derrames, infarto. Além destas, se o estresse não é cessado, o 
desânimo toma conta e aí ocorrem crises de ansiedade, depressão. Pesadelos são 
muito comuns e a dificuldade para trabalhar acaba sendo consequência. 
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Certamente, não será somente o psicólogo que irá tratar desse assunto, pois 
o estresse atinge a pessoa como um todo. Especialmente quando acarretar o 
aparecimento de doenças, é necessário o tratamento interdisciplinar. Lipp (2013) 
designa quatro pilares importantes para o controle de estresse: 
1. Alimentação: perdem-se muitos nutrientes nos períodos de estresse. 
2. Relaxamento: é preciso reduzir a tensão que sempre acompanha o es-
tressado
3. Exercícios físicos: ajudam a diminuir a prontidão que o estresse gera no 
corpo quando em estresse.
4. Reestruturação de aspectos emocionais: é importante conhecer a si mes-
mo para tentar mudar os modos estressantes de pensar, agir e sentir.
Transtornos depressivos
De acordo com a OMS (2023), 280 milhões de pessoas no mundo sofrem de 
depressão. A cada ano, cerca de 700 mil pessoas morrem devido ao suicídio. 
A previsão é que, até o ano de 2030, a depressão seja a principal causa de carga 
global de doença, superada apenas por doenças cardíacas. A depressão, cujo 
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termo costumamos utilizar no cotidiano, não é citada neste formato no DSM-5 
(American Psychiatric Association, 2014). Há diferentes tipos de transtornos de-
pressivos e o mais comum, a condição clássica, é o Transtorno Depressivo Maior. 
A principal característica de um episódio depressivo maior é um humor 
depressivo ou a perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades, por 
um período mínimo de duas semanas. Além disso, para o diagnóstico, a pessoa 
deve apresentar pelo menos quatro dos seguintes sintomas adicionais: mudanças 
no apetite ou peso, no sono e na atividade psicomotora; diminuição de energia; 
sentimento de culpa; dificuldade para pensar, concentrar-se ou tomar decisões; 
pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida, planos ou tentativas de 
suicídio (American Psychiatric Association, 2022).
O humor é descrito como deprimido, triste ou ansioso, e há queixas de vazio, 
perda de interesse em atividades antes prazerosas e alterações no apetite. Distúr-
bios no sono, como insônia ou hipersônia, são comuns e muitas vezes motivam 
a busca por tratamento. As alterações psicomotoras incluem agitação ou retardo 
psicomotor, com movimentos ou pensamentos mais lentos, que devem ser ob-
serváveis por outros. A fadiga e a diminuição da energia são persistentes, mesmo 
sem esforço físico, e muitos relatam dificuldades de concentração e memória.
Os pensamentos de morte variam de um desejo passivo de não acordar até 
planos específicos de suicídio, o que eleva a taxa de mortalidade entre pessoas com 
transtorno depressivo maior. O índice de suicídios no Brasil é alto, o que torna 
essencial o foco nessas condições. Os sintomas geralmente são recentes ou pioram 
com o tempo, afetam o dia a dia e prejudicam os funcionamentos social e profissio-
nal. Alguns podem ter episódios mais leves, mas exigem esforço significativo para 
funcionar. Essas particularidades devem ser consideradas ao definir o tratamento, 
pois nem todos os que relatam depressão apresentam tais características.
O uso de medicamentos psicotrópicos (antidepressivos, ansiolíticos) no nos-
so país é elevado, o que nos sugere que precisamos pensar em ações coletivas 
urgentes em termos de saúde. Muitas pessoas que apresentam depressão maior 
não fazem o devido tratamento, com acompanhamento psiquiátrico, psicológi-
co, fazendo uso de medicações corretamente, seguindo instruções alimentares, 
exercícios físicos, por isso a importância de avaliarmos e sabermos conduzir tal 
condição, para que assim consigamos melhorar a qualidade de vida das pessoas.
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Transtornos de ansiedade 
Os transtornos de ansiedade referem-se a perturbações comportamentais re-
lacionadas a medo e ansiedade excessivos e persistentes. “Medo é a resposta 
emocional a uma ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a 
antecipação de uma ameaça futura” (American Psychiatric Association, 2022, p. 
189). Esses dois estados se sobrepõem, mas também se diferenciam, pois o medo 
é mais associado a pensamentos de perigo imediato e comportamentos de fuga, 
enquanto a ansiedade é associada a comportamentos de cautela ou esquiva. 
Os tipos de transtorno diferem de acordo com os objetos ou situações que 
induzem o medo ou ansiedade e pelo conteúdo dos pensamentos ou crenças 
associadas. Em geral, as pessoas com transtornos de ansiedade superestimam o 
perigo nas situações que temem ou evitam. Para ser assim diagnosticados, tais 
sintomas não podem ser consequências de efeitos fisiológicos do uso de alguma 
substância ou medicamento.
Os indivíduos com fobia são apreensivos e se esquivam de objetos ou situações 
específicas. O medo, ansiedade ou esquiva costuma ser imediatamente induzido 
pela situação fóbica, sendo persistente e fora de proporção em relação ao risco 
real que se apresenta. Há tipos de fobias específicas relacionadas a animais, am-
bientes, sangue/injeção/ferimentos, dentre outras. 
Indivíduos com transtorno de ansiedade social (fobia social) apresentam 
ansiedade, temor ou se esquivam de interações e situações sociais, nas quais haja 
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possibilidade de ser avaliado, como encontro com pessoas que não são conhe-
cidas, situações em que pode ser observado comendo e situações de desempe-
nho diante de outras pessoas. “A ideação cognitiva associada é a de ser avaliado 
negativamente pelos demais, ficar embaraçado, ser humilhado ou rejeitado ou 
ofender os outros” (American Psychiatric Association, 2022, p. 190) 
 No transtorno de pânico, a pessoa experimenta ataques de pânico inespe-
rados recorrentes, ficando persistentemente apreensiva ou preocupada com a 
possibilidade de sofrer outros ataques. Além disso, altera seus comportamentos, 
frequentemente evitando locais desconhecidos ou situações que podem gerar pâ-
nico. Um ataquede pânico é um surto abrupto de medo ou desconforto intenso, 
que atinge um pico em poucos minutos, com a presença de quatro ou mais sinto-
mas de uma lista de 13 sintomas físicos e cognitivos. Segue a lista dos sintomas:
1. Palpitações, coração acelerado, taquicardia. 
2. Sudorese. 
3. Tremores ou abalos. 
4. Sensações de falta de ar ou sufocamento. 
5. Sensações de asfixia. 
6. Dor ou desconforto torácico. 
7. Náusea ou desconforto abdominal. 
8. Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio. 
9. Calafrios ou ondas de calor. 
10. Parestesias (anestesia ou sensações de formigamento). 
11. Desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (sensação 
de estar distanciado de si mesmo). 
12. Medo de perder o controle ou enlouquecer. 
13. Medo de morrer. 
A frequência e a gravidade dos ataques de pânico variam, podendo ocorrer um 
intenso por semana, outros pequenos em quase todos os dias, separados por 
semanas ou meses. As preocupações geralmente relacionam-se com questões 
físicas, com a presença de doenças ameaçadoras à vida e preocupações pessoais. 
Existe também o transtorno de ansiedade generalizada, que se caracteriza por 
ansiedade e preocupação persistentes e excessivas acerca de vários domínios, 
incluindo desempenhos no trabalho e escolar, em que são experimentados sinto-
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mas físicos, como inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, 
tensão muscular e perturbação no sono.
Transtorno por uso de álcool 
O álcool é a substância mais consumida no mundo e, sendo lícita, está presente 
em diversas bebidas. Nas últimas décadas, o abuso de álcool se tornou um grande 
problema de saúde pública, associado a várias doenças e milhões de mortes. No 
Brasil, cerca de 11,8% da população é dependente de álcool, superando outras 
drogas (Brasil, 2023). Segundo Duailibi (2021), o álcool, um depressor cerebral, 
afeta órgãos como fígado e coração, podendo causar intoxicação, com sintomas 
de euforia, desorientação e, em casos graves, estupor e coma. O uso prolongado 
pode levar a complicações como cirrose, demência e hipertensão.
