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1. Entender a fisiopatologia da gastroenterite bacteriana 
 
Infecção → ocorre a entrada do agente invasor/patógeno no TGI, onde se multiplica. Devido ao tempo gasto para sua 
multiplicação, os sintomas são mais tardios, ocorrendo, geralmente, quadros de febre. 
Intoxicação → causada pela ingestão de uma toxina pré-formada, portanto já começa a agir no momento que atinge o TGI, ou 
seja, seus sintomas são mais rápidos e súbitos, porém os quadros de febre são menos comuns. Um exemplo é a causada pela 
S. aureus. 
Exemplo: doenças enterotoxigênicas, causada pela ingestão do enteroagregativo E. coli, que se liga a mucosa intestinal 
causando diarreia sem febre tipicamente sem febre. 
 
Qual a definição de gastroenterite: 1) Doenças que causam inflamação da mucosa gástrica e intestinal. É considerada uma 
síndrome de dor abdominal, cólica, náuseas, vômitos e diarreia. 2) GASTROENTEROCOLITE AGUDA (Protocolo HCor): É o 
aumento da frequência, quantidade ou diminuição na consistência das fezes, com ou sem acometimento gástrico (náuseas e 
vômitos) com duração menor que 2 semanas. A dor abdominal é a dor visceral ou somática originada na região do abdome. A 
cólica é um tipo de dor abdominal visceral, de início súbito e intensidade progressiva, até diminuir ou desaparecer, originada a 
partir da distensão ou contração do músculo do órgão afetado, como o intestino. Quanto sua duração, a classificação é 
semelhante a de diarreia: 
● Aguda: dura menos de 14 dias. Representa a maioria dos casos, muitas vezes não vista como uma doença, mas sim 
como um incômodo. 
● Persistente: entre 14 e 30 dias. 
● Crônica: mais de 30 dias. 
 
Quanto à sua prevalência, a gastroenterite infecciosa é uma das principais causas de mortalidade e morbidade em todo o 
mundo. 
 
Agente etiológico → a identificação é difícil pois nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas ou procuram 
atendimento médico. Além disso, o exame de cultura de fezes, para identificar causas bacterianas, são positivas em menos 
de 5% dos casos. Pode ter causa viral, bacteriana, parasitária e não infecciosa (medicamentosa ou por ingestão de agentes 
tóxicos, como organofosforados e cogumelos venenosos). Muda com a transmissão, com o alimento, com os sintomas, 
localização (regiões endêmicas, diarreia do viajante). Uma das suas principais causas é a intoxicação alimentar estafilocócica, a 
partir da ingestão da enterotoxina produzida pela S. aureus. 
● O tipo de alimento/substrato vai ser importante na descoberta do agente etiológico da gastroenterite. Por exemplo, a 
enterotoxicose estafilocócica geralmente ocorre após a ingestão de presunto defumado, um alimento com alta pressão 
osmótica, fator que inibe o crescimento de microrganismos competidores da S. aureus. 
● Uma prevenção para a contaminação por esses alimentos é o armazenamento em refrigeração adequada, a fim de 
impedir a formação da toxina, visto que, uma vez produzida, ela é mais estável ao calor e pode sobreviver em até 30 
minutos após o cozimento, enquanto as bactérias não. 
 
As causas virais mais comuns são causadas por rotavírus e norovírus, principalmente em crianças, em que o rotavírus causa 
infecção desidratante grave, agravada pela desnutrição. A introdução da vacina para esse vírus, nos EUA, diminuiu a 
incidência. A gastroenterite por norovírus é a causa não bacteriana mais comum, ocorrem surtos em ambientes fechados, 
gerando sintomas de vômito graves autolimitados, com duração de 12-60h, além de transmissão via oral-fecal. A identificação 
de causas virais parecem ser mais fácil do que a bacteriana, visto que podem ser feitos testes rápidos para o antígeno viral nas 
fezes ou a infecção pode gerar um achado laboratorial, como em infecções por rotavírus, o que não é comum nas outras 
causas. 
 
