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GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Planejamento e gestão orçamentária de custos CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Pedagógica ALESSANDRA FERREIRA Gerente de Produção Editorial LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS Projeto Gráfico RAMONIQUE DESIRRE TIAGO DA ROCHA Autoria ANDRÉ DE FARIA THOMÁZ BRUNA ALEIXO 4 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A U TO RI A André Faria de Thomaz Olá. Sou bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Minas (2006); e mestre (2011) e doutor (2018) em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Atuo como contabilista e como professor, nas modalidades presencial e à distância, nas áreas de auditoria contábil de departamentos, de finanças e de pessoal. Durante minha atuação como contabilista, tenho vasta experiência na área de obrigações acessórias e obrigatórias. Por outro lado, ao longo de minha experiência como docente, além de ter sido coordenador de curso, lecionei, principalmente, as seguintes disciplinas: Contabilidade Básica; Economia; Planejamento e Contabilidade Tributária; Contabilidade de Custos e Análise de Custos; Gestão por Processos; Estrutura das Demonstrações Contábeis; Análise das Demonstrações; Contabilidade Gerencial; Teoria da Contabilidade; Contabilidade Intermediária; Contabilidade Internacional; Auditoria; Contabilidade Empresarial; Controle Interno; Matemática; Logística; Recursos Humanos; e Gestão de Risco. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado a integrar o elenco de autores independentes da editora TeleSapiens. Estou muito feliz por poder ajudá-lo nesta fase da vida de muito estudo e de muito trabalho. 5GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A U TO RI A Bruna Araújo Aleixo Olá! Sou graduada em Ciências Econômicas pela UNICAP e especialista em Gestão Financeira pela FAFIRE. Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de mergulhar em diversos aspectos da economia, desde análise de mercado até estratégias financeiras complexas. Em minha jornada como professora universitária, compartilho meu conhecimento e paixão tanto pela economia, quanto pela matemática e seus desafios, com uma nova geração de estudantes. Estou convicta de que minha bagagem acadêmica e experiência prática me capacitam para oferecer insights valiosos e contribuir de maneira significativa para a compreensão e solução de desafios econômicos e financeiros. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 6 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS ÍC O N ES Esses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos: OBJETIVO No início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Caso haja a necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando são necessárias observações ou complementações. IMPORTANTE Se as observações escritas tiverem que ser priorizadas. EXPLICANDO MELHOR Se algo precisar ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Se existirem curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo. SAIBA MAIS Existência de textos, referências bibliográficas e links para aprofundar seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar sites para fazer downloads, assistir vídeos, ler textos ou ouvir podcasts. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo cumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência é concluída e questões são explicadas. 7GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Gestão de custos para análise da lucratividade .................. 10 Etapas de um projeto e custos .......................................................................10 Grupos de processos .........................................................................12 Custos diretos .......................................................................13 Custos indiretos ....................................................................13 Custos fixos............................................................................13 Custos variáveis ....................................................................13 Custos de oportunidade ....................................................13 Reservas de contingências ..................................................14 Gerenciamento de custos e avaliação da lucratividade ............................14 Análise de lucratividade ...................................................................................17 Margem de contribuição e ponto de equilíbrio .............................17 Análise de sensibilidade: .....................................................19 Cálculo da rentabilidade de produtos e serviços ..........................19 Retorno sobre o investimento (ROI)..................................21 Retorno sobre o ativo (ROA) ...............................................21 Margem líquida .....................................................................22 Indicadores de desempenho financeiro e sua interpretação .........................................................................23 Retorno sobre o investimento (ROI)..................................23 Retorno sobre o ativo (ROA): ..............................................24 Margem líquida: ....................................................................24 Interpretação dos indicadores: ..........................................25 Planejamento do gerenciamento de custos ........................ 27 Plano de contas do projeto ..............................................................................29 Entradas e saídas e estimativas de custos ....................................................32 SU M Á RI O 8 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Custo real versus custo comprometido ........................................................33 Consolidação do orçamento de custos ................................. 37 Monitoramento e controle de custos e de orçamentos ...........................37 (De)composição dos custos e dos orçamentos ...........................................39 Análise de variações orçamentárias ...............................................................43 Gestão de custos: modelagem e práticas ............................. 46 Cronograma de custos .....................................................................................47 Estimativa dos três pontos ...............................................................................50 Modelagem de custos, práticas e aplicações ...............................................51 9GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A PR ES EN TA ÇÃ OVocê sabia que o planejamento e a gestão orçamentária de custos são competências cruciais no mercado atual? Com a crescente complexidade das operações empresariais e a intensa concorrência global, as empresas buscam profissionais capazes de gerenciar custos de forma estratégica, garantindo a lucratividade e a sustentabilidade dos negócios. As oportunidades para especialistas nesta área são vastas e incluem posições em empresas multinacionais, consultorias financeiras e startups inovadoras. As demandas do mercado de trabalho exigem habilidades emergentes como a capacidade de análise de dados, uso de tecnologias avançadas de gestão e uma visão holística dos processos financeiros. Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo fascinante! Vamos começar com a análise da lucratividade na gestão de custos, em que você aprenderá a identificar e avaliar os custos relevantes para maximizar os lucros. Em seguida, exploraremosas técnicas de planejamento do gerenciamento de custos, fundamentais para elaborar planos financeiros robustos e precisos. Avançaremos para a consolidação do orçamento com base na análise de custos, proporcionando uma visão integrada do controle orçamentário e suas implicações práticas. Finalmente, aplicaremos técnicas de gestão de custos e modelagens práticas, oferecendo ferramentas e métodos que são utilizados no dia a dia das organizações para otimizar recursos e melhorar a eficiência. 10 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS O BJ ET IV O S Olá. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Analisar a lucratividade na gestão de custos; 2. Aplicar as técnicas de planejamento do gerenciamento de custos; 3. Consolidar o orçamento com base na análise de custos; 4. Aplicar as técnicas de gestão de custos e modelagens práticas. 11GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Gestão de custos para análise da lucratividade Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a análise da lucratividade na gestão de custos, passando pelas etapas de um projeto, gerenciamento de custos e avaliação da lucratividade. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentaram gerenciar projetos sem a devida instrução tiveram problemas ao controlar os custos e avaliar a rentabilidade adequadamente. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Etapas de um projeto e custos Caro aluno, é claro, para que você, que práticas adequadas de gerenciamento de projetos resultam em benefícios para a sua empresa, diretamente; e para seus clientes, indiretamente? Sim, isso é verdadeiro e pode acontecer de modos diversos: • O projeto pode ser aceito sem restrições por quem o encomendou; • O desenho técnico do projeto terá mais condições de obedecer às exigências de qualidade do cliente; • As chances de garantir os prazos e os custos definidos serão muito maiores. 12 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Imagem 2.1 - Controle de custos Fonte: Freepik. Em hipótese alguma, a estimativa de custos associada a um projeto pode ser negligenciada. De acordo com Gray e Larson (2010), antecipar a estimativa dos custos de um projeto nos tratará os seguintes benefícios: • Ensejará decisões mais adequadas; • Permitirá que as etapas de trabalho sejam programadas com mais eficiência; • Permitirá que especifiquemos, com certa exatidão, tanto a duração quanto o custo relacionado ao projeto; • Indicará a viabilidade do projeto; • Permitirá que desenvolvamos e distribuamos orçamentos pelos períodos de projeto, criando uma linha do tempo. Todos os benefícios listados são tratados, de alguma maneira – seja diretamente, seja indiretamente – pelo Guia do Conjunto de Conhecimentos do Gerenciamento de Projetos – Guia PMBOK® (2021). 13GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Antes de nos introduzirmos nos aspectos teóricos da gestão de custos de projetos, veremos dois princípios fundamentais do PMBOK® (2013): a proposição de cinco grupos de processos, responsáveis por determinar em que ordem as etapas de um projeto devem ser executadas; e a proposição de dez áreas de conhecimento, responsáveis por estruturar os conhecimentos de uma maneira mais organizada, contemplando todas as etapas de que dependem. A seguir, listaremos os grupos de processos, que são o foco de nosso interesse no decorrer deste material. Grupos de processos • Iniciação – reúne todos os processos que visam a determinar a versão preliminar do escopo de um projeto; • Planejamento – nesta etapa, preocupamo-nos com a prospecção de todos os elementos que comporão o projeto, como são os casos dos custos, da qualidade dos produtos e dos prazos, por exemplo; • Execução – corresponde às etapas em que o projeto é concretizado; • Monitoramento e controle – visa observar os procedimentos que compõem os demais grupos, com o objetivo de garantir a melhoria do projeto como um todo; • Encerramento – é a etapa final, em que os recursos alocados no projeto são liberados, liberando os documentos gerados para serem arquivados. Quando dominamos os conceitos de grupos de processos e de áreas do conhecimento, tornamo-nos capazes de criar associações entre esses conceitos e o gerenciamento dos custos 14 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS de um projeto, tanto de forma teórica quanto de forma prática. Vamos relembrar alguns tipos de custos: Custos diretos Estão ligados, diretamente, aos produtos (ou aos produtos) de um projeto específico. Portanto, seu cálculo contemplará, dentre outros elementos, a matéria-prima empregada, a mão de obra alocada na transformação de matéria-prima em produto acabado. Custos indiretos Estão ligados a atividades e a insumos que não mantêm relação direta com a entrega do produto, como são os casos de materiais utilizados por atividades indiretas e produção. Não são contabilizados como elementos do processo produtivo. Custos fixos São custos que se mantêm inalterados, a despeito do volume de produção. Casos de custos fixos são os de aluguel e os de salários de colaboradores, por exemplo. Custos variáveis São custos que tendem a aumentar-se e a reduzir-se conforme for o volume de produção. Casos de custos variáveis são os de matéria-prima e de embalagens, por exemplo. Custos de oportunidade São os custos associados à determinada opção que possa surgir ao longo do desenvolvimento do projeto, quando a empresa executora tem de optar por uma alternativa, desistindo dos prováveis benefícios que possam ser gerados por outra. 15GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Um exemplo disso seria a decisão de seguir por um caminho ou por outro, de acordo com o retorno que será obtido no final do processo. Reservas de contingências São recursos empregados na redução do impacto de certos riscos que rondam e execução dos projetos. Dedicam-se a sanar os famosos imprevistos. Gerenciamento de custos e avaliação da lucratividade Entre os gerentes de projetos, é muito comum o apontamento de que duas das principais dificuldades são a medição da base de custos e avaliação de resultados. Porém, temos a possibilidade de reduzir essas dificuldades com um procedimento simples: a inclusão dos custos nas etapas do ciclo de vida de um projeto. As diferentes fases do ciclo de vida se dividirão em estágios e em atividades, respeitando à natureza de cada projeto. Fica mais fácil entender essa relação quando percebemos que as fases do ciclo de vida, de acordo com a natureza específica do projeto, são divididas em estágios, e que estes podem ser segmentados em atividades que irão atender às especificidades de cada projeto. Segmentar um projeto em fases, em estágios e em atividades nos renderá muitos benefícios, como os seguintes: • Compreensão mais apurada dos custos de cada etapa; • Visão panorâmica de como o projeto se desenvolve; • Visão de como os custos são alocados em tempo real. 16 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Portanto, a compreensão do ciclo de vida de um projeto, sobretudo a sua divisão em microvisão (segmentação em fases, em estágios e em atividades) e em macrovisão (projeto como um todo), auxiliará no trabalho prático com os custos. O gerenciamento dos custos tem relação direta com qualquer atividade de um projeto. Dentre as funções, estarão a identificação de riscos, a alocação de recursos humanos e aquisição de recursos e de ferramentas durante as diversas fases. Assim, saberemos, detalhadamente, quais serão os recursos financeiros necessários para a sua execução, do início ao fim. Devemos ter cuidado com a seguinte diferenciação: analisar o ciclo de vida de um processo, por detalhado que isso possa ser, não é igual a promover o gerenciamento de custos desse projeto. O PMI® (2013) nos apresenta essa distinção muito bem, listando quatro procedimentos que nos garantirão essa diferenciação, com suas entradas,com suas ferramentas, com suas técnicas e com suas saídas particulares. Todo projeto, independentemente do seu segmento, necessitará de recursos financeiros para ser implementado. É quase impossível que um projeto seja considerado completo até que a análise dos seus recursos financeiros seja realizada. Na estruturação do plano de gerenciamento de custos de qualquer projeto, temos que especificar quais serão os recursos necessários em todas as suas etapas e os seus respectivos custos; um cronograma, com a lista de atividades que serão realizadas; e uma projeção do que as decisões tomadas renderão futuramente quanto à utilização e ao suporte do produto gerado. 17GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Apesar de não serem a mesma coisa, o plano de gerenciamento de um projeto é um elemento essencial para qualquer análise de custos. Isso acontece porque, nesse documento, há dados importantes sobre as suas etapas de execução e de monitoramento e de controle. Ademais, por essas e por outras características, o plano de gerenciamento afeta o projeto integralmente, o que, certamente, envolverá os seus custos. Falaremos, agora, do objetivo principal de um plano de gerenciamento de custos: alocar os recursos financeiros adequadamente, de acordo com as necessidades de cada etapa do projeto. Para que sejamos capazes de cumprir esse objetivo, temos de definir três fatores que influenciarão os resultados de todos os projetos: 1. Validade, que diz respeito à comparação entre a projeção de custos com os custos reais de um projeto; 2. Tempestividade, que diz respeito à divulgação dos custos de um projeto às partes interessadas; 3. Efetividade, que diz respeito à análise de custos e à evolução do projeto. Os três elementos devem receber atenção dos gestores antes, durante e após a execução de quaisquer atividades, visto que permitirão o controle de custos. Esses elementos devem se relacionar a todas as atividades desenvolvidas antes, durante e depois da execução do projeto, estimando e controlando todos os custos. Para que sejam implementados, dependemos de um sistema de controle de custos eficiente, que será consequência da etapa de planejamento do gerenciamento de custos. 