 Segundo o DSM-5 (American Psychiatric Association, 2022), o transtorno 
por uso de álcool é um padrão problemático que causa comprometimento clíni-
co, definido por sintomas como abstinência, tolerância e fissura, ocorrendo por 
pelo menos um ano. A abstinência inclui sudorese, tremores, insônia, náuseas, 
alucinações, ansiedade e convulsões, surgindo de quatro a 12 horas após a redu-
ção do consumo. A fissura, caracterizada pelo desejo intenso de beber, interfere 
no desempenho de atividades diárias.
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A abstinência de álcool pode ser desagradável e intensa, fazendo com 
que os indivíduos continuem o consumo, muitas vezes para evitar ou aliviar 
os sintomas. Problemas com o sono, por exemplo, podem persistir por meses, 
o que contribui para a recaída. À medida que um padrão repetitivo de uso se 
desenvolve, indivíduos com transtorno por uso de álcool podem dedicar gran-
des períodos de tempo para obter e consumir bebidas alcoólicas (American 
Psychiatric Association, 2022).
Alves (2021) destaca que a Reforma Psiquiátrica focou nos transtornos mentais 
graves, negligenciando o sofrimento relacionado ao uso abusivo de substâncias, ge-
rando uma lacuna nas políticas públicas. Apenas em 2003 foi formulada uma política 
específica para o uso de álcool e drogas, ainda um grande desafio. Soares, Vargas e 
Oliveira (2021) apontam que, apesar do aumento da demanda por serviços de saúde 
para problemas com álcool, há barreiras para o diagnóstico e tratamento, devido à 
falta de conhecimento dos profissionais e visões negativas sobre os pacientes.
Conforme o Ministério da Saúde (Brasil, 2023), o abuso de álcool é a situa-
ção mais comum observada na atenção básica, o que torna fundamental que os 
profissionais de saúde estejam atentos à detecção precoce de problemas relacio-
nados ao consumo de álcool. Além disso, é importante integrar o tratamento de 
outras patologias agravadas pelo uso da substância, como a hipertensão, que é 
bastante frequente. Recomenda-se que os profissionais de saúde avaliem o con-
sumo de álcool desde a adolescência, uma vez que a pessoa dependente de hoje já 
percorreu uma trajetória de uso crescente da substância. É essencial reconhecer 
sinais e sintomas de abuso de álcool, discutir os riscos envolvidos, fornece orien-
tações e encaminhar os usuários para serviços especializados quando necessário.
Para detectar o uso abusivo de álcool, existem alguns questionários de fácil 
aplicação. Um dos mais conhecidos é o Audit, composto por dez perguntas que 
investigam o padrão de consumo de álcool da pessoa nos últimos 12 meses. 
Cada resposta gerará uma pontuação, e o valor da soma das pontuações indica a 
presença e a intensidade dos problemas relacionados ao álcool. Esse questionário 
pode ser uma ferramenta útil para a identificação rápida e confiável, além de ser 
essencial para pensar em alternativas de tratamento (Brasil, 2023).
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O TRABALHO INTERDISCIPLINAR EM SAÚDE MENTAL 
A saúde mental não está dissociada da saúde geral, e, por isso, é necessário re-
conhecer que as demandas de saúde mental estão presentes em diversas queixas 
relatadas pelas pessoas que procuram os serviços de saúde, especialmente na 
atenção básica. Dessa forma, cabe aos profissionais de saúde o desafio de identi-
ficar e intervir nessas questões de maneira adequada (Brasil, 2023).
Ao considerar as ações de saúde mental que podem ser realizadas 
no próprio contexto do território das equipes de saúde, é importante 
destacar que a saúde mental não exige necessariamente um trabalho 
adicional ao que já é demandado dos profissionais de saúde. O foco 
está em incorporar ou aprimorar competências de cuidado em saúde 
mental na prática diária, para que as intervenções consigam conside-
rar a subjetividade, a singularidade e a visão de mundo do usuário, 
promovendo um cuidado integral à saúde (Brasil, 2023, p. 11).
Há um choque entre a prática profissional e a formação acadêmica, ainda focada 
na visão biomédica. Apesar de outros aspectos da saúde serem discutidos nos 
cursos, os conteúdos das ciências naturais predominam. Além disso, como pro-
fissionais de saúde, somos também pessoas com nossos próprios sentimentos e 
valores, que influenciam o cuidado daqueles que sofrem (Brasil, 2023).
“Corpos não sofrem, pessoas sofrem”, diz Cassell. O alívio do sofrimento no 
trabalho em saúde muitas vezes vem das múltiplas facetas humanas dos profis-
sionais, além do conhecimento técnico (Brasil, 2023, p. 14). A saúde mental não 
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deve ser separada da saúde física, mas entendida como o sofrimento de pessoas, 
presente em todos, e não apenas nos diagnosticados. Muitos transtornos mentais, 
como doenças crônicas, acompanham o indivíduo ao longo da vida, exigindo 
um cuidado que compreenda suas motivações singulares.
"O maior desafio dos serviços de saúde é cuidar dos doentes sem sofrer e dos 
que sofrem sem estar doentes” (Brasil, 2023, p. 89). Exemplos de doentes sem 
sofrimento são pessoas com diabetes, hipertensão e obesidade, fatores de risco 
para doenças cardiovasculares. Já os que sofrem sem estar doentes são aqueles 
que aumentam as estatísticas de depressão e ansiedade. Assim, é importante re-
conhecer que todo sofrimento merece cuidado, não apenas a doença.
O DSM e o CID baseiam-se em um modelo de síndrome clínica, agrupando 
sinais e sintomas. No entanto, devido à complexidade humana, essas categorias não 
são suficientes para definir todo o sofrimento mental, que resulta de uma interação 
de fatores biológicos, psicológicos e sociais ao longo da vida (Brasil, 2023). Embora 
o uso do termo doença ou transtorno mental seja comum entre profissionais de 
saúde, é importante refletir sobre o impacto desses rótulos na sociedade, que po-
dem levar a equívocos, como a ideia de que transtornos mentais são causados por 
genética ou associá-losa julgamentos morais, estigmatizando o indivíduo.
Na atenção básica, são comuns queixas de tristeza, irritabilidade, dificuldade 
de concentração, ansiedade e medo, frequentemente associadas a alterações no 
sono, apetite, dores, cansaço e sintomas gástricos (Brasil, 2013). Esses quadros 
mistos variam em intensidade, alternando entre períodos de sintomas leves e 
crises mais intensas. Esse sofrimento mental pode ser visto como uma síndrome 
clínica com três dimensões: tristeza, ansiedade e sintomas físicos (somatização). 
Fatores como gênero, pobreza, cor da pele e desigualdade aumentam a vulnera-
bilidade ao sofrimento mental, com mulheres e pessoas em situações de pobreza, 
baixa escolaridade e desemprego sendo mais afetadas (Brasil, 2013).
Também é muito frequente as pessoas relatarem algum acontecimento mar-
cante em suas vidas que possa ter desencadeado o sofrimento, sendo os mais 
comuns sentimentos de humilhação ou de se sentirem sem saída. Situações como 
a perda de um vínculo importante, um ato de delito vindo de alguém próximo, 
situações de violência doméstica, tentar sair de uma relação abusiva, receber o 
diagnóstico de uma doença grave, a perda de uma relação significativa e a morte 
de um parente próximo são comumente relacionadas (Brasil, 2013). 
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A presença e a qualidade das relações com pessoas próximas emer-
gem como um fator protetor importante para o sofrimento mental. 
Em momentos de crise, o apoio emocional (escuta e validação dos 
sentimentos), material (ajuda prática, como cuidar da casa ou em-
prestar dinheiro) e para buscar recursos (indicação de tratamentos 
ou oportunidades de emprego) podem fazer a diferença. A percep-
ção de que se pode contar com esse apoio social é um fator crucial, 
especialmente contra a persistência de sofrimento mental mais in-
tenso (Brugha, 1995 apud Brasil, 2013).
Como vimos, o sofrimento mental comum é decorrente do impacto emocional 
na vida da pessoa diante de sua condição social, de sua personalidade, sua história 
de vida e da sua rede social de apoio. 