As causas bacterianas são menos comuns (10% dos casos) mas a gastroenterite bacteriana é a doença mais prevalente 
causada por bactéria. Os exemplos mais frequentes são: 
 
● Salmonela: é a causa bacteriana mais comum nos EUA, transmitida por ovos crus ou mal cozidos, além de carnes, 
laticínios não pasteurizados, frutas, legumes e amendoim. A bactéria tem um curto período de incubação (6-48h) e os 
sintomas, geralmente, persistem por 24h a 1 semana. Podem incluir vômitos, diarreia, dor abdominal em cólica e 
febre. O tratamento recomendado inclui cefalosporinas de 3º geração ou fluoroquinolonas. 
● Campylobacter jejuni: a causa mais comum de gastroenterite bacteriana em todo o mundo. Transmitida por água 
potável contaminada ou animais infectados. 
● Escherichia coli: Pode gerar infecções enterohemorrágicas, enterotoxigênicas, enteropatogênicas (não forma toxinas) 
ou enteroinvasivas. A transmissão ocorre pelo consumo de carne mal cozida, água potável contaminada, leite não 
pasteurizado e contaminação fecal de vegetais crus. Sua toxina destrói as microvilosidades do cólon, podendo 
progredir o quadro de diarreia aquosa para sanguinolenta, cólicas abdominais e vômitos. A febre é tipicamente 
ausente. As causas crônicas ou persistentes estão relacionadas a infecções parasitárias, medicamentos, doenças 
inflamatórias intestinais (doença de Crohn, colite ulcerativa), SII, câncer colorretal, obstrução intestinal, intestino 
isquêmico, má absorção etc. 
 
Gastroenterite transmitida por alimentos (patogênese) 1 a cada 5 episódios de gastroenterite são causados por patógenos de 
origem alimentar, causada por micróbios ou produtos químicos nos alimentos. Sua patogênese pode ser dividida em: 
A. Toxinas pré-formadas (patógeno produz a toxina no alimento antes dele ser consumido) 
a. a. S. aureus (laticínios, carnes, ovos e salada) e Bacillus cereus (alimentos rico em amido) produzindo 
enterotoxinas termoestáveis 
b. geralmente afetam o delgado, provocando náuseas, vômitos profusos e dor/cólica abdominal de início súbito 
c. não há risco de disseminação pessoa/pessoa e é autolimitada (1 dia) 
d. diagnóstico com base na história e diário alimentar e. não são necessário antibióticos, por ser produzida no 
próprio alimento 
B. Toxina no TGI, produzida pelo patógeno após a ingestão do alimento 
a. a transmissão ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados por matéria fecal infectada 
b. as bactérias aderem a parede intestinal e liberam enterotoxinas, que vão puxar fluidos e eletrólitos da 
mucosa para o lúmen, causando diarreia aquosa profusa 
c. a duração dos sintomas é de 48-72h, após passar o período de incubação de 24-72h 
d. tratamento por meio da hidratação e ciprofloxacina ou bactrim 
C. Ação direta do patógeno sobre a parede intestinal, liberando fatores que causam a diarreia inflamatória 
a. transmissão por água contaminada, leite cru, zoológicos, creches 
b. as bactérias atacam as células do ceco e do intestino 
c. nas toxinas shiga (E. coli) destroem as células, gerando o quadro de colite hemorrágica. A diarreia é aquosa e 
vira sanguinolenta, com elevada contagem de glóbulos brancos, dor abdominal, cólicas e vômitos, com 
ausência de quadros de febre. 
d. os sintomas duram 1 semana e o exame de fezes para diagnóstico é indicado 
e. antibióticos empíricos e antiperistálticos podem aumentar a chance de complicações. Os casos se resolvem, 
espontaneamente, em 7-10 dias 
 
A Salmonella é um bacilo/bastonete gram negativo, anaeróbio facultativo, não formadora de endósporo. Seu habitat é o TGI 
de seres humanos e muitos animais, porém não faz parte da microbiota comensal, sendo considerada um patógeno 
intracelular facultativo. Todas as salmonelas são patogênicas (2 mil sorotipos), gerando um quadro de salmonelose ou 
gastroenterite por Salmonella. 
➔ Tipos: salmonella tifóide, que causa a febre tifóide, e salmonella não tifóide, que causa uma salmonelose branda. 
➔ Transmissão: a transmissão ocorre pelo contato com animais e pela ingestão de produtos à base de carne, visto que o 
TGI de muitos animais são sua fonte, como as tartarugas/répteis. A bactéria também desenvolveu a capacidade de sobreviver 
na albumina,que contémconservantes, como a lisozima e a lactoferrina. Alimentos a base de ovo cru, como molho holandes, 
cobertura de biscoito, salada Caeser, além de sorvete, amendoim, frutas e legumes são fontes de grande probabilidade de 
transmissão 
 
➔ Patogênese: 
 
