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Atividade de Revisão - Psicoterapia Humanista-Existencial 1. Explique por que a psicoterapia existencial e humanista é considerada a “terceira força” da Psicologia. A psicoterapia humanista-existencial é conhecida como a “terceira força” da Psicologia porque surgiu em oposição e como alternativa às duas correntes predominantes no século XX: a Psicanálise (primeira força), que enfatiza os aspectos inconscientes e deterministas do comportamento humano, e o Behaviorismo (segunda força), que foca em comportamentos observáveis e condicionamentos. A abordagem humanista-existencial resgata a subjetividade, a liberdade, a autenticidade e o potencial de crescimento do ser humano, defendendo que cada pessoa é capaz de se desenvolver plenamente quando encontra condições favoráveis. 2. Com base no texto de Sartre, como a noção de liberdade e angústia é compreendida dentro da perspectiva existencialista? Na visão existencialista, a liberdade é inevitável: o homem está sempre condenado a escolher, mesmo quando tenta se esquivar da escolha. Essa liberdade radical implica que cada indivíduo é totalmente responsável por sua vida, suas ações e suas consequências. A consciência dessa liberdade gera a angústia, pois o ser humano percebe que não pode se apoiar em justificativas externas para suas decisões. Assim, liberdade e angústia caminham juntas na existência humana: a primeira dá poder de criar a vida, e a segunda revela o peso dessa responsabilidade. 3. Em que medida a finitude humana influencia o olhar clínico da psicoterapia existencial? A consciência da morte, entendida não apenas como evento futuro, mas como presença constante, influencia profundamente a prática clínica existencial. A finitude lembra que a vida é limitada e que, por isso, cada escolha ganha urgência e importância. Na clínica, o terapeuta auxilia o paciente a refletir sobre o sentido da vida e a viver de forma mais autêntica e engajada, assumindo suas escolhas e aproveitando melhor o tempo que possui. 4. Descreva o conceito de potencial humano na perspectiva humanista. Na perspectiva humanista, todo ser humano possui um potencial inato de crescimento, desenvolvimento e autorrealização. Isso significa que, em condições adequadas de aceitação, empatia e autenticidade, a pessoa tende naturalmente a se desenvolver em direção ao que há de melhor em si. O potencial humano envolve criatividade, liberdade, responsabilidade, capacidade de amar e de se relacionar de forma plena com os outros e consigo mesmo. 5. O que significa autenticidade no pensamento existencial-humanista e como esse conceito se aplica à clínica? Autenticidade significa viver de acordo com os próprios valores, sentimentos e escolhas, em vez de se prender a papéis impostos pela sociedade ou por expectativas externas. Na clínica, esse conceito se traduz no trabalho de ajudar o paciente a se reconectar com sua essência, reconhecer suas reais necessidades e assumir responsabilidade por suas decisões. Ser autêntico é viver de forma mais consciente, íntegra e congruente consigo mesmo. 6. Cite e explique os principais elementos do método fenomenológico utilizados na psicoterapia. Os principais elementos do método fenomenológico são: - Intencionalidade: toda consciência é consciência de algo, ou seja, sempre se direciona a um objeto, pensamento ou vivência. - Epoché (suspensão de juízo): consiste em colocar entre parênteses julgamentos prévios e teorias, para escutar a experiência como ela se mostra. - Descrição: busca-se descrever a experiência vivida pelo paciente em vez de explicá-la a partir de conceitos externos. - Essência: procura-se chegar ao sentido profundo e essencial da experiência relatada. 7. A partir da ideia de “epoché” (suspensão do juízo), como o psicoterapeuta pode escutar o paciente de forma mais profunda? Quando o psicoterapeuta pratica a epoché, ele suspende julgamentos, preconceitos e teorias prévias, abrindo-se para ouvir a experiência do paciente tal como ela se apresenta. Isso permite uma escuta mais autêntica e profunda, na qual o terapeuta não impõe interpretações, mas acolhe o relato do paciente de forma íntegra e respeitosa. 8. Interprete a frase de Merleau-Ponty: “Toda consciência é consciência de algo.” O que essa afirmação revela sobre a intencionalidade da experiência? Essa frase mostra que a consciência nunca é neutra ou vazia, mas sempre está direcionada a algo, seja um objeto, um sentimento ou uma lembrança. Isso revela a intencionalidade da experiência humana: o indivíduo está sempre em relação com o mundo, interpretando-o e atribuindo-lhe sentido. Na psicoterapia, isso significa que não há experiência isolada, mas sempre em contexto e em relação com algo ou alguém. 9. Como o conceito de corpo vivido (Merleau-Ponty) altera a compreensão da experiência subjetiva em psicoterapia? Merleau-Ponty apresenta o corpo como “corpo vivido”, ou seja, não apenas como organismo biológico, mas como parte essencial da experiência subjetiva. Isso significa que o corpo é o meio pelo qual a pessoa sente, percebe e se relaciona com o mundo. Na psicoterapia, essa visão amplia a compreensão do sofrimento e das expressões do paciente, mostrando que sintomas corporais também fazem parte da experiência existencial. 