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Raiva 
Contexto Histórico 
· Sinonímia: hidrofobia. 
· Conhecida desde 500 aC (Demócrito descreveu 
no cão e Celsus no homem). 
· Louis Pasteur, em 1885, impediu que a doença 
ocorresse em dois meninos mordidos por cães 
raivosos, ao aplicar neles uma vacina que obteve 
pouco tempo antes. 
· Em 1888: é criado o Instituto Pasteur, Paris. - 
Em 1903: é criado o Instituto Pasteur, em São 
Paulo. 
· Em 1908, os brasileiros Antônio Carini 
(Diretor do Inst. Pasteur de SP) e Parreiras Horta 
descobrem que morcegos também transmitem a 
raiva. A teoria é considerada como "fantasia 
tropical" até que em 1914 cientistas alemães 
comprovam-na. 
· Atualmente, morrem no mundo de 20 a 50 mil 
pessoas por ano por causa da raiva. 
· Distribuição mundial (há poucos países 
livres...) 
· Há um avanço recente da doença no Estado de 
São Paulo (a vacinação em herbívoros está sendo 
obrigatória). 
· Cidade de São Paulo: sem casos notificados 
desde 1983; 
 
Etiologia 
· RNA vírus, gênero Lyssavirus (Lyssa = 
loucura, em grego), família Rhabdoviridae. 
· Acomete todos os mamíferos. 
· Vírus pouco resistente no ambiente. 
 
 
Ciclo de replicação do vírus 
 
1) Absorção/Adesão: receptores de 
acetilcolina nicotínicos e interação 
com o vírus 
2) Penetração: o vírus entra na célula 
3) Desenvelopamento: remoção do 
envelope viral e o genoma do vírus é 
liberado 
4) Transcrição: síntese de mRNAs 
(mensageiro). Produção dos 5 RNAs 
mensageiros, um para cada gene. 
5) Translação: síntese das 5 proteínas 
estruturais do vírus. O vírus vai em 
direção ao 
6) Processamento: glicolisação da 
proteína G do vírus. Vão em direção 
ao ribossomo do vírus 
7) Replicação: produção do RNA 
genômico. A célula trabalha só para 
o vírus. 
8) Montagem: união de todas as 
estruturas virais. As enzimas P e L 
organizam a montagem. 
9) Brotamento: vírus completos 
deixam a célula hospedeira por 
brotamento e estão prontos para 
infectarem outras células 
 
Epidemiologia 
Fonte de infecção: cães e morcegos (pp. 
Desmodus rotundus). Outros animais 
ocasionalmente, como gatos, animais silvestres... 
Via de eliminação: saliva. 
Via de transmissão: contágio direto - mordedura. 
Ocasionalmente lambedura em feridas, 
arranhaduras. 
Porta de entrada: pele. 
Susceptível: mamíferos (inclusive o homem). 
Casos raros, excepcionais 
· Contágio via respiratória: 4 casos - cavernas e 
laboratório. 
· Portador são ou convalescente: caso de uma 
cadela na África. Transmissão homem-homem: 
transplante de córnea. 
 
 
 
 
 
Patogenia 
 
 
 
Período de incubação: depende da quantidade de 
vírus inoculado e da proximidade do local da 
mordedura ao SNC: 
· Homem: 14 dias a 2 meses (pode chegar a 2 
anos, ou mais...) 
· Cães e gatos: 10 dias a 2 meses 
· Bovinos: 25 dias a 5 meses 
 
Fase centrípeta: A inoculação do vírus é 
subcutânea ou intramuscular, através da 
mordedura. O vírus chega ao SNC pelos nervos 
periféricos (neurectomia experimental em 
animais de laboratório impediu a doença em 
animais inoculados). O vírus permanece certo 
tempo no local da mordedura (aonde se 
multiplica), antes de caminhar ao SNC (esta é a 
chance do tratamento.). 
 
Fase centrífuga: Depois de chegar ao SNC, ele 
se espalha ao restante do SN e às glândulas 
salivares. No SN ele causa inflamação inicial do 
tecido nervoso (fase de excitação) que evolui 
para morte celular (fase paralítica). 
 