1. As bactérias que conseguem sobreviver à acidez estomacal colonizam e invadem o intestino, penetrando no endotélio 
por invasão direta (enterócitos) ou através de células dendríticas inseridas no epitélio (células M). 
2. Para conseguir atravessar a barreira epitelial, ela induz a modificações na membrana células do hospedeiro. Assim, 
elas precisam de ferro para seu metabolismo e utilizam a salmoquelina para capturá-lo, quelantes 
sideróforos/moléculas que puxam semelhantes as enterobactinas e enteroquelinas das bactérias da microbiota. 
3. As células do epitélio, ativadas pela cascata inflamatória, liberam lidocaína, que liga-se a enterobactina, impedindo 
que as bactérias do lúmen absorvam ferro e se multipliquem. No entanto, a salmoquelina não se liga à lidocaína, 
garantindo vantagem para a multiplicação da Salmonella. 
4. Outra vantagem adaptativa é que o ambiente anaeróbio intestinal permite o metabolismo fermentativo da bactéria. 
Assim, a microbiota produz H2S, convertido em tiosulfato pelas células epiteliais -> neutrófilos da inflamação 
converte-o em tetrationato, o qual vai ser usado como aceptor final de elétron na respiração anaeróbia da Salmonella. 
Esse processo, mais eficiente que a fermentação, garante maior quantidade de energia para a multiplicação do 
patógeno. 
 
5. Ao penetrarem no epitélio, elas 
adentram nos sistemas linfáticos e 
circulatório, onde podem se disseminar 
para muitos outros órgãos. 
6. Uma vez que conseguem invadir, 
iniciam uma resposta inflamatória com a 
liberação de citocinas, neutrófilos, 
macrófagos e células T e B. Essa 
resposta diminui a flora intestinal 
normal, facilitando a proliferação do 
patógeno. 
7. Dentro dos macrofagos, elas se 
multiplicam rapidamente, com um 
período de incubação de 12-36h (varia 
de acordo com o número de bactérias 
ingeridas). 1 bilhão de salmonelas por grama de fezes podem ser encontradas em uma pessoa durante a fase aguda da 
doença. O tipo não tifóide produz uma resposta mais localizada e é menos invasivo do que o tifóide, com pouca frequência de 
bacteremia. 
➔ Diagnóstico: o isolamento do patógeno pela cultura de fezes ou por resto de alimentos, requerendo meio especializado, 
seletivo e diferencial. A dose infecciosa pode ser pequena, como 1 mil bactérias. PCR tem sido utilizada para detectar 
pequenas quantidades no alimento, requerendo cerca de 5h para identificar os sorotipos clínicos. 
➔ Sintomas: febre moderada, náuseas, dor abdominal, cólica e diarreia. Costumam durar de 1 a 7 dias. 
➔ Complicações: a taxa de mortalidade é baixa, inferior a 1%, sendo maior em lactentes e idosos, sendo a morte decorrente 
de choque séptico. 
➔ Recuperação: pode ser completa em alguns dias (2 a 5 dias), mas ainda são encontradas bactérias nas fezes por até 6 
meses. 
A terapia antibiótica não é útil no tratamento e em muitas outras doenças diarreicas, sendo restrito a terapia de reidratação 
oral. 
➢ As exceções para uso de antibiótico são doenças graves, extremos de idade, doença cardíaca valvular, uremia ou 
malignidade. Geralmente, é prescrito cefalosporinas de 3° geração ou fluoroquinolona por 5 a 7 dias. 
➔ Prevenção: ingestão de ovos bem cozidos; boas práticas de manipulação e refrigeração correta, para impedir a multiplicação 
bacteriana. Em geral, micróbios são destruídos pelo cozimento normal. 
 
 
2. Descrever o exame físico e o quadro clínico da gastroenterite 
 
3.1 Anamnese e Exame Físico 
A anamnese detalhada é fundamental na avaliação do paciente com suspeita de gastroenterite. Os principais aspectos a 
serem considerados incluem: 
● História de Exposição: Inquérito sobre viagens recentes, consumo de alimentos de risco, contato com pessoas 
doentes e histórico de surtos na comunidade. 
● Sintomas Clínicos: Avaliação da gravidade dos sintomas, incluindo a frequência e características da diarréia (se é 
aquosa ou sanguinolenta), presença de vômitos, dor abdominal e febre. 
● Duração dos Sintomas: Tempo de início dos sintomas e se houve melhora ou agravamento. 
● Condições de Saúde Pré-existentes: Presença de comorbidades que podem complicar a condição, como doenças 
auto-imunes ou imunossupressão. 
O exame físico deve focar na avaliação do estado de hidratação do paciente, sinais de desidratação (como mucosas secas, 
diminuição da turgor cutâneo e taquicardia) e avaliação abdominal (palpação para detectar dor ou distensão). 
 