10. Diferencie a escuta fenomenológica da escuta psicanalítica e discorra sobre suas possíveis articulações. - Escuta fenomenológica: busca compreender e descrever a experiência tal como ela se apresenta, sem pressupostos ou interpretações externas. - Escuta psicanalítica: busca compreender o inconsciente, os símbolos, os lapsos e os conteúdos ocultos da fala. Ambas podem se articular quando o terapeuta, além de descrever a experiência imediata, também considera as dimensões simbólicas e inconscientes, integrando diferentes níveis de compreensão do sujeito. 11. Interprete a frase de Rogers: “O curioso paradoxo é que quando me aceito como sou, então posso mudar.” Rogers mostra que a mudança genuína só ocorre quando a pessoa se aceita plenamente. Quando o indivíduo deixa de lutar contra quem é e passa a se acolher com autenticidade, abre espaço interno para a transformação. A aceitação é, portanto, a base da mudança, e não sua oposição. 12. A partir do texto de Rogers, explique os três pilares da abordagem rogeriana: empatia, congruência e aceitação incondicional. - Empatia: é a capacidade do terapeuta de compreender profundamente a experiência do paciente, colocando-se em seu lugar de forma sensível. - Congruência (autenticidade): é a postura genuína do terapeuta, que não se esconde atrás de máscaras, mas se mostra de forma transparente. - Aceitação incondicional: é acolher o paciente sem julgamentos ou condições, valorizando-o como pessoa independente de suas falhas ou escolhas. 13. De acordo com Carl Rogers, como se constitui o self e qual a sua relação com o processo de crescimento humano? O self se constitui a partir das experiências vividas e das percepções que o indivíduo tem de si em interação com o ambiente. Quando o self é congruente e integrado, a pessoa se desenvolve de forma saudável e caminha em direção à autorrealização. Já quando há distorções ou imposições externas, o self pode gerar conflitos e dificultar o crescimento humano. 14. Analise criticamente a diferença entre personalidade saudável e patológica segundo a Abordagem Centrada na Pessoa. - Personalidade saudável: caracteriza-se pela abertura à experiência, flexibilidade, congruência entre sentimentos e ações, e confiança no próprio processo de crescimento. - Personalidade patológica: marcada pela rigidez, pela negação de experiências, pela incongruência e pela dificuldade de se aceitar. Nesses casos, a pessoa vive segundo expectativas externas e não de acordo com seu potencial interno. 15. Quem foi Jacob Levy Moreno e de que forma sua biografia influenciou a criação do psicodrama? Jacob Levy Moreno foi um psiquiatra e criador do psicodrama. Sua biografia, marcada pelo interesse em teatro, improvisação e relações interpessoais, influenciou diretamente sua obra. Ele acreditava queo encontro humano e a dramatização eram ferramentas potentes para promover cura e autoconhecimento, o que levou ao desenvolvimento do psicodrama como método terapêutico. 16. Explique o conceito de espontaneidade em Moreno e sua importância no processo terapêutico. Para Moreno, a espontaneidade é a capacidade de dar respostas novas a situações antigas ou respostas adequadas a situações novas. No processo terapêutico, ela é fundamental porque permite ao paciente sair de padrões repetitivos, experimentar novos papéis e encontrar soluções criativas para seus conflitos. 17. Qual a diferença entre sociodrama e psicodrama? Dê exemplos de situações em que cada um pode ser aplicado. - Psicodrama: tem como foco a história individual do paciente. Exemplo: um paciente dramatizando a relação conflituosa com seus pais. - Sociodrama: tem como foco questões sociais e coletivas. Exemplo: um grupo dramatizando situações de preconceito racial ou desigualdade de gênero. 18. Interprete a frase de Moreno: “Um encontro de dois: olho no olho, rosto no rosto. E quando tu estás perto de mim, eu sou tu, e tu és eu.” Como essa visão se relaciona com a prática clínica? Essa frase destaca a importância do encontro autêntico e profundo entre duas pessoas. Na prática clínica, reforça que a relação terapêutica é transformadora em si mesma, pois cria um espaço de troca genuína, em que terapeuta e paciente se encontram de forma real e significativa. 19. Explique o conceito de sociometria e sua utilidade na compreensão das relações grupais. A sociometria é um método criado por Moreno para estudar as escolhas, rejeições e vínculos dentro de um grupo. Por meio dela, é possível compreender a estrutura das relações, identificar líderes, isolados e subgrupos, além de facilitar a dinâmica e o trabalho terapêutico em contextos grupais. 20. Analise o papel dos sonhos no psicodrama e como eles podem ser dramatizados no setting terapêutico. No psicodrama, os sonhos são considerados manifestações simbólicas que revelam conteúdos significativos da vida do paciente. Ao serem dramatizados, ganham forma concreta e permitem que o indivíduo explore papéis, sentimentos e situações que, muitas vezes, permanecem inconscientes. Isso torna o sonho uma ferramenta poderosa para o autoconhecimento e para a elaboração de conflitos internos.