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Interações bioquímicas 
entre os dentes e os fluidos 
bucais
As interações bioquímicas entre os dentes e os fluidos bucais são processos complexos e 
dinâmicos que desempenham um papel crucial na saúde bucal. Estas interações envolvem uma 
série de reações químicas, trocas iônicas e processos biológicos que ocorrem constantemente na 
cavidade oral. Compreender essas interações é fundamental para os profissionais da área 
odontológica, pois elas influenciam diretamente a integridade dos dentes, a formação de cáries, a 
remineralização do esmalte e a manutenção do equilíbrio do ecossistema bucal.
Nesta apresentação, exploraremos em detalhes os diversos aspectos dessas interações, desde a 
composição dos fluidos bucais até os mecanismos moleculares que regem a desmineralização e 
remineralização dentária. Abordaremos também o papel dos microrganismos, as funções protetoras 
da saliva e as implicações clínicas desses processos bioquímicos.
Composição dos fluidos bucais
1 Água e eletrólitos
A saliva é composta principalmente por água 
(99%), que serve como solvente para diversos 
componentes. Os eletrólitos incluem sódio, 
potássio, cálcio, magnésio, bicarbonato e fosfatos, 
essenciais para manter o pH e a capacidade 
tampão.
2 Proteínas e glicoproteínas
Enzimas como a amilase salivar, lisozima e 
lactoferrina desempenham funções digestivas e 
antimicrobianas. Mucinas e outras glicoproteínas 
contribuem para a lubrificação e proteção das 
superfícies bucais.
3 Imunoglobulinas
A IgA secretora é a principal imunoglobulina 
presente na saliva, fornecendo uma importante 
linha de defesa contra patógenos orais.
4 Outros componentes
Ureia, ácido úrico, glicose e lipídios também estão 
presentes em pequenas quantidades, contribuindo 
para as funções fisiológicas da saliva.
Estrutura e composição do esmalte dentário
Composição mineral
O esmalte dentário é o tecido 
mais mineralizado do corpo 
humano, composto por 96% de 
material inorgânico, 
principalmente cristais de 
hidroxiapatita 
[Ca10(PO4)6(OH)2]. Estes 
cristais são altamente 
organizados em prismas de 
esmalte, conferindo dureza e 
resistência ao dente.
Matriz orgânica
Apenas 1-2% do esmalte é 
composto por material orgânico, 
incluindo proteínas como 
amelogeninas e enamelinas. 
Estas proteínas desempenham 
um papel crucial na formação e 
maturação do esmalte durante o 
desenvolvimento dentário.
Água e espaços 
intersticiais
Os 2-3% restantes são 
compostos por água e pequenos 
espaços entre os cristais. Estes 
espaços permitem a difusão de 
íons e moléculas, tornando o 
esmalte permeável e suscetível a 
trocas iônicas com o meio bucal.
Papel do pH na desmineralização e 
remineralização
1 pH neutro (7.0)
Em condições de pH neutro, há um equilíbrio entre os processos de 
desmineralização e remineralização. Os íons de cálcio e fosfato na saliva estão em 
equilíbrio com os cristais de hidroxiapatita no esmalte.
2 pH ácido (7.0)
Em condições alcalinas, a remineralização é favorecida. Os íons de cálcio e fosfato 
presentes na saliva são reincorporados à estrutura cristalina do esmalte, 
fortalecendo-o.
4 Papel do flúor
O flúor presente na saliva ou aplicado topicamente facilita a remineralização e forma 
fluorapatita, que é mais resistente à dissolução ácida do que a hidroxiapatita original.
Interações entre proteínas salivares e 
superfície dentária
Adsorção de proteínas
As proteínas salivares, como estaterinas e proteínas ricas em prolina, são adsorvidas 
seletivamente à superfície do esmalte, formando uma camada protetora chamada 
película adquirida.
Formação da película
A película adquirida se forma rapidamente após a limpeza da superfície dentária e 
atinge sua espessura máxima em cerca de 2 horas. Esta camada protege o esmalte 
contra a erosão ácida e modula a adesão bacteriana.
Maturação da película
Com o tempo, a película se torna mais complexa, incorporando outras proteínas, 
glicoproteínas e lipídios. Esta maturação altera as propriedades físico-químicas da 
superfície dentária.
Interações com microrganismos
A película serve como substrato para a colonização bacteriana inicial, influenciando a 
formação do biofilme dental. Algumas proteínas da película podem inibir ou promover 
a adesão de diferentes espécies bacterianas.
