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CARGAS EM MOVIMENTO 1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Cargas em Movimento O movimento de partículas carregadas em condutores é diferente do movimento de partículas no espaço vazio. Após a aplicação de uma diferença de potencial, as partículas carregadas livres são aceleradas momentaneamente, sofrendo colisões inelásticas com as partículas fixas do condutor. Ao aplicarmos uma diferença de potencial VA – VB, esta origina, no interior de um condutor, um campo elétrico E, cujo sentido é do polo positivo para o polo negativo. Inserido nesse campo elétrico, os elétrons ficam sujeitos a uma força elétrica Fel = q.E de sentido oposto à do vetor campo elétrico. Os elétrons adquirem movimento ordenado. Chamamos esse movimento das partículas carregadas de CORRENTE ELÉTRICA. Intensidade de corrente elétrica Chamamos de intensidade média de corrente elétrica a razão entre a variação da carga ?q, que atravessa um condutor, pela variação do tempo, ou seja, Nesse caso, podemos observar que a intensidade de corrente elétrica é constante. Quando a corrente varia com o tempo, define-se intensidade de corrente instantânea, o limite da intensidade média, quando o tempo ?t tende a zero. Circuito elétrico Um circuito elétrico é o conjunto de aparelhos onde se pode estabelecer uma corrente elétrica. Efeitos de corrente elétrica Ao passar por um condutor a corrente elétrica pode causar diversos efeitos, dependendo da natureza do condutor. Os mais comuns e mais importantes são: Efeito fisiológico: É a passagem da corrente elétrica por organismos vivos. Chamado de choque elétrico, a corrente passa pelo corpo e age diretamente no sistema nervoso, provocando contrações musculares. Nesse caso, se a intensidade estiver entre 10 mA e 3 A, essa corrente pode ser fatal, pois atravessa todo o tórax, atingindo o coração com intensidade suficiente para alterar o ritmo cardíaco. Efeito Joule: Ao entrarem em movimento, os elétrons se chocam com as partículas do condutor, que recebem energia e passam a vibrar com maior intensidade. Essa variação na vibração acarreta um aumento da temperatura. Em geral esse efeito é aplicado em aquecedores, chuveiros, etc. Podemos entender mais facilmente a ideia de como o potencial elétrico se transforma em energia elétrica a partir de um exemplo que utiliza os similares mecânicos dessas grandezas. Nas usinas hidrelétricas, as águas do lago, enquanto em repouso, possuem energia potencial gravitacional, que é diretamente proporcional às massas disponíveis. Quando escoadas através do vertedouro, essa energia potencial se transforma em energia cinética, que pode ser transferida para as turbinas na forma de energia mecânica. CARGAS EM MOVIMENTO 2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR De modo semelhante, o potencial elétrico de um ponto está associado às interações capazes de colocar uma carga elétrica em movimento, que é o que mais nos interessa quanto a esta propriedade. Para medir o potencial elétrico O potencial elétrico de um ponto é medido a partir da quantidade de energia potencial adquirida por uma carga elétrica de prova, colocada sob a ação do campo elétrico testado. O resultado, medido em Volts [V], é definido pela equação: V=Epq Onde: V = potencial elétrico (V); Ep = Energia potencial (J); q = carga de prova (C). Movimento das cargas elétricas Prosseguindo na analogia entre grandezas elétricas e mecânicas, sabemos que as águas do lago fluem espontaneamente de um ponto mais alto para outro mais baixo, ou seja, de um ponto de maior potencial gravitacional para outro de menor, transformando energia potencial em cinética nesse processo. Da mesma forma o fluxo de cargas elétricas também é causada por uma diferença de potencial, só que no caso, uma diferença de potencial elétrico, também chamada tensão elétrica. O movimento das cargas elétricas ocorre quando existe uma diferença de potencial elétrico entre dois pontos, seguindo as cargas do pólo negativo para o pólo positivo. Esta diferença de potencial elétrico é o que cotidianamente chamamos de voltagem, por ser medida em Volts. Corrente elétrica Quando esta diferença de potencial é aplicada sobre um fio condutor metálico, os elétrons livres que se movem de modo caótico entre as moléculas do metal passam a se mover de modo ordenado, na direção do pólo positivo. Esta movimentação