Prisioneiro da Mente
É uma obra que aborda a luta interna de uma mulher chamada 
Isabela, que se vê aprisionada pelos próprios pensamentos e 
emoções. A protagonista sofre com angústias e inseguranças 
que a impedem de viver de maneira plena e feliz. Ao longo da 
narrativa, Cury explora como os conflitos internos podem do-
minar a mente e, ao mesmo tempo, mostra que é possível rom-
per com esse ciclo vicioso. 
INDICAÇÃO DE LIVRO
Nesse âmbito, o profissional de saúde precisa compreender a complexidade de 
tal contexto para cada uma das pessoas que este atende; sem que isso ocorra, não 
será possível produzir saúde.
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NOVOS DESAFIOS 
Estudante, chegamos ao final de mais um tema de aprendizagem em que pode-
mos entender que a saúde mental é essencial no cuidado integral à saúde, e tanto 
profissionais quanto vocês estudantes devem estar atentos ao sofrimento psíquico 
dos pacientes, considerando suas histórias de vida, subjetividades e interações. 
Nem todos os pacientes apresentam transtornos mentais diagnosticáveis, mas 
podem vivenciar sofrimento mental comum, com sintomas como tristeza, an-
siedade e cansaço. Detectar esses sinais e realizar uma escuta ativa é crucial para 
identificar causas subjacentes, como perdas ou violência.
Na atenção básica, é importante que os profissionais integrem o cuidado à saú-
de mental, aprimorando suas habilidades de escuta e acolhimento. Ferramentas 
como o AUDIT ajudam a identificar o abuso de substâncias, uma causa frequente 
de sofrimento mental. O desafio é reconhecer que qualquer pessoa pode sofrer, 
independentemente de diagnóstico formal, e fatores como gênero, condições so-
cioeconômicas e relações de apoio influenciam a vulnerabilidade ao sofrimento.
Estudantes de saúde devem adotar uma abordagem holística, considerando 
os aspectos biológicos, psicológicos e sociais no cuidado. Ao reconhecerem sinais 
de sofrimento mental e oferecerem apoio adequado, promoverão uma saúde mais 
integral, humanizada e preventiva.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gostaríamos 
de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acreditamos que essa 
aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
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5informações confiáveis para o estudo da Psicologia. 
Será importante que você perceba o cuidado que os escritores têm com o seu leitor. 
EU INDICO
Conforme já estudamos, em 1543, Copérnico revolucionou o conhecimento da 
época ao mostrar que a Terra não era o centro do universo. Em 1610, Galileu 
realizava as primeiras experiências da Física. O conhecimento científico começa 
a estabelecer seus métodos e regras e ganha força, dando origem ao objeto de 
estudo da Psicologia científica: a subjetividade humana.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gostaríamos 
de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acreditamos que essa 
aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendi-
zagem.
EM FOCO
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NOVOS DESAFIOS
Estudante, vamos pensar juntos, já imaginou como a Psicologia está presente em 
diversos contextos? Como ela pode nos ajudar em nossas relações e no ambiente de 
trabalho? Atualmente, é visto a necessidade de compreender melhor o ser humano 
como um todo, seus ideais, cultura, herança genética, pensamentos, crenças, para 
obter um melhor atendimento e potencializar resultados mais satisfatórios. 
Com certeza você já ouviu uma série de explicações psicológicas e ficou na 
dúvida se acreditava nelas ou não. Existem explicações que nos convencem mais 
que outras, dependendo da forma como se desenvolve o raciocínio lógico e teó-
rico. Quais são as teorias e explicações que combinam com o seu jeito de pensar?
Por fim, chegou o momento de colocarmos em prática todo conhecimento 
aprendido neste tema de aprendizagem, para que você consiga fazer uma relação 
da teoria com a prática de uma forma ampla, a seguir teremos algumas questões 
norteadoras como forma de retenção do conhecimento. 
Agora chegou a sua vez de colocar em prática seus pensamentos e reflexões 
acerca de todo conteúdo. Como sugestão, oriento a você que construa um mapa 
mental, contendo palavras-chaves dos principais conceitos que estudamos, essa 
atividade irá proporcionar a você um aprendizado mais consolidado e ainda te 
auxiliar na fixação do conteúdo. 
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MINHAS METAS
A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA
Compreender as bases Filosóficas e Científicas.
Entender a fundamentação da pesquisa Wundt para psicologia.
Entender as principais teorias dos primórdios da Psicologia.
Compreender a Psicanálise de Freud.
Conhecer os domínios da Psicologia como ciência.
Diferenciar senso comum de conhecimento científico.
Compreender a subjetividade humana. 
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA
Existem dois tipos de conhecimento, ou seja, duas linhas de raciocínio que são 
utilizadas para disseminar uma ideia ou teoria. Um deles é o já mencionado co-
nhecimento científico e o outro é o conhecimento do senso comum. O conhe-
cimento do senso comum, como o próprio nome diz, trata-se de um conhecimento 
disseminado e aceito por um determinado grupo de pessoas, isto é, há um consenso 
ou uma ideia comum de que aquele conhecimento é verdadeiro. 
Por exemplo, os conhecimentos das nossas avós acerca do chá que deve-
mos tomar para curar uma dor de estômago. Atualmente, já existem inúmeras 
pesquisas científicas a esse respeito, porém, nossas avós não leram nenhum 
artigo científico que comprove que o chá é eficaz no tratamento de distúrbios 
estomacais, elas utilizam informações que lhes foram passadas também por suas 
mães, avós etc. 
É exatamente isso 
que chamamos de co-
nhecimento do senso 
comum: uma ideia ou 
teoria passada de gera-
ção em geração, mas que 
não passou por nenhu-
ma análise criteriosa de 
cunho científico. É o tipo 
de conhecimento que 
não se questiona. Apren-
demos com nossos avós e 
seguimos repetindo, sem 
argumentar ou questio-
nar a origem desse co-
nhecimento. 
Se o conhecimento 
do senso comum é algo 
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que não questionamos, com o conhecimento científico o processo é bem dife-
rente. Para que uma teoria seja considerada científica, ela passa por um rigoroso 
processo, que compreende métodos, teorias e técnicas específicas que lhe con-
ferem o status de ciência. 
A psicologia científica de wundt e a subjetividade humana
Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), o berço da Psicologia científica foi à 
Alemanha do final do século XIX, onde Wundt fundou o primeiro laboratório 
de Psicologia Experimental, em Leipzig, no ano de 1879, fazendo pesquisas sobre 
percepção, aprendizagem e memória. 
 “ Wundt, Weber e Fechner trabalharam juntos na Universidade de 
Leipzig. Seguiram para a Alemanha muitos estudiosos dessa nova 
ciência, como o inglês Edward B. Titchener e o americano William 
James. Seu status de ciência é obtido à medida que se “liberta” da 
Filosofia, que marcou sua história até aqui, e atrai novos estudiosos 
e pesquisadores, que, sob os novos padrões de produção de conhe-
cimento, passam a: 
• definir seu objeto de estudo (o comportamento, a vida psíquica, 
a consciência); 
• delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas 
do conhecimento, como a Filosofia e a Fisiologia; 
• formular métodos de estudo desse objeto; 
• formular teorias com um corpo consistente de conhecimentos 
na área. 
Essas teorias devem obedecer aos critérios básicos da metodologia 
científica, isto é, deve-se buscar a neutralidade do conhecimento 
científico, os dados devem ser passíveis de comprovação, e o co-
nhecimento deve ser cumulativo e servir de ponto de partida para 
outros experimentos e pesquisas na área. Embora a Psicologia cien-
tífica tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que ela 
encontra campo para um rápido crescimento, resultado do grande 
avanço econômico que colocou este país na vanguarda do sistema 
capitalista. Nos Estados Unidos surgem as primeiras abordagens 
ou escolas de Psicologia, as quais deram origem às inúmeras teorias 
que existem atualmente (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p. 41). 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Sendo assim, os critérios necessários para que possamos considerar um conheci-
mento científico são: objetividade; objeto de estudo específico; linguagem rigo-
rosa; métodos e técnicas específicos; suas conclusões são passíveis de verificação; 
processo cumulativo de conhecimento. O quadro a seguir apresenta um compa-
rativo entre os conhecimentos do senso comum e científico para que possamos 
visualizar de forma mais clara as principais diferenças entre eles:
SENSO COMUM CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Subjetivo. O conhecimento varia de uma 
pessoa para outra, dependendo do con-
texto em que ela vive.