18 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Análise de lucratividade Margem de contribuição e ponto de equilíbrio A margem de contribuição é um indicador financeiro que mostra quanto do valor das vendas está disponível para cobrir os custos fixos e gerar lucro após a dedução dos custos variáveis (Bruzzi, 2008). É calculada pela diferença entre o preço de venda de um produto ou serviço e os custos variáveis unitários. A margem de contribuição visa entender a viabilidade financeira de produtos e serviços. Ela auxilia na determinação do ponto de equilíbrio e na tomada de decisões estratégicas sobre preços e volumes de produção (Gido; Clements, 2011). Imagine uma empresa que fabrica canetas. O preço de venda de cada caneta é de R$ 5,00, e o custo variável (matéria- prima, mão de obra direta etc.) por unidade é de R$ 2,00. Isso significa que cada caneta vendida contribui com R$ 3,00 para a cobertura dos custos fixos e para a geração de lucro. A margem de contribuição pode ser analisada tanto em termos unitários quanto em termos totais. Em termos unitários, ela ajuda a entender a contribuição de cada unidade vendida. Em termos totais, ela é usada para calcular a contribuição total de todas as unidades vendidas em um período específico. Para 19GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS calcular a margem de contribuição total, multiplica-se a margem de contribuição unitária pelo número de unidades vendidas. Supondo que a empresa vendeu 2.000 canetas: Esse valor indica a quantia total disponível para cobrir os custos fixos e gerar lucro. O ponto de equilíbrio é o volume de vendas necessário para que as receitas totais igualem os custos totais, resultando em lucro zero (Gray; Larson, 2010). Esse conceito é fundamental para a gestão financeira, pois ajuda a determinar o volume mínimo de vendas necessário para que a empresa não tenha prejuízos. 𝑃𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑒𝑞𝑢𝑖𝑙í𝑏𝑟𝑖𝑜 𝑃𝐸 Se a empresa de canetas tem custos fixos totais de R$ 6.000,00 e a margem de contribuição por unidade é de R$ 3,00, o ponto de equilíbrio pode ser calculado da seguinte forma: Isso significa que a empresa precisa vender 2.000 canetas para cobrir todos os seus custos e não obter lucro nem prejuízo. 20 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS O ponto de equilíbrio pode ser calculado em termos de unidades ou de valor monetário. Em termos de valor monetário, a fórmula é: 𝑃𝐸 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 Em que MC / PV é a razão da margem de contribuição sobre o preço de venda, também conhecida como margem de contribuição percentual. Análise de sensibilidade: Analisar o ponto de equilíbrio em diferentes cenários ajuda a prever como mudanças nos custos fixos, nos custos variáveis ou no preço de venda impactam a quantidade necessária de vendas para atingir o ponto de equilíbrio. Essa análise é crucial para a gestão estratégica e para a adaptação a mudanças no mercado (Dinsmore; Cabanis-Brewin, 2009). Cálculo da rentabilidade de produtos e serviços A rentabilidade de produtos e serviços é uma medida que indica o retorno financeiro obtido em relação aos custos envolvidos na produção e comercialização. Avaliar a rentabilidade é essencial para determinar a viabilidade econômica de diferentes produtos e serviços oferecidos por uma empresa (Greene; Stellman, 2010). A fórmula básica para calcular a rentabilidade de um produto ou serviço é: 21GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Em que: Lucro líquido: é a diferença entre as receitas totais e os custos totais (fixos e variáveis); Investimento total: inclui todos os custos envolvidos na produção e comercialização do produto ou serviço. Suponha que uma empresa fabrica e vende um determinado produto com os seguintes dados: • Receita total de vendas: R$ 150.000; • Custos variáveis totais: R$ 60.000; • Custos fixos totais: R$ 40.000. Primeiro, calculamos o lucro líquido: Em seguida, calculamos a rentabilidade: 22 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Isso significa que a empresa obteve um retorno de 50% sobre o investimento total realizado. A rentabilidade é um indicador-chave para avaliar o desempenho financeiro de produtos e serviços. Além da fórmula básica, existem outras abordagens para medir a rentabilidade, como o retorno sobre o investimento (ROI), retorno sobre o ativo (ROA) e margem líquida, cada uma fornecendo diferentes perspectivas sobre a eficiência e a lucratividade da empresa (Rovai, 2014). Retorno sobre o investimento (ROI) O ROI é uma métrica amplamente utilizada para avaliar a eficiência dos investimentos realizados pela empresa. A fórmula é: Utilizando os mesmos dados do exemplo anterior: Lucro líquido = R$ 50.000; Investimento total = R$ 100.000. Retorno sobre o ativo (ROA) O ROA mede a eficiência da empresa em gerar lucro a partir de seus ativos totais. A fórmula é: 23GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Suponha que a empresa possui ativos totais de R$ 200.000: Lucro líquido = R$ 50.000; Ativos totais = R$ 200.000. O ROA é especialmente útil para comparar a eficiência de diferentes empresas no mesmo setor, pois indica como os ativos estão sendo utilizados para gerar lucro (Vargas, 2014). Margem líquida A margem líquida é a porcentagem da receita total que se transforma em lucro líquido. A fórmula é: Utilizando os mesmos dados do exemplo anterior: • Lucro líquido = R$ 50.000; • Receita total = R$ 150.000. A margem líquida é um indicador que reflete a eficiência da gestão dos custos e despesas da empresa, mostrando a proporção das receitas que é convertida em lucro. Empresas com margens 24 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS líquidas mais altas são geralmente mais eficientes na gestão de seus custos e mais lucrativas (Dinsmore; Cabanis-Brewin, 2009). Como o cálculo da rentabilidade pode influenciar as decisões estratégicas dasua empresa? Considere como cada indicador se relaciona com os objetivos de longo prazo da empresa e como eles podem ser usados para identificar áreas de melhoria e oportunidades de crescimento. Indicadores de desempenho financeiro e sua interpretação Indicadores de desempenho financeiro são métricas utilizadas para avaliar a saúde financeira e a eficiência operacional de uma empresa. Eles fornecem insights valiosos sobre a lucratividade, a eficiência e a viabilidade financeira das operações empresariais. Entre os indicadores mais comuns estão o retorno sobre o investimento (ROI), o retorno sobre o ativo (ROA) e a margem líquida (Vargas, 2014). Retorno sobre o investimento (ROI) O ROI é uma métrica que mede a eficiência dos investimentos realizados pela empresa. Ele calcula a quantidade de retorno que uma empresa obtém sobre um investimento específico em relação ao custo do investimento. Suponha que uma empresa invista R$ 200.000 em um projeto e obtenha um lucro líquido de R$ 50.000. O ROI é calculado como: 25GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Um ROI positivo indica que o investimento está gerando mais valor do que o custo inicial, enquanto um ROI negativo sugere que o investimento não está sendo eficiente. Retorno sobre o ativo (ROA): O ROA mede a eficiência da empresa em gerar lucro a partir de seus ativos totais. Ele mostra como os recursos da empresa estão sendo utilizados para gerar lucro. Se uma empresa possui ativos totais no valor de R$ 500.000 e um lucro líquido de R$ 100.000, o ROA é: O ROA é especialmente útil para comparar a eficiência de diferentes empresas no mesmo setor. Empresas com ROA mais alto são geralmente mais eficientes na utilização de seus ativos para gerar lucro (Gray; Larson, 2010). Margem líquida: A margem líquida é a porcentagem da receita total que se transforma em lucro líquido. Ela mede a eficiência da empresa na gestão de seus custos e despesas. Considerando uma receita total de R$ 300.000 e um lucro líquido de R$ 60.000, a margem líquida é: 𝑀𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑎 26 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A margem líquida reflete a capacidade da empresa de converter suas receitas em lucro. Empresas com margens líquidas mais altas são geralmente mais eficientes na gestão de seus custos e despesas, resultando em maior lucratividade (Dinsmore; Cabanis-Brewin, 2009). Interpretação dos indicadores: 1. ROI (retorno sobre o investimento): • Alta: indica que a empresa está gerando um retorno significativo sobre seus investimentos. É um sinal positivo de eficiência e potencial lucratividade; • Baixa: pode indicar que os investimentos não estão gerando os retornos esperados, sugerindo a necessidade de revisar estratégias de investimento. 