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MATERIAL E QUESTÕES - identificação e correto manuseio e manutenção de instrumentos cirúrgicos
Material voltado para concursos de Técnico em Autópsia 
Chaira e pedra de afiar 
São instrumentos utilizados para manter afiado o gume das lâminas, exigindo-se do operador destreza para o procedimento de afiar. Nos casos de material cirúrgico de aço é preferível que o mesmo seja tratado por pessoal especializado. A chaira não gera o fio, apenas o mantém. É composta de uma peça de plástico resistente, com duas abas laterais. Nesse cabo plástico encontra-se encravada uma peça de aço com ranhuras longitudinais. A chaira é usada corretamente da seguinte maneira: 
• O operador volta o cabo para si e encaixa o polegar sob uma das abas. 
• Ergue a chaira à sua frente na altura do peito, confortavelmente afastada do corpo.
 • Em seguida, desliza a faca formando um ângulo de cerca de 30°, com o corpo da chaira na direção do seu corpo, ou seja, para baixo, conduzindo a ponta da faca para a região inferior da chaira. 
• Repete o mesmo com a outra face da faca, um movimento para cada lado. 
• Para testar o grau do corte, é utilizado o próprio tecido do cadáver.
Costótomo e cisalha 
São instrumentos destinados à retirada do plastrão esternal através de corte na carti lagem costosternal ou diretamente sobre o osso da costela. 
O costótomo é um potente alicate de corte formado por uma ponta cega e romba e a outra pontiaguda e afiada, ambas em arco. Os braços são unidos por uma mola laminar espiral. A ponta cega é introduzida nos espaços intercostais sob a cartilagem costosternal, a qual é cortada. 
A cisalha também é um alicate de corte, porém com três pontos de apoio na alavanca para otimizar a força, duas lâminas cortantes e uma haste flexível entre os braços. A cisalha corta diretamente o osso da costela. Vale a pena ressaltar que essa manobra deixa uma borda cortante, que deve ser forrada com tecido ou atadura para evitar acidentes ao operador. Existe uma variante denominada costótomo Semb, que apresenta os braços com a arquitetura da cisalha, mas cuja utilização é semelhante à do costótomo.
Ruginas 
As ruginas são instrumentos utilizados para desgastar o periósteo craniano por atrito ou por pequenos golpes, deixando os ossos desnudos, permitindo apurar detalhes, bem como facilitar a ação da serra
Enterótomo 
É uma tesoura formada por uma ponta protegida por uma espécie de capuz moldado a partir da própria lâmina e outra ponta romba. A ponta protegida é inserida na luz de órgãos como intestino, estômago e coração, orientando o corte sem danificar a estrutura interna
Pinças de dissecção 
São pinças interpotentes utilizadas para firmar o material para exposição, corte ou sutura. A pinça anatômica é utilizada quando da manipulação de tecidos friáveis, para evitar danificá-los. Já a pinça do tipo dente de rato é aplicada quando se objetiva tracionar tecidos resistentes. 
Bisturi e facas de Collin e de Virchow 
São instrumentos destinados a incisão da pele e para a abertura do tecido subcutâneo e dos tecidos adjacentes. A faca de amputação também pode ser utilizada para cortar órgãos quando se deseja apurar lesões intraparenquimatosas ou objetivando enviar amostras para exames histopatológico e toxicológico. É importante que a faca tenha um corte bem afiado, pois a precisão do corte garante fatias mais uniformes, melhorando a ação do formol e facilitando a tarefa de criar lâminas de boa qualidade. Para o bom desempenho funcional e com todo o rigor de segurança, o profissional deve abster-se de utilizar material inadequado ao que se propõe.
"Por motivos de segurança, as facas e os bisturis, quando não estive rem sendo utilizados, deverão estar sempre sobre a mesa, da mesa para o cadáver e do cadáver para mesa." - Celestino Pedro Rezende Neto. 
