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Profa. Bárbara Miranda UNIDADE III Neurociências “O principal enfoque da neuropsicologia é o desenvolvimento de uma ciência do comportamento humano baseada no funcionamento do cérebro” (Costa, 2004). Compreender como diferentes funções cognitivas são afetadas por condições neurológicas, psiquiátricas e do desenvolvimento. Requer um olhar atento às particularidades de cada paciente, respeitando sua individualidade e história clínica, além do uso de instrumentos adequados e validados (Santos; Andrade; Bueno, 2015). Avaliação Neuropsicológica (AN) e seus instrumentos – Introdução Estudando o cérebro Fonte: https://storyset.com/people Funcionamento neuronal ocorre de forma integrada – Orquestra. Compreender essa interdependência para interpretar os resultados dos testes com precisão. O simples levantamento de escores não é suficiente. Trate seu paciente como um indivíduo. Pense a respeito do que está fazendo. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Introdução Saúde mental Fonte: https://storyset.com/people Fundamentada em três áreas principais: neurociência clínica, psicologia experimental e reabilitação psiquiátrica. A neurociência clínica oferece fundamentos para entender a relação entre cérebro e cognição, com destaque para os estudos de Broca e Wernicke e os avanços em neuroimagem (fMRI, PET). A psicologia experimental contribuiu com testes como o Stroop e o WCST, que avaliam funções como atenção, memória e flexibilidade cognitiva. Na reabilitação psiquiátrica, a avaliação neuropsicológica orienta intervenções adaptadas às necessidades do paciente, sendo essencial em casos como esquizofrenia e transtorno bipolar. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Fundamentos Estudo do cérebro Fonte: https://storyset.com/people Integração com outras áreas Atua em parceria com neurologia, psiquiatria e educação. Diferencia demências de transtornos psiquiátricos. Ajuda a adaptar o ensino para alunos com TDAH, dislexia, TEA. Complementa exames de imagem e clínicos, oferecendo análise funcional e qualitativa (Fuentes et al., 2014; Feldman, 2015). Diretrizes éticas (CFP n. 06/2019) Confidencialidade e devolutiva adequada. Evitar interpretações reducionistas e diagnósticos precipitados. Diagnóstico deve ser claro, humanizado e contextualizado. Ética vai além do consentimento: envolve uso responsável e crítico dos dados. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Integração e ética Equipe multidisciplinar Fonte: https://storyset.com/people Psicológica tradicional: foca no emocional e na personalidade. Neurológica (EEG, fMRI): detecta alterações físicas, mas não avalia desempenho funcional. Neuropsicológica: investiga funções cognitivas e como afetam o comportamento. Aplicações práticas Diagnóstico de TDAH, Alzheimer, AVC, lesões cerebrais. Diferencia condições com sintomas semelhantes (ex.: depressão x demência). Orienta intervenções terapêuticas e pedagógicas personalizadas. Permite estratégias como: Reabilitação cognitiva. Apoio psicopedagógico. Ajustes no trabalho e na escola. Treino de memória e funções executivas (Barkley, 2017). A avaliação neuropsicológica também orienta diretamente as estratégias de intervenção para promover melhor qualidade de vida. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Diferencial A avaliação neuropsicológica é indicada para diferentes patologias cerebrais tais como: Avaliação e acompanhamento de doenças degenerativas. Avaliação e acompanhamento do Déficit Anêmico Associado à idade. Avaliação do déficit cognitivo pós-doenças cerebrais. Avaliação de déficit cognitivo pós-meningo – encefalites. Avaliação de déficit cognitivo pós-intoxicações por neurotóxico. Avaliação de déficit cognitivo associado ao alcoolismo (Demência Korsakoff). Avaliação de déficit cognitivo associado a drogas. Avaliação de déficit cognitivo na epilepsia. Avaliação de déficit intelectual congênito. Avaliação do déficit de atenção no Transtorno do Déficit de Atenção de forma persistente. Avaliação de formas residuais de Transtorno do Aprendizado. Avaliação dos déficits cognitivos na esquizofrenia. Diagnóstico diferencial das dismnésias (depressão versus demência) (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Quando é recomendada? A avaliação neuropsicológica completa envolve as seguintes áreas: (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – O que abrange? Inteligência Global Memória Aprendizagem Atenção Linguagem Raciocínio Lógico- Matemático Abstração Planejamento Habilidade Visuoconstrutiva Praxia e Gnosia Força Muscular Humor/Emoções Sensação e Percepção Flexibilidade Cognitiva Conhecimentos Gerais A avaliação neuropsicológica investiga funções cognitivas, emocionais e comportamentais. É essencial no diagnóstico diferencial e no planejamento terapêutico. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Etapas Anamnese e Entrevista Clínica Bateria de Testes Observação Comportamental Análise Integrada Devolutiva e Orientação A entrevista clínica é o primeiro contato entre profissional e paciente e vai além de uma conversa: é uma ferramenta diagnóstica essencial. Coleta de dados sobre o histórico clínico e cognitivo. Observação de comportamentos relevantes, como também a identificação de áreas que exigem investigação. Divide-se em: Entrevista inicial Anamnese Entrevista devolutiva Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas Entrevista Fonte: https://storyset.com/people Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas Entrevista Inicial Busca a queixa principal, histórico médico, familiar e contexto social. Avalia relação entre funcionamento cerebral e desempenho cognitivo. Itens abordados: queixa principal, histórico médico e psiquiátrico, histórico familiar, aspectos sociais/educacionais e uso de substâncias. Entrevista de Anamnese Abordagem detalhada sobre o histórico de vida, desenvolvimento e perspectivas de futuro do paciente. Pode (deve) envolver outras partes, quando necessário (médicos, família, escola etc.). Deve ser flexível e acolhedora. Explora: Desenvolvimento infantil Condições médicas e neurológicas Aspectos emocionais e psicossociais Impacto funcional no cotidiano Entrevista Devolutiva Finaliza a avaliação apresentando os resultados ao paciente e familiares. Deve ser clara, empática e acessível. A boa devolutiva favorece o engajamento no tratamento e compreensão das dificuldades. Componentes: Resultados e explicações sobre os testes realizados. Identificação e explicação dos déficits cognitivos (atenção, memória etc.). Discussão diagnóstica (quando possível). Plano de intervenção: recomendações terapêuticas, reabilitação, orientações psicossociais. Apoio emocional diante das reações dos pacientes. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Entrevistas Entrevista Fonte: https://storyset.com/people Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos Protocolos Fixos X Avaliação Personalizada Protocolos Fixos: Baterias padronizadas com sequência predefinida (Cohen; Swerdlik, 2018). Vantagens: objetividade, reprodutibilidade, ideal para triagem e comparação populacional (Lezak et al., 2012). Limites: pouca sensibilidade a déficits sutis ou específicos. Avaliação Personalizada: Escolha flexível de testes conforme a queixa, histórico e contexto (Nascimento; Fonseca, 2020). Vantagens: análise profunda de áreas específicas; útil em casos complexos (ex.: AVC, TEA). Importante: essencial em comorbidades múltiplas. Combinação: Protocolo fixo para visão geral + avaliação personalizada para aprofundamento. Benefício: equilíbrio entre eficiência,sensibilidade e fundamentação diagnóstica (Goldstein; Beers, 2017). A testagem neuropsicológica é uma etapa fundamental da avaliação clínica, permitindo a mensuração objetiva do funcionamento cognitivo por meio de instrumentos validados. Testes são ferramentas para evidenciar as hipóteses levantadas. Nunca são a única ferramenta, até porque um teste sozinho não significa nada sem contexto (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem neuropsicológica Testagem Fonte: https://regenerati.com. br/servicos/avaliacao- neuropsicologica/ Testes psicométricos padronizados Têm normas e escores quantitativos (ex.: WAIS-IV, NEUPSILIN); Comparáveis a uma população de referência. Testes qualitativos e observacionais Avaliam estratégia, comportamento e processo de resposta do paciente; Complementam a análise dos dados quantitativos. Avanços tecnológicos: O uso de machine learning vem se integrando à testagem para detectar padrões sutis de declínio cognitivo precoce, antes mesmo de sintomas clínicos aparecerem. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem neuropsicológica AN infantil Fonte: https://centroamadesenvolvimento.c om.br/neuropsicologia/como-a- avaliacao-neuropsicologica-pode- ajudar-no-diagnostico-de-tdah/ A testagem deve ser personalizada, levando em conta: Crianças: Considerar o desenvolvimento neuropsicológico e motivação; Usar testes como o WISC-IV e NEUPSILIN-INF; Aplicar adaptações lúdicas e sensoriais. Adultos: Levar em conta escolaridade, ocupação, estresse e humor; Ferramentas: WAIS-IV, WCST, testes projetivos (CAT/TAT). Idosos: Diferenciar envelhecimento normal de quadros patológicos (ex.: demência); Usar MEEM, figura de Rey, RAVLT; Considerar reserva cognitiva e fadiga. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Testagem neuropsicológica Avaliação neuropsicológica Fonte: https://www.sternneurolab.org/neurop sychological-assessments/ Documento técnico que sintetiza os resultados da avaliação, auxiliando na compreensão do funcionamento cognitivo e na definição de intervenções. Funções principais: Apoiar hipóteses diagnósticas (não diagnósticos definitivos); Orientar tratamento e intervenções personalizadas; Monitorar doenças progressivas (ex.: Alzheimer, Parkinson); Comunicar de forma ética, clara e crítica os dados avaliativos. Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Laudo Neuropsicológico Escrevendo relatório Fonte: https://storyset.com/people Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Laudo Neuropsicológico Estrutura essencial: Identificação do paciente – dados básicos que influenciam os testes. Queixa inicial – motivo da avaliação, contextualização da demanda. Histórico médico e psicológico – base para interpretação e hipóteses. Hipóteses diagnósticas – provisórias e passíveis de revisão. Resultados dos testes – dados objetivos, com normas e gráficos. Discussão dos resultados – análise crítica e contextualizada. Recomendações – plano terapêutico personalizado e viável. Aspectos éticos: Sigilo, respeito e responsabilidade. Evitar rótulos e modismos diagnósticos. Refletir o momento atual do paciente, com abertura a revisões futuras. Documentos Fonte: https://storyset.com/people O neuropsicólogo deve se apropriar de todos os testes que compõem uma avaliação neuropsicológica como também deve dedicar seus estudos sobre cada função cognitiva e doenças que interferem no funcionamento cerebral, além de ter conhecimento anatômico e fisiológico do sistema nervoso a fim de que sua atuação seja efetiva e colaborativa junto à equipe multidisciplinar de neurologia. A avaliação neuropsicológica não é apenas a aplicação de testes e sim a interpretação cuidadosa dos resultados somada à análise da situação atual do sujeito e do contexto em que vive. Somente com base nesta compreensão global é possível sugerir um diagnóstico (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Avaliação Neuropsicológica e seus instrumentos – Neuropsicólogo A entrevista de anamnese é uma etapa fundamental no processo de avaliação neuropsicológica. Sobre seus objetivos e características, qual é a alternativa correta? a) Tem como principal foco a aplicação de testes padronizados, sem considerar o contexto subjetivo do paciente. b) Serve apenas para coletar dados objetivos sobre a escolaridade e nível socioeconômico do paciente. c) Possui função secundária na avaliação, sendo dispensável quando há encaminhamento médico com diagnóstico prévio. d) É uma etapa inicial que visa compreender o histórico de vida, queixas, desenvolvimento e contexto do paciente, orientando a escolha dos instrumentos avaliativos. e) Deve ser conduzida de forma rígida e padronizada, sem espaço para adaptações conforme a demanda do paciente. Interatividade A entrevista de anamnese é uma etapa fundamental no processo de avaliação neuropsicológica. Sobre seus objetivos e características, qual é a alternativa correta? a) Tem como principal foco a aplicação de testes padronizados, sem considerar o contexto subjetivo do paciente. b) Serve apenas para coletar dados objetivos sobre a escolaridade e nível socioeconômico do paciente. c) Possui função secundária na avaliação, sendo dispensável quando há encaminhamento médico com diagnóstico prévio. d) É uma etapa inicial que visa compreender o histórico de vida, queixas, desenvolvimento e contexto do paciente, orientando a escolha dos instrumentos avaliativos. e) Deve ser conduzida de forma rígida e padronizada, sem espaço para adaptações conforme a demanda do paciente. Resposta Reabilitação Neuropsicológica – Definição e Objetivos A reabilitação neuropsicológica é uma intervenção terapêutica voltada para a restauração ou compensação de funções cognitivas comprometidas por lesões cerebrais. Seu foco é a melhora da qualidade de vida e da funcionalidade do paciente, promovendo independência e adaptação (Lezak et al., 2012; Fuentes et al., 2014). Restaurar funções cognitivas como memória, atenção e percepção por meio de treino cognitivo. Desenvolver estratégias compensatórias quando a recuperação completa não é possível. Melhorar a qualidade de vida, promovendo reintegração social e funcionalidade. Prevenir sequelas cognitivas com intervenção