3.2 Exames Laboratoriais e Diagnósticos 
A maioria dos casos de gastroenterite é autolimitada, mas exames laboratoriais podem ser indicados em casos graves ou 
prolongados. Os principais exames incluem: 
● Hemograma Completo: Para avaliar sinais de desidratação, infecção e anemia. 
● Exame de Fezes: Fundamental para a identificação de patógenos, como vírus, bactérias e parasitas. O teste de 
presença de toxinas, como as produzidas por E. coli e Clostridium difficile, também é relevante. 
● Culturas de Fezes: Podem ser realizadas para identificar bactérias específicas em casos suspeitos de gastroenterite 
bacteriana. 
● Exames de Imagem: Em casos de complicações, como obstrução ou perfuração, a ultrassonografia ou tomografia 
abdominal podem ser indicadas. 
 
3.3 Diferenciação Clínica entre Gastroenterites Virais e Bacterianas 
A diferenciação entre gastroenterites virais e bacterianas pode ser desafiadora, mas 
algumas características podem auxiliar na identificação: 
● Gastroenterites Virais: 
● Início súbito dos sintomas. 
● Diarréia aquosa e abundante. 
● Sintomas acompanhados de vômitos. 
● História de surtos em locais fechados (escolas, lares). 
● Duração típica de 24 a 72 horas. 
● Gastroenterites Bacterianas: 
● Início pode ser mais gradual ou abrupto. 
● Diarreia sanguinolenta ou com muco (especialmente em infecções 
por Shigella ou EHEC). 
● Febre alta e dor abdominal intensa. 
● História de consumo de alimentos contaminados. 
● Duração dos sintomas geralmente mais longa, podendo ultrapassar 72 horas. 
 
3. Compreender a conduta terapêutica em casos de gastroenterite (plano para hidratação) 
 
O tratamento da gastroenterite aguda pode contar com hidratação endovenosa — caso haja sinais de desidratação e 
incapacidade de hidratação oral domiciliar — medicações sintomáticas, dieta com base na aceitação do paciente e na restrição 
de laticínios, probióticos e ATBs → cuja utilização só é recomendada em quadros nos quais idade > 70, evacuação 
mucosanguinolenta, imunossupressão, comorbidades, temperatura > 38,5 °C e/ou dor abdominal refratárias, uso de ATB e/ou 
 
hospitalização recentes e sinais de sepse (ANDRADE et al., 2017). Além disso, na maioria dos casos, a doença é comumente 
autolimitada, não sendo necessária a antibioticoterapia, mas, caso necessária, é ímpar identificar padrões locais de resistência 
microbiana para reduzir as chances de falhas na terapia (SHREYA et al., 2024). 
A importância da administração de 
probióticos durante o tratamento consiste 
na regulação intestinal após a resolução 
do quadro clínico, visto que há pequena 
redução na sua duração (ANDRADE et al., 
2017). Ademais, antidiarreicos, como a 
loperamida, cujo efeito promove a 
redução da motilidade intestinal devem 
ser evitados, sendo que, em quadros de 
diarreia acompanhada de muco e sangue 
e de temperatura febril, o uso da 
loperamida é contraindicado (ANDRADE 
et al., 2017). Subsalicilatos de bismuto 
podem ser utilizados para controlar a 
frequência das evacuações durante crises 
de gastroenterite leve a moderada 
(RIDDLE et al., 2016). 
 
Orientações de alta 
● Diminuir suas atividades até você se sentir melhor ou a diarreia e vômitos pararem; 
● Beber aproximadamente dois litros de líquidos por dia, como água, isotônicos, chás sem cafeína e água de coco; 
● Diminuir ou evitar a ingestãode leite e derivados, café e bebidas que tenham cafeína e refrigerantes até resolução do 
quadro; 
● Evitar comer alimentos gordurosos, grãos (feijão, grão de bico, lentilha, milho), frutas, verduras e salada crua; 
● Por 3 dias dê preferência para comer arroz, legumes cozidos (como batata, mandioca, cenoura, chuchu), carnes 
grelhadas bem passadas ou cozidas, macarrão, pão, bolacha água e sal, torradas sem fibra, banana e maçã. 
 
