Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Profa. Bárbara Miranda
UNIDADE III
Neurociências
“O principal enfoque da neuropsicologia é o desenvolvimento de uma ciência do 
comportamento humano baseada no funcionamento do cérebro” (Costa, 2004).
 Compreender como diferentes 
funções cognitivas são afetadas por condições 
neurológicas, psiquiátricas e do desenvolvimento.
 Requer um olhar atento às particularidades 
de cada paciente, respeitando sua individualidade 
e história clínica, além do uso de instrumentos 
adequados e validados (Santos; Andrade; Bueno, 2015).
Avaliação Neuropsicológica (AN) e seus instrumentos – Introdução
Estudando o cérebro
Fonte: https://storyset.com/people
 Funcionamento neuronal ocorre de forma integrada – Orquestra.
 Compreender essa interdependência para interpretar os resultados dos testes com precisão.
 O simples levantamento de escores não é suficiente.
 Trate seu paciente como um indivíduo.
 Pense a respeito do que está fazendo.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Introdução
Saúde mental
Fonte: https://storyset.com/people
 Fundamentada em três áreas principais: neurociência clínica, psicologia experimental e 
reabilitação psiquiátrica.
 A neurociência clínica oferece fundamentos para entender a relação entre cérebro e 
cognição, com destaque para os estudos de Broca e Wernicke e os avanços em 
neuroimagem (fMRI, PET).
 A psicologia experimental contribuiu com testes como o Stroop 
e o WCST, que avaliam funções como atenção, memória 
e flexibilidade cognitiva.
 Na reabilitação psiquiátrica, a 
avaliação neuropsicológica 
orienta intervenções adaptadas 
às necessidades do paciente, 
sendo essencial em casos como 
esquizofrenia e transtorno bipolar.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Fundamentos
Estudo do cérebro
Fonte: https://storyset.com/people
Integração com outras áreas
 Atua em parceria com neurologia, psiquiatria e educação.
 Diferencia demências de transtornos psiquiátricos.
 Ajuda a adaptar o ensino para alunos com TDAH, dislexia, TEA.
 Complementa exames de imagem e clínicos, oferecendo 
análise funcional e qualitativa (Fuentes et al., 2014; 
Feldman, 2015).
Diretrizes éticas (CFP n. 06/2019)
 Confidencialidade e devolutiva adequada.
 Evitar interpretações reducionistas e diagnósticos precipitados.
 Diagnóstico deve ser claro, humanizado e contextualizado.
 Ética vai além do consentimento: envolve uso responsável e 
crítico dos dados.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Integração e ética
Equipe multidisciplinar
Fonte: https://storyset.com/people
 Psicológica tradicional: foca no emocional e na personalidade.
 Neurológica (EEG, fMRI): detecta alterações físicas, mas não avalia desempenho funcional.
 Neuropsicológica: investiga funções cognitivas e como afetam o comportamento.
Aplicações práticas
 Diagnóstico de TDAH, Alzheimer, AVC, lesões cerebrais.
 Diferencia condições com sintomas semelhantes (ex.: depressão x demência).
 Orienta intervenções terapêuticas e pedagógicas personalizadas.
Permite estratégias como:
 Reabilitação cognitiva.
 Apoio psicopedagógico.
 Ajustes no trabalho e na escola.
 Treino de memória e funções executivas (Barkley, 2017).
A avaliação neuropsicológica também orienta diretamente 
as estratégias de intervenção para promover melhor 
qualidade de vida.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Diferencial
 A avaliação neuropsicológica é indicada para diferentes patologias cerebrais tais como:
 Avaliação e acompanhamento de doenças degenerativas.
 Avaliação e acompanhamento do Déficit Anêmico Associado à idade.
 Avaliação do déficit cognitivo pós-doenças cerebrais.
 Avaliação de déficit cognitivo pós-meningo – encefalites.
 Avaliação de déficit cognitivo pós-intoxicações por neurotóxico.
 Avaliação de déficit cognitivo associado ao alcoolismo (Demência Korsakoff).