Objetivo Utiliza estruturas universais e muito 
bem definidas para a construção do conhe-
cimento (o conhecimento pode ser compro-
vado cientificamente).
Qualitativo As coisas são julgadas 
(interpretadas) por nós como grandes ou 
pequenas, doces ou azedas, pesadas ou 
leves, novas ou velhas.
Quantitativo Estabelece medidas, padrões 
e critérios de comparação e avaliação para 
as coisas que parecem ser diferentes.
Heterogêneo. Refere-se a fatos que jul-
gamos diferentes, porque os percebemos 
como diversos entre si (é novamente uma 
questão de interpretação, de ponto de 
vista. Duas pessoas podem ter interpreta-
ções diferentes de um mesmo fato).
Homogêneo Busca leis gerais para o 
funcionamento dos fenômenos, que são 
as mesmas para os fatos que nos parecem 
diferentes.
Tende a estabelecer relações de causa 
e efeito entre as coisas ou entre os 
fatos: “onde há fumaça, há fogo; ingerir 
sal quando se tem tontura é bom para a 
pressão”.
Só estabelece relações causais depois de 
investigar a natureza ou estrutura do fato 
estudado e suas relações com outros seme-
lhantes ou diferentes
Não se surpreende nem se admira com 
a regularidade, constância, repetição e 
diferença das coisas. A admiração e o es-
panto se dirigem para o que é imaginado 
como único, extraordinário e maravilhoso.
Surpreende-secom a regularidade, a 
constância, a frequência, a repetição e a 
diferença das coisas e procura mostrar que 
o maravilhoso e o extraordinário têm uma 
explicação: um terremoto ou um furacão 
obedecem às leis da física (procura apre-
sentar explicações racionais e claras para os 
fatos, opondo-se ao espetacular, ao mágico 
e ao fantástico).
Quadro 1 – Comparativo entre os conhecimentos produzidos no senso comum e o conhecimento científico
Fonte: adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2008).
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Sabe-se que, para ser considerada científica, uma teoria precisa apresentar um 
objeto de estudo específico. Já vimos que a Psicologia se volta para o estudo do 
comportamento, da vida psíquica e da consciência, porém utilizamos um termo 
para definir o objeto de estudo da Psicologia científica que engloba todos os 
fenômenos psicológicos: a subjetividade humana.
Subjetividade humana é a singularidade do ser humano, as particularidades 
de cada um, aquilo que distingue uma pessoa da outra. De acordo com Bock, 
Furtado e Teixeira (2008), o ser humano passou a ter necessidade de construir 
uma ciência que estudasse e produzisse visibilidade para a experiência subjetiva. 
Assim surgiu a Psicologia, como produto das dúvidas do homem moderno, esse 
humano que se valorizou enquanto indivíduo e que se constituiu como sujeito 
capaz de se responsabilizar por seu destino. 
Atualmente, a Psicologia é detentora de vasta quantidade de teorias que 
tornam o campo de atuação profissional do psicólogo extremamente amplo. 
Essas teorias se desenvolveram a partir dos conhecimentos produzidos pelas 
primeiras escolas de pensamento, advindas dos conhecimentos produzidos por 
Wundt e seus contemporâneos.
O estruturalismo e o método 
introspectivo
Primeiramente, precisamos esclarecer 
que as escolas de pensamento da Psi-
cologia se referem às teorias que fun-
damentam o trabalho do psicólogo. 
Elas são como um filtro que o profis-
sional utiliza para basear o seu olhar e 
as suas análises. 
O estruturalismo teve como prin-
cipais expoentes Wilhelm Wundt e Ed-
ward Titchener. Essa teoria é conside-
rada a primeira escola de pensamento 
da Psicologia. De uma maneira geral, 
podemos dizer que o estruturalismo 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
buscava entender a estrutura da mente e suas percepções pela análise dessas 
percepções em seus componentes constitutivos, especialmente a consciência. 
 “ Titchener irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os esta-
dos elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso 
central. Essa escola foi inaugurada por Wundt, mas foi Titchener, seu 
seguidor, quem usou o termo estruturalismo pela primeira vez, no 
sentido de diferenciá-la do funcionalismo. O método de observação 
de Titchener, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo e os 
conhecimentos do laboratório (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p. 41). 
O método introspectivo já era utilizado pelos filósofos na Grécia antiga. Wundt 
o aperfeiçoou, criando a seguinte definição:
Introspecção: a autoanálise da mente para se inspecionar e relatar os pensamen-
tos ou sentimentos pessoais.
APROFUNDANDO
Schultz e Schultz (2006) definiram, de maneira muito clara, como Wundt cons-
truiu sua teoria, no texto que segue: “O método da Introspecção”.
O MÉTODO DA INTROSPECÇÃO
Wundt descrevia a sua Psicologia como a ciência da experiência consciente. 
Sendo assim, o método da Psicologia científica deve abranger as observações da 
experiência consciente. No entanto, somente o indivíduo que passa pela expe-
riência é capaz de observá-la. 
Wundt estabeleceu que o método de observação devia necessariamente uti-
lizar-se da introspecção, ou seja, do autoexame do estado mental. Ele se referia 
a esse método como percepção interna. Wundt não foi o criador do método da 
introspecção, que já existia no tempo de Sócrates. A inovação introduzida por 
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ele consistia na aplicação do controle experimental preciso sobre as condições 
de execução da introspecção.
Na Física, a introspecção foi utilizada para estudar a luz e o som; na Fisiolo-
gia, foi aplicada na pesquisa dos órgãos dos sentidos. Por exemplo: para obter 
informações sobre os sentidos, o pesquisador aplicava um estímulo e pedia ao 
indivíduo para descrever a sensação produzida. Esse procedimento é semelhante 
aos métodos de pesquisa psicofísica empregada por Fechner. Quando as pessoas 
comparavam dois pesos e apontavam se algum era mais pesado, mais leve ou se 
ambos tinham o mesmo peso, estavam passando pela experiência da introspec-
ção, ou seja, estavam descrevendo as suas experiências conscientes. 
A introspecção, ou percepção interna, praticada no laboratório de Wundt na 
Universidade de Leipzig, obedecia às regras e condições estabelecidas por ele:
• Os observadores devem ser capazes de determinar quando o processo 
será introduzido. 
• Os observadores devem estar em estado de prontidão e alerta. 
• Deve haver condições adequadas para se repetir várias vezes a observação.
• Deve haver condições adequadas para se variarem as situações experi-
mentais em termos de manipulação controlada do estímulo.
A última condição remete à essência do método experimental: a variação das 
condições das situações de estímulo e a observação das mudanças resultantes 
das experiências descritas pelos indivíduos.
Wundt acreditava que sua forma de introspecção – a percepção interna – per-
mitia fornecer todos os dados básicos necessários para o estudo dos problemas 
de interesse da Psicologia, assim como a percepção externa proporcionava os 
dados para as ciências, como a Astronomia e a Química. 
Na percepção externa, o foco de observação encontra-se fora do observador, por 
exemplo, uma estrela ou reação da mistura química no tubo de ensaio. Na percepção 
interna, o foco encontra-se dentro do observador, na sua experiência consciente. 
O objetivo de realizar a percepção interna sob rígidas condições experimen-
tais consiste em produzir observações precisas passíveis de repetição, da mesma 
forma que a percepção externa produz para as ciências naturais observações que 
podem ser repetidas separadamente por outros pesquisadores. A fim de atingir 
essa meta, Wundt insistia em treinar cuidadosa e rigorosamente seus observa-
dores para realizar corretamente as percepções internas. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Exigia que eles completassem 
até 10 mil observações introspecti-
vas individuais antes de considerá-
-los preparados para proporciona-
rem dados significativos para o seu 
laboratório de pesquisa. Submeti-
dos a esse treinamento repetitivo e 
persistente, os indivíduos estariam 
aptos a realizar mecanicamente as 
observações e se tornariam rápidos 
e alertas em relação à experiência 
consciente sendo observada. Na 
teoria, os observadores treinados 
por Wundt não precisariam de 
pausa para pensar ou refletir 
sobre o processo (e possivelmente 
introduzir alguma observação 
pessoal) e seriam capazes de des-
crever a experiência consciente 
quase imediata e automaticamente. 