2. ROA (retorno sobre o ativo): • Alta: demonstra eficiência na utilização dos ativos para gerar lucro. Empresas com ROA alto são eficazes na gestão de seus recursos; • Baixa: pode indicar que a empresa não está utilizando seus ativos de maneira eficiente, possivelmente levando à necessidade de reavaliar a alocação de recursos. 3. Margem líquida: • Alta: sinaliza que a empresa está gerenciando bem seus custos e despesas, resultando em uma alta proporção de receita convertida em lucro; • Baixa: indica que a empresa pode estar enfrentando problemas com altos custos ou despesas, reduzindo sua lucratividade. 27GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Como esses indicadores podem influenciar as decisões estratégicas da sua empresa? Considere como cada um se relaciona com os objetivos de longo prazo da empresa e como podem ser utilizados para identificar áreas de melhoria e oportunidades de crescimento. Indicadores de desempenho financeiro não apenas ajudam na avaliação da situação atual da empresa, mas também são ferramentas cruciais para a previsão de tendências futuras e para a tomada de decisões estratégicas informadas. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre as etapas de um projeto e seus custos, destacando a importância de cada fase e os custos associados. Discutimos o gerenciamento de custos como uma ferramenta essencial para avaliar a lucratividade, incluindo técnicas de controle e monitoramento que ajudam a garantir que os projetos permaneçam dentro do orçamento. Exploramos a análise de lucratividade, focando em como medir a rentabilidade e utilizar esses dados para tomar decisões estratégicas. Entender a margem de contribuição, ponto de equilíbrio e indicadores de desempenho financeiro são habilidades que você agora possui. Essas técnicas são fundamentais para qualquer profissional que deseja garantir a viabilidade financeira de seus projetos. Ao longo deste capítulo, você também foi incentivado a refletir sobre como aplicar essas técnicas no seu futuro profissional. Perguntas reflexivas foram abordadas para reforçar sua compreensão e promover uma análise crítica do conteúdo estudado. 28 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Planejamento do gerenciamento de custos Ao término deste capítulo, você será capaz de aplicar as técnicas de planejamento do gerenciamento de custos, com foco na elaboração do plano de contas do projeto, na identificação das entradas e saídas dos processos para estimar custos e na distinção entre custo real e custo comprometido. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Imagem 2.2 – Planejamento do gerenciamento de custos Fonte: Freepik. A respeito dos ativos de processos organizacionais, destacam-se “políticas, procedimentos e diretrizes existentes, formais ou informais, de estimativas de custos e relacionados à elaboração de orçamentos” (PMI®, 2013, p. 197). Por outro lado, em relação às ferramentas e às técnicas de que esse processo depende, as mais importantes são as analíticas: análise de variação 29GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS e de tendências; ferramentas de previsão; análise de cenários; e, ainda, outras técnicas que possam ser utilizadas para gerenciar orçamentos. O gerenciamento de custos de um projeto está associado a quase todas as demais formas de gerenciamento possíveis em projeto. Dessas, destacaremos três: 1. Plano de gerenciamento global do projeto – é fundamental para a análise de custos de um processo, uma vez que, por um lado, concentrará todas as informações relevantes às etapas de execução e de monitoramento e de controle de um processo, e que, por outro lado, funcionará como um integrador em relação em relação aos demais; 2. Declaração de escopo – é o documento em que apontaremos as entregas de um projeto como um todo. Temos de descrever, minuciosamente, o escopo de cada produto resultado e de apontar os possíveis problemas técnicos a que a estimativa de custos estiver sujeita; 3. Estrutura analítica do projeto (EAP) – com o objetivo de fornecer uma visão ampla e completa do projeto, assume a responsabilidade pelos componentes e pelas entregas de um projeto. Portanto, com a especificação desses itens, demonstramos que o gerenciamento de custos estará conosco durante quase a integralidade de um projeto, sobretudo porque faz parte do plano de gerenciamento. 30 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Plano de contas do projeto O planejamento dos custos de custos de um projeto, na perspectiva de Dinsmore e Cabanis-Brewin (2009), apresenta pontos que merecem destaque em relação aos demais: a. Valor unitário de cada recurso utilizado; b. Início e término do uso de recursos financeiros e de outros recursos durante as atividades; c. Distribuição de recursos financeiros e de outros recursos durante as atividades; d. Contas de custos em relação ao valor e à quantidade de cada recurso. Por intermédio das contas de custos, o projeto será representado de um modo que nos permita compreendê-lomelhor. Nesse sentido, podemos adotar uma ferramenta da contabilidade para cuidar disso, o plano de contas, tendo em vista que qualquer projeto deverá ser adequado ao sistema contábil da empresa que o implementará. Nocêra (2012) define algumas características para o plano de contas: 1. Adotar os princípios do sistema contábil da empresa; 2. Correlacionar-se com o plano de contas; 3. Ser coerente com o tamanho do projeto e com o tamanho da empresa; 4. Ser adaptável às necessidades do projeto e às da empresa; 5. Apresentar-se claramente; 31GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS 6. Facilitar a análise dos próprios componentes; 7. Facilitar a comunicação eficiente das informações gerenciais. A quantidade tanto de grupos quanto de subgrupos presentes em um plano de contas será especificada pelo setor de contabilidade das empresas. Além disso, tal setor deverá definir como serão manipuladas as informações contábeis referentes e disponíveis para o projeto (entrada) e resultantes do projeto (saída). Mais especificamente, a estimativa de custos é o processo que lidará com a mensuração de todos os recursos financeiros exigidos na execução das atividades de certo projeto. Com o objetivo, a estimativa de custo tem a prospecção dos recursos financeiros necessários à finalização de um projeto. Durante a estimativa de custos, temos uma questão muito importante a avaliar: a natureza do projeto. Devemos determinar se será executado ou pela empresa e para uso interno; ou será executado por terceiros e por um financiador. Se o projeto for realizado por terceiros e por um financiador, dependerá de um contrato e ensejará maiores cuidados: será necessário verificar a distinção entre custos estimados e preço cobrado. Por um lado, o preço terá relação com decisões da empresa, enquanto os custos de um projeto são indissociáveis do negócio. Ao longo desse processo, há quatro estimativas de que não podemos prescindir: 1. Esforços para que a qualidade planejada seja alcançada; 2. Esforços para determinar os riscos reais associados ao projeto e a maneira como serão enfrentados; 32 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS 3. Custo e duração de cada atividade; 4. Despesas (diretas e indiretas) possíveis. Como podem impactar o desempenho de um projeto de muitos modos, as quatro estimativas devem ser controladas, constantemente, quanto a todas as áreas e a todos os processos descritos no plano de gerenciamento de processos. Novas informações, atualizações e correções são consideradas partes ou das entradas ou das saídas de uma estimativa de custos. De