 Avaliação de déficit cognitivo associado a drogas.
 Avaliação de déficit cognitivo na epilepsia.
 Avaliação de déficit intelectual congênito.
 Avaliação do déficit de atenção no Transtorno do Déficit de 
Atenção de forma persistente.
 Avaliação de formas residuais de Transtorno do Aprendizado.
 Avaliação dos déficits cognitivos na esquizofrenia.
 Diagnóstico diferencial das dismnésias (depressão 
versus demência) (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020).
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Quando é recomendada?
A avaliação neuropsicológica completa envolve as seguintes áreas:
(Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020).
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – O que abrange?
Inteligência 
Global
Memória Aprendizagem Atenção Linguagem
Raciocínio Lógico-
Matemático
Abstração Planejamento
Habilidade 
Visuoconstrutiva
Praxia e Gnosia Força Muscular Humor/Emoções
Sensação e 
Percepção
Flexibilidade 
Cognitiva
Conhecimentos 
Gerais
 A avaliação neuropsicológica 
investiga funções cognitivas, 
emocionais e comportamentais.
 É essencial no diagnóstico diferencial 
e no planejamento terapêutico.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Etapas
Anamnese e 
Entrevista 
Clínica
Bateria de Testes
Observação 
Comportamental
Análise 
Integrada
Devolutiva e 
Orientação
 A entrevista clínica é o primeiro contato entre profissional e paciente e vai além de uma 
conversa: é uma ferramenta diagnóstica essencial.
 Coleta de dados sobre o histórico clínico e cognitivo.
 Observação de comportamentos relevantes, como também a identificação de áreas que 
exigem investigação.
Divide-se em:
 Entrevista inicial
 Anamnese
 Entrevista devolutiva
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas
Entrevista
Fonte: https://storyset.com/people
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas
Entrevista Inicial
 Busca a queixa principal, histórico 
médico, familiar e contexto social.
 Avalia relação entre funcionamento 
cerebral e desempenho cognitivo.
 Itens abordados: queixa principal, 
histórico médico e psiquiátrico, histórico 
familiar, aspectos sociais/educacionais 
e uso de substâncias.
Entrevista de Anamnese
 Abordagem detalhada sobre o histórico de 
vida, desenvolvimento e perspectivas de 
futuro do paciente.
 Pode (deve) envolver outras partes, quando 
necessário (médicos, família, escola etc.).
 Deve ser flexível e acolhedora.
 Explora:
 Desenvolvimento infantil
 Condições médicas e neurológicas
 Aspectos emocionais e psicossociais
 Impacto funcional no cotidiano
Entrevista Devolutiva
 Finaliza a avaliação apresentando os resultados ao paciente e familiares.
 Deve ser clara, empática e acessível.
 A boa devolutiva favorece o engajamento no tratamento e compreensão das dificuldades.
 Componentes:
 Resultados e explicações sobre os testes realizados.
 Identificação e explicação dos déficits cognitivos (atenção, memória etc.).
 Discussão diagnóstica (quando possível).
 Plano de intervenção: 
recomendações terapêuticas, 
reabilitação, orientações psicossociais.
 Apoio emocional diante das 
reações dos pacientes.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas
Entrevista
Fonte: https://storyset.com/people
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos
Protocolos Fixos X Avaliação Personalizada
Protocolos Fixos:
 Baterias padronizadas com 
sequência predefinida 
(Cohen; Swerdlik, 2018).
 Vantagens: objetividade, 
reprodutibilidade, ideal para 
triagem e comparação 
populacional (Lezak et al., 
2012).
 Limites: pouca sensibilidade a 
déficits sutis ou específicos.
Avaliação Personalizada:
 Escolha flexível de testes 
conforme a queixa, histórico e 
contexto (Nascimento; 
Fonseca, 2020).
 Vantagens: análise profunda 
de áreas específicas; útil em 
casos complexos (ex.: AVC, 
TEA).
 Importante: essencial em 
comorbidades múltiplas.
Combinação:
 Protocolo fixo para visão geral 
+ avaliação personalizada 
para aprofundamento.