Após 3 dias reintroduza sua dieta habitual lentamente. De acordo com a OMS, deve-se cuidar para que o paciente com 
diarréia persistente receba uma quantidade diária de: 50 Mg de folato, 10 mg de zinco, 400 Mg de vitamina A, 1 mg de cobre e 
80 mg de magnésio. Terapia de reidratação oral 95% dos casos de diarreia conseguem ser resolvidos a partir da reidratação 
oral. Essa modalidade terapêutica apoia-se no princípio fisiológico de que o transporte ativo de sódio-glicose-água está 
preservado nos enterócitos em casos de diarreia aguda, independente de sua etiologia. O Na+ se move a favor de seu 
gradiente concentração e a glicose e alguns aminoácidos liga-se a esse carreador (proteína transportadora) para aproveitar o 
transporte, indo contra seu gradiente de concentração. Essa diferença de concentração de sódio foi gerada pela bomba 
Na+/K+, portanto esse transporte é chamado de secundário. A mudança conformacional da proteína não ocorre até que a 
molécula de glicose se liga, mesmo se a de sódio já estiver lá. A ligação do Na+ cria um sítio de ligação para a glicose, que 
quando se liga, muda a conformação do carreador, sendo liberado os dois juntos (SIMPORTE). Ocorre, principalmente, em 
células renais e intestinais, para promover a absorção dessas substâncias pelo sangue. 
 
A desidratação pode ocorrer tanto na diarréia aguda quanto na persistente. Em 1970/1980, no Brasil, houve o emprego da 
recomendação da OMS em relação a solução de 90mmol de sódio por litro. Em 2002, a OMS alterou a composição com a 
diminuição das concentrações de sódio e glicose (= soro oral com baixa osmolaridade). No entanto, no Brasil, são 
comercializadas soluções com composição variável nessas concentrações. O soro caseiro não contém citrato (para gerar 
bicarbonato) e potássio. Além disso, a glicose é substituída pela sacarose (glicose + frutose). Assim, ele é gerado pela mistura 
de sal de cozinha, açúcar e água, sendo suas medidas mais próximas das recomendadas quando utilizada a colher de 
dupla-concha, recomendada pela Unicef. 
 
 
Para cada 200ml de água, utiliza-se: OU 1 colher de chá de sal (3,5 g) + duas colheres de sopa de açúcar (20 g) + 1 litro de 
água filtrada. Uma vez preparado, o soro caseiro tem validade de 24h e adultos devem ingerir 150 a 300 ml do soro/hora, já 
em crianças, deve haver a ingestão de 50 ml por kg, a cada 4h. 
 
➢ A reidratação evita complicações como hiponatremia, hipocalemia e acidose metabólica. 
➢ A hidratação não pode ser feita só com água devido ao risco de hiponatremia. 
➢ Não devem ser administrados refrigerantes ou sucos de frutas que apresentem elevada osmolaridade. 
➢ Bebidas isotônicos ou esportivas, tais como o Gatorade, também não são o tipo de líquido mais adequado para reidratação 
em caso de diarreia mais intensa, mas podem ser usados em diarréias leves, nas quais o paciente encontra-se com bom estado 
geral. Isso porque essas bebidas contém um alto teor calórico, com quantidades excessivas de açúcar, o qual pode agravar a 
diarreia (aumento da pressão osmótica). Os objetivos da utilização dos soros são: ● reposição de perdas para prevenir a 
desidratação. Nesse caso, são usados soros com menor concentração de sódio. ● reversão da desidratação (fase de reparação) 
para paciente com diarreia 
 
4. Explicar os aspectos farmacológicos da loperamida e do ciprofloxacino 
 
CIPROFLOXACINO → O ciprofloxacino é um antibiótico de largo espectro que faz parte do grupo das fluoroquinolonas, uma 
classe de agentes antimicrobianos que atuam inibindo a topoisomerase bacteriana. É considerada uma fluoroquinolona de 
segunda geração, sendo sintetizado a partir do ácido nalidíxico. O ciprofloxacino está disponível para administração oral, 
intravenosa e oftálmica. Tipicamente, as doses orais são de 250 a 750 mg e as doses intravenosas de 200 a 400 mg, 2 
vezes/dia. É possível ainda a utilização do medicamento com preparação para liberação prolongada, que poderá ser 
administrado 1 vez/dia, facilitando a adesão ao tratamento. O ciprofloxacino é o medicamento mais utilizado dentre as 
fluoroquinolonas, possuindo um amplo espectro antibacteriano. É efetivo contra uma série de bactérias gram-negativas, 
gram-positivas e microrganismos resistentes a outros antibióticos (como penicilina, cefalosporinas e aminoglicosídeos). 
Dentre os microrganismos sobre os quais atua, é possível citar enterobactérias, pseudomonas, H. influenzae e estafilococos. 
Não são utilizadas em enterococos devido à grande incidência de resistência antimicrobiana. 
 