precoce. (Goldstein; Beers, 2017; Nascimento; Fonseca, 2020). Cérebro Fonte: https://storyset.com/people Reabilitação Neuropsicológica – Processos Há duas grandes frentes no processo de reabilitação neuropsicológica: Reabilitação cognitiva: melhorar o desempenho das funções cognitivas. Reabilitação neuropsicológica: visa, além da melhora cognitiva, priorizar o indivíduo como um todo e sua qualidade de vida. É recomendável iniciar um programa de reabilitação até aproximadamente 6 a 9 meses após o acometimento cerebral. Reabilitação cognitiva Fonte: https://www.institutocriap.com/ blog/neuropsicologia/reabilitac ao-neuropsicologica- barbara-wilson É importante realizar sessões individuais ou em grupo, com o neuropsicólogo, com o objetivo de auxiliar o paciente e seus familiares nos aspectos emocionais envolvidos em sua reabilitação, ou seja, realizar orientações psicoeducativas acerca da patologia, suas dificuldades e a melhor forma de enfrentá-las (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Reabilitação Neuropsicológica – Processos • Comentar dados importantes da avaliação neuropsicológica com o paciente, a fim de conscientizá-lo das dificuldades. Fase da Conscientização • Ambiente de estimulação e motivação, para proporcionar um bom engajamento e colaboração do paciente à reabilitação. Fase da Aceitação • Reabilitação das funções cognitivas deficitárias, com estratégias planejadas e instrumentos adequados. Fase da Compensação • A mais almejada pelos pacientes idosos, porém raramente alcançadana sua totalidade. Fase da Autonomia • A nova condição de vida do paciente, família e ambiente que o rodeia. Fase de Ajustamento Distúrbios de percepção visuoespacial. Distúrbios de memória/atenção/concentração. Distúrbios de linguagem. Lentidão no processamento de informações. Dificuldades de raciocínio lógico, de planejamento e de julgamento. Distúrbio de memória. Falta de iniciativa. Letargia. Impulsividade. Agressividade. Depressão, ansiedade e manias. Comportamento social inadequado. Reabilitação Neuropsicológica – Quando é recomendada? Reabilitação Neuropsicológica Fonte: https://salzclinica.com.br/reabilitacao- neuropsicologica/ Reabilitação Neuropsicológica – Avaliação Neuropsicológica na Reabilitação Fundamental para traçar um plano individualizado. Envolve testes padronizados, entrevistas clínicas e observações. Permite identificar déficits e estratégias compensatórias espontâneas. Avalia também o impacto das dificuldades nas relações sociais e ocupacionais (Cohen; Swerdlik, 2018; Miller, 2015). Estratégias: Estimulação Cognitiva: foca na melhora direta das funções cognitivas. Treinamento Compensatório: ensina estratégias alternativas para lidar com limitações. Duração e Prognóstico Depende da gravidade da lesão e da resposta individual. Pode durar meses ou anos. Intervenção precoce oferece melhores resultados. Prognóstico varia conforme a localização e natureza da lesão (Strauss et al., 2006; Santos et al., 2015). Reabilitação Neuropsicológica – nas funções executivas Prioriza a autonomia do paciente em seu ambiente. Enfatiza a compreensão de “como e por que” o paciente falha em seu desempenho, as demandas do ambiente em que ele vive. Focaliza o conhecimento dos recursos preservados para a implementação de estratégias compensatórias. A reabilitação neuropsicológica deve promover no paciente disexecutivo a organização da ação frente a um objetivo, o uso da melhor estratégia, predição de consequências, controle do resultado da ação executada, inibição de respostas inadequadas, correção de ação com base nos erros cometidos e busca de alternativas. Objetivo: contribuir para o uso adequado de outras funções cognitivas e instrumentalizar o comportamento psicossocial. Reabilitação Neuropsicológica – na memória e linguagem Memória: Melhora na capacidade de lembrar informações do dia a dia (nomes, compromissos, localização). Redução da dependência de terceiros e aumento da autonomia funcional. Linguagem: Recuperação da capacidade de compreender e expressar ideias. Reintegração social e emocional e melhora na fluência verbal e na comunicação funcional. Estratégias externas: agendas, diários, despertadores, calendários. Atividades verbais e jogos com palavras: categorias, sinônimos e antônimos, história coletiva, poesias, rimas, associação de palavras e ideias, montagem de palavras por meio de letras, palavras cruzadas, leitura e interpretação de textos, atividades gráficas, discussões sobre temas diversos, jornal, montagem de história por meio de palavras ou frases a partir de palavras, completar palavras e frases, entre outros (Texto