ordenada de cargas elétricas ao longo de um condutor é o que chamamos de corrente elétrica. A corrente elétrica é medida em ampères [A], sendo que um ampère representa um fluxo de cargas de 1 coulomb por segundo ao longo do condutor. A corrente elétrica é um deslocamento orientado de elétrons por um condutor. Esse deslocamento nunca será totalmente livre, uma vez que as características físicas dos condutores definirão uma propriedade conhecida como resistência elétrica, cuja unidade de medida é o ohm, frequentemente representado pela letra grega ômega. Material e Geometria A resistência elétrica é definida pelo material de que o condutor é feito e pela geometria do condutor, sendo tanto menor quanto maior a área da secção transversal e tanto maior quanto maior o comprimento do condutor. Mais uma vez podemos recorrer à comparação com um fluxo de água, cuja resistência ao passar por um tubo diminuirá à medida que o diâmetro do tubo aumentar. As três grandezas que vimos até aqui - diferença de potencial elétrico, corrente elétrica e resistência elétrica - definem uma das equações fundamentais da eletricidade, a lei de Ohm, descrita pelo enunciado abaixo: CARGAS EM MOVIMENTO 3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR U=R.I Onde: U = Diferença de potencial elétrico (medido em Volts [V]); R = Resistência elétrica do condutor (medida Ohms [ ]; I = Corrente Elétrica (medida em Ampéres [A]). A diferença de potencial, chamada de tensão ou voltagem, pode ser representada também pela letra V. Circuito simples A figura abaixo mostra um circuito elétrico simples, em que uma corrente elétrica I, produzida por uma diferença de potencial V, circula por um condutor e passa pela resistência R. • O coração do circuito elétrico é o gerador. Geradores fornecem a força eletromotriz que coloca os elétrons em movimento orientado, formando a corrente elétrica. Como vimos anteriormente, essa força eletromotriz se manifesta na forma de uma diferença de potencial, que fará com que a corrente se desloque do ponto de maior para o de menor potencial elétrico. Eletromagnetismo Os geradores são aplicações práticas dos princípios do eletromagnetismo. Basicamente, um gerador elétrico é constituído de um enrolamento de fio condutor e de um imã. A diferença de potencial é gerada pelo movimentação dos pólos norte e sul do campo magnético em relação ao enrolamento, conforme a figura que segue: • Estruturalmente, não existe diferença entre motores e geradores elétricos. Podemos dizer que um gerador elétrico é um motor elétrico invertido e vice-versa. No gerador, fornecemos movimento às partes móveis para que a rotação do enrolamento elétrico entre os pólos magnéticos produza uma diferença de potencial e uma corrente elétrica. No motor elétrico, formado pelos mesmos componentes, fornecemos uma diferença de potencial e uma corrente, obtendo como resultado o movimento fornecido pelo motor. CARGAS EM MOVIMENTO 4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Quando uma partícula eletrizada é lançada em um campo magnético uniforme, ela poderá descrever no interior desse campo diversos tipos de movimento, conforme a direção de sua velocidade em relação ao campo magnético. Considere que uma partícula eletrizada com uma carga elétrica q foi lançada com velocidade v no interior de um campo magnético uniforme de indução B. A partícula realizará movimento uniforme no interior desse campo. Os diferentes tipos de trajetória que essa partícula pode descrever dependem dos diferentes ângulos de lançamento α entre os vetores ve B. Primeiro caso - a partículaeletrizada com carga elétrica q é lançada paralelamente às linhas de indução, isto é, v é paralelo ou antiparalelo a B. Nesse caso, α = 0° ou α = 180°. Vejamos a figura abaixo. Como sen 0° = 0 e sen 180° = 0, concluímos, de Fmg=|q|.v.B.sen α, que a força magnética que age na partícula é nula. Isso significa que a partícula realiza, no interior do campo magnético, movimento retilíneo e uniforme. Segundo Caso - a partícula eletrizada com carga elétrica q é lançada perpendicularmente às linhas de indução, isto é, v é perpendicular a B. Nesse caso, α = 90°. Vejamos a figura abaixo. Nessa situação, como α = 90°, a força magnética Fmg age como uma força centrípeta, modificando apenas a direção da velocidade v da partícula de carga elétrica q, sem provocar variações em seu módulo. Desse modo, essa