Indicação → O ciprofloxacino 500 mg é um antibiótico de largo espectro, indicado para o tratamento de infecções como 
infecções no ouvido, olhos, rins, pele, ossos, órgãos genitais, cavidade abdominal, articulações, trato urinário ou trato 
respiratório e sinusite, em adultos. Além disso, o Ciprofloxacino também é indicado no tratamento de casos de infecção 
generalizada no corpo. O ciprofloxacino é utilizado principalmente para o tratamento de infecções locais e sistêmicas 
causadas por bacilos e cocos gram negativos, como infecções do trato urinário e infecções gastrointestinais. Possui boa 
atividade contra P. aeruginosa, sendo utilizado nos pacientes com fibrose cística e no tratamento da febre tifóide pela ação 
contra a Salmonella typhi. É utilizado ainda como profilaxia pós-exposição ao carbúnculo (antrax). Além disso, é utilizado 
como fármaco de segunda escolha para o tratamento de tuberculose. Possui pouca atividade para o S. pneumoniae, não sendo 
a primeira escolha para o tratamento de infecções respiratórias causadas por esta bactéria. 
 
Posologia → Os comprimidos de Ciprofloxacino devem ser administrados de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas, de acordo 
com indicação médica, e devem ser engolidos inteiros, juntamente com um copo de água, sem partir ou mastigar. 
Ciprofloxacino pode ser encontrado na forma de comprimidos de 250 mg, 500 mg ou 1000 mg. Há a forma oral, de uso mais 
comum, e a injeção intravenosa, considerada naqueles pacientes com baixa absorção gastrointestinal, que sofrem de 
diarreia, por exemplo, e que geralmente estão internados. A dose varia conforme a função renal do paciente e a gravidade 
da infecção. Pode ser tomado de duas a três vezes por dia. 
 
Efeitos Colaterais → alguns dos efeitos colaterais de Ciprofloxacino podem incluir náusea, vômito, diarreia, urticária na pele, 
dor abdominal, sapinho, gases, sensação de cansaço e fraqueza, dores nas articulações, tontura, dor de cabeça, dificuldade em 
dormir, agitação ou alterações do sabor. 
● Comum → vômito, aumento transitório das transaminases, rash cutâneo; 
 
● Incomum: Trombocitopenia, plaquetose, confusão e desorientação, alucinações, parestesia, disestesia, convulsão, 
vertigem, distúrbios visuais, perda de audição, taquicardia, vasodilatação, hipotensão, alteração hepática transitória, 
icterícia, insuficiência renal, edema. 
● Rara → pancitopenia, depressão da medula óssea, choque anafilático, reações psicóticas, enxaqueca, distúrbios do 
olfato, alteração da audição, vasculite, pancreatite, necrose hepática, petéquias, ruptura de tendão. 
 
Contraindicações → ciprofloxacino está contraindicado para mulheres grávidas ou amamentando, para crianças e adolescentes 
em fase de crescimento e para pacientes com alergia ao Cloridrato de ciprofloxacino ou a algum dos componentes da fórmula. 
 
Mecanismo de Ação → é um antibiótico sistêmico, pertencente ao grupo dos quinolônicos, capaz de inibir a DNA-girase 
bacteriana, bloqueando assim o metabolismo bacteriano, o que leva à eliminação do microorganismo.Assim, o Ciprofloxacino 
tem um elevado efeito bactericida sobre um amplo espectro de micro-organismos. O Cloridrato de Ciprofloxacino é um 
composto com eficaz tanto na fase de multiplicação, como na fase vegetativa contra diversos microorganismos 
Gram-negativos e Gram-positivos, como Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus e Streptococcus. 
 
As fluoroquinolonas atuam a partir da inibição das topoisomerases bacterianas do tipo II (topoisomerase II e topoisomerase 
IV – podem inibir apenas uma delas ou ambas). A topoisomerase II ou DNA-girase é uma enzima que permite a transcrição e 
replicação do DNA ao produzir a super-helicoidização negativa do mesmo. Assim, quando inibida, faz com que ocorra o 
relaxamento do DNA super espiralado bacteriano e consequente quebra da fita de DNA, tornando impossível sua replicação. 
É o principal alvo das quinolonas nas bactérias gram-negativas. A inibição da topoisomerase IV promove, por sua vez, uma 
perda da estabilização dos cromossomos durante a divisão celular, sendo o alvo principal no combate às bactérias 
gram-positivas. 
 
Farmacocinética → o ciprofloxacino é bem absorvido pela via oral, possuindo uma biodisponibilidade de 70-80%, sendo que 
os níveis séricos alcançam o pico em cerca de 1 a 3 horas (esse intervalo pode ser aumentado por alguns alimentos). A 
distribuição do medicamento ocorre ligada a proteínas plasmáticas em 10% a 40%, alcançando todos os líquidos e tecidos 
corporais. Concentra-se principalmente na urina, rins, próstata, pulmões, ossos, macrófagos e neutrófilos, sendo a 
concentração do medicamento nesses tecidos maior que a sérica. A excreção é realizada por meio dos rins, portanto é 
necessário o ajuste da dose em pacientes com disfunção renal. 
 
