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SETEMBRO AMARELO: O SUICÍDIO PODE SER EVITADO. O que leva uma pessoa a desistir de tudo? Quais fatores influenciam na decisão ou ato desesperado de tirar a própria vida? Família e amigos conseguem antever a intenção de quem pensa em por fim ao próprio sofrimento? Muitas são as perguntas que ficam no ar quando nos deparamos com um caso de suicídio, seja ele de alguém próximo ou mesmo de um desconhecido. Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em abril de 2016 aponta que mais de 800 mil pessoas se matam todos os anos, ou seja, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. O suicídio está entre as dez causas de morte mais frequentes no mundo e é a principal entre os jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, são 32 brasileiros, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. Além disso, 75% dos suicídios em todo o mundo ocorrem em regiões de baixa renda, e entre as formas mais comuns de se tirar a própria vida estão a ingestão de medicamentos e pesticidas de uso rural, o enforcamento e as armas de fogos, sendo essa última mais comum entre os homens –em média, são três casos de suicídio de homens para cada mulher. CAUSAS Alguns estudos associam o suicídio a distúrbios mentais, transtornos de personalidade, isolamento e depressão – doença relacionada a 30% dos casos de morte de acordo com a OMS. A esquizofrenia também é responsável por 14% e a ingestão de álcool tende a ser um fator agravante, sendo associado em 18% nos números de mortes. Além disso, muitos suicídios são realizados por impulso, quando as pessoas vivenciam grandes colapsos como crise financeira ou amorosa, doença ou situações de perda. Experiências de violência ou discriminação racial e sexual também tendem a despertar comportamento suicida. Para alguns especialistas, há sempre indícios que podem ser observados. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas que comete o suicídio em algum momento expôs o pensamento sobre o ato. É errado afirmar que elas querem mesmo morrer, sendo comum o arrependimento logo após a tentativa. PREVENÇÃO Para a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos com apoio e atenção de quem está próximo. Com base nos crescentes números, programas de prevenção ao suicídio foram criados em todo o mundo através da Associação Internacional para Prevenção ao Suicídio (IASP). No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), instituiu, desde 2015, o Setembro Amarelo, com atividades em vários estados. Monumentos em diferentes cidades adotam essa cor em suas fachadas para dar visibilidade à causa. O amarelo, segundo o site do CVV, representa a vida, a luz e o sol, simbolismo que reflete a proposta da campanha de preservar a vida. O mês foi escolhido em razão do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado todo ano em 10 de setembro, com o objetivo de conscientizar as pessoas ao redor do mundo que o suicídio pode ser evitado. O suicídio é considerado um problema de saúde pública e estima-se que dez a vinte milhões de pessoas tentarão se suicidar nos próximos anos, de acordo com a OMS. Com base nisso, a organização criou o Plano de Ação de Saúde Mental com a meta de reduzir em 10% a taxa de suicídios até 2020. O Ministério da Saúde também possui a cartilha Diretrizes Nacionais de Prevenção, um manual com dados e orientações destinado aos profissionais de saúde para direcionar o atendimento em casos de indícios suicidas. SINAIS PARA SABER E AGIR O suicídio pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento (a) se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la. Os sinais de alerta descritos abaixo não devem ser considerados isoladamente. Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo: 1. Aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas. Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real. 2. Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança. As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e do futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. 3. Expressão de ideias ou de intenções suicidas. Fiquem atentos para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados: · "Vou desaparecer.” · “Vou deixar vocês em paz.” · “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.” · “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.” 4. Isolamento As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer. 5. Frustração nas redes sociais Na era das redes sociais, a exposição em tempo integral de uma suposta felicidade, postada e compartilhada de forma massiva, também pode ser fator de frustração e angústia. A necessidade de aprovação social passa hoje pelas redes e a inevitável comparação faz brotar sentimentos de inferioridade e insatisfação com a própria vida. 6. Outros fatores Exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, entre outros, podem ser fatores ainda que não determinantes. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio. PEDINDO AJUDA Pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida podem ser insuportáveis e pode ser muito difícil saber o que fazer e como superar esses sentimentos, mas existe ajuda disponível. É muito importante conversar com alguém que você confie. Não hesite em pedir ajuda, você pode precisar de alguém que te acompanhe e te auxilie a entrar em contato com os serviços de suporte. Quando você pede ajuda, você tem o direito de: · Ser respeitado e levado a sério; · Ter o seu sofrimento levado em consideração; · Falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação; · Ser escutado; · Ser encorajado a se recuperar. Diante de uma pessoa sob risco de suicídio, o que se deve fazer? · Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio. · Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento. · Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa. · Se a pessoa com quem você está preocupado (a) vive com você, assegure-se de que ele (a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa. · Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo. ONDE BUSCAR AJUDA · CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de · Saúde). · UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais · Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita) · Centrode Valorização da Vida – CVV O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita. Para finalizar, é importante lembrar que os cuidados com a Saúde Mental têm que ser uma preocupação de todos, o tempo todo. A prevenção é sempre o melhor caminho!