Raquítomo ou raquiótomo 
É composto de uma cunha que forma com o cabo uma peça única em semi-arco. O cabo apresenta uma concavidade, que melhora o apoio. O raquítomo é utilizado como uma machadinha, para cortar o corpo das vértebras e para se obter a medula espinal completa
Tesoura Mayo, Tesoura Metzenbaum e Tesoura Iris 
A tesoura Mayo longa é comumente utilizada para corte de fios ou linhas cruas de fechamento. A tesoura Metzenbaum, muito útil em cirurgias, deve ser utilizada para cortar tecidos mais delicados, e sua curvatura permite cortes curvilíneos. As tesouras Iris, por seu tamanho menor e ponta fina, devem ser usadas para corte de pequenas estruturas ou abertura de estruturas como artérias coronárias, vias biliares, pancreáti cas e pequenas artérias. As tesouras com as duas pontas rombas são empregadas para extração das artérias do pescoço e para dissecações rombas
Cepo 
Compõe-se de um bloco maciço em forma de paralelepípedo, de material sintético liso, com uma concavidade em um dos lados maiores, em que se observam elevações transversais ao fundo. É utilizado para apoiar a cabeça ou o tronco do cadáver, com isso melhorando o ângulo de trabalho.
CUIDADOS COM O MATERIAL 
• Usar o material sempre para a sua função específica e não exceder os limites esta belecidos pelo fabricante. O aço inoxidável, apesar da denominação, está sujeito a oxidação. 
• As partes ativas do instrumental, assim como cortes, articulações e serrilhas, têm vida útil limitada, variando conforme a freqüência de uso e a maneira como o instrumento é utilizado. 
• Limpeza: todo o instrumental deve ser bem lavado após o uso, de preferência em água corrente quente ou fria, utilizando-se escova com cerdas de náilon e deter gente neutro. 
• Esterilização química: 
• Etapa 1: aplicar produto bactericida na proporção de 4 ou 5mL de produto para cada litro de água, por 5 minutos.
 • Etapa 2: lavar novamente o instrumental em água corrente a fim de retirar os resíduos do produto.
• Etapa 3: secar completamente o instrumental com pano antes de colocá-lo na estufa. Nunca se deve deixá-lo secar naturalmente, para evitar manchas bran cas ou amareladas. 
Esterilização em estufa: 
• Etapa 1: separar os materiais cromados dos materiais feitos de aço inoxidável. Consultar sempre o responsável pelo setor para tirar dúvidas antes de pros seguir, pois jamais se deve colocar os dois tipos juntos na mesma estufa ou autoclave. 
• Etapa 2: separar o instrumental pesado do instrumental leve para evitar defor mações, e o novo do velho, para evitar que possíveis pontos de oxidação sejam transferidos de um para o outro.
 • Etapa 3: em peças que possuam cremalheira, esta não deve estar travada, pois podem ocorrer deformações e, em conseqüência, desajustes. 
• Etapa 4: envolver o instrumental com papel de grau cirúrgico ou em campo de tecido de algodão cru duplo. Recipiente: recomenda-se a utilização de caixas cirúrgicas perfuradas na tampa e na lateral, que possibilitam uma boa oxigenação e a circulação de vapores no interior da caixa. Temperatura e tempo de estufa: a temperatura usual é de 150°C a um tempo de 90 minutos (contínuo). Caso a estufa seja requisitada durante o processo, esses valores poderão ser 170°C a um tempo de 120 minutos, não podendo exceder esses limites, pois a resistência do material à corrosão pode ser definitivamente comprometida. Além disso, pode-se mudar o ponto certo de têmpera e causar quebras prematuras, porque o material perde a flexibilidade às tensões a que foi submetido. Autoclaves: na convencional, 120°C a um tempo de 30 minutos; na autovácuo, 132°C a um tempo de 4 minutos. Consertos e gravações não devem ser feitos por qualquer pessoa ou até mesmo por profissionais do ramo que não tenham familiaridade com equipamentos cirúr gicos. Muitas gravações eletroquímicas efetuadas na própria instituição ou por terceiros não são cuidadosamente neutralizadas, ocasionando oxidação prematura. A pró pria gravação não pode ser realizada em qualquer ponto da superfície da peça, pois pode ocasionar infiltrações do produto corrosivo. Gravações em forma de "riscos" com objetos pontiagudos na peça são absolu tamente erradas, porque o aço inoxidável só apresenta suas características apro priadas aouso cirúrgico devido ao polimento e ao tratamento em sua superfície. Sendo assim, qualquer agressão à superfície causará oxidação e até mesmo perda da resistência original.