Advertências e Precauções → antes de tomar Cloridrato de Ciprofloxacino deverá falar com o seu médico ou farmacêutico se 
tiver mais de 65 anos, tiver problemas relacionados com o sistema nervoso, sistema gastrointestinal ou sistema 
músculo-esquelético, tiver historial de alergias a outros remédios, comidas, corantes ou conservantes, tiver problemas de 
consumo excessivo de álcool ou se estiver a tomar outros medicamentos, incluindo medicamentos sem receita médica. 
Durante o tratamento com Ciprofloxacino deve-se tomar especial cuidado ao dirigir veículos ou máquinas, pois este 
medicamento pode causar cansaço e fraqueza extrema. Além disso, durante o tratamento deve-se também evitar a exposição 
solar excessiva, pois o Cloridrato de Ciprofloxacino pode causar reações na pele de sensibilidade à luz solar. O tratamento 
com Ciprofloxacino nunca deve ser interrompido sem conhecimento do seu médico e os horários, as doses e duração do 
tratamento devem ser rigorosamente respeitados. 
 
Superdosagem → em casos de superdose oral aguda, tem-se reportado ocorrência de toxicidade renal reversível. Além das 
medidas habituais de emergência, recomenda-se monitorar a função renal, incluindo pH urinário e acidez, se necessário, para 
prevenir a cristalúria. Os pacientes devem ser mantidos bem hidratados. Antiácidos contendo cálcio ou magnésio podem 
reduzir a absorção de ciprofloxacino na superdose. Apenas uma pequena quantidade do ciprofloxacino (menos de 10%) é 
eliminada por hemodiálise ou diálise peritoneal. 
 
Interações Medicamentosas → Ciprofloxacino não deve ser administrado em conjunto com alguns medicamentos ou 
substâncias sem orientação médica, como medicamentos contendo ferro, sucralfato ou antiácidos e medicamentos 
tamponados, contendo magnésio, alumínio ou cálcio. A administração concomitante de Cloridrato de Ciprofloxacino e 
 
laticínios ou bebidas enriquecidas com minerais (por exemplo, leite, iogurte, suco de laranja enriquecido com cálcio) deve 
ser evitada porque a absorção do Cloridrato de Ciprofloxacino pode ser reduzida. Contudo, o cálcio da dieta, proveniente da 
alimentação normal, não afeta significativamente a absorção. 
 
LOPERAMIDA → CLORIDRATO DE LOPERAMIDA (IMOSEC) 
 
A loperamida é um agonista opióide derivado das fenilpiperidinas, normalmente utilizado no controle de diarreias. Por agir 
sobre os receptores opióides μ, somado ao fato de não ter a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, não 
agindo sobre os receptores do sistema nervoso central (SNC), a loperamida acaba não possuindo nenhuma propriedade 
analgésica ou potencial de adição. Seu potencial de abuso é deveras baixo, visto que seu acesso ao cérebro é limitado. 
Devido a isso, a compra de loperamida pode ser realizada sem a necessidade de uma prescrição médica. Normalmente, a 
administração farmacológica é feita em doses de 2 mg, podendo ser realizadas de 1 a 4 vezes por dia. Não há relatos na 
literatura sobre o desenvolvimento de tolerância diante do seu uso prolongado. 
→ Apresentação: Comprimidos de uso oral Uso adulto Comprimidos de 2mg em embalagem contendo de 12 a 200 
comprimidos 
→ Contém: Cloridrato loperamida………………………………2mg Excipientes (celulose microcristalina, estearato de magnésio, lactose 
e amido) q.s.p……1mg de 
 
Mecanismos de ação → O sítio de ligação da loperamida são os receptores opiáceos da parede intestinal. Com a interação, 
ocorre a inibição de liberação de acetilcolina e prostaglandinas, resultando na redução dos movimentos peristálticos 
propulsivos e, assim, aumentando o tempo de trânsito intestinal. A loperamida também age aumentando o tônus do esfíncter 
anal, reduzindo, dessa maneira, a sensação de urgência e de incontinência fecal. 
 
Absorção: 
● A maior parte da loperamida ingerida é absorvida no intestino. Contudo, como resultado de um metabolismo de 
primeira passagem significativa, a biodisponibilidade dessa droga atinge aproximadamente 0,3%. 
Distribuição: 
● O fármaco apresenta alta afinidade pela parede intestinal, ligando-se preferencialmente aos receptores da camada do 
músculo longitudinal. A porcentagem de loperamida ligada a proteínas plasmáticas é de 95%, sendo a principal a 
albumina. 
 