partícula passa a descrever no interior do campo magnético um movimento circular uniforme. Terceiro caso CARGAS EM MOVIMENTO 5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR - a partícula eletrizada com carga elétrica q é lançada obliquamente em relação às linhas de indução. Nesse caso, devemos decompor o vetor velocidade v segundo duas componentes: – componente de v na direção normal à direção de B e – componente de v na direção de B. Essa componente determina um movimento retilíneo e uniforme. Teremos, então, uma combinação das trajetórias dos casos 1 e 2 e, como resultado, obteremos uma hélice cilíndrica, conforme mostrado na figura abaixo. Corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica ou é o deslocamento de cargas dentro de um condutor, quando existe uma diferença de potencial elétrico entre as extremidades. Tal deslocamento procura restabelecer o equilíbrio desfeito pela ação de um campo elétrico ou outros meios (reações químicas, atrito, luz, etc.). Sabe-se que, microscopicamente, as cargas livres estão em movimento aleatório devido à agitação térmica. Apesar desse movimento desordenado, ao estabelecermos um campo elétrico na região das cargas, verifica-se um movimento ordenado que se apresenta superposto ao primeiro. Esse movimento recebe o nome de movimento de deriva das cargas livres. Raios são exemplos de corrente elétrica, bem como o vento solar, porém a mais conhecida, provavelmente, é a do fluxo de elétrons ou eletrões através de um condutor elétrico, geralmente metálico. A intensidade I da corrente elétrica é definida como a razão entre o módulo da quantidade de carga ΔQ que atravessa certa secção transversal (corte feito ao longo da menor dimensão de um corpo) do condutor em um intervalo de tempo Δt. A unidade padrão no SI para medida de intensidade de corrente é o ampère (A). A corrente elétrica é também chamada informalmente de amperagem. Embora seja um termo válido na linguagem coloquial, a maioria dos engenheiros eletricistas repudia o seu uso por confundir a grandeza física (corrente eléctrica) com a unidade que a medirá (ampère). A corrente elétrica, designada por I , é o fluxo das cargas de condução dentro de um material. A intensidade da corrente é a taxa de transferência da carga, igual à carga dQ transferida durante um intervalo infinitesimal dt dividida pelo tempo. Denominamos corrente elétrica a todo movimento ordenado de partículas eletrizadas. Para que esses movimentos ocorram é necessário haver tais partículas − íons ou elétrons − livres no interior dos corpos. Corpos que possuem partículas eletrizadas livres em quantidades razoáveis são denominados condutores, pois essa característica permite estabelecer corrente elétrica em seu interior. Corrente contínua (CC ou DC - do inglês direct current) é o fluxo ordenado de cargas elétricas no mesmo sentido. Esse tipo de corrente é gerado por baterias de automóveis ou de motos (6, 12 ou 24V), pequenas baterias (geralmente de 9V), pilhas (1,2V e 1,5V), dínamos, células solares e fontes de alimentação de várias tecnologias, que retificam a corrente alternada para produzir corrente contínua. Corrente Alternada CARGAS EM MOVIMENTO 6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Forma de onda da corrente alternada. Corrente alternada (CA ou AC - do inglês alternating current) é uma corrente elétrica cujo sentido varia no tempo, ao contrário da corrente contínua cujo sentido permanece constante ao longo do tempo. A forma de onda usual em um circuito de potência CA é senoidal por ser a forma de transmissão de energia mais eficiente. Entretanto, em certas aplicações, diferentes formas de ondas são utilizadas, tais como triangular ou ondas quadradas. Enquanto a fonte de corrente contínua é constituída pelos pólos positivo e negativo, a de corrente alternada é composta por fases (e, muitas vezes, pelo fio neutro). Sentido da corrente De acordo com a lei de Ampère, uma corrente elétrica produz um campo magnético. No início da história da eletricidade definiu-se o sentido da corrente elétrica como sendo o sentido do fluxo de cargas positivas, ou seja, as cargas que se movimentam do pólo positivo para o pólo negativo. Naquele tempo nada se conhecia sobre a estrutura dos átomos. Não se imaginava que em condutores sólidos as cargas positivas estão fortemente ligadas aos núcleos dos átomos e, portanto, não pode haver fluxo