maneira geral, as estimativas propostas pelo PMI® (2013) podem ser resumidas em dois tipos básicos: estimativas de cima para baixo ou estimativas top-down, que são executadas por profissionais inexperientes no desenvolvimento de projetos, dependendo, portanto, de seus conhecimentos em outras áreas; e estimativas de baixo para cima ou bottom-up, que são executadas por profissionais experimentos no desenvolvimento de projetos, os quais estão habilitados ao uso de técnicas mais específicas e mais acuradas. A depender do projeto com lidaremos, as informações relevantes às estimativas de custos podem não estar acessíveis. Como essa característica nos causa incerteza, não seremos capazes de prever os cenários futuros possíveis e confiáveis. Ademais, Greene e Stellman (2010) nos apresentam duas técnicas úteis à estimativa de custos: Análise de reservas, de acordo com a qual devemos delimitar uma quantidade de recursos financeiros que possa ser empregada em imprevistos; e custo da qualidade, de acordo com a qual o cômputo das atividades ligadas à qualidade deve estar no 33GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS orçamento geral, porque é menos custoso encontrar problemas na fase de implementação de um projeto. Entradas e saídas e estimativas de custos Os fatores ambientais e os ativos de processos organizacionais serão os aspectos mais importantes para a definição das entradas de um processo de estimativa de custos. Por um lado, os fatores ambientais indicarão como o banco de dados das empresas deverá ser manuseado – com destaque para os recursos humanos que serão mobilizados –, apontando, então, os padrões de custos que o processo de estimativa de custos adotará. Por sua vez, os ativos de processos organizacionais estão associados às diretrizes dos modelos e das políticas de estimativas de custos das empresas. As saídas mais importantes do processo de estimativa de custos são as chamadas estimativas de custo das atividades, que utilizarão certos valores: • Relação custo-benefício – trata-se do total de recursos financeiros em que o projeto resultou com base no que foi investido. Se o custo for inferior ao resultado, o projeto terá sido um bom investimento; • Custo do ciclo de vida – é a expectativa inicial de quanto o projeto custará aos cofres da empresa, considerando o seu desenvolvimento e o suporte à sua implementação. As saídas são objeto de estudo da engenharia econômica, porque dependem de um conhecimento vasto de matemática financeira. 34 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Custo real versus custo comprometido A sistemática de estimativa dos custos deve sempre levar em consideração a diferença existente entre o custo real e o custo que foi comprometido efetivamente no projeto. Para tal, precisamos utilizar o sistema de controle de custos do projeto, assumindo os resultados de todos os pacotes de trabalho, desde a concepção do projeto até a sua finalização. Conforme mencionamos anteriormente, para controlar o custo real de um projeto, devemos manter um sistema de controle de custos, em que, compulsoriamente, haverá os procedimentos de localização dos dados de custos. Por sua vez, devemos juntar informações obtidas por intermédio do sistema de custos à análise dos custos comprometidos. Isso é necessário porque tais análises serão adicionadas aos custos reais e aos custos totais. Gido e Clementes (2011) explicam que os custos comprometidos recebem esse nome a partir do momento em que algo é solicitado no âmbito de um projeto. Quando esse algo for entregue, o custo passará a ser real. Existem técnicas ou ferramentas que nos ajudarão com os custos reais de um projeto, assumindo a função de adequar a realização das atividades ao que foi acordado em cronograma. Mesmo assim, é comum que os projetos sejam implementados com orçamentos fechados, complicando ou impedindo as estimativas. Como futuros gerentes de projetos, não podemos esquecer de que, em muitos casos, mudanças nos projetos são inevitáveis. 35GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Antes de demonstramos como acontece a comparação dos custos de um projeto, entenderemos quais categorias de custos existem. Bruzzi (2008) adota as seguintes: • Custo de produto; • Custos de capital; • Custos operacionais; • Custos de gerenciamento. Os custos são gerados desde o princípio das atividades de um projeto, quando a etapa de monitoramento de controle deve, igualmente, ser iniciada, uma vez que a comparação do que foi planejado com o que foi executado revelará as mudanças que, porventura, sejam importantes no processo. O orçamento é uma prospecção dos recursos financeiros necessários e autorizados para certo projeto, controlando todos os tipos de custos. A sua meta mais importante é ajustar os custos ao conjunto de atividades que comporão o projeto, definindo a linha de base de custos, encaminhando e facilitando o gerenciamento das etapas do projeto e permitindo que a linha de base de custos seja comparada com os custos reais. Não se pode confundir orçamento com fluxo de caixa do projeto. Enquanto o orçamento é responsável pela estimativa de recursos financeiros, o fluxo de caixa é uma ferramenta de cálculo do que entra e do que sai do caixa de uma empresa. Além disso, o fluxo de caixa pode ser utilizado para verificar o que a empresa tem de recurso financeiro disponível para ser investido em um projeto. Quandoelaboramos o orçamento de um projeto, devemos considerar todos os princípios da contabilidade, enfatizando a 36 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS previsão do projeto no plano de contas, que permitirá ao setor de contabilidade analisar, com mais facilidade, os resultados contábeis e os resultados financeiros da empresa. A elaboração de um orçamento deverá controlar diversos elementos, dos quais citaremos os seguintes: fatores que provoquem mudanças na linha base dos custos; verificação de acordos firmados entre as partes de um projeto a respeito de garantia de mudanças solicitadas; cuidado para que não haja desvios nas estimativas orçamentárias – mas, se houver, cuidado para que não ultrapassem demais o gasto autorizado pelo patrocinador; cuidado para que mudanças não autorizadas possam sejam incluídas; comunicação de mudanças aprovadas a todas as partes interessadas, mantendo o orçamento dentro de limites aceitáveis. Para que esses e outros diversos mecanismos sejam empregados com eficiência, é a fundamental que o início e o término de cada atividade sejam definidos. Ademais, o orçamento deve contatar, sempre, os responsáveis pelas áreas do projeto que receberão recursos financeiros. 37GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido, detalhadamente, sobre o plano de contas do projeto, enfatizando sua importância na estruturação e controle financeiro. Discutimos as entradas e saídas dos processos para estimar custos, destacando as principais técnicas e metodologias utilizadas para obter estimativas precisas e confiáveis. Além disso, exploramos a distinção entre custo real e custo comprometido, esclarecendo como essas categorias influenciam a tomada de decisões e o monitoramento do orçamento. Compreender esses conceitos é crucial para a execução bem- sucedida de projetos, garantindo que os recursos sejam alocados de maneira eficiente e que os custos sejam controlados rigorosamente. Ao longo do capítulo, você foi incentivado a refletir sobre como essas técnicas podem ser aplicadas em sua prática profissional, promovendo uma abordagem crítica e analítica do gerenciamento de custos. 38 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Consolidação do orçamento de custos Ao término deste capítulo, você será capaz de consolidar o orçamento com base na análise de custos, enfatizando a importância do monitoramento e controle de custos e orçamentos, a decomposição e composição dos custos e orçamentos, e a análise de variações orçamentárias. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! As estimativas de custos utilizarão as reversas contingenciais estimadas e entrarão em cada pacote de trabalho de um projeto. Quando somamos todas as reservas contingenciais estimadas, chegaremos à linha de base de custos, com que devem ser reunidos, ainda, outros requisitos financeiros, garantido que a alocação de custos esteja completa. Portanto, a linha de base dos custos deve receber um tratamento financeiro, sem abandonar, porém, as perspectivas de análise do projeto – que, geralmente, são destes tipos: mensal, bimestral, semestral ou anual. Monitoramento e controle de custos e de orçamentos O monitoramento e o controle do orçamento e, consequentemente, dos custos dependem de avaliações periódicas, que costumam ser expressas por indicares do avanço das etapas do projeto em questão. Para isso, adotaremos instrumentos de controle, os quais nos apontarão a diferença entre a prospecção e a execução das etapas. De acordo com o PMI® (2013), o monitoramento e o controle devem utilizar, como referência, a linha de base dos custos. 39GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Como são áreas com muitas particularidades, o controle dos custos e o orçamento devem ser designados a especialistas. Quem domina as técnicas financeiras reconhecerão e evitarão erros mais facilmente. Outro ponto das atividades de controle que merece destaque é a necessidade de análise concomitante de custos e de prazos, o que ensejará que as decisões sejam tomadas nas situações mais adequadas. Definir e conhecer o controle dos custos e o orçamento de um projeto dependerá da análise dos seguintes elementos: • Componentes dos custos dos produtos e dos serviços; • Metodologias ou métodos de estimativa de custeio; • Técnicas de elaboração do orçamento; • Métodos de controle e de análise de desempenho. O PMI (2013) nos orienta quanto a esses procedimentos, indicando as necessidades do gerenciamento dos custos do projeto em função das suas entradas, das suas saídas e das técnicas empregas. As saídas mais importantes desse processo são apontadas por Rovai (2014): • Medição do desempenho do trabalho planejado, que depende de como os desvios em relação ao prazo e ao orçamento planejados são mensurados e registrados; • Previsão orçamentária – que depende, também, de como os desvios em relação ao prazo e ao orçamento planejados são mensurados e registrados; • Atualização de ativos e de processos organizacionais, que representa como o controle de custos pode resultar em formas inéditas de analisar as práticas vigentes; 40 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS • Solicitações de mudanças – o processo de controle pode indicar que uma revisão na linha de base dos custos é necessária; • Atualização do plano de gerenciamento do projeto – devido às mudanças aprovadas, o plano de gerenciamento de custos e a linha de base de custos podem sofrer alterações; • Atualização de documentos do projeto – os documentos referentes ao controle de custos devem, sempre, estar atualizados; • Gerenciamento do valor agregado – com o escopo e com o prazo, faz parte da linha de base dos custos. Adota o desempenho como referência e cuida de três aspectos: valor planejado – trata-se do orçamento autorizado; valor agregado – trata-se da medida de execução, que é obtida com base no orçamento autorizado; custo real – trata-se do custo efetivo de cada atividade em certo período. Quando algum (ou todos) dos elementos listados se associam às variações no âmbito de um projeto, teremos controle dos custos de um projeto. Além de praticar esses elementos, o controle de custos deve ser acumulativo, o que permitirá que comparemos, de uma maneira geral, os custos de um projeto. (De)composição dos custos e dos orçamentos Decompor o orçamento é um modo de facilitar uma visão panorâmica do orçamento empresarial. Para isso, temos de seguir uma ordem: 41GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS 1. Verificar se o orçamento em questão permite ser descomposto – há casos em que isso não é possível, como por exemplo, quando os pacotes de trabalho não observam o plano de contas contábil; 2. Verificar o critério segundo o qual a estrutura analítica de projetos será construída; 3. Decompor o orçamento até os pacotes de trabalho, que nos permitirão medir os custos de um projeto; 4. Apontar as contas de controle de orçamento mais importantes; 5. Apontar a relação entre a estrutura analítica de projetos, os pacotes de trabalho, o orçamento e o plano de contas; 6. Conferir se a estrutura analítica de projetos está organizada; 7. Decompor o orçamento. Existem duas maneiras de executar a decomposição do orçamento de um projeto– por atividades e por recursos –, ambas relacionadas ao orçamento inicial. De acordo com Vargas (2014), a decomposição do orçamento por atividades promoverá o detalhamento do orçamento com base em cada uma de suas tarefas: citará todas as atividades presentes na estrutura analítica de projetos e associará cada pacote de trabalho aos respectivos custos. Por sua vez, ainda segundo o autor, o orçamento por recursos parece com o anterior, mas representa o custo total do projeto em função dos recursos empregados.Dessa forma, seremos capazes de analisar, individualmente, todos os custos de um projeto. Por sua vez, o orçamento por recursos pode ser 42 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS executado, também, de duas maneiras: por custo por uso e por custo variável por hora de trabalho. Se a administração dos custos de um projeto for implementada adequadamente, com perspectiva de que os resultados de um projeto serão positivos, encontramos, em seu âmbito, os seguintes fatores, tidos como essenciais do sucesso do gerenciamento de custos: • O planejamento terá início com a proposta/síntese de todo o projeto, quando os custos serão mensurados; • Os custos prospectados deverão ser agressivos, sem, no entanto, escapar à realidade; • Serão mensurados os custos associados a trabalho; • Os custos reais e o desempenho de trabalho serão monitorados, como maneira de garantir que as atividades não fujam do orçamento; • Devemos adotar um sistema capaz de coletar gastos reais, gastos comprometidos e valor agregado do trabalho feito. Assim, temos elementos para comparar com o custo orçado acumulado. • Ações corretivas devem ter tomadas imediatamente, caso o projeto se afaste de seu orçamento em quaisquer das suas fases; • Sempre que uma comparação realidade do custo real com o custo orçado for demandada, deveremos adotar, como custos reais, os custos comprometidos; • Para cada período constante nos relatórios, o profissional que executará o trabalho deverá avaliá-lo, coerentemente, com base no escopo de todo o projeto, anotado os dados percentuais relevantes; 43GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS • Quem ficar responsável pelo percentual realizado não pode se limitar ao trabalho pronto, verificando, ainda, o que falta ser executado; • O controle eficiente de um projeto dependerá de os seus custos serem verificados frequentemente. Se as variações de custo forem detectadas precocemente, as ações corretivas poderão ser acionadas a tempo de resolver os problemas; • Devemos lidar com dados atuais e do mesmo período de relatório quando desejarmos analisar o desempenho de custo; • Quando diminuir variações de custo negativas for o nosso objetivo, precisaremos focar atividades de curto prazo e atividades cujas estimativas de custo são altas; • Se os problemas de custos forem solucionados precocemente, o escopo e o cronograma do projeto em questão afetados em menores graus. Contudo, se os custos forem mantidos fora de controle, isso demandará, provavelmente, que o diminuamos o escopo do projeto e/ou que ampliemos o seu cronograma; • É muito mais interessante para o projeto e para a empresa adiar pagamentos e adiantar recebimentos. Tudo o que listamos, individualmente e conjuntamente, demonstram as maiores preocupações de um gerente de projetos, o qual, dominando-as e as respectivas técnicas, evitará surpresas durante a execução de um projeto. 44 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Análise de variações orçamentárias A análise de variações orçamentárias é um processo que envolve a identificação das diferenças entre os custos planejados e os custos reais, e a investigação das causas dessas diferenças. Esse processo é fundamental para garantir a precisão do controle financeiro e para a tomada de decisões estratégicas no gerenciamento de projetos (Dinsmore; Cabanis-Brewin, 2009). Para identificar variações orçamentárias, é essencial comparar regularmente os valores orçados com os valores reais. Isso pode ser feito utilizando ferramentas de software de gerenciamento de projetos que oferecem relatórios detalhados e gráficos comparativos. A análise dessas variações permite aos gestores entenderem se o projeto está dentro do orçamento ou se ajustes são necessários. Identificar as causas das variações orçamentárias é crucial para a implementação de estratégias eficazes de mitigação. As causas podem incluir estimativas de custo imprecisas, mudanças no escopo do projeto, aumento dos preços dos insumos, entre outros fatores (Rovai, 2014). Para mitigar essas variações, é fundamental adotar uma abordagem proativa. Isso inclui a revisão constante das estimativas de custo, a gestão rigorosa do escopo do projeto e a negociação de contratos que previnam aumentos inesperados de preços. Além disso, a criação de reservas de contingência pode ajudar a lidar com variações imprevistas. 45GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Relatórios de desempenho financeiro são documentos que fornecem uma visão detalhada sobre a situação financeira de um projeto, incluindo receitas, despesas, e variações em relação ao orçamento (Gray; Larson, 2010). Esses relatórios são essenciais para a transparência e para a tomada de decisões informadas. Os relatórios de desempenho financeiro devem ser elaborados regularmente e incluir análises detalhadas das variações orçamentárias. Eles devem destacar áreas problemáticas, oferecer explicações para as variações e recomendar ações corretivas. Ferramentas de software de gerenciamento de projetos podem automatizar a geração desses relatórios, proporcionando dados precisos e atualizados. A análise de variações orçamentárias é uma prática essencial para o sucesso financeiro de projetos. A identificação precoce de variações permite ações corretivas rápidas, minimizando impactos negativos no orçamento do projeto. Além disso, entender as causas das variações oferece insights valiosos para melhorar a precisão das estimativas de custo em futuros projetos. Como você pode aplicar a análise de variações orçamentárias no gerenciamento de seus próprios projetos? Quais ferramentas e técnicas podem ser mais eficazes em sua prática profissional? Considerar essas questões é fundamental para desenvolver uma abordagem crítica e estratégica no gerenciamento de custos. 46 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre o monitoramento e controle de custos e orçamentos, destacando a importância de acompanhar e ajustar os custos ao longo do projeto. Discutimos a decomposição e composição dos custos e orçamentos, esclarecendo como essa prática facilita a compreensão detalhada dos elementos de custo e a elaboração de orçamentos precisos. Além disso, exploramos a análise de variações orçamentárias, enfatizando a importância de identificar e entender as variações entre os custos planejados e os reais. Compreender esses conceitos é crucial para a execução bem- sucedida de projetos, garantindo que os recursos sejam utilizados de maneira eficiente e que os custos sejam rigorosamente controlados. Ao longo do capítulo, você foi incentivado a refletir sobre como essas técnicas podem ser aplicadas em sua prática profissional, promovendo uma abordagem crítica e analítica do gerenciamento de custos. 47GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Gestão de custos: modelagem e práticas Ao término deste capítulo, você será capaz de aplicar técnicas de gestão de custos e modelagens práticas, focando na elaboração de cronogramas de custos, na estimativa dos três pontos e na modelagem de custos com aplicações práticas. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Nesse sentido, podemos contar com o uso de modelagens e de práticas no gerenciamento de custos, que deverão ser agregadas ao projeto iterativamente e incrementalmente, englobando o projeto integralmente e visando ao seu sucesso. A mencionada iteratividade associada ao gerenciamento de custos se revelará por meio da adição de custos à realização do projeto. Por sua vez, a incrementalidade associada ao gerenciamento de custos ocorrerá sempre que os seus processos forem atualizados, resultando em custos de projeto mais acurados. De acordo com o PMI® (2013, p. 195), planejar os custos de um projeto éo processo que busca “estabelecer as políticas, os procedimentos e a documentação necessários para o planejamento, gerenciamento, despesas, e controle dos custos do projeto”. As ferramentas e as técnicas de planejamento dos custos são três, as quais são vistas como as mais simples de toda a área: técnicas analíticas, que envolvem os pontos mais estratégicos das finanças de um projeto e estão relacionadas ao tempo e aos riscos desse projeto; opinião especializada, que se constrói com base no histórico da empresa, resultando em um conjunto de informações 48 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS de base sobre o ambiente em que o projeto é executado de considerável relevância. Adotando esse conjunto de informações, os profissionais especializados poderão nos conceder opiniões mais acurada sobre os custos do projeto e, consequentemente, sobre a combinação de técnicas a ser adotada no planejamento de custos. Por último, a equipe responsável por um projeto deve reunir-se, a fim de melhorar o desenvolvimento do plano de gerenciamento dos custos. O gerente do projeto presidirá essa reunião. De acordo com o PMI® (2013, p. 198), os seguintes atores participação de uma reunião com essa: “o patrocinador do projeto, membros selecionados da equipe do projeto e das partes interessadas, qualquer pessoa com responsabilidade nos custos do projeto, e outros conforme a necessidade”. Cronograma de custos No plano de gerenciamento de tempo, devemos incluir o cronograma de um projeto, ao passo que, com o plano de gerenciamento dos custos, conferiremos se existe viabilidade técnica para esse cronograma, sobretudo em relação ao emprego de recursos, tanto os financeiros quanto os físicos e humanos. O cronograma de desempenho, por sua vez, servirá como referência para a avaliação e para o acompanhamento do projeto. Seus principais objetivos são monitorar e revisar as etapas do projeto, para que todos os objetivos explícitos no plano de gerenciamento sejam alcançados. Além de abranger atividades de coleta, de medição e de distribuição de informações de como os pacotes de trabalho de um projeto funcionam, o cronograma de desempenho observará as tendências que, potencialmente, se converterão em melhorias para os processos. 49GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A técnica valor do trabalho realizado utiliza a curva S para aferir variações de tempo, de quantidade e de custos realizados associadas a um processo. Assim sendo, essas variações poderão ser comparadas com os valores presentes no planejamento. Por essa e por outras razões, essa técnica se reverterá em uma análise mais profunda do tempo de um projeto. As curvas do tipo S são três e focam as variações – sejam percentuais, sejam absolutas – dos custos de um projeto; e as quantidades percentuais de custos realizados: • Curva do custo orçado de serviços estimados (COSE); • Curva do custo realizado de serviços realizados (CRSR); • Curva do custo orçado de serviços realizados (COSR). Mensurar os custos de um projeto dependerá da estimativa financeira dos recursos do que será gasto na implementação de suas atividades. Temos de ser cautelosos com isso: em muitos casos, a estimativa de custos será aproximada. Se adotarmos uma que esteja muito distante da realidade, prejudicaremos o nosso projeto. Para estabelecermos a estimativa financeira dos recursos de um projeto, devemos buscar as causas de variação da estimativa final dos custos, focando a proposta de ideal de gerenciamento. Ademais, temos de estar atentos à identificação dos custos e às alternativas de custos. Portanto, concluímos que a mensuração dos custos de um projeto deve ser realizada com a premissa de que, após a sua conclusão, os recursos que foram empregados serão cobrados. Por isso, a financeira dos recursos de um projeto não pode resumir- se à contabilização de mão de obra, de serviços, de materiais, de instalações e de equipamentos. 