QUESTÕES
1. Qual a principal função do costótomo durante um procedimento de necrópsia? 
	O nome costótomo refere-se a costelas (costo), sua função é cortá-las permitindo a remoção do plastrão esterno-costal. 
2. No contexto da manutenção de instrumentos cortantes, qual a diferença fundamental entre a 'chaira' e a 'pedra de amolar'?
A pedra de amolar desgasta o metal e cria o fio. A chaira é usada ao longo do plantão, realinha o fio e o mantém eficiente. 
3. Durante a craniotomia, após a incisão no couro cabeludo, qual instrumento é utilizado para descolá-lo da calota craniana, preparando a superfície óssea para a ação da serra?
	A rugina é pojetada para raspar e descolar o periósteo (membrana que recobre o osso) e outros tecidos moles, limpando a região para realizar o corte. 
4. Para examinar o interior de órgãos ocos, como o intestino, minimizando o risco de perfurar a parede oposta durante o corte, qual o instrumento mais especializado?
	O enterótomo é uma tesoura especializada com ponta protegida, em forma de capuz que é inserida na luz no órgão, guiando o corte de forma segura. 
5. Para a etapa de recomposição do cadáver, qual tipo de pinça é citada como especialmente útil por oferecer uma pegada mais firme na pele durante a sutura?
	A pinça dente de rato possui pequenos “dentes” que se encaixam, proporcionando uma aderência muito segura nos tecidos, como a pele, facilitando a sutura. 
6. Durante a abertura do coração, ao examinar o endocárdio (revestimento interno) de um ventrículo, qual ação do técnico tem o maior potencial de criar um artefato que pode ser falsamente interpretado pelo médico como uma lesão ou vegetação valvar?
	Raspar a superfície do endocárdio com a ponta de um bisturi ou de uma pinça dente-de-rato para remover um coágulo aderido. A raspagem pode arrancar o delicado tecido endocárdico, criando uma lesão artificial (artefato) que se assemelha muito a uma endocardite vegetante ou a uma lesão de pré-existente.
7. Em qual das seguintes situações o uso do bisturi seria mais indicado do que uma faca de necrópsia comum?
	Na dissecação de músculos, por exemplo, exigindo a dissecação cuidadosa de pequenas estruturas para identificar hemorragias, o que demanda a precisão e o controle do bisturi com uma lâmina menor. 
8. Para obter acesso à medula espinhal, é necessário cortar os arcos das vértebras. Qual instrumento é projetado especificamente para essa finalidade?
Podemos lembrar da famosa anestesia raquidiana, aplicada em um local da coluna vertebral. O nome do instrumento deriva também de “ráquis”, indicando sua função específica de cortar as lâminas vertebrais para expor o canal medular. 
9. Qual instrumento auxiliar é frequentemente posicionado sob a cabeça ou o tórax do cadáver para melhorar a angulação e facilitar o acesso durante a necrópsia?
	O cepo é um bloco, geralmente de material rígido e lavável, usando como apoio para elevar certas partes do corpo, melhorando o ângulo de trabalho para o examinador. 
2. Após uma semana de uso intenso, você observa pequenas manchas escuras e pontos de corrosão (pitting) em algumas pinças de aço inoxidável, mesmo após a limpeza. Qual falha no processo de manutenção é a causa mais provável para este tipo de dano específico?
Deixar os instrumentos imersos em solução salina (soro fisiológico) ou não os enxaguar com água destilada após a limpeza. O íon cloreto presente no soro fisiológico e na água da torneira é extremamente corrosivo para o aço inoxidável, quebrando sua camada passiva de proteção e causando o 'pitting'. A secagem inadequada também contribui para isso.
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