Sistemas tampão da saliva
Sistema 
Tampão
Componentes 
Principais
Mecanismo 
de Ação
Eficácia
Bicarbonato HCO3- / H2CO3 Neutraliza 
ácidos
Alta (principal 
sistema)
Fosfato HPO42- / 
H2PO4-
Troca de 
prótons
Moderada
Proteínas Grupos 
laterais 
ionizáveis
Aceita/doa 
prótons
Baixa a 
moderada
Ureia NH3 / NH4+ Produção de 
amônia
Baixa
Papel dos íons na remineralização do 
esmalte
Cálcio (Ca2+)
O cálcio é essencial para a formação de cristais de hidroxiapatita. A saliva supersaturada em cálcio 
promove a remineralização, depositando íons Ca2+ nas áreas desmineralizadas do esmalte.
Fosfato (PO43-)
Os íons fosfato se combinam com o cálcio para formar hidroxiapatita. A presença de fosfato na 
saliva é crucial para manter o equilíbrio mineral e favorecer a remineralização.
Flúor (F-)
O flúor catalisa a remineralização e forma fluorapatita, que é mais resistente à dissolução ácida. 
Mesmo em baixas concentrações, o flúor aumenta significativamente a taxa de remineralização.
Interações entre enzimas salivares e 
substrato dental
Amilase salivar
A amilase salivar, também conhecida como ptialina, inicia a digestão de carboidratos na boca. 
Ela quebra o amido em maltose e outros açúcares menores. Essa ação pode influenciar a 
cariogenicidade dos alimentos amiláceos, pois os açúcares resultantes podem ser 
metabolizados por bactérias orais.
Lisozima
A lisozima é uma enzima com propriedades antimicrobianas. Ela atua quebrando as paredes 
celulares de certas bactérias, auxiliando no controle da população microbiana oral. Além disso, 
pode interagir com a película adquirida, modificando suas propriedades.
Peroxidase salivar
Esta enzima catalisa a oxidação do tiocianato pela água oxigenada, produzindo compostos com 
atividade antimicrobiana. Essa reação ajuda a controlar a população bacteriana e protege as 
proteínas salivares e as células da mucosa oral contra danos oxidativos.
Metaloproteinases da matriz (MMPs)
As MMPs são enzimas que podem degradar componentes da matriz orgânica dentária. Em 
condições de pH ácido, as MMPs salivares podem ser ativadas e contribuir para a progressão 
Influência dos microrganismos nas interações 
bioquímicas
1
Colonização inicial
Bactérias pioneiras, 
como Streptococcus 
sanguinis e Actinomyces 
naeslundii, aderem à 
película adquirida, 
iniciando a formação do 
biofilme dental. Essas 
bactérias alteram o 
microambiente local, 
preparando o terreno 
2
Maturação do 
biofilme
Com o tempo, o biofilme 
se torna mais complexo, 
com a incorporação de 
espécies como 
Streptococcus mutans e 
Lactobacillus. Estas 
bactérias metabolizam 
açúcares, produzindo 
ácidos que baixam o pH 
3
Produção de 
polissacarídeos 
extracelulares
Algumas bactérias, 
especialmente S. 
mutans, produzem 
polissacarídeos 
extracelulares que 
aumentam a adesão 
bacteriana e a coesão do 
biofilme. Esses 
polímeros também 
4
Interações com 
o sistema imune
Os microrganismos do 
biofilme interagem 
constantemente com 
componentes do 
sistema imune 
presentes na saliva, 
como IgA secretora e 
lactoferrina. Essas 
interações modulam a 
Implicações clínicas das interações 
bioquímicas
Prevenção de cáries
Compreender as interações 
bioquímicas entre dentes e 
fluidos bucais é fundamental para 
desenvolver estratégias eficazes 
de prevenção de cáries. O uso de 
fluoretos, a modulação do pHsalivar e o controle da dieta são 
abordagens baseadas nesse 
conhecimento.
Tratamentos 
remineralizantes
Terapias baseadas na 
remineralização, como o uso de 
fosfosilicato de cálcio e sódio ou 
fosfopeptídeos de caseína-
fosfato de cálcio amorfo (CPP-
ACP), são desenvolvidas com 
base na compreensão dos 
processos de desmineralização e 
remineralização.
Manejo de xerostomia
O entendimento do papel protetor 
da saliva orienta o tratamento de 
pacientes com hipossalivação, 
incluindo o uso de substitutos 
salivares e estratégias para 
estimular a produção salivar, 
visando manter as interações 
bioquímicas protetoras.

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