50 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Reflitamos sobre algo momentaneamente. Somos capazes de mensurar os custos e, assim, finalizarmos o orçamento? Sim, podemos fazer isso, porém apenas se os projetos forem pequenos. Nesses casos, a estimativa consistirá em uma planilha com os recursos implicados na execução do projeto. Contudo, se lidamos com uma empresa, será impossível quantificar custos e orçamentos ao mesmo tempo. Nesse caso, dependeremos de vários setores da empresa, como o de compras, que empregarão técnicas próprias – tomando o setor de compras como exemplos, poderão existir bancos de dados de itens, listas de fornecedores e maneiras específicas de estimar custos. Conhecida, também, como estimativa top-down (de cima para baixo), a estimativa análoga adota custos realizados de projetos anteriores que sejam semelhantes ao atual. Costuma ser empregada na estimativa de custos de projetos e se limita às informações que estão disponíveis, sobretudo nas primeiras fases. A estimativa análoga é um método menos acurado do que outras técnicas. Por isso, somente são aconselhadas se os projetos, realmente, forem muito semelhantes; e se a equipe que o executará for experiente. Por sua vez, a estimativa paramétrica adota, ao mesmo tempo, critérios de projetos anteriores e alguns métodos matemáticos – planilhas, bancos de dados, software etc. – para mensurar custos, orçamento e tempo do projeto atual. Sendo assim, é essencial que as informações utilizadas de projetos anteriores sejam reais, tenham sido quantificadas e sejam coerentes com projeto atual. De acordo com o PMI® (2013, p. 205), ao contrário da estimativa análoga, “esta técnica pode produzir altos níveis de precisão dependendo da sofisticação e dos dados básicos colocados no modelo”. 51GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS De acordo com Nocêra (2012), podemos executar a estimativa paramétrica de duas maneiras diferentes: fontes externas, que são arquivos públicos, como dados de empresas terceiras e de veículos de informação – neste caso, lidaremos com a incerteza de como os dados contidos nas fontes externas foram coletados tratados. Criação de estimativas próprias – neste caso a confiabilidade é muito maior, porque conheceremos todos os procedimentos de coleta e de tratamento de dados, mas, por outro lado, gastaremos muito mais tempo e empenharemos uma quantidade muito maior de recursos humanos. As maiores dificuldades associadas às estimativas próprias são o processo repetitivo que caracteriza o levantamento de dados, por ser repetitivo, necessita de um software específico e a definição das variáveis que atuam no resultado do projeto. Devemos, ainda, adotar certas variáveis matemáticas, como diagramas de dispersão e curvas de aprendizado. Portanto, a estimativa paramétrica, em relação às anteriores, é mais quantitativo do que qualitativa, visando a um resultado mais próximo da previsão por intermédio do cruzamento da quantidade de trabalho a ser executado com a produtividade dos recursos. Estimativa dos três pontos A estimativa de três pontos, que costuma ser conhecida, ainda, como Program Evaluation and Review Technique (PERT), trata-se de uma técnica tanto de estimativa dos custos quanto de estimativa de tempo. De acordo com Greene e Stellman (2010), surgiu da década de 1960, nos Estados Unidos, por parte de organizações de consultoria contratadas pelo governo. Seu principal objetivo é render previsões de tempo mais corretas. Devido às informações que são analisadas e cruzadas, é uma das estimativas mais acuradas. 52 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A estimativa de três pontos busca vislumbrar as ações que virão na sequência das atuais e pode adotar resultados da estimativa análoga e da estimativa paramétrica. Poderá apresentar três diferentes tipos de estimativas quanto aos custos de um projeto: • Custo mais provável (Cmp) – concentra-se em esforços de caráter mais realista e nas despesas previstas para as atividades; • Custo otimista (Co) – assume o cenário mais otimista para as atividades; •Custo pessimista (Cp) – assume o cenário mais pessimista para as atividades. Todos os três tipos de custos são utilizados com a fórmula PERT. Assim, conseguimos custo esperado (Ce) da atividade. Modelagem de custos, práticas e aplicações A modelagem de custos é o processo de criar representações matemáticas e algoritmos para prever e controlar os custos associados a um projeto. Técnicas avançadas de modelagem de custos incluem abordagens como o método da cadeia crítica, análise de valor agregado, e modelagem estocástica, que permitem uma previsão mais precisa e um controle rigoroso dos custos (Rovai, 2014). Essas técnicas utilizam dados históricos, estatísticas e simulações para identificar padrões de custos e prever variações futuras. A análise de valor agregado, por exemplo, integra os custos e cronogramas do projeto para fornecer uma visão abrangente do desempenho financeiro e temporal, permitindo ajustes proativos no planejamento. 53GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Analisar estudos de caso é fundamental para compreender a aplicação prática das técnicas de modelagem de custos. Estudos de caso reais demonstram como empresas enfrentam desafios de gerenciamento de custos e como as técnicas avançadas são implementadas para superar esses desafios (Dinsmore; Cabanis- Brewin, 2009). Por exemplo, em um projeto de construção, a análise de valor agregado pode ser utilizada para monitorar o progresso em relação ao orçamento e ao cronograma, identificando áreas nas quais os custos estão excedendo as estimativas e permitindo ações corretivas. Outro exemplo é o uso da modelagem estocástica para prever custos em projetos de TI, considerando incertezas e variabilidades no desenvolvimento do software. Ferramentas de software especializadas em modelagem de custos são essenciais para implementar técnicas avançadas de forma eficiente. Programas como Microsoft Project, Primavera P6 e ferramentas de ERP (enterprise resource planning) oferecem funcionalidades que automatizam a coleta de dados, a análise e a geração de relatórios, facilitando o gerenciamento de custos em projetos complexos (Gray; Larson, 2010). Essas ferramentas permitem a integração de diferentes fontes de dados, a realização de simulações e a visualização de cenários futuros, proporcionando aos gestores uma visão clara e precisa do estado financeiro dos projetos. O uso de software também melhora a precisão das estimativas e reduz o tempo necessário para a análise de dados. A modelagem de custos avançada é uma competência essencial para qualquer profissional de gestão de projetos. As técnicas discutidas neste subcapítulo fornecem uma base sólida para prever e controlar custos de maneira eficaz, garantindo a sustentabilidade financeira dos projetos. Ferramentas de software 54 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS complementam essas técnicas, oferecendo uma maneira prática de aplicar conhecimentos teóricos em situações reais, facilitando a tomada de decisões informadas e a melhoria contínua dos processos de gerenciamento de custos. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido a importância de um cronograma de custos, destacando como ele pode ser utilizado para planejar e controlar as despesas ao longo do ciclo de vida do projeto. Discutimos a técnica da estimativa dos três pontos, que ajuda a melhorar a precisão das previsões de custos, considerando cenários otimistas, pessimistas e mais prováveis. Além disso, exploramos a modelagem de custos com práticas e aplicações, mostrando como diferentes métodos de modelagem podem ser aplicados para prever e controlar os custos em projetos complexos. Compreender esses conceitos é crucial para a execução bem-sucedida de projetos, garantindo que os recursos sejam utilizados de maneira eficiente e que os custos sejam rigorosamente controlados. Ao longo do capítulo, você foi incentivado a refletir sobre como essas técnicas podem ser aplicadas em sua prática profissional, promovendo uma abordagem crítica e analítica do gerenciamento de custos. 55GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS BRUZZI, D. G. Gerência de projetos. Brasília: Senac, 2008. DINSMORE, P. C.; CABANIS-BREWIN, J. AMA: manual de gerenciamento de projetos. Rio de Janeiro: Brasport, 2009. GIDO, J.; CLEMENTS, J. P. Gestão de projetos. São Paulo: Cengage Learning, 2011. GRAY, C. F.; LARSON, E. W. Gerenciamento de projetos: o processo gerencial. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2010. GREENE, J.; STELLMAN, A. Use a cabeça! PMP. Rio de Janeiro: Alfa Books, 2010. NOCÊRA, R. J. Gerenciamento de projetos: abordagem prática para o dia a dia do gerente de projetos. São Paulo: Ed. do Autor, 2012. ROVAI, R. L. Custos e riscos em projetos. Curitiba: Positivo, 2014. TRENTIM, M. H. Gerenciamento de projetos: guia para certificações CAPM® e PMP®. São Paulo: Atlas, 2014. VARGAS, R. V. Análise do valor agregado: revolucionando o gerenciamento de prazos e custos. Rio de Janeiro: Brasport, 2013. VARGAS, R. V. Manual prático do plano de projeto: utilizando o PMBOK® Guide. Rio de Janeiro: Brasport, 2014. RE FE RÊ N CI A S