adaptado de Cláudia Tavares, 2020). Gabrielle Giffords: é uma ex-deputada federal dos Estados Unidos, representante do estado do Arizona pelo Partido Democrata. Era conhecida por seu ativismo em temas sociais e defesa de políticas públicas de saúde. Em 8 de janeiro de 2011, durante um evento público em Tucson, Arizona, Giffords foi baleada na cabeça à queima-roupa durante um atentado que vitimou 6 pessoas e feriu outras 13. O projétil entrou no lado esquerdo do crânio, passando pelo hemisfério cerebral esquerdo, responsável principalmente pela linguagem e funções executivas. Ela foi considerada em estado gravíssimo, mas sobreviveu à cirurgia de emergência e passou meses internada e em reabilitação intensiva. Reabilitação Neuropsicológica – caso real Gabrielle Giffords antes e depois do atentado Fonte: https://www.cleveland.com/nation/2011/06/first_ photos_of_gabrielle_giff.html Áreas atingidas (neuropsicológicas): Lobo frontal esquerdo: impactando planejamento, atenção, iniciativa e controle de impulsos. Lobo temporal esquerdo: região crítica para a compreensão da linguagem (área de Wernicke) e memória verbal. Lesão atravessando áreas corticais e subcorticais relacionadas à expressão verbal, prejudicando sua fala. Embora os médicos nunca tenham divulgado exatamente todos os danos estruturais, os sintomas e a abordagem sugerem uma afasia expressiva grave, além de prejuízos em funções motoras do lado direito (controle motor contralateral). Reabilitação Neuropsicológica – caso real Gabrielle Giffords Fonte: https://www.cleveland.com/nation/2011 /06/first_photos_of_gabrielle_giff.html Reabilitação Neuropsicológica – caso real Fases da reabilitação neuropsicológica: Fase aguda (hospitalar): Realizou cirurgia para conter o edema e hemorragia e teve cuidados intensivos e primeiros exames neurológicos. Fase pós-aguda: Foi transferida para o TIRR Memorial Hermann, onde fez fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional intensa, incluindo reabilitação cognitiva. Fase funcional: Recuperação gradual da linguagem (afasia não fluente). Treinamento em comunicação alternativa, leitura labial, escrita funcional e produção oral com frases curtas. Recuperação de movimento parcial do braço direito. Reinserção social e ativismo: Giffords voltou a discursar publicamente, com ajuda de comunicação estruturada. Fundou o Gabby Giffords Foundation, dedicada à prevenção da violência armada e apoio à reabilitação. Poder da neuroplasticidade, especialmente em adultos jovens. Importância de uma abordagem multidisciplinar e de reabilitação intensiva e precoce. Motivação e suporte psicossocial influenciam positivamente na recuperação. Inspiração para estudos sobre reorganização da linguagem no hemisfério direito, hipótese sugerida em muitos pacientes que recuperam fala após lesões severas no hemisfério dominante. Reabilitação Neuropsicológica – caso real Gabrielle Giffords Fonte: https://www.usatoday.com/picture- gallery/news/2024/07/26/former- congresswoman-gabrielle-giffords-her- career-in-photos/74557548007/ Qual das alternativas representa corretamente um dos principais objetivos da reabilitação neuropsicológica? a) Corrigir totalmente as alterações anatômicas causadas por lesões cerebrais. b) Eliminar a necessidade de suporte psicossocial após um traumatismo craniano. c) Restaurar ou compensar funções cognitivas prejudicadas para promover autonomia. d) Promover a substituição completa de áreas cerebrais lesadas por transplantes neuronais. e) Impedir que o paciente retome atividades anteriores à lesão, evitando recaídas cognitivas. Interatividade Qual das alternativas representa corretamente um dos principais objetivos da reabilitação neuropsicológica? a) Corrigir totalmente as alterações anatômicas causadas por lesões cerebrais. b) Eliminar a necessidade de suporte psicossocial após um traumatismo craniano. c) Restaurar ou compensar funções cognitivas prejudicadas para promover autonomia. d) Promover a substituição completa de áreas cerebrais lesadas por transplantes neuronais. e) Impedir que o paciente retome atividades anteriores à lesão, evitando recaídas cognitivas. Resposta ABRISQUETA-GOMEZ, J. Neuropsicologia clínica: fundamentos para a reabilitação neuropsicológica. São Paulo: Roca, 2012. BARKLEY, R. A. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: manual para diagnóstico e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2017. CAMPOS, M. T. de; BARRETO, S. G. Testes neuropsicológicos: princípios, aplicações e interpretações. In: MALLLOY-DINIZ, L. F. et al. (org.). 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