 Benefício: equilíbrio entre 
eficiência,sensibilidade e 
fundamentação diagnóstica 
(Goldstein; Beers, 2017).
 A testagem neuropsicológica é uma etapa fundamental da avaliação clínica, permitindo a 
mensuração objetiva do funcionamento cognitivo por meio de instrumentos validados.
 Testes são ferramentas para evidenciar as hipóteses levantadas. Nunca são a 
única ferramenta, até porque um teste sozinho não significa nada sem contexto (Texto 
adaptado de Cláudia Tavares, 2020).
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem 
neuropsicológica
Testagem
Fonte: 
https://regenerati.com.
br/servicos/avaliacao-
neuropsicologica/
Testes psicométricos padronizados
 Têm normas e escores quantitativos (ex.: WAIS-IV, NEUPSILIN);
 Comparáveis a uma população de referência.
Testes qualitativos e observacionais
 Avaliam estratégia, comportamento e processo de resposta do paciente;
 Complementam a análise dos dados quantitativos.
Avanços tecnológicos: O uso de machine learning vem se integrando à testagem para detectar 
padrões sutis de declínio cognitivo precoce, 
antes mesmo de sintomas clínicos aparecerem.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem 
neuropsicológica
AN infantil
Fonte: 
https://centroamadesenvolvimento.c
om.br/neuropsicologia/como-a-
avaliacao-neuropsicologica-pode-
ajudar-no-diagnostico-de-tdah/
A testagem deve ser personalizada, levando em conta:
Crianças:
 Considerar o desenvolvimento neuropsicológico e motivação;
 Usar testes como o WISC-IV e NEUPSILIN-INF;
 Aplicar adaptações lúdicas e sensoriais.
Adultos:
 Levar em conta escolaridade, ocupação, estresse e humor;
 Ferramentas: WAIS-IV, WCST, testes projetivos (CAT/TAT).
Idosos:
 Diferenciar envelhecimento normal de quadros 
patológicos (ex.: demência);
 Usar MEEM, figura de Rey, RAVLT;
 Considerar reserva cognitiva e fadiga.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem 
neuropsicológica
Avaliação neuropsicológica
Fonte: 
https://www.sternneurolab.org/neurop
sychological-assessments/
Documento técnico que sintetiza os resultados da avaliação, auxiliando na compreensão do
funcionamento cognitivo e na definição de intervenções.
Funções principais:
 Apoiar hipóteses diagnósticas (não diagnósticos definitivos);
 Orientar tratamento e intervenções personalizadas;
 Monitorar doenças progressivas (ex.: Alzheimer, Parkinson);
 Comunicar de forma ética, clara e crítica os dados avaliativos.
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Laudo Neuropsicológico
Escrevendo relatório
Fonte: https://storyset.com/people
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Laudo Neuropsicológico
Estrutura essencial:
 Identificação do paciente – dados básicos que influenciam os testes.
 Queixa inicial – motivo da avaliação, contextualização da demanda.
 Histórico médico e psicológico – base para interpretação e hipóteses.
 Hipóteses diagnósticas – provisórias e passíveis de revisão.
 Resultados dos testes – dados objetivos, com normas e gráficos.
 Discussão dos resultados – análise crítica e contextualizada.
 Recomendações – plano terapêutico personalizado e viável.
Aspectos éticos:
 Sigilo, respeito e responsabilidade.
 Evitar rótulos e modismos diagnósticos.
 Refletir o momento atual do paciente, com abertura a 
revisões futuras.
Documentos
Fonte: https://storyset.com/people
 O neuropsicólogo deve se apropriar de todos os testes que compõem uma avaliação 
neuropsicológica como também deve dedicar seus estudos sobre cada função cognitiva e 
doenças que interferem no funcionamento cerebral, além de ter conhecimento anatômico e 
fisiológico do sistema nervoso a fim de que sua atuação seja efetiva e colaborativa junto à 
equipe multidisciplinar de neurologia.