 
Sintomas 
Em geral a doença dura de 2 a 6 dias e quase 
sempre termina em morte. 
Homem: inicia com angústia, dores de cabeça, 
febre ligeira, mal estar, perturbações sensoriais, 
principalmente próximas ao local da mordedura. 
Evolui para excitação, hiperestesia, extrema 
sensibilidade a luz e som, dilatação das pupilas e 
salivação. Aparecem, então, espasmos dos 
músculos da deglutição e a bebida é rechaçada 
violentamente por contrações musculares 
("hidrofobia"). Podem aparecer espasmos 
respiratórios e convulsões. Antes da morte, 
alguns pacientes podem apresentar uma fase de 
paralisia generalizada. 
 
 
Cães e gatos: alteração de conduta, se escondem 
em locais escuros, mostram agitação não usual, 
ficam dando voltas. Animal reage ao menor 
estímulo. Anorexia, irritação no local da 
mordedura, febre ligeira. Depois de 1 a 3 dias se 
exaltam os sintomas de excitação e agitação. O 
animal se torna perigosamente agressivo, com 
tendência a morder objetos, animais e o homem, 
mesmo o próprio dono. É comum que morda a si 
mesmo. A salivação é abundante, já que o 
animal não consegue deglutir. Há alteração do 
latido por paralisia das cordas vocais. Os animais 
tendem a abandonar suas casas e a percorrer 
longas distâncias, atacando outros animais no 
percurso. Na fase terminal, observam-se 
convulsões, incoordenação muscular e paralisia. 
Alguns animais apresentam forma muda ou 
paralítica, a qual começa pela cabeça. O animal 
tem dificuldade de deglutir e o dono pensa que 
ele está "engasgado". Ao tentar socorrê-lo, 
abrindo e manipulando sua boca, o dono se 
infecta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bovinos: predomina a forma paralítica, 
começando pelos membros posteriores. 
Apresentam paresia fláciada posterior, que 
evolui para paralisia. Os animais tem dificuldade 
para deglutir e deixam de se alimentar. Com a 
evolução, eles se deitam e não conseguem mais 
levantar, até a morte, que ocorre em 2 a 5 dias. 
 
 
 
Morcegos: os animais doentes alteram seu 
comportamento, passam a voar de dia e muitas 
vezes permitem ser capturados com facilidade (= 
risco de contágio !!) 
 
 
Diagnóstico 
Histórico: relatos de mordeduras por cães e 
morcegos. 
Exame físico: sintomas neurológicos diversos, 
morte em menos de 10 dias. 
Exames laboratoriais: 
Diagnóstico direto: pesquisa do agente 
· Imunofluorescência direta: encéfalo, decalque 
córnea, raspado de mucosa lingual. 
· Inoculação em ratos (intra-cerebral). 
· Exame histopatológico: Corpúsculos de Negri 
(Sellers, May-Grunwald, Mann) 
Diagnóstico indireto: pesquisa de anticorpos 
(sorologia) 
· Soroneutralização 
 
Tratamento 
Não existe tratamento para casos com 
manifestação clínica. As tentativas, entretanto, 
incluem soroterapia específica e vacinação. 
 
Controle 
Imunização: cães e gatos - aos 3 ou 4 meses, 
revacinação anual; herbívoros - aos 3 meses, 
reforço com 30 dias, revacinação anual, 
semestral ou estratégica (depende da ocorrência). 
Existem vacinas vivas e inativadas: 
· Vírus morto (inativado): vírus fixo em tecido 
nervoso (cérebro de rato) e cultivo celular. 
· Vírus vivo: embrião de galinha - Low Egg 
Passage (LEP), High Egg Passage (HEP), rim de 
suíno (cepa ERA) 
Vacinas disponíveis no mercado 
 
 
 
Controle de Infecção 
Controle da população de cães vadios: captura e 
sacrifício, campanhas de castração. 
· controle da população de morcegos: captura e 
aplicação de pasta anticoagulante, pastas 
vampiricidas nos animais. 
· Controle da população de animais silvestres, 
vacinação oral? 
 
Como proceder em caso de acidente (animal 
mordeu humano): 
· Lavar a ferida com água e sabão e aplicar um 
anti-séptico (álcool, iodo, etc). 
· Quando possível, manter o animal em 
observação. 
· Encaminhar o acidentado para atendimento 
médico (vacinação, soroterapia). 
 
 
 
 
 
 
 
Outras informações