macroscópico de cargas positivas em condutores sólidos. No entanto, quando a física subatômica estabeleceu esse fato, o conceito anterior já estava arraigado e era amplamente utilizado em cálculos e representações para análise de circuitos. Esse sentido continua a ser utilizado até os dias de hoje e é chamado sentido convencional da corrente. Em qualquer tipo de condutor, este é o sentido contrário ao fluxo líquido das cargas negativas ou o sentido do campo elétrico estabelecido no condutor. Na prática qualquer corrente elétrica pode ser representada por um fluxo de portadores positivos sem que disso decorram erros de cálculo ou quaisquer problemas práticos. O sentido real da corrente elétrica depende da natureza do condutor. A corrente elétrica não é exclusividade dos meios sólidos - ela pode ocorrer também nos gases e nos líquidos. Nos sólidos, as cargas cujo fluxo constitui a corrente real são os elétrons livres. Nos líquidos, os portadores de corrente são íons positivos e íons negativos. Nos gases, são íons positivos, íons negativos e elétrons livres. A corrente elétrica que se estabelece nos condutores eletrolíticos e nos condutores gasosos (como a que surge em uma lâmpada fluorescente) é denominada corrente iônica. O sentido real é o sentido do movimento de deriva das cargas elétricas livres (portadores). Esse movimento se dá no sentido contrário ao do campo elétrico se os portadores forem negativos (caso dos condutores metálicos), e no mesmo sentido do campo, se os portadores forem positivos. Mas existem CARGAS EM MOVIMENTO 7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR casos em que verificamos cargas se movimentando nos dois sentidos. Isso acontece quando o condutor apresenta os dois tipos de cargas livres (condutores iônicos, por exemplo). Nesses casos, não são só os portadores de carga negativa que entram em movimento, mas também os portadores de carga positiva: os íons também entram em movimento. Por exemplo: se, numa solução iônica, são colocados dois eletrodos ligados a uma bateria, um eletrodo adquire carga positiva, e outro, carga negativa. Com isso, o movimento dos íons negativos e dos elétrons se dará no sentido do eletrodo positivo, enquanto o movimento dos íons positivos ocorrerá no sentido do eletrodo negativo. O mesmo ocorre em meio gasoso, no caso dos gases ionizados. A intensidade I da corrente elétrica também é determinada pela mesma equação apresentada acima. A diferença é que, nesse caso, a quantidade de carga elétrica será dada pela soma de cargas positivas e negativas. A velocidade de deriva Ao estabelecermos um campo elétrico em um condutor verificamos, superposto ao movimento aleatório das cargas livres, um movimento de deriva dessas cargas. Em metais, condutoresmais conhecidos, temos elétrons como portadores de carga livres. Essas partículas oscilam aleatoriamente a velocidades médias da ordem de 105 a 106 m/s. No entanto o movimento de deriva se dá a uma taxa da ordem de 10-3m/s (na situação de máxima densidade de corrente). Ou seja, quando temos a máxima densidade de corrente permitida pelas normas técnicas a velocidade de deriva dos elétrons livres é cerca de 2 mm/s. Densidade de corrente é de importante consideração em projetos de sistemas elétricos. A maioria dos condutores elétricos possuem uma resistência positiva finita, fazendo-os então dissipar potência na forma de calor. A densidade de corrente deve permanecer suficientemente baixa para prevenir que o condutor funda ou queime, ou que a isolação do material caia. Em superconductores, corrente excessiva pode gerar um campo magnético forte o suficiente para causar perda espontânea da propriedade de supercondução. Métodos de medição Para medir a corrente, pode-se utilizar um amperímetro. Apesar de prático, isto pode levar a uma interferência demasiada no objeto de medição, como por exemplo, desmontar uma parte de um circuito que não poderia ser desmontada. Como toda corrente produz um campo magnético associado, podemos tentar medir este campo para determinar a intensidade da corrente. O efeito Hall, a bobina de Rogowski e sensores podem ser de grande valia neste caso. Lei de Ohm Para componentes eletrônicos que obedecem à lei de Ohm, a relação entre a tensão (V) dada em volts aplicada ao componente e a corrente elétrica que passa por ele é constante. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________