 A avaliação neuropsicológica não é apenas a aplicação de testes e sim a interpretação 
cuidadosa dos resultados somada à análise da situação atual do sujeito e do contexto em 
que vive. Somente com base nesta compreensão global é possível sugerir um diagnóstico 
(Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020).
Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Neuropsicólogo
A entrevista de anamnese é uma etapa fundamental no processo de avaliação 
neuropsicológica. Sobre seus objetivos e características, qual é a alternativa correta?
a) Tem como principal foco a aplicação de testes padronizados, sem considerar o contexto 
subjetivo do paciente.
b) Serve apenas para coletar dados objetivos sobre a escolaridade e nível 
socioeconômico do paciente.
c) Possui função secundária na avaliação, sendo dispensável quando há encaminhamento 
médico com diagnóstico prévio.
d) É uma etapa inicial que visa compreender o histórico de vida, 
queixas, desenvolvimento e contexto do paciente, orientando 
a escolha dos instrumentos avaliativos.
e) Deve ser conduzida de forma rígida e padronizada, sem 
espaço para adaptações conforme a demanda do paciente.
Interatividade
A entrevista de anamnese é uma etapa fundamental no processo de avaliação 
neuropsicológica. Sobre seus objetivos e características, qual é a alternativa correta?
a) Tem como principal foco a aplicação de testes padronizados, sem considerar o contexto 
subjetivo do paciente.
b) Serve apenas para coletar dados objetivos sobre a escolaridade e nível 
socioeconômico do paciente.
c) Possui função secundária na avaliação, sendo dispensável quando há encaminhamento 
médico com diagnóstico prévio.
d) É uma etapa inicial que visa compreender o histórico de vida, 
queixas, desenvolvimento e contexto do paciente, orientando 
a escolha dos instrumentos avaliativos.
e) Deve ser conduzida de forma rígida e padronizada, sem 
espaço para adaptações conforme a demanda do paciente.
Resposta
Reabilitação Neuropsicológica – Definição e Objetivos
A reabilitação neuropsicológica é uma intervenção terapêutica voltada para a restauração ou 
compensação de funções cognitivas comprometidas por lesões cerebrais. Seu foco é a 
melhora da qualidade de vida e da funcionalidade do paciente, promovendo independência e 
adaptação (Lezak et al., 2012; Fuentes et al., 2014).
 Restaurar funções cognitivas como memória, atenção e percepção 
por meio de treino cognitivo.
 Desenvolver estratégias compensatórias quando a recuperação completa não é possível.
 Melhorar a qualidade de vida, promovendo reintegração social e funcionalidade.
 Prevenir sequelas cognitivas com intervenção precoce.
(Goldstein; Beers, 2017; Nascimento; Fonseca, 2020).
Cérebro
Fonte: https://storyset.com/people
Reabilitação Neuropsicológica – Processos
Há duas grandes frentes no processo de reabilitação neuropsicológica:
 Reabilitação cognitiva: melhorar o desempenho das funções cognitivas.
 Reabilitação neuropsicológica: visa, além da melhora cognitiva, priorizar o indivíduo como 
um todo e sua qualidade de vida.
É recomendável iniciar um programa de reabilitação até aproximadamente 6 a 9 meses após o 
acometimento cerebral.
Reabilitação cognitiva
Fonte: 
https://www.institutocriap.com/
blog/neuropsicologia/reabilitac
ao-neuropsicologica-
barbara-wilson
 É importante realizar sessões individuais ou em grupo, com o 
neuropsicólogo, com o objetivo de auxiliar o paciente e seus 
familiares nos aspectos emocionais envolvidos em sua 
reabilitação, ou seja, realizar orientações psicoeducativas 
acerca da patologia, suas dificuldades e a melhor forma 
de enfrentá-las (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020).
Reabilitação Neuropsicológica – Processos
• Comentar dados 
importantes da 
avaliação 
neuropsicológica com 
o paciente, a fim de 
conscientizá-lo das 
dificuldades.
Fase da 
Conscientização
• Ambiente de 
estimulação e 
motivação, para 
proporcionar um bom 
engajamento e 
colaboração do 
paciente à reabilitação.