Metabolismo: a loperamida possui excreção quase que completamente hepática, sendo metabolizada, conjugada e excretada 
pela bile. Graças aos intensos efeitos de primeira passagem, as concentrações plasmáticas do ativo inalterado são muito 
baixas. 
 
Eliminação: o tempo de meia-vida da loperamida em homens é de aproximadamente 11 horas, possuindo uma faixa de 
variação de 9 a 14 horas. Os metabólitos, bem como a loperamida inalterada, são excretadas principalmente por meio das 
fezes. 
 
O tratamento medicamentoso realizado com cloridrato de loperamida está indicado para pacientes que apresentam: 
● Diarreias agudas inespecíficas. 
● Diarreias crônicas espoliativas, associadas a doenças inflamatórias (como Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa). 
● Ileostomias e colostomias com grande perda hidroeletrolítica. 
 
Contraindicações → medicação de uso exclusivo para adultos, não devendo ser utilizado em crianças. 
● USO NÃO INDICADO: EM CRIANÇAS COM DIARREIA AGUDA OU PERSISTENTE; 
● PACIENTES COM HIPERSENSIBILIDADE AO CLORIDRATO DE LOPERAMIDA OU A QUALQUER EXCIPIENTE EM 
SUA COMPOSIÇÃO. 
 
 
O cloridrato de loperamida não deverá ser considerado tratamento de primeira classe para pacientes que apresentarem: 
● Disenteria aguda (pacientes com sangue ou pus nas fezes, associado a febre) 
● Colite ulcerativa aguda 
● Enterocolite bacteriana causada por agentes invasores da flora, como Salmonella, Shigella e Campylobacter. 
● Colite pseudomembranosa associada ao uso de antibioticoterapia de amplo espectro 
● O cloridrato de loperamida não deve ser utilizado em pacientes com inibição do peristaltismo, visto que possui risco de 
gerar sequelas no íleo, megacólon e megacólon tóxico. 
● O cloridrato de loperamida deve ser interrompido rapidamente em caso de constipação, distensão abdominal ou 
distensão de íleo. 
 
Efeitos adversos A segurança do cloridrato de loperamida no tratamento da diarreia aguda e crônica foi avaliada em estudos 
clínicos. Os efeito adverso mais comuns de ocorrer com o uso de loperamida são: 
● Reaçõesem ≥ 1% dos pacientes tratados com cloridrato de loperamida que participaram de estudos clínicos de 
diarreia aguda: Constipação, flatulência, cefaléia e náuseas. 
● Reações emno município (urbano/rural), estado e 
país; e tempo de permanência. - Realizar levantamento sobre condições de saneamento, como fontes de 
abastecimento de água e o tratamento dispensado, situação do manuseio, acondicionamento e dispensação de 
resíduos sólidos/lixo nos ambientes domiciliar, de trabalho, escolar e em qualquer outro em que haja a suspeita da 
transmissão. • Para determinação da extensão da área de transmissão - Identificar a distribuição geográfica 
predominante – bairro de residência, escola, local de trabalho, ou outra localidade. - A análise espacial, da 
extensão da área de transmissão, permite identificar se o surto afeta uniformemente toda a área, ou se há locais 
que concentram maior número de casos e de maior risco. Por exemplo, quando a distribuição apresenta uma 
concentração num determinado ponto, é sugestivo serem a água, alimento ou outras fontes comuns os possíveis 
 
causadores da transmissão. • Coleta e remessa de material para exames - É indicado que sejam coletadas 
amostras clínicas de pacientes, dos alimentos e da água, o mais precocemente possível, considerando-se os 
resultados das investigações realizadas e as orientações técnicas do laboratório. - Quando houver coleta de 
amostras de água em surtos de DDA, deve-se solicitar que o laboratório faça o exame microbiológico (para 
identificar o agente etiológico) e não somente a análise da potabilidade da água. Encerramento de surto Após a 
coleta e análise de todas as informações necessárias à investigação, o surto deve ser encerrado nos sistemas de 
informação. 
 
 
 
 
Surto A ocorrência de dois casos de DDA ou mais, relacionados entre si, com histórico de exposição à mesma 
fonte ou de alteração do padrão epidemiológico (aumento de casos, ocorrência de casos Doenças diarreicas 
agudas 397 graves, mudança de faixa etária e/ou sexo), considerando o monitoramento sistemático local. 
 
 
 
 
 
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