Assim, o intervalo entre os atos de 
observar e de relatar a experiência 
imediata seria mínimo.
Wundt praticamente não 
aceitava o tipo de introspecção 
qualitativa em que as pessoas 
simplesmente descreviam suas 
experiências íntimas. A descrição 
introspectiva que buscava estava 
relacionada principalmente com 
os julgamentos conscientes sobre 
o tamanho, a intensidade, a dura-
ção de vários estímulos físicos, ou 
seja, o tipo de análise quantitativa 
da pesquisa psicofísica. Poucos es-
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tudos do laboratório de Wundt usaram relatos de natureza subjetiva ou qualita-
tiva, como a percepção de prazer provocada por um estímulo, a intensidade de 
uma imagem ou a qualidade de uma sensação. 
A maioria das pesquisas de Wundt consistia em medições objetivas propor-
cionadas por equipamentos sofisticados de laboratório, muitas delas referentes a 
tempos de reação registrados quantitativamente. Depois de acumular os dados 
objetivos suficientes, Wundt extraia as deduçõesa respeito dos elementos e dos 
processos da experiência consciente.
É fato que a rigorosidade dos processos utilizados por Wundt em seu la-
boratório revolucionou a forma de se produzir conhecimento na época e elevou 
a Psicologia a um patamar que não havia atingido até então. Estava colocada a 
maneira de se fazer ciência e muitos foram os pesquisadores que seguiram os 
passos do pai da Psicologia científica na produção de conhecimento, conforme 
veremos em outras escolas de pensamento.
Funcionalismo e pragmatismo
O funcionalismo basicamente busca entender o que as pessoas fazem e por que 
o fazem. Conforme apontado por Sternberg (2015), os funcionalistas estavam 
unidos pelos tipos de perguntas que faziam, mas não necessariamente pelas res-
postas que encontravam ou pelos métodos que utilizavam para chegar a essas 
respostas. Como os funcionalistas acreditavam no uso de qualquer método que 
melhor respondesse às perguntas de um determinado pesquisador, parece natural 
que o funcionalismo tenha levado ao pragmatismo. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Os pragmatistas acreditam que o conhecimento só pode ser validado por sua 
utilidade: o que se pode fazer com isso? 
Estão interessados não apenas em saber o que as pessoas fazem, mas também 
querem descobrir o que podemos fazer com o nosso conhecimento sobre o que 
as pessoas fazem. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
 “ O funcionalismo é considerado como a primeira sistematização 
genuinamente americana de conhecimento em Psicologia. Uma 
sociedade que exigia o pragmatismo para o seu desenvolvimento 
econômico acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo 
espírito. Desse modo, para a escola funcionalista de William James, 
importa responder “o que fazem os homens” e “por que o fazem”. 
Para responder isso, James elege a consciência como o centro de 
suas preocupações e busca a compreensão do seu funcionamento, 
na medida em que o homem a usa para adaptar-se ao meio (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2008 p. 41).
Observe que até o momento as referidas escolas de pensamento voltaram-se aos 
estudos da consciência. É possível entender porque Freud causou uma reviravolta 
não só no meio científico, mas na humanidade como um todo quando chamou a 
atenção para aspectos que vão além da consciência, quando postulou a existência 
do inconsciente. 
Ninguém, até então, havia proposto a existência de um fenômeno psicológico 
de tamanha importância. No entanto, antes de estudarmos um pouco mais sobre 
a Psicanálise de Freud, vamos conhecer outra escola de pensamento de grande 
importância para a Psicologia, o Associacionismo de Hermann Ebbinghaus e 
Edward Thorndike.
Associacionismo
O associacionismo se interessou em compreender como os eventos e ideias po-
dem se associar na mente propiciando a aprendizagem. Foi nessa teoria que, pela 
primeira vez, considerou-se a repetição como auxílio do aprendizado. De acordo 
com Sternberg (2015), as associações podem resultar em termos de contiguidade 
(associar informações que tendem a ocorrer juntas ou quase ao mesmo tempo); 
de similaridade (associar assuntos com traços ou propriedades semelhantes); ou 
em termos de contraste (associar assuntos que parecem apresentar polaridades, 
como quente/frio, claro/escuro, dia/noite).
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 “ No fim dos anos 1800, o associacionista Hermann Ebbinghaus foi 
o primeiro pesquisador a aplicar os princípios associacionistas de 
maneira sistemática. Ebbinghaus estudou e observou especificamente 
seus próprios processos mentais. Contou seus próprios erros e regis-
trou seus tempos de resposta. Por meio de auto-observações, estudou 
como as pessoas aprendem e se lembram dos conteúdos por meio da 
repetição consciente do material a ser aprendido. Entre outras conclu-
sões, descobriu que a repetição possibilita fixar as associações mentais 
de maneira mais consciente na memória. Dessa forma, a repetição 
auxilia o aprendizado. Outro associacionista influente, Edward Thor-
ndike, sustentava que o papel da “satisfação” era a chave para a for-
mação das associações. Thorndike chamou esse princípio de Lei do 
Efeito (1905): um estímulo tenderá a produzir uma determinada res-
posta ao longo do tempo se o organismo for recompensado com essa 
resposta. Ele acreditava que um organismo aprendia a responder de 
uma determinada maneira (o efeito) em uma dada situação se fosse 
constantemente recompensado por isso (a satisfação, que serve como 
estímulo para ações futuras). Assim, uma criança que recebe uma 
recompensa por resolver corretamente problemas de aritmética irá 
aprender a fazê-lo sempre assim, porque estabelece uma associação 
entre a solução válida e a recompensa (Sternberg, 2015, p. 6).
Vamos trazer essa análise para o nosso contexto atual. Prestando atenção no 
seu próprio processo de aprendizagem, é possível perceber a validade da teoria 
associacionista. Você sabe que será recompensado pelo esforço que tem feito 
ao dedicar-se aos estudos. Vislumbrar como será recompensado por isso é um 
fator motivacional extremamente importante, que acaba por fazê-lo pensar em 
estratégias de como favorecer o seu entendimento dos conteúdos, por exemplo. E 
mais, você está utilizando os princípios de contiguidade, similaridade e contraste 
para entender o que está lendo. 
Várias teorias de aprendizagem desenvolvem-se desde as pesquisas de Ebbinghaus 
e Thorndike, porém é muito importante que tenhamos conhecimento deste momen-
to histórico, que foi ponto de partida para entender como a nossa mente aprende.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Localize uma foto sua de quando era bebê ou criança. Depois, selecione uma foto 
atual ou simplesmente se olhe no espelho. Tente identificar o que mudou e o que 
não mudou. Você se sente a mesma pessoa ou não?
PENSANDO JUNTOS
Psicanálise
Quando se fala em Psicologia, o nome que vem imediatamente à cabeça da maio-
ria das pessoas é o de Sigmund Freud. Já mencionamos anteriormente o impacto 
que as descobertas de Freud causaram na história da humanidade e porque o 
inconsciente, apresentado por ele, foi considerado a terceira ferida narcísica da 
história. Esse tópico aborda as teorias que foram fundamentais para a consoli-
dação da Psicologia como ciência, portanto, não há como se falar da Psicologia 
científica sem nos voltarmos às contribuições da Psicanálise de Freud. 
 “ A psicanálise, como método de investigação, caracteriza-se pelo 
método interpretativo, que busca o significado oculto daquilo que 
é manifestado por meio de ações e palavras ou pelas produções 
imaginárias, como os sonhos, os delírios, as associações livres, os 
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atos falhos. A prática profissional refere-se à forma de tratamento 
– a análise – que busca o autoconhecimento ou a cura, que ocorre 
por meio desse processo de investigação. Atualmente, o exercício 
da Psicanálise acontece de muitas formas, é usada como base para 
psicoterapias, aconselhamento, orientação; é aplicada no trabalho 
com grupos e instituições. A psicanálise também é instrumento 
importante para a análise e interpretação de fenômenos sociais re-
levantes: as novas formas de sofrimento psíquico, o excesso de indi-
vidualismo no mundo contemporâneo, a exacerbação da violência 
etc. Compreender a Psicanálise significa percorrer novamente o 
trajeto pessoal de Freud, desde a origem dessa ciência e durante 
grande parte do seu desenvolvimento. A relação entre o autor e 
obra torna-se mais significativa quando descobrimos que grande 
parte de sua produção foi baseada em experiências pessoais, trans-
critas com rigor em várias de suas obras, como A interpretação 
dos sonhos e Psicopatologia da vida cotidiana, dentre outras (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2008, p. 47).