Fase da 
Aceitação • Reabilitação das 
funções cognitivas 
deficitárias, com 
estratégias planejadas 
e instrumentos 
adequados.
Fase da 
Compensação
• A mais almejada pelos 
pacientes idosos, 
porém raramente 
alcançadana sua 
totalidade.
Fase da 
Autonomia • A nova condição de 
vida do paciente, 
família e ambiente que 
o rodeia.
Fase de 
Ajustamento
 Distúrbios de percepção visuoespacial.
 Distúrbios de memória/atenção/concentração.
 Distúrbios de linguagem.
 Lentidão no processamento de informações.
 Dificuldades de raciocínio lógico, de planejamento 
e de julgamento.
 Distúrbio de memória.
 Falta de iniciativa.
 Letargia.
 Impulsividade.
 Agressividade.
 Depressão, ansiedade e manias.
 Comportamento social inadequado.
Reabilitação Neuropsicológica – Quando é recomendada?
Reabilitação Neuropsicológica
Fonte: https://salzclinica.com.br/reabilitacao-
neuropsicologica/
Reabilitação Neuropsicológica – Avaliação Neuropsicológica na Reabilitação
 Fundamental para traçar um plano individualizado.
 Envolve testes padronizados, entrevistas clínicas e observações.
 Permite identificar déficits e estratégias compensatórias espontâneas.
 Avalia também o impacto das dificuldades nas relações sociais e ocupacionais (Cohen; 
Swerdlik, 2018; Miller, 2015).
Estratégias:
 Estimulação Cognitiva: foca na melhora direta das funções cognitivas.
 Treinamento Compensatório: ensina estratégias alternativas para lidar com limitações.
Duração e Prognóstico
 Depende da gravidade da lesão e da resposta individual.
 Pode durar meses ou anos.
 Intervenção precoce oferece melhores resultados.
 Prognóstico varia conforme a localização e natureza da lesão 
(Strauss et al., 2006; Santos et al., 2015).
Reabilitação Neuropsicológica – nas funções executivas
 Prioriza a autonomia do paciente em seu ambiente.
 Enfatiza a compreensão de “como e por que” o paciente falha em seu desempenho, as 
demandas do ambiente em que ele vive.
 Focaliza o conhecimento dos recursos preservados para a implementação de 
estratégias compensatórias.
 A reabilitação neuropsicológica deve promover no paciente disexecutivo a organização da 
ação frente a um objetivo, o uso da melhor estratégia, predição de consequências, controle 
do resultado da ação executada, inibição de respostas inadequadas, correção de ação com 
base nos erros cometidos e busca de alternativas.
 Objetivo: contribuir para o uso adequado de outras funções 
cognitivas e instrumentalizar o comportamento psicossocial.
Reabilitação Neuropsicológica – na memória e linguagem
 Memória: Melhora na capacidade de lembrar informações do dia a dia (nomes, 
compromissos, localização). Redução da dependência de terceiros e aumento 
da autonomia funcional.
 Linguagem: Recuperação da capacidade de compreender e expressar ideias. Reintegração 
social e emocional e melhora na fluência verbal e na comunicação funcional.
 Estratégias externas: agendas, diários, despertadores, calendários.
 Atividades verbais e jogos com palavras: categorias, sinônimos 
e antônimos, história coletiva, poesias, rimas, associação de 
palavras e ideias, montagem de palavras por meio de letras, 
palavras cruzadas, leitura e interpretação de textos, atividades 
gráficas, discussões sobre temas diversos, jornal, montagem 
de história por meio de palavras ou frases a partir de palavras, 
completar palavras e frases, entre outros (Texto adaptado de 
Cláudia Tavares, 2020).
 Gabrielle Giffords: é uma ex-deputada federal dos Estados Unidos, representante do 
estado do Arizona pelo Partido Democrata. Era conhecida por seu ativismo em temas sociais 
e defesa de políticas públicas de saúde.
 Em 8 de janeiro de 2011, durante um evento público em Tucson, Arizona, Giffords foi 
baleada na cabeça à queima-roupa durante um atentado que vitimou 6 pessoas e 
feriu outras 13.
 O projétil entrou no lado esquerdo do crânio, passando pelo hemisfério cerebral esquerdo, 
responsável principalmente pela linguagem e funções executivas.
 Ela foi considerada em estado gravíssimo, mas 
sobreviveu à cirurgia de emergência e passou 
meses internada e em 
reabilitação intensiva.
Reabilitação Neuropsicológica – caso real
Gabrielle Giffords antes e depois do atentado
Fonte: 
https://www.cleveland.com/nation/2011/06/first_
photos_of_gabrielle_giff.html
Áreas atingidas (neuropsicológicas):
 Lobo frontal esquerdo: impactando planejamento, atenção, 
iniciativa e controle de impulsos.
 Lobo temporal esquerdo: região crítica para a compreensão 
da linguagem (área de Wernicke) e memória verbal.
 Lesão atravessando áreas corticais e subcorticais 
relacionadas à expressão verbal, prejudicando sua fala.
 Embora os médicos nunca tenham divulgado exatamente 
todos os danos estruturais, os sintomas e a abordagem 
sugerem uma afasia expressiva 
grave, além de prejuízos 
em funções motoras do lado direito 
(controle motor contralateral).
Reabilitação Neuropsicológica – caso real
Gabrielle Giffords
Fonte: 
https://www.cleveland.com/nation/2011
/06/first_photos_of_gabrielle_giff.html
Reabilitação Neuropsicológica – caso real
Fases da reabilitação neuropsicológica:
 Fase aguda (hospitalar): Realizou cirurgia 
para conter o edema e hemorragia e 
teve cuidados intensivos e primeiros 
exames neurológicos.
 Fase pós-aguda: Foi transferida para o 
TIRR Memorial Hermann, onde fez 
fisioterapia, fonoaudiologia e terapia 
ocupacional intensa, incluindo 
reabilitação cognitiva.
Fase funcional:
 Recuperação gradual da linguagem (afasia 
não fluente).
 Treinamento em comunicação alternativa, 
leitura labial, escrita funcional e produção 
oral com frases curtas.
 Recuperação de movimento parcial do 
braço direito.
Reinserção social e ativismo:
 Giffords voltou a discursar publicamente, 
com ajuda de comunicação estruturada.
 Fundou o Gabby Giffords Foundation, 
dedicada à prevenção da violência armada 
e apoio à reabilitação.
 Poder da neuroplasticidade, especialmente em adultos jovens.
 Importância de uma abordagem multidisciplinar e de reabilitação intensiva e precoce.
 Motivação e suporte psicossocial influenciam positivamente na recuperação.
 Inspiração para estudos sobre reorganização da linguagem no hemisfério direito, hipótese 
sugerida em muitos pacientes que recuperam fala após lesões severas no hemisfério 
dominante.
Reabilitação Neuropsicológica – caso real
Gabrielle Giffords
Fonte: https://www.usatoday.com/picture-
gallery/news/2024/07/26/former-
congresswoman-gabrielle-giffords-her-
career-in-photos/74557548007/
Qual das alternativas representa corretamente um dos principais objetivos da reabilitação 
neuropsicológica?
a) Corrigir totalmente as alterações anatômicas causadas por lesões cerebrais.
b) Eliminar a necessidade de suporte psicossocial após um traumatismo craniano.
c) Restaurar ou compensar funções cognitivas prejudicadas para promover autonomia.
d) Promover a substituição completa de áreas cerebrais lesadas por transplantes neuronais.
e) Impedir que o paciente retome atividades anteriores à lesão, evitando recaídas cognitivas.
Interatividade
Qual das alternativas representa corretamente um dos principais objetivos da reabilitação 
neuropsicológica?
a) Corrigir totalmente as alterações anatômicas causadas por lesões cerebrais.
b) Eliminar a necessidade de suporte psicossocial após um traumatismo craniano.
c) Restaurar ou compensar funções cognitivas prejudicadas para promover autonomia.
d) Promover a substituição completa de áreas cerebrais lesadas por transplantes neuronais.
e) Impedir que o paciente retome atividades anteriores à lesão, evitando recaídas cognitivas.