 O desenvolvimento da teoria freudiana deu-se inicialmente através do trabalho 
com pacientes histéricas. O caso mais notório, que embasou os primórdios da 
teoria de Freud, foi o de uma paciente que ficou conhecida como o caso “Anna 
O.”, que era atendida pelo médico fisiologista austríaca Josef Breuer (1842-1925), 
autor de obras precursorasda Psicanálise.
 “ Esse caso foi o primeiro em que um médico conseguiu esclarecer 
todos os sintomas do estado histérico e descobrir, ao mesmo tempo, 
os meios de fazer com que desaparecessem. O método catártico, 
adotado por Breuer, propiciou o surgimento da Psicanálise. “Anna 
O.” cunhou a expressão “talking cure” (cura pela palavra) para “we-
gezahlen” (narração livre) de sintomas, um processo que Freud, pos-
teriormente, desenvolveu como técnica psicanalítica de associações 
livres. “Anna O.” referia-se ao método como “chimney sweeping” 
(limpeza da chaminé) – a paciente sabia que, depois que houvesse 
dado expressão às suas alucinações, perderia o que descrevia como 
“energia” (Mintzberg, 1998, p. 13). 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Ainda de acordo com Mintzberg (1998), o texto “Estudos sobre a histeria” 
(Breuer; Freud, 1893), cujo tema é o caso “Anna O.”, é considerado a primeira 
publicação notável da teoria psicanalítica. O tratamento de Anna O. Teve início 
15 anos antes da publicação do livro. Breuer era quem atendia a paciente e Freud 
desenvolvia a teoria a partir do referido caso.
Muitas evoluções aconteceram desde as primeiras publicações de Breuer e 
Freud. Vários outros pesquisadores seguiram o caminho aberto por eles e aper-
feiçoaram as pesquisas e os métodos de fazer análise. Atualmente, a psicanálise 
se configura como um método amplamente aceito e consolidado e utilizado nos 
mais diversos campos de atuação do psicólogo.
Behaviorismo
A origem do termo behaviorismo vem da palavra inglesa behavior, que significa 
comportamento. De uma maneira geral, podemos definir o behaviorismo como 
a ciência do comportamento humano. O que os pesquisadores dessa teoria pos-
tularam inicialmente foi que a psicologia deveria se concentrar apenas na relação 
entre o comportamento observável, de um lado; e os eventos, ou estímulos 
ambientais, de outro. 
Vamos entender qual foi o caminho percorrido para o desenvolvimento da 
teoria. Para falar sobre a teoria behaviorista precisamos passar obrigatoriamente 
pelas obras de três autores, considerados os precursores dessa escola de pensa-
mento. São eles: John B. Watson (1878-1958), Ivan Pavlov (1849-1936) e Burrhus 
Frederic Skinner (1904-1990). 
O nome “behaviorismo” pode soar estranho no início, mas logo ele se torna fa-
miliar. É derivado da palavra behavior, utilizada no inglês com o significado de 
“comportamento”. Por isso, dizer comportamentalismo no lugar de behaviorismo 
significa a mesma coisa. Entre os psicólogos, porém, usar a opção em inglês é 
bastante comum.
APROFUNDANDO
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Conforme nos apontam Bock, Furtado e Teixeira (2008), ao postular o compor-
tamento como objeto da Psicologia, Watson trouxe a possibilidade de pesquisar 
um fenômeno passível de observação e mensuração, aumentando ainda mais a 
cientificidade da teoria psicológica. Watson foi o responsável pela publicação 
do primeiro artigo que mencionava o Behaviorismo, no ano de 1913, intitulado 
“Psicologia: como os behavioristas a veem”. 
 “ Apesar de colocar o “comportamento” como objeto da Psicologia, o 
behaviorismo foi, desde Watson, modificando o sentido desse termo. 
Hoje, não se entende comportamento como uma ação isolada de um 
sujeito, mas como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o 
ambiente onde o seu “fazer” está inserido. Portanto, o behaviorismo 
dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, 
entre as ações do indivíduo (respostas) e o ambiente (estimulações). 
Os psicólogos dessa abordagem chegaram aos termos “resposta” e 
“estímulo” para se referirem àquilo que o organismo faz e as variá-
veis ambientais que interagem com o sujeito. [...] o comportamento, 
entendido como interação entre indivíduo e ambiente e a unidade 
básica de descrição, é o ponto de partida para uma ciência do com-
portamento. O ser humano começa a ser estudado a partir de sua 
interação com o ambiente, sendo tomado como produto e produtor 
dessa interação (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p. 59). 
Observe que, ao passo que Freud, em sua teoria psicanalítica, trouxe a visão de 
que as respostas para os problemas investigados pela Psicologia estariam nos 
aspectos inconscientes, ou seja, aqueles aos quais não temos acesso, os beha-
vioristas se concentraram na análise do comportamento observável, analisando 
as interações do homem com o ambiente, isto é, voltaram o olhar para aquilo 
que podiam ver, analisar, descrever e mensurar de maneira precisa. Um ótimo 
exemplo da pesquisa behaviorista é o famoso experimento realizado por Pavlov. 
Ivan Pavlov foi um fisiologista russo, responsável pelo experimento que per-
mitiu o desenvolvimento de uma importante premissa da Psicologia Compor-
tamental: o reflexo condicionado. Pavlov realizou o referido experimento em la-
boratório e observou como se dava a interação de um cachorro com os estímulos 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
que lhe eram apresentados. No primeiro momento, antes do condicionamento, 
ao apresentar a comida (estímulo) ao cachorro, a resposta obtida foi a salivação 
(estímulo: comida; resposta: salivação). 
No segundo momento, ainda antes do condicionamento, Pavlov adicionou 
outro estímulo. Dessa vez, o cachorro ouviu o som de uma campainha, ao qual não 
manifestou resposta. No terceiro momento, durante o condicionamento, Pavlov 
apresentou novamente o som da campainha, seguido da comida e obteve a resposta 
de salivação do cachorro. No momento seguinte, depois do condicionamento, ao 
apresentar somente o som como estímulo, a resposta obtida foi à salivação.
Outros pesquisadores seguiram os passos de Pavlov e continuaram realizan-
do experimentos de grande importância para a teoria comportamental. Um deles 
foi o psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner, que ficou conhecido com 
seu experimento denominado Caixa de Skinner. A pesquisa de Skinner descreveu 
o condicionamento operante.
De acordo com Epaminondas (2008), Skinner colocou em sua caixa um rato privado 
de alimento. Naturalmente, o rato emitia vários comportamentos aleatoriamente e, 
quando ele se aproximava de uma barra perto da parede, Skinner introduziu uma 
gota d’água na caixa através de um mecanismo, e o rato a bebia. As próximas gotas 
eram apresentadas quando o rato se aproximava um pouco mais da barra. 
As outras quando o rato encostava o nariz na barra. Depois as patas. E assim 
em diante, até que o rato estava pressionando a barra dezenas de vezes até sa-
ciar completamente sua sede. Observou-se que os comportamentos do rato que 
eram seguidos de um estímulo reforçador (a água) aumentavam de frequência, 
enquanto outros diminuíam. 
Aprenda mais sobre o pragmatismo conforme descrito por John Dewey. Leia o 
artigo “O desenvolvimento do pragmatismo americano”.
Link: https://doi.org/10.1590/S1678-31662007000200006
EU INDICO
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A descoberta de Skinner foi o ponto de partida para a aplicação da modelagem 
comportamental em outras espécies, ou seja, possibilitou a criação e manutenção 
de comportamentos de maneira planejada e controlada.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gostaríamos 
de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acreditamos que essa 
aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema.
Recurso de mídia disponível no conteúdo digital do ambiente virtual de apren-
dizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
Estudante, você percebeu o quanto as ideias iniciais da Psicanálise lembram o me-
canicismo e o determinismo? O inconsciente é que define se a pessoa estará alegre, 
triste, calma, irritada, porque ela tomou determinada decisão e não outra, se ela 
gosta disso ou daquilo, se ela sente vontade de uma coisa e de outra não etc. Todas 
as falas e ações do sujeito já são definidas antes de se concretizarem (Freire, 2008).
Enquanto avançamos no tempo, com o desenvolvimento da Psicologia, encontramos 
diversos pensadores, teóricos e diferentes maneiras de se conhecer e praticar essa 
vasta ciência. Principalmenteentre o indivíduo e o ambiente e a unidade básica de 
descrição, onde é o ponto de partida para uma ciência do comportamento. O ser 
humano começa a ser estudado a partir de sua interação com o ambiente, sendo 
tomado como produto e produtor dessa interação
Agora chegou a hora de pôr em prática todo conhecimento adquirido ao longo 
desse tema de aprendizagem, caso ainda possua dúvidas seria interessante retor-
nar novamente ao ponto inicial de abordagem. É importante que você consiga 
ter um conhecimento básico sobre todas as abordagens para dar essa resposta, 
inclusive as já tratadas em seções anteriores deste tema de aprendizagem. 
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MINHAS METAS
AS PSICOLOGIAS
Compreender a terapia Cognitivo-Comportamental.
Entender as Psicologias.
Compreender a psicanálise no processo psíquico. 
Compreender o Behaviorismo Radical.
Compreender o conceito ID.
Entender o exercício da Psicologia.
Compreender a origem da Gestalt-terapia.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A partir do conceito de homem, iremos encontrar uma concepção de objeto que 
faça sentido com ela. Como existem diversos valores sociais e em cada um haverá 
uma concepção de homem, podemos afirmar que na Psicologia como ciência, é 
estudado “diversos homens”, portanto, com objetivos de estudos variados (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2001).
Entendemos então que existe uma subjetividade de objeto de estudo, na qual 
o homem é o objeto de estudo mais amplo, abrangendo o seu comportamento e 
sentimento e dele são extraídos conceitos mais específicos, como “porque somos 
o que somos”, com base na subjetividade. Essa subjetividade vai sendo cons-
truída a partir de experiências vivenciadas e influência cultural que vai sendo 
internalizado pelo homem (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). Bock, Furtado e Tei-
xeira (2001 p. 30-31) definem a Psicologia da seguinte forma:
“A Psicologia é um ramo das Ciências Humanas e a sua identidade, isto é, aquilo 
que a diferencia, pode ser obtida considerando-se que cada um desses ramos en-
foca de maneira particular o objeto homem, construindo conhecimentos distintos 
e específicos a respeito dele. Assim, com o estudo da subjetividade, a Psicologia 
contribui para a compreensão da totalidade da vida humana”.
APROFUNDANDO
Por ser uma área relativamente nova (pouco mais de 100 anos), a Psicologia ainda 
carece de algumas explicações sobre o homem, visto que a Ciência está em cons-
tante movimento, novos questionamentos surgem a cada dia e o homem também 
está em constante movimento e transformação. Devido a isso, algumas práticas 
adivinhatórios e/ou místicas têm sido associadas à psicologia. Práticas essas que 
não possuem evidências científicas e se opõem aos princípios da Psicologia 
(Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
Historicamente, na época da sociedade feudal, não havia mobilidade eco-
nômica, servo seria sempre servo, o poder e autoridade estavam naqueles que 
possuíam o feudo (terra). A hierarquia era inquestionável e determinada desde 
o nascimento (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). Com o advento do capitalismo, o 
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mundo entrou em movimento, novas matérias-primas foram buscadas na na-
tureza e necessidades foram criadas. A hierarquia foi questionada. O servo teve 
a oportunidade de escolher seu trabalho e posição social. A ideia de universo 
estável foi quebrada para assim transformá-lo (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
Dessa forma, viabilizou-se o desenvolvimento da ciência moderna, o co-
nhecimento baseado na razão, tornando possível conhecer a natureza e suas 
leis por meio da observação rigorosa e científica, possibilitando o homem criar 
novas formas de produzir conhecimento não mais pelos dogmas da religião e 
das autoridades da igreja. Surgiu a necessidade do conhecimento científico, que 
se tornou referencial do mundo (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
Problemas e questões da Psicologia que antes eram estudados por filóso-
fos, passam a ser investigados pela fisiologia e neurofisiologia. Formularam-se 
teorias que demonstraram que pensamentos, sentimentos e percepções eram 
produtos do sistema nervoso central. Houve descobertas também no campo da 
Neuroanatomia e psicofísica (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). No final do século 
19 surgem às primeiras abordagens que deram origem às abordagens que existem 
atualmente, são elas: o Funcionalismo, o Estruturalismo e o Associacionismo, tais 
conhecimentos produzidos se caracterizaram mais como postura metodológica 
que norteava a pesquisa e a construção teórica (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
O Funcionalismo foi a primeira sistematização americana relacionada ao 
saber da Psicologia. Nessa época, a sociedade exigia o pragmatismo para a sua 
ascensão econômica. Foi então que W. James busca compreender o funciona-
mento da consciência. Assim como o Funcionalismo, o Estruturalismo busca 
compreender a consciência, porém, Titchner irá aprofundar-se em seus aspectos 
estruturais, ou seja, os estados elementares da consciência, como estruturas do 
sistema nervoso central. Os conhecimentos produzidos são experimentais, pro-
duzidos em laboratório (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). 
O Associacionismo tem como base a teoria da aprendizagem. Para o Asso-
ciacionismo, a aprendizagem se dá por um processo de associação de ideias, das 
mais simples para as mais complexas. Assim, para que uma pessoa possa aprender 
conceitos mais complexos, primeiro ela precisa aprender os mais simples (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2001).
 Thorndike teve grande contribuição para a Psicologia Comportamentalista, 
a partir da formulação da Lei do Efeito. Segundo essa lei, todo comportamento 
de um organismo vivo tende a se repetir se houver uma recompensa logo após 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
a emissão do comportamento (Bock; Furtado; Teixeira, 2001). Essas teorias, a 
partir do século XX, foram substituídas por novas teorias, sendo elas: Terapia 
cognitivo-comportamental, Psicanálise, Gestalt e Behaviorismo. 
Dentro dessa abordagem, temos o Behaviorismo Metodológico, criado por Wat-
son, e o Behaviorismo Radical, criado por Skinner. O primeiro é chamado de 
metodológico, pois diz respeito a tudo que pode ser medido, mensurável, visto 
por isso para Watson comportamento é tudo que acontece fora de você, ou seja, 
pensamentos, sentimentos e emoções não são comportamentos. 
Dentro desse nicho, existem 3 pontos importantes: a psicologia animal que 
diz existir uma continuidade biológica entre homens e animais; o Positivismo, 
que é a recusa de subjetividade para a constituição do conhecimento e o Fun-
cionalismo, o qual enxerga o processo do comportamento funcional. Watson 
trabalhou com o estímulo e resposta somente, ou seja, estímulo é qualquer coisa 
que afeta o organismo e resposta é todo comportamento que ocorre após um 
estímulo (Millenson, 1975).
 Continuando nosso pensamento, vamos conhecer agora o Behaviorismo Radi-
cal, o qual teve Skinner como líder, denominado radical por ser criado justamente 
para se opor ao metodológico, segundo Skinner tudo que o homem faz é compor-
tamento, ou seja, pensamentos, emoções, sentimentos são comportamentos e é esse 
o objeto de estudo dele, tudo o que o homem vivo faz. Algumas características são: 
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monista, ou seja, o indivíduo é único e não uma divisão entre corpo e mente; sujeito 
único, diz respeito à singularidade do indivíduo; e funcionalista, ou seja, o com-
portamento é fruto da interação do organismo com o ambiente (Millenson, 1975). 
Importante entendermos que existem 3 níveis de seleção de comportamen-
tos, são ele: filogenético: decorrentes da sua genética; ontogênese: decorrentes 
de histórias particulares da vida de cada um e cultural: decorrente da cultura in-
fluencia no comportamento. Dentro desse pensamento ressaltamos ainda a exis-
tência de dois tipos de comportamentos: com-
portamento operante e comportamento 
respondente. O primeiro diz respeito 
a tudo que aprendemos, que é se-
lecionado pelas consequências,ou seja, o comportamento ope-
ra uma alteração do ambiente, 
o qual altera o organismo tam-
bém, é a consequência que faz 
o comportamento se repetir e ser 
aprendido. Já o comportamento res-
pondente é biologicamente instalado, 
nasce conosco (Matos; Tomanari, 2002).
Seguindo nosso raciocínio sobre o comportamento, vamos introduzir agora a 
teoria cognitivo-comportamental. Essa teoria foi fundada por Aaron T. Beck. 
Na década de 1960, Beck, psicanalista, acreditava que, para que a psicanálise fosse 
aceita pela comunidade médica, suas teorias necessitavam ter demonstração 
de validação científica. No final da década de 1960, dedicou-se a uma série de 
experimentos que comprovassem perfeitamente essa validação, mas o contrário 
aconteceu, os resultados de seus experimentos levaram à busca de outras ex-
plicações para a depressão. Ele identificou as cognições negativas e distorcidas 
como característica principal da depressão e desenvolveu o tratamento de curta 
duração, no qual um dos objetivos principais era o teste de realidade do pen-
samento depressivo do paciente. A terapia Cognitivo-Comportamental (TCC):
 “ É baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos 
problemas dos pacientes em uma conceituação individual de cada 
paciente em termos cognitivos. A TCC requer uma aliança terapêutica 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
sólida, enfatiza a colaboração e participação ativa, é orientada para os 
objetivos e focada nos problemas, enfatiza inicialmente o presente, 
tem como objetivo ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e dá 
ênfase a prevenção de recaída, visa ser limitada no tempo, as sessões 
são estruturadas, ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder 
aos seus pensamentos e usa uma variedade de técnicas para mudar o 
pensamento, o humor e o comportamento (Beck, 2013. p. 56).
De acordo com Beck (2013), a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ba-
seia-se no modelo cognitivo e parte da hipótese de que as emoções, os compor-
tamentos e a fisiologia de uma pessoa recebem influência da percepção que ela 
tem dos eventos externos. Para ele, possuímos pensamentos automáticos - pen-
samentos rápidos, avaliativos e não são resultantes de deliberação ou raciocínio 
e que após identificados deve-se avaliar a sua validade e/ou utilidade - e crenças 
centrais e intermediárias. 
Os pensamentos automáticos fazem parte de um fluxo de processamento 
cognitivo que se encontra logo abaixo da superfície da mente totalmente cons-
ciente, normalmente são privativos ou não decorados, e ocorrem de forma rápida 
quando avaliamos os acontecimentos em nossas vidas. Um dos indícios de que 
os pensamentos automáticos podem estar ocorrendo é a presença de emoções 
fortes (Basco; Thase; Wright, 2008).
 Segundo Knapp & Colaboradores (2007), as crenças intermediárias ou pressu-
postos subjacentes são construções cognitivas disfuncionais, normalmente identifi-
cadas na forma condicional. Essas crenças presumem que, desde que determinadas 
regras, normas e atitudes sejam cumpridas, não haverá problema, o indivíduo se 
mantém saudável. As crenças intermediárias, que podem ser definidas como as 
atitudes, as regras e os pressupostos, influenciam a percepção da pessoa, que é 
expressa pelos pensamentos automáticos em situações específicas (Beck, 2013). 
Para Branch e Wilson (2012) às crenças centrais se referem a nossa experiên-
cia de vida. Na infância, interpretamos a realidade muitas vezes de forma distor-
cida devido a percepção que temos sobre as vivências, assim, desenvolvemos uma 
ideia negativa das experiências vivenciadas. Essas crenças são entendidas como 
uma verdade absoluta e geram sofrimento na idade adulta. As crenças negativas 
desenvolvidas ao longo da vida podem ser de desamparo, desamor e desvalor. 
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A modificação direta das crenças centrais faz com que o paciente se comporte de 
forma mais adaptativa, pois dessa forma ele interpretará as situações ou problemas 
futuros de forma mais construtiva. No entanto, quando as crenças estão arraigadas, 
questionar antecipadamente a validade dessas crenças pode colocar em risco a 
aliança terapêutica (Beck, 2013). 
Segundo Basco, Thase e Wright (2008) estão presentes na crença de desamparo o 
sentimento de incompetência, a pessoa acredita que será um fracasso. Na crença 
de desamor, o sentimento é de rejeição, o indivíduo acredita que será rejeitado. 
Já na crença de desvalor o sentimento é de não ter valor, ser desvalorizada pelas 
outras pessoas. É necessário avaliar os pensamentos dos pacientes que aparecem 
com maior frequência para identificar qual é a crença que predomina. 
Desse modo, para Greenberger e Padesky (1999), as crenças centrais são o 
nível mais profundo da cognição, são absolutistas a respeito de nós mesmos, a 
respeito dos outros ou do mundo, como por exemplo: “sou inútil”, “não mereço 
ser amado”, “sou inadequado”. Já as crenças sobre os outros incluem, por exemplo, 
“os outros são perigosos”, “as pessoas vão me machucar”, “as pessoas são más”, o 
indivíduo vê o mundo cheio de problemas insuperáveis. As distorções cognitivas 
são deslizes nos pensamentos, assim, deve-se considerar que os pensamentos 
automáticos podem não ser verdades absolutas (Beck, 2013). 
Segundo Branch e Wilson (2012), os pensamentos, atitudes e crenças que 
guardamos têm um efeito sobre a forma de interpretarmos o mundo e a manei-
ra como nos sentimos. Quando uma pessoa se sente muito mal, são maiores as 
chances de estar pensando de forma negativa ou distorcida. Os pensamentos 
distorcidos são deslizes de pensamentos que ocorrem ocasionalmente, estes pen-
samentos impedem que seja feito uma avaliação exata das nossas experiências. 
Dessa forma, os pensamentos distorcidos levam a tomar direções não recomen-
dadas e supor o pior, eles induzem as distorções dos fatos.
A Psicanálise tem suas origens em Sigmund Freud, em 1896, que a defi-
ne como procedimento de investigação de processos mentais, um método de 
tratamento e uma disciplina científica (Roudinesco; Plon, 1998). Como teoria, 
caracteriza-se como um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre o fun-
cionamento psíquico. Como método de investigação, busca o significado oculto 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
do que é manifestado por meio de ações, palavras ou imaginação, como sonhos, 
delírios, falar de forma espontânea. A prática profissional se refere ao tratamento, 
no qual é chamado de Análise, que busca o autoconhecimento e a cura (Bock; 
Furtado; Teixeira, 2001). 
A Psicanálise pode ser exercida de diversas maneiras, sendo a base para as 
psicoterapias, aconselhamento e orientação. Pode ser usada em grupos ou 
instituições. Também é importante para a análise e compreensão dos fenômenos 
sociais (Bock; Furtado; Teixeira, 2001).
Para a Psicanálise existem processos psíquicos inconscientes, de acordo com 
Aires (2017), esses conteúdos inconscientes estão ocultos, ou seja, por meio do 
mecanismo do recalcamento estão presas no inconsciente as ideias ligadas às 
pulsões (impulso energético interno), de forma a manifestarem-se no consciente 
apenas de maneiras distorcidas. De acordo com XXIII Conferência de S. Freud 
– O caminho da Formação dos Sintomas, Vol. XVI (1916-1917), os sintomas 
apresentados pelos indivíduos são atos prejudiciais ou inúteis à vida do sujeito, 
sendo indesejados e causadores de desprazer ou sofrimento. 
O principal dano causado ao sujeito é o gasto de energia psíquica que tais 
sintomas geram, e o gasto adicional de energia para se lutar contra eles. Isto pode 
gerar no sujeito a paralisia de algumas atividades importantes de sua vida coti-
diana, causando um empobrecimento referente à energia mental. Os sintomas 
são formados a partir de um conflito psíquico de forças que buscam satisfazer a 
libido, ou seja, energia psíquica motivadora dos sujeitos, e que quando insatis-
feitos precisam manifestar-se com a produção de um sintoma. 
Para Bock, Furtado e Teixeira (2001), o inconsciente são os conteúdos não 
expressos

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