Resposta
 ABRISQUETA-GOMEZ, J. Neuropsicologia clínica: fundamentos para a reabilitação 
neuropsicológica. São Paulo: Roca, 2012.
 BARKLEY, R. A. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: manual para diagnóstico e 
tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2017.
 CAMPOS, M. T. de; BARRETO, S. G. Testes neuropsicológicos: princípios, aplicações e 
interpretações. In: MALLLOY-DINIZ, L. F. et al. (org.). Neuropsicologia do desenvolvimento: 
infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed, 2016.p. 105-124.
 CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Transtornos da aprendizagem: abordagem 
neuropsicológica e multidisciplinar. 2. ed. São Paulo: Memnon, 2010.
 COHEN, R. J.; SWERDLIK, M. E. Testes e avaliação 
psicológica: uma introdução à psicometria. 8. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2018.
 COSTA, D. I. et al. Avaliação neuropsicológica da criança. J. 
Pediatr. Porto Alegre, n. 80, p. 111-116, abr. 2004.
 FIGUEIREDO, V. L. M.; SIQUEIRA, D. L. Avaliação 
neuropsicológica. São Paulo: Vetor, 2018.
Referências
 FONSECA, R. P. et al. NEUPSILIN: instrumento de avaliação neuropsicológica breve. São 
Paulo: Vetor, 2009.
 GOLDSTEIN, S.; BEERS, S. R. (org.). Comprehensive handbook of childhood 
neuropsychological assessment. 2nd ed. New York: Springer, 2017.
 LEZAK, M. D.; HOWIESON, D. B.; LORING, D. W. Neuropsychological assessment. 5th ed. 
New York: Oxford University Press, 2012.
 MCCOY, K. D.; GELDER, B. C.; VANHORN, R. E.; DEAN, R. S. Approaches to the cognitive 
rehabilitation of children with neuropsychological impairment. In: FEINBERG, T. E.; FARAH, 
M. J. (ed.). Behavioral Neurology and Neuropsychology. New York: McGraw-Hill, 1997.
 MILLER, D. C. Essentials of school neuropsychological 
assessment. 2. ed. Hoboken: Wiley, 2015.
 NASCIMENTO, E. C. do; FONSECA, R. P. A avaliação 
neuropsicológica: da teoria à prática. 2. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2020.
Referências
 NOMURA, S.; GARCIA, J. L.; FABRÍCIO, A. M.; BOLOGNANI, S. A. P.; CAMARGO, C. H. P. 
Reabilitação neuropsicológica. In: FORLENZA, O. V.; CARAMELLI, P. (org.). 
Neuropsiquiatria geriátrica. São Paulo: Atheneu, 2000.
 OLIVEIRA, R. M. de; HAASE, V. G. Testes neuropsicológicos: uma revisão crítica. 
Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 25, n. 3, p. 369–375, 2009.
 PRIGATANO, G. P. Reabilitação neuropsicológica: fundamentos e aplicações. Tradução de 
Maria Inês Dolci. Porto Alegre: Artmed, 1999.
 STRAUSS, E.; SHERMAN, E. M. S.; SPREEN, Otfried. A compendium of neuropsychological 
tests: administration, norms, and commentary. 3. ed. New York: Oxford University Press, 
2006.
 VALLENCOURT, J. D. et al. Artificial intelligence in 
neuropsychological assessment: promise and challenges. 
Frontiers in Psychology, v. 10, 2019. Disponível em: 
https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2019.00795/f
ull. Acesso em: 02 jun. 2025.
Referências
 WECHSLER, D. Escala de Inteligência Wechsler para Crianças – WISC-IV. São Paulo: 
Pearson, 2013.
 WECHSLER, D. Escala de Inteligência Wechsler para Adultos – WAIS-IV. São Paulo: 
Pearson, 2014.
Referências
ATÉ A PRÓXIMA